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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Cuba/Mais de 2 milhões de pessoas lotam praça da Revolução, em Havana, para se despedir de Fidel

30 novembro 2016,  Havana - 30/11/2016, Ópera Mundi http://operamundi.uol.com.br (Brasil)

Camilo Toscano
Enviado especial a Havana

Povo entoou gritos e palavras de ordem, como: “Eu sou Fidel!”, “Viva Fidel, venceremos!”, “Sempre Fidel!” e “O povo, unido, jamais será vencido”


Foto: Cubadebate/População lotou praça da Revolução para dar adeus a Fidel

Mais de 2 milhões de pessoas lotaram a praça da Revolução, em Havana, na noite desta terça-feira (29/11), para se despedir do líder da Revolução Cubana, Fidel Castro. O ato desta terça faz parte dos nove dias de luto oficial decretado pelo governo para homenagear e memória do líder revolucionário.

Na presença de chefes de Governo e representantes de diversas nações, muitos dos quais discursaram em homenagem e agradecimento a Fidel, o povo entoou gritos e palavras de ordem, como: “Eu sou Fidel!”, “Viva Fidel, venceremos!”, “Sempre Fidel!” e “O povo, unido, jamais será vencido”. 

Fidel Castro morreu na noite de sexta-feira (25/11), exatamente 60 anos depois de que partiu, do México rumo a Cuba, no iate

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

CUBA GANÓ LA ÚLTIMA BATALLA CONTRA EL BLOQUEO


Por Gustavo Veiga

POR PRIMERA VEZ NI SIQUIERA EE.UU. VOTO EN CONTRA DEL EMBARGO EN LA ASAMBLEA DE LA ONU

En una decisión histórica, Estados Unidos se abstuvo de votar contra una resolución de Naciones Unidas que condena su embargo a la isla. Israel acompañó esta postura. La representante norteamericana fue aplaudida al votar.

En una decisión histórica, Estados Unidos se abstuvo ayer de votar contra una resolución de Naciones Unidas que condena su propio bloqueo a Cuba. Entrampado en el descrédito de esa medida unilateral que ya superó los 54 años, el gobierno de Obama cambió su postura. Por primera vez, la isla no recibió un solo voto negativo a la declaración que viene presentando hace un cuarto de siglo en la ONU. Israel, el único apoyo que tuvo EE.UU. en 2015, también se inclinó por la abstención. De esa forma, hubo 191 países que volvieron a rechazar el embargo comercial sin oposición alguna. Cuando

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

PAPA FRANCISCO: É PRECISO IMPEDIR A TERCEIRA GUERRA MUNDIAL

20 setembro 2015, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

Darío Pignotti, enviado especial a Havana


O papa adverte sobre Terceira Guerra Mundial e pede para que os EUA aprofundem relações com Cuba. Frei Betto quer Prêmio Nobel da Paz para Francisco.

Batinas ao vento. O papa Francisco perde seu solidéu por alguns segundos, ontem, às 16h04 hora de Havana, enquanto descia as escadas do avião, já em Cuba, no Aeroporto José Martí, em pleno início da temporada de chuvas e furacões.

Francisco falou com o presidente Raúl Castro medindo cada palavra, com parcimônia: ele tem consciência de que esta é uma viagem histórica. É possível que essa turnê por Cuba e Estados Unidos marque o fim da Guerra Fria norte-americana contra Cuba, um país castigado por sua obstinação em ser soberano.

O chefe de Estado do Vaticano renovou suas intenções de aprofundar a aproximação entre Havana e Washington, iniciada em dezembro do ano passado, quando Raúl e Barack Obama anunciaram o reinício dos vínculos diplomáticos.

O papa pediu a Raúl e Obama que sejam capazes de dar “um exemplo de reconciliação para o mundo inteiro, um mundo que precisa de reconciliação em meio a esta Terceira Guerra Mundial”.

A referência à Terceira Guerra Mundial não constava no texto original, foi incluída pelo papa após reflexão durante o voo que saiu de Roma.

Sem dúvidas esta é a viagem mais importante de Francisco desde o começo do seu papado, iniciado no dia

Cuba/Detalles del encuentro de Fidel con el Papa (+ Fotos y Video)

20 septiembre 2015, Cubadebate


El Papa Francisco, Sumo Pontífice de la Iglesia Católica y Jefe del Estado de la Ciudad del Vaticano, realizó una visita de cortesía en horas del mediodía de hoy al líder histórico de la Revolución cubana, Fidel Castro Ruz. 

Su Santidad, quién inició una visita apostólica e histórica a nuestro país que se extenderá hasta el próximo día 22, sostuvo un amplio intercambio con Fidel y coincidieron en importantes temas de interés vinculados a la causa de los pobres, la preservación de la paz y la

Cuba/ORTEGA, EL CARDENAL DE LAS NEGOCIACIONES SECRETAS

20 septiembre 2015, Página 12 http://www.pagina12.com.ar (Argentina)

Por Martín Granovsky

EL PENSAMIENTO INTIMO DE LA IGLESIA CUBANA

Este diario tuvo acceso al contenido de los diálogos que mantuvo en los últimos días el cardenal de La Habana. Qué argumentos usó el Papa con Obama. Y por qué la Iglesia quiere cuidar a Raúl Castro.

Francisco hasta le sugirió a Barack Obama que el acercamiento a Cuba fortalecería las chances de una sucesión demócrata en los Estados Unidos en las elecciones de 2016. Página/12 pudo recoger de diplomáticos latinoamericanos con acceso a información reservada ése y otros datos que pintan el enorme interés del Papa por la normalización entre Washington y La Habana y por protagonizar él mismo una novedad: Francisco no es el primer papa que visita Cuba sino el tercero, después de Juan Pablo II en 1998 y Benedicto XVI en 2012, pero es el primero que lo hace en medio de la distensión.

Un personaje de la Iglesia Católica cubana colaboró con Francisco. Como el papa, nació en 1936 y aún no cumplió 79. Le lleva apenas dos meses a Jorge Bergoglio. Jaime Lucas Ortega y Alamino nació el 18 de octubre en Jagüey Grande y Bergoglio el 17 de diciembre en Flores, Buenos Aires. Cardenal y arzobispo de La Habana, Ortega es una figura central del viaje del Papa a Cuba y del acercamiento entre Raúl Castro y Barack Obama. Página/12 estableció por diplomáticos latinoamericanos que el cardenal abonó la llegada de Francisco a La Habana con un mensaje: “Obama y Raúl tienen muchos enemigos y hay que

segunda-feira, 20 de abril de 2015

RAUL CASTRO NA CIMEIRA DAS AMÉRICAS

17 abril 2015, Odiario.info http://www.odiario.info (Portugal)


Do importante discurso proferido por Raul Castro na Cimeira das Américas, os media internacionais apenas reproduziram um pequeno aparte dirigido a Obama. Omitiram assim o essencial de um discurso que denuncia vigorosamente a longa história da agressão imperialista contra a América Latina e o Caribe, e que afirma que, se uma pequena ilha pobre em recursos naturais foi, graças à determinação revolucionária do seu povo, capaz de enfrentar e libertar-se da dominação imperialista, muito mais poderá ser alcançado se um subcontinente inteiro souber empreender um caminho semelhante.

«Até hoje o bloqueio contra Cuba aplica-se em toda a sua intensidade»

Discurso do General do Exército Raul Castro Ruz, presidente dos Conselhos de Ministros de Estado e de Ministros da República de Cuba na Cimeira das Américas, Panamá, 10 e 11 de Abril de 2015.
Ao Excelentíssimo Senhor Juan Carlos Varela, presidente da República do Panamá
Presidentes e Primeiros-Ministros

Distintos convidados
Agradeço a solidariedade de todos os países da América Latina e do Caribe que tornaram possível que Cuba participasse em pé de igualdade neste fórum hemisférico, e ao presidente da república do Panamá, pelo convite que tão simpaticamente nos enviou. Trago um abraço fraterno ao povo panamiano e a todas as nações aqui representadas.

Quando a 2 e 3 de Dezembro de 2011 se criou a Comunidade de Estados Latino-americanos e do Caribe (CELAC) em Caracas, inaugurou-se uma nova etapa na história da Nossa América, que tornou patente o seu direito adquirido de viver em paz e a desenvolver-se como decidam livremente os seus povos e traçar para o futuro um caminho de desenvolvimento e integração, baseado na cooperação, na solidariedade e na vontade comum de preservar a independência, a soberania e a identidade.

O ideal de Simón Bolívar de fundar uma grande pátria americana inspira verdadeiras epopeias independentistas.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Brasil/Dilma: Retomada das relações entre Estados Unidos e Cuba marca uma mudança na civilização

17 dezembro 2014, Planalto, Presidência da República http://www2.planalto.gov.br (Brasil)

Dilma Rousseff cumprimentou os presidentes Raúl Castro, de Cuba, e Barack Obama, dos Estados Unidos, pela retomada nas relações entre os dois países, um momento que, exaltou a presidenta, marca uma mudança na civilização. A presidenta cumprimentou também o papa Francisco, a quem creditou participação fundamental para essa reaproximação. As declarações foram feitas no discurso de encerramento da 47ª Cúpula do Mercosul.

“Em um dia como o de hoje, em que, como disse a presidenta Cristina, nós, lutadores sociais, imaginávamos que jamais veríamos este momento de retomada das relações entre os Estados Unidos e Cuba. Eu queria cumprimentar o presidente Raul Castro.

OBAMA Y EL PRINCIPIO DEL FIN DEL BLOQUEO A CUBA

19 de diciembre de 2014 http://www.democracynow.org/es (Estados Unidos)

Amy Goodman, con la colaboración de Denis Moynihan

La política infructuosa de Estados Unidos contra Cuba, que ha clausurado por más de medio siglo las relaciones entre estos países vecinos e inflingido daño a varias generaciones del pueblo cubano, podría finalmente estar llegando a su fin. El miércoles por la mañana nos enteramos de que Alan Gross, un contratista del gobierno estadounidense condenado en Cuba por espionaje, había sido puesto en libertad después de cinco años de prisión. Otra persona, un cubano no identificado encarcelado en Cuba desde hace veinte años por espiar para Estados Unidos, también fue liberado. Este acontecimiento ha sido noticia a nivel mundial. No tan bien explicada en los medios estadounidenses fue la liberación de tres presos cubanos en Estados Unidos. Son los tres miembros de los Cinco de Cuba que seguían encarcelados. Los Cinco fueron detenidos a finales de 1990 bajo cargos de espionaje, pero no estaban espiando al gobierno de Estados Unidos. Estaban en Miami con el objetivo de infiltrarse en los grupos paramilitares cubano-estadounidenses instalados allí con la finalidad de lograr la destitución violenta del gobierno cubano.

Al mediodía del miércoles, el presidente Barack Obama dio oficialmente la noticia: esto no fue un simple intercambio de prisioneros. “El día de hoy, Estados Unidos

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Brasil assina acordos na área de Justiça com Cuba

Ministério da Justiça http://www.mj.gov.br

Brasília, 18 setembro 2009 (MJ) – Brasil e Cuba vão reforçar a cooperação entre os dois países. Entre 21 e 24 de setembro, o ministro da Justiça, Tarso Genro, estará no país caribenho para assinar uma série de acordos com o governo de Raul Castro. As parcerias vão abranger temas como atuação conjunta para o enfretamento ao tráfico de pessoas e para a regularização migratória de nacionais brasileiros e cubanos; e enfretamento ao crime organizado transnacional.

Será aprovado ainda calendário para a discussão de vários outros possíveis futuros acordos nas áreas de extradição; transferência de pessoas condenadas; cooperação jurídica em matéria civil; contratação recíproca de nacionais; programa de férias e trabalho; intercâmbio sobre política penitenciária e possibilidades de estreitamento da cooperação policial.

Brasileiros e cubanos também vão discutir sobre a indicação do secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Pedro Abramovay, ao cargo de diretor-executivo do Programa das Nações Unidas contra Crimes e Drogas (UNDCP).

Além de Abramovay, acompanham o ministro em Cuba o secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, o diretor-geral do Departamento Penitenciário Nacional, Airton Michels, e o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Presidente angolano pede a Obama fim do embargo a Cuba

Luanda, 6 fevereiro 2009 (Lusa) - O presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, defendeu o fim do “embargo econômico” dos Estados Unidos a Cuba, durante um discurso feito na quinta-feira na presença do Chefe de estado, Raul Castro, que está em visita oficial ao país.

“Espero sinceramente que o novo presidente dos EUA, que é muito sensível às questões humanitárias, mande revogar o embargo econômico contra Cuba”, disse Santos.

Para ele, “não faz sentido que se mantenha o bloqueio contra Cuba, que há quase meio século condiciona a vida de milhões de seres humanos, constituindo uma violação flagrante dos Direitos do Homem”.

Na conquista desse objetivo, disse Santos, Cuba “poderá contar sempre com o apoio indefectível de Angola”, disse, depois de ter considerado o bloqueio econômico à ilha como “absurdo e anacrônico”.

Na visita, a contribuição de Cuba para a conquista da independência angolana foi ressaltada e, depois, entre 1976 e 1991, para a vitória das Forças Armadas angolanas contra a invasão do exército do apartheid sul-africano, sobretudo na decisiva batalha do Cuito Cuanavale, em 1988.

“Valeu a pena o sacrifício consentido e a ajuda que concederam à Angola”, apontou Santos.

“Aqui estão alguns dos milhares de companheiros que tomaram parte deste processo histórico e que o cumprimentaram com emoção e muito respeito”, disse.

“Estamos orgulhosos de o acolher num ambiente de paz e estabilidade, em que procuramos reconstruir o que a guerra destruiu e edificar as bases do desenvolvimento econômico e social”, afirmou.

Ideologia
Contudo, o presidente angolano lembrou também que se vive hoje “num mundo diferente em que já não existem blocos ideológicos antagônicos e em que a tentativa de colocar o planeta sob o comando de uma só superpotência falhou”, ao mesmo tempo em que apontava a falha do socialismo concebido pela ex-União Soviética.

O socialismo tal como foi concebido na ex-União Soviética não deu certo e desmoronou-se, afirmou o presidente angolano.

Santos lembrou ainda a importância de uma integração mundial com êxito, mas chamou a atenção para a atual crise mundial em que foi também posto à prova o modelo capitalista.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Bloqueio econômico a Cuba é absurdo, diz presidente angolano

Luanda, 5 fevereiro 2009 (Lusa) - O presidente angolano, José Eduardo dos Santos, considerou nesta quinta-feira que o “bloqueio econômico” a que Cuba está sujeita é “anacrônico e absurdo”.

A afirmação de Santos foi feita na presença do presidente cubano, Raul Castro, durante o início dos trabalhos das duas delegações durante a visita do líder cubano a Angola, que começou oficialmente nesta quinta-feira.

Santos acrescentou que Cuba “foi sempre um modelo de independência e de coerência” no caminho que escolheu.

Neste contexto, o presidente angolano disse ainda que Cuba, apesar do isolamento, “nunca deixou de garantir o mínimo essencial a todos os seus cidadãos, conseguindo resultados extraordinários no domínio científico e educacional”.

Ele também frisou que Angola “nunca” se tornou “dependente de ninguém” porque “preferiu sempre, com maior ou menor dificuldade”, definir “o rumo e estabelecer as metas de curto, médio e longo prazos”.

Independência

Santos lembrou que a presença de Castro, que coincide com o 48º aniversário do início da luta pela independência, em 4 de fevereiro de 1961, trouxe à memória “alguns dos momentos cruciais” desse período da história angolana.

“A sua presença aqui, caro companheiro Raul Castro, traz-nos à memória alguns dos momentos cruciais dessa gesta em que a ação solidária de Cuba foi determinante, tanto no plano civil como militar, para a proclamação da independência de Angola e para a organização do novo Estado e da sua administração”, disse.

Santos disse ainda que “o povo angolano jamais esquecerá esta atitude corajosa e generosa do povo irmão de Cuba”, referindo-se ao envio, de militares e profissionais para Angola.

O líder angolano reafirmou a Castro que Cuba, “tal como no passado”, pode “contar sempre com a amizade e a modesta solidariedade de Angola na luta do povo cubano pelo direito de escolher o seu destino com honra e dignidade”.

No discurso, Santos desejou melhoras a Fidel Castro, que deixou o poder para o seu irmão, Raul, e apontou como essencial o estreitamento dos laços de amizade entre Luanda e Havana.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Sean Penn: CONVERSAÇÕES COM HUGO CHÁVEZ E RAÚL CASTRO (II - FINAL)

O ator e cineasta Sean Penn visitou Venezuela e Cuba, em outubro deste ano, quando se econtrou com os presidentes dos dois países, Hugo Chávez e Raul Castro. Ele relatou essas conversas em um artigo publicado no The Nation.

2 de Dezembro de 2008/Pátria Latina
http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=403ea2e851b9ab04a996beab4a480a30&cod=2713

Castro e eu tomamos uma xícara de chá. “Quarenta e seis anos atrás, hoje, exatamente a esta hora do dia, mobilizamos tropas, Alameda no oeste, Fidel em Havana, eu em Areda. Ao meio-dia me disseram que em Washington o Presidente Kennedy discursaria.
Foi durante a crise dos mísseis. Nós estávamos esperando um discurso que fosse uma declaração de guerra. Depois da humilhação na Baía dos Porcos, a pressão dos mísseis [que Castro afirma ser estritamente defensiva] representaria uma grande derrota para Kennedy. Kennedy não suportaria esse fracasso. Hoje nós estudamos os candidatos norte-americanos muito cuidadosamente, focando em McCain ou Obama. Observamos todas as suas falas antigas. Particularmente aquelas feitas na Flórida, onde a oposição a Cuba se tornou um negócio lucrativo para muita gente. Em Cuba temos um partido, mas nos EUA há muito pouca diferença. Ambos os partidos são uma expressão da classe dominante”. Ele diz que hoje os membros do lobby Miami cubano são descendentes da era de riqueza de Batista, ou proprietários de terras internacionais “que só pagaram centavos por sua terra”, quando Cuba passou sessenta anos sob o domínio absoluto dos EUA.
“A reforma agrária de 1959 foi o Rubicão de nossa revolução. Uma sentença de morte para as nossas relações com os EUA”. Castro parece estar me avaliando enquanto toma outro gole de seu chá. “Naquele momento não havia discussão sobre o socialismo, ou sobre a relação de Cuba com a Rússia. Mas a sorte estava lançada”.
Depois que a administração Eisenhower bombardeou dois navios carregados de armas para Cuba, Fidel estendeu a mão a antigos aliados. Raúl diz: “Pedimos a Itália. Não! Pedimos a Tchecoslováquia. Não! Ninguém nos daria armas para nos defendermos porque Eisenhower havia lhes pressionado. Então, quando obtivemos as armas da Rússia, não tivemos tempo de aprender como usá-las antes do ataque na Baía dos Porcos!” Ele ri e se desculpa, indo rapidamente para uma sala ao lado, de trás de uma parede, só para voltar imediatamente à sala em que estávamos e fazer a piada: “Aos 77 isso é culpa do chá”.
Piadas à parte, Castro se move com a agilidade de um jovem. Ele se exercita todos os dias, seus olhos são brilhantes e sua voz, forte. Ele retoma de onde tinha parado. “Você sabe, Sean, há uma famosa foto de Fidel da invasão da Baía dos Porcos. Ele está na frente de um tanque russo. Não sabíamos ainda como pôr aqueles tanques em marcha ré. “Então”, ri, “entregar-se não era uma opção!” É demais para um “frio militarista”. Raúl Castro era caloroso, aberto, enérgico e de uma inteligência espirituosa.
"Bloqueio é um ato de guerra, então os americanos preferem embargo, uma palavra usada em procedimentos legais".
Eu retomo o assunto das eleições nos EUA repetindo a questão que Brinkley tinha feito a Chávez: Castro aceitaria um convite a Washington para encontrar com o Presidente Obama, se ele vencesse a eleição algumas semanas depois? Castro se torna reflexivo. “Essa é uma pergunta interessante”, ele diz, seguido de um longo, embaraçoso, silêncio. Até que: “Os EUA tem o processo eleitoral mais complicado do mundo. Há ladrões treinados em eleições do lobby cubano norte-americano na Flórida...” Eu o interrompo: “Eu acho que esse lobby está se quebrando”. E então, com a certeza de um otimista incorrigível, digo: “Obama será nosso próximo presidente”. Castro sorri, parece que de minha ingenuidade, mas o sorriso desaparece e ele diz: “Se ele não for assassinado antes de 4 de novembro, ele será seu próximo presidente.” Noto que ele ainda não respondeu a minha pergunta sobre o encontro em Washington. “Você sabe”, ele diz, “Eu tenho lido os discursos que Obama tem feito, que vai manter o bloqueio”. Eu digo “Seu termo é embargo”. “Sim”, diz Castro, “bloqueio é um ato de guerra, então os americanos preferem embargo, uma palavra usada em procedimentos legais...mas em todo caso, sabemos que isso é discurso pré-eleição, e que ele também disse que está aberto à discussão com qualquer um”.
Raúl interrompe a si mesmo: “Você provavelmente está pensando, Oh, o irmão fala tanto como Fidel!” Nós rimos. “Não é comum ser assim mas, você sabe, certa vez Fidel tinha recebido uma delegação, nesta sala, da China. Muitos diplomatas e um jovem tradutor. Eu acho que era a primeira vez do tradutor com dirigentes de Estado. Eles todos tinham tido um longo vôo e estavam sob efeito do fuso. Fidel, é claro, sabia disso, mas ainda assim falou por horas. Rapidamente, um dos visitantes, próximos ao fim da mesa, logo ali [aponta para a uma cadeira vizinha a minha], seus olhos começaram a pesar. Então outro, depois outro. Mas Fidel continuou a falar. Logo logo todos, inclusive os mais poderoso deles, a quem Fidel dirigia suas palavras diretamente, fizeram o barulho de ronco nas suas cadeiras. Então, Fidel dirigiu o olhar para a única pessoa acordada, o jovem tradutor, e continuou conversando com ele até amanhecer”. A essas alturas da história, tanto Raúl como eu estavámos às gargalhadas. Eu só tinha tido um encontro com Fidel, cuja mente assombrosa e paixão inundavam as palavras. Mas era suficiente para fazer a figura. Só o nosso tradutor não ria, quando Castro retornou ao ponto.
“No meu primeiro discurso depois que Fidel ficou doente, eu disse que estávamos querendo discutir nossa relação com os EUA em pé de igualdade. Depois, em 2006, eu disse isso de novo na Praça da Revolução. Eu era motivo de risos na mídia norte-americana por estar aplicando medidas cosméticas à ditadura”. Eu ofereço uma nova oportunidade para falar ao povo americano. Ele responde: “O povo americano está entre os nossos vizinhos mais próximos. Deveríamos respeitar uns aos outros. Nós nunca tivemos nada contra o povo norte-americano. Ter boas relações seria vantajoso para ambos. Talvez não possamos resolver todos os nossos problemas, mas podemos resolver muitos deles”. Ele parou agora, vagarosamente considerando um pensamento. “Eu vou lhe dizer uma coisa que nunca disse publicamente antes. Informações sobre mim tinham sido vazadas, em determinada altura, por alguém no Departamento de Estado dos EUA, mas isso foi rapidamente silenciado por conta da preocupação sobre o eleitorado da Flórida, ainda que agora, enquanto conto isso a você, o Pentágono venha a me considerar indiscreto”.
“Temos tido contato permanente com as forças armadas dos EUA, através de acordos secretos, desde 1994.”
Eu dou uma parada na respiração e espero. “Temos tido contato permanente com as forças armadas dos EUA, através de acordos secretos, desde 1994”, Castro me conta: “Esses acordos se baseavam na premissa de que discutiríamos unicamente questões relacionadas a Guantánamo. Dezessete de fevereiro de 1993, atendendo a uma solicitação dos EUA para discutir questões relativas à localização de bóias para navegação na baía foi o primeiro contato entre nós na história da revolução. Entre 4 de março e 1 de julho, a crise dos balseiros tomou lugar. Uma linha de contato militar para militar foi estabelecida, e em 9 de maio de 1995 concordamos em ter encontros mensais com altos representantes de ambos os governos. Até hoje foram 157 reuniões, e há uma fita gravada de cada uma. Os encontros ocorrem a cada terceira sexta-feira, todo mês. Alternamos locais entre a base norte-americana de Guantánamo e em território cubano.
Temos feitos manobras conjuntas de respostas de emergência. Por exemplo, nós botamos fogo e helicópteros norte-americanos trazem água da baía, junto com helicópteros cubanos. [Antes disso] a base americana de Guantánamo tinha gerado um caos. Nós tínhamos perdido guardas de fronteira, e havia evidência documental disso. Os EUA encorajaram uma emigração ilegal e perigosa, com os barcos da Guarda Costeira norte-americana interceptando cubanos que tentavam sair da ilha. Eles os trariam para Guantánamo, e uma cooperação mínima começou. Deixaríamos de vigiar nossas costas. Se alguém quisesse deixar o país, diríamos, vá em frente.
E assim, com as questões de navegação começou essa colaboração. Agora, nos encontros das sexta-feiras há um representante do Departamento de Estado norte-americano”. Nenhum nome foi dado. Ele continua: “O Departamento de Estado norte-americano tende a ser menos razoável do que o Pentágono. Mas ninguém levanta sua voz porque...Eu não tomo partido. Porque eu falo alto. Este é o único lugar do mundo em que essas duas forças militares se encontram em paz”.
“Havendo um encontro entre você e o nosso próximo presidente, qual seria a prioridade de Cuba?" Sem pestanejar, Castro responde: “Normalizar o comércio.”
“E quanto a Guantánamo?” Eu pergunto. “Eu vou lhe dizer a verdade”, diz Castro. “A base é nossa hóspede. Como presidente, eu digo que o EUA deveria partir. Como um militar, eu os deixo ficar”. Por dentro, eu me perguntava: será que tenho uma boa história nova para contar, aqui? Ou isso é de pouca relevância? Ninguém deveria surpreender-se com o fato de que inimigos se encontram por trás dos cenários. O que é surpresa é que ele está me contando isso. E, com isso, eu retorno à questão do encontro com Obama. “Havendo um encontro entre você e o nosso próximo presidente, qual seria a prioridade de Cuba?” Sem pestanejar, Castro responde: “Normalizar o comércio. A indecência do embargo norte-americano jamais foi tão evidente como agora, quando da passagem de três furacões devastadores. As necessidades do povo cubano nunca foram mais desesperadoras. O embargo é simplesmente desumano e completamente improdutivo”.
Raúl continua: “A única razão para o bloqueio é nos fazer sofrer. Nada pode deter a revolução. Deixem os cubanos visitarem suas famílias. Deixem os americanos virem a Cuba”. Parece que ele está dizendo “deixem eles virem ver essa terrível ditadura comunista sobre a qual continuam a escutar na imprensa, onde mesmo representantes do Departamento de Estado dos EUA e dissidentes proeminentes reconhecem que, em eleições abertas e livres hoje, em Cuba, o Partido Comunista que está no poder venceria com 80% do eleitorado. Eu listo vários conservadores norte-americanos que têm sido críticos ao embargo, do recém falecido Milton Friedman a Colin Powell, até mesmo o Senador Republicano do Texas, Kay Bailey Hutchison, que disse: “Eu acreditei por um tempo que deveríamos buscar uma nova estratégia para Cuba. E esta é abrir mais o comércio, especialmente o comércio de alimentos, sobretudo se podemos oferecer às pessoas mais contato com o mundo exterior. Se pudermos erguer a economia, isso pode fazer com que o povo se torne capaz de lutar contra a ditadura”. Castro, com certo ar de descaso, responde prontamente: “O desafio nos é bem-vindo”.
“Nós somos tão pacientes como os chineses. Setenta por cento de nossa população nasceu sob o bloqueio.
Até aqui fomos levados do chá ao vinho tinto e ao jantar. “Deixe-me dizer uma coisa”, ele diz. “Nós temos pesquisas recentes que sugerem fortemente que temos reservas de petróleo em águas profundas, que as companhias norte-americanas podem vir aqui perfurar. Nós podemos negociar. Os EUA é protegido pelas mesmas leis de comércio de Cuba, como qualquer país. Talvez possa haver alguma reciprocidade. Há cem mil quilômetros quadrados de mar na área dividida. Deus seria injusto em não nos dar algum petróleo. Eu não acredito que ele nos privaria dessa maneira”. De fato, o US Geological Survey especula que há na área 9 bilhões de barris de petróleo e 21 trilhões de pés cúbicos de reservas de gás na bacia norte de Cuba. Agora que ele vem melhorando as relações com o México, Castro também está buscando fazê-lo com a União Européia. “As relações com a União Européia devem melhorar com a saída de Bush”, ele diz, confidencialmente.
“E os EUA?”, eu pergunto. “Escuta”, ele diz, “nós somos tão pacientes como os chineses. Setenta por cento de nossa população nasceu sob o bloqueio. Eu sou o mais antigo ministro das Forças Armadas da história. Quarenta e oito anos e meio até o último outubro. É por isso que estou neste uniforme e continuo a trabalhar no meu antigo escritório. No gabinete de Fidel nada foi tocado. Nos exercícios militares do Pacto de Varsóvia, eu era o mais jovem, e o que terá sido o mais velho. O Iraque é uma brincadeira de criança se comparado com o que aconteceria se os EUA invadisse Cuba”. Depois de outra taça de vinho, Castro diz, “Prevenir uma guerra é o mesmo que vencer uma. Essa é nossa doutrina”.
Com nosso jantar terminado, eu caminhei com o presidente através das portas corridas de vidro e entramos num jardim de inverno com plantas tropicais e pássaros. Enquanto bebíamos mais vinho, ele disse, “Há um filme americano – a elite está sentada numa mesa, decidindo quem será o próximo presidente. Eles olham para fora da janela, onde vêem o jardineiro. Você conhece o filme de que estou falando?”. “Being There” [Muito Além do Jardim, no Brasil], eu digo. “Sim!” Castro responde com entusiasmo, “Being There, eu gosto muito desse filme. Com os EUA, qualquer possibilidade objetiva existe. Os chineses dizem 'Em caminhos logos, você começa com o primeiro passo'. O presidente dos EUA deveria dar ele mesmo esse passo, mas sem ameaça à nossa soberania. Isso não é negociável. Podemos fazer acordos sem dizer ao outro o que fazer no interior de suas fronteiras”.
“Senhor Presidente”, eu digo, “vendo o último debate presidencial nos EUA, escutamos John McCain defender um acordo de livre comércio com a Colômbia, um país em que esquadrões da morte são notórios e onde vêm ocorrendo assassinatos de líderes de trabalhadores e que, ainda assim, continua a manter relações próximas com os EUA, tanto que a administração Bush está tentando passar esse acordo no Congresso. Como você sabe, eu acabei de vir da Venezuela que, como Cuba, a administração Bush considera inimigo nacional, ainda que, claro, compremos muito petróleo de lá. Me ocorreu que a Colômbia pode se tornar nosso parceiro estratégico na América do Sul, como Israel o é no Oriente Médio. O que você diria disso?”.
Ele pensa com cuidado sobre a pergunta, falando num tom lento e compassado. “Neste momento”, ele diz, “nós temos boas relações com a Colômbia. Mas eu diria que, se há um país na América do Sul em que há um ambiente vulnerável a isso...é a Colômbia”. Pensando na suspeita de Chávez das intenções de Bush em intervir na Venezuela, respiro fundo.
Vai ficando tarde e eu não queria deixá-lo sem perguntar sobre as alegações de violações dos direitos humanos e da suposta facilitação do narco-tráfico pelo governo cubano. Um informe de 2007 da Human Rights Watch afirma que Cuba “permanece sendo o único país na América Latina que reprime praticamente todas as formas de divergência política”. Mais ainda, que há algo como 200 prisioneiros políticos em Cuba, hoje, aproximadamente 4% deles condenados por dissenso não-violento. Enquanto aguardava os comentários de Castro, não conseguia parar de pensar na vizinha prisão norte-americana de Guantánamo e nas horrendas ofensas contra os direitos humanos que lá ocorrem.
“Nenhum país está 100% livre de abusos dos direitos humanos”, Castro me conta. Mas, ele insiste: “informes na mídia dos EUA são altamente exagerados e hipócritas”. De fato, mesmo grandes figuras dissidentes de Cuba, como Eloy Gutierrez Menoyo, reconhecem as manipulações, acusando a Secção de Interesses dos EUA de comprar o testemunho de dissidentes em dinheiro vivo. Ironicamente, em 1992 e 94, Human Rights Watch também descreveu ilegalidades e intimidações nos grupos anti-Castristas em Miami, que o escritor/jornalista Reese Erlich chamou de “violações normalmente associadas às ditaduras latino-americanas”.
Tendo dito isso, quero dizer que sou um americano orgulhoso e infinitamente consciente de que se eu fosse um cidadão cubano e escrevesse um artigo como esse sobre o governo de Cuba eu seria preso. Mais ainda, eu tenho orgulho do sistema criado pelos nossos pais fundadores que, ainda que não esteja exatamente intacto hoje, jamais foi dependente de um grande líder por época. Essas coisas permanecem em questão para os heróis românticos de Cuba e da Venezuela. Eu pensei em mencionar isso, e talvez devesse, mas eu tinha outra coisa na mente.
“Podemos falar sobre drogas?”, eu perguntei a Castro. Ele responde, “Os EUA é o maior consumidor de narcóticos no mundo. Cuba está situada diretamente entre os EUA e seus fornecedores. Isso é um grande problema para nós...Com a expansão do turismo, desenvolveu-se um novo mercado e nós lutamos contra isso. Também é dito que nós permitimos que narcotraficantes viajem através do espaço aéreo cubano. Nós não permitimos isso. Estou certo de que alguns desses aviões passam por nosso espaço aéreo. Isso se deve simplesmente à restrição econômica que faz com que não tenhamos mais um radar de baixa altitude funcionando”.
“Os cubanos são nossos melhores parceiros nas guerras contra a droga e contra o terror no Caribe. São melhores inclusive que o México".
Por mais que isso soe exagerado, não o é, de acordo com o Coronel Lawrence Wikerson, um ex-assessor de Colin Powell. Wilkerson disse a Reese Erlich numa entrevista em janeiro: “Os cubanos são nossos melhores parceiros nas guerras contra a droga e contra o terror no Caribe. São melhores inclusive que o México. As forças armadas olham para Cuba como um parceiro bastante competitivo”.
Eu quero perguntar uma última vez a Castro minha questão não respondida, enquanto nossa múltipla linguagem corporal sugeria que estava chegando a hora de terminar. Já passava de uma da manhã, mas ele iniciou: “Agora”, ele diz, “você me pergunta se eu aceitaria me encontrar com [Obama] em Washington. Eu teria de pensar sobre isso. Iria discutir com todos os meus camaradas da direção. Pessoalmente, eu penso que não seria justo eu ser o primeiro a visitá-lo, porque sempre os presidentes da América Latina vão aos EUA primeiro. Mas também seria injusto ter a expectativa de que o presidente dos EUA venha a Cuba. Nós deveríamos nos encontrar num lugar neutro.
Ele faz uma pausa, deixando sua taça de vinho vazia na mesa. “Talvez pudéssemos nos encontrar em Guantánamo. Nós devemos nos encontrar e começar a resolver nossos problemas e, no fim do encontro, poderíamos dar um presente ao presidente...poderíamos levá-lo para casa com a bandeira dos EUA que tremula na baía de Guantánamo”.
Quando deixamos seu gabinete, somos acompanhados pelos assessores enquanto o Presidente Castro desce comigo ao lobby e me conduz ao carro que me esperava. Eu o agradeço pela generosidade de seu tempo. Quando meu motorista pôs o carro em marcha, o presidente bateu no vidro da janela ao meu lado. Eu o abaixei enquanto o presidente checou em seu relógio, vendo que sete horas tinham se passado desde o começo da entrevista. Sorrindo, ele disse “Vou telefonar para Fidel, agora. Posso prometer a você isso. Quando Fidel descobrir que eu passei sete horas falando com você ele terá certeza de que vai lhe dar sete horas e meia quando você retornar a Cuba”. Nós rimos e apertamos a mão em despedida.
Tinha chovido no começo da noite. Nas primeiras horas escuras, os pneus do nosso carro jorravam água sobre o calçadão húmido de uma quieta manhã de Havana, me dou conta de que a maior parte das questões básicas sobre soberania nos permitem entender substancialmente o antagonismo norte-americano contra Cuba e Venezuela, assim como contra as políticas desses países. Eles sempre tiveram só duas escolhas: serem imperfeitamente nossos ou imperfeitamente deles mesmos.

Viva Cuba, Viva Venezuela. Viva os Estados Unidos.
Quando volto à casa de protocolo, era quase duas da manhã. Meu velho amigo Fernando, imaginando que eu tivesse chegado bêbado, esperou por mim. Meus companheiros tinham tido uma noite ruim. O pobre Fernando teve de arcar com o peso da frustração deles. Eles não tinham ficado sabendo onde eu tinha ido, nem por que tinha lhes deixado para trás. E os oficiais cubanos com que eles podiam fazer contato insistiram para que eles estivessem a postos, caso um dos irmãos Castro lhes oferecesse espontaneamente uma entrevista. Assim eles perderam a última noite cubana na cidade. Depois de ter me deixado a par das coisas, Fernando foi tirar umas duas horas de sono. Eu fiquei acordado, revisando minhas notas e fui o primeiro na mesa do café da manhã, às 4:45hs. Quando Douglas e Hitch desceram as escadas, eu pus a ponta da toalha da mesa na minha cabeça, fingindo que estava com vergonha, de brincadeira. Eu acho, dadas as circunstâncias, que era um pouco cedo (não apenas com relação às horas) para testar o humor deles. A piada não funcionou. Enquanto Fernando tomou um vôo separado para Buenos Aires, nós tivemos um café da manhã e um vôo silencioso de volta ao lar doce lar.
Quando nós chegamos em Houston, eu me dei conta de que tinha subestimado o pelo duro desses dois grandes profissionais. Um gelo qualquer foi derretido. Dissemos nossos adeus, comemorando a viagem de vários dias. Nenhum deles foi malicioso para perguntar sobre o conteúdo da minha entrevista, mas Cristopher, quando foi pegar sua conexão para o leste me disse, na nossa partida: “Bem...eu acho que vamos todos lê-la”.

Sí, Se Puede!
Estava sentado num canto de minha cama com minha mulher, meu filho e minha filha, lágrimas caíndo do meu rosto, enquanto Barack Obama falava pela primeira vez como presidente-eleito dos Estados Unidos da América. Eu fechei meus olhos e comecei a ver o filme na minha cabeça. Também podia escutar a música, que muito apropriadamente era Dixie Chicks cantando uma música de Fleetwood Mac, sobre imagens montadas em baixa velocidade. Lá estavam eles: Bush, Hannity, Cheney, McCain, Limbaugh e Robertson. Eu os vi todos. E a música soava mais alto quando a imagem de Sarah Palin entrou em cena. Natalie Maines cantava docemente:

E eu vi meu reflexo nas montanhas cobertas de neve
até que a vitória acachapante me derrubou
A vitória acachapante me derrubou...(1)

(*) Sean Penn é ator e diretor de cinema
Texto publicado em The Nation
Tradução: Katarina Peixoto

(1) Em caso de interesse no complemento da peça cinematográfica imaginada por Sean Penn, pode-se ver e escutar a performance musical (sic) por ele referida via este link:http://www.youtube.com/watch?v=hGErtl9HZ7I&feature=related. N.deT.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Sean Penn: CONVERSAÇÕES COM HUGO CHÁVEZ E RAÚL CASTRO (I)

O ator e cineasta Sean Penn visitou Venezuela e Cuba, em outubro deste ano, quando se econtrou com os presidentes dos dois países, Hugo Chávez e Raul Castro. Ele relatou essas conversas em um artigo publicado no The Nation.

2 de Dezembro de 2008/Pátria Latina

http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=403ea2e851b9ab04a996beab4a480a30&cod=2713

Joe Biden, que em breve seria eleito vice-presidente, falava vigorosamente para as tropas: “Não podemos mais ser dependentes de energia de um ditador da Arábia Saudita ou da Venezuela”. Bem, eu sei o que é a Arábia Saudita. Mas, tendo estado na Venezuela em 2006, visitando favelas, me misturando com a rica oposição e passando dias e horas com os apoiadores do presidente, eu me pergunto, sem me perguntar, a quem o Senador Biden estava se referindo. Hugo Chávez Frias é o presidente democraticamente eleito da Venezuela (e por democraticamente eleito eu quero dizer que ele foi repetidas vezes apresentado perante os eleitores em eleições reconhecidas por observadores internacionais e obteve larga vantagem de votos, num sistema que, apesar de seus defeitos e irregularidades, permitiu aos seus opositores que lhe atacassem e ocupassem o seu cargo, tanto no referendo nacional no ano passado como nas recentes eleições regionais no último novembro).
As palavras de Biden foram do tipo de retórica que nos levou recentemente a uma guerra com perdas de vida e de altíssimo custo financeiro, a qual, enquanto derrubou um patife no Iraque, também derrubou a maior parte dos princípios dinâmicos sobre os quais os Estados Unidos foi fundado, intensificando o recrutamento para a AlQaeda e desconstruindo as Forças Armadas dos EUA.
Nestas alturas, em outubro de 2008, eu já tinha digerido minhas primeiras visitas a Venezuela e a Cuba e o tempo que passei com Chávez e com Fidel Castro. Tenho estado cada vez mais intolerante com a propaganda. Apesar de o próprio Chávez ter uma queda pela retórica, esta nunca foi causa de uma guerra. Esperando “desmitificar” esse “ditador”, decidi lhe fazer uma outra visita. Nesse momento eu tinha dito a amigos, privadamente: “É verdade, Chávez pode não ser um homem bom. Mas também é possível que seja um grande homem.”
Entre os amigos a quem disse isso estavam o historiador Douglas Brinkley e o colunista da Vanity Fair, Cristopher Hitchens. Esses dois se complementam perfeitamente. Brinkley é um intelectual sólido, notável, cujo código de ética de historiador lhe assegura adesão suprema a evidências arrazoadas. Hitchens, um ardiloso operador de palavras, sempre muito imprevisível em suas preferências, é elemento insuspeito sob qualquer ponto de vista, já que uma vez, num programa de televisão, referiu-se a Chávez como um “palhaço rico em petróleo”. Ainda que eu pense que Hitchens é tão brilhante como íntegro, ele pode ser combativo ao ponto de agredir, como o fez uma vez com comentários pesados sobre a santa ativista antiguerra Cindy Sheehan. Brinkley e Hitchens equilibrariam qualquer viés em minha escrita. Além disso, são dois caras com quem tenho muita alegria e por quem tenho muita afeição.
Então, pedi a Fernando Sulichin, um velho amigo argentino e produtor independente de cinema, muito bem relacionado, que ele conseguisse uma entrevista com Chávez. Além disso, queríamos voar da Venezuela a Havana, e eu pedi a Fernando que solicitasse, em meu nome, entrevistas com os irmãos Castro, mais urgentemente com Raúl, que tomou as rédeas do poder de um Fidel doente em fevereiro – e que nunca tinha dado uma entrevista a um estrangeiro. Eu tinha viajado a Cuba em 2005, quando tive a grande sorte de encontrar Fidel, e estava ávido por uma entrevista com o novo presidente. O telefone tocou às duas da tarde do dia seguinte: “Mi hermano”, disse Fernando. “Está feito”.
Nosso vôo de Houston a Caracas atrasou devido a problemas mecânicos. Era uma da manhã e, enquanto esperávamos, Hitchens dizia, andando, impaciente: “muito raramente só uma coisa dá errado”. Ele deve ter gostado do jeito que soou, porque disse de novo. Ele era o pessimista de Deus. Eu disse: “Hitch, vai dar tudo certo. Vão nos arranjar um outro avião e chegaremos lá a tempo”. Mas o pessimista de Deus é na verdade o ateísta pessimista de Deus. E eu seria lembrado depois da clareza desse ateísmo. Alguma outra coisa ia na verdade dar errado. Bem, errado ou certo, como você dirá. Em duas horas estávamos chegando.
Quando aterrissamos no aeroporto de Caracas, Fernando estava lá para nos receber. Ele nos levou a um terminal privado, onde esperamos pela chegada do Presidente Chávez, que nos levaria numa agenda eleitoral da campanha para governador na bela Ilha Margarita.
“A Doutrina Monroe tem de ser quebrada”, disse Chávez. “Nós estamos presos nela há mais de 200 anos".
Passamos os dois dias seguintes na companhia constante de Chávez, com muitas horas de encontros privados entre nós quatro. No compartimento privado do avião do presidente, achei que quando se trata de baseball o domínio do inglês de Chávez aumenta. Quando Douglas pergunta se a Doutrina Monroe deveria ser abolida, Chávez, querendo escolher suas palavras cuidadosamente, verte-as para o espanhol para detalhar as nuances de sua posição contra essa doutrina, que justificou a intervenção norte-americana na América Latina por quase dois séculos. “A Doutrina Monroe tem de ser quebrada”, ele disse. “Nós estamos presos nela há mais de 200 anos. Isso sempre nos traz de volta o velho confronto de Monroe versus Bolívar. Jeferson costumava dizer que a América deveria engolir uma a uma das repúblicas do sul. O país em que você nasceu baseou-se numa atitude imperialista.”
A inteligência venezuelana diz-lhe que o Pentágono tem planos para invadir seu país. “Eu sei que eles estão pensando em invadir a Venezuela”, diz Chávez. Parece que ele vê a destruição da Doutrina Monroe como medida de seu destino. “Ninguém vai mais chegar aqui e explorar nossos recursos naturais”. Ele está preocupado com a reação norte-americana às suas declarações ousadas sobre a Doutrina Monroe? Ele cita o militante uruguaio pela liberdade José Gervasio Artigas: “Com a verdade eu não ofendo nem temo”.
“Qual a diferença entre você e Fidel?” Chávez diz, “Fidel é um comunista. Eu não sou. Eu sou um social-democrata. Fidel é um marxista-leninista. Eu não sou. Fidel é um ateísta. Eu, não.
Hitchens estava sentado quieto, tomando notas ao longo da conversa. Chávez reconhece uma centelha de ceticismo nos seus olhos. “CRIS-tó-fer, faz-me uma pergunta. Faz a pergunta mais difícil!”. Eles trocaram um sorriso. Hitchens diz: “Qual a diferença entre você e Fidel?” Chávez diz, “Fidel é um comunista. Eu não sou. Eu sou um social-democrata. Fidel é um marxista-leninista. Eu não sou. Fidel é um ateísta. Eu, não. Um dia discutimos sobre Deus e Cristo. Eu disse a Castro que sou um cristão. Eu acredito nos Evangelhos Sociais de Cristo. Ele, não. Simplesmente, não. Mais de uma vez, Castro me disse que Venezuela não é Cuba e que não estamos nos anos 60”.
“Você vê”, diz Chávez, “a Venezuela deve ter um socialismo democrático. Castro tem sido um professor para mim. Um mestre. Não em ideologia, mas em estratégia”. Talvez ironicamente, John Kennedy é o presidente dos EUA favorito de Chávez. “Eu era um menino”, ele disse. "Kennedy era a força motriz das reformas na América”. Surpreso pela afinidade de Chávez com Kennedy, Hitch entra na conversa referindo o plano econômico para a América Latina de Kennedy, contra Cuba. “A Aliança para o Progresso era uma coisa boa?” “Sim”, diz Chávez. “A Aliança para o Progresso era uma proposta política para melhorar condições. Foi pensada para diminuir as diferenças sociais entre culturas”.
As conversas entre nós quatro continaram em ônibus, comícios e inaugurações em toda a Ilha Margarita. Chávez não cansa. Ele falava com cada novo grupo de pessoas por horas debaixo de um sol a pino. Dorme no máximo 4 horas por noite, gastando a primeira hora de sua manhã lendo as notícias do mundo. E, uma vez de pé, ele é incansável, a despeito do calor, umidade e das duas camadas de camisetas vermelhas revolucionárias que ele veste.
Eu tinha três motivações centrais para essa viagem: incluir as vozes de Brinkley e de Hitchens, aprofundar meu entendimento de Chávez e da Venezuela e estimular minha mão de escritor e me engajar pelo apoio de Chávez para que os irmãos Castro encontrem a nós três em Havana. Ainda que Fernando tenha me assegurado que essa terceira peça do quebra-cabeças estava encaixada, houve algum mal-entendido cultural ou linguístico nas nossas conversas telefônicas. Enquanto isso, a CBS News aguardava uma reportagem de Brincley, Vanity Fair uma de Hitchens e eu estava escrevendo para o The Nation.
“Se Barack Obama for eleito presidente dos Estados Unidos, o senhor aceitaria um convite para voar até Washington encontrá-lo?”. Chávez respondeu imediatamente: “Sim”.
No nosso terceiro dia na Venezuela nós agradecemos ao Presidente Chávez por seu tempo, os quatro entre seguranças pessoais e imprensa no aeroporto de Santiago Marino na Ilha Margarita. Brincley tinha uma questão final e eu também: “Senhor Presidente”, disse ele, “se Barack Obama for eleito presidente dos Estados Unidos, o senhor aceitaria um convite para voar até Washington encontrá-lo?”. Chávez respondeu imediatamente: “Sim”.
Quando chegou minha vez de perguntar, eu disse: “Presidente, é muito importante para nós encontrarmos os irmãos Castro. É impossível contar a história da Venezuela sem incluir Cuba – e impossível contar a história de Cuba sem os Castro”. Chávez nos prometeu que iria ligar para o Presidente Castro no momento em que entrasse no avião e pedir-lhe em seu nome pelo encontro, mas nos alertou que seria improvável que seu irmão mais velho, Fidel, pudesse responder tão rapidamente ao convite, já que ele estava escrevendo e refletindo muito nesses dias, sem ver muita gente. Ele tampouco faria promessas sobre Raúl. Chávez subiu no seu avião e nós vimos ele voar embora.
Na manhã seguinte saímos para Havana. Vou revelar tudo: estávamos num avião emprestado pelo Ministério de Energia e Petróleo da Venezuela. Se alguém quer se referir a isso como um suborno, fique à vontade. Mas quando você ler a próxima reportagem de um jornalista voando no Air Force One [o avião presidencial norte-americano], ou a bordo de um avião de transporte das forças armadas dos EUA, seja tão gentil como o está sendo ao rejeitar este artigo aqui. Nós gostamos do luxo na viagem, mas nossa reportagem permanece independente.
Para mim os riscos pessoais eram bastante altos. Pegar o avião até Havana sem uma mínima garantia de acesso a Raúl estava me deixando ansioso. Cristopher tinha cancelado algumas palestras importantes na última hora para fazer essa viagem. Não era hábito seu deixar os outros esperando. Então, para ele, era pegar ou largar e ele estava ficando agitado. Douglas, um professor de História na Universidade Rice, teria de retornar rapidamente para suas obrigações acadêmicas. Fernando sentia o peso de nossa expectativa de que ele fosse nosso batedor. E eu, bem, contava com o telefonema de Chávez a Raúl, tanto para conseguir a entrevista como para salvar minha reputação com meus companheiros.
Aterrissamos em Havana ao meio-dia e nos encontramos, na pista de aterrissagem, com Omar Gonzalez Jimenez, presidente do Instituto Cubano de Cinema, e Luis Alberto Notario, cabeça da ala de co-produção internacional do Instituto. Eu tinha passado um tempo com ambos na minha viagem anterior a Cuba. Começamos a falar de coisas pessoais enquanto caminhávamos até a alfândega, até que Hitch deu um passo à frente e, sem pudor algum, disse: “Senhor, precisamos ver o Presidente!”. “Sim”, disse Omar. “Nós estamos sabendo do pedido, e ele foi passado ao presidente. Ainda estamos esperando por sua resposta”.
Mas, pelo resto do dia até a tarde do dia seguinte torturamos nossos anfitriões com a batida incessante de Raúl, Raúl, Raúl. Eu acho que se Fidel tivesse condições e pudesse ter arranjado tempo, ele telefonaria. E, se não, eu continuaria grato pelo nosso encontro anterior e disse isso na nota que lhe escrevi e passei através de Omar. Raúl eu só conhecia através do que tinha lido, e não tinha a mínima idéia se ele iria ou não nos encontrar.
Mesmo o visitante sente o espírito de uma cultura que proclama, de várias maneiras: “Este é o nosso lugar especial”.
Os cubanos são um povo especialmente caloroso e hospitaleiro. Como nossos anfitriões, nos levaram para dar uma volta na cidade, onde notei que o número de carros americanos dos anos 50 diminuiu mesmo nos poucos anos que se passaram desde a minha última visita, dando lugar aos russos de design menor. Numa volta pela aparição invasiva da Secção de Interesses dos EUA (Sina) pelo Malecón, onde as ondas quebram contra a parede molhando os carros, vi algo quase indescritível sobre a atmosfera de Cuba. É a presença palpável da arquitetônica e humana história viva num pedaço de terra rodeado de água. Mesmo o visitante sente o espírito de uma cultura que proclama, de várias maneiras: “Este é o nosso lugar especial”.
Demos voltas pela Havana Velha e, numa exposição envidraçada fora do Museu da Revolução, vimos o Granma, o barco usado para transportar revolucionários do México em 1956. Passamos pelo Palácio de Belas Artes, com sua coleção de peças apaixonadas e políticas de um corte transversal da profunda reserva de talento de Cuba. Fizemos então um passeio pelo Instituto Superior de Artes e depois fomos jantar com o presidente da Assembléia Nacional, Ricardo Alarcón e com Roberto Fabelo, um pintor que eles convidaram depois que eu expressei meu apreço por seu trabalho no museu, naquela tarde. Já pela meia-noite ainda não havia uma palavra de Raúl Castro. Depois disso fomos levados à casa de protocolo, onde descansaríamos até o amanhecer.
Ao meio-dia do dia seguinte, o despertador estava disparando alto nos nossos ouvidos. Nós ainda tínhamos dezesseis horas em Havana antes de pegar nosso vôo de volta para casa. Estávamos sentados numa mesa em La Castellana, um restaurante luxuoso de Havana Velha, com um grande grupo de artistas e músicos que, liderados pelo famoso pintor cubano Kcho, tinham criado a Brigada Martha Machado, uma organização de voluntários que estão ajudando às vítimas dos furacões Ike e Gustav na Ilha da Juventude. A Brigada tem pleno apoio do governo, em dólares, aviões e pessoal, coisa que daria inveja aos nossos enviados para a costa do golfo depois do furacão Katrina. Também conosco estava Antonio Castro Soto del Valle, um rapaz bonito e humilde que é o filho de 39 anos de Fidel Castro. Antonio, que estudou medicina, é chefe da equipe médica do time de baseball cubano. Eu tive uma rápida mas agradável conversa com ele e re-enfatizei nossa agenda Raúl.
O relógio não estava mais funcionando. Estava pesando. Omar me disse que nós escutaríamos a decisão do presidente em breve. Dedos cruzados, Douglas, Hitch, Fernando e eu voltamos à casa de protocolo para pegar nossas bagagens, antes. Por volta de 6 horas da tarde, estávamos a dez horas da nossa volta. Eu estava sentado no térreo na sala de estar, lendo sob a fraca luz de fim de tarde. Hitch e Douglas estavam nos seus quartos, no primeiro andar, eu acho que descansando para afastar a ansiedade. E no sofá ao meu lado estava Fernando, roncando.
Então, Luis apareceu na porta aberta da frente. Eu olhei de soslaio sobre os meus óculos como se ele tivesse me dado uma resposta muito direta. Sem palavras, apontei para cima, onde meus companheiros estavam descansando. Mas Luis mexeu a cabeça se desculpando. “Só você”, ele disse. O presidente tinha tomado a decisão.
Eu poderia escutar as palavras de dúvida de Hitch no meu ouvido, “Muito raramente uma só coisa dá errado”. Ele estava falando de mim? Et mi, Brute? Em todo caso, pus a mão nos bolsos para ter certeza de que estava com as notas tomadas na Venezuela, com minha caneta, meus óculos e saí com Luis. Logo antes de eu bater a porta do carro que estava esperando, eu escutei a voz de Fernando me chamando. “Sean!” Nós partimos no carro.
Nos EUA, o Presidente cubano Raúl Castro, ex-ministro das forças armadas da ilha, tem sido tratado como um “militarista frio” e um “fantoche” de Fidel. Mas o jovem comandante de Sierra Maestra está provando que as serpentes estão erradas.
Nos EUA, o Presidente cubano Raúl Castro, ex-ministro das forças armadas da ilha, tem sido tratado como um “militarista frio” e um “fantoche” de Fidel. Mas o jovem comandante de Sierra Maestra está provando que as serpentes estão erradas. Na verdade, o “Raulismo” está em alta, ao lado do recente boom econômico industrial e agrícola. O legado de Fidel, como o de Chávez, dependerá da sustentabilidade de uma revolução flexível, que possa sobreviver à partida de seus líderes pela morte ou renúncia. Mais uma vez Fidel foi subestimado pelo Norte. Na escolha por seu irmão Raúl, ele pôs a política do dia-a-dia do país em mãos formidáveis. Num informe do Conselho para Assuntos Hemisféricos, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, John Casey, admitiu que o Raulismo poderia levar o país a “maior abertura e liberdade para o povo cubano”.
Logo logo estou sentado numa pequena mesa polida no gabinete do governo com o Presidente Castro e um tradutor. “Fidel ligou há alguns minutos”, ele me disse. “Ele quer que eu telefone depois que conversemos”. Há um humor na voz de Raúl que lembra uma vida de tolerância afetuosa pelo olhar atento do seu irmão mais velho. “Ele quer saber tudo o que falamos”, disse com sorriso de sabedoria. “Eu nunca gostei da idéia de conceder entrevistas”, disse. “Diz-se muitas coisas mas, quando são publicadas tornam-se curtas, condensadas. As idéias perdem seu sentido. Eu soube que você faz filmes longos. Talvez também faça longo jornalismo”. Eu prometi a ele que escreveria o mais rápido que pudesse, e que publicaria tanto como escrevesse. Informalmente ele me disse que havia prometido sua primeira entrevista como presidente a outros, e não queria multiplicar o que poderia ser construído como um insulto; por isso escolheu a mim só e não aos meus companheiros.
“A reforma agrária de 1959 foi o Rubicão de nossa revolução. Uma sentença de morte para as nossas relações com os EUA”.
Castro e eu tomamos uma xícara de chá. “Quarenta e seis anos atrás, hoje, exatamente a esta hora do dia, mobilizamos tropas, Alameda no oeste, Fidel em Havana, eu em Areda. Ao meio-dia me disseram que em Washington o Presidente Kennedy discursaria.
(*) Sean Penn é ator e diretor de cinema
Texto publicado em The Nation
Tradução: Katarina Peixoto

(1) Em caso de interesse no complemento da peça cinematográfica imaginada por Sean Penn, pode-se ver e escutar a performance musical (sic) por ele referida via este link:http://www.youtube.com/watch?v=hGErtl9HZ7I&feature=related. N.deT.

NA PROXIMA EDIÇÃO, PARTE FINAL: Sean Penn: CONVERSAÇÕES COM HUGO CHÁVEZ E RAÚL CASTRO (II)

sábado, 1 de março de 2008

Llegará mañana a Cuba Presidente de la República de Mozambique

La Habana / 1 marzo 2008 / Granma / http://www.granma.cubaweb.cu

Cumpliendo una invitación oficial del Presidente de los Consejos de Estado y de Ministros de la República de Cuba, compañero Raúl Castro Ruz, llegará mañana a Cuba, el Excelentísimo señor Armando Emilio Guebuza, Presidente de la República de Mozambique.

Esta visita contribuirá a profundizar las relaciones de amistad y cooperación existentes entre ambos países. Actualmente, laboran en Mozambique 214 colaboradores cubanos; de ellos, 118 en el sector de la salud. Asimismo, a lo largo de estos años, se han graduado en Cuba 3 786 estudiantes mozambicanos. En el actual curso escolar, otros 48 jóvenes de ese hermano país cursan estudios en instituciones educacionales cubanas.

El distinguido visitante viaja acompañado de una amplia delegación integrada por Alcinda António de Abreu, Ministra de Asuntos Exteriores y Cooperación; Aires Bonifácio Ali, Ministro de Educación y Cultura; Fernando Sumbana, Ministro de Turismo; Venâncio Massingue, Ministro de Ciencia y Tecnología; Paulo Ivo Garrido, Ministro de Salud; así como por otros funcionarios del gobierno y la Cancillería mozambicana.

Durante su estancia en nuestro país, el Presidente Guebuza sostendrá conversaciones oficiales con el Presidente de los Consejos de Estado y de Ministros de Cuba y se entrevistará con otros dirigentes del Estado cubano. También recorrerá lugares de interés histórico, científico y social.

Síntesis biográfica del excelentísimo señor Armando Emilio Guebuza, presidente de la República de Mozambique

Nació el 20 de enero de 1943, en Murrupula, provincia de Nampula.

Desde muy joven se integró a la lucha por la independencia y pasó a ser miembro del Núcleo de los Estudiantes Secundarios Africanos de Mozambique (NESAM) fundado por Eduardo Chivambo Mondlane.

Ingresó en el Frente de Liberación de Mozambique (FRELIMO) en 1963. Dos años después fue electo miembro del Comité Ejecutivo. En el transcurso de la lucha armada de liberación nacional, fue nombrado Comisario Político, funciones que ejerció hasta 1973.

En 1974, luego de la firma de los Acuerdos de Lusaka, fue designado Ministro de Administración Interna durante el Gobierno de Transición. Después de la proclamación de la independencia nacional en 1975, fue nombrado Ministro del Interior, cargo que desempeñó hasta 1977.

De 1978 a 1979, ejerció las funciones de Gobernador de Cabo-Delgado y en mayo de 1983 regresó al cargo de Ministro del Interior con el grado de Teniente General.

En 1990, fue designado jefe de la delegación gubernamental que participó durante dos años en las conversaciones de paz en Italia.

En el primer parlamento multipartidista fue electo diputado por la provincia de Maputo y más tarde fue electo jefe de la bancada del FRELIMO en el Parlamento.

En las elecciones generales de 1999, fue nuevamente electo diputado por la provincia de Sofala, manteniéndose como jefe de la bancada del FRELIMO.

Desde el 2004, es Presidente de la República y también del gobernante partido FRELIMO, cuya Secretaría General ya había asumido por elección, desde el 2002.

Es casado y tiene cuatro hijos.

http://www.granma.cubaweb.cu/2008/03/01/cubamundo/artic02.html

Envía Presidente de Timor Leste felicitación a Raúl

El Presidente Interino de Timor Leste, Fernando La Sama de Araujo, expresó en mensaje a Raúl Castro, Presidente de los Consejo de Estado y de Ministros de Cuba el reconocimiento de su país por la contribución de la colaboración cubana para el desarrollo social de esa nación. Aprovecho esta oportunidad para expresar mis votos de salud y de bienestar para el señor Comandante Fidel Castro, dice en parte del texto de su misiva

A continuación el texto íntegro del mensaje

PRESIDENTE DE LA REPÚBLICA

Palácio das Cinzas, 27 de febrero de 2008.

Señor Presidente:

Le transmito mis felicitaciones por la investidura de su Excelencia en los altos cargos de Presidente del Consejo de Estado y del Consejo de Ministros de la República de Cuba.

Deseo aprovechar esta oportunidad para expresar el reconocimiento de Timor Leste por la contribución de la colaboración cubana para el desarrollo social de nuestro país y reiterarle la gran importancia que la misma tiene para nosotros. La asistencia y el apoyo de Cuba han sido esenciales para proseguir nuestros objetivos nacionales de la alfabetización de adultos, de la promoción de los cuidados de salud primarios y secundarios, de la formación de médicos, enfermeros y otro personal de salud timorenses, y en general para la consolidación de los servicios públicos de salud en el país.

En el desempeño interino de mis actuales funciones, como en el ejercicio de otros cargos, continuaré empeñado en el desarrollo de la cooperación entre nuestros países y en la profundización de las relaciones de amistad entre nuestros pueblos.

En el momento en que escribo, continúan siendo muy positivas las noticias de la evolución de la salud del Presidente José Ramos-Horta, después de que fue atacado el pasado 11 de febrero. El Presidente de la República presenta verdadera mejoría y los médicos que lo asisten en el Hospital Real de Darwin esperan una recuperación completa dentro de algunas semanas.

Aprovecho esta oportunidad para expresar mis votos de salud y de bienestar para el señor Comandante Fidel Castro.

Reafirmando los votos de salud y de bienestar para su Excelencia y de desarrollo y progreso para el pueblo de la República de Cuba, quiero transmitirle mis sentimientos de elevada consideración y estima.

Fernando La Sama de Araujo

Presidente de la República Interino

http://www.granma.cubaweb.cu/2008/03/01/cubamundo/artic06.html

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

CUBA DEPOIS DE FIDEL

Agência Carta Maior/Blog do Emir/24 fevereiro 2008

A eleição de Raul Castro como chefe de governo e de José Ramon Machado Ventura como segundo obedece aos critérios que teve sempre Fidel Castro ao longo das mais de cinco décadas desde o início do processo insurrecional cubano. Representa confiança na velha guarda, naqueles que desde o primeiro momento acreditaram no processo revolucionário e se comprometeram com ele. São os casos do próprio Raul Castro e de Ramon Ventura. Os dois tem poucos menos que Fidel, pertencem à primeira geração dos revolucionários cubanos.
Dos outros nomes mencionados, apenas Ricardo Alarcon pertence à geração imediatamente posterior. Era presidente da União Nacional de Estudantes de Cuba, a Une, no momento da vitória da revolução. Os outros – Carlos Lage, Felipe Roque – com diferenças de idade, pertencem politicamente à geração formada diretamente por Fidel ao longo das últimas décadas, pertencendo à geração que já nasceu depois do triunfo da revolução.
Cuba tem uma nova direção política, sem Fidel. A direção que o sucede está composta por aqueles mesmos que compartilhavam com ele essa direção – tanto os que estiveram com ele desde o início do processo revolucionário, quanto aqueles que ele mesmo formou.
A renúncia de Fidel a seguir na direção política de Cuba fecha um ciclo na revolução, mas precisa ser localizada na evolução interna desse país, para que nos demos conta exata do seu significado e das suas possíveis conseqüências. Fidel é a revolução, para todos os cubanos. Foi sempre o dirigente máximo e, ao mesmo tempo, o maior crítico dos problemas e dos erros da revolução, incluindo os seus próprios.
Foi o dirigente máximo, porque foi quem melhor sintetizou as necessidades de direção do processo revolucionário. Foi – como Lênin – grande dirigente de massas, grande dirigente de partido e grande estadista. Só mesmo quem não conhece as condições concretas de luta pode questionar o fato de Fidel ter se mantido à cabeça do processo revolucionário e de Cuba ter mantido um Estado forte. Este se fez sempre necessário pela agressividade do maior império da história da humanidade – os EUA -, a 140 quilômetros de distância, sem nunca ter conseguido derrotar a revolução cubana, nem ter sucesso nos inúmeros atentados contra Fidel.
Nenhum outro dirigente apresentou condições de direção política que pudesse substituir a Fidel. A revolução não se poderia dar o luxo de substituí-lo. Ele dirigiu a revolução e continua a ser a referência ideológica central. Cuba contou com ele no período mais difícil da revolução - o chamado “período especial”, particularmente os anos entre 1989-1994.
Quando a sociedade cubana se tornava mais madura, mais complexa, se diversificavam as demandas, em especial das novas gerações, Cuba teve que enfrentar uma situação de retrocesso, restringindo a possibilidade de satisfazê-las.
As condições de superação do “período especial” estão dadas, seja pela adaptação da economia cubana às novas condições internacionais, seja pelos acordos com a Venezuela e a China e pela descoberta de petróleo em Cuba. Com ou sem Fidel, com ou sem um eventual presidente democrata nos EUA, Cuba ia ter que promover readequações – de caráter econômico e político, principalmente.
Raúl Castro representa a continuidade mais direta com Fidel, tem revelado no seu comportamento uma disposição de abertura ao debate e, ao mesmo tempo, a consciência de não ter o protagonismo de seu irmão, buscando abrir espaço para as novas gerações. Cuba viveria uma situação nova nestes anos. Agora não conta com Fidel como dirigente político e, principalmente, como líder de massas, fazendo com que seus discursos fossem as expressões determinantes no diálogo com o povo cubano.
A transição institucional está realizada, concluída, com a eleição da nova direção do Estado cubano. Fidel continua na direção do Partido, mas já manifestou que limitará sua atuação aos artigos, mesmo se Raul afirmou que vai consultar sempre o irmão, reafirmando o lugar de referência ideológica do regime cubano.
É com essa equipe que Cuba completará os 50 anos da revolução e enfrentará uma nova fase da sua história.

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