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sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Brasil/"Vitória histórica para a educação brasileira", diz Vic da UNE
Brasil/Royalties servirão para construir escolas e pagar professores
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse que os recursos dos royalties do petróleo destinados pelo Congresso à educação e à saúde poderão custear novas escolas, novos equipamentos e até mesmo o pagamento de pessoal. “Esse dinheiro pode ir para investimento, novas escolas, equipamentos e para o pagamento de professores, já que não se faz educação sem pagar bem professores”, disse.
Mercadante acompanhou nesta quarta-feira (14) a votação da proposta dos royalties em Plenário da Câmara e lembrou que o Executivo já tentou sem sucesso, por duas vezes, vincular o dinheiro do petróleo para educação.A proposta fez parte do projeto derrotado de redistribuição dos royalties entre todos os estados e também foi objeto de uma medida provisória que caducou sem votação. Já o projeto aprovado pela Câmara divide entre educação e saúde os recursos dos royalties do petróleo e do Fundo Social do pré-sal.
sábado, 5 de setembro de 2009
Brasil/CARTA DE APOIO DA CNBB AO 15º GRITO DOS EXCLUÍDOS
[ADITAL] 4 setembro 2009
CNBB *
Irmãos e Irmãs!
A Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade da Justiça e da Paz - CNBB, juntamente com a coordenação nacional do Grito dos Excluídos, Pastorais Sociais e Movimentos Populares, convida as comunidades, Igrejas, escolas, universidades e organizações sociais, a participarem das diversas atividades do Grito dos Excluídos Nacional, que se realiza em localidades de todos os Estados do País, na semana que antecede o dia 7 de setembro.
O Grito dos Excluídos, em seus 15 anos de existência, vem se afirmando como importante mobilização popular, na Semana da Pátria, em vista da construção de um projeto popular para o Brasil.
O tema deste ano, "Vida em primeiro lugar: a força da transformação está na organização popular", pretende anunciar, através das diferentes manifestações, sinais de esperança, unidade, organização e da luta popular, e denunciar as formas de injustiça social e degradação do Planeta.
No dia 7 de setembro, junto com o 15º Grito dos Excluídos, acontece, em Aparecida, (SP), a 22ª Romaria dos Trabalhadores com o lema: "A sabedoria dos pobres derrota as armas dos poderosos". O grito visa também; lutar contra as formas de exclusão e as causas que levam o povo a viver em condições de vida precárias e, muitas vezes, sem perspectiva de futuro; denunciar a política econômica que privilegia o capital financeiro em detrimento dos direitos sociais básicos; construir alternativas que tragam esperança aos excluídos e perspectivas de vida para as comunidades locais; promover a pluralidade e igualdade de direitos, bem como o respeito nas relações de gênero, raça e etnia; multiplicar assembléias populares para discutir a organização social a partir do Município, fortalecendo o poder popular.
Diante de situações de exclusão, Jesus defende os direitos dos fracos e o direito a uma vida digna para todo o ser humano. O compromisso com esta causa nos compromete no esforço de superação da exclusão, participando da construção de uma sociedade justa e solidária.
Dom Pedro Luiz Stringhini
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz
04/09/2009
* Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil
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quinta-feira, 16 de julho de 2009
Honduras/POR UMA CONSTITUINTE E O FIM DAS FORÇAS ARMADAS
10 julho 2009/http://www.adital.com.br
IHU - Unisinos *
"Estou escrevendo isso enquanto as lágrimas correm pela minha face, choro por meu povo, porque parece que não temos saída", confessa-nos o jesuíta, teólogo e economista estadunidense, Peter Marchetti, que é diretor de pesquisas na Universidade Rafael Landívar, da Guatemala, confiada aos jesuítas, e que residiu por alguns anos em Honduras. Assim, ele explica, na entrevista que concedeu por e-mail, quem é Manuel Zelaya e Roberto Micheletti e qual a representatividade deles para o povo hondurenho. Além disso, Marchetti fala dos Direitos Humanos e sociais em Honduras e sobre a posição da Igreja hondurenha diante do golpe militar dado no dia 28 de junho de 2009. "A situação da maioria do povo pobre piorará devido a uma suspensão do apoio financeiro internacional que será mais efetiva do que o bloqueio comercial", revela o jesuíta.
Peter Marchetti, antes de atuar em Honduras, trabalhou na Nicarágua, nos primeiros anos depois da vitória da revolução sandinista, sempre apoiando as lutas camponesas da América Central.
Confira a entrevista.
IMPASSE PERIGOSO
Antes de responder suas perguntas, quero contextualizar esta entrevista neste momento do início do impasse entre a OEA e o governo hondurenho de fato. Há algum tempo, o presidente Manuel Zelaya e o Presidente da Assembléia Geral das Nações Unidas, Miguel D’Escoto (1), não puderam aterrissar no Aeroporto Tocontín por ameaças de abrir fogo contra seu avião por parte das forças armadas golpistas. Meia hora antes, o mesmo exército abriu fogo contra manifestantes que apóiam o regresso de Zelaya, deixando dois menores de idade mortos. A Polícia Nacional se ausentou do lugar dos fatos em protesto contra a violência do exército.
Dentro do possível vou deixar que o povo hondurenho fale através das minhas respostas, porque é a única voz capaz de romper o impasse que se iniciou. Começo com uma voz do primeiro dia de protestos em San Pedro Sula (2):
Estou escrevendo isso enquanto as lágrimas correm pela minha face, choro por meu povo, porque parece que não temos saída.
Estive lá e senti o gás na minha garganta e a ardência em meus olhos, vi o desespero das pessoas e a raiva dos jovens que queriam se defender com paus e pedras. Estive lá, senti e vi a maneira como levavam algumas das pessoas que expressavam seu repúdio ao que tem sido feito com nosso país.
Estive lá e me encontrei com a convicção de um povo que, apesar da repressão, está disposto a continuar a batalha para recuperar esta pátria das mãos dos que sempre nos condenaram a viver de forma miserável.
Hoje nos dispersaram, mas não acabaram com a resistência e a luta deste povo que já está farto de tanta injustiça.
IHU On-Line - Como o senhor percebe os recentes fatos ocorridos em Honduras, a partir de seu reconhecido trabalho pelos Direitos Humanos?
Peter Marchetti - Percebo que meus companheiros e companheiras hondurenhas, que fizeram o valente trabalho em favor dos direitos humanos na década de 1990, agora sofrem com o fantasma do imperialismo norte-americano reencarnado no golpe militar de domingo, dia 28 de junho, e estão forjando uma resposta cidadã.
Percebo que os prêmios e reconhecimentos para a luta em favor dos direitos humanos não valem nada se as forças sociais a favor da equidade e da participação democrática não buscarem uma unidade multisetorial e multipartidária a favor de uma assembleia constituinte que Honduras necessita para abolir suas forças armadas e sair do labirinto de elitismos e protagonismos militares, econômicos e políticos.
Percebo que meus amigos e amigas hondurenhos devem responder a estas perguntas a partir do seu posicionamento de luta, não eu, da mesma maneira que eles e elas lutaram a favor dos direitos humanos nos momentos de reconhecimento de meu trabalho mencionado em sua pergunta.
IHU On-Line - Como o senhor vê a situação da cidadania hondurenha neste momento? O que podemos vislumbrar para o povo hondurenho em termos de direitos sociais nessa situação?
Peter Marchetti - Não existem direitos cidadãos em Honduras pós-golpe. Existem "direitos sociais" de se manifestar a favor do golpe castrense. A segurança dos bairros abastados e a esperança dos empresários que podem, com apoio militar, baixar os salários, não preenchem os requisitos de direitos sociais. A única ação cidadã, digna dessa palavra, é a de protesto pacífico e a autodefesa contra a repressão militar. Meus amigos e amigas preveem que a situação piorará.
O ciclo de protesto, repressão e mais protesto é imprevisível em sua escala e há riscos de que as Forças Armadas e o governo de fato manipulam uma invasão fictícia da Nicarágua com apoio da Venezuela para justificar uma campanha de liquidação física da oposição política.
A situação da maioria do povo pobre piorará devido a uma suspensão de apoio financeiro internacional que será mais efetiva do que o bloqueio comercial. Ambos criarão mais insatisfação com a ditadura militar-midiática, obrigando-a a utilizar o terror para que a nova cota de pobreza e o estancamento econômico não se convertam em uma força política incontrolável. Os sinais iniciais de insubordinação da polícia com Zelaya citando Dom Romero, "pedindo e ordenando os militares a não disparar contra o povo" só complica o caso. A única saída dos golpistas é incrementar o medo do povo suficientemente e incrementar a lealdade das forças castrenses para sobreviver o impasse internacional.
Neste contexto, se levantam vozes de muitas organizações com o recrutamento forçoso e ilegal nesta remilitarização pela marcha forçada da sociedade hondurenha. É costume do Exército tanto recrutar gente pobre para que meta medo aos povos em seus próprios lugares de origem dizendo-lhes: "aqui quem manda somos nós; por isso levamos seus filhos, que serão os primeiros a morrer se vocês mexerem um fio de cabelo".
IHU On-Line - Quem são Zelaya e Micheletti? O que eles representam, neste momento, em Honduras?
Peter Marchetti - Internacionalmente: Zelaya e sua volta a Honduras representam a esperança dos governos do mundo de manter o status quo das democracias restringidas latino-americanas impostas no fulgor dos anos neoliberais. Como disse Cristina Fernández Kirchner, presidente da Argentina, "nesta madrugada sequestraram algo a mais do que o presidente: sequestraram a restauração democrática na América Latina."(3)
Micheletti representa a vergonha do desvelamento dessas democracias pouco funcionais. A descrição, por Leticia Salomón, das movimentações de Micheletti para consolidar o apoio dos poderes legislativos e judiciais em uma aliança com os militares é um fiel reflexo do uso de poder cotidiano nos governos centro-americanos. Da mesma maneira, os golpistas só têm estendido o controle sobre o monopólio virtual dos meios de comunicação por parte dos núcleos de poder econômicos centro-americanos, agregando eliminação de penetração de cadeias internacionais e redes de rádios independentes. A verdadeira anomalia em Honduras era a possibilidade de que os cidadãos e cidadãs poderiam votar por mudar o negócio normal da política na América Central e agora estão tomando as ruas para romper o cerco midiático elitista.
Nacionalmente Zelaya e Micheletti são duas figuras do mesmo partido e representam grupos de poder econômico e castas políticas. Eles praticamente são donos do Partido Liberal, ambos têm levantado a bandeira dos discursos populistas, cada qual em seu momento. São figuras representativas da decadência de um partido que perdeu sua definição e sua razão de ser como proposta de construção de cidadania ou de institucionalidade democrática.
Zelaya pode ser uma referência da recuperação do projeto político de vários setores que andam sem referência, ainda que ele mesmo não se veja como um político, mas como um agricultor com oportunidades para participar na conjuntura latino-americana. Até que ponto Zelaya realmente se aproximou de algumas posturas de esquerda e/ou até que ponto sua proximidade a Chávez e à ALBA lhe permitiu aprofundar seu auge populista? São pontos de debate. O que é certo é que, por razões não tão claras, Zelaya ia se afastando de sua base partidária, sem buscar uma maior aliança com a esquerda dentro do país.
Micheletti, acusado de estar por detrás de vários assassinatos e com 14 anos sem movimentação no Parlamento, é um político muitíssimo mais perigoso, mas ao liderar o golpe está agora acabado. Tem uma única vantagem do Partido Liberal: estava no lugar certo e é o bode expiatório adequado. Micheletti poderia representar o vestíbulo para que os ex-presidentes Carlos Flores Facussé, Ricardo Maduro e Rafael Callejas tentem negociar a ressurreição do bipartidarismo hondurenho para 2010.
Micheletti e Zelaya são as antípodas aparentes de um partido onde ninguém manda ou o que manda faz isso na medida em que esse mandato lhe é útil aos seus próprios planos de cúpula, como Carlos Flores Facussé. O golpe de Estado e os dois antípodas aparentes introduzem - talvez pela primeira vez em 40 anos - uma cisão e um debate massivo no interior do Partido Liberal onde já não importa que seus bisavós votaram "vermelho". Mesmo que os líderes do Partido Nacional esperem como gaviões a isca da derrubada do Partido Liberal, há bases nacionalistas protestando contra o regresso dos militares enquanto que os chefes partidários apoiaram o golpe. O golpe representa uma fissura enorme no bipartidarismo e uma oportunidade do povo hondurenho para superá-lo.
IHU On-Line - Quem são Micheletti e Zelaya em termos de apoio eleitoral?
Peter Marchetti - Zelaya poderia ter 30%, Micheletti muito menos e é questionável que o golpe tenha uns 5% de apoio eleitoral. A razão de fundo para o golpe era evitar que o povo votasse fora de um marco bipartidário no contexto do apoio internacional anti-imperialista de Chávez e da administração de Obama, que tenta se distanciar a todo custo do tipo de apoio de Bush à extrema direita latino-americana. O golpe não tem outra razão senão a de separar Honduras da ALBA e criar as condições para a restituição do bipartidarismo elitista garantindo o poder de arquitetos de aliança militar-econômico-midiática.
Zelaya representa o primeiro passo na aposta pela democracia em Honduras, mas as forças sociais e ideológicas que ele representa não são capazes de conseguir uma assembleia constituinte para questionar o bipartidarismo.
IHU On-Line - Qual é a sua opinião sobre a reação dos movimentos sociais ao golpe, tanto em Honduras como na América Latina? Eles têm força e voz para enfrentar o governo de fato?
Peter Marchetti - Esta é a pergunta chave. Não há resposta clara e o grau de resistência ao governo de fato dependerá da capacidade das forças políticas e civis opostas de consolidar uma frente nacional de resistência.
Em primeiro lugar, não se vê coordenação clara entre os setores liberais pró-governo de Zelaya (ministros, prefeitos) com outros atores que se opõem ao governo de fato. Sem este tipo de coordenação não haverá nem força, nem voz para enfrentar cabalmente o governo. O que impede essa coordenação são as velhas disputas entre a Unificação Democrática (UD), movimentos civis com tendências para a democracia radical que se distanciam de todos os partidos, e os setores mais abertos às maiorias dentro do governo de Zelaya. Essas disputas têm sido superadas pela conjuntura do país, mas não nas mentes e corações dos líderes progressistas mais capazes de facilitar a resistência popular.
Em segundo lugar, se vê mais a cara de um movimento social (camponeses, sindicatos e os de sempre) que são os que assumiram a bandeira de resistência ao governo. Não obstante, se soma muito mais gente, particularmente jovens. Parece que pertence ao povo não organizado a tarefa de conduzir os supostos líderes dos movimentos políticos e civis nas lutas prioritárias.
Em terceiro lugar, há muita gente que não se uniu, mas que está consciente do que significa o golpe e que não está de acordo, mas não fala por medo. Sua mobilização pode ser muito positiva, sobretudo se não se cair na armadilha de marchar pelos compromissos contratuais, ou seja, ofertas de vivendas, tratores, etc.
A repressão tem reduzido enormemente a capacidade de resposta, mas isso é dialético porque a repressão leva consigo seu próprio "bumerangue". Não é fácil mobilizar-se quando temos nos submetido ao Exército e às elites políticas, econômicas e religiosas durante décadas e, agora, também estamos submetidos a agências de cooperação que buscam reduzir os movimentos sociais a escritórios de "ajuda". Neste sentido, cada pessoa mobilizada continua sendo um pequeno passo que simboliza um salto gigante.
Os protestos "pela paz" a favor dos militares estão hegemonizados pelos empresários que convidam seus empregados e empregadas a participarem. Estes temem perder seu trabalho na conjuntura da recessão econômica. Os empregados públicos também temem serem despedidos se não marcham "pela paz e a favor da transição".
Estas concentrações pró-golpe, no entanto, recebem energia pela maneira como o clientelismo populista de Zelaya tem criado anticorpos em relação ao seu governo em grandes segmentos do povo não beneficiado. Nem todos que se manifestaram a favor de Micheletti e dos militares foram comprados ou estão com medo. A compreensão de suas razões em apoiar o golpe elitista será crucial no processo de incrementar a resistência ao governo de fato. Soma-se a isto a forte censura dos meios de comunicação e se vê um povo que não tem ideia dos níveis de rejeição do golpe a nível nacional e internacional e do grau de repressão que existe. Além disso, a hierarquia católica, de modo anti-cristão, está ao lado dos golpistas.
IHU On-Line - Qual a opinião da Igreja hondurenha sobre o golpe? Houve medidas e posições perceptíveis por parte dos bispos e do cardeal Maradiaga?
Peter Marchetti - Nos primeiros dias depois do golpe, o cardeal reservou suas opiniões e não dava entrevistas à imprensa com a desculpa: "estou envolvido no diálogo e na negociação para a paz". No entanto, no dia 04 de julho, o cardeal, em cadeia nacional, anunciou o apoio da Conferência Episcopal ao governo de Micheletti e aos golpistas, rejeitando a interferência da OEA e pedindo ao presidente Manuel Zelaya reconsiderar o seu retorno a Honduras, porque "poderia desencadear um banho de sangue".
Não surpreende que o cardeal Rodríguez e a Conferência Episcopal apoie as elites do Partido Liberal, pois ele tem feito isso de maneira quase irrestrita desde que Carlos Flores assumiu a presidência, em 1998. Também esteve perto de negociar com o FMI, o Banco Mundial e o BID a proposta da Iniciativa para os Países Pobres Altamente Endividados (HIPIC, na sigla em inglês), em 1999. Os três presidentes das instituições multilaterais ficaram completamente surpreendidos pela dependência do cardeal nas propostas de Carlos Flores Facussé. O detalhe foi que Facussé havia se convertido num financiador importante da Arquidiocese. Ou seja, ainda que a posição da Igreja Católica tenha sido antidemocrática, opondo-se à democracia hemisférica e a Jesus de Nazaré, seu claro alinhamento com as elites econômicas provavelmente é para conseguir a auto-sustentabilidade financeira da organização eclesial.
A Igreja institucional é parte da sociedade hondurenha com uma série de diferentes interesses e medos justificados com discursos que encobrem e põem uma máscara na sua realidade. É mais um reflexo do problema do que uma solução. Ainda que seja triste para as pessoas que esperam mais da Igreja, seu discurso só justifica e sacraliza as debilidades democráticas da sociedade hondurenha.
A Igreja de base não tem feito grandes pronunciamentos. A diocese do Ocidente fez um pronunciamento contra o golpe, mas foi uma opinião minoritária, sepultada pela Conferência Episcopal. Os jesuitas, três dias antes do golpe, propuseram publicamente que o diálogo era necessário para evitar instabilidade política e social. Sua posição tem sido totalmente contrária à posição da hierarquia católica, particularmente no tipo de diálogo que acham necessário para sair da crise.
IHU On-Line - Que consequências a reforma constitucional desejada por Zelaya e impossibilitada pelo golpe traria para o povo hondurenho? Ela é necessária?
Peter Marchetti - A reforma constitucional é necessária e traria uma nova ordem com mais equidade e democracia. No entanto, não existiam antes do golpe condições apropriadas para implementar a iniciativa. Agora, com a mobilização contra o governo de fato, as condições estão mais claras. Por exemplo, a constituição não estabelece um mecanismo para que um presidente seja impedido de sua funções presidenciais. Sobretudo, as propostas em torno de assegurar a democracia participativa são cruciais, porque têm a ver com a forma de eleger os candidatos aos postos de eleição popular. Talvez agora o façam as elites, mas será uma forma distorcida de democracia.
IHU On-Line - Como se pode reestabelecer a democracia em Honduras? Qual é o papel das Igrejas e das instâncias internacionais nesse sentido?
Peter Marchetti - O papel da Igreja Católica tem sido o de apoiar a paz, que oferece à dominação militar e oligárquica, alinhando-se contra as instâncias internacionais que buscam defender os princípios e procedimentos democráticos em Honduras.
As intenções públicas da OEA , da União Européia e da administração Obama são de apoio ao regresso de Manuel Zelaya como um primeiro passo para uma reconciliação formal e para gerar o clima eleitoral propício para novembro, bem como para promover uma transição democrática com continuidade. Quanto ao modo como este é alcançado, não se descarta a possibilidade de que a OEA tenha uma solução militar ou, pelo menos, a use como "carta na manga" para ameaçar e obrigar as Forças Armadas e o governo hondurenho a que se submetam aos apelos internacionias.
Vários dos golpistas, como Billy Joya, têm uma longa história com a Guerra Suja dos anos 1980, vinculado com a política dos EUA. Existe uma ampla evidência de ações deslegitimizantes por parte dos últimos embaixadores estadunidenses até o governo de Zelaya. E a presença de militares estadunidenses e agentes da CIA por detrás do atual golpe, suscita a dúvida sobre o discurso do presidente Obama. Ou pode ser que Obama e seu Departamento de Estado não saibam o que os poderes ocultos do Pentágono e da CIA estão fazendo.
Veremos nos próximos dias qual será a postura verdadeira da Administração Obama, com que medidas os EUA farão valer sua condenação ao golpe e se podem influenciar a situação. Se atrás da cortina a Administração Obama tem militares e diplomatas que estão apoiando os golpistas, é possível que o povo hondurenho passe pelo caminho chileno, com cinco anos ou mais sem garantias constitucionais ou eleições livres.
Seja como for, uma reconcialização estrutural e um restabelecimento e melhoria da democracia em Honduras passam por outros caminhos que não estão nas mãos das instâncias internacionais, apesar de sua voz unânime contra o golpe e a favor do reestabelecimento de nossa democracia.
A abordagem sem medo de uma nova constituição pode ser um ponto de aproximação e de reconciliação verdadeira, mas hoje, mais do que nunca, temos aprendido que a participação cidadã "light" não nos levará mais além do que legitimar o sistema.
Uma nova constituição aplicável passa por um processo de construção de um partido que una numa só frente os restos do governo de Zelaya, os partidos políticos que rejeitam qualquer pacto com os liberais e nacionalistas, os sindicatos, e os movimentos sociais e cívicos que apostam numa redistribuição do poder e da renda em Honduras. Este tipo de Frente teria que ser muito mais propositiva e incisiva na construção de raízes cidadãs profundas para reestabelecer a democracia em Honduras, construindo relações horizontais com as bases, as quais agora não tem nenhum partido. Qualquer aliança teria que investir muitíssimo na construção política do sujeito cidadão e dos quadros para o governo de cidadãos, para romper a casta política que morde a mão dos que a elegem.
Uma análise profunda do papel das Forças Armadas e sua subordinação ao poder civil é outro ponto de partida. Para que servem as Forças Armadas, criadas a partir da Escola das Américas e das teorias de contra-insurgência e segurança nacional em Honduras? Não basta que cada dia ganhem mais elogios de seus treinadores norte-americanos, não basta que defendam os interesses dos setores poderosos que já não precisam aguentar um presidente populista, não basta que usem armas e treinamento para reprimir um povo que repudia tal ato? Por isso, o caminho é a abolição das Forças Armadas como ponto de luta para construir um partido portador de uma democracia representativa e participativa.
A pergunta é se a conjuntura já está pronta para 1) seguir o caminho da Costa Rica e abolir as Forças Armadas e 2) alcançar um verdadeiro partido popular e democrático que ganhe 30% do eleitorado quando se rompe o impasse da democracia hondurenha. E a resposta se move em torno da capacidade de líderes progressistas de abandonarem seus próprios protagonismos e divisões históricas para poder fazer frente comum às forças anti-democráticas hondurenhas.
Ao terminar de copiar, juntar e ordenar estas reflexões, chegaram as notícias de uma reunião de Manuel Zelaya com Hillary Clinton e da negação da Administração de Obama em receber a delegação representativa dos militares, proprietários e gestores de comunicação social em Honduras. Para qualquer um que tenha vivido o dia-a-dia em Honduras é um show kafkaniano que nos faz acreditar que outro mundo em Honduras é possível.
Notas:
1.- Miguel D’Escoto, ex-ministro das Relações Exteriores da Nicarágua, durante o governo sandinista logo após a vitória no dia 19 de julho de 1979, padre, é o presidente da 63ª sessão da Assembléia Geral da ONU. (Nota da IHU On-Line).
2.- Segunda cidade mais importante de Honduras. (Nota da IHU On-Line).
3.- O entrevistado se refere ao insucesso da volta de Zelaya no domingo passado, pois foi impedido pelo governo golpista. Cristina Kirchner e Rafael Correa aguardavam Zelaya em San Salvador para acompanhá-lo na volta ao seu país. (Nota da IHU On-Line).
* Instituto Humanitas Unisinos
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Brasil/ESCOLA LIBERTADORA
(ADITAL) Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
20 fevereiro 2009/ADITAL http://www.adital.com.br
Adital - No meio do tiroteio entre a intelligentzia oficial e o MST, os filhos de acampados, usuários das "escolas itinerantes" vão inaugurar nova categoria de excluídos: os "sem-escola". Há tempos, li uma matéria denunciando o Ministério Público que, nas fráguas do deslumbramento do poder, excede suas funções, assumindo, em alguns casos, atitudes policialescas e até julgadoras. Para esta avaliação, é salutar lembrar que vivemos em um país que promove o direito antes da justiça.
Em um dos jornais da capital li uma matéria onde um integrante do Ministério Público, promotor ou procurador, não recordo, usa velhos e anacrônicos clichês, como "lavagens cerebrais", "sociedade socialista". Só faltou falar em "comerem criancinhas". O artigo aludido é sofista e tendencioso, na medida em que rejeita o uso do dinheiro público para educar aquelas crianças, mas deixa de falar na inércia oficial de promover, com o mesmo direito, uma reforma agrária justa.
Dom Xavier Giles, Secretário Geral da CPT (Comissão Pastoral da Terra), que é um bispo da Igreja Católica, e não um "padreco" como foi chamado desrespeitosamente pelo promotor aludido, tachou a intenção de fechar as "escolas itinerantes" de terrorismo, escândalo e desrespeito. Já imaginaram se o prelado classificasse o bacharel de forma igualmente desrespeitosa? Seria preso e processado. O funcionário público não está acima da lei e da ética para desrespeitar as pessoas. Esses destemperos verbais revelam a insegurança no trato da questão.
Fechar uma fonte de ensino, sem que se ofereçam alternativas, fere os princípios democráticos. Talvez seja melhor um "ensino a Fidel Castro" (que não é o caso) como foi falado, do que um estilo gaúcho, onde historicamente a SEC, dando mau exemplo, não se acerta com seus professores.
O promotor em debate parece defasado politicamente, quando fala em marxismo, conteúdo há muito superado. Alienante é a forma de ensino praticado pelos meios oficiais, onde o "politicamente correto" cria gerações sem iniciativa, sem senso crítico, individualistas, onde ninguém pensa no coletivo.
Fechar as escolas será mais um golpe, aplicado à sorrelfa contra os movimentos populares. As crianças que sempre estudaram em acampamentos terão duas opções: ou deixam de estudar (o poder adora analfabetos, pois são manipuláveis) ou vão ter que caminhar quilômetros até as escolas "regulares". Isto é autoritarismo! O poder não quer jovens que pensem, mas que estejam embretados nos trilhos do "saber oficial" para reproduzir clichês alienantes e alienados.
Paulo Freire disse que "a educação deve ser libertadora ou não é educação". Só liberta o sistema que ensina a pensar, a buscar o senso crítico e a julgar. Os governos adoram servir "pratos feitos".
Por conta do patrulhamento da mídia neoliberal, do recuo da Teologia da Libertação e da imposição de uma ideologia que demoniza os movimentos populares, é que o Brasil não tem consciência social, sendo refém do status quo que valida políticas desastradas.
* Doutor em Teologia Moral
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sábado, 21 de fevereiro de 2009
Brasil/ESCOLAS ITINERANTES DO MST: CRIME É FECHÁ-LAS
IHU On Line
19 fevereiro 2009/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br
Há algum tempo, o procurador de Justiça do Ministério Pública Estadual Gilberto Thums tem trabalhado para criminalizar e tornar ilegal o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Apresentou, inclusive, um dossiê para conseguir atingir tal objetivo. Mas não foi muito feliz nessa “luta”. Agora, o mesmo procurador conseguir que o Ministério Público do Rio Grande do Sul determinasse o fechamento das escolas itinerantes que o MST criou há 13 anos e, desde então, propicia às crianças acampadas uma nova forma de aprender e ver o mundo. Thums diz que o MST quer, com isso, implantar uma sociedade socialista. A grande questão é: qual o mal em implantar uma sociedade que vise à coletividade?
Para debater essa questão, a IHU On-Line convidou duas pessoas que vivem a realidade das escolas itinerantes para concederem esta entrevista. Altair Morback é professor da escola itinerante Che Guevara, localizada no acampamento Jair Antonio da Costa em Nova Santa Rita/RS, e conversou conosco por telefone. Também por telefone, debatemos esse tema com Isabela Braga, que faz parte da Coordenação Estadual do Coletivo de Educação do MST.
ENTREVISTA COM ALTAIR MORBACK:
IHU On-Line – Como o senhor analisa o conteúdo que é ensinado nas escolas do MST?
Altair Morback – O conteúdo em si das escolas itinerantes ainda está um pouco distante da realidade que está de acordo com o nosso propósito. Nossa ideia é ir de acordo com a linha do nosso grande mestre Paulo Freire [1] e, assim, tratar mais da questão humana, respeitando o conhecimento e a faixa etária do indivíduo que passa pela escola. Não é o que temos, porque os nossos educadores e educadoras passaram e passam ainda hoje por esse processo de formação da escola tradicional. Desta forma, as escolas itinerantes não são exatamente do jeito que gostaríamos que fossem. Elas são bastante tradicionais no sentido que ensinam os mesmos conteúdos aprendidos numa escola da rede municipal, estadual ou particular convencional.
Quais as principais diferenças desse conteúdo em relação às escolas convencionais?
Não há muita diferença. Há uma igualdade bastante grande porque nossos educadores e educadoras são formados pelas universidades normais. Então, se ensina o ABC conforme as outras escolas ensinam. Nós redimensionamos essa metodologia pedagógica de fazer e ensinar, devido aos poucos recursos que temos. Às vezes, ao invés de ensinar o ABC numa lousa, ensinamos na areia, na terra, na horta, plantando pé de alface, por exemplo. Também redimensionamos os conteúdos para a realidade do acampamento. Este é um espaço precário, e o Estado não contribui para melhorar. Mas nossa escola pode ser considerada rica, tem muitos livros que vêm do MEC e da Escola Base de ótima qualidade.
O procurador de Justiça Gilberto Thums afirma que o problema das escolas itinerantes é o fato de o MST contratar professores que estejam de acordo com a ideologia do movimento. As escolas convencionais hoje têm muitos déficits, passam por cima de temas históricos extremamente importante sem sequer exigir uma reflexão, um debate sobre estes assuntos com os alunos. Que problemas um professor ideologicamente alinhado com os movimentos sociais pode gerar?
Nunca fomos contra. A Secretaria de Educação nunca nos chamou para dialogar sobre a educação dos educadores. Os professores das escolas itinerantes são garantidos pelo Instituto Preservar, que mantém convênio com a Secretaria de Educação. O Instituto Preservar contrata professores assentados e não assentados, acampados ou não acampados, mas que são formados para dar aula à rede regular de ensino. Não vejo problema algum em relação à questão dos professores ideologicamente alinhados com o movimento. Eu acredito que todas as escolas deveriam ter uma preocupação com a formação humana, ao invés de ficar preparando pessoas para o mercado de trabalho, que é o que a maioria delas faz. Claro que nós também fazemos isso, de certa forma. É como eu disse antes. Nossos educadores vêm dessa formação. Portanto, a escola itinerante não ensina de forma isolada. Temos todas as contradições que uma escola regular também tem. Obviamente, temos especificidades como a escola itinerante. A meu ver, existe uma riqueza muito grande. Os professores, por exemplo, podem conhecer melhor os acampamentos e, por consequência, a história de vida de cada indivíduo, de cada criança, de cada pessoa que passa pela escola. Na escola tradicional é difícil de isso acontecer. O fato de vivermos próximo das pessoas que vivem a escola propicia essa educação com mais qualidade, sendo possível trabalhar todas as dimensões da formação humana e não apenas os conteúdos formais. Isso não significa que não ensinamos esses conteúdos, mas sim que nossa forma de ensinar é bem diferente, para além dos conteúdos.
E como você analisa essa determinação do Ministério Público em relação ao fechamento das escolas itinerantes?
Acredito que essa determinação por parte do Ministério Público é uma questão política, de perseguição política por parte do Estado que pensa que fechando as escolas itinerantes irá desarticular e desestabilizar a classe trabalhadora que se movimenta e luta pela terra no Rio Grande do Sul. Quando fazíamos marcha e ocupação, nossas crianças sempre estavam junto e dávamos aula no mesmo jeito, porque essa forma de ver a escola tradicional não é o que fazemos e o espaço que se imagina quando se fala em escola não faz parte do nosso jeito de ensinar às crianças. Já demos aula no asfalto, no Incra, na Secretaria de Educação, na beira do rio, dentro de latifúndio, de estábulos.
As escolas itinerantes querem implantar uma sociedade socialista? Qual é o mal nisso?
Nós buscamos essa questão da formação humana para que os alunos, acima de tudo, se deem conta de que devem ser os construtores da sua própria história. Se isso é pensar numa nova sociedade, talvez a escola itinerante queira sim implantar uma sociedade socialista. Mas não é o que temos nas escolas em função da questão dessa formação que nós recebemos.
Que problemas vocês temem ocorrer com a inserção das crianças acampadas nas escolas convencionais?
Não sei se é temer, mas estamos fazendo o debate com as famílias de todos os acampamentos e são elas que vão dizer se a escola itinerante irá continuar ou não. Para nós, até o dia 28 existe o convênio com o Instituto Preservar e, portanto, nossas atividades continuam com as crianças. São infundadas as justificativas que o Ministério Público encontrou para dizer que temos que colocar nossas crianças em escolas regulares dos municípios. Primeiro: nem sempre existe transporte para isso. Segundo: no ano passado, durante a marcha que fizemos, tínhamos mais de 400 crianças marchando. Como é que vamos colocar todas essas crianças numa escola regular quando se chega num município como São Sepé, onde, numa escola do interior, a professora é também merendeira, diretora e secretaria da escola? Como uma escola desse porte irá receber 400 crianças? Essa justificativa do Ministério Público é infundada e evidencia que essa determinação faz parte da política do Estado, de perseguição política. Eles querem nos desarticular por aí, pois creem que automaticamente estão desarticulando a luta pela terra. Mas não vamos deixar isso acontecer.
Existe algum movimento por parte dos professores para que a escola itinerante não seja fechada?
Nós estamos organizando um abaixo-assinado e também nos articulando com amigos e apoiadores de cada acampamento e vamos fazer o que for preciso para que a escola itinerante continue. Não fazemos isso por salário ou por emprego, mas porque acreditamos que esse é um direito que essas crianças têm. É por isso que nós, educadores, estamos mobilizados para que a escola itinerante continue.
ENTREVISTA COM ISABELA BRAGA:
IHU On-Line – O que implica, para os movimentos sociais, especialmente para o MST, essa Determinação do Ministério Público que visa fechar as escolas itinerantes?
Isabel Braga - Para nós, essa determinação é um tanto complicada pelo fato de termos uma escola legal, que funciona há 13 anos, aprovada e regimentada pelo Conselho Estadual de Educação. Isso, para nós, se torna uma dificuldade enorme porque temos lá uma história construída com as crianças. Trabalhamos a partir da pedagogia de Paulo Freire, ou seja, partimos da realidade do nosso trabalho pedagógico e não de uma realidade que está estancada. Uma realidade que tem outros horizontes e quer aprender a ver o mundo. E, então, com essa determinação, teremos de tirar nossas crianças de dentro desse processo construído para colocar em escolas convencionais que têm uma outra realidade de trabalho.
E de que forma essa determinação influencia na formação dos novos militantes?
As nossas escolas não estão diretamente ligadas à formação de militantes, mas sim à formação das crianças para a vida como um todo. Na verdade, ela não sofreria tanta influência nesse sentido. Agora, nossa escola tem o intuito de trabalhar a partir de um olhar real e não de alienação. Isso sim implica na vida das crianças, porque queremos formar pessoas com um olhar crítico.
Por que, em sua opinião, o procurador de Justiça Gilberto Thums reserva tanto tempo de trabalho para combater as ações do MST?
O promotor tem a intenção de extinguir o movimento, ou seja, é um objetivo para além de acabar com as escolas. O Governo do Estado e a Secretaria Estadual de Educação estão agindo dessa forma como mais um passo do dossiê feito no ano passado, para, então, desarticular o MST. Ele só está continuando algo que já começou antes e deixou claro, com isso, sua real intenção em relação ao MST.
O que o MST pretende fazer contra essa medida?
Nós estamos construindo um diálogo com as famílias para retomarmos a importância da escola dentro do acampamento, que parte da realidade das crianças acampadas e que são filhas de sem-terras. Iremos lutar para que esse processo continue, pois ele não começou num estalar de dedos. Nesse momento, pretendemos construir esse diálogo com a comunidade acampada e retomar a importância dessa escola.
O ministro Guilherme Cassel, há alguns meses, afirmou que esse movimento que visa criminalizar a luta do MST restabelece um ambiente de ditadura. Vocês esperam alguma ação provinda do governo federal contra o fechamento das escolas itinerantes?
Nesse momento, esperamos tudo. O governo que está à frente do nosso estado pretende reprimir os movimento sociais. Sabemos que, dependendo da decisão que os pais e as mães tomarem para a vida dos seus filhos, poderá ocorrer repressões por parte do governo estadual. Acreditamos que o governo federal pode nos ajudar, portanto estamos dialogando com eles também e, assim, continuar com a legalidade da nossa escola. Há pessoas no governo federal que nos ajudarão a fazer com que o estado repense essa determinação do MP.
Falta, hoje, institucionalidade ao MST?
O MST nunca pensou numa institucionalidade, até porque somos um movimento social e não um partido. Temos objetivos, como a reforma agrária, e isso envolve uma educação diferenciada. Nosso ideal é de luta como um movimento social.
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/entrevistas/escolas-itinerantes-do-mst-crime-e-fecha-las
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Brasil/UM AGRADECIMENTO AOS AMIGOS E APOIADORES DO MST
22 setembro 2008
Amigos e apoiadores da luta pela terra no Brasil e no exterior,
Nos últimos meses, o Ministério Público estadual do Rio Grande do Sul - articulado com o Governo do Estado, o latifúndio e grandes empresas transnacionais – desencadeou uma ofensiva pretendendo dissolver o MST, fechar escolas nos assentamentos e desalojar centenas de trabalhadores rurais assentados em projetos de reforma agrária. Em sua arrogância, alguns promotores de justiça afirmavam que as medidas deveriam ser tomadas sem considerar a opinião pública.
Alguns promotores de justiça decidiram levar adiante a ofensiva contra as organizações populares. Conseguiram algumas decisões judiciais e desalojaram famílias de suas terras. No entanto, ao contrário do que eles esperavam, a reação popular na defesa dos trabalhadores foi mais forte do que suas pretensões. Foram milhares de manifestações vindos de todo o Brasil e do exterior. Entidades, organizações, partidos, autoridades, parlamentares, homens e mulheres indignados com a postura autoritária e violenta do Ministério Público e da Brigada Militar. Aconteceram também inúmeros atos públicos de apoio e solidariedade em diversos estados e países
Graças a estas manifestações, o Ministério Público Estadual foi obrigado a recuar em suas posições e publicamente alterar o documento em que defendiam a dissolução do MST.
As ações violentas da Brigada Militar foram denunciadas na Organização dos Estados Americanos (OEA) e no Alto Comissariado de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), na Secretaria Especial de Direitos Humanos. O Conselho Nacional de Proteção à Pessoa Humana criou uma Comissão Especial e visitou o Rio Grande do Sul. As denúncias também foram objeto de duas audiências no Congresso Nacional, na Comissão de Direitos Humanos do Senado e na Comissão de Participação Legislativa da Câmara dos Deputados.
O Movimento Sem Terra é imensamente grato a todas as manifestações de apoio e solidariedade, tenham sido elas públicas ou um simples gesto, uma pequena mensagem de apoio.
O apoio e solidariedade recebida nos anima e nos fortalece. Com o apoio e ajuda vamos enfrentar este processo de criminalização que ainda não se encontra encerrado, pois oito trabalhadores rurais ainda estão sendo processados na Justiça Federal com base na Lei de Segurança Nacional.
Agradecemos todas as manifestações e retribuiremos com a produção de alimentos em nossos assentamentos, com a educação de nossos sem terrinhas nas escolas, com a dignidade da participação democrática e coletiva de milhares de homens e mulheres organizados no Movimento Sem Terra, e com o compromisso de lutar sempre por uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária,
Um caloroso abraço,
Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=5817
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Portugal prevê um computador para cada 2 alunos em 2010
Mafra, Lisboa, 23 setembro 2008 (Lusa) – O coordenador do Plano Tecnológico do governo português afirmou nesta terça-feira que, em 2010, haverá no país um computador para cada dois alunos, o que tornará Portugal uma das nações mais bem equipadas em nível mundial.
A média atual é de 11,3 alunos por cada computador, no final do ano será de cinco alunos por máquina e, em 2010, será de dois alunos por aparelho, revelou o coordenador Carlos Zorrinho.
“Isto significa que em termos de quadros interativos (nas salas de aula), banda larga e computadores, as escolas portuguesas ficarão equipadas ao melhor nível em termos mundiais”, disse Zorrinho à Lusa.
O coordenador do Plano Tecnológico deslocou-se à Escola Básica Hélia Correia, de Mafra, na Grande Lisboa, para uma entrega de computadores “Magalhães” aos alunos do ensino primário (foto).
De acordo com a informação prestada pelo conselho executivo da escola, mais de 80% dos pais e encarregados de educação já devolveram os impressos fornecidos pela escola para virem a ter o computador.
Dos cerca de 700 alunos, 618 já levam hoje para casa o novo computador.
Na cerimônia de entrega, onde participou uma turma do terceiro ano, uma professora explicou que a partir de agora, “além do caderno, o computador também estará na sala de aula”.
A responsável pelo Departamento de Educação da Prefeitura, Paula Cordas, afirmou, por sua vez, que a escola Hélia Correia foi a primeira do distrito a possuir, desde 2002, sala de informática e considerou “fundamental a aposta nas novas tecnologias” para o desenvolvimento dos alunos.
Nesta escola existe rede wireless (Internet sem fios) em todas as salas de aula e a responsável disse que a Prefeitura vai colocar o mesmo sistema nos demais estabelecimentos de ensino do distrito.
O “Magalhães” é um computador portátil com acesso à Internet e terá um custo máximo de 50 euros (R$ 133,46).
O computador será distribuído no âmbito do programa “e.escolinha”.
O notebook é gratuito para os alunos da primeira série que estão inseridos na ação social escolar e custa 20 euros (R$ 53,39) para as crianças da segunda série.
Para os alunos que não são abrangidos pela ação social escolar, o computador Magalhães custa 50 euros.
