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quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Carta de Dom Cappio sobre o fim do jejum

Sobradinho, 20 de dezembro de 2007
Advento do Senhor
Aos meus irmãos e irmãs do São Francisco, do Nordeste e do Brasil
Paz e Bem!
"Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. Dizei às pessoas deprimidas: ‘Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus: é Ele que vem para nos salvar’. Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos". (Isaías 35, 3-6)
No dia de ontem completei 36 anos de sacerdócio – 36 anos a serviço dos favelados de Petrópolis (RJ), dos trabalhadores da periferia de São Paulo e do povo dos sertões sem-fim do nordeste brasileiro. Ontem, vimos com desalento os poderosos festejarem a demonstração de subserviência do Judiciário. Ontem, quando minhas forças faltaram, recebi o socorro dos que me acompanham nesses longos e sofridos dias.
Mas nossa luta continua e está firmada no fundamento que a tudo sustenta: a fé no Deus da vida e na ação organizada dos pobres. Nossa luta maior é garantir a vida do rio São Francisco e de seu povo, garantir acesso à água e ao verdadeiro desenvolvimento para o conjunto das populações de todo o semi-árido, não só uma parte dele. Isso vale uma vida e sou feliz por me dedicar a esta causa, como parte de minha entrega ao Deus da Vida, à Água Viva que é Jesus e que se dá àqueles que vivem massacrados pelas estruturas que geram a opressão e a morte.
Uma de nossas grandes alegrias neste período foi ter visto o povo se levantando e reacendendo em seu coração a consciência da força da união, crianças e jovens cantando cantos de esperança e gritos de ordem com braços erguidos e olhos mirando o futuro que almejamos para o nosso Brasil querido. Um futuro onde todos, todos sem exceção de ninguém, tenham pão para comer, água para beber, terra para trabalhar, dignidade e cidadania.
Recebi com amor e respeito a solidariedade de cada um, próximo ou distante. Recebi com alegria a solidariedade de meus irmãos bispos, padres e pastores, que manifestaram de forma tão fraterna a sua compreensão sobre a gravidade do momento que vivemos. Através do seu posicionamento corajoso, a CNBB nos devolveu a esperança de vê-la voltar a ser o que sempre foi em seus tempos áureos: fiel a Jesus e seu Evangelho, uma instituição voltada às grandes causas do Brasil e do seu povo e com uma postura clara e determinada na defesa da dignidade da pessoa humana e de seus direitos inalienáveis, principalmente se posicionando do lado dos pobres e marginalizados desse país.
Ouvi com profundo respeito o apelo de meus familiares, amigos e das irmãs e irmãos de luta que me acompanham e que sempre me quiseram vivo e lutando pela vida. Lutando contra a destruição de nossa biodiversidade, de nossos rios, de nossa gente e contra a arrogância dos que querem transformar tudo em mercadoria e moeda de troca. Neste grande mutirão formado a partir de Sobradinho, vivemos um momento ímpar de intensa comunhão e exercício de solidariedade.
Depois desses 24 dias encerro meu jejum, mas não a minha luta que é também de vocês, que é nossa. Precisamos ampliar o debate, espalhar a informação verdadeira, fazer crescer nossa mobilização. Até derrotarmos este projeto de morte e conquistarmos o verdadeiro desenvolvimento para o semi-árido e o São Francisco. É por vocês, que lutaram comigo e trilham o mesmo caminho que eu encerro meu jejum. Sei que conto com vocês e vocês contam comigo para continuarmos nossa batalha para que "todos tenham vida e tenham vida em abundância".
Dom Luiz Flavio Cappio
Leia tambem
As ilegalidades do projeto de Transposição
e a violação ao Estado Democrático de Direito
Contra-proposta de Dom Cappio e dos movimentos sociais
Confira os 8 pontos propostos ao governo

Brasil/Resposta de Letícia Sabatella ao deputado Ciro Gomes

Fonte: Portal do MST/21 dezembro 2007

Em texto publicado hoje, dia 21, no jornal O Globo, a atriz Letícia Sabatella afirma que o governo Lula "optou por um modelo de desenvolvimento neocolonial", ao priorizar as grandes obras para marcar mandatos em detrimento da necessidade do próprio povo. Leia abaixo:

LETÍCIA SABATELLA
Caro deputado Ciro Gomes,

Antes de visitar frei Luiz Cappio em Sobradinho, tinha conhecimento desse projeto da transposição de águas do Rio São Francisco, através da imprensa, e de duas conferências sobre o meio ambiente, das quais participei a convite de minha querida amiga, a ministra Marina Silva. Há alguns anos, quieta também, venho escutando pontos de vista diversos de ambientalistas, dos movimentos sociais, de nossa ministra do Meio Ambiente e refletindo junto com o Movimento Humanos Direitos (MHuD), do qual faço parte. Acompanho a luta de povos indígenas e ribeirinhos, sempre tão ameaçados por projetos de grande porte, que visam a destinar grande poder para um pequeno grupo em troca de tanto prejuízo para esses povos, ao nosso patrimônio social, ambiental e cultural.
Acredito que devam existir benefícios com a transposição, mas pergunto, deputado, quem realmente se beneficiará com esta obra: o povo necessitado do semi-arido ou as grandes irrigações agrícolas e indústrias siderúrgicas? Afinal, a maior parte da água (bem comum do povo brasileiro) servirá para a produção agrícola e industrial de exportação e apenas 4% dessa água serão destinados ao consumo humano.
Sabendo do desgaste que historicamente vem sofrendo o rio, necessitado de efetiva revitalização, sabendo do custo elevado de uma obra que atravessará alguns decênios até ser concluída e em se tratando de interferir tão bruscamente no patrimônio ambiental, utilizando recursos públicos, por que razão, em sendo sua excelência deputado federal, este projeto não foi ampla e especificamente discutido e votado no Congresso? Por qual motivo essa obra tão "democrática" foi imposta como a única solução para resolver a questão da seca no semi-árido quando propostas alternativas, que descentralizam o poder sobre as águas, não foram levadas em consideração? No dia 19 de dezembro de 2007, o que presenciei na Praça dos Três Poderes, em Brasília, foi a insensibilidade do Poder Judiciário, a intransigência do Poder Executivo, e a omissão do Congresso Nacional.
Será que não precisamos mesmo falar mais sobre democracia republicana, representativa? Ou melhor, praticar mais? Quanto ao gesto de frei Luiz, sinto que o senhor não age com justiça, quando não reconhece na ação do frei uma profunda nobreza. Sinto muito que o senhor ainda insista emdesqualificálo. Por tê-lo conhecido e com ele conversado, participado de sua missa na Capela de São Francisco junto aos pobres, pude testemunhar sua alma amorosa e plena de compaixão humana, pastor de uma Igreja que mobiliza e não anestesia, que ajuda a conscientizar e formar cidadãos. Elevive há mais de trinta anos entre ribeirinhos, indígenas, trabalhadores rurais, quilombolas e é por eles querido e respeitado.
Conhece profundamente as alternativas propostas pelos movimentos sociais, compostos por técnicos e estudiosos que há muitos anos pesquisam o semiaacute;rido. Uma dessas alternativas foi proposta pela Agência Nacional de Águas, com o Atlas do Nordeste, que foi objeto de seu debatecom Roberto Malvezzi, da Comissão Pastoral da Terra, cuja honestidade intelectual o senhor publicamente enalteceu em seminário realizado na UFF. Ele mostrou que o projeto da ANA custaria R$ 3,3 bilhões, metade do custo da transposição, beneficiando com água potável 34 milhões de pessoas, abarcando nove estados: então, por que o governo não levou em consideraçãoesta opção mais barata e mais abrangente? Infelizmente, caro deputado, Dom Cappio não exagerou quando decidiu fazer seu jejum e fortalecer suas orações para chamar a atenção de todos à realidade do povo nordestino. O governo do presidente Lula optou por um modelo de desenvolvimento neocolonial que, dando continuidade à tradição de realizar grandes obraspara marcar seus mandatos, sacrifica o povo com o custo de seus empreendimentos, enquanto o que esperávamos deste governo era a prática de uma verdadeira democracia.
Rio de Janeiro, 20 de dezembro de 2007

http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=4728

UM PROFETA DO SÉCULO XXI E AS REAÇÕES QUE PROVOCA

Escrito por Guilherme C. Delgado

Correio da Cidadania/13 dezembro 2007

O gesto da greve de fome em 2005 de D. Luiz Cappio contra o projeto de transposição de águas do rio São Francisco provocou, na ocasião, reações parecidas e outras bem diversas das atuais. Antes, como agora, foram articuladas ações nas cúpulas do governo federal e da Nunciatura Apostólica (Vaticano) para isolar, enquadrar e demovê-lo do gesto. Agora prosseguem, em uma nova conjuntura, reações semelhantes. Convém explicita-las, antes mesmo de falar diretamente sobre o gesto de D. Luiz.
A grande mídia resolveu adotar uma espécie de operação silêncio-surdina, que consiste em ignorar o fato jornalístico, ou noticiá-lo em surdina, geralmente em páginas ou espaços menores, sem maior destaque. O Palácio do Planalto, protegido pela operação silêncio-surdina, adota jogadas de apelo às operações inquisitoriais do Vaticano, enquanto pela palavra escrita do seu ministro Geddel Vieira Lima insulta não apenas o bispo mas a consciência ética do país. Por sua vez, a cúpula da Igreja Católica, que se expressa pela palavra oficial da CNBB em comunicados públicos, até o momento não se posicionou - ou o fez de forma ambígua, alegadamente pelas divisões internas que o fato provoca no episcopado.
Por outro lado, em vários espaços leigos das Igrejas, no Conselho Nacional das Igrejas Cristãs, na Comissão Pastoral da Terra, na Regional CNBB-Norte 2 (Pará e Amapá), na Comissão Brasileira de Justiça e Paz (da própria CNBB), dentre outras entidades que já se posicionaram publicamente (até o dia 12 de dezembro), diga-se de passagem sem nenhuma cobertura de mídia, o gesto de D. Cappio é entendido no seu contexto e significado devidos.
É a atitude ética de quem se dispõe a doar a própria vida por uma causa em favor da parte mais sofrida e esquecida da nação brasileira. Isto incomoda, porque transcende em muito uma discussão estritamente técnica de um projeto de obras públicas.
A discussão em torno do gesto de D. Luiz situa-se fundamentalmente no plano ético. Neste plano, o projeto técnico da transposição e as alternativas sugeridas por D. Cappio precisariam ser julgados sob o critério da destinação universal de um bem público extremamente escasso no semi-árido – a água, acessível a todos, mas preferencialmente aos mais pobres. Quando se tangencia este critério, para a erigir a obra técnica em si, sua construção em estilo faraônico e uma rede de interesses privados poderosos no seu entorno, seria muito ingênuo supor que esta não fosse mais uma repetição da velha estratégia de obras públicas "contra as secas", recalibrada agora com verniz da modernidade do agronegócio brasileiro.
Consciente da impossibilidade de diálogo (até o presente), pela absoluta intransigência do poder civil e insensibilidade de setores ponderáveis do poder religioso, restou a D. Cappio o gesto extremo de colocar sua própria vida em doação.
Das respostas que a sociedade, o governo e as Igrejas derem a esse gesto de D. Luiz, dependerá a sua própria vida.
Outros testemunhos no passado, de verdadeiros pastores do semi-árido, como o foram, cada qual a sua maneira, Antonio Conselheiro, Pe. Ibiapina e Pe. Cícero Romão Batista - para citar os mais conhecidos -, experimentaram a tragédia o abandono e a marginalização como respostas dos poderes civil e eclesial de suas épocas.
Agora estamos no século XXI e um gesto profético como o de D. Luiz Cappio não deveria produzir morte, abandono ou marginalização; mas, ao contrário, despertar a sociedade e o seu governo para cuidar dos pobres do semi-árido nordestino de maneira exemplar, com sentido de justiça, amor à natureza e pleno respeito a uma outra maneira de fazer política de desenvolvimento. É o momento de colocar nossas posições pois, se benditos são os mártires, maligna é a sociedade que por ação ou omissão produz mártires.

Guilherme Costa Delgado é doutor em economia pela UNICAMP e consultor da Comissão Brasileira de Justiça e Paz.

http://www.correiocidadania.com.br/content/view/1230/109/

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

PRESIDENTE LULA E DOM CAPPIO, NA RODA VIVA DA HISTÓRIA

"Não será Dom Cappio apenas que morrerá, mas morrerá a referência política de Lula e do Partido dos Trabalhadores na história dos movimentos sociais do Brasil... A morte física de Dom Cappio sinalizará para a morte política de Lula." *

Paulo Maldos, Assessor político do Cimi

Fonte: Portal do Conselho Indigenista Missionário (CIMI)/14 dezembro 2007

Dom Luiz Flávio Cappio iniciou, há 17 dias, uma greve de fome pelo rio São Francisco, contra a transposição desse imenso rio, em favor das comunidades que vivem no seu curso, ribeirinhos, pescadores, quilombolas, indígenas, em favor daqueles que sofrem com a sede no nordeste, em favor da natureza do semi-árido.
Dom Cappio exige um debate nacional sobre um projeto que só privilegia o hidronegócio, o agronegócio e as grandes empreiteiras e propõe como alternativa à transposição um projeto também do governo Lula, gestado na (ANA) Agência Nacional de Águas, um projeto que respeita e valoriza o meio ambiente e que levaria água a quem tem sede, não negócio.
O presidente Lula não realizou o debate prometido, cuja promessa encerrou a primeira greve de fome, e endureceu com Dom Cappio, afirmando que as obras com o Exército vão continuar, irreversíveis. Ou seja, para Lula, a morte de Dom Cappio é uma alternativa possível e aceitável.
No entanto, ao redor do gesto radical do bispo, está se formando uma corrente de solidariedade, de apoios, de alianças, de identificação ética, política, social, ideológica, cujos contornos são facilmente identificáveis: trata-se dos movimentos sociais, políticos, pelos direitos humanos, pastorais sociais, personalidades da Igreja Católica, da política, da cultura, que constituíram, desde os anos 80, Lula como liderança de massa em nosso país. Este universo social, político e cultural, de pessoas e movimentos sociais tiveram, ao longo de mais de duas décadas, uma relação com Lula que foi como a da vela com a sua chama: uma nutrindo-se da outra.
A luta e a perspectiva de vida ou de morte de Dom Cappio coloca esta antiga história numa encruzilhada: se Dom Cappio sobreviver, haverá continuidade, mesmo que mais conflitiva, devido ao lugar institucional há cinco anos ocupado por Lula; se Dom Cappio vier a falecer, será o final dessa história.
Não será Dom Cappio apenas que morrerá, mas morrerá a referência política de Lula e do Partido dos Trabalhadores na história dos movimentos sociais do Brasil.
Vivemos, tempos atrás, o final da ditadura, sua desconstituição simbólica a partir dos movimentos sociais e sindicais, onde despontou o próprio sindicalista Lula como protagonista central; vivemos o final da Nova República como alternativa civil, com a contestação popular; vivemos a derrocada do aventureiro Collor e seu grupo com os movimentos sociais na rua, vestidos de preto; vivemos o fim do ciclo neoliberal tucano de Fernando Henrique Cardoso, com o repúdio nas urnas. Todos terminaram percebendo "um desprezo singular nos olhos do homem simples", como o protagonista central da peça Roda Viva, de Chico Buarque de Holanda.
O percurso histórico de Lula lembra o percurso do próprio rio São Francisco: muitas fontes limpas no nascedouro, depois um trajeto acidentado, muitos entulhos, assoreamento e alianças contraditórias pelo caminho; a sedução do grande capital no seu curso final; o definhamento, como rio e como história política, sem chegar ao oceano da memória afetiva do povo brasileiro. A história da liderança popular de Lula será a história de um fracasso.
A morte física de Dom Cappio sinalizará para a morte política de Lula.

* Destaques de Mercosul & CPLP

http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=2945&eid=341

Brasil/Manifestantes protestam pelo fim das obras no São Francisco

Integrantes de movimentos sociais ligados à Igreja Católica prestam solidariedade ao bispo de Barra (Foto: Jackson Romanelli/Especial para o EM)

Marcelo Portela/Estado de Minas/16 dezembro 2007
Uma manifestação contra as obras de transposição das águas do Rio São Francisco provocou a interrupção de linha férrea da Vale que corta o Bairro São Geraldo, Região Leste de Belo Horizonte. O trecho ficou interrompido das 7h30 às 10h30 desse sábado e só foi liberado depois que a Polícia Militar convenceu os manifestantes a se retirarem do local, para evitar maiores problemas. A informação dos moradores é que ao menos quatro composições deixaram de passar pelo local no horário.
O protesto começou com integrantes de várias comissões pastorais e outros movimentos sociais em apoio ao bispo de Barra (BA), dom Luís Flávio Cappio, que hoje completa 20 dias de greve de fome em protesto contra a transposição. Apesar de as obras do projeto terem sido paralisadas por uma liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, no início da semana, o religioso manteve a greve de fome, pedindo ao governo o arquivamento definitivo da proposta.
Essa também era uma das reivindicações dos manifestantes, até que moradores da região e alunos e professores da Escola Municipal Padre Francisco Carvalho Moreira, cujo muro fica rente à linha da Vale, aderiram ao movimento. Em dois pontos da linha férrea, próximos à passagem de nível na Rua Itaituba, manifestantes atearam fogo em pneus, impedindo a passagem dos trens. "Até policiais disseram que apóiam a causa defendida por dom Luís Cappio e a estrada de ferro causa muita insegurança ao pessoal do bairro. Conseguimos juntar todos", afirma frei Gilvander Moreira, da Comissão Pastoral da Terra (CPT).
"Mas o principal objetivo da manifestação é o apoio a dom Cappio, pelo arquivamento do projeto de transposição. Dom Cappio é o porta-voz da sociedade civil e é uma covardia o governo usar a sede e a pobreza de comunidades do Nordeste para justificar o projeto", acrescentou o religioso.
A Advocacia-Geral da União (AGU) já informou que vai recorrer da decisão do desembargador Souza Prudente, que suspendeu as obras de transposição das águas. A manifestação desse sábado terminou no fim da manhã, depois de uma caminhada pelo Bairro São Geraldo. O Estado de Minas tentou falar com a Vale, mas nenhum representante da empresa foi encontrado para comentar o assunto.

Brasil/Greve de fome de bispo contra transposição do São Francisco completa 20 dias

Agência Brasil/16 dezembro 2007
Depois de 20 dias de greve de fome contra a transposição do Rio São Francisco, o bispo de Barra (BA), dom Luiz Cappio já perdeu sete quilos. O religioso, no entanto, até agora não apresentou nenhum sinal de enfermidade, segundo o representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) na Bahia e coordenador da Articulação Popular pela Revitalização do São Francisco, Rubens Siqueira.
Neste domingo, Dom Luiz saiu da igreja onde está, em Sobradinho (BA), para receber cerca de 100 pessoas que estão no local em apoio à greve de fome. A partir desta segunda-feira, 21º dia de jejum, o bispo terá acompanhamento médico constante.
"Ele diz que está se sentindo bem, mas sabe que está mais frágil", disse a assessora da Articulação São Francisco Vivo, Clarice Maia. Esta é a segunda vez que Dom Cappio faz greve de fome contra o projeto do governo. Em 2005, ele fechou um acordo com o governo depois de ficar 11 dias sem comer.
Ao contrário do que aconteceu na semana passada, quando houve um ato a favor de Dom Cappio, não está programada nenhuma manifestação em Sobradinho. No entanto, desde sábado estão sendo realizadas vigílias com jejum em Salvador e em Bom Jesus da Lapa (BA). Na capital baiana, a vigília é permanente e não tem prazo para terminar. Em Bom Jesus, a manifestação segue somente neste domingo.
De acordo com Rubens Siqueira, também há pessoas reunidas em vigília e jejum em outros lugares do país, como Brasília, mas ainda não chegaram informações suficientes para confirmar onde há manifestações. Siqueira afirmou que até o final do dia já se deve ter um quadro completo.
A greve de fome atraiu a atenção do Vaticano. Uma carta assinada pelo representante do papa Bento 16 no Brasil, dom Lorenzo Baldisseri, pediu que dom Cappio voltasse a se alimentar. Segundo o documento, a prática do jejum, em níveis radicais, não condiz com os princípios cristãos.
Essa não é a primeira vez que o religioso é advertido pela Santa Sé. Na semana passada, o cardeal Giovanni Battista Re, responsável pelos bispos no Vaticano, enviou uma mensagem a dom Cappio, por meio do Arcebispo de Feira de Santana (BA), também pedindo que ele abandonasse a greve.
Segundo Siqueira, o bispo respondeu dizendo que estava trabalhando para que a greve de fome terminasse. Ele informou ainda que dom Cappio não se manifestará mais sobre o assunto e só acabará com o jejum se o papa ordenar diretamente. "Bento 16 ainda não se pronunciou e nem deve se pronunciar sobre o assunto, já que não há nada na tradição e nas leis da Igreja Católica que se posicione contra o jejum radical", alegou o representante da CPT.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Jejuo também por democracia real

Por Dom Luiz Flávio Cappio

Acusam-me de inimigo da democracia por estar em jejum e oração combatendo um projeto do governo federal autoritário, falacioso e retrógrado, que é o da transposição de águas do rio São Francisco.
Meu gesto não é imposição voluntarista de um indivíduo. Fosse isso, não teria os apoios numerosos, diversificados e crescentes que tem tido de representantes de amplos setores da sociedade, inclusive do próprio PT.
Vivêssemos uma democracia republicana, real e substantiva, não teria que fazer o que estou fazendo.
Um dos mais graves males da "democracia" no Brasil é achar que o mandato dado pelas urnas confere um poder ilimitado, aval para um total descompromisso com o discurso de campanha, senha para o vale-tudo, para mais poder e muito mais riquezas. Tráficos de influências, desvios do erário, porcentagens em obras públicas e mensalões são práticas tradicionais na política brasileira, infelizmente, pelo visto, ainda longe de acabar. A sociedade está enojada e precisa se levantar.
Há políticos - e, infelizmente, não são poucos - que, por onde passaram na vida pública, deixaram um rastro de desmandos, corrupção, enriquecimento ilícito etc. Como ainda funcionam o clientelismo eleitoral, a mitificação de personagens, as falsas promessas de campanha, o "toma-lá-dá-cá" e mais deseducação que educação política do povo, esses políticos conseguem se reeleger e galgar posições de alto poder em governos, quaisquer que sejam as siglas e as alianças.
Na campanha do candidato Lula, o tema crucial da transposição era evitado o máximo possível. Mas as campanhas eleitorais, à base do marketing e das verbas de "caixa dois" das empresas, são tidas e havidas como grandes manifestações do vigor de nossa democracia, que, com urnas eletrônicas, dá exemplo até aos EUA...
O projeto de transposição não é democrático, porque não democratiza o acesso à água para as pessoas que passam sede na região semi-árida, distante ou perto do rio São Francisco.
O governo mente quando diz que vai levar água para 12 milhões de sedentos. É um projeto que pretende usar dinheiro público para favorecer empreiteiras, privatizar e concentrar nas mãos dos poucos de sempre as águas do Nordeste, dos grandes açudes, somadas às do rio São Francisco.
A transposição não tem nada a ver com a seca. Tanto que os canais do eixo norte, por onde correriam 71% dos volumes transpostos, passariam longe dos sertões menos chuvosos e das áreas de mais elevado risco hídrico. E 87% dessas águas seriam para atividades econômicas altamente consumidoras de água, como a fruticultura irrigada, a criação de camarão e a siderurgia, voltadas para a exportação e com seríssimos impactos ambientais e sociais.
Esses números são dos Estudos de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (EIAs-Rima), públicos por lei, já que, na internet, o governo só colocou peças publicitárias.
O projeto de transposição é ilegal e vem sendo conduzido de forma arbitrária e autoritária: os estudos de impacto são incompletos, o processo de licenciamento ambiental foi viciado, áreas indígenas são afetadas e o Congresso Nacional não foi consultado como prevê a Constituição.
Há 14 ações que comprovam ilegalidades e irregularidades ainda não julgadas pelo Supremo Tribunal Federal. Mas o governo colocou o Exército para as obras iniciais, abusando do papel das Forças Armadas, militarizando a região. A decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, de Brasília, em 10/12 deste ano, obrigando a suspensão das obras, é mais uma evidência disso.
O mais revoltante, porque chega a ser cruel, é que o governo insiste em chantagear a opinião pública, em especial a dos Estados pretensos beneficiários, com promessas de água farta e fácil, escondendo quem são os verdadeiros destinatários, os detalhes do funcionamento, os custos e os mecanismos de cobrança pelos quais os pequenos usos subsidiariam os grandes, como já acontece com a energia elétrica. Os destinos da transposição os EIAs/Rima esclarecem: 70% para irrigação, 26% para uso industrial, 4% para população difusa.
Temos um projeto muito maior. Queremos água para 44 milhões de pessoas no semi-árido. Para nove Estados, não apenas quatro. Para 1.356 municípios, não apenas 397. Tudo pela metade do preço previsto no PAC para a transposição.
O Atlas Nordeste da Agência Nacional de Águas (ANA) e as iniciativas da Articulação do Semi-Árido (ASA) são muito mais abrangentes, têm prioridade no abastecimento humano e utilizam as águas abundantes e suficientes do semi-árido. Fui chamado de fundamentalista e inimigo da democracia porque provoquei que o povo se levantasse e, disso, os "democratas" que me acusam têm medo. Por que não se assume a verdade sobre o projeto e se discute qual a melhor obra, qual o caminho do verdadeiro desenvolvimento do semi-árido? É nisso que consiste a nossa luta e a verdadeira democracia.

Fonte: Portal do MST/Artigo publicado no dia 12 de dezembro, no jornal Folha de S. Paulo

Brasil/Senado, CPMF e Transposição do Rio São Francisco

Dom Luiz C. Eccel *
14 dezembro 2007
Na madrugada do dia 13 de dezembro, o Senado brasileiro derrubou a proposta que prorrogava a CPMF até 2011. O novo presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, disse logo após a derrota: "A rejeição da CPMF mostra que o Senado precisa ser respeitado".
Eu digo: O Senado precisa se dar o respeito e respeitar o povo brasileiro!
É preciso dizer que essa instituição deveria ser dissolvida por inútil, cara e prejudicial. É o atraso do país! Só assim a verba pública seria menos dissolvida, já que os nossos senadores são os políticos mais bem pagos do mundo, para quase sempre legislar em causa própria Ali vai mensalmente uma vultosa quantia que deveria ser aplicada em algo útil, em políticas públicas, para a saúde e a educação, por exemplo. Concordo que a arrecadação da CPMF precisa ser mais bem gerida e aplicada ao fim para o qual foi criada: para a saúde do povo brasileiro.
O Senado deveria, para ser útil ao povo, ficar até a madrugada, nos poucos dias em que trabalha, para debater e buscar soluções em relação à questão fundiária e, no momento, à situação do semi-árido. Mas, quando senadores latifundiários farão isto? Que me perdoem os bons políticos.
A proposta do governo para a transposição de um rio, que está morrendo e, portanto, necessitando urgentemente de revitalização, é atingir 12 milhões de sedentos. Não é verdadeiro este número.
O projeto do governo visa atender ao agro e hidro-negócios. O problema dos ribeirinhos, dos indígenas, quilombolas e dos demais pobres do semi-árido não será resolvido com a transposição.
Mas, existem alternativas. Segundo Dom Luís Cappio: "O mais revoltante, porque chega a ser cruel, é que o governo insiste em chantagear a opinião pública, em especial a dos Estados pretensos beneficiários, com promessas de água farta e fácil, escondendo quem são os verdadeiros destinatários, os detalhes do funcionamento, os custos e os mecanismos de cobrança pelos quais os pequenos usos subsidiariam os grandes, como já acontece com a energia elétrica. Os destinos da transposição, os EIAs/Rima esclarecem: 70% para irrigação, 26% para uso industrial, 4% para população difusa. Temos um projeto muito maior. Queremos água para 44 milhões de pessoas no semi-árido. Para nove Estados, não apenas quatro. Para 1.356 municípios, não apenas 397. Tudo pela metade do preço previsto no PAC para a transposição. O Atlas Nordeste da ANA (Agência Nacional de Águas) e as iniciativas da ASA (Articulação do Semi-Árido) são muito mais abrangentes, têm prioridade no abastecimento humano e utilizam as águas abundantes e suficientes do semi-árido. Fui chamado de fundamentalista e inimigo da democracia porque provoquei que o povo se levantasse e, disso, os "democratas" que me acusam têm medo. Por que não se assume a verdade sobre o projeto e se discute qual a melhor obra, qual o caminho do verdadeiro desenvolvimento do semi-árido? É nisso que consiste a nossa luta e a verdadeira democracia".
Após o encontro com Dom Cappio, a atriz Letícia Sabatella foi entrevistada e aqui vai um trecho da mesma: "É um projeto que não visa a sustentabilidade do São Francisco, dos povos do São Francisco, nem do semi-árido. Visa, sim, a produção de frutas, de aço, de camarões para a exportação. E parece que celulose também. Vi que o projeto prevê duas usinas hidroelétricas só para fazer o transporte da água. Então, é de uma dimensão essa obra... Tem um custo que vai sair do cofre público, do bolso dos brasileiros. Mais tarde, a conta da energia elétrica vai continuar sendo cara, porque pra quem mora numa casa ela é muito cara. Para as empresas, ela tem isenções, é uma proporção bem menor. E o custo disso tem que ser visto, o povo tem que aprovar, porque são R$6,6 bilhões - contra R$3,3 bilhões na proposta dos projetos alternativos. Acho legítimo que Dom Cappio cobre do governo o que lhe foi prometido, que haja um debate esclarecedor com a sociedade. Não quero que saia mentiras para a população, mas sim que se esclareça o que é que envolve a Transposição e os projetos alternativos, para o povo poder escolher o que ele quer".
O Senado não debate esta questão porque ele é constituído de muita gente sedenta, não de justiça, mas de $. Com raras exceções. Não fosse assim já teriam regulamentado o artigo 14 da Constituição a fim de que o povo possa participar das questões fundamentais através de plebiscitos e referendos.

* Bispo Diocesano de Caçador-SC

Fonte: Agência de Informação Frei Tito para a América Latina

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Brasil/CNBB convoca apoio a dom Cappio

CNBB: "Convidamos as comunidades cristãs e pessoas de boa vontade a se unirem em jejum e oração a dom Luiz Cappio, por sua vida, sua saúde e em solidariedade à causa por ele defendida". (Foto: Portal Uma vida pela Vida)

Fonte da notícia: O Tempo/Belo Horizonte
Brasília, 14 dezembro 2007 – Após ter ouvido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que as obras de transposição do rio São Francisco não serão paralisadas por conta da greve de fome de dom Luiz Cappio, o comando da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou ontem nota na qual convoca todos os cristãos a se "unirem em jejum e oração" ao bispo de Barra (BA).
"Convidamos as comunidades cristãs e pessoas de boa vontade a se unirem em jejum e oração a dom Luiz Cappio, por sua vida, sua saúde e em solidariedade à causa por ele defendida", afirma a CNBB, em nota. A entidade, que representa a Igreja Católica, disse que o "governo democrático" precisa ter a "responsabilidade" de permitir o acesso da sociedade às decisões e de "acatar" as decisões judiciais.
Anteontem, em encontro no Planalto, Lula disse aos bispos que não irá paralisar a obra por conta do protesto. O Ministério da Integração Nacional informou que somente anteontem à noite foi notificado da decisão.
O Vaticano vem acompanhando o caso, segundo o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). O congressista visitou dom Luiz e lhe disse que o presidente Lula ligou anteontem para o Vaticano. "Só espero que Lula não tenha que levar na sua consciência a culpa pela morte de um bispo", disse o senador. (Folhapress)

Brasil/CNBB pede a Lula mais discussão sobre a transposição do rio São Francisco

Dom Geraldo fez questão de ressaltar que o jejum e as orações de Dom Cappio não podem ser comparados a um suicídio.
O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Lyrio Rocha, e o Secretário Geral da entidade, Dom Dimas Barbosa, pediram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva mais discussão sobre o projeto da transposição das águas do rio São Francisco.
Na manhã de hoje (12/12), os bispos tiveram um reunião com o presidente, onde discutiram as polêmicas em torno das obras da transposição e o jejum do Bispo de Barra (na Bahia), Dom Luiz Cappio, que está há 16 dias sem se alimentar, em protesto contra o projeto.
"Até mesmo pessoas que vivem nas regiões afetadas não têm informações claras sobre o projeto", disse Dom Dimas, em entrevista coletiva após a reunião. Em documento entregue ao presidente (ver abaixo), a CNBB se dispôs a intermediar o diálogo com Dom Cappio para tentar resolver a questão. "Dom Cappio sempre contou com o apoio da CNBB, porque o queremos vivo", reforçou Dom Geraldo.
A CNBB sugeriu a Lula a criação de uma "comissão para estudar melhor o atual projeto e analisar também as propostas que têm sido elaboradas por entidades governamentais, especialistas e movimentos sociais que consideram, também, a revitalização e a despoluição do rio São Francisco". Eles lembraram que a Agência Nacional de Águas (ANA) e as entidades que compõem a Articulação do Semi-Árido (ASA) têm propostas alternativas para a região.
Na reunião, Dom Geraldo fez questão de ressaltar que o jejum e as orações de Dom Cappio não podem ser comparados a um suicídio, pois ele não está fazendo este ato com intenção de morrer.
A audiência foi o início de um diálogo, na avaliação dos bispos. O Governo não descartou a possibilidade de enviar alguém para dialogar com Dom Cappio, mas não agendou nenhuma ação. Leia a carta da CNBB a Lula:

Pró-memória:
Encontro da Presidência da CNBB com o Excelentíssimo Senhor Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva
Senhor Presidente,
Dirigimo-nos a Vossa Excelência, com respeito e consideração, para demonstrar a preocupação da CNBB com relação à pessoa e à vida de nosso irmão Dom Frei Luiz Flávio Cappio, OFM, Bispo Diocesano da Barra-BA que, desde o dia 27 de novembro p. passado, se encontra em jejum e oração, em Sobradinho – BA, motivado por suas preocupações diante da implementação do Projeto de Transposição do Rio São Francisco, com todas as suas conseqüências e implicações.
No ano de 2005, Dom Frei Luiz Flávio Cappio realizou, durante onze dias, igual iniciativa em Cabrobó – PE. O encerramento do jejum ocorreu, aos 06 de outubro de 2005, após a ida do então Ministro das Relações Institucionais, Senhor Jaques Wagner, representando Vossa Excelência.No dia 15 de dezembro de 2005, Vossa Excelência recebeu em audiência Dom Luiz Flávio Cappio e representantes de movimentos sociais, quando foi confirmado o compromisso da realização de um processo de diálogo, sendo criada uma Comissão mista com representantes do Governo e da Sociedade, intermediada pela Casa Civil e Secretaria Geral.Não obstante os esforços feitos, a Comissão não atendeu plenamente os objetivos propostos porque não conseguiu obter consensos mais amplos.
A CNBB tem reafirmado a necessidade de ser resolvido o grave problema da água para as populações do semi-árido brasileiro.
Entretanto, por causa da complexidade do Projeto de Transposição do Rio São Francisco, - com suas implicações sociais, econômicas, culturais e ambientais -, julgamos que ainda seria necessário maior discussão, envolvendo as populações ribeirinhas, pescadores, indígenas, quilombolas, cientistas, especialistas e outros setores interessados. O atual Projeto deveria ser mais analisado, considerando inclusive outras alternativas que garantam água de qualidade para o povo Nordestino, entre elas o Projeto 1 milhão de cisternas.Colocamo-nos à disposição para colaborar na retomada do diálogo entre o Governo e Dom Luiz Flávio Cappio. Sugerimos a criação de uma Comissão para estudar melhor o atual Projeto e analisar também as propostas que têm sido elaboradas por entidades governamentais, especialistas e movimentos sociais que consideram, também, a revitalização e a despoluição do Rio São Francisco.
Com estas propostas, a CNBB quer contribuir para a superação do impasse do momento atual e, ao mesmo tempo, reafirmar seu propósito de continuar participando das iniciativas que buscam garantir água para o semi-árido brasileiro, a fim de que "todos tenham vida" (cf. Jo 10,10).
Brasília, 12 de dezembro de 2007
DOM GERALDO LYRIO ROCHA
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB
DOM DIMAS LARA BARBOSA
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

* CPT com informações da CNBB.
Informações à imprensa:
Cimi - Assessoria de ComunicaçãoMarcy Picanço: (61) 2106 1650/ 9979 7059
Fonte: Agência Consciência.Net
http://www.agencia-consciencia-textos.blogspot.com

Brasile, il digiuno del vescovo ferma Lula

Corriere della Sera/13 dicembre 2007
Don Cappio: «mangerò solo quando piano verrà cancellato e l'esercito se ne andrà»
Sospeso da un tribunale di Bahia il progetto di deviazione del fiume São Francisco

SOBRADINHO (Brasile) — Un vescovo smagrito nel saio francescano, un fiume da difendere e una lotta quasi impossibile. «Ma io vado avanti, affinché il presidente Lula e il Vaticano sappiano di che tempra sono fatti i Cappio, piemontesi veri». Sorridono Gianfranco, Rita e Rosamaria e passano al fratello un bicchiere con acqua, un pizzico di sale e due cucchiaini di zucchero. È l’unico alimento che Don Luiz Flavio Cappio, 61 anni, figlio di emigranti vercellesi, ingerisce da sedici giorni, qui in una cappella nel mezzo del sertão, il deserto del Brasile. È il più clamoroso sciopero della fame mai fatto da un prelato e il segno dell’imbarazzo è il silenzio. «Dal nunzio apostolico e da Roma nemmeno una telefonata», dice. «Non sono d’accordo con me? È probabile, non lo sono nemmeno i miei familiari. Eppure loro sono qui ad aiutarmi».
Sono anni che Don Luiz lotta contro un sogno perseguito da molti governi del Brasile, sottrarre acqua al corso del fiume São Francisco, un gigante da 3.000 chilometri, per irrigare una vasta regione semiarida e povera. È la terra dove è nato Lula, ed è proprio l’ex emigrante che vuole lasciare al Brasile la grande opera per antonomasia, due bracci che ricevono acqua dal fiume, e un sistema di canali per coprire un’area dove vivono 12 milioni di abitanti. Il progetto è stato approvato, finanziato e ha avuto l’ok di impatto ambientale. Il governo sostiene che l’acqua tolta al corso principale non supera l’1,4 per cento della portata e in cambio i vantaggi saranno enormi. Per il benessere delle famiglie e l’economia locale. Il vescovo è alla seconda protesta. Due anni fa tornò a mangiare dopo undici giorni. Preoccupato, Lula promise una pausa di riflessione sul progetto e l’inizio del dialogo. «Una presa in giro —spiega —. Non abbiamo mai discusso nulla e il governo è andato avanti. Appena è arrivato l’esercito e hanno iniziato a sbancare la terra ho deciso di ricominciare. E di andare avanti, fino alle estreme conseguenze». Poi è il politico a parlare: «Il progetto è bello solo nell’ottica degli imprenditori, dell’agrobusiness e della cosiddetta economia globalizzata.
L’acqua servirà ad irrigare i grandi latifondi e dal deserto sorgeranno frutta e vino. Alla gente non resterà nulla. Se volessero, potrebbero tirar fuori l’acqua che già esiste, costruire un acquedotto. Lula è una grande delusione, per me e tutti i movimenti sociali del Brasile che lo hanno appoggiato». Alla cappella di San Francesco, scelta come sede della protesta vicino al lago artificiale di Sobradinho, si affollano tutto il giorno volontari e militanti. Ci sono bandiere rosse e computer per informare il mondo. Il vescovo alterna preghiere a conversazioni con la gente e conferenze stampa, ma ogni due ore viene sottratto dai familiari. Deve riposare. Sta abbastanza bene, ha perso solo quattro chili. Niente staff medico, solo un amico che gli misura la pressione. Dice che la conferenza episcopale brasiliana è con lui, e poco importa per le alte gerarchie. Insistiamo sulla contraddizione: un religioso non può suicidarsi, la Chiesa non può appoggiarlo. «La morte individuale è un dettaglio, un moralismo. In teologia il vescovo è il pastore che dà la vita per il suo gregge, non è padrone della sua vita. Io non posso tradire la mia missione, sono al fianco di una società marginalizzata da secoli, il Nordest brasiliano è una valle di lacrime e dolore». Ma poi la ributta in politica. «La mia lotta sta facendo risvegliare i movimenti sociali, addormentati da quando Lula è al potere».
È una sfida, sì, la risposta a una delusione. «Il presidente ha alzato le spalle quando gli hanno detto che avevo ripreso il digiuno. Sta diventando una moda, ha detto. Non credo Lula, non può diventare moda una cosa così dura, tremenda. Te lo assicuro con il mio corpo». Martedì è arrivata una sentenza della giustizia dello stato di Bahia, che sospende i lavori sul fiume. «Non mi basta. Il governo federale può ribaltarla. Io torno a mangiare solo quando si verificheranno due condizioni: il progetto viene cancellato per sempre e l’esercito se ne va da qui». Il fratello Gianfranco è ottimista, e tragico allo stesso tempo: «Roma deve saperlo: il Brasile non può festeggiare il Natale con il cadavere di un vescovo cattolico morto per il suo popolo». Don Luiz parla italiano, ma ha paura di infilarci troppe parole in dialetto piemontese e desiste subito. Quando prese gli ordini, la prima cosa che volle fare suo padre fu portarlo al paese di origine, Occhieppo Superiore, oggi provincia di Biella, e fargli celebrare una messa. Torniamo a parlare di Roma. C’è sempre l’obbedienza ai superiori nelle regole ecclesiastiche, perché non tentano di farla smettere? «A un vescovo si danno consigli, non ordini. Possono chiedere, ma non l’hanno fatto. E poi tra il Papa e un vescovo non ci sono intermediari». E se chiamasse proprio il Papa chiedendole di smettere? Don Luiz si ferma un attimo. «Non succederà mai, non discutiamo sui sogni».

Rocco Cotroneo/13 dicembre 2007

Brasil/Greve de bispo ganha destaque na Itália

Jejum em protesto contra a transposição do rio São Francisco é tema de reportagem no jornal "Corriere della Sera"

Regina Werneck/O Tempo/Belo Horizonte

Brasília, 14 dezembro 2007 – A greve de fome do bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, atraiu a atenção da imprensa internacional. O jornal italiano "Corriere della Sera" trazia ontem em sua página na Internet uma reportagem com o bispo, que completa hoje 18 dias em jejum contra o projeto do governo federal de transposição do rio São Francisco. A matéria ressalta a serenidade de dom Cappio, mas fala de sua magreza ante a luta social que resolveu travar, "com o hábito franciscano, um rio que deve ser defendido, uma luta quase impossível" até que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decida cancelar definitivamente o projeto e mandar a retirada do exército em Cabrobó.
A reportagem ainda descreve o conflito gerado pelo projeto, que promete matar a sede de 12 milhões de nordestinos que vivem no semi-árido brasileiro, mas que, segundo o bispo, é uma grande mentira, já que servirá mesmo para irrigar os latifúndios e enriquecermais os empresários. "O projeto é belo somente na ótica dos empreendedores, do agronegócio e da assim chamada economia globalizada", diz o religioso na matéria.
O irmão do bispo, Gianfranco Cappio, mostra sua preocupação com a saúde e a vida do religioso. "Roma já deve saber: o Brasil não pode festejar o Natal com o cadáver de um bispo católico, morto pelo seu povo", afirmou. E o bispo finaliza com uma questão de hierarquia religiosa, sobre uma possível interferência do papa para que ele pare com o jejum. "A um bispo se dá conselhos, não, ordens. Podem pedir, mas não fizeram. E, pois, entre o papa e um bispo, não há intermediários", encerra dom Cappio.
Essa não é a primeira matéria que questiona o projeto de transposição do rio São Francisco e apóia a luta do bispo de Barra a ser publicada por um jornal internacional. O italiano "Liberazione" publicou um artigo na capa, além de jornais norte-americanos, belgas e franceses.
CaminhadaHoje, a Arquidiocese de Belo Horizonte está programando uma nova manifestação em solidariedade ao bispo e contra o projeto de transposição. A concentração acontece na praça da Savassi, a partir das 14h. Depois os manifestantes irão até o Colégio Santo Antônio, onde, às 15h, dom Aloísio Jorge Pena Vitral, bispo auxiliar da arquidiocese, celebra uma missa.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Brasil/Bispos da CNBB vão cobrar intervenção de Lula


Apoiantes de Dom Luiz Flávio Cappio rezam na capela dedicada a São Francisco, em

Sobradinho, Bahia (Foto: João Zinclair/Uma vida pela Vida)

Brasília, 12 dezembro 2007 – Mais de duas semanas após o início da segunda greve de fome do bispo de Barra (BA), frei Luiz Flávio CappioLuiz Flávio Cappio, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) decidiu quebrar o silêncio e se posicionar a respeito do protesto do religioso contra a obra de transposição do rio São Francisco.
A cúpula da CNBB deve se reunir hoje de manhã com o presidente Lula, no Palácio do Planalto, e, em seguida, o presidente da entidade, dom Geraldo Lyrio Rocha (arcebispo de Mariana), e o secretário geral, dom Dimas Lira Barbosa (bispo auxiliar da cidade do Rio de Janeiro), irão participar de uma entrevista coletiva para manifestar a opinião da CNBB em relação ao ato de Cappio e a obra do governo federal.
Na reunião com o presidente, os bispos devem cobrar uma intervenção direta de Lula para negociar pessoalmente o fim da greve de fome de Cappio e uma alternativa para o projeto de transposição. Os bispos pretendem usar como argumento para sensibilizar o presidente o risco de uma adesão em massa de outros religiosos ao jejum do frei.
O Exército chegou a impedir anteontem a realização de uma passeata organizada em apoio ao religioso. Ele tem se alimentado de água e soro e vem celebrando missas diárias. Até agora, a CNBB se manifestou apenas por meio de uma nota, publicada no dia do início do jejum do bispo.
A agenda do presidente Lula ainda não havia sido fechada até o início da noite de ontem, mas, conforme a assessoria de imprensa da Presidência da República, a reunião com os bispos estava praticamente acertada para a manhã de hoje. (Fonte da notícia: O Tempo/Belo Horizonte)

Brasil/Bispo diz que mantém greve de fome, mesmo com liminar que suspende transposição

Marcela Rebelo, repórter da Agência Brasil

Brasília, 12 dezembro 2007 - A liminar que suspende as obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco não foi suficiente para interromper a greve de fome do bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, que teve início no dia 27 de novembro e hoje (12) completa 16 dias.
"A liminar pode, de repente, ser suspensa. Então nós queremos uma decisão mais segura, uma decisão mais permanente, para que a gente possa, então, deixar o jejum", afirmou o bispo hoje em entrevista à Rádio Nacional. A liminar, concedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, acata recurso do Ministério Público Federal (MPF).
Apesar de ressaltar que a liminar foi "um grande passo", o bispo disse que só terminará com a greve de fome quando a obra for, de fato, paralisada. "Na hora em que pararem as obras, que a liminar se confirmar e o exército sair do eixo norte e do eixo leste da transposição, eu também estarei saindo daqui", destacou.
Esta é a segunda vez que o bispo entra em greve de fome em protesto contra as obras de transposição do Rio São Francisco. Em 2005, dom Cappio ficou 11 dias sem comer e só terminou a greve depois que o governo se comprometeu a promover uma discussão nacional sobre o projeto e dar atenção especial aos impactos ecológicos e à situação das populações ribeirinhas.
"Nesses dois últimos anos, as nossas tentativas de fazer acontecer o acordo não tiveram sucesso. O governo se fez surdo a todas as iniciativas de diálogo, que foi assumido. E, como resposta, o que aconteceu? O início das obras utilizando o Exército Brasileiro. Isso nos deixou muito indignado", afirmou o bispo.
A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia anunciou algumas medidas para garantir o pronto-atendimento de dom Luiz Flávio Cappio, caso seja necessário. Entre as ações, acertadas por representantes da secretaria estadual e da secretaria municipal de Sobradinho (onde o bispo se encontra), está a reserva de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na cidade baiana de Juazeiro. Além disso, será garantida assistência do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) e reforço de medicamentos ao hospital de Sobradinho.

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/12/12/materia.2007-12-12.4840811984/view

Abaixo-assinado em apoio a Dom Luiz Cappio e em defesa do rio São Francisco

To:
Exmo. Senhor Presidente da República – Luiz Inácio Lula da Silva
Exmo. Senhor Ministro da Integração Nacional – Geddel Vieira Filho
Desde 27 de novembro de 2007, Dom Luiz Cappio, bispo da Diocese de Barra (Bahia), retomou seu jejum e suas orações para tentar sensibilizar a sociedade brasileira e o Governo Federal sobre os graves problemas que a transposição do rio São Francisco pode levar ao rio, aos povos que vivem dele e ao Nordeste.
Em carta enviada ao presidente, Dom Luiz lembra que Lula não cumpriu o acordo assumido em outubro de 2005. Na ocasião, Dom Luiz suspendeu um jejum de onze dias, após o presidente ter se comprometido a suspender o processo da transposição e iniciar um amplo diálogo sobre o projeto com a sociedade.
A transposição do rio São Francisco não levará água para 12 milhões de nordestinos empobrecidos. Ao contrário, ela ajudará as empresas que realizam as obras e projetos com produção voltada para a exportação, enriquecendo ainda mais alguns ricos. Para atender à população do semi-árido, há alternativas melhores e mais baratas, por exemplo: as 530 obras sugeridas pela Agência Nacional de Águas (ANA) e que abasteceriam os 1,3 mil municípios da região a um custo de R$ 3,6 bilhões (quase metade dos R$ 6,6 bilhões da transposição); e o projeto Um Milhão de Cisternas.
Por isso, as pessoas, entidades e organizações abaixo-assinadas pedem que sejam suspensas as obras da transposição, que vem sendo realizadas pelo Exército Brasileiro. Pedem que seja ouvido o grito dos povos do São Francisco presente no jejum de Dom Luiz Cappio.
Sincerely,
The Abaixo-assinado em apoio a Dom Luiz Cappio e em defesa do rio São Francisco Petition to Exmo. Senhor Presidente da República – Luiz Inácio Lula da Silva was created by and written by imprensa cimi (imprensa@cimi.org.br). This petition is hosted here at www.PetitionOnline.com as a public service. There is no endorsement of this petition, express or implied, by Artifice, Inc. or our sponsors. For technical support please use our simple Petition Help form.

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Brasil/Resposta ao ministro Geddel, por Dom Luiz Cappio

Por Dom Luiz F. Cappio
É verdade que sem boa causa não há mártir. E boas causas, há muitas hoje: as da justiça, da paz, da democracia, da soberania alimentar, da ecologia – causas do Reino de Deus. Por outro lado, proliferam causas obscuras, de que não faltam defensores.
Em nome da seca (fenômeno natural) e da sede no Nordeste (fenômeno social), vendese a idéia (marketing) da transposição como uma obra redentora. O que está por trás, o jogo de interesses, os mecanismos de mercado na gestão, isso se omite, para não quebrar o encanto, despertar resistências.
A causa a que me dedico com afinco há 33 anos é muito maior do que a compreensão do ministro. Não cabe no reducionismo maniqueísta de ser contra a transposição e a favor da revitalização do rio. É por outra relação com a natureza, com as pessoas e com o Criador, a prioridade da vida acima do lucro, as instituições de poder a serviço do bem comum.
No caso, o desenvolvimento do semiárido, apropriado às suas diversidades geo e socioambientais, voltado para o período chuvoso não para a seca, com prioridade no povo, não nas elites. Não espero que o ministro entenda isso. E quem muda de posição tão rapidamente merece desconfiança.
Que democracia é essa que poucos prevalecem contra a maioria, manipulando a sede; que se impõe ditatorialmente, à base de ilegalidades e audiências públicas pró-forma, sem considerar críticas e alternativas; que usa o Exército, contristando soldados a trabalhos extrafunções, intimidando movimentos sociais? Mas democracia substantiva é algo incompreensível para o ministro. Como também a legitimidade de um cidadão dispor de si em favor de muitos, em face de uma imposição autocrática.
E mais ainda, a tradição cristã do martírio em defesa da fé e da vida plena.
O maior impacto da transposição sobre o rio não é a porção de água dele a tirar. É a perpetuação do modelo que vê nele apenas "recursos hídricos" e negócios, num acúmulo de usos econômicos seguidos e irrestritos que o exaure e o exterminará. Antes de tudo, o rio é complexo interdependente de vidas; para o povo, é pai e mãe. Coisa que o ministro também não entende.
Por que falar apenas dos 26 m³/s, a vazão constante a ser transposta? E as vazões máximas de 127 m³/s e maiores quando transporem também do Rio Tocantins? Curioso: a vazão mínima equivale à da válvula difusora do Açude Orós, no Ceará, e a máxima é igual à evaporação do Açude Castanhão, no mesmo Estado, conforme o grande construtor de açudes do Dnocs, Manoel Bomfim Ribeiro. Segundo ele, não há mais onde construir açudes, precisamos agora usar suas águas em sistemas eficazes e democráticos.
O ministro diz que as 530 obras do Atlas Nordeste da Agência Nacional de Águas são complementares à transposição. Mas a transposição não era para a sede de 12 milhões? Como necessita daqueles complementos? As cidades com mais de 5 mil habitantes, não contempladas no Atlas, podem ser atendidas pelos sistemas de adutoras com água dos açudes. Um exemplo: o professor José Patrocínio, de Campina Grande, defende que uma gestão mais competente do sistema Coremas/ Mãe d’Água resolve o déficit hídrico daquela cidade. E conta que lá o desperdício é de 60%, 20% a mais que a média nacional! Aproveitar a "gota d’água disponível", ensina a autoridade de um Aldo Rebouças, da USP.
Nosso projeto é muito maior. Queremos água para 44 milhões, não só para 12.
Para nove Estados, não apenas quatro. Para 1.356 municípios, não apenas 397. Tudo pela metade do preço. O Atlas e as iniciativas da ASA (sociedade civil) são muito mais abrangentes e têm finalidade no abastecimento humano. A transposição é econômica, neoliberal. Essa diferença, o ministro "ignora".
Quanto aos destinos da transposição, Estudos de Impacto, não o ministro, esclarecem: 70% para irrigação, 26% uso industrial, 4% para população difusa. Por que não se assume e se discute se esse é o caminho do desenvolvimento do semiárido? A recomposição de mata ciliar na Barra é importante, mas insuficiente. E as áreas de recarga, e os cerrados e caatingas devastados? Fazer obras onde moro não esconde as intenções "marketeiras"... E as milionárias "cartas de intenção" assinadas com os prefeitos ribeirinhos, a quantas andam? Sujeitos políticos somos todos, indivíduos e instituições, por atuação consciente ou omissa. A Igreja sempre foi esse ator importante no Brasil, não incomodava quando do lado de poderosos convenientemente "cristãos". Quanto a mim, só busco fidelidade à minha missão de bispo franciscano, ao lado do povo do rio e do semiárido brasileiro. Causa que vale o martírio se for preciso e da graça de Deus.

Fonte: Portal do MST/Jornal A Tarde, Bahia 09/12/2007

A TRANSPOSIÇÃO É ETICAMENTE CORROMPIDA

Por Fábia Lopes/Revista Fórum
Em 2005 o Bispo Dom Luís Cappio, passou 11 dias em jejum, em Cabrobó (PE), encerrados após o compromisso do governo em "suspender o projeto de transposição e iniciar um amplo diálogo entre governo e sociedade civil brasileira". O franciscano afirma que o compromisso assumido pelo governo foi descumprido com a chegada do 2º Batalhão de Engenharia do Exército, instalado em Cabrobó desde o dia 4 de junho deste ano.

Confira a entrevista com o religioso, que a nove dias retomou o jejum contra a transposição do rio São Francisco.

Que motivos levam o senhor e algumas organizações da sociedade civil a serem contra o projeto da transposição das águas do Rio São Francisco?
DOM LUÍS CAPPIO– Olha, os grandes motivos que nos levam a ser contrários ao projeto de transposição, em primeiro lugar porque ele é socialmente injusto. Porque, embora a propaganda oficial diga que essa água vai para atender 12 milhões de habitantes, isso não é verdade. Essa água é destinada para os grandes empresários, para os grandes empreendimentos econômicos no Nordeste, não é? A criação de camarão, a produção de frutas para exportação. Essa água vai passar muito distante das comunidades que realmente necessitam da água. E também é injusta porque quem vai ser beneficiado com essa água são os grandes, os projetos, os empreendimentos agroindustriais e que vai pagar a conta de energia elétrica é o povo, através do subsídio cruzado. É o povo que vai pagar um aumento na conta de sua energia elétrica para poder subsidiar essa água que vai beneficiar as grandes empresas.
Em segundo lugar é um projeto economicamente inviável. E por quê? Porque o próprio governo já apresentou, através da Agência Nacional das Águas (ANA), o Atlas do Nordeste, que tem mais de 500 alternativas de recursos hídricos para as comunidades urbanas.
A transposição, também é um projeto ecologicamente insustentável, porque vai usar um rio que precisa ser urgentemente revitalizado. Também é eticamente corrompido esse projeto. Porque ele vai transformar a água em objeto de compra e de venda, de produto de mercado, e a água é um produto, um dom de Deus para a vida das populações, um bem essencial para a vida e não pode se transformar em objeto de mercado, de barganha no mercado. É por isso que nós somos contra esse projeto de transposição, porque não vai atender as necessidades, que enganosamente o governo ilude a população do Nordeste.
Em declaração à imprensa, o presidente Lula afirma que "entre os 12 milhões de pobres que sofrem com a escassez de água e o Dom Luís Cappio", ele, o presidente, "fica com os pobres".
Como o senhor acha que o presidente vai se comportar nessa sua segunda tentativa de barrar o projeto da transposição?
DOM LUÍS CAPPIO– Olha, se essa afirmação do presidente fosse verdade, eu também ficaria com ele. Eu também assinaria embaixo, porque eu gostaria que todos os meus irmãos do Nordeste tivessem água, e água com abundância, água de qualidade. Nós estamos lutando por isso.
É uma mentira muito grande quando eles dizem que nós somos egoístas, que nós não queremos dar água. Isso não é verdade. Nós estaríamos dispostos a dar com toda alegria, e queremos dar água para nossos irmãos do Nordeste, queremos sim. Agora, esse projeto de transposição não é para 12 milhões de pessoas, é para um pequeno grupo interessado no capital, nas grandes empresas, não é para o povo.
O governo deveria ter a coragem de falar a verdade, de dizer a verdade sobre a transposição e não continuar iludindo o povo dizendo que essa água é para o povo, quando ela não é para o povo, não é? Se o que o presidente disse fosse verdade, eu estaria com ele e assinaria embaixo dessa palavra dele. Mas, isso não é verdadeiro. O governo deveria ter a coragem de dizer a verdade, para quem realmente a transposição interessa, e não é para o povo é para os grupos econômicos.
Quando eu converse com ele, com o presidente Lula, lá no Palácio do Planalto, eu disse a ele: "olha presidente, eu a vida inteira lutei para vê-lo sentado aí, nessa cadeira em que o senhor está. Toda a vida eu vesti a sua camisa e lutei pelo senhor. Mas, infelizmente, depois que o senhor assumiu o poder, o senhor se tornou refém dos grandes grupos econômicos do Brasil e do estrangeiro. Hoje, o senhor é refém do capital. O senhor esquece das suas origens. O senhor esqueceu do povo que o elegeu para ser o presidente dos pobres desse país". Isso eu disse a ele. Nesse momento, ele abaixou a cabeça. Então, eu não posso admitir que um presidente que foi eleito para ser, especialmente, prioritariamente, presidente dos pobres desse país, hoje esteja governando para os ricos do Brasil e do mundo.

Quando o senhor chegou a conclusão que deveria retomar a greve de fome?
DOM LUÍS CAPPIO– Eu cheguei à conclusão em reassumir porque quando, há dois anos atrás, eu encerrei o jejum lá em Cabrobó, foi porque eu acreditei no governo, quando nós assinamos juntos o nosso documento, que abria um amplo debate nacional para procurar as melhores alternativas de abastecimento hídrico para o Nordeste. Então, eu acreditei nesse contrato, nesse pacto firmado, nesse documento assinado. Foi por isso que eu deixei o jejum há dois anos atrás. Nesses anos, foram muitas as tentativas de reabrir esse diálogo, de realmente fazer com que esse diálogo acontecesse, porque a nossa preocupação é que o povo tenha água, e água de qualidade. Mas, nunca o governo se interessou de fazer aquilo que havia prometido e assinado em Cabrobó. Em vista disso, qual foi a resposta deles? Foi o início das obras usando o Exército Brasileiro.
Isso comprova que é uma obra autoritária, é uma obra autocrática, que não é fruto de uma discussão em que o povo participa, porque uma obra desse tamanho, com esse porte de investimentos econômicos mereceria uma consulta popular, que o povo opinasse, que o povo também desse as sua sugestões. Uma obra desse porte, ela necessariamente tem que nascer de um consenso democrático, e ela foi autoritariamente imposta, está sendo construída através do Exército Brasileiro. Então, em vista disso, nós retomamos o jejum, porque fomos enganados, não apenas eu, mas toda a sociedade brasileira foi enganada. O governo não atendeu aquilo que assinou, aquilo que compactuou, de abrir um amplo diálogo nacional para ver as melhores alternativas de desenvolvimento sustentável para o Semi-Árido brasileiro. Foi por isso que nós retomamos o jejum.

Nessa luta em defesa do São Francisco o senhor tem encontrado mais aliados ou mais opositores?

DOM LUÍS CAPPIO– Eu estou rodeado de amigos, bispos, padres, religiosos, o povo, tá tudo aqui comigo. A gente sente, o povo é o primeiro que percebe o absurdo de tudo isso. A solidariedade tem sido imensa. O número de cartas, de e-mails que a gente recebe, de mensagens solidárias. O número incrível de rádios, de emissoras de TV, como vocês que me telefonam pra saber da verdade dos fatos. Então, a solidariedade tem sido muito, muito, muito grande e isso fortalece muito a luta.

Dentro da Igreja parece não haver unanimidade em relação à transposição.
DOM LUÍS CAPPIO– Não existe.

Na primeira greve de fome a CNBB e a Santa Sé o criticaram...

DOM LUÍS CAPPIO– Alguns segmentos, não a CNBB, porque a CNBB sempre esteve conosco. Alguns grupos, alguns bispos, alguns membros da Igreja que eram opositores. Mas, a CNBB nos deu o maior apoio. Agora mesmo eu recebi uma carta belíssima da CNBB manifestando todo o seu apoio e mostrando tudo isso que eu estou acabando de dizer, que o governo deveria olhar para as carências e necessidades do povo.

Esse seu gesto, de decretar greve de fome, é um ato de fé ou um ato político?
DOM LUÍS CAPPIO– Agora mesmo eu estava conversando com o meu amigo, Dom Geraldo, bispo de Juazeiro, e a gente está embasado na fé. A gente assume esse gesto porque a gente acredita na palavra de Deus, que diz que quando o inimigo é muito forte, muito grande, somente o jejum e a oração são capazes de dominá-lo. É por isso que nós entramos no jejum e estamos em oração, porque acreditamos na palavra de Deus, a única que nos dá força e coragem para enfrentar inimigos tão fortes. (Ouça esse trecho aqui).

Para finalizar, que recado o senhor deixa para as famílias do Semi-Árido?
DOM LUÍS CAPPIO– Eu gostaria de dizer para todos vocês, meus irmãos nordestinos... Lançamos uma carta dirigida a todos vocês, e eu diria o seguinte: "Olha, escute bem o que o frei vai dizer. Nós não somos egoístas querendo a água do São Francisco só para nós. Se essa água da transposição fosse realmente para vocês, nós seríamos os primeiros a aprovar o projeto. O que nós somos contra é a mentira, à propaganda enganosa do governo, dizendo que ‘essa água vai para tirar a sede dos que têm sede. Que quem tem sede é a favor do projeto’. Isso é uma propaganda enganosa. Não se deixe levar por essa propaganda, dizendo que essa água vai para 12 milhões de habitantes, porque isso não é verdade. Essa água vai para um pequeno grupo de empresários e quem vai pagar conta é o povo". É essa verdade que o povo precisa saber.

Fonte: publicada na quarta-feira, dia 5, na Revista Fórum

http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=4627

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Brasil/Mais de 6.000 participam de Romaria contra transposição

Fonte: Portal do MST/10 dezembro 2007/http://www.mst.org.br
A Romaria em defesa do rio São Francisco e em solidariedade ao bispo Luiz Flávio Cappio, que ontem, completou 13 dias em jejum contra a transposição, reuniu mais de 6.000 pessoas durante todo o dia. O ato ecumênico contou com a participação de povos e comunidades tradicionais, trabalhadores ligados a organizações sociais e movimentos populares, além de outros religiosos e representantes de partidos políticos. A tônica de todo o dia foi dada pelos protestos contra o projeto de transposição e o modelo de desenvolvimento que ele representa.
Com disposição física Dom Luiz permaneceu sentado dentro da sacristia, onde recebia as pessoas, uma a uma, que aguardava na fila para cumprimentar, pedir a benção ou apenas afirmar solidariedade. "Fisicamente posso me sentir bastante combalido, mas meu espírito está forte", disse em entrevista e ainda completou "eu não coloco fé nos homens, a fé que nos move é a união que temos para continuar nossa luta".
As pessoas, grupos e caravanas que chegaram das diversas regiões do país tiveram momentos de confraternização, assistir a discursos, almoço coletivo e partilhar a impressão sobre a posição do governo federal, que tem ignorado o apelo.
Durante a construção do que foi chamado de ‘parlamento popular’ os ‘romeiros’ assistiram a discursos de representantes de organizações sociais, movimentos populares, povos e comunidades tradicionais. "A atitude do frei Cappio vem no sentido da revitalização da Bacia do São Francisco. Não existe revitalização com a transposição", afirmou o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF), Tomáz Matta Machado.
No final da tarde a celebração de encerramento aconteceu nas margens da represa de Sobradinho. Camponeses, pescadores e outros levaram sementes e água. Dom Luiz também participou e de modo coletivo fez orações para benzer água, sementes, rio e a todos os presentes. Em seguida todos jogaram um pouco de água para o rio, como simbologia de dar um gole d’água ao São Francisco.
Exército
Um dos pedidos do frei Luiz para dar fim ao jejum, iniciado dia 27 de novembro, é a retirada imediata do exército da área da tomada de águas dos eixos norte e leste, em Petrolândia e Cabrobó, Pernambuco. Ele considera a presença dos militares uma situação ofensiva e insustentável.
Todavia, toda a celebração de encerramento foi acompanhada por militares da infantaria do Exército. Eles começaram a chegar há cerca de dois dias na região e não permitiram a passagem de quaisquer pessoas ou veículos pela estrada que circunda o lago artificial. Enquanto o ato final acontecia, os soldados permaneceram empunhando as armas a distância.
O domingo foi encerrado com uma missa ao ar livre, às 19h. Participam da romaria caravanas de todos os estados da Bacia – Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe, Alagoas e do Distrito Federal, e de outros estados, a exemplo do Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Tocantins, Santa Catarina, além de outros países como a Áustria e a Alemanha.

http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=4645

FOTO DO DIA / FOTO DEL DIA


Dom Luiz Flávio Cappio, que entra no 12º dia da greve de fome, recebe a visita da atriz Letícia Sabatella em Sobradinho, Bahia, neste sábado. Também contrária a transposição do rio São Francisco, Sabatella faz parte da Organização Não-Governamental Humanos Direitos. Ela se mostrou bastante emocionada durante o encontro com o bispo. (Agência Estado/8 dezembro 2007)

TEXTOS SOBRE A VISITA

Portal Uma Vida pela Vida: Uma presença marcante na celebração, além dos representantes de organizações sociais e movimentos populares que chegaram durante a tarde, foi da atriz Letícia Sabatella. Ela havia feito uma visita pela manhã e retornou para acompanhar a celebração. Ela faz parte do Movimento Humanos Direitos e afirmou representar "outras pessoas que representa a causa".
A atriz anda explicou que precisava conhecer a situação de perto e questionou a posição do governo em não atentar para a simbologia do gesto do frei Luiz. "A gente está sendo nivelado por baixo quando o governo tenta impor um projeto por interesse da oligarquia", disse. Durante todo o tempo em que esteve entre Sobradinho e Juazeiro, a atriz aproveitou para fazer contatos com outras pessoas solidárias à causa. "Quando o artista opta por algo que seja bom, ele ajuda a comunidade a pensar diferente", afirmou Dom Luiz.
(Trecho extraido de "Romaria em defesa do rio São Francisco inicia com mais de cinco mil pessoas", publicado no dia 9 dezembro 2007)

Agência Consciencia.Net: A atriz Letícia Sabatella visitará Dom Luiz Cappio no dia 8 de dezembro de 2007 (sábado), em Sobradinho (BA), para prestar solidariedade ao bispo que está em greve de fome, em protesto contra o projeto de transposição do rio São Francisco.
Letícia Sabatella é atriz e defensora dos direitos humanos. Tem se dedicado à defesa dos povos indígenas, dos trabalhadores sem terra e de organizações de mulheres. É uma das fundadoras do Movimento Humanos Direitos, uma organização de artistas e intelectuais que trabalha contra o trabalho escravo e outras violações de direitos humanos no Brasil.
Ela levará uma carta de apoio a Dom Cappio, assinada por outros artistas do Movimento Humanos Direitos, como Dira Paes, Camila Pitanga, Bete Mendes, Chico Diaz, Cristina Pereira, Leonardo Vieira, Marcos Frota, Marcos Winter, Silvia Buarque, Wagner Moura, Osmar Prado, Eduardo Tornaghi, Zezé Polessa, entre outros.
O texto da carta diz:
Prezado Dom Cappio,
Gostaríamos de expressar nossa profunda admiração por seu gesto de coragem ao dedicar a própria vida para salvar o rio São Francisco - símbolo da cultura e fonte de sobrevivência do povo brasileiro.
Esperamos que finalmente o governo desista das obras de transposição das águas do rio São Francisco e inicie um debate aberto e verdadeiro sobre as necessidades da população local. Apoiamos as iniciativas de revitalização do Velho Chico, que podem gerar acesso à água para um número muito maior de pessoas, sem destruir o meio ambiente.Como dizem as comunidades locais, o Velho Chico está "doente" e temos o dever de preservá-lo para as futuras gerações.
Esta mensagem expressa nosso apoio, carinho e solidariedade.

Contatos:
Secretaria: (74) 3611-3550
Salete Hallack: (21) 8104-3184 (Movimento Humanos Direitos)
Evanize Sydow: (11) 8468-0910 (Rede Social de Justiça e Direitos Humanos)

("Letícia Sabatella visitará Dom Luiz Cappio no dia 8 de dezembro", notícia publicada no dia 7 de dezembro de 2007)

sábado, 8 de dezembro de 2007

NOBEL DA PAZ SE SOLIDARIZA COM DOM CAPPIO

Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz (Foto de arquivo)

Fonte: Portal do Conselho Indigenista Missionário (CIMI)/Brasil

Dom Frei Luiz Flavio Cappio, OFM
O bispo Diocesano de Barra
Querido hermano, Paz y Bien
Quiero expresarte mi solidaridad y apoyo a tu acción de ayuno y oración frente a la posición injusta del gobierno brasileño del Presidente Luiz Ignacio Lula, al no respetar el compromiso asumido de suspender el proceso de Transposición de las aguas del Río Sao Francisco, e iniciar un diálogo constructivo en bien de toda la población que vive, siente y necesita de la vida palpitante del río.
La imposición autoritaria, como el envío del ejército y la falta de diálogo para resolver los problemas, daña la convivencia democrática y genera incertidumbre y preocupación a los pobladores que necesitan del río.
Como bien señalas existen propuestas concretas para garantizar el abastecimiento de agua para toda la población de la región semi-árida. Están las acciones previstas en el Atlas del Nordeste que fuera presentada por la Agencia Nacional de Agua -ANA-, como las acciones desarrolladas por la Articulación de la región semi-árido –ASA.
Por todo lo actuado, evidentemente no existe la voluntad política del gobierno de respetar a la población y por tal motivo has decidido asumir la acción no-violenta de ayuno y oración, a fin de llamar a la conciencia y responsabilidad de los responsables y lograr revertir la situación actual.
Es necesaria la participación del pueblo y organizaciones sociales e iglesias, a fin de sumar voluntades en bien de la población y reclamar al gobierno la inmediata suspensión de las obras, el retiro de las fuerzas del ejército para abrir una instancia de diálogo a fin de encontrar soluciones conjuntas.
Te deseamos mucha fuerza y esperanza y te acompañamos en la oración y pedimos al Dios de la Vida para que escuche el clamor del pueblo.
Fraternalmente,
Adolfo Pérez Esquivel
Buenos Aires, 5 de diciembre del 2007


* Adolfo Pérez Esquivel recebeu Prêmio Nobel da Paz em 1980 por seu compromisso com a defesa dos direitos humanos

http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=2903&eid=341

Ler tambem
Romaria de solidariedade a Dom Luiz Cappio e em defesa do rio São Francisco
Dois anos de diferença, duas perspectivas diferentes, uma mesma causa
Frei Luiz completa 11 dias sem se alimentar - mesmo tempo do jejum de 2005. Governo segue indiferente.
Grito dos Excluídos promove jejum solidário a Dom Cappio
A manifestação de apoio acontece nesta quinta-feira (6), na Praça da Sé, em São Paulo
Nota do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil- CONIC
sobre a transposição do rio São Francisco e o jejum de Dom Frei Luiz Flávio Cappio
Entidades da Via Campesina pedem apoio da CNBB a Dom Cappio
Organizações também denunciaram escassez de água e pressões políticas sobre SBPC
Mais de mil pessoas acabam de fechar a ponte na BR 242
Ato público reúne mais de quatro mil pessoas em Sobradinho
Cardeal da Bahia e mais dois bispos visitam o frei Luiz Cappio
Completa hoje uma semana que Dom Cappio está em jejum em protesto contra a transposição do rio São Francisco
Conferência dos Religiosos do Brasil se manifeta em apoio a Dom Cappio
A carta diz: "Seu gesto é ao mesmo tempo corajoso, ousado e profético em favor da revitalização do Rio São Francisco"
Carta de apoio a Dom Cappio
produzida durante encontro da Comissão Episcopal de Pastoral do Regional Nordeste V
Resposta de Dom Luiz Cappio à carta de Dom Aldo Pagotto
Dom Cappio chega ao oitavo dia de jujum contra a transposição do São Francisco
Nota da Apoinme em apoio a Dom Luiz Cappio
Os povos indígenas afetadados pela transposição deveriam ter sido consultados
Carta da Via Campesina em solidariedade a Dom Cappio
Frei recebe o apoio de entidades da Via que se encontram reunidas em sua plenária nacional
Cresce apoio ao jejum de dom Luiz Cappio
No início da tarde de hoje (28), Dom José Geraldo visitou e reforçou a solidariedade ao ato
Nota do Cimi em apoio a Dom Luiz Cappio e em defesa do rio São Francisco
Nota da Presidência da CNBB sobre a transposição do Rio São Francisco e o jejum de Dom Luiz Cappio
Carta de Dom Cappio em que comunica ao presidente Lula sua decisão de retomar seu jejum em defesa do São Francisco
Frei Luiz Cappio inicia novo jejum e pede arquivamento da Transposição
O bispo de Barra (BA) enviou uma carta ao presidente Lula pedindo que o Exército pare as obras
Transposição não, conviver com o semi-árido é a solução!
Moção de XXI Assembléia Geral Eletiva da CRB Nacional