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quarta-feira, 6 de julho de 2016

'NENHUM PAPA FOI TÃO LONGE NA CONDENAÇÃO AO CAPITALISMO COMO FRANCISCO' -- Michael Löwy



30 junho 2016, Carta Maior http://cartamaior.com.br (Brasil)

Correio da Cidadania

Segundo Michael Lowy, Francisco pretende levar a sério o compromisso da Igreja com os pobres e tentar reduzir o poder conservador da Cúria Romana.

O papado de Francisco continua a alvoroçar o catolicismo e a opinião pública mundiais, num pontificado que, ao lado da promessa de fomento à “opção pelos pobres”, tem ousado fazer críticas às engrenagens de um capitalismo em crise em níveis bem acima do esperado. Para discutir o papel daquele que muitos consideram o maior líder político da atualidade, o Correio da Cidadania, 21-06-2016, entrevistou o filósofo franco-brasileiro Michael Löwy, estudioso da Teologia da Libertação.

“Obviamente, ele pretende levar a sério o compromisso da Igreja com os pobres, suprimir os vínculos dos bancos do Vaticano com a máfia e tentar reduzir o poder conservador da Cúria Romana. Sua tentativa de elaborar uma concepção um pouco mais aberta da família e da sexualidade foi diluída pelo Sínodo dos Cardeais... Há muitas resistências. Parece que os setores mais reacionários da Igreja têm uma prece especial sobre Bergoglio: ‘Nosso Pai que está no Céu, ilumine-o ou

terça-feira, 26 de abril de 2016

BrasilMovimento Fé e Política condena golpe "patrocinado por corruptos"



25 abril 2016, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

 
Representantes do Movimento Nacional Fé e Política aprovaram, neste fim de semana, um documento condenando energicamente o golpe de Estado em curso no Brasil. O movimento reuniu centenas de militantes de movimentos sociais, de pastorais, sociólogos, cientistas polítcos, sindicalistas e teólogos, em Campina Grande, entre 22 e 24 de abril. 

De acordo com o documento, o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff é um golpe, "executado por forças antidemocráticas e antipopulares". Segundo o texto, a votação na Câmara dos Deputados, no último dia 17, deixou claro que se trata de uma "fraude patrocinada por pessoas corruptas e

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

PAPA FRANCISCO: É PRECISO IMPEDIR A TERCEIRA GUERRA MUNDIAL

20 setembro 2015, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

Darío Pignotti, enviado especial a Havana


O papa adverte sobre Terceira Guerra Mundial e pede para que os EUA aprofundem relações com Cuba. Frei Betto quer Prêmio Nobel da Paz para Francisco.

Batinas ao vento. O papa Francisco perde seu solidéu por alguns segundos, ontem, às 16h04 hora de Havana, enquanto descia as escadas do avião, já em Cuba, no Aeroporto José Martí, em pleno início da temporada de chuvas e furacões.

Francisco falou com o presidente Raúl Castro medindo cada palavra, com parcimônia: ele tem consciência de que esta é uma viagem histórica. É possível que essa turnê por Cuba e Estados Unidos marque o fim da Guerra Fria norte-americana contra Cuba, um país castigado por sua obstinação em ser soberano.

O chefe de Estado do Vaticano renovou suas intenções de aprofundar a aproximação entre Havana e Washington, iniciada em dezembro do ano passado, quando Raúl e Barack Obama anunciaram o reinício dos vínculos diplomáticos.

O papa pediu a Raúl e Obama que sejam capazes de dar “um exemplo de reconciliação para o mundo inteiro, um mundo que precisa de reconciliação em meio a esta Terceira Guerra Mundial”.

A referência à Terceira Guerra Mundial não constava no texto original, foi incluída pelo papa após reflexão durante o voo que saiu de Roma.

Sem dúvidas esta é a viagem mais importante de Francisco desde o começo do seu papado, iniciado no dia

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Brasil/A "LIBERDADE DE IMPRENSA" DO OPUS DEI

26 janeiro 2015, Blog do Miro http://altamiroborges.blogspot.com.br (Brasil)

Por Altamiro Borges

Em artigo publicado na Folha desta segunda-feira (26), o jurista Ives Gandra reforça a cruzada contra a ideia da regulação democrática da mídia. Apesar da presidenta Dilma Rousseff e do seu ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, já terem enfatizado que não pretendem discutir o "conteúdo" veiculado nas emissoras de rádio e tevê – mas sim a questão econômica dos monopólios midiáticos –, o renomado "doutor" insiste em afirmar que "a liberdade de imprensa está em perigo". O objetivo do artigo é o de confundir os leitores mais tacanhos. Mas qual a moral de Ives Gandra, representante da seita fascistóide Opus Dei, para bravatear sobre "liberdades"?

Segundo o jurista, a projeto que ainda nem foi apresentado visaria coibir a "a concentração de capital no controle" nos veículos de comunicação, sustentando que a "diluição desse controle entre outros participantes levaria a uma imprensa 'mais democrática'". Para o nobre advogado, porém, a badalada tese da livre concorrência capitalista não serve para o setor monopolizado da mídia. Ao defender a regulação econômica, a presidenta Dilma

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Brasil/Boff: NÃO HOUVE APENAS UMA ALTERNÂNCIA DE PODER, MAS DE CLASSE

17 de setembro de 2014, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

O teólogo Leonardo Boff foi um dos intelectuais que lideraram na noite da última segunda-feira (15) o ato de apoio à reeleição de Dilma Rousseff.
Boff ressaltou que foi realizada uma "revolução pacífica democrática" em 12 anos de governos progressistas, e o desempenho econômico do país em meio a uma crise econômica mundial, com a criação de empregos enquanto as grandes economias desempregavam.



"Quando percebemos conquistas fundamentais que beneficiam o povo, o intelectual não pode ficar equidistante, não pode ficar neutro, ele tem que tomar posição", destacou Boff.

Não deixou de destacar, também, o "longo caminho a percorrer", com urgências como a reforma política e a agrária, além de um melhor planejamento das cidades.

"É próprio dos intelectuais, que tentam pensar o todo, manter certa distância e certa equidade face aos partidos (políticos). Mas há um momento na história em que, quando

sábado, 6 de setembro de 2014

Brasil/“COM MARINA: OS POBRES PERDERAM UMA ALIADA E OS RICOS GANHARAM UMA LEGITIMADORA”

4 setembro 2014, Leonardo Boff http://leonardoboff.wordpress.com (Brasil)

Entrevista com o teólogo brasileiro Leonardo Boff, conhecido internacionalmente pelo seu trabalho na promoção da Teologia da Libertação. No Brasil, apoiou o lançamento de Marina Silva na política. (Mercosul & CPLP)

Entrevista publicada em 3 de setembro de 2014 às 18:48 por Conceição Lemes para o Portal VIOMUNDO. Veja a íntegra da nossa entrevista (com alguns retoques do autor)

Viomundo — Na última sexta-feira, Marina lançou o seu programa de governo, que previa o reconhecimento da união homoafetiva e a criminalização da homofobia. Bastou o pastor Malafaia (1) tuitar quatro frases para ela voltar atrás. O que achou dessa postura? É cristão não criminalizar a homofobia, que frequentemente provoca assassinatos?
Leonardo Boff — Está ficando cada vez mais claro que Marina tem um projeto pessoal de ser presidente, custe o que custar. Numa ocasião, ela chegou a declarar que um dos objetivos desta eleição é tirar o PT do poder, o que faz supor mágoas não digeridas contra o PT que ajudou a fundar.

O Malafaia, líder da Igreja Assembleia de Deus à qual Marina pertence, é o seu Papa. O Papa falou, ela, fundamentalisticamente obedece, pois vê nisso a vontade de Deus. E, aí, muda de opinião. Creio que não o faz por oportunismo político, mas por obediência à autoridade religiosa, o que acho, no regime democrático, injustificável.

Um presidente deve obediência à Constituição e ao povo que a elegeu e não a uma autoridade exterior à sociedade.

Viomundo — Qual o risco para a democracia brasileira de alguém na presidência estar submissa a visões tão retrógradas em pleno século XXI, ignorando os avanços, as modernidades?
Leonardo Boff — Um fundamentalista é um dos atores políticos menos indicado  para exercer o cargo da responsabilidade de um presidente. Este deve tomar decisões dentro dos parâmetros constitucionais, da democracia e de um estado laico e pluralista. Este tolera todas as expressões religiosas, não opta por nenhuma, embora reconheça o valor delas para a qualidade ética e espiritual da vida em sociedade.

Se um presidente obedece mais aos preceitos de sua religião do que aos da Constituição, fere a democracia e entra em conflito permanente com

sexta-feira, 19 de julho de 2013

O QUE O PAPA VEM FAZER NO BRASIL?



18 julho 2013, Blog do Emir Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

 

Emir Sader

 

Estava na programação do papa anterior, que o novo papa cumpre, a visita ao Brasil. É claramente parte de um plano do Vaticano para tentar recuperar terreno perdido nas últimas décadas no continente considerado o mais católico do mundo.

O Papa João Paulo II havia feito uma opção estratégica de alinhamento com os EUA e a Inglaterra, para protagonizar, junto com Ronald Reagan e Margareth Thatcher, a ofensiva final contra a URSS, para provocar o desenlace favorável ao bloco imperialista na guerra fria. Fez parte disso a repressão e o enfraquecimento fundamental da teologia da libertação – que poderia ter sido a versão popular do catolicismo.

A forte ofensiva do Vaticano contra a teologia da liberação matou a galinha dos ovos de ouro do catolicismo e abriu campo para todas as variantes evangélicas, que ocuparam o espaço que poderia ter sido ocupado pela teologia da libertação. Ao invés de se fortalecer, a Igreja Católica entrou numa profunda – e provavelmente irreversível – decadência.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

CONGRESSO CONTINENTAL DE TEOLOGIA: UM NOVO ''SINAL DOS TEMPOS'' DO FAZER TEOLÓGICO

26 agosto 2011/ADITAL Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
http://www.adital.com.br

IHU - Unisinos *

Por Moisés Sbardelotto

Não só fazer memória da experiência teológica, mas também olhar para o futuro: foi com essa intenção que, na noite desta quinta-feira (25), representantes de diversas organizações eclesiais e teológicas se reuniram no Instituto Humanitas Unisinos - IHU para o lançamento oficial do sítio do Congresso Continental de Teologia, que será realizado em outubro de 2012, na Unisinos. O Congresso será uma ocasião especial para celebrar dois fatos significativos para a Igreja na América Latina e Caribe: os 50 anos da inauguração do Concílio Vaticano II, celebrada pelo Papa João XXIII, e os 40 anos da publicação do livro Teologia da Libertação. Perspectivas, de Gustavo Gutiérrez, que inaugura a trajetória da teologia no continente. Assim, olhando para o futuro, prospectivamente, o Congresso buscará refletir e debater os desafios e as tarefas futuras da teologia na América Latina, a partir do novo contexto, globalizado e excludente.

Acolhidos pelo diretor do IHU, Prof. Dr. Inácio Neutzling, SJ, estiveram presentes, entre outros, o Prof. Dr. Alfonso Carlos Larrauri Palácio, SJ, vice-presidente da Conferência de Provinciais Jesuítas da América Latina (CPAL) e provincial jesuíta do Brasil; Prof. Dr. Marcelo Fernandes de Aquino, SJ, reitor da Unisinos; Prof. Dr. Pedro Gilberto Gomes, SJ, pró-reitor acadêmico da Unisinos; Claudio Werner Pires, SJ, secretário da província jesuíta do Brasil Meridional; Attilio Hartmann, SJ, diretor da Associação Cultural e Beneficente Pe. Reus; Prof. Dr. Oneide Bobsin, reitor da Escola Superior de Teologia (EST); Ermanno Allegri, diretor-executivo da Agência de Informação Frei Tito para a América Latina (Adital); Prof. Dr. Edelberto Behs, coordenador da graduação em Comunicação Social da Unisinos e membro da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC); dentre outras autoridades.

O encontro no IHU também ajudou a lançar o debate proposto pelo Congresso e vislumbrar alguns aspectos centrais da relevância do evento. Para isso, a Ir. María del Socorro Martínez (México), Pablo Bonavia (Uruguai) e Roberto Urbina (Chile), em nome da Fundação Ameríndia, membro da comissão organizadora do Congresso, ressaltaram em suas falas alguns pontos de destaque na organização prévia do evento, que já vem ocorrendo, e aquilo que é possível esperar para outubro de 2012.

Palavra e profecia
A Ir. Socorro relatou um pouco do histórico da preparação do evento, que surgiu como uma intuição, a partir das duas grandes comemorações que ocorrerão no ano que vem. Assim, ainda em setembro de 2009, ocorreu uma reunião com diversas universidades e organizações, em que, entre sentimentos como cautela, receio, entusiasmo ou aversão, foi possível avaliar se aquela que era apenas uma intuição poderia ganhar corpo. "Foi um lento processo de construção conjunta", afirmou a religiosa.

A ideia, contou, era realizar o evento em Bogotá, Colômbia, por ser um lugar cêntrico no continente, mas, vendo a realidade do país e da Igreja local, avaliou-se que o Brasil tinha uma situação melhor. A Ir. Socorro agradeceu, por isso, a disposição do IHU, pela estrutura oferecida, e ressaltou a importância de se localizar em um país com maior abertura política e eclesial.

Em seguida, a religiosa também rememorou as Jornadas Regionais prévias, das quais duas já ocorreram: a da América Central e Caribe, na Guatemala, e a do Cone Sul e Brasil, no Chile. "A proposta - disse - foi a de nos mobilizarmos como comunidade teológica, em um processo que vai somando as contribuições de acordo com o contexto de cada região".

Na Jornada da Guatemala, afirmou a Ir. Socorro, fez-se uso de uma teologia narrativa, dos processos de fé locais. Assim, tiveram destaque central os migrantes, que saem da América Central rumo aos EUA, as mulheres e o seu lugar na Igreja e na sociedade, os indígenas, em sua defesa da terra e dos recursos naturais, a realidade do Caribe, com uma pequena comissão representante, manifestando também a resistência do povo do Haiti, e o testemunho dos catequistas guatemaltecos, que sofreram a tortura nos anos da repressão e da ditadura. Embasados pela teologia índia, também foram celebrados, assim, os mártires e profetas da região, que nutrem e alimentam a experiência teológica.

Além dessas, lembrou a Ir. Socorro, serão realizadas a Jornada da Região Norte, entre os dias 5 e 8 de outubro deste ano, no México, e a Jornada dos Países Andinos, nos dias 19, 20 e 21 de outubro, na Colômbia.

"As jornadas vão deixando desafios que terão que ser retomados no congresso, como a mobilização, o fato de dar luz ao tempo que estamos vivendo no meio dessa mudança de época", afirmou a Ir. Socorro. Nesse sentido, brincou, "o site do Congresso vai entusiasmar todo o continente". E fez um apelo: "Que o Espírito nutra essa intuição de 2009, sem perder a vista de Quem nos chamou primeiro, nessa tarefa de libertação dos nossos povos. Apesar do crescimento do Brasil, ainda há uma grande maioria que precisa de muitas coisas, e nesse contexto a teologia tem que dizer a sua palavra e ser profeta", resumiu.

Protagonismo reflexivo
Já o teólogo leigo Roberto Urbina relatou a experiência da Jornada do Chile, que reuniu mais de 300 pessoas, superando em muito a expectativa para o contexto chileno, e com o envolvimento de 14 instituições. Urbina também lembrou que a Jornada assumiu o nome de um teólogo muito importante e significativo para o Chile: Ronaldo Muñoz, que foi, afirmou, o "rosto e o selo da Jornada".

Para Urbina, dois aspectos foram centrais na Jornada chilena. O primeiro, os eixos temáticos escolhidos, que abordaram um conceito fundamental: "Pôr a teologia em diálogo com as outras demandas e perguntas feitas hoje pela sociedade contemporânea a respeito de Deus", afirmou. Nesse sentido, comparou essa proposta ao eixo Teologia Pública já desenvolvido pelo IHU.

Um segundo aspecto, disse, foi a metodologia da Jornada. "Não foi um congresso típico, com conferências e debates em grupo. Todos os participantes foram convidados a ser protagonistas do processo reflexivo e de um pensamento que possa contribuir com o pensamento teológico, uma contribuição que pode ser assumida pela reflexão dos teólogos/as", afirmou.

Houve, no entanto, algumas limitações, como a fraca participação ecumênica e a pouca articulação nos conteúdos. Mas um dos resultados da Jornada do Chile, comentou Urbina, foi o de reunir um bom material de reflexão que será publicado em livro, disponibilizando como aporte de preparação ao Congresso, além da notável quantidade de jovens interessados nesse olhar teológico específico.

Sinal dos tempos
O Congresso, além disso, buscará refletir e reatualizar a herança do Concílio Vaticano II para a teologia. Foi a partir dessa ideia que o teólogo e sacerdote Pablo Bonavia explicou o sentido dessa herança: "Fazer teologia é ler os sinais dos tempos, a ação do Espírito". Segundo Bonavia, "estamos vivendo o tempo dos emergentes, entre países e dentro dos países. O mapa mundial - continuou - está mudando de um mundo unipolar, centrado nos EUA, para um mundo multipolar". E, nesse contexto, "a agenda mundial está cada vez mais habitada por preocupações que vêm do Sul".

Assim, em meio a essa "distribuição diferente do poder", surge a emergência de movimentos populares como os do norte da África, o movimento estudantil no Chile, dentre outros. E a teologia também não passa imune a esse processo. "Na Igreja também estamos diante da possibilidade de viver um tempo de emergência", afirmou Bonavia.

O Vaticano II, disse, também deixou outra herança: a do "Povo de Deus como sujeito do fazer teológico e eclesial". "Todos e todas, leigos e leigas, temos o mesmo carisma profético", afirmou.

Por outro lado, o Congresso também celebrará os 40 anos da teologia da libertação. E essa modalidade de pensar Deus, segundo Bonavia, nos ensinou primeiro que a "teologia é momento segundo de dizer a experiência de Deus a partir da contemplação e da prática dos cristãos". E, em segundo lugar, a "hermenêutica dos pobres", ou seja, que "há coisas no mundo que só se veem a partir da perspectiva dos excluídos".

É por isso, afirmou Bonavia, que "o Congresso poderá dizer uma palavra muito atual, não só fazer memória, mas para olhar para o futuro", nos contextos espiritual, teológico e prático. Assim, concluiu o teólogo, o desafio "não é só interpretar melhor os sinais dos tempos, mas também fazer desse Congresso um sinal dos tempos" no contexto social, eclesial e teológico contemporâneo.

Por último, o Prof. Dr. Marcelo Fernandes de Aquino, SJ, reitor da Unisinos, lembrou que o IHU busca, desde a sua origem, propôr uma reflexão acerca das gramáticas teológicas que ajudam a anunciar o Evangelho. Nesse contexto, a Unisinos se felicita por poder acolher o Congresso em seu câmpus, como forma de contribuir nesse debate e na reflexão das narrativas teológicas hoje.

Sítio
E, assim, dentro desse amplo contexto de debate, foi lançado o sítio oficial do Congresso, em versão trilíngue - português e espanhol, idiomas oficiais do evento, e inglês. Será por meio do site que os participantes poderão fazer as suas inscrições (a partir de março de 2012) e acompanhar todas as notícias e informações necessárias.

O sítio está disponível em
www.unisinos.br/congresso-de-teologia.

O Congresso Continental de Teologia é organizado pela Fundação Ameríndia (Uruguai), pela Adital (Brasil), pela Associação de Teólogos do México (ATEM, México), pela Conferencia Latino-Americana de Religiosos (CLAR, Colômbia), pelo IHU, pelo Instituto Teológico-Pastoral para América Latina (Itepal, Colômbia), pela Pontifícia Universidade Javeriana (PUJ, Colômbia), pela Rede Teológico-Pastoral (Guatemala) e pela Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (Soter, Brasil). O evento irá ocorrer entre os dias 8, 9, 10 e 11 de outubro de 2012, na Unisinos.

*Instituto Humanitas Unisinos

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil

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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Brasil/Frei Betto ya está en Twitter (+ Video)

10 junio 2010/CUBADEBATE. Contra el Terrorismo Mediático
Círculo de Periodistas Cubanos contra el Terrorismo http://www.cubadebate.cu

El teólogo brasileño Frei Betto, autor del libro Fidel y la Religión, abrió su página en la red social Twitter con el usuario @freibetto, y conversó al respecto con Cubadebate en La Habana.

Betto elogió la presencia del presidente venezolano Hugo Chávez en Twitter a través de la cuenta @chavezcandanga con 560 000 seguidores, un hito en el uso de estas tecnologías desde la izquierda.

“Twitter es un espacio de democracia, de opiniones, donde se puede expresar la izquierda para defender los derechos de los oprimidos y los sueños de una sociedad socialista y de un futuro mejor para la humanidad”, aseguró.

El fraile dominico, quien intervino en el II Coloquio internacional “José Martí por una cultura de la naturaleza”, que sesionará en La Habana hasta este viernes, no comparte cierto desdén que adoptan algunos sectores de la izquierda frente a las redes sociales en la Internet.

“Cuando los chinos inventaron el papel y, luego, la reproducción de los escritos, que equivocadamente mucha gente piensa que fue inventada por Gutenberg, la izquierda de la época protestó porque prefería pergaminos y otros medios más antiguos. Es una tontería no ocupar ese espacio que ofrece las nuevas tecnologías”, dijo.

Y añadió: “La nueva tecnología ha llegado para quedarse y nosotros tenemos que hacer ahí nuestras trincheras de ideas, de debate, de discusión.”

Aseguró que “todos los gobiernos progresistas deberían tener un ministerio de la Internet… Creo que Chávez hace muy bien en estar en Twitter y en otras redes, en todos esos espacios tecnológicos nuevos”.

Brasil y América Latina han sido mejores con Lula
Para Betto “el gobierno de Lula ha sido el mejor en la historia la República. Brasil y América Latina son mejores con Lula, que sin Lula”.

Dijo que “ahora estamos en la batalla por elegir a Dilma Rousseff, que es la sucesora de Lula, para seguir sobre todo garantizando esa nueva geopolítica de América Latina que yo califico de ‘Primavera Democrática’”.

Los dos candidatos, Dilma y José Serra, de la oposición, “están equiparados en las encuestas. Mas creo que con más del 80 por ciento de aprobación de la población al gobierno de Lula, seguramente Dilma va a ganar las elecciones de octubre”.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Brasil/José Oscar Beozzo: DOM HELDER, PASTOR DA LIBERTAÇÃO EM TERRAS DE MUITA POBREZA

IHU - Unisinos *

Reportagem de Moisés Sbardelotto

Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
12 fevereiro 2009/ADITAL http://www.adital.com.br

Adital - Ao se completarem os 100 anos de nascimento de Dom Helder Camara, no sábado, 07 de fevereiro, a Igreja do Brasil tem muito a agradecer e a se inspirar na vida e na obra do querido "Dom", como ficou conhecido.
Nesta entrevista especial, concedida por e-mail a IHU On-Line, padre José Oscar Beozzo, um dos maiores historiadores da Igreja na América Latina, comenta alguns traços da vida do grande arcebispo de Olinda e Recife, um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Para Beozzo, os leigos e as leigas foram os "mestres de vida" de Dom Helder "para a atuação no mundo e para uma espiritualidade longe dos ranços clericais". O Recife e o Nordeste, segundo o coordenador-geral do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (Cesep), tornaram-se "sua trincheira de onde fala ao Brasil, mas também à América Latina e ao mundo". E analisa ainda a atuação internacional de Dom Helder, especialmente durante o Concílio Vaticano II, no qual, mesmo nunca tendo falado na Aula Conciliar, "tornou-se um dos mais ouvidos e respeitados padres conciliares".
José Oscar Beozzo é padre e teólogo, com mestrado em Sociologia da Religião, pela Université Catholique de Louvain (Bélgica) e doutorado em História Social, pela Universidade de São Paulo (USP). Faz parte do Centro de Estudos de História da Igreja na América Latina (CEHILA-Brasil), filiado à Comissão de Estudos de História da Igreja na América Latina e no Caribe (CEHILA). Também é sócio fundador da Agência de Informação Frei Tito para a América Latina (ADITAL). É autor de inúmeros livros, entre os quais "A Igreja do Brasil" (Vozes, 1993).

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Há 100 anos, nascia Helder Pessoa Câmara, o futuro arcebispo de Olinda, reconhecido mundialmente pelo seu trabalho voltado a uma igreja mais simples, em contato com os pobres e pela não-violência. Quais foram os grandes passos que levaram aquele pequeno menino a ser um bispo católico reconhecido mundialmente, tendo recebido dezenas de prêmios internacionais, com quatro indicações ao prêmio Nobel da Paz?
José Oscar Beozzo - Os passos de Dom Helder não podem ser desconectados de algumas conjunturas nacionais, latino-americanas e internacionais que o interligaram com pessoas e eventos excepcionais.
Desde os tempos do seminário, interessou-se pela imprensa, tornando-se propagandista de O Nordeste, jornal da diocese, para o qual angariava assinaturas, o que lhe valeu memorável encontro com o Pe. Cícero, no Juazeiro. Começou também a publicar artigos na imprensa de Fortaleza, escondido por pseudônimo, até ser proibido pelo reitor do seminário. Posteriormente, imprensa escrita, rádio e televisão foram sempre instrumentos que manejava com maestria para passar adiante seus ideais, valores e mensagem.
O diácono Helder é ordenado padre em 1929, no turbilhão e desmoronamento do mundo econômico liberal na crise daquele ano. No ano seguinte, com as eleições presidenciais e a revolução de 1930, é o Brasil das oligarquias que rui. Entram em cena novos atores sociais no panorama político: os Estados da federação, de modo particular do Nordeste e do Norte, mais Rio Grande do Sul, até então excluídos da partilha do poder, concentrado em São Paulo e Minas Gerais, pela aliança café-com-leite; as classes médias urbanas; a classe operária; os tenentes do Exército, mas também a Igreja Católica alijada dos jogos do poder pelo laicismo republicano. Getúlio Vargas liquidou com a república velha e seu modelo agrário exportador, dando lugar a um projeto de desenvolvimento nacionalista, apoiado na industrialização do país e num pacto populista que uniria o empresariado nacional e os operários, sob a proteção, mas também controle direto, do Estado.
No Ceará, a Liga Eleitoral Católica (LEC) funcionou quase como partido político, tendo na sua coordenação o jovem Pe. Helder Câmara, que se aproximou dos integralistas de Plínio Salgado, abraçando seu ideário político. Em 1935, foi convidado pelo novo governador para assumir uma secretaria de governo, como diretor geral da instrução pública, no que seria hoje a secretaria de educação, num claro sinal desse retorno das hostes católicas ao jogo político. No final desse ano, atritos com o governador, na condução da política educacional, levam-no a pedir demissão e partir do Ceará para o Rio de Janeiro.
Funcionário público e discípulo de Dom Leme
No Rio de Janeiro, foi acolhido pelo conterrâneo Lourenço Filho no Ministério da Educação, dirigido por Gustavo Capanema. Em 1939, passou em concurso público para funções técnicas no Ministério. Na Igreja do Rio, foi recebido pelo Cardeal Dom Sebastião Leme. O Cardeal representou, internamente para a Igreja Católica, um contraponto ao projeto político de Vargas.
Leme tentou superar a atomização da Igreja e o isolamento das dioceses entre si, buscando estabelecer uma estratégia clara de ação e uma articulação do Episcopado para implementá-la. Reuniu os bispos em torno de si em maio e outubro de 1931 e depois para o Concílio Plenário Brasileiro, em 1939, com o intuito de traçar linhas de ação comuns. Tirou a Igreja da defensiva em que fora encurralada pela República Velha, trazendo-a para uma agenda propositiva, numa jornada em que foi auxiliado pela combatividade de Jackson de Figueiredo, da revista Ordem, do Centro Dom Vital, e pela densidade cultural, capacidade de escuta e articulação de Alceu Amoroso Lima à frente das instituições fundadas por Jackson de Figueiredo, da Liga Eleitoral Católica e depois da Ação Católica Brasileira (ACB).
Leme criou ainda, em 1935, a ACB, com abrangência nacional, mobilizando o laicato para uma atuação mais aguerrida nas estruturas sociais, políticas e culturais do país. Na capital da república, Helder trabalhou ainda como técnico do Ministério da Educação, entrando em contato com todo o debate sobre os rumos da educação no Brasil e a crescente atuação governamental nesse campo. Esse trabalho rendeu-lhe preciosos conhecimentos e contatos em toda a estrutura governamental. Essas relações seriam fundamentais no campo das relações entre a Igreja e o Estado, em sua posterior trajetória como bispo auxiliar no Rio de Janeiro e como secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Os leigos e as responsabilidades nacionais e internacionais
Através da Ação Católica de Pio XI, leigos e leigas foram seus mestres de vida, para a atuação no mundo e para uma espiritualidade longe dos ranços clericais. No Rio, o então Pe. Helder Câmara prosseguiu com seu envolvimento com os leigos, iniciado no Ceará com a Juventude Operária Católica, a Legião Cearense do Trabalho e a Liga dos Professores Católicos. Em 1950, tornou-se Assistente da nova ação católica especializada, convertendo em nacional seu raio de ação até então limitado ao Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano de 1950, suas funções de assistente nacional da Ação Católica levaram-no por primeira vez a Roma, para o Congresso Internacional da Ação Católica. Essa viagem propiciou-lhe o primeiro contato com Mons. Giovanni Baptista Montini, principal auxiliar do Papa Pio XII, a quem propusera a criação da Conferência dos Bispos do Brasil.
A criação da CNBB, em 1952, replicou em nível episcopal a plataforma de atuação nacional em que havia operado em nível do laicato. O papel de articulação que havia cumprido Dom Leme, pessoalmente, como cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, até sua morte prematura em 1942, passou a ser cumprido institucionalmente, de certa maneira, pela Ação Católica, mas, sobretudo, pela CNBB. O motor era, porém, o próprio Dom Helder, recém nomeado bispo auxiliar do Rio de Janeiro e que assumiu a Conferência como seu primeiro secretário-geral, permanecendo nessa posição estratégica durante 12 anos, até 1964. Sua amizade com o Núncio Armando Lombardi, com quem se reunia a cada sábado, permitiu que uma legião de padres envolvidos na Ação Católica, com trabalhos valiosos na pastoral e na formação, fosse promovida ao episcopado, compondo um novo rosto da Igreja brasileira, mais próxima do povo, mais comprometida em suas lutas por superação da pobreza e por justiça e dignidade.
O XXIX Congresso Eucarístico Internacional do Rio de Janeiro, em 1955, projetou Dom Helder como o grande organizador desse evento internacional e da I Conferência Geral do Episcopado Latino-americana, realizada logo em seguida. Da Conferência, resultou a criação do Conselho Episcopal Latino-americano, o CELAM. Em 1959, Dom Helder foi eleito um dos seus vice-presidentes.
O Congresso Eucarístico deu-lhe oportunidade para transformar a grande mobilização para organizá-lo, em iniciativas sociais de grande vulto, como a Cruzada São Sebastião, que pretendeu erradicar as favelas do Rio de Janeiro. Dom Helder constataria tempos depois, com certo desalento, que as favelas renasciam logo à frente, mais numerosas e esquálidas. A infra-estrutura humana do Congresso ensejou-lhe a promoção da Feira e do Banco da Providência, retaguarda para inúmeras iniciativas no campo social. O CELAM ofereceu-lhe uma plataforma continental para sua atuação e para a difusão de suas idéias e projetos, em perfeita sintonia com seu entranhado amigo, Dom Manuel Larraín, bispo de Talca, no Chile. O Concílio Vaticano II abriu para os dois - mas de modo particular para Dom Helder, com sua retórica inflamada e sua imaginação e audácia sem limites - a cena internacional.
IHU On-Line - O que caracterizou o trabalho de Dom Helder Camara como bispo e arcebispo de Olinda? Quem foi o pastor Dom Helder, tanto para a Igreja local quanto para a Igreja do Brasil?
José Oscar Beozzo - Olinda e Recife fizeram, por primeira vez de Dom Helder, o pastor com inteira responsabilidade, de uma porção concreta do povo de Deus, no coração do Nordeste, em terras de muita pobreza, mas também de tradição, lutas e esperança.
No Rio de Janeiro, como bispo auxiliar e depois como arcebispo, mas sempre auxiliar, teve sua ação cada vez mais cerceada pelo Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara, cujas visões de Igreja e de sociedade foram cada vez mais se distanciando.
Dom Helder chega ao Recife em 11 de abril, sob o estigma de opositor do novo regime militar apenas instalado com o golpe de 31 de março de 1964. Logo depois, em outubro, é despojado da liderança institucional de secretário-geral da CNBB.
Recife e o Nordeste tornam-se então sua trincheira de onde fala ao Brasil, mas também à América Latina e ao mundo. Mantém um contato diário com seu povo, pela Rádio Olinda, com meditações diárias; anima a criação de grupos de reflexão, leitura bíblica, oração, solidariedade e ação social, apelidados de Encontro de Irmãos.
Lança a Operação Esperança, levando a reforma agrária às terras da arquidiocese e toma outras iniciativas no campo pastoral: noites de encontro com intelectuais e artistas, mas também com sindicalistas, estudantes secundários e universitários. Percorre os bairros, mocambos e favelas do Recife e do interior em contato direto com a população mais pobre.
De Recife, apoiado por um bom número de bispos do Nordeste e superiores religiosos provinciais e articulado por Dom Helder, partiu o primeiro grito mais consistente de crítica social e política ao regime militar, com o Manifesto de 1973: "Ouvi os clamores de meu povo". O documento, considerado subversivo pelo regime, só pode se espalhar clandestinamente em edições mimeografadas e prontamente recolhidas pelos militares e pela polícia quando encontradas.
Dom Helder foi calado pelo regime militar e colocado no mais rigoroso ostracismo, mormente após o AI-5, em 1968. Foi proibido pela censura que rádios, jornais e televisões de todo o país retransmitissem suas mensagens ou até escrevessem ou pronunciassem seu nome. Só no exterior podia ele falar livremente a multidões cada vez mais numerosas e entusiastas, num sem número de países, mormente na Europa, Estados Unidos e Canadá. Sua forte presença internacional incomodou alguns episcopados, regimes políticos e finalmente Roma, que também cerceou e limitou suas viagens e pronunciamentos.
Nesse sentido, valeu por uma reabilitação, o abraço do Papa João Paulo II a Dom Helder, quando de sua visita ao Brasil em 1980. Ao descer do avião no aeroporto de Guararapes no Recife, ao mesmo tempo em que abraçava o arcebispo banido, exclamou, diante de todos os meios de comunicação do país: "Dom Helder, irmão dos pobres, meu irmão"!
IHU On-Line - Qual foi o papel de Dom Helder dentro do Concílio Vaticano II? Como ele colaborou para que as discussões e mudanças ocorridas em Roma chegassem até o Brasil?
José Oscar Beozzo - No Concílio Vaticano II, Dom Helder cumpriu um duplo papel, de animador e incentivador de propostas e iniciativas corajosas e proféticas, e de articulador incansável da maioria conciliar.
Valendo-se da posição estratégica que ocupava no terceiro maior episcopado mundial, como secretário-geral da CNBB e de sua função de vice-presidente do CELAM, que estreitava laços e de algum modo representava os 600 bispos latino-americanos e caribenhos, quase um quarto do episcopado mundial, Dom Helder mobilizou a ambos os episcopados para uma iniciativa audaciosa. Semanalmente na Domus Mariae, local de residência, durante o Concílio, dos bispos do Brasil, Dom Helder, junto com Larrain do CELAM e Etchegaray, secretário da Conferência Episcopal francesa, com o apoio do Cardeal Suenens, um dos moderadores do Concílio, passou a reunir representantes das conferências episcopais da Europa, Ásia, África, Oceania e Américas.
Essas reuniões influenciaram a agenda, as votações e os conteúdos do Concílio, por sua capacidade de refletir, avaliar, propor e articular uma ação concertada dos principais episcopados, vertebrando de certo modo a assembléia conciliar.
Dom Helder participou igualmente de algum dos grupos informais mais atuantes no Concílio, como o Grupo da Igreja dos Pobres, que reunia bispos dos vários continentes preocupados com o compromisso da Igreja com os pobres e com suas lutas para superar os males da pobreza e da miséria, por meio de maior justiça e de um desenvolvimento integral que atingisse a todos, de modo particular, os mais empobrecidos enquanto países e classes sociais.
Articulou o nascimento do Opus Angeli, grupo que acertou uma forma organizada de teólogos e especialistas nas diferentes ciências humanas e sociais de prestarem uma assessoria qualificada ao episcopado brasileiro. Essa colaboração foi estendida depois a outros episcopados e, sobretudo, às conferências episcopais articuladas entre si no Grupo da Domus Mariae.
Em relação ao episcopado brasileiro, tomou iniciativa e incalculável alcance o ciclo de Conferências, que passou a ser organizado na Domus Mariae a partir da primeira sessão conciliar e que se ampliou e a diversificou nas três sessões subseqüentes. Ali, para cada um dos temas em discussão na Aula Conciliar, foram convidados os melhores teólogos e especialistas dos vários países para falar aos bispos do Brasil, qualificando o episcopado brasileiro para uma participação cada vez mais consciente e fundamentada nos debates, propostas e votações conciliares. Fez assim, da CNBB, um verdadeiro Fórum de debates de todos os temas e assuntos conciliares, por mais difíceis e delicados que fossem.
Essa longa e enriquecedora convivência romana ao longo das quatro sessões conciliares fez da CNBB o episcopado que melhor se preparou para a recepção conciliar, o único a sair de Roma com um plano de aplicação do Concílio, pensado, debatido e votado no seu conjunto e detalhes e que foi batizado de PPP: Plano de Pastoral de Conjunto.
Dom Helder, que nunca falou na Aula Conciliar, tornou-se um dos mais ouvidos e respeitados padres conciliares. Sua voz que não se fez ouvir na Basílica de São Paulo estava quase que diariamente presente nos meios de comunicação social, com inumeráveis entrevistas e conferências, que eram retransmitidas pelas rádios e televisões de todo o mundo.
Sua grande tribuna conciliar foram os meios de comunicação social, tendo-se tornado um amigo de centenas de jornalistas que cobriram regularmente o Concílio de 1962 a 1965. Isso ajuda a explicar e enorme audiência internacional de Dom Helder, também nos anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II.
IHU On-Line - Muito se comenta sobre o "Pacto das Catacumbas", documento assinado por cerca de 40 padres, nas catacumbas de Domitila, em Roma, durante o Concílio, que teve grande influência na Teologia da Libertação. Poderia contar-nos mais detalhes sobre esse pacto?
José Oscar Beozzo - O Pacto das Catacumbas foi firmado pelos bispos pertencentes ao grupo Igreja dos Pobres. Quase 500 outros bispos aderiram ao documento, cujo título era: "O Pacto da Igreja pobre e servidora", explicando assim seu impacto em praticamente toda a Igreja, indo da Europa, passando pela Ásia, África e chegando a América Latina, onde se encontrava o grupo mais numeroso de bispos comprometidos com essa linha de pensamento e ação.
O Pacto se desdobrava em 13 compromissos assumidos conjuntamente pelos seus signatários no sentido de viverem pobremente, quanto à habitação, vestuário, alimentação e meios de locomoção.
Isso explica porque Dom Helder, assim que pode, deixou o Palácio Episcopal de Manguinhos e foi viver pobremente na sacristia da Igreja das Três Fronteiras, no Recife, ou que nunca tenha tido um automóvel ou motorista ou ainda que usasse sua surrada batina branca, com apenas uma cruz de madeira, como insígnia episcopal.
A entrega das terras da arquidiocese a camponeses pobres que ali trabalhavam, empenhando-se em dar-lhes assistência técnica, jurídica e social para que conquistassem autonomia e cidadania, enquadrava-se nos compromissos do Pacto das Catacumbas que propunha ainda:
"Achando a colegialidade dos bispos sua realização mais evangélica na assunção do encargo comum das massas humanas em estado de miséria física, cultural e moral - dois terços da humanidade - comprometemo-nos:
- a participar, conforme nossos meios, dos investimentos urgentes dos episcopados das nações pobres;
- a requerermos juntos, ao plano dos organismos internacionais, mas testemunhando o Evangelho, como o fez o Papa Paulo VI na ONU, a adoção de estruturas econômicas e culturais que não fabriquem nações proletárias num mundo, cada vez mais rico, mas sim permitam às massas pobres, saírem de sua miséria".
O Pacto propunha também uma mudança radical das relações entre os bispos e os leigos e leigas, sacerdotes e religiosos/as:
"Comprometemo-nos a partilhar na caridade pastoral, nossa via com nossos irmãos em Cristo, sacerdotes, religiosas e leigos, para que nosso ministério constitua um verdadeiro serviço. Assim:
- esforçar-nos-emos para "revisar nossa vida com eles";
- suscitaremos colaboradores para serem mais animadores, segundo o Espírito, do que chefes, segundo o mundo;
- procuraremos ser o mais humanamente presentes, acolhedores...;
- mostrar-nos-emos abertos a todos, seja qual for a sua religião".
IHU On-Line - A partir da assinatura do Pacto, qual a relação de Dom Helder com a Teologia da Libertação?
José Oscar Beozzo - Em relação à Teologia da Libertação, Dom Helder instaurou em sua vida e em sua ação pastoral local e internacional, práticas profundamente libertadoras. Tanto no Concílio, como de modo particular em Medellín e Puebla, foi um dos inspiradores e realizadores da opção preferencial pelos pobres.
Sua prática libertadora serviu de inspiração e estímulo à reflexão teológica, e seu Instituto Teológico em Recife, o ITER, foi um dos principais laboratórios e centros de produção de uma teologia da libertação colada à prática das comunidades eclesiais de base e aos movimentos populares.
Dom Helder foi um bispo e um pastor da libertação, não se considerando ele mesmo um teólogo, e sim um inspirador e animador da reflexão teológica libertadora.

* Instituto Humanitas Unisinos

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Brasil/Sob a chuva da Amazônia, todos os povos reunidos

Representantes de todos os cantos do mundo celebram o “outro mundo possível”

Renato Godoy de Toledo, enviado a Belém (PA)

27 janeiro 2009/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

A chuva torrencial, típica das tardes de Belém (PA), não impediu que cerca de 100 mil pessoas marchassem, no dia 27 de janeiro, da Estação das Docas até a Praça do Operário, no centro da capital paraense, durante a abertura do Fórum Social Mundial 2009, que vai até o dia 1º de fevereiro.
Como é usual, a principal característica da passeata foi a diversidade. Esta se manifesta tanto nas etnias dos participantes, quanto nas bandeiras e causas empunhadas.
Para se ter uma idéia, em nível nacional, marcharam na mesma avenida evangélicos, membros da Força Sindical, militantes do PSTU, sem-terra e até membros de um movimento cuja principal reivindicação é a adoção do calendário inca. Internacionalmente, a diversidade também é observada, ainda que, obviamente, cada organização traga um número menor de participantes.
Comparativamente às outras edições brasileiras do Fórum, em Porto Alegre (2001, 2002, 2003 e 2005), pôde ser observado claramente uma massiva participação de povos tradicionais. De acordo com a organização do evento, cerca de 3 mil indígenas estão em Belém.
Simbolicamente, no início da marcha, uma celebração afro-religiosa, realizada por participantes africanos, marcou a passagem do Fórum da África, ocorrido em 2007 no Quênia, para o Fórum amazônico, que foi recebido pelos indígenas. Logo após o rito, a chuva forte veio, e persistiu durante quase uma hora.
De todos os cantos
Antes da chuva, Mzonke Poni, membro de uma associação de sem-teto sul-africana, dizia-se entusiasmado com sua primeira visita ao Brasil. “Estamos aqui para buscar alternativas e partilhar experiências interessantes de processos que estão sendo construídos em países como Bolívia e Venezuela. Temos uma coisa muito boa para ver aqui no Brasil que é o programa de combate ao HIV, algo que o nosso país precisa”, revela Poni, que se diz entusiasmado com a receptividade da cidade de Belém.
O francês Mathieu Colloghan, da organização Les Alternatifs, já está em seu 8º Fórum. Do primeiro, o ativista lembra que ouviu o então governador gaúcho Olívio Dutra (PT) afirmar que o processo do Fórum iria surtir efeito em 20 anos ou mais. “Na época, pensei que aquilo era um exagero, mas hoje vejo que iremos mudar o mundo aos poucos”, opina.
Sua organização autodenomina-se altermundista, autogestionária, feminista e ecologista. Assim, nessa edição devem se envolver em debates sobre a Amazônia que, para Colloghan, é um tema “muito complicado”. “É muito fácil para o mundo dizer ao Brasil: ‘não toquem mais na Amazônia’. No entanto, essa é uma atitude imperialista. O problema do desmatamento diz respeito ao mundo. Deve haver um esforço dos países para resolvê-lo, mas não podemos deixar que essas decisões sejam tomadas em Washington ou Paris”, aponta.
Morador de uma região que em muitos aspectos está distante de Paris, mas com objetivos próximos aos de Colloghan, o indígena Wellington Gavião, do povo Gavião, que vive na região de Ji-Parará (RO), acredita que esse Fórum servirá mais como um espaço de denúncia, sobretudo para chamar a atenção do governo federal sobre as barragens que estão sendo construídas no rio Madeira. “Sabemos que as coisas não se resolvem rápido, mas aproveitaremos o espaço para denunciar”, promete.
Já o indiano Rahul Kumar, da organização Terra Viva, espera que o Fórum sirva para que se crie uma consciência local, mas ressalta que o processo não pode parar por aí. O encontro, para ele, funcionará como um espaço para discutir “mudanças profundas e, sobretudo, alternativas ao neoliberalismo”. Para chegar a Belém, Kumar embarcou em quatro vôos diferentes, que ao todo duraram 22 horas.
Solidariedade
Um tema muito lembrado na passeata foi a invasão israelense em Gaza. Alguns representantes do país atacado estiveram presentes na manifestação. Um deles, Madhat Al Jagmoup, membro do sindicato de fazendeiros da Palestina e Najah, destacou a necessidade de findarem-se os ataques ao seu país. Na avenida Presidente Vargas, Najah exibia um cartaz com os dizeres: “Break the siege in Gaza” (rompam o cerco a Gaza, em tradução livre).
Para o marroquino, Hamid Elkam, do Fórum Alternatives Sud, o evento “será mais uma oportunidade, em meio a um espaço dialético, para que os altermundistas elaborarem uma alternativa à globalização neoliberal”. Mas, para ele, os objetivos do FSM só irão se concretizar se houver, posteriormente ao encontro, uma prática militante.
Donos da casa
Os anfitriões belenenses, sem dúvida, foram os que mais engrossaram a marcha de abertura do Fórum, com faixas com pautas locais e blocos que exaltam a cultura local, sempre embalados pelo carimbó.
Para o marceneiro Charles de Souza, o Fórum mudou a rotina da cidade. “O grande ponto positivo de trazer luz à questão amazônica é o de envolver todo mundo na defesa da floresta. Sozinho, o povo do Pará não consegue barrar o desmatamento”, conclui. (Colaborou Eduardo Sales de Lima, enviado especial a Belém-PA)

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/agencia/nacional/sob-a-chuva-da-amazonia-todos-os-povos-reunidos

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quinta-feira, 18 de setembro de 2008

PARAGUAI - OS DIFÍCEIS DESAFIOS DO PRESIDENTE LUGO

Grupo São Paulo *

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
17 setembro 2008/ Adital www.adital.com.br

A vitória de Fernando Lugo é, sem dúvida, um marco histórico para o pequeno e esperançoso Paraguai. Ela acaba com seis décadas consecutivas de dominação do Partido Colorado, no poder desde 1947. Quando Lugo tomou posse no palácio presidencial de Assunção - o Mburuvicha Roga, "casa do chefe" na língua dos guaranis - foi a primeira vez na história do país em que ocorreu a transferência de governo de um partido a outro resultante de eleições livres, não fraudulentas e sem a ocorrência de golpe de Estado ou revolução.

San Pedro del Paraná, o distrito de onde o novo presidente é natural, e do qual foi bispo, é uma das regiões mais pobres do Paraguai, marcada pelo grande número de conflitos entre trabalhadores rurais sem terra, em sua maioria indígenas, e o latifúndio. Lá, Fernando Lugo projetou-se como bispo progressista, ligado à Teologia da Libertação. Destacou-se por entrar em choque com as oligarquias locais, com os conservadores da Igreja Católica, ganhou a confiança dos camponeses e o apoio da população indígena de todo o país.

Em 2006, Dom Lugo liderou um movimento contra a violação da Constituição pelo presidente da República e pela Corte Suprema de Justiça que o apoiava. O movimento reuniu 40 mil pessoas. O bispo lançou o desafio de unificar todas as oposições em uma única candidatura para enfrentar os colorados e afastá-los do poder. A opinião pública o apontou como única pessoa capaz de concretizar essa empreitada.

Como a Constituição paraguaia não permite que pessoas com cargos religiosos sejam candidatos, um abaixo-assinado, com 100 mil nomes, pediu que ele renunciasse a sua condição de bispo e fosse o candidato de uma aliança eleitoral que reuniu nove partidos de oposição, além de entidades da sociedade civil. Dom Lugo solicitou seu desligamento à Igreja, mas, como ele mesmo fala, continua um homem de fé.

Lugo lançou-se candidato da coligação Tekojoja, que significa "viver entre iguais" em guarani. Foi eleito presidente do Paraguai pela coalizão La Alianza Patriótica Para el Cambio (APC). Ela tem como força principal o segundo maior partido tradicional, o Partido Liberal Radical Auténtico (PLRA), que indicou o candidato a vice-presidente. As duas principais bandeiras de campanha da coligação foram a reforma agrária ampla e a soberania energética, renegociando o preço da energia de Itaipu com o Brasil e de Yacyretá com a Argentina. O PLRA as aceitou como única forma de derrotar o Partido Colorado, mas estas não são bandeiras históricas desse partido, composto por muitos fazendeiros.

A vitória de Lugo expressa o desejo de mudança e é carregada de muita esperança, porém o novo presidente deverá governar em circunstâncias bastante difíceis. Do total de parlamentares eleitos pela APC, 5% são de esquerda e o restante do PLRA; portanto, a maior parte de seus aliados eleitos é conservadora. Para compor uma maioria no Legislativo, terá de buscar alianças com parlamentares ligados aos dissidentes do Partido Colorado. Além disso, o Judiciário é controlado pelo presidente desse partido.

O Paraguai está perdendo seu perfil rural. A proporção populacional, que já foi de 70% no campo e 30% na cidade, mudou bastante, está quase 50% no campo e 50% na cidade. O país sofre com o agravamento dos problemas urbanos como a falta de emprego, marginalidade, perda do sentido da ética etc. Essa é mais uma razão que sustenta a importância da reforma agrária.

Itaipu fornece um quinto da energia elétrica consumida pelo Brasil e tem papel crucial no centro-sul do nosso país. Segundo o intelectual paraguaio Juan Díaz Bordenave, o tratado da Usina de Itaipu, assinado em 1973, foi firmado entre ditadores que sabiam exatamente que o Paraguai ficaria em desvantagem. Eles, porém, tiveram as vantagens: os "homens de Itaipu" tornaram-se, em pouco tempo, os mais ricos do Paraguai. Os negociadores sabiam que a única parte que podia ter excedente em Itaipu era o Paraguai. Até terminar de pagar a dívida, em 2022, o Brasil iria ter, a preço de custo, a energia que o Paraguai não utilizaria. Para o Paraguai utilizar a energia que por imposição do tratado hoje vende ao Brasil, precisa construir linhas de transmissão e ainda desenvolver um parque industrial que utilize a energia. Para isso é necessário dinheiro, o dinheiro que virá se o Brasil pagar ao Paraguai o preço de mercado da energia, não o de custo. "A visão do Brasil como um grande imperialista é inevitável para qualquer paraguaio", completa Bordenave.

Outro desafio importante será colocar o Paraguai presente no cenário regional de integração no Mercosul. O país necessita implantar políticas que superem as assimetrias entre os parceiros, principalmente quanto aos dois grandes, Brasil e Argentina. Para o engenheiro agrônomo paraguaio Henrique Rodriguez (representante da FAO no Paraguai), "a proposta do Mercosul de que todos os seus Estados produzam os produtos considerados ‘rentáveis’ para o bloco é absurda. Não se pode usar toda a terra do Paraguai para plantar cana-de-açúcar para o etanol, que muito interessa ao Brasil. Nem para plantar soja, como interessa à Argentina. Podemos plantar isso, sim, em regiões delimitadas. O Mercosul deveria aproveitar do Paraguai o que ele tem de melhor, suas condições climáticas e geográficas ‘únicas’ para a produção de orgânicos. É preciso que o Mercosul exija do Paraguai algo que podemos oferecer e viabilize o mercado para vendermos a produção".

Mais um desafio do novo governo será favorecer os setores da economia popular, como os camponeses e pequenos produtores, frente à ação predatória dos grandes capitais, e recuperar a soberania sobre os recursos naturais. O governo de Lugo será acompanhado de perto por seus vizinhos e pelos EUA porque, além de grande produtor de energia, o país está no centro do Aqüífero Guarani, uma reserva de água doce, sob quatro países, que supera em tamanho a Espanha, Portugal e França juntos. Se é verdade que as guerras do futuro serão pela água e não pelo petróleo, está claro que o Paraguai é um alvo estratégico único. Não é sem motivo que em 2005 os EUA conseguiram que o governo de Assunção autorizasse o uso de suas bases aéreas e concedesse "imunidade" para os militares americanos que precisassem atuar na região.

Na parede da sala da modesta casa de Fernando Lugo, que tem apenas um quarto, um pequeno depósito, cozinha e um estúdio no andar de cima, existe um quadro que traz os dizeres "o mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos". Desejamos que o presidente Fernando Lugo consiga fazer o Paraguai viver seu sonho de mudança.

[Elisa Helena Rocha de Carvalho, Alejandro Buenrostro y Arellano, Andrea Paes Alberico, Guga Dorea e José Juliano de Carvalho Filho, do Grupo de São Paulo - um grupo de 10 pessoas que se revezam na redação e revisão coletiva dos artigos de análise de Contexto Internacional do Boletim Rede, editado pelo Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade, de Petrópolis, RJ].

* gruposp@correiocidadania.com.br

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=35066

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