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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Moçambique vê com cautela integração em Zona Tripartida de Comércio Livre*

11 de Junho de 2015, Jornal Notíciashttp://www.jornalnoticias.co.mz (Moçambique)

Moçambique quer certificar-se se a vigência de um Acordo Tripartido de Comércio Livre entre os países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), do Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA) e da Comunidade dos Estados da África Oriental (EAC) não vai gerar impactos negativos na economia nacional, em geral, e particularmente, na implementação do programa de governação aprovado para os próximos cinco anos.

Com fundamento nesta preocupação, a delegação moçambicana à Cimeira Tripartida SADC-COMESA-EAC, realizada ontem na cidade egípcia de Sharm El Sheikh, não rubricou o referido acordo, ficando-se apenas pela assinatura da declaração conjunta, que vincula um total de vinte e seis países integrados nos três blocos económicos.

O Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, que chefiou a representação do nosso país no evento, explica que Moçambique foi à reunião

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Empresas brasileiras podem aproveitar boas oportunidades na CPLP

Fortaleza, Brasil, 29 setembro 2009 - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Miguel Jorge apelou em Fortaleza, durante o V Encontro Empresarial Negócios na Língua Portuguesa, a um maior interesse das empresas brasileiras pelos mercados lusófonos.

"As empresas brasileiras podem aproveitar boas oportunidades para ampliar seus investimentos directos em países da comunidade de língua portuguesa", disse o ministro Miguel Jorge.

O governante brasileiro lembrou que dentro de 45 dias o Brasil fará a sua terceira missão comercial deste ano a África. Desta vez serão visitadas África do Sul, Angola e Moçambique.

"O Brasil precisa comprar, na medida do possível, mais produtos industrializados dos integrantes da comunidade", assinalou Miguel Jorge durante o V Encontro Empresarial Negócios na Língua Portuguesa, que começou segunda-feira em Fortaleza.

"Além de vender bens industrializados e produtos nos quais somos muito competitivos em preço e qualidade, como alimentos, podemos oferecer muita cooperação económica e tecnológica", disse Miguel Jorge.

O agronegócio e a Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - foram apontados pelo ministro como outra possibilidade de cooperação económica.

"A Embrapa já está presente em Angola e Moçambique como importante instrumento de cooperação, mas sua actuação pode e deve ser expandida para outros países da comunidade", referiu.

O ministro do Desenvolvimento do Brasil revelou ainda que entre Janeiro e Agosto do corrente ano cerca de 2.655 empresas brasileiras fizeram vendas de produtos para os países de língua portuguesa.(macauhub)

sábado, 5 de setembro de 2009

Brasil/CARTA DE APOIO DA CNBB AO 15º GRITO DOS EXCLUÍDOS

Agência de Informação Frei Tito para a América Latina http://www.adital.com.br
[ADITAL] 4 setembro 2009

CNBB *


Irmãos e Irmãs!

A Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade da Justiça e da Paz - CNBB, juntamente com a coordenação nacional do Grito dos Excluídos, Pastorais Sociais e Movimentos Populares, convida as comunidades, Igrejas, escolas, universidades e organizações sociais, a participarem das diversas atividades do Grito dos Excluídos Nacional, que se realiza em localidades de todos os Estados do País, na semana que antecede o dia 7 de setembro.

O Grito dos Excluídos, em seus 15 anos de existência, vem se afirmando como importante mobilização popular, na Semana da Pátria, em vista da construção de um projeto popular para o Brasil.

O tema deste ano, "Vida em primeiro lugar: a força da transformação está na organização popular", pretende anunciar, através das diferentes manifestações, sinais de esperança, unidade, organização e da luta popular, e denunciar as formas de injustiça social e degradação do Planeta.

No dia 7 de setembro, junto com o 15º Grito dos Excluídos, acontece, em Aparecida, (SP), a 22ª Romaria dos Trabalhadores com o lema: "A sabedoria dos pobres derrota as armas dos poderosos". O grito visa também; lutar contra as formas de exclusão e as causas que levam o povo a viver em condições de vida precárias e, muitas vezes, sem perspectiva de futuro; denunciar a política econômica que privilegia o capital financeiro em detrimento dos direitos sociais básicos; construir alternativas que tragam esperança aos excluídos e perspectivas de vida para as comunidades locais; promover a pluralidade e igualdade de direitos, bem como o respeito nas relações de gênero, raça e etnia; multiplicar assembléias populares para discutir a organização social a partir do Município, fortalecendo o poder popular.

Diante de situações de exclusão, Jesus defende os direitos dos fracos e o direito a uma vida digna para todo o ser humano. O compromisso com esta causa nos compromete no esforço de superação da exclusão, participando da construção de uma sociedade justa e solidária.

Dom Pedro Luiz Stringhini
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz

04/09/2009

* Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil

Para receber o Boletim de Notícias da Adital escreva a adital@adital.com.br

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Bolívia/"A DIREITA AINDA NÃO FOI DERROTADA ECONOMICAMENTE"

Em entrevista ao Le Monde Diplomatique da Bolívia, dirigido por Pablo Stefanoni, o vice-presidente Álvaro García Linera analisa o atual momento político do governo Evo Morales. Linera destaca as vitórias políticas e eleitorais do governo, mas adverte: "a direita sofreu um golpe político, perdeu o mando do Estado, perdeu a capacidade de seduzir estatalmente à sociedade, mas tem muito poder econômico ainda. É diferente a forma de consolidação do ponto de bifurcação quando é o setor popular o derrotado, política e materialmente, que quando se trata do setor empresarial".

17 agosto 2009/Carta Maior http://www.cartamaior.com.br/tem

Le Monde Diplomatique Bolívia

Data: 13 agosto 2009

- Como explica o enfraquecimento da oposição depois de mais de dois anos de prova de força com o governo?

Álvaro García Linera: O governo do presidente Evo viu a Assembléia Constituinte como apossibilidade de armar um grande bloco coletivo de todas as forças sociais do país. Nos jogamos de cabeça nesse projeto de pacto. Internamente no seio do povo, havia que coesionar o bloco popular, com muitas dificuldades, porque havia muita diversidade corporativa e em seguida havia que dar o passo seguinte de abertura para os outros setores sociais opositores, minoritários, mas importantes. E nisso demos mostras de vontade de flexibilizar posições políticas, de ceder em demandas e de incluir a todos. Mas o bloco social opositor havia definido uma estratégia de bloqueio ou de suspensão constituinte, isto é, de irresolução da estrutura de poder, e optou pela rejeição dos pactos constituintes várias vezes. Seu objetivo consistia em prolongar a crise do estado iniciada em 2000, enfraquecendo ao governo na espera de um momento em que a correlação de forças lhe fosse favorável para a resolução da crise. E nós, ainda assim, insistimos.

O debate sobre os chamados “dois terços”, no final de 2006, foi um primeiro ensaio do que estava em jogo e da decisão de um setor que não estava disposto a aceitar sua posição de minoría política democrática. Nos dois terços e no tema da onipotência da Constituinte cedemos, recuamos, mas ao mesmo tempo, como contrapartida, avançamos na consolidação de uma maioria social e política que também se convertia em uma maioria decisória constituinte. O segundo grande momento de confrontação foi o tema da capitalidade de Sucre. Desenterrou-se um tema centenário, causador da guerra civil de 1899, como ponta de lança para voltar a suspender a Constituinte. Ai o bloco opositor, cívico-prefeitural de direita, nos mostrou que estava disposto a tudo, inclusive a colocar em risco a vida de constituintes contanto que conseguisse inviabilizar a possibilidade de um pacto nacional constituinte. E nós, frente a esse cenário voltamos a fazer grandes concessões.

Visto à distância, a direção cívica sucrense, que era empurrada pelas elites cruzenhas, estava obtendo uma grande quantidade de conquistas: quase um terço das sessões do Congresso em Sucre, os escritórios do Defensor do Povo, da Procuradoria, talvez da Corte Nacional Eleitoral, um conjunto de instituições que lhe davam uma relevância administrativa e econômica em Sucre, além de uma viabilização mais rápida de um conjunto de obras de infraestrutura. Mas eles tampouco aceitaram. E comprovando que não havia nenhum interesse de fazer um acordo, mas de antagonizar indefinidamente, nos lançamos à aprovação da Nova Constituição, primeiro em Calancha e em seguida já em Oruro. Isto é, resolvemos definir pela via das maiorias constituintes a estrutura do poder estatal.

Nesse momento você falou de um “ponto de bifurcação”.

Álvaro García Linera: Sim vou chegar ai. Apesar de tudo isto, fizemos uma nova tentativa, fomos buscar a Rubén Costas, a Leopoldo Fenandez na sua fazenda, fomos buscar a Branko Marinkovic e por último propusemos ao pessoal de Jorge Quiroga um processo de destravamento. Aí vimos, de maneira inquestionável, que havia um setor minoritário que ia impedir por todos os meios a solução, através do projeto nacional-popular, da crise estatal iniciada em 2000. Claro que nós precisávamos da Constituinte para constituir o novo Estado, para ancorar nas instituições e relações de mando duradouras do Estado, a nova correlação de forças conseguida pelo movimento indígena-popular no ciclo de mobilizações de 2000-2005. No fundo, uma Constituição, o que faz é solidificar uma série de pontos de apoio irreversíveis, de conquistas e mandos conquistados historicamente pela trama das lutas de poder de uma sociedade.

A prova final dessa vontade de confronto da oposição minoritária de direita veio quando se lançaram à convocação das consultas departamentais sobre os estatutos autonômicos a ser realizadas em maio de 2008. Tratava-se de uma busca de disputa de fato pelo poder político regional, de um tipo de poder dual regionalizado ou de cisão vertical antagonizada da estrutura do Estado. Chegando ai, não haveria ponto de retorno: a direita não estava disposta a ser incluída no projeto nacional-popular como força minoritária e dirigida, e optava pela conflagração territorial. A luta pelo poder se aproximava do momento de sua resolução bélica ou última, na medida em que em última instância, o poder do Estado é coerção. A isto é que denominamos de “ponto de bifurcação” ou momento em que a crise do Estado, iniciada oito anos antes, se resolve seja mediante uma restauração do velho poder estatal ou mediante a consolidação do novo bloco de poder popular. É o momento de inicio da nova ordem estatal de maneira autoproducente. E tudo isso mediante o desatamento, a mensuração ou a confrontação de força aberta dos dois blocos polarizados. O ponto de bifurcação é o momento excepcional, curto em sua duração, primário, mas decisório, em que o “príncipe” abandona a linguagem da sedução e se impõe por suas táticas bélicas de coerção.

Então já era questão de tempo a chegada desse dia de força e nós, entre maio e setembro de 2008, nos preparamos para esse momento. Foi um momento bélico ou potencialmente bélico. A direita golpista realizou suas consultas e iniciou gradualmente a conformação de pequenos poderes regionais que desconheciam ao governo. Nós entendemos esse sinal e nos jogamos em uma estratégia envolvente, como a chamam os militares. Tanto pelo lado dos mecanismos coercitivos do Estado, como pela via da mobilização social. Em maio se faz uma análise com as organizações sociais e com as próprias Forças Armadas, avaliando os principais riscos que havia no país e se instrui a preparação de planos de contingência diante da eventualidade de uma radicalização da estratégia golpista da direita.

Nesse momento se faz um primeiro plano de contingência de uma grande mobilização na defesa da democracia que não se executa, mas que já estava elaborado, tanto no plano social, como no militar. Em agosto, apostaram numa derrota eleitoral do governo, a fim de tirar-nos legitimidade democrática, mas ganhamos o referendo revocatório. Longe de retroceder no apoio democrático, o governo incrementou sua aceitação de 54% do eleitorado a 67%, consolidando uma maioria social em todo o território nacional, incluindo em regiões anteriormente dominadas pela oposição. Isso enlouqueceu à direita. Depois de dois anos de estratégia de bloqueio constituinte, agora pretendiam uma rápida recuperação do poder, começando do âmbito departamental. Mas o referendo revocatório ampliava a legitimidade nacional do governo do presidente Evo e irradiava a força política do bloco indígena-popular para a totalidade dos nove departamentos. Em vez de entender o momento, a direita decidiu atacar.

As regras da guerra e da política, que é a continuação da guerra por outros meios, ensinam que quando um opositor é forte não deve ser atacado diretamente e quando um exército é débil nunca deve promover nem aceitar encarar uma batalha diante de um adversário mais forte. A direita fez exatamente o contrário deste ABC da luta pelo poder. Enlouquecida, se lançou ao confronto, no momento de maior fortaleza político-eleitoral do governo e de maior incerteza da existência da base de apoio da direita e ai começou sua derrota.

Depois dos resultados do referendo aprovatório em agosto, o bloco cívico-prefeitural começou uma escalada golpista: invadem as instituições, esperamos; atacam a polícia, esperamos; destroem e saqueiam as instituições públicas em 4 departamentos, esperamos; desarmam a soldados, esperamos; tomam aeroportos, esperamos; destroem gasodutos, esperamos. Eles mesmos se lançam, desarvorados, a um beco sem saída. Usam a violência contra o Estado, dando a justificativa moral de uma resposta contundente do Estado contra eles, que começou a ser desatada em uma escala gigantesca; além disso, à medida que incendeiam e saqueiam instituições públicas se deslegitimam diante da sua própria base social, ficando em poucas horas como um punhado de violentos destruidores da institucionalidade.

- Aí acontece o de Pando.

Álvaro García Linera: O prefeito desata o massacre de Pando, em uma tentativa de dar um sinal de punição dura aos líderes populares... e este ato acabou com a tolerância da totalidade da sociedade boliviana. O massacre de camponeses igualará aos prefeitos com seus mentores, Sánchez de Losada ou García Mesa e colocará nas mãos do Estado a obrigatoriedade de uma intervenção rápida, contundente, na defesa da democracia e da sociedade. E sem duvidar um segundo, atacar o elo mais fraco da cadeia golpista, Pando. Se tratará do primeiro estado de sítio na história boliviana ditado na defesa e na proteção da sociedade, encontrando o pleno apoio da população horrorizada pela ação dos golpistas, deterá em seco a iniciativa cívico-prefeitural, dando lugar à sua retirada desordenada. É o momento de uma contraofensiva popular, cuja primeira linha de ação serão as organizações sociais e populares do próprio departamento de Santa Cruz. Não apenas camponeses e colonizadores se mobilizaram, mas também gente dos bairros plebeus de Santa Cruz e especialmente jovens urbanos, que em memoráveis jornadas de resistência às bandas fascistas, defenderão seus distritos e quebrarão o domínio clientelístico das logias cruzenhas.

A contundência e a firmeza da resposta político-militar do governo contra o golpe, somada à estratégia de mobilização social em Santa Cruz e para Santa Cruz, criou uma articulação virtuosa social-estatal poucas vezes vista na história política da Bolívia. Essa era a dimensão e a extensão geral do “exército” e das “divisões mobilizadas” contra o golpe. Essa era a força de choque que o projeto indígena-popuar desatava para o momento decisório de força. A direita avaliou suas forças de choque isoladas e em debandada, comprovou a vontade política do mando indígena-popular que estava disposto a tudo e preferiu abdicar de seus propósitos e se render. Desta forma, se fecha o ciclo da crise estatal, da polarização política e se imporá, em uma medição bélica de forças, a estrutura duradoura do novo Estado.

Algo parecido aconteceu em 1985, quando mineiros, que eram o núcleo do Estado nacionalista, se renderam diante das divisões do exército que resguardava o projeto neoliberal. Hoje correspondeu ao bloco empresarial-latifundista assumir a derrota e dar passo a uma nova correlação de forças políticas da sociedade. A seu modo, setembro-outubro de 2008 terá o mesmo efeito estatal que a derrota da “marcha pela vida” dos mineiros em 1986. Só que agora será o bloco plebeu quem festejou a vitória e as elites endinheiradas terão que assumir sua derrota histórica. O que virá depois será a validação político parelamentar desse triunfo popular. Apoiados nas vitorias eleitorais e militares, o governo indígena-popular levará à consagração institucional da correlação de forças conseguida no momento do “ponto de bifurcação”. E isto será feito mediante a aprovação congressual da Nova Constituição Política do Estado.

O Congresso se transformará por uns dias em uma espécie de Congresso Constituinte que articulará o trabalho da Assembléia Constituinte fechada nove meses antes, os acordos governamentais governamentais com o bloco minoritário de prefeitos conservadores nas semanas prévias e a deliberação popular da marcha empreendida pelas organizações operárias, indígenas, camponesas e populares que sob a direção do presidente Evo, chegou à cidade de La Paz desde Caracollo.

Sob as novas circunstâncias, estava claro que o eixo articulador indígena-popular do Estado se impunha por seu próprio peso na ordem estatal constitucional. Mas, ao mesmo tempo, o resto dos setores sociais eram articulados a partir de seu próprio debate na Assembleia Constituinte (classes médias, setores empresariais medios e pequenos, etc.) Inclusive o bloco conservador rentista da terra, expresso politicamente pelos prefetos cívicos, foi levado em conta, mas claro que como sujeito social dirigido pelo novo núcleo estatal indígena-popular, e em menor intensidade pelo que poderia ter conseguido se assumisse a convocação pactista de 2006-2007. Não se pode esquecer que este trabalho político também servirá para arrebatar à direita a bandeira autonômica, atrás da qual havia dissimulado a defesa do latifúndio e do rentismo empresarial.

Desta forma, o bloco nacional-popular não apenas se consolidava materialmente na estrutura estatal, como assumia o mando dos três eixos discursivos da nova ordem estatal que guiaram todos os debates políticos nas décadas seguintes: plurinacionalidade, autonomia, condução estatal da economia. Visto à distância, apesar de toda a conflitividade dos três anos, em termos dos resultados duradouros, as coisas não poderiam ter sucedido de melhor forma para o bloco nacional-popular no poder. No final, as condições de concessão aos adversários são muito maiores em um pacto constituinte que os reconhecimentos e inclusões cedidas a um adversário abdicante e derrotado, pelo que a história nem sempre transcorre pelo lado ruim, como acreditava Hegel.

Em agosto se consolida a vitória eleitoral, em setembro a vitória militar e em outubro (com a aprovação congresual do referendo constitucional) a vitória política. E, com isso, certamente, se fecha o ciclo constituinte e, a partir desse momento, se inicia a estrutura da orden unipolar da nova ordem estatal.

- Até onde o enfraquecimento tão notório da oposição poderia transferir as tensões para o interior do bloco oficialista, levando em conta que uma oposição movilizada é sempre muito efetiva para coesionar às próprias bases?

Álvaro García Linera: Eu não creio, no entanto, que a oposição tenha sido desarticulada definitivamente. A oposição não tem um projeto de poder, carece de discurso mobilizador e tem um poder de veto gigante em muitas coisas. Continua sendo um adversário perigoso. Certamente que no âmbito econômico o Estado conseguiu dar golpes contundentes no desmonte de uma parte do poder econômico opositor: a burguesia rentista e intermediária já não tem as empresas petrolíferas como financistas generosas de suas rendas. A rede clientelista agrária que os rentistas da terra criaram no âmbito agroindustrial se enfraqueceu enormemente com a presença da empresa estatal de alimentos EMAPA e a presença pública na cadeia sojera, trigueira, arrozeira, chega a entre 20 e 30% do total da produção. Mas o bloco opositor irredutível ainda conserva outros espaços importantes de poder agrário, comercial e financiero, e isto lhe dá finalmente poder de agregação, de pressão e de confrontação. Mas hoje, e isto pode durar alguns anos, o que não tem é um projeto de Estado; quanto tempo ainda não o terá, não se sabe, mas tem um projeto de tratar de impedir que siga avançando o projeto popular. À diferença das classes populares, que em 1985 forma derrotadas e materialmente foram desestruturadas para dar lugar a um ciclo lento de reorganização, a direita, não.

A direita sofreu um golpe político, perdeu o mando do Estado, perdeu a capacidade de seduzir estatalmente à sociedade, mas tem muito poder econômico ainda. É diferente a forma de consolidação do ponto de bifurcação quando é o setor popular o derrotado, política e materialmente, que quando se trata do setor empresarial, porque pode perder no plano político, mas conserva poder econômico que lhe permite ter poder de veto permanente. Então segue aí esse adversario, fragmentado, desorientado, mas como adversário e com capacidade de bloqueio. Mas nesse cenário em que a contradição fundamental se apaziguou, se debilitou, surgem maiores possibilidades de tentações no interior do núcleo central, é verdade. Mas por que não conseguiram prosperar o que na história de muitos partidos são tendências fraccionistas no interior do núcleo dirigente? Por vários motivos. Em primeiro lugar, sem dúvida, pela liderança avassaladora do presidente Evo na estrutura política e social do Estado e da própria sociedade. Hoje, a figura, o carisma e a adesão que conseguiu o presidente Evo é de tal magnitude que limita objetivamente a existência de outra liderança que pudesse disputar a base social do governo e da sociedade.

Mas há outro elemento relevante que explica os limites materiais de um fraccionalismo no interior do governo: a ausência de facções com poder econômico. O controle de ministérios habilita a ter influência, redes, que permitem constituir facções econômicas. É preciso não esquecer que somos um Estado que passou a investir de 600 a 2.300 ou 2.400 milhões de dólares e é normal que em qualquer parte surjam facções do poder econômico, núcleos que controlam decisões, fábricas, rendas, força de trabalho. Acontece no Brasil, na Argentina, na Venezuela. Mas aqui se criou, até agora e de uma maneira sistemática e vigiada, uma estrutura laboral governamental que impediu a consolidação de núcleos consolidados de influência e de poder econômico, não digamos de propriedade, com capacidade de desempenho e de presença política autônoma no interior do governo.

Nisso vários fatores intervieram: elevada rotação de funcionários, um controle presidencial do funcionamento diário dos ministérios, mas também uma moral interna, uma espécie de espartanismo governamental reivindicador de uma ética do serviço público que limitou, até hoje, a cristalização de facções de poder econômico que são as que alentam potencialmente o faccionalismo político. Isso permitiu que exista um núcleo muito duro e coeso em torno do Presidente que ajuda a que internamente não emerjam tendencias centrífugas.

- Esta é a tentativa de construir uma moral do serviço público no núcleo de decisões do governo? Mas o que passa na base? Víctor Paz Estenssoro explicou o fim da Revolução Nacional quando os empregos a repartir eram menos que os militantes do MNR. Não pode aconteder a mesma coisa com o governo do MAS?

Álvaro García Linera: Paz Estenssoro assumia essa pressão do militante arrivista como um hábito político, em continuidade com uma lógica de prebendas que nunca buscou superar. Na Bolívia, desde o século XIX, a atividade política foi vista como um meio de ascensão social mais que um meio para o serviço das res publica. De fato, a estrutura material das classes sociais na Bolívia opera de tal forma que os procesos de enclassamento e de desclassamento não dependam tanto do capital cultural para ascender socialmente, mas do capital político, isto é, das redes e influências políticas que garantem o acesso a bens privados. Isto, que era um monopólio exclusivo de casta e de familia até 1952, desde aquele momento se ampliou para classes medias e niveis de direção do sindicalismo operário.

Na atualidade há setores que pressionam e reivindicam uma maior “democratização” desta forma de prebendas da ação política e reivindicam o direito a um cargo público pelo fato de pertencer a alguma direção regional do MAS. Diante dessa pressão e da degeneração da militancia política, o governo foi muito contundente na sua rejeição e punição. Por que expulsamos a Adriana Gil em 2006? Por isso, porque naquele momento tinha se formado um nucleo de militantes massistas que tomaram uma instituição para pedir que eles ocupassem cargos. Em abril do mesmo ano foram expulsos os que queriam continuar com o velho hábito da militância como acesso a um cargo público. A partir daquele momento, o proprio Presidente não somente colocou em prática uma ética política da gestão pública como serviço, como foi claríssimo que os companheiros que se reinscrevem como militantes do MAS não devem esperar fazer parte das estruturas organizativas do Estado e que, ao contrário, devem se esforçar por para fortalecer a estrutura organizativa e ideológica do partido. Se comparamos as mudanças no pessoal do Estado, entre nossa gestão de governo e as precedentes, se constatará que nós não fizemos nem 20% das mudanças feitas pelas administrações anteriores. Nos tempos do MIR, da ADN, do MNR, nem os porteiros nem as cortinas dos despachos se salvavam da “varrida” partidária. Para nós, então não é uma preocupação que existam muitos militantes e poucos cargos; ao contrário: se você é um militante, então não tem cargo. E isto nós enfatizamos sob a concepção da política como uma espécie de longo “serviço militar” para servir à sociedade.

- Mas isto não impede a formação de quadros no interior do proprio MAS?

Álvaro García Linera: Este é um grande problema, nem tanto pelo tema. Uma das grandes debilidades da nossa estrutura política, deste proceso, é a ausência de quadros políticos e técnicos. Nas revoluções mundiais, os partidos que ascenderam ao governo tiveram previamengte décadas de preparação e seleção de quadros que lhes permitiu assumir com maior musculatura organizativa as transformações da sociedade. O próprio MNR, que se formou nos anos 30, teve mais de quinze anos de formação antes de aceder ao governo. Mas o MAS, que surgiu em 1995 como estrutura política local, recém em 2000-2001, se colocou a temática de uma estrutura nacional com vontade de poder e em 2005 já era governo. São apenas quatro anos de preparação. E isto gerou dificuldades, já que no núcleo político básico, o MAS não é uma estrutura de quadros, mas uma coalizão flexivel de movimentos sociais.

Fez-se um esforço para potencializar a parte organizativa dos quadros, mas o rápido crescimento no plano urbano obrigou a reafirmar a disciplina militante sindical diante das práticas mais liberais e de prebendas nos âmbitos urbanos.

Quando se forma o partido, a estrutura, digamos assim, de quadros funcionais urbana, era paralela à estrutura sindical agrária e compatilhavam os niveis de decisão política. Mas já no governo, uma parte da estrutura urbana se dedicará a buscar cargos, o que, para limitar esse tipo de desvíos e práticas se decide, desde 2007, que nos níveis nacional, departamental e regional das estruturas partidárias assumam o mando as organizacões sociais.

- Então de onde vêm os cargos?

Álvaro García Linera: Desde que somos governo, se reforçaram os mecanismos de seleção meritocrática nos níveis técnicos da administração pública, enquanto que os cargos de confiança política passam pelo filtro das organizações sociais nacionais. Desde 2007, a postulação a cargos de confiança política já não passa pelas listas das direções departamentais.

- Em relação ao caso Santos Ramírez, como afetou o projeto econômico do governo, considerando que YPFB é uma empresa emblemática deste proceso?

Álvaro García Linera: YPFB não é apenas uma empresa emblemática, é a empresa que sustenta econômicamente o país e a base material da soberania reconquistada. Tem um fluxo de caixa de cerca de 3,3 bilhões de dólares e, para a Bolivia isto é muitíssimo dinheiro. Em termos de propriedade, YPFB controla, em nome do Estado, entre 2,2 e 2,3 bilhões de dólares. Hoje 50% das nossas exportações são petróleo e gás e essas exportações passam por YPFB. É o coração da economia boliviana e deve ser uma das vinte empresas mais importanes da América Latina. Por isso, as primeiras informações sobre a corrupção em YPFB foram um golpe muito duro porque golpearam a empresa emblemática do país, mas afetaram ao mesmo tempo a um companheiro que era evidentemente no futuro um dos mais possíveis sucessores de Evo na liderança política do MAS. E diante dessa difícil situação, se respondeu de maneira imediata e com a mesma firmeza: afastar Ramirez, imediatamente, da direção da empresa e apoiar públicamente as investigações do Ministério Público. Rompendo, assim, com a velha tradição dos partidos tradicionais de ocultar, adiar e finalmente encobrir os atos de corrupção de seus militantes com peso político, nós decidimos emitir um novo sinal: no governo e diante dos intereses do povo, não há amigos, não há familiares, não há militantes, não há compadres, nem comparsas. Há servidores ou corruptos e estes últimos devem ir para a prisão sem nenhuma consideração. Não podemos permtir nenhuma sombra ou uma suspeita de erro no nucleo dirigente.

A instrução foi clara: que se encarregue a Justiça e que ninguém pressione. Se esteve muito atento a que nenhum nivel do Estado interfira, pressione, insinue nada a favor de Santos. Mas o dano está feito. Houve que passar meses para ir curando essa ferida. Mas, uma vez mais, se nota a ausência de quadros. Daí que tivemos que aprovar uma lei que permita pagar salários mais altos que o do Presidente para quadros técnicos de empresas estratégicas. É a nossa forma local da NEP (Nova Politica Econômica, na Rússia pós-revolucionária) de Lenin. O objetivo da NEP, além de aliança com os camponeses, era fundamentalmente recrutar técnicos para administrar os níveis subalternos do Estado, levando em conta que se bem o Estado é uma estrutura política, tem níveis burocrático-administrativos e técnico-cientificos que requerem conhecimentos e saberes que não podem ser adquiridos nem transformados rápidamente. Lenin, para terminar com a catástrofe econômica que ocorreu imediatamente depois da revolução, teve que recontratar técnicos do antigo Estado, até criar gradualmente uma admnistração mais simples. E instruiu: abaixo de cada técnico coloquem um jovem para que aprenda e nós estamos fazendo a mesma coisa. Já iniciamos isso em 2006: se muda a organização e as pessoas dos níveis de decisão da administração pública (ministros, vice-ministros e alguns diretores), mas não se toca na estrutura secundária da administração estatal do Estado, até formar quadros estatais, jovens, que substituam aos antigos quadros.

Agora temos novos desafíos: empresas estatais que se agigantam em um, dois ou tres anos. Necessitamos gente competente, que é preciso recrutar no mercado de trablho. Dai a via que adotamos: mando político comprometido nos níveis de decisão e funcionários técnicos de primeira com salários muitas vezes superiores aos dos próprios gerentes das empresas em que trabalham. Passa isto com Carlos Villegas, ele gana 13.000 bolivianos enquanto um gerente de Andina pode ganhar 60.000 bolivianos
ou 15.000 dólares; por enquanto não nos resta outra opção, até que se consiga formar uma nova geração de servidores públicos com grande eficiência técnica, mas, além disso, com compromisso político que permita novamente igualar a escala salarial.

- No governo há uma narrativa muito atraente em torno da descolonização, há um decreto, um vice-ministério de descolonização… como se mediatiza este objetivo em termos de políticas culturais e educativas?

Álvaro García Linera: A descolonização tem várias dimensões e é um elemento forte do projeto de poder dos movimentos sociais. Recebemos uma sociedade colonizada até o fio do cabelo, no plano econômico havia que pedir esmola a países estrangeiros para pagar salários, no plano político havia que pedir autorização às embaixadas para escolher ministros, no plano espiritual, as pessoas acreditavam que o poder era um argumento de pele e de sobrenome, no plano mental, as pessoas achavam que tudo o que chegava de universidades estrangeiras era saber e o resto era folclore. Para derrubar essa muralha que esmagava a energia vital dos bolivianos, o primeiro passo que adotamos foi a descolonização política: tomar decisões como país sem consultar a governos estrangeiros. Aqui o ministro de governo tinha que passar pelo visto da embaixada dos Estados Unidos, o ministro da Fazenda pelo visto do Fundo Monetário Internacional ou do Banco Mundial. Um segundo momento é a descolonização econômica, o que em termos reais significa romper com o fluxo de externalização do excedente: a sociedade gera um excedente e por distintas vías – poéticamente, as veias abertas da América Latina – esse excedente se transfere em quantidades incontáveis para o exterior.

A descolonização significa, então, a ruptura desses fluxos de sangramento, para que o excedente gerado seja reinjetado outra vez no país, que é o que fizemos com o decreto de nacionalização e com a gradual recuperação das empresas públicas e com as políticas de tipo de câmbio, com as políticas impositivas em relação às remessas dos lucros… o melhor exemplo é o government take petrolero. O government take varia entre 65 e 77%, quando antes era de 27%, isto é, do lucro dos hidrocarburos só 27% ficava na Bolívia. Hoje de cada 100 dólares de lucros entre 65 nos campos menores ou 77 nos grandes campos, fica no país. Esta é a base material da soberanía econômica.

Em seguida vem o outro âmbito, mais duradouro e mais complicado, que é a descolonização cultural e espiritual da sociedade. A quebra do paradigma colonizador foi dado pela própria sociedade, ao eleger, pela primeira vez na história do país, a um presidente indígena. E a partir desse momento, toda a simbología colonial que aprisiona a vida e a alma, começou a se ser rompida irreversivelmente. Hoje temos um índio camponês governando a Bolívia, diante do que os militares tem que pedir audiência, cortes e governantes render honra…

A descolonização cultural tem então dois eixos que devem ser abordados complementarmente. Um se refere à diversidade de culturas, de idiomas, de história e de memórias. O outro eixo se refere à diversidade de civilizações, isto é, de modos de produção de sentido da vida, do tempo, da política. A descolonização no primeiro dos eixos, o cultural, é mais fácil de conseguir e já há experiências em outras sociedades multiculturais (Bélgica, Índia, Canadá…): ensino em vários idiomas, administração pública plurilingüe, narrativa histórica plural dentro da história nacional comum, que vem a ser uma história nacional de varias nações, etc. A escola e a universidade vão ensinar obrigatoriamengte em três idiomas: castelhano – como idioma de integração -, uma lingua estrangeira – como idioma de comunicação com o mundo – e um idioma dominante na região (aymara em La Paz, quechua em Cochabamba e guaraní em Santa Cruz). No âmbito do Estado, os funcionarios públicos devem aprender um idioma indígena também de acordo com a zona. O mesmo deve ocorrer com as publicações, os discuros estatais públicos. E seguindo no plano cultural, a descolonização da memoria, a reivindicação oficial de outros heróis, das datas dos povos indígenas. A história diversa, mestiça e indígena, tem que ser oficializada nos textos de ensino.

O que é mais complicado é a descolonização do ponto de vista civilizatório; isso tem a ver já com a matriz organizativa e cognitiva das pessoas. No âmbito da educação, se trata de reivindicar outros saberes, outras construções discursivas, não necesariamente escritas, do conhecimento; como vamos conseguir isso, é parte de um debate interno no governo; como vamos preservar como patrimônio público o que está escrito nos têxteis (tecidos aymaras), como saber do Estado? É um debate complicado. Na área da saúde já se deram passos maiores, por exemplo, colocando junto ao médico ao “naturista”, ou ao lado da enfermeira e a parteira e as pessoas podem optar no centro médico. É um prototipo de saber e de procedimento médico que o Estado está começando a institucionalizar, ainda que não há ainda uma regulamentação deste saber local disperso, mas que corresponde a outra civilização, nao somente a outra cultura.

Outra lógica de entender o que é a morte, a vida, o sangue, a comida. No âmbito político tambem avançamos ao incorporar a democracia comunitária como uma das democracias legítimas legítimas no modo de produção de decisões do Estado. Ou a incorporação do controle social pela via das estruturas sindicais, associativas, comunitárias, para a administração do Estado. E no plano econômico incorporamos, reconhecemos, fomentamos e financiamos as estruturas comunitárias da sociedade como parte da área produtiva que tem que decidir uma parte do investimento do TGN. Trata-se de um proceso complexo e longo. Mas já começamos a dar passos decisivos.

- Ao escutar a Evo Morales se adverte sobre uma defasagem entre seus discursos na defesa da Pachamama, da terra e do territorio, mais para fora, e um discurso mais desenvolvimentista para dentro, incluindo denúncias das ONGs que promovem uma Amazônia sem petróleo. Como você explica isso?

Álvaro García Linera: Está claro que a lógica produtiva camponesa e comunitária se baseia em um tipo de racionalidade produtiva localmente sustentável com a natureza, porque tem como fundamento uma lógica de adiantamentos e restituições entre gerações. Trata-se de um fato material que para garantir o alimento dos hoje presentes, tem que fazer preservando as condições alimenticias para os que virão depois, o que leva a uma leitura dialógica e a um vínculo sustentável a longo prazo com a natureza. A forma como se racionaliza e se verbaliza isso dá lugar à ritualidade dialogante com a natureza, enquanto corpo vivo ao que se lhe pede autorização, se lhe pede o necessário para a reprodução e se lhe devolve em seguida e se mantêm esse corpo para garantir a longo prazo este intercâmbio metabólico entre ser humano e natureza. Tomando um conceito de Marx ao estudar a comuna rural na India nos Grundrissen, na civilização camponesa, a natureza se apresenta então como uma externalização orgânica da subjetividade. Por tanto você não pode destruir teu próprio corpo a não ser que seja um suicida.

O movimento camponês defendeu e vai defender uma forma de uso que hoje chamamos de racional da natureza, oposto aos procesos de depredação própria da civilização do valor-lucro. Daí que na América Latina no movimento indígena-camponês tenha existido uma construção discursiva militante na defesa das potencias da natureza diante da depredação expansiva da exploração capitalista. Com o tempo, esta lógica produtiva agrária e camponesa se tornou uma lógica política do enfrentamento com o Estado desenvolvimentista neoliberal.

O tema se torna mais complexo quando são os camponeses-indígenas, anteriormente excluídos da cidadania e do poder econômico, que se tornam bloco dirigente e condutor do Estado e as comunidades se tornam parte do Estado, que é o que nos está pasando na Bolivia. Então, por um lado, se leva para o âmbito estatal esta lógica da relação dialogante com a natureza; mas ao mesmo tempo enquanto você é Estado, necesita recursos e excedentes crescentes para atender necesidades básicas de todos os bolivianos e dos mais necessitados, como as comunidades indígenas e populares andar com seus proprios pés. Expandir como política de Estado a proteção do meio ambiente, o uso sustentável da natureza, mas ao mesmo tempo necesita produzir em grande escala, implementar processos de industrialização expansiva que te habilitem excedente social para sua redistribuição e para o apoio a outros procesos de modernização camponesa e comunitária artesanal.

No caso da exploração de gás e de petróleo no norte pacenho, o que buscamos é produzir hidrocarburos para equilibrar geográficamente as fontes de riqueza coletiva da socidade, gerar excedente e simultaneamente preservar o entorno espacial em coordenação com as comunidades indígenas. Hoje não estamos abrindo passo no norte amazônico para que entrem a Repsol ou a Petrobrás. Estamos abrindo passo na Amazônia para que entre o Estado.

- E quem assegura que o Estado não seja tão depredador como as empresas transnacionais?

Álvaro García Linera: É preciso cuidar que ele nao seja assim. E certamente haverá uma tensão lógica social-estatal de um uso sustentável da natureza e da necessidade social-estatal de gerar excedentes (lucros) económicos a cargo do Estado. Trata-se de uma tensão como o é o “Estado de movimentos sociais”, entre democratização do poder e monopólio de deicsões (movimiento social/Estado). É preciso viver com essa contradição vital da história. Não há receita, é obrigatório tirar gás e petróleo do norte amazônico de La Paz. Por que? Porque necesitamos equilibrar as estruturas econômicas da sociedade boliviana, porque o rápido desenvolvimento de Tarija com 90% do gás vai gerar desequilibrios a longo prazo. Igualmente, se requer excedentes económicos para reforçar estruturas comunitárias, para expandi-las, para buscar modos de modernização alternativos distintos da destruição das estruturas comunais, como vem acontecendo até hoje. E, ao mesmo tempo, é necessário impulsionar, em acordo com as comunidades, uma produção hidrocarbonifera não depredarora do entorno.

- Se as comunidades dizem que não, o Estado entrará de qualquer maneira?

Álvaro García Linera: Aí vem o debate, o que aconteceu? Quando consultamos à CPILAP (Central de Povos Indígenas de La Paz), nos pediram que fossemos consultar com Bruxelas com seu escritorio de advogados e que respeitássemos os enunciados ambientais publicados pela USAID. Como é isso então? Quem está impedindo que o Estado explore petróleo no norte de La Paz: as comunidades indígenas Tacanas, uma ONG, ou países estrangeiros? Por isso, fomos negociar comunidade por comunidade e encontramos ali o apoio das comunidades indígenas para levar adiante a exploração petrolífera. O governo indígena-popular consolidou a longa marcha dos povos pela terra e pelo territorio. No caso dos povos indígenas minoritários das terras baixas, o Estado consolidou milhões de hectares como territorialidade histórica de muitos povos de pequena densidade demográfica; mas junto ao direito à terra de um povo está o direito do Estado, do Estado conduzido pelo movimiento indígena-popular e camponês, de sobrepor o interesse coletivo maior de todos os povos. E assim vamos proceder daqui para frente.

sábado, 8 de agosto de 2009

9 de agosto: DIA INTERNACIONAL DOS POVOS INDÍGENAS DO MUNDO

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina

7 agosto 2009/http://www.adital.com.br

Tradução: ADITAL

A comunidade internacional celebra no dia 9 de agosto o Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo. Este dia é uma oportunidade para sensibilizar a todos com as culturas dos povos indígenas e com sua grande diversidade.

É também uma ocasião para redobrar esforços com vistas a abordar questões tais como a exclusão, a discriminação e a pobreza, que fazem parte da realidade cotidiana de muitos desses povos.

Em 1994, a Assembleia Geral da ONU decidiu que no dia 9 de agosto de cada ano, durante o Decênio Internacional dos Povos Indígenas, fosse celebrado o Dia Internacional dos Povos Indígenas (Resolução 49/214, de 23 de dezembro).

Em sua Resolução 59/174, de 20 de dezembro de 2004, na qual a Assembleia proclamou o Segundo Decênio Internacional dos Povos Indígenas (2005-2014), também decidiu continuar celebrando em Nova York, em Genebra e em outros escritórios das Nações Unidas, o Dia Internacional dos Povos Indígenas todos os anos durante esse Segundo Decênio e pediu ao Secretário Geral que respaldasse a celebração do Dia Internacional dentro dos limites dos recursos existentes e que alentasse os governos a celebrá-lo no âmbito nacional.

Para mais informação, visite a página do: FORO PERMANENTE PARA LAS CUESTIONES INDÍGENAS DE LA ONU´ (em espanhol)

[Enviado por Actualidad Étnica]

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil

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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Portugal/«Vai demorar muito tempo para liberdade de circulação entre os oito»

28 julho 2009

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado, disse hoje à Lusa que "vai demorar muito tempo" até existir a livre circulação de cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) no espaço lusófono.

Em declarações em São Tomé, onde se encontra em visita de trabalho, Luís Amado afirma que uma proposta nesse sentido "não depende apenas da liberdade de circulação para Portugal, depende da liberdade de circulação para muitos outros países que fazem parte da CPLP, que tem a sua legislação própria e o seu ordenamento jurídico".

O Diário de Notícias traz na sua manchete de hoje que o "Partido Socialista vai propor a livre circulação de pessoas nos países lusófonos" e o Notícias Lusófonas diz, também em manchete, "PS quer agora estatuto do cidadão da CPLP".

As duas notícias adiantam que o tema está a ser trabalhado em documentos que servem de base ao programa de Governo que o PS irá levar às próximas eleições legislativas.

A notícias citam o secretário de Estado das Comunidades, António Braga, para quem "faz todo o sentido" criar entre os países da CPLP "instrumentos de facilitação da circulação das pessoas", não vendo possíveis colisões com os Acordos de Schengen, a que Portugal está vinculado, "bem pelo contrário".

À Lusa, Luís Amado comentou as "declarações pessoais" de António Braga, "em relação àquilo que ele pensa que no futuro poderá o espaço da CPLP", concordando que "a liberdade de circulação deve ser um objectivo a prazo que uma comunidade muito marcada pela língua, pela história, pelos costumes e pelos afectos deve ter no seu horizonte".

No entanto, o chefe da diplomacia portuguesa afirma que "vai demorar muito tempo até que haja condições para que, de facto, todos os países que são membros da CPLP possam aceitar esse princípio".

Luís Amado recorda que "tem havido ao longo dos últimos anos um trabalho consistente no sentido de aproximar os regimes jurídicos a que dizem respeito os direitos sociais das pessoas, designadamente o direito de livre circulação". Para o governante, "é nessa perspectiva politica que as palavras do secretário de Estado [António Braga] devem ser interpretadas".

A Lusa tentou ouvir o secretário de Estado das Comunidades, mas o gabinete de António Braga remeteu mais esclarecimentos para uma entrevista que concedeu ao Diário de Notícias, cuja divulgação está prevista para quarta-feira.

António Vitorino, responsável pela coordenação do programa do PS, não quis falar sobre o tema.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

CPLP/«Dia da Língua Portuguesa e da Cultura» fixado em 5 de Maio

20 julho 2009

O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) aprovou hoje, na Cidade da Praia, em Cabo Verde, a data de 5 de Maio como o "Dia da Língua Portuguesa e da Cultura" do espaço lusófono, a celebrar obrigatoriamente todos os anos.

A iniciativa pretende reforçar os papéis do Português e da Cultura lusófona no mundo, contando com o apoio do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), através da planificação e execução de programas de promoção, defesa, enriquecimento e difusão do idioma oficial da comunidade.

O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa aprovou hoje também, em Cabo Verde, a nova visão estratégica de cooperação, que visa sobretudo dar maior coerência e eficácia ao alinhamento da cooperação comunitária entre os "oito".

Segundo disse o director de Cooperação da CPLP, Manuel Lapão, a nova visão estratégica da cooperação no espaço da CPLP "terminará com os projectos desgarrados e passam a existir projectos sectoriais", como o recente do Plano Estratégico de Cooperação em Saúde (PECS).

"As reuniões ministeriais têm capacidade de criar fundos autónomos para os seus projectos e o que defendemos é que essa situação não se verifique sempre que os desembolsos estejam colocados dentro do fundo especial, que é o instrumento financeiro que já existe para o efeito", disse Manuel Lapão.

Durante a reunião, foi decidido também que Portugal vai receber no início do próximo ano a primeira reunião dos ministros da Coordenação dos Assuntos do Mar e dos Oceanos CPLP.

Na reunião ficou ainda definido o desenvolvimento de vários projectos, nomeadamente o da criação de um Centro de Estudos Marinhos da CPLP, a cargo de Cabo Verde, sendo que Portugal e Brasil se prontificaram a liderar o processo de extensão da plataforma continental, e o Brasil e Angola deverão tratar da questão da exploração dos recursos Marinhos.

Em declarações aos jornalistas, o secretário de Estado da Defesa e dos Assuntos do Mar português, João Mira Gomes, explicou que os projectos serão desenvolvidos até à reunião em Portugal.

João Mira Gomes explicou ainda que a resolução sobre a estratégia da CPLP para os Oceanos foi discutida no encontro de hoje, mas a sua aprovação ficou adiada para 2010.

"Há um consenso sobre o documento, mas chegámos à conclusão que seria apropriado aprová-lo na primeira reunião formal dos ministros responsáveis pelos Assuntos do Mar da CPLP", avançou o secretário. (Notícias Lusófonas)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Anistia a imigrantes ilegais deve ser sancionada até 6 de julho

22 junho 2009/Reporter Brasil http://www.reporterbrasil.com.br

Se o texto for mantido, estrangeiros em situação irregular que ingressaram no Brasil até 1º de fevereiro de 2009 poderão protocolar pedido de residência provisória no período de 180 dias após publicação da sanção presidencial

Por Bianca Pyl*

Centenas de milhares de estrangeiros em situação irregular no país contam os dias à espera da nova anistia, que agora depende apenas da assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eles esperam a sanção do Projeto de Lei (PL) 1.664/2007, aprovado em 4 de junho e enviado ao Palácio do Planalto no último dia 16. A partir da chegada do projeto, o presidente dispõe de 15 dias úteis (contando a data do envio) para sancionar a proposta vinda do Congresso. Lula deve referendar a medida até o próximo dia 6 de julho.

Apresentado pelo deputado federal oposicionista William Woo (PSDB-SP) e relatado na Câmara Federal pelo governista Carlos Zarattini (PT-SP), o PL 1.664/2007 beneficia estrangeiros que vivem na ilegalidade e que ingressaram no Brasil até 1º de fevereiro de 2009. Se o texto for mantido como está (ressalte-se que o presidente tem o poder de fazer alterações nesta etapa final), aqueles que preencherem esses requisitos básicos e quiserem permanecer regularmente no país poderão entrar com um pedido de residência provisória durante o período de seis meses (180 dias) que correrá após a publicação do ato político no Diário Oficial da União (DOU).

No final do ano passado, o governo federal já havia acenado com a possibilidade de anistia aos imigrantes ilegais, por meio do Ministério da Justiça. A intenção inicial de elaborar uma proposta própria do Executivo foi substituída pela "aceitação" de projetos que já tramitavam no Parlamento. "O governo estava cogitando preparar a anistia, mas como já havia dois projetos de lei, um meu e outro do deputado William Woo, nós sentamos e decidimos por um projeto que contemplaria as nossas propostas e as do governo", esclarece Carlos Zarattini (PT-SP), que relatou o projeto na Câmara.

"É um momento histórico. Enquanto a maioria dos paises ricos fecha as suas portas, o Brasil acolhe esse povo que precisa de trabalho", resume o padre Mario Geremia, do Centro Pastoral do Migrante (CPM) da Paróquia Nossa Senhora da Paz, na região central de São Paulo (SP).

Presidente do Instituto Migrações e Direitos Humanos, Rosita Milesi destaca que muitos imigrantes têm receio até de procurar postos de saúde quando enfermos por causa da situação de ilegalidade. "Trata-se do primeiro passo para a garantia dos direitos sociais", complementa.

Rosita vê com bons olhos a mudança da data limite de entrada dos estrangeiros - que havia sido estipulada inicialmente pelos parlamentares para 1º de novembro de 2008 e depois foi alterada, ainda na própria Câmara dos Deputados, para 1º de fevereiro de 2009. Segundo ela, muitos imigrantes de países vizinhos da América do Sul, como é o caso de bolivianos e peruanos, deixaram o país momentaneamente do Brasil no final do ano para visitar suas famílias. Caso a alteração de datas não fosse confirmada, muita gente que já vive no Brasil poderia perder o direito de se regularizar.

"As pessoas de diferentes países que estão no Brasil, de todas as culturas, estão muito agradecidas", definiu Mario Geremia. O pároco que atende estrangeiros avalia que é difícil mensurar a quantidade de estrangeiros em situação irregular no país "porque se trata de uma comunidade que está na clandestinidade". Segundo estimativas do Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), entidade ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Brasil abriga cerca de 600 mil estrangeiros sem documentação legal.

Processo
Para requerer a anistia, o projeto aprovado pelos congressistas exige que os imigrantes apresentem comprovante do pagamento de 25% do valor (atualmente fixado em R$ 124,00) para a expedição da Carteira de Identidade de Estrangeiro (CIE); comprovante do pagamento da taxa de registro (para o qual se cobra R$ 64,00); declaração de próprio punho que não responde a processo criminal ou foi condenado criminalmente, no Brasil e no exterior; e comprovante de entrada no Brasil ou qualquer outro documento que permita atestar o ingresso no território nacional dentro da data limite prevista.

"A anistia vem para facilitar a regularização do estrangeiro. Por isso, a declaração relativa a processos criminais pode ser escrita pelo próprio requerente. Isso agiliza o processo. É claro que as declarações serão checadas pela Polícia Federal e estarão sob as penas da lei", esclarece Carlos Zarattini.
Ainda de acordo com a proposta aprovada no Congresso, a residência provisória será valida por dois anos. O artigo 7º do projeto de lei estipula o prazo de 90 dias antes de terminar o prazo provisório para que o estrangeiro possa requerer a residência permanente. Para isso, deve comprovar que está trabalhando, não possui débitos fiscais e antecedentes criminais no Brasil e no exterior, além de não ter se ausentado do território nacional por prazo superior a 90 dias consecutivos durante o período de residência provisória.
"Nós acreditamos que a anistia ajuda, mas não é a solução. Uma nova lei de imigração deve ser aprovada o quanto antes. Nós defendemos também a lei de residência do Mercosul, que permite a livre circulação das pessoas entre países que fazem parte do bloco", acrescenta o padre Mario Geremia.
O Brasil foi o último país do Mercosul a assinar a Convenção sobre a Proteção dos Direitos de todos os Trabalhadores Migrantes e Membros de suas Famílias - negociado no âmbito da Organização das Nações Unidas Unidas (ONU). A adesão brasileira só foi confirmada no dia 8 de dezembro do ano passado, após decisão unânime tomada pelo Conselho Nacional de Imigração (CNIg), presidido pelo Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE).

Durante a 98ª Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, na Suíça, evento que comemorou os 90 anos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o presidente Lula citou a aprovação da anistia, "enquanto o mundo rico anda jogando a culpa em cima dos imigrantes". Rosita Milesi, do Instituto Migrações e Direitos Humanos, frisa que qualquer decisão em sentido oposto seria uma "contradição inaceitável", vez que existem cerca de quatro milhões de brasileiros que migraram para outros países e lutam por dignidade.

*Colaborou Maurício Hashizume

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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Brasil/Unicef vai ajudar comunidade a cobrar prefeitos

6 abril 2009/Agência Estado

O projeto do Unicef - o Fundo das Nações Unidas para a Infância - Plataforma de Centros Urbanos vai beneficiar comunidades do Rio, São Paulo e Itaquaquecetuba (SP). O Unicef não vai dar dinheiro para ONGs em favelas como Barro Vermelho, uma das 84 inscritas no programa que selecionará dez. Vai estimular a organização dos moradores para que elaborem uma pauta de reivindicações a ser discutida com o poder público. O foco é melhorar a qualidade de vida de crianças e adolescentes.
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e o do Rio, Eduardo Paes (PMDB), assinaram carta se comprometendo a "priorizar políticas públicas que reduzam as iniquidades e garantam os direitos de cada criança e adolescente das diversas regiões do município, com o firme propósito de alcançar as metas". Não são metas fáceis. Entre as 20 listadas pelo Unicef estão reduzir homicídios entre adolescentes negros, aumentar vagas em creches e reduzir número de adolescentes em conflito com a lei.
Como não há dados oficiais nas comunidades, o Unicef e o Instituto Paulo Montenegro, ligado ao Ibope, vão ajudar moradores a fazerem neste ano pesquisa para levantar indicadores sociais. Em 2011, o levantamento se repete para ver se melhoraram. O resultado será divulgado no último ano dos mandatos de Kassab e Paes. E se nada melhorar? "Nós chegamos até aí. Ajudamos a mobilizar os moradores, fazemos a articulação política com os gestores, mas a execução das políticas não é da nossa competência", diz Luciana. "Os prefeitos assinaram o compromisso. Isso é um fato político que abre portas." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Portugal/Países lusófonos criarão Fórum das Autoridades Locais

Lisboa, 25 março 2009 (Lusa) - O Fórum das Autoridades Locais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) nasce sexta-feira, em Lisboa, numa iniciativa da Associação Nacional dos Municípios Portugueses e da Prefeitura Municipal de Lisboa, disse nesta quarta à Lusa fonte da organização.

O evento juntará em Lisboa dois primeiros-ministros, cinco ministros e 240 prefeitos, e visa cumprir seis objetivos, que vão desde a defesa da língua portuguesa à promoção da cooperação e garantia de apoios à formação.

As demais metas são contribuir para o cumprimentos dos Objetivos do Milênio, instituídos pelas Nações Unidas e que passam por oito medidas de combate à pobreza, iliteracia e promoção da saúde materno-infantil, apoio à institucionalização do poder local e criação de redes de comunicação.

O Fórum assume como um dos seus objetivos "a disponibilidade para ajudar a encontrar as melhores soluções e modelos para a institucionalização da representação das populações".

Estão neste caso países como Angola, Guiné-Bissau e Timor Leste, os únicos dos oito de língua portuguesa que não dispõem ainda de autoridades locais eleitas, disse a fonte contatada pela Lusa.

Os dois primeiros-ministros presentes no evento, José Sócrates, de Portugal, e José Maria Neves, de Cabo Verde, participam na sessão de encerramento dos trabalhos, marcada para sexta-feira.

Os trabalhos abrem quinta-feira, com a presença do ministro português das Relações Exteriores, Luís Amado, e os restantes ministros presentes no evento são os titulares das pastas da Administração do Território de Angola, das Infra-estruturas e Obras Públicas da Guiné-Bissau, da Administração Interna de São Tomé e Príncipe e da Administração Estatal do Timor Leste.

Cento e cinquenta prefeitos portugueses e 90 dos restantes sete países de língua portuguesa participam igualmente nos trabalhos, que elegerão, para mandatos de dois anos, um Conselho Diretivo e um Conselho Geral.

"Nenhum país consegue funcionar e chegar às suas populações só a nível governamental ou a nível parlamentar. Há neste momento a nível da Comunidades dos Países de Língua Portuguesa, a nível da cooperação, um vazio que será preenchido com a constituição do Fórum", defendeu a fonte.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Angola/Africanos preparam brigada militar de manutenção da paz

Luanda, 23 fevereiro 2009 (Lusa) - A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) realiza, desde domingo, em Cabo Ledo, na província angolana do Bengo, exercícios militares conjuntos para preparar uma brigada de manutenção da paz na África.

Os exercícios estão sendo realizados por 250 militares, concentrados na unidade dos Comandos das Forças Armadas de Angola, em Cabo Ledo.

Com duração de uma semana, as manobras têm como objetivo preparar a brigada especial da SADC para operações de manutenção da paz, conforme a força de alerta da União Africana.

Na cerimônia de abertura, o vice-chefe das Forças Armadas Angolanas, general Geraldo Sachipengo Nunda, disse que as manobras permitirão "testar a operacionalidade" da Brigada em Estado de Alerta, no quadro da sua missão de observação e controle, apoio à pacificação, intervenção num Estado-membro, tendo em vista a restauração da paz e a segurança e na prevenção de eventuais conflitos.

O chefe do exercício "Golfinho Fase I - Mapex" Matthendele Moses Dlamini, anunciou que a Brigada em Estado de Alerta da SADC está preparada para intervir na República Democrática do Congo e Madagascar, "para ajudar a restaurar a paz nesses países".

"A Brigada em Estado de Alerta da região deve funcionar como elemento importante na pacificação dos Estados de África", disse Dlamini,.

O exercício Golfinho com componentes militar, policial e civil, prevê três fases. A primeira é a preparação, a planificação e o exercício no mapa de Angola.

A segunda inclui um exercício de posto de comando, que ocorre em Moçambique, e a terceira corresponde à combinação entre os dois exercícios anteriores, com homens no local, prevista para a África do Sul.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Equador/Parlamento debate lei de soberania alimentar

A proposta, cuja primeira análise foi feita há sete dias, estabelece que o Estado deve garantir às pessoas, às comunidades e seus povos a auto-suficiência de alimentos sãos, nutritivos e culturalmente apropriados de forma permanente.


17 fevereiro 2009/Prensa Latina

A Comissão Legislativa equatoriana realiza nesta segunda-feira (16) o segundo e último debate da proposta de lei de Soberania Alimentar, que busca incentivar a produção nacional e garantir uma nutrição adequada.
A proposta, cuja primeira análise foi feita há sete dias, estabelece que o estado deve garantir às pessoas, às comunidades e seus povos a auto-suficiência de alimentos sãos, nutritivos e culturalmente apropriados de forma permanente.
O presidente do Legislativo, Fernando Cordero, destacou há dias a importância dessa iniciativa, a qual propiciará a aprovação de outras leis relativas.
"É indispensável entender a transcendência e o grande interesse nacional que reflete o sozinho enunciado deste título, por enquanto se fala de soberania", destacou.
"Com isto não só buscamos a independência alimentar, senão também recuperar a tradição agrícola nacional e voltar a ser um país que não exporte pessoas", agregou.
Ao ressaltar a importância dessa legislação, Cordero afirmou que a subcomissão de Organização Territorial e Governos Autônomos trabalha no ordenamento territorial, o qual deverá conduzir a um Plano Nacional para identificar os solos e zonas de grande produtividade, que favoreçam uma ampla produção de alimentos.
A proposta de Soberania Alimentar cria o marco normativo que articula o setor agropecuário, florestal, aquícola e pesqueiro, indicou.
Além de Cordero, outros parlamentares qualificaram de importante que o Estado priorize o apoio à produção nacional e defina os espaços democráticos para promover os produtos.
"Faz falta uma verdadeira política de apoio ao camponês que lavra a terra, disponibilidade de acesso a alimentos de primeira qualidade para os consumidores e fortalecimento dos mercados locais, nacionais e regionais", destacou o deputado Jorge Escala.
"Segurança alimentar implica garantias de previdência, abastecimento de alimentos sãos e nutritivos, não tóxicos, de boa qualidade para uma vida sã e ativa", enfatizou.
"Essa lei deve incorporar o acesso à água para uso humano e de irrigação, bem como delimitar a função social e ambiental", assegurou.
O chefe da Subcomissão de Saúde e Ambiente, Jaime Abril, disse que na socialização dessa proposta participaram representantes de grupos civis e de várias organizações e sindicatos de camponeses e ambientalistas.
"Este projeto busca viabilizar princípios constitucionais, como por exemplo o acesso seguro e permanente ao alimento sadio", indicou.
"A Soberania Alimentar é um objetivo estratégico e o estado tem a obrigação de regulamentar o uso e acesso à terra", concluiu.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Brasil/Lula destaca o fim da violência em projetos não repressivos

Ministério da Justiça http://www.mj.gov.br

Brasília, 3 dezembro 2008 (MJ) - Uma experiência inédita: entrar num bairro perigoso sem pensar em ação policial repressiva, com tiros e riscos a vida de moradores inocentes.
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou nessa observação que é possível combater a violência, sem o uso da própria violência. Foi durante discurso no lançamento do projeto Território de Paz no bairro de Santo Amaro, em Recife (PE), nesta terça-feira (2).
Segundo o presidente, Apenas com atividades preventivas, confiança da comunidade no policial que faz a ronda e promoção de atividades de educação e lazer que afastem da criminalidade.
O Território de Paz é tudo isso e muito mais, dentro do que propõe o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), do Ministério da Justiça.
Segue o discurso do presidente lula:
Primeiro, eu quero agradecer pelo carinho de vocês, por ficarem até a uma hora da tarde neste sol, ouvindo os nossos comunicados sobre o Pronasci aqui em Santo Amaro e no estado de Pernambuco.
Todos vocês receberam este livrinho aqui. Se não receberam este livrinho, é preciso que os companheiros.... tem gente entregando aí. Seria importante que vocês pegassem este livrinho - tem gente entregando aí – levassem para casa, porque aqui serão 29 projetos do Pronasci. Aqui nós teremos muitas coisas acontecendo, já estão acontecendo, e vai acontecer muito mais.
O Pronasci é uma experiência inédita no Brasil. É a primeira vez que nós estamos entrando nos bairros de maior perigo na periferia do País, sem pensar em apenas entrar com a polícia para bater ou para dar tiros em quem quer que seja. Nós também vamos ter polícia, mas o que nós queremos é fazer uma coisa de prevenção ligada a uma atividade cultural muito forte, ligada a políticas preventivas muito exitosas.
Nós estamos aqui em Santo Amaro, com essa experiência extraordinária. É uma pena que a gente não possa mostrar o centro de lazer e esporte que vai ser construído aqui, os Pontos de Cultura, a formação, a questão da saúde que vamos tratar.
Nós temos uma opinião, estamos convictos de que a melhor forma de combater a violência não é os governantes ficarem dentro dos seus gabinetes mandando a polícia invadir os bairros pobres. Mas é o Estado, o governo federal, o governo estadual e a prefeitura estarem presentes nos bairros mais pobres, com ações efetivas. Não adianta bater. As pessoas precisam saber o seguinte: durante 365 dias por ano, o que eu tenho aqui em Santo Amaro? Eu quero participar de uma atividade cultural, não tem um centro; eu quero formar o meu filho, não tem um centro; eu quero aprender a fazer alguma atividade profissional, não tem formação.
Nós então queremos trazer, em uma ação combinada entre o governo do estado, o governo federal, a prefeitura do município, mais os vários Ministérios que participam do Pronasci, para que a gente possa transformar todos os bairros mais pobres deste País e todos os bairros mais violentos deste País em lugares prazerosos para as pessoas viverem com segurança. Que ninguém possa discriminar alguém porque mora em Santo Amaro, porque mora no Coque, porque mora em qualquer outro bairro pobre. Que a polícia não venha aqui apenas no final de semana, de forma agressiva, sem que o Estado tenha estado aqui durante a semana inteira.
Esse Programa – na semana que vem, não – na quinta-feira nós estaremos lá no Complexo do Alemão, lá no Rio de Janeiro, que vocês também só vêem na televisão, por guerra entre quadrilhas. Nós vamos entrar lá – o governo federal, o governo estadual, a prefeitura, as mães do bairro, os moradores do bairro, a juventude do bairro – para a gente dizer que a paz vai ganhar da guerra. A gente vai dizer, alto e bom som, que os homens e as mulheres de bem são maioria em qualquer lugar deste País e são maioria aqui em Santo Amaro. As mulheres, os homens e os adolescentes que querem trabalhar, que querem estudar e querem viver em paz são a maioria, a esmagadora maioria.
Por isso, nós não podemos punir essa maioria a ficar trancafiada dentro de casa, com medo de sair na rua. Nós não podemos punir essa maioria de não dar segurança para as crianças, quando vão para a escola. Nós não podemos punir essa maioria de não criar condições da nossa juventude ter áreas de lazer, ter Pontos de Cultura, ter como aprender uma profissão, ter como ir para a universidade.
Por isso, meus queridos companheiros de Santo Amaro, é com muita alegria que eu venho aqui com o nosso Governador, com o nosso Prefeito e com o Ministro da Justiça. E quero assumir, Eduardo, um outro compromisso: antes de terminar o seu mandato e antes de terminar o meu mandato, nós voltaremos aqui para ver como está este programa do Pronasci.
É por isso que é importante vocês pegarem este panfleto aqui, este folder. Peguem este caderninho, levem para casa e guardem, porque daqui a 2 anos eu virei aqui e quero que vocês me digam se nós fizemos o que está escrito aqui ou se nós, mais vez, fizemos como a classe política fez historicamente com vocês, prometendo e não cumprindo, mentindo na época das eleições, beijando todo mundo, e depois das eleições: “tchau, tchau” e nunca mais voltava, a não ser nas próximas eleições.
Eduardo, eu tenho certeza absoluta de que sob o seu comando, a Prefeitura de Recife agora sob o comando do nosso companheiro João Costa, e o ministro Tarso Genro, nós vamos cumprir cada palavra que está aqui, porque eu quero que esta meninada da periferia seja tratada nas mesmas condições em que são tratadas as pessoas que moram no centro, as pessoas de classe média.
Eu digo, todo dia: nós não queremos tirar nada de ninguém. Nenhum rico precisa ter medo de nós, porque nós não queremos prejudicá-los. O que nós queremos é que o pobre tenha acesso à comida, a trabalho, à educação, a lazer, à cultura e à segurança.
Ao companheiro João Paulo, meus agradecimentos. Eu acho, João Paulo, que Recife deve muito a você. Eu nunca pensei que um cabra magro como o João Paulo tivesse tanta coragem para fazer tudo o que ele fez. Eu nunca imaginei que aquele metalúrgico que eu conheci 20 anos atrás virasse deputado, três vezes, e concorresse contra a burguesia de Recife, contra a elite de Recife, e a derrotasse por duas vezes. Agora derrotou pela terceira vez, elegendo o João da Costa como prefeito. Eu tenho certeza, João Paulo, de que a história consagrará a sua passagem pela Prefeitura de Recife. O que é mais importante é que a gente tem no João Paulo o esteio para cobrar muito mais do companheiro João da Costa, que vai entrar agora. Ele, certamente, aprendeu com o João Paulo, e vai cobrar muito mais do governador Eduardo Campos. O Eduardo Campos, que aprendeu com o João Paulo e o João da Costa, vai cobrar muito mais do governo federal. E cada um de nós, cobrando uns aos outros, vai fazer aquilo que o povo necessita.
Meus queridos companheiros e companheiras. Eu só posso, mais uma vez, terminar dizendo a vocês que a primeira vez que eu vim aqui foi em um comício do retorno do dr. Arraes, em 1979. Já faz praticamente 30 anos. Estou voltando agora, 30 anos depois, para dizer a vocês que eu quero voltar em 2010 para poder provar e ver com os meus olhos que finalmente Santo Amaro virou orgulho, de verdade, do povo que mora nesta região.
Um abraço, companheiros e companheiras.

http://www.mj.gov.br/data/Pages/MJA4C659C5ITEMID632BCA9671C8430AB2AB10E63B155D01PTBRNN.htm

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Brasil/IRMÃ DOROTHY STANG RECEBE PRÊMIO PÓSTUMO DA ONU



1 dezembro 2008/Portal do MST http://www.mst.org.br

A missionária Dorothy Stang recebeu na semana passada, a título póstumo, o Prêmio de Direitos Humanos das Nações Unidas, por sua luta pelos direitos de comunidades da Amazônia e por justiça.

Dorothy foi morta por pistoleiros em 2005, aos 73 anos, com seis tiros nas costas, em Anapu, no Pará. A religiosa pertencia à Congregação das Irmãs de Notre Dame de Namur, com sede no Estado de Ohio (EUA).

Além de Dorothy Stang, o prémio contemplou a ex-primeira-ministra do Paquistão Benazir Bhutto, assassinada em dezembro de 2007.

O prêmio é entregue em reconhecimento ao trabalho excepcional na área de direitos humanos e à contribuição para a promoção e protecção dos direitos e das liberdades fundamentais.

O presidente da Assembléia-geral da ONU, Miguel d'Escoto Brockmann, disse que as vencedoras representam um símbolo de persistência e valores na resistência às autoridades públicas e privadas responsáveis por violações aos direitos humanos.

http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=6086

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Brasil/25 ANOS DO ASSASSINATO DE MARÇAL DE SOUZA

Conselho Indigenista Missionário http://www.cimi.org.br

Campo Grande, 24 de novembro de 2008


Marçal de Souza vive!!!

“Os monstros da tirania cortaram cabeças e alimentaram-se de sangue! tiveram forças para matar o corpo, mas com suas armas e torturas não puderam matar a idéia. Porque esta é sagrada e tão grande como o mundo! A idéia não morre!”

Marçal de Souza (Tupã'i)

Marçãl de Souza, liderança indígena guarani, tinha um discurso fulminante e uma ferramenta fundamental, a língua guarani, com a que chegava ao coração de seu povo. Foi assassinado porque suas palavras pregavam rebeldia e ousadia que molestavam aos senhores da terra; os coronéis, os fazendeiros, militares, políticos e traficantes de influencia, ao governo de turno e às instituições da época. Com gestos e palavras eloqüentes as palavras de Marçãl denunciavam e acusavam esquematicamente estes setores como responsáveis do genocídio cometido contra os povos indígenas de Mato Grosso do Sul e do Brasil.

Sua voz foi calada o 25 de novembro de 1983, mais o eco de sua consciência retumbam ate hoje. Para lembrar seu gesto e coragem os indígenas Kaiowa e Ñandeva rezaram no lugar onde ele foi assassinado, 25 anos atrás. Foi durante o Aty Guasu (reunião grande) que se realizau na Aldeia Campestre-Ñanderu Marangatu, no município de Antonio João/MS na divisa com Paraguai, o 29 de novembro de 2008. Este encontro do povo guarani aconteceu num momento de grande significação que tem tudo a ver com a mística de Marçal de Souza e a heróica resistência de tantos outros lutadores guarani que morreram defendendo sua terra invadida e sua cultura ameaçada e dizimada.

Para lembrar estes 25 anos em que a sangue do líder regou a terra guarani, resgatamos testemunhas na aldeia em que Marçal foi assassinado e onde a impunidade ficou perene como um monumento da corrupção que o Estado de Mato Grosso do Sul mantém como um carimbo vergonhoso, e que é aplicado, especialmente, sem pudor, contra as populações indígenas.

Amilton Lopes, líder de Ñanderu Marangatu, é um dos principais continuadores dos ensino de Marçal de Souza (Tupã'i). Ele diz que embora não conheceu a Tupa'i, tomou conta dos escritos deixados por ele, dos discursos que pronunciou. “A luta de Marçãl não foi em vão; às conquistas que vieram depois testemunham que a semente que ele deixou deu frutos. A coordenação dos Aty Guasu foi uma inspiração dele, os Jeroky Guasu Guarani (Grandes Festas Guarani), que fazem parte de nossa cultura voltaram a renascer e a recuperação de uma parte de nossas terras se faz realidade, embora estejamos hoje muito longe da verdadeira justiça para nosso povo”, assinala Amilton Lopes. Indica também que aprendeu que Marçal falava de coração e assim deixou várias frases marcantes que mostram o caminho para continuar a luta, entre elas lembra à seguinte: “Um dia vamos a escrever a luta com nossa sangue”. E, Amilton reflete sobre a frase, e completa: “Se hoje o governo não toma providencia e coragem para terminar as demarcações de terra, no futuro isso é o que vai acontecer”.

Otoniel Ricardo, professor da comunidade Te'ýikue, município de Karapó, recentemente eleito vereador dize que “para a luta de hoje a memória de Marçal tem um grande significado porque ele ensinou que temos três coisas muito importantes para nos ter em conta e não esquecer: palavra, terra e teko (jeito de ser indígena)”. O professor afirma que Marçal era um ser muito espiritual e de grande humildade. Seu pensamento sobre a unidade, o trabalho coletivo e a defesa da política indígena, como fatores fundamentais para quem quer continuar a luta hoje, foi colocado por Otoniel como ensinos que precisam ser resgatados pelas lideranças indígenas atuais.

“Guerreiro do movimento guarani”
Para Egon Heck, coordenador do Conselho Indigenista Missionário (CIMI/MS), Marçal não é apenas um marco na luta recente do povo guarani, mas do movimento indígena nacional e internacional. “Como Sepé Tiaraju ele ficou como marco heróico da resistência guarani; seu testemunho o tornará sempre vivo e animador das lutas e vida e futuro de seu povo”, expressou Heck. Resgata também a “perspicácia e oratória sabia e versátil” que teve Marçal de Souza, sobressaindo desde o momento que o líder indígena decide entrar na luta junto a seu povo. “Embora, o mais admirável foi sua coerência e testemunha; ele não se afastou de seu povo; ainda sendo eleito vice presidente da União das Nações Indígenas (UNI), permaneceu prestando serviço de saúde na pequena comunidade de Campestre e teve participação efetiva na primeira retomada em 1983”, assinalou também o missionário do CIMI.

A filha de Marçal
Edna de Souza, filha de Marçal de Souza, presente também no encontro de comemoração do 25 anos do assassinato de seu pai, dize que para as comunidades é ponto de referencia a figura do líder indígena. “Sendo ele muito místico é forte a crença de que o espírito dele está nas lutas das comunidades, pelas demarcações de terra e nas festas tradicionais dos Kaiowa-Guarani, até porque ele pregava com força a luta pela terra e a defesa da cultura e ação política tradicional indígena”, manifestou Edna. Falou também que “os atos de coragem que ele teve de ir para a luta, de desafiar às autoridades e aos fazendeiros fortalece a luta dos Kaiowa-Guarani, porque eles, espelhando-se nesses atos acreditam na recuperação de suas terra e assim vão também para as retomadas”, afirmou a filha de Tupã´i.

Lindomar Ferreira, liderança do povo Terena também deu sua impressão sobre a figura de Marçal. “Sabemos que essa liderança guarani é respeitada por todos os povos indígenas do Brasil, pois foi um dos pioneiro na luta pela retomada das terras indígenas, acho que todos estamos chamados a conhecer a historia de Marçal de Souza e imitar seu exemplo”, expressou o líder Terena.

Resta dizer, confirmar e testemunhar, que depois de 25 anos do assassinato do grande líder guarani, Marçal de Souza, vive!!! Viva a luta indígena e popular no Brasil e em America Latina. (Fonte: Cimi MS)

http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=3545&eid=352

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Chile/Ratificação de convênio é triunfo dos povos indígenas

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br

14 outubro 2008

Adital - O governo chileno finalmente promulgou o Convenio n°169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre os povos originários. A informação foi divulgada hoje (14) pela ministra de Planejamento, Paula Quintana, durante sua visita à cidade de Osorno, onde se reuniu com dirigentes indígenas da comunidade de San Pablo. O texto foi ratificado na íntegra, representando um triunfo para os povos originários. O documento já foi ratificado pelo México, Colômbia, Guatemala, Venezuela, Brasil, Equador, Peru, Bolívia, Argentina, Costa Rica, Paraguai e Honduras.

O convenio n° 169 é o único tratado internacional vinculante dedicado aos indígenas. O documento, que entrará em vigência no país no dia 15 de setembro de 2009, doze meses depois da data de registro de sua ratificação, é considerado como uma das mais importantes reivindicações políticas dos povos originários do país e faz parte do cumprimento de reconhecer o Pacto Social pela Multiculturalidade, um dos maiores desejos da comunidade indígena do país.

O convenio se concentra em dois princípios básicos: o respeito das culturas, formas de vida e instituições tradicionais dos povos indígenas, e a consulta e participação efetiva desses povos nas decisões que lhes afetam. Seus principais objetivos são: o reconhecimento das aspirações desses povos a assumir o controle de suas próprias instituições e formas de vida e de seu desenvolvimento econômico e a manter e fortalecer suas identidades, línguas e religiões, dentro do marco dos Estados em que vivem.

Os povos indígenas acreditam que o convênio é um ponto de início básico para a defesa, exigibilidade e promoção de seus direitos coletivos. Sua ratificação no Chile é considerada um triunfo dos movimentos sociais indígenas e sua aplicação e implementação se devem fazer em conformidade com a interpretação de todas as disposições internacionais de Direitos Humanos de acordo com o princípio de progressividade.

As pressões exercidas pelas mobilizações indígenas foram fundamentais para a ratificação do convênio. Segundo os indígenas, o propósito do governo e dos setores ultra-conservadores era o de mutilar tal instrumento e reduzi-lo para evitar sua reinterpretação com outros documentos internacionais de Direitos Humanos, como a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=35502

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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Livro/BOLÍVIA JAKASKIWA

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br

Bolívia Jakaskiwa
(Bolívia está viva)

Mudanças Políticas – Povos Indígenas – Educação – Reforma Agrária
(ENTREVISTAS)

A originalidade boliviana

Para a surpresa dos políticos e dos intelectuais latino-americanos melhor informados, o mais criativo centro de debate de idéias hoje na América Latina não está no Rio, em Havana, em Buenos Aires ou na Cidade do México; mas, em La Paz.

Tanto pensadores com a mais sofisticada formação acadêmica como sábios líderes indígenas e líderes sociais propõem uma nova lógica para o beco sem saída da crise social no continente. Em vez da imitação caótica de modelos ocidentais, como é o caso do capitalismo – destrutivo, ineficaz e individualista -, discutem alternativas para a Bolívia a partir da sua realidade, da sua história e da sua sólida cultura originária.

Assim, sem rejeitar a ciência e a tecnologia modernas, os bolivianos resgatam seus valores filosóficos, os princípios da economia e da justiça comunitária, o complexo sistema agrícola do ayllu, o interesse no mercado interno, o método pedagógico andino da escola Warizata, e a lógica secular de relacionamento com a natureza, que também possui uma feição espiritual.

Foto da capa: Renan Blah (Montanha Uyuni, província de Potosi)
Produção da capa: Tiago Valente
Planejamento gráfico: Luciane Zuê
Assessoria de informática: Diego Faust Ramos
Inti Editorial - Brasil - E-mail:
rbolivia@gmail.com
Florianópolis - SC - Brasil - Agosto de 2008.

PARA ADQUIRIR O LIVRO: rbolivia@gmail.com
Valor: R$ 20,00

Leia a entrevista com Raimundo Caruso:
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=35453

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

SANTIAGO: "Hacia la Marcha junto al Pueblo Nación Mapuche"


9 octubre 2008/Mapuexpress - Informativo Mapuche http://www.mapuexpress.net
mapuexpress@gmail.com

MARCHA JUNTO A LA NACIÓN MAPUCHE / DOMINGO 12 DE OCTUBRE / DESDE LAS 11:00 HRS EN PLAZA ITALIA, SANTIAGO / "Bicentenario de Opresion, el Mapuche sigue Resistiendo como Nación" - "Tvfachi Bicentenario, Mapuche vpafkagekey tuwurpu zoy newentuaiñ kom wallontu mapu mew"

Convocan: Comite de Defensa del Mar, Mewin, Comunidad Autonoma Mapuche de Temucuicui, Comunidades Mapuche Lleulleuche, Wechekeche ñi Trawun y Organización Mapuche Meli Wixan Mapu.

Fuente de la Nota a continuación: Radio Nuevo Mundo

Con un fuerte rechazo a la represión que viven las comunidades mapuches que luchan por recuperar sus tierras, organizaciones indígenas urbanas, convocaron a una marcha para este día 12 de octubre, cuando se conmemora un año más del incio de la conquista española de América.

Raúl Carien, vocero de los convocantes, señaló que una de sus principales banderas de lucha es el término de la militarización de la zona de la Araucanìa.

Además el representante indígena, explicó que nuestros pueblos originarios se hacen parte de la solidaridad con la lucha del pueblo boliviano, por la defensa de la democracia.

La marcha se realizará este domingo 12 de octubre desde las 11:00 horas en Plaza Italia, desde donde se dirigirá hasta la plaza Mira flores, lugar en el que se efectuará un acto artístico cultural.

http://www.mapuexpress.net/?act=news&id=3344&PHPSESSID=5d0c18a14925b36cdb16206fc059dddf

Moçambique/Contra o sarampo: Três milhões de crianças serão vacinadas no país

7 de Outubro de 2008, Notícias

Arrancou ontem a segunda ronda da Semana Nacional de Saúde da Criança, onde se espera que até sexta-feira três milhões e 500 mil crianças com idade igual ou inferior a cinco anos sejam vacinadas contra o sarampo e suplementação da vitamina A.

No mesmo período, outras dois milhões e 700 mil crianças serão desparasitadas, com a administração de mebendazol. Notícias que chegam de todas as províncias do país dão conta de que as brigadas fixas e móveis de vacinação criadas para o efeito conseguiram, na sua maioria, abrir às 07.00 horas, salvo alguns casos isolados que foram imediatamente corrigidos.

Norteiam os objectivos desta iniciativa do Governo a aceleração, à escala nacional, dos progressos na redução da mortalidade neonatal e infantil, bem como promover a saúde da família através de intervenções concretas, com vista ao alcance dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

De acordo com fontes do Ministério da Saúde, com a forte mobilização envolvendo todos os intervenientes, como agentes de saúde da comunidade, voluntários, autoridades administrativas e comunitárias, foi possível mobilizar as mães, que afluíram em massa aos postos de vacinação levando as suas crianças.

Esta segunda ronda vem complementar a primeira, que decorreu entre 31 de Março e 4 de Abril em todas as províncias e distritos, tendo sido abrangidas 2 milhões e 800 mil crianças com a vacinação e suplementação da vitamina A e mais 1 milhão e 900 mil crianças foram desparasidatas, o que levou à fixação do grupo alvo desta segunda fase em mais de 3 milhões e 500 mil.

Ainda na primeira volta, foram abrangidas pela triagem nutricional 2 milhões e 400 mil crianças, para além de mais de 432 mil que beneficiaram da suplementação com iodo nas províncias de Niassa, Nampula, Tete e Zambézia, por terem denotado insuficiência deste elemento importante no crescimento infantil.

Na província de Nampula, para além da vacinação estão a ser distribuídas gratuitamente redes mosquiteiras a crianças até 5 anos, como forma também de contribuir para a sua defesa contra a malária. Espera-se que até sexta-feira Nampula consiga atingir um universo de 720910 crianças vacinadas e desparasitadas.

Da Zambézia chegam-nos informações que dão conta da ocorrência de pequenos constrangimentos na Maganja da Costa, causados pela avaria de algumas viaturas que levavam equipamento necessário para os postos de vacinação, o que causou um ligeiro atraso no arranque, mas houve uma rápida reposição das viaturas por parte da Direcção Provincial da Saúde.

Ainda na Zambézia, um grupo de funcionários administrativos no distrito de Namacura está a contas com as autoridades policiais, indiciado de desvio de mais de 200 mil meticais destinados à campanha de vacinação. Apesar desta situação, a médica-chefe provincial, Joana Nachaque, garantiu que a campanha arrancou à hora prevista, pois a Direcção de Saúde na Zambézia fez a devida reposição dos valores enquanto se aguarda pelo andamento do processo. Aqui, espera-se abranger perto de 700 mil crianças com a vacina e vitamina A, para além de desparasitação de perto de 600 crianças.

Já na cidade de Maputo, apenas o posto fixo no Centro de Saúde 1o de Junho registou um ligeiro atraso em relação ao início. Até às 12.00 horas de ontem contabilizava-se uma média de 200 crianças vacinadas em cada posto. Espera-se que a partir de hoje se atinja uma média de três mil crianças por dia, de modo a se cumprir a meta de 201 mil na administração da vacina contra sarampo, 213 mil com a vitamina A e 188 mil crianças desparasitadas até ao fim da campanha.