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sábado, 18 de outubro de 2008

Brasil/Dom Luiz Cappio recebe prêmio internacional

17 outubro 2008/Revista Forum http://www.revistaforum.com.br

No dia 18 de outubro, durante programação da 5ª Romaria das Águas, será feita a entrega do Prêmio pela Paz da Pax Christi Internacional (2008 Pax Christi International Peace Award), ao bispo Dom Luiz Cappio e às organizações e movimentos sociais, povos e comunidades tradicionais, envolvidos na luta pela revitalização e contra o projeto de transposição das águas do rio São Francisco. O prêmio será entregue a partir das 20 horas, durante ato inter-religioso, na Praça da Matriz da cidade de Sobradinho (BA). Em seguida, os participantes seguirão em Romaria para as margens do Rio São Francisco, ao pé da Barragem de Sobradinho, onde será realizado um show musical com várias atrações.

Estarão presentes, também, na premiação, o ator de teatro e televisão Gilberto Miranda, do Movimento Humanos Direitos (MHuD), Dom Tomás Balduino, conselheiro permanente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Dom Mauricio Andrade, bispo Primaz da Igreja Episcopal Anglicana de Brasília (DF), Jaciara Ribeiro dos Santos, ialorixá do Terreiro Axé Abassá de Ogun, em Salvador (BA); Marianne Spiler, do Servicio de Paz y Justicia en América Latina - SERPAJE (coordenado pelo NOBEL DA PAZ Adolfo Perez Esquivel) e integrante da Academia Livre Internacional das Águas (ALIAS); pastora Sandra Begré, da Igreja Reforma da Suíça; reverendo Bruno Almeida, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil na Bahia; Vera Nunes, diácona da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, em Salvador (BA); Kathleen Stephenson, da Igreja Unida do Canadá e da Coordenadoria Ecumênica de Serviços (CESE), em Salvador (BA); Célio Maranhão, representante do pastor Joel Ribeiro, da Igreja Batista de Nazaré; entre outros.

Ainda durante o sábado, 18, acontecerá, em Sobradinho (BA), a Jornada Mundial de Jejum pela Paz e Soberania Alimentar (veja o Manifesto aqui). Durante esse dia, Dom Cappio e várias pessoas ao redor do mundo irão jejuar, chamando a atenção para a tendência mundial em concentrar a produção agrícola em grandes empresas e com altas tecnologias, agora potencializadas pelos combustíveis de origem vegetal, em detrimento da produção alimentar e da agricultura camponesa, com graves riscos ambientais. Ao mesmo tempo, o gesto questiona o modelo de consumo egoísta e alienado - um dos fatores responsáveis pelo escândalo da fome no mundo e pelo agravamento da crise ecológica.

O prêmio
O Prêmio pela Paz é concedido pela Pax Christi Internacional, anualmente desde 1988, a homens e mulheres que defendem a paz e a não-violência em qualquer parte do mundo. Dom Cappio é o terceiro brasileiro a receber. O primeiro foi a sindicalista Margarida Alves, que recebeu postumamente, em 1988. O segundo foi o membro do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Sérgio Vieira de Mello, morto vítima de um atentado terrorista no Iraque.

A Pax Christi Internacional
A Pax Christi Internacional foi fundada na França, em 1945, como um movimento de reconciliação entre franceses e alemães após a Segunda Guerra Mundial. Constitui-se em movimento católico e uma Rede pela Paz, respeito aos Direitos Humanos, justiça e reconciliação em regiões devastadas por conflitos. Baseia-se na crença de que a paz é possível e que os círculos viciosos da violência e da injustiça podem ser quebrados. Hoje conta com mais de 100 Organizações-Membro e atua em mais de 50 países dos cinco continentes. No Brasil seu representante é a Comissão Pastoral da Terra (CPT). A Pax Christi tem status consultivo junto à ONU, à UNESCO e ao Conselho da Europa.

http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/NoticiasIntegra.asp?id_artigo=4756

sábado, 15 de dezembro de 2007

Brasil/Senado, CPMF e Transposição do Rio São Francisco

Dom Luiz C. Eccel *
14 dezembro 2007
Na madrugada do dia 13 de dezembro, o Senado brasileiro derrubou a proposta que prorrogava a CPMF até 2011. O novo presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, disse logo após a derrota: "A rejeição da CPMF mostra que o Senado precisa ser respeitado".
Eu digo: O Senado precisa se dar o respeito e respeitar o povo brasileiro!
É preciso dizer que essa instituição deveria ser dissolvida por inútil, cara e prejudicial. É o atraso do país! Só assim a verba pública seria menos dissolvida, já que os nossos senadores são os políticos mais bem pagos do mundo, para quase sempre legislar em causa própria Ali vai mensalmente uma vultosa quantia que deveria ser aplicada em algo útil, em políticas públicas, para a saúde e a educação, por exemplo. Concordo que a arrecadação da CPMF precisa ser mais bem gerida e aplicada ao fim para o qual foi criada: para a saúde do povo brasileiro.
O Senado deveria, para ser útil ao povo, ficar até a madrugada, nos poucos dias em que trabalha, para debater e buscar soluções em relação à questão fundiária e, no momento, à situação do semi-árido. Mas, quando senadores latifundiários farão isto? Que me perdoem os bons políticos.
A proposta do governo para a transposição de um rio, que está morrendo e, portanto, necessitando urgentemente de revitalização, é atingir 12 milhões de sedentos. Não é verdadeiro este número.
O projeto do governo visa atender ao agro e hidro-negócios. O problema dos ribeirinhos, dos indígenas, quilombolas e dos demais pobres do semi-árido não será resolvido com a transposição.
Mas, existem alternativas. Segundo Dom Luís Cappio: "O mais revoltante, porque chega a ser cruel, é que o governo insiste em chantagear a opinião pública, em especial a dos Estados pretensos beneficiários, com promessas de água farta e fácil, escondendo quem são os verdadeiros destinatários, os detalhes do funcionamento, os custos e os mecanismos de cobrança pelos quais os pequenos usos subsidiariam os grandes, como já acontece com a energia elétrica. Os destinos da transposição, os EIAs/Rima esclarecem: 70% para irrigação, 26% para uso industrial, 4% para população difusa. Temos um projeto muito maior. Queremos água para 44 milhões de pessoas no semi-árido. Para nove Estados, não apenas quatro. Para 1.356 municípios, não apenas 397. Tudo pela metade do preço previsto no PAC para a transposição. O Atlas Nordeste da ANA (Agência Nacional de Águas) e as iniciativas da ASA (Articulação do Semi-Árido) são muito mais abrangentes, têm prioridade no abastecimento humano e utilizam as águas abundantes e suficientes do semi-árido. Fui chamado de fundamentalista e inimigo da democracia porque provoquei que o povo se levantasse e, disso, os "democratas" que me acusam têm medo. Por que não se assume a verdade sobre o projeto e se discute qual a melhor obra, qual o caminho do verdadeiro desenvolvimento do semi-árido? É nisso que consiste a nossa luta e a verdadeira democracia".
Após o encontro com Dom Cappio, a atriz Letícia Sabatella foi entrevistada e aqui vai um trecho da mesma: "É um projeto que não visa a sustentabilidade do São Francisco, dos povos do São Francisco, nem do semi-árido. Visa, sim, a produção de frutas, de aço, de camarões para a exportação. E parece que celulose também. Vi que o projeto prevê duas usinas hidroelétricas só para fazer o transporte da água. Então, é de uma dimensão essa obra... Tem um custo que vai sair do cofre público, do bolso dos brasileiros. Mais tarde, a conta da energia elétrica vai continuar sendo cara, porque pra quem mora numa casa ela é muito cara. Para as empresas, ela tem isenções, é uma proporção bem menor. E o custo disso tem que ser visto, o povo tem que aprovar, porque são R$6,6 bilhões - contra R$3,3 bilhões na proposta dos projetos alternativos. Acho legítimo que Dom Cappio cobre do governo o que lhe foi prometido, que haja um debate esclarecedor com a sociedade. Não quero que saia mentiras para a população, mas sim que se esclareça o que é que envolve a Transposição e os projetos alternativos, para o povo poder escolher o que ele quer".
O Senado não debate esta questão porque ele é constituído de muita gente sedenta, não de justiça, mas de $. Com raras exceções. Não fosse assim já teriam regulamentado o artigo 14 da Constituição a fim de que o povo possa participar das questões fundamentais através de plebiscitos e referendos.

* Bispo Diocesano de Caçador-SC

Fonte: Agência de Informação Frei Tito para a América Latina

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Brasil/Greve de fome de frei completa uma semana

Reportagem: Raquel Casiraghi/Agência Chasque/4 dezembro 2007

Porto Alegre (RS) - A greve de fome do frei Luiz Flávio Cappio contra a transposição do rio São Francisco completou uma semana nesta terça-feira (04). Aos 61 anos, este é o segundo jejum realizado pelo religioso, que também é bispo da Diocese do município da Barra, na Bahia. Manifestação semelhante já havia sido realizada em 2005, quando o frei passou um mês sem comer. O protesto somente foi interrompido com a promessa do presidente Lula em realizar amplo debate com a população sobre o tema.
Em entrevista à RadioCom, de Pelotas (RS), frei Cappio se mostrou decepcionado com o presidente. Ele afirma que as discussões sobre a transposição e as alternativas à distribuição de água no Nordeste não ocorreram. Em fevereiro, o frei tentou novo diálogo com o governo por meio de documento protocolado no Palácio do Planalto. No entanto, como resposta, recebeu a notícia do início das obras de transposição pelo Exército."O projeto de transposição não beneficia de forma alguma os pobres do Nordeste brasileiro. Pelo contrário, além de prejudicar muito o rio São Francisco, ele vai beneficiar algumas empresas em detrimento das populações. É mais uma vez a primazia do capital. Quando fizemos nosso primeiro jejum só encerramos porque o presidente assumiu comigo um trato de abrirmos uma longa discussão nacional sobre as alternativas para o abastecimento do Nordeste, porque a transposição não é a melhor saída. Pelo contrário, é a pior maneira. E infelizmente, durante dois anos, tentamos debater o tema, o que não ocorreu", diz.
Frei Cappio reafirmou que a única condição para terminar com a greve de fome é a paralisação das obras. Caso isso não ocorra, não haverá nenhum tipo de diálogo ou de negociação com o governo Lula. Ele avalia que o episódio da transposição do rio São Francisco mostra, mais uma vez, a exclusão dos movimentos sociais no segundo mandato do governo Lula. "Eu percebo que os movimentos sociais vêm sendo totalmente excluídos da pauta do presidente Lula. Ele se tornou refém do grande capital e dos grandes interesses econômicos, e os movimentos sociais estão totalmente à margem. Ele se esqueceu do povo, de quem realmente o elegeu, e serve ao grande capital", afirma.
Durante a primeira semana da greve de fome, frei Luiz Cappio recebeu inúmeros manifestos de apoio. Além de jejuar, ele tem rezado missas para a população local e visitantes. No entanto, a iniciativa do frei também tem encontrado resistência na Igreja Católica, como a do arcebispo metropolitano da Paraíba, dom Aldo Pagotto. O religioso, que apóia o projeto de transposição, criticou em nota o protesto de Cappio. No documento, Pagotto diz que ninguém tem o direito de tirar a própria vida "a qualquer título".
Em resposta, frei Cappio escreveu uma carta nesta terça, em que contesta as afirmações do arcebispo, dizendo que seu comportamento é coerente com a trajetória em defesa das populações mais pobres. Também reafirmou sua posição de permanecer em greve de fome até quando for necessário.
http://www.agenciachasque.com.br/boletinsaudio2.php?idtitulo=e956a9f95f9f42a2c55e624b4fd3c714

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Brasil/Nota da Apoinme em apoio a Dom Luiz Cappio

Povos indígenas: "Solidariedade e apoio ao grande guerreiro Dom Luiz Flávio Cappio"
A Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo - APOINME vem a público manifestar a sua solidariedade e apoio ao grande guerreiro Dom Luiz Flávio Cappio pela brava coragem de estar em seu terceiro dia de jejum em protesto ao projeto de transposição do Rio São Francisco o nosso Rio "Opará". Aproveitamos para manifestar também o nosso repúdio a este projeto e a postura arbitrária e covarde do presidente Lula em viabilizar a execução do projeto de transposição através das forças armadas do Brasil (Exército) ressuscitando a memória da ditadura militar.
Sendo o Brasil signatário da Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) deveria promover uma consulta prévia junto aos povos indígenas que serão impactados pela transposição, são eles:
Tumbalalá na Bahia,Truká, Pipipã e Kambiwá em Pernambuco, Tapeba e Anacé no Ceará, para o consentimento livre e informado, cuja Convenção 169 garante aos povos indígenas. No entanto, vemos claramente que o presidente da República (Lula) bem como a grande maioria dos parlamentares que compõem o Congresso Nacional que não respeitam nem Constituição Federativa Brasileira lei maior do Brasil que dirá uma convenção internacional.
Mas, mesmo diante do autoritarismo do Governo Federal não podemos desistir de lutar e neste sentido lembramos a todos e todas que lerem essa mensagem que defender o Rio Opará (São Francisco) é uma tarefa não só dos povos e comunidades ribeirinhas e da bacia do rio, mas sim, uma responsabilidade e dever da sociedade brasileira. Por tanto reerguemos a nossa bandeira de luta "Revitalização sim, Transposição não", não podemos aceitar a implementação de um modelo de desenvolvimento a todo custo.

29 de novembro de 2007

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Brasil/Nota do Cimi em apoio a Dom Luiz Cappio e em defesa do rio São Francisco

Foto: Dom Luiz Cappio, bispo da Diocese de Barra (Bahia)

Opará. É assim que os povos indígenas que vivem ao longo do rio São Francisco chamam este rio. É o lugar onde vivem alguns de seus "encantados" e de onde eles tiram muito de seu sustento físico e cultural.
Em defesa do rio e de todos os povos que vivem dele, Dom Luiz Cappio, bispo da Diocese de Barra (Bahia), retomou ontem seu jejum e suas orações para tentar sensibilizar a sociedade brasileira e o presidente da República sobre os males que a Transposição do rio São Francisco pode gerar no nordeste do país.
O Cimi se solidariza a Dom Luiz em seu ato profético. Um recurso extremo ao qual ele apela novamente, pois o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não honrou o compromisso assumido em outubro de 2005. Na ocasião, Dom Cappio suspendeu um jejum de onze dias, após Lula ter se comprometido a suspender o processo da transposição e iniciar um amplo diálogo sobre o projeto com a sociedade. Dom Cappio e toda a sociedade se sentem enganados pelo presidente.
Dom Luiz e todas e todos que lutam em defesa do São Francisco sabem que a transposição não atenderá à população pobre do semi-árido. Ela beneficiará as grandes empresas responsáveis pela obra, os grandes proprietários de terra da região, os produtores de camarão, de flores e de outros produtos destinados à exportação.
Para atender à população do semi-árido, o próprio governo apresentou uma alternativa melhor e mais barata: as 530 obras sugeridas pela Agência Nacional de Águas (ANA) em seu Atlas do Nordeste e que seriam suficientes para abastecer os 1,3 mil municípios da região com mais de 5 mil habitantes a um custo muito inferior ao da transposição: R$ 3,6 bilhões contra R$ 6,6 bilhões.
A transposição, ao contrário, trará danos sociais e ambientais irreversíveis. A obra afetará 22 povos indígenas, desde os territórios Truká (em Pernambuco) e Tumbalalá (na Bahia) até o povo Anacé, no Ceará.
A vida do franciscano Dom Cappio e do rio São Francisco estão agora, mais do nunca, atreladas. E a vida do São Francisco é também a vida dos diversos povos indígenas, das comunidades dos quilombolas, de ribeirinhos, de camponeses... Todas essas vidas estão agora atreladas à vida de Dom Cappio. Todas essas vidas dependem de uma decisão do presidente da República.
Dom Cappio está na Capela de São Francisco, na Vila São Francisco, no município de Sobradinho (Bahia), às margens do rio, próximo à barragem de Sobradinho. O testemunho deste peregrino, que em 1992 realizou uma longa jornada da nascente à foz do rio, convoca-nos para um compromisso solidário, urgente e inadiável com esta causa.

Brasília, 27 de novembro de 2007.

Conselho Indigenista Missionário - Cimi

http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=2874&eid=341