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terça-feira, 4 de março de 2008

Timor-Leste/Considerou Mari Alkatiri:«A democracia está em risco»

Rui Neumann e Tiago Farinha/Jornal Digital/4 março 2008

Díli – O duplo atentado, 11 de Fevereiro, contra o chefe de Estado timorense, Ramos-Horta, e o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, reforçou a tensão inter partidária. Em entrevista à PNN, Mari Alkatiri insistiu que as duvidas sobre o duplo atentado estão a pôr em risco a democracia, para saída da crise apenas aceita que a Fretilin participe no Governo se «for para liderar o Governo.»
Mari Alkatiri, secretário-geral da Fretilin, considerou que se as interrogações do duplo atentado não ficarem esclarecidas podem por em causa o processo democrático em Timor e teme que o impasse da actual situação se torne numa «bomba retardatária».
O secretário-geral da Fretilin afirma que o relato relativo ao ataque contra Xanana Gusmão, «é uma ficção barata» e lembra que Mário Carrascalão, numa entrevista à Lusa, já considerara o mesmo ataque como uma «montagem».
Em entrevista à PNN, Mari Alkatiri realçou mistérios que envolvem o ataque ao primeiro-ministro, segundo fontes do secretário-geral da Fretilin, o veículo de Xanana Gusmão inicialmente apresentava impactos de duas balas, pouco depois foi apresentado com a marca de 16 tiros. «Enviámos imediatamente uma pessoa ao local que tirou fotografias», contou Alkatiri, «dizia-se que o carro tinha ido pela ribanceira abaixo, e depois estava parado na estrada. Só mais tarde é que foi pela ribanceira.»
O secretário-geral da Fretilin continua a afirmar que ainda existem fortes suspeitas relativamente ao atentado. «Como é que o Alfredo Reinado vai atacar a pessoa (Ramos-Horta) que estava a procurar uma solução airosa para si mesmo? Quem foi atacado primeiro, foi o Reinado ou o Presidente da Republica? Se foi o Reinado, segundo os primeiros dados, este terá sido morto uma hora antes. Se foi morto antes, porque que os homens do Reinado e os do Presidente da República ficaram a olhar uns para os outros até ao Presidente chegar?» questionou Alkatiri.
O mesmo responsável político defendeu a necessidade de uma comissão de inquérito independente. «Países que têm aqui presença, nas áreas da justiça ou assessores na área da segurança, não podem ter os seus elementos a fazer parte desta comissão», e sublinha que se os atentados ocorreram «com toda esta presença, e se a investigação incriminar a presença internacional, ou a ONU, a tendência é naturalmente encobrir» e lembrou que existem países que não estão presentes em Timor capazes de efectuar um inquérito independente. Em relação à presença do FBI em Timor, com o objectivo de proceder às investigações sobre os atentados, Alkatiri é céptico: «Ao fim e ao cabo, são instrumentalizados. Mesmo que queiram ser sérios, não podem.» Receia, também, que as conclusões do FBI fiquem apenas nas mãos do Procurador-Geral da Republica e não sejam apresentadas ao público.
Os motivos que levaram ao duplo atentado são ainda um enigma, o secretário-geral da Fretilin sugere que existem indícios que assentam na intenção de Ramos Horta convocar eleições antecipadas. «Presidente da Republica tinha dito claramente que haveria eleições antecipadas em 2009. É claro que quem governa não gosta disso. Estas dúvidas precisam de ser esclarecidas para o bem das pessoas que estão envolvidas. Eu no lugar do Xanana, seria o primeiro a dizer que queria esta investigação fosse feita de forma independente. Eu fui também vítima de tudo isto em 2006» e afirma: «Não vale a pena escudar-se na imunidade e tentarmos encontrar caminhos que não convencem.»
Para Mari Alkatiri a actual crise é a sequência da crise de 2006. «2006 aconteceu porque Xanana queria o poder e não tinha o poder. E agora, depois de estar como primeiro-ministro sentia que não tinha o poder» afirmou o mesmo responsável político. Questionado pela PNN se considera que Xanana Gusmão está a caminho de uma ditadura Alkatiri responde: «Xanana Gusmão gosta do poder. Democracia para Xanana é ter todos juntos mas sob o seu comando. Todos falam, mas ele é que manda.»
«Xanana é um patriota e rejeito que digam que vendeu a pátria aos australianos. Mas Xanana não consegue pensar como Estado, pensa como guerrilheiro. Para ele, a guerrilha é assim. Já quando era líder no tempo da resistência, foi ele que abriu as portas para os partidos todos mas o comando era dele. Ele pensa que tudo tem de continuar assim. Pensa que é o único que consegue ainda congregar todos» considerou Mari Alkatiri.
Para a saída da crise Mari Alkatiri defendeu como primeira medida o fim do Estado de Sitio: «Os cidadãos quando se sentem livres, perdem o medo e podem dizer as verdades.»
O mesmo responsável político considerou que o Estado de Sitio, e Emergência, «está a ser usado para intimidar as pessoas. A população vai-se cansar com todas essas medidas, particularmente nos bairros de Díli. Já estamos a regressar ao tempo da indonésia, as pessoas já não dormem em casa. Bairros de Tunanara, Pité, são jovens que têm medo que a polícia os vá buscar à noite”, e qualifica o risco da população se revoltar como “uma bomba retardatária.»
«O poder deve acreditar que a melhor forma de controlar esta população é meter-lhes medo, para não haver manifestações, qualquer outra acção violenta. Não há direito a manifestação, não há direito a reuniões públicas. Costumo reunir em minha casa com muita gente e há alguns dias passaram aqui os polícias a perguntar aos meus seguranças o que é que nós estávamos a fazer» testemunhou Alkatiri.
O secretário-geral da Fretilin, defende «mais do que nunca» eleições antecipadas, e exige a saída do actual Governo o qual «não tem capacidade para sozinho enfrentar as dificuldades» e considerou a AMP (Aliança Maioria Parlamentar, liderada por Xanana Gusmão) como uma «manta de retalhos». Evocando a necessidade de da criação de uma Junta de Salvação Nacional só aceita a participação do seu partido no Governo se «for para liderar o Governo.»

sábado, 1 de março de 2008

Timor-Leste/José Ramos-Horta conhecia agressor, diz líder da oposição

Foto: Mari Alkatiri, secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor Leste Independente (FRETILIN) e ex-primeiro ministro de Timor-Leste


Díli, 1º março 2008 (Lusa) - O presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, "conhece o homem que disparou sobre ele, um elemento do grupo de Alfredo Reinado, embora não saiba o nome", afirmou neste sábado à Agência Lusa o líder da oposição timorense, Mari Alkatiri, depois de uma visita ao governante, hospitalizado na Austrália.

O secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor Leste Independente
(Fretilin) visitou o chefe de Estado timorense no Hospital Real de Darwin, onde Ramos-Horta continua se recuperando do ataque sofrido em 11 de fevereiro.

"O presidente viu quem atirou sobre ele", afirmou Mari Alkatiri, contatado por telefone em Darwin pela Lusa. "É um elemento do grupo de Alfredo Reinado de quem ele não sabe o nome, mas de quem ele conhece a cara, dos encontros que teve com Reinado".

O presidente timorense comandou, desde a sua eleição em maio de 2007, o processo de negociações para resolver o problema de Alfredo Reinado, principal rosto da crise política e militar de 2006, acusado de crimes de homicídio, rebelião contra o Estado e posse ilegal de material de guerra.

O major fugitivo Alfredo Reinado liderou o ataque à residência presidencial em Díli, em que foi morto ao lado de outro elemento do seu grupo. Ramos-Horta foi ferido gravemente no atentado.

Encontro

A referência ao autor dos disparos contra José Ramos-Horta "foi a única vez que o nome de Alfredo Reinado foi pronunciado durante a conversa", explicou Mari Alkatiri à Lusa.

No resto do encontro, "não tocamos no nome de Alfredo" durante os 45 minutos que durou a visita no hospital, disse o dirigente da Fretilin, ex-primeiro-ministro e líder da oposição.

"Foi uma visita de amigos. Disse ao presidente que não estava em Darwin para discutir assuntos políticos. Isso fica para depois do seu regresso às funções", afirmou Alkatiri.

Segundo o dirigente da Fretilin, José Ramos-Horta "está bem disposto, fisicamente muito magro, mas intelectualmente muito lúcido". Os dois líderes políticos chegaram a trocar piadas durante o encontro, segundo o dirigente da Fretilin.

"Eu disse-lhe que ele já ressuscitou", revelou Alkatiri, acrescentando que conversaram também sobre a "situação timorense, mas só da parte positiva", como a captura dos responsáveis pelo duplo ataque de 11 de fevereiro.

Situação no país

Segundo o ex-premiê, fizeram ainda comentários sobre "uma operação na qual ainda nenhum tiro foi disparado para ferir ou matar alguém" e da resposta positiva dos oficiais rebeldes, conhecidos como peticionários, ao processo de aquartelamento.

"O presidente Ramos-Horta quer acompanhar cada vez mais o que se passa no Timor Leste e está completamente consciente do que se passa em Díli. No entanto, as informações sobre a situação atual foram prestadas antes pelo presidente interino", disse Alkatiri

O presidente interino, Fernando "La Sama" de Araújo, viajou também para Darwin, no mesmo avião em que seguiram Mari Alkatiri e o chefe da Missão Integrada das Nações Unidas no Timor Leste (UNMIT), Atul Khare.

Sobre os ataques de 11 de fevereiro, José Ramos-Horta manifestou a Mari Alkatiri "a vontade de uma investigação profunda".

"Ele continua a acreditar na busca do consenso e à Fretilin pediu que colaborasse nos esforços de diálogo", afirmou o secretário-geral da oposição timorense, partido que venceu as eleições de junho de 2007.

A hipótese de eleições antecipadas não foi abordada na visita, mas Alkatiri afirmou à Lusa que, "se acontecerem, terão que ser em 2009".

Durante a vistia, Mari Alkatiri levou ainda uma mensagem do primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, ao chefe de Estado hospitalizado.

Envía Presidente de Timor Leste felicitación a Raúl

El Presidente Interino de Timor Leste, Fernando La Sama de Araujo, expresó en mensaje a Raúl Castro, Presidente de los Consejo de Estado y de Ministros de Cuba el reconocimiento de su país por la contribución de la colaboración cubana para el desarrollo social de esa nación. Aprovecho esta oportunidad para expresar mis votos de salud y de bienestar para el señor Comandante Fidel Castro, dice en parte del texto de su misiva

A continuación el texto íntegro del mensaje

PRESIDENTE DE LA REPÚBLICA

Palácio das Cinzas, 27 de febrero de 2008.

Señor Presidente:

Le transmito mis felicitaciones por la investidura de su Excelencia en los altos cargos de Presidente del Consejo de Estado y del Consejo de Ministros de la República de Cuba.

Deseo aprovechar esta oportunidad para expresar el reconocimiento de Timor Leste por la contribución de la colaboración cubana para el desarrollo social de nuestro país y reiterarle la gran importancia que la misma tiene para nosotros. La asistencia y el apoyo de Cuba han sido esenciales para proseguir nuestros objetivos nacionales de la alfabetización de adultos, de la promoción de los cuidados de salud primarios y secundarios, de la formación de médicos, enfermeros y otro personal de salud timorenses, y en general para la consolidación de los servicios públicos de salud en el país.

En el desempeño interino de mis actuales funciones, como en el ejercicio de otros cargos, continuaré empeñado en el desarrollo de la cooperación entre nuestros países y en la profundización de las relaciones de amistad entre nuestros pueblos.

En el momento en que escribo, continúan siendo muy positivas las noticias de la evolución de la salud del Presidente José Ramos-Horta, después de que fue atacado el pasado 11 de febrero. El Presidente de la República presenta verdadera mejoría y los médicos que lo asisten en el Hospital Real de Darwin esperan una recuperación completa dentro de algunas semanas.

Aprovecho esta oportunidad para expresar mis votos de salud y de bienestar para el señor Comandante Fidel Castro.

Reafirmando los votos de salud y de bienestar para su Excelencia y de desarrollo y progreso para el pueblo de la República de Cuba, quiero transmitirle mis sentimientos de elevada consideración y estima.

Fernando La Sama de Araujo

Presidente de la República Interino

http://www.granma.cubaweb.cu/2008/03/01/cubamundo/artic06.html

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Timor-Leste/Fretilin não iria reconhecer Governo de Xanana com acordo entre partidos

(Fonte e sublinhados: Timor Online)

Díli, 19 fevereiro 2008 (Lusa) - A Fretilin não iria reconhecer o Governo de Xanana Gusmão com o acordo interpartidário que estava a ser promovido pelo Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, disse hoje à agência Lusa o secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri.
"De modo algum iríamos reconhecer o Governo. Iríamos sim cooperar com sentido de Estado para resolver os problemas que são de todos nós, que não são só problemas do Governo", afirmou Mari Alkatiri.
O líder da oposição e ex-primeiro-ministro identificou os problemas dos deslocados, de Alfredo Reinado (antes da sua morte) ou dos peticionários como "problemas do país, do Estado, que exigem que todos se juntem para resolver", posição que "não significa reconhecer o Governo".
Apesar de assumir que o acordo não implicava reconhecer o Executivo de Xanana Gusmão, Mari Alkatiri admite, contudo, que estaria disponível para uma eventual revisão da Constituição.
"Se há artigos (referentes à questão da formação do Governo) que não são claros para alguns podemos estudar isso para tornar cada vez mais claro", disse.
"A Constituição da República Democrática de Timor-Leste é para estar em vigor durante décadas ou séculos e por isso é bom que, se há artigos que criaram algum conflito, esses artigos sejam tornados claros", acrescentou Mari Alkatiri ao salientar que foi a Fretilin que escreveu o texto fundamental e que previa a sua revisão a partir de 2008.
Alkatiri confirma ainda a manifestação de vontade de Ramos-Horta em convocar eleições antecipadas para o Parlamento e chefia do Estado em 2009 e a necessidade de realizar mais algumas reuniões entre os partidos políticos para chegar a um acordo global de soluções para os problemas que afectam o país.
Nas declarações à agência Lusa, Mari Alkatiri subscreve também a posição revelada em Lisboa pelo líder do PSD, Mário Carrascalão, ao salientar ser uma "opção errada" entregar o comando das opções de captura do ex-tenente Gastão Salsinha e do seu grupo às Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).
"Colocar as F-FDTL atrás do grupo do Salsinha vai fazer crescer o problema que já existia entre o grupo do Salsinha e as próprias F-FDTL o que significa que pode aprofundar a crise leste/oeste (lorosae/loromonu) de novo", afirmou.
O Governo timorense entregou domingo o comando das operações de busca e captura do grupo de Gastão Salsinha ao chefe do Estado-Maior General das F-FDTL, brigadeiro-general Taur Matan Ruakàs F-FDTL.
Alegadas discriminações no seio das F-FDTL a favor de naturais do leste do país estiveram na base da crise de 2006, que resultou no despedimento de cerca de 600 militares (os peticionários) pelo Governo então liderado por Mari Alkatiri, que acabou por deixar o cargo, e em confrontos que provocaram mais de 30 mortos e 150 mil desalojados.
Sobre o ataque a Xanana Gusmão, Mari Alkatiri sublinha parecer estar-se perante um "filme de ficção" porque, garante, numa "emboscada com espingardas-metralhadoras naquela curva, ninguém sairia vivo".
"Montagem! Quem o teria feito? Parece que estamos um pouco num filme de ficção", disse Mari Alkatiri ao recordar que nenhum dos veículos da comitiva do chefe do Governo tem alguma protecção especial de blindagem.
O líder da Fretilin continua também com dúvidas sobre os ataques de 11 de Fevereiro, explica que para si "não há ainda luz ao fundo do túnel" e que se fosse investigador, as "primeiras pessoas que iria questionar eram aqueles que estavam em casa de Ramos-Horta".
"Depois de ter sabido que o Alfredo (Reinado) tinha morrido uma hora antes (de Ramos-Horta ter sido ferido) tornou-se ainda mais estranho para mim", afirmou ao interrogar "quem, afinal, tentou matar José Ramos-Horta?".

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Timor-Leste/Procurador de Dili recusa interrogar Xanana Gusmão

The Southeast Asian Times/News Reports
Tradução de Margarida/Timor Online/21 janeiro 2008

Dili, Janeiro 18:

O supostamente imparcial Procurador-Geral de Timor-Leste Longuinhos Monteiro tem-se recusado a investigar a alegação do suspeito de homicídio-desertor-amotinado Alfredo Reinado de que o presidente agora-primeiro-ministro Xanana Gusmão foi o autor dos distúrbios do ano passado que levaram o país recém-independente à beira da guerra civil e a uma ocupação militar liderada pelos Australianos.


Em vez disso, Longuinhos Monteiro – que foi rápido a investigar anteriormente falsas acusações contra o antigo primeiro-ministro Mari Alkatiri – diz que precisa do conselho do propagandista de Gusmão e ministro dos estrangeiros durante os distúrbios - o agora presidente, José Ramos-Horta.


Porque é que um procurador-geral independente precisaria do conselho de um presidente com um papel principalmente cerimonial não é explicado.

Os habitualmente barulhentos apoiantes do eixo Gusmão-Horta -os media corporativos Australianos – têm andado estranhamente calados sobre este imbróglio apesar de terem relatado o último apelo para os seus co-cidadãos rezarem pelo seu antigo torturador, o General Soeharto, que está a morrer em Jacarta.

O pedido para Gusmão ser interrogado foi feito numa carta do presidente da Fretilin ao Procurador-Geral

A carta de Francisco Guterres 'Lu-Olo'segue-se à distribuição de um CD video através de Timor-Leste onde Alfredo Reinado faz acusações contra o presidente-primeiro-ministro.

O The Southeast Asian Times noticiou a entrevista logo que ele caiu no domínio público.

Longuinhos Monteiro tem sido citado pelos media domésticos de Timor-Leste como tendo dito que não intervirá por que o conteúdo do vídeo é demasiadamente político.

E que precisaria ainda de saber o que presidente pensa da acção que deveria ser tomada.
Inicialmente, o duvidosamente-nomeado primeiro-ministro fintou os repórteres Timorenses que queriam a sua resposta às alegações de Reinado.

Agora ele ameaçou prendê-los se e quando re-emergir a instabilidade.

"Têm de exercer mais responsabilidade em relação a um ambiente de estabilidade ou instabilidade. Fechamos os olhos nos casos de coisas pequenas e grandes quando vão entrevistar o Alfredo," disse ele.
O Comandante das Forças Internacionais de Estabilização, o Brigadeiro Australiano, John Hutcheson, disse que as suas tropas não serão usadas para capturar quer Alfredo Reinado ou os seus seguidores armados.

Disse ele que o foragido-amotinado formados pelos Australianos era um problema interno.

O que disse Reinado:
No seu discurso amplamente relatado em Timor-Leste mas até agora ignorado pelos media estrangeiros, Reinado disse que Gusmão esteve por detrás do movimento de protesto nas forças armadas conhecido como os "peticionários” que desertaram em massa no princípio de 2006.

Disse Reinado: "Ele (Gusmão) chama-nos maus, mas foi ele que nos criou, que nos fez como somos. É ele o autor da petição. Ele esteve por detrás disto tudo. Agora como Primeiro-Ministro ele mudou de paleio e está a lavar as mãos.

"Ele virou-se contra nós, contra aqueles a quem ele deu ordens e a quem criou. Foi com o apoio dele que em primeiro lugar emergiu a petição, Foram os seus discursos irresponsáveis aos media que levaram as pessoas a lutar e a matarem-se umas contra outras e a muitas mais coisas, como ele bem sabe.

"Dou o meu testemunho como testemunha, que Xanana é o autor principal desta crise; Ele não pode mentir ou negar isto. Ele tentará tudo e fará todo o tipo de manobras para se salvar ele próprio , mas ele não se safará."

O discurso de Reinado contra Gusmão foi noticiado por jornais que circulam principalmente na capital Dili e pela radio da Igreja Católica que se pode ouvir na maior parte do país.
A única estação de televisão de Timor-Leste, a TVTL de propriedade do Governo e controlada por apoiantes de Gusmão, nada emitiu do discurso do vídeo que em cópias DVD andam em circulação na capital.

Reinado avisou também as companhias estrangeiras para não investirem em Timor-Leste porque a crise continua sem estar resolvida.

Reinado é um antigo chefe da polícia militar que passou vários anos na Austrália e se formou na Academia de Defesa Australiana em Canberra em 2005.

No ano seguinte ele liderou um motim nas forças armadas contra o governo da Fretilin do primeiro-ministro Mari Alkatiri que tinha zangado Canberra ao tomar uma postura mais dura do que a esperada nas negociações sobre o petróleo e o gás.

O motim desencadeou ampla violência, facilitada pelo destacamento das tropas Australianas para Timor-Leste e forçou a resignação de Alkatiri que foi substituído por José Ramos-Horta, um aliado estreito de Gusmão.
Os media Australianos actuaram como uma claque para Gusmão e Horta, ecoando o argumento do Primeiro-Ministro Australiano John Howard de que o culpado dos problemas era Alkatiri.

Recomendadas acusações
Contudo uma Comissão Especial Independente de Inquérito da ONU à crise recomendou que Reinado fosse processado e mais tarde ele foi acusado de rebelião, de oito casos de homicídio e de dez casos de tentativa de homicídio.

Apesar da gravidade dos alegados crimes, Reinado recebeu a simpatia aberta e apoio encoberto de Gusmão, que como presidente tem o cargo de comandante das forças armadas .

Um correspondente do jornal The Australian noticiou ter visto uma ordem presidencial para Reinado e os seus colegas amotinados para se acantonarem na cidade de Aileu, a 50 km sudeste da capital.
Após a violência ter escalado em Dili, Reinado mudou-se para as montanhas, criando uma base na Poussada Hotel perto de Maubisse.

O The Australian noticiou que operacionais do Serviço Aéreo Especial da Austrália foram para o hotel para manterem sob observação o Reinado que passou seis semanas na Poussada mas saíu sem pagar a conta.

A conta foi paga pelo Presidente Gusmão, disserem empregados do hotel ao The Australian.

Reinado acabou por ser preso em 27 de Julho de 2006 depois da polícia Portuguesa ter descoberto que ele e os seus homens se tinham mudado para a capital e estavam a ocupar casas do outro lado da rua frente ao quartel dos militares Australianos.

O gang foi preso e esperava julgamento mas um mês depois fugiu da prisão e voltou às montanhas.

Apesar do seu estatuto de foragido Reinado manteve-se em contacto estreito e amigável com as tropas Australianas. Chegou mesmo a ser fotografado com um lançador de mísseis enquanto atendia um “seminário da paz” organizado pela igreja na presença de soldados Australianos.

A mulher Australiana de Gusmão Kirsty Sword Gusmão veio em defesa do acusado de assassínio-foragido da prisão numa entrevista à ABC radio em 6 de Setembro de 2006.

"Ele (Reinado) tem sido retratado de modo incorrecto pelos media Australianos como sendo um desertor, um amotinado," disse a antiga professora primária convertida em rainha da caridade.

"Penso que é importante lembrar que quando ele desertou da polícia militar, foi numa acção de protesto contra o que achava terem sido violações terríveis cometidas pelas nossas forças armadas," disse ela.

Reinado deu um passo adiantado demais para Gusmão e para a Austrália quando tirou armas automáticas de postos da polícia na fronteira em Fevereiro do ano passado.

Forças Australianas tentaram recapturar Reinado mas ele escapou-se de debaixo dos seus narizes uma segunda vez, em 4 de Março de 2007, deixando para trás os corpos de cinco dos seus apoiantes.

O finca-pé entre Reinado e as autoridades desde então tornou-se uma farsa. O Presidente Horta – supostamente engajado num "diálogo" com o amotinado – tem insultado o sector judicial que quer manter as acusações de homicídio contra Reinado.

O comandante militar Australiano em Timor-Leste, Brigadeiro John Hutcheson, foi criticado por um juíz e pelo principal partido da oposição no país, a Fretilin, por ter parado a operação para a detenção de Reinado por instruções de Horta.

O cada vez mais controverso papel das tropas Australianas originou recentemente um comentário do padre da igreja católica Australiana, padre Frank Brennan, um antigo director do Jesuit Refugee Service em Timor-Leste.

Escreveu Brennan: "Há uma percepção crescente entre os críticos locais do governo de Timor que as tropas Australianas são as tropas pessoais do Presidente dada a sua presença lá sem mandato constitucional e a sua resposta pronta ao comando arbitrário de Horta, que pouco respeito mostrou pela tradicional separação de poderes entre o Executivo e o Judicial."

Brennan sublinhou que os apoiantes da Fretilin se sentem ainda enganados com a decisão de Ramos Horta de convidar Gusmão para formar governo, mesmo apesar da Fretilin ter tido mais votos que o partido de Gusmão.

FOTO:
O suspeito de homicídio-desertor-amotinado Alfredo Reinado tem sido muitas vezes entrevistado pelos media internacionais e domésticos. Mas isso era antes de ter dito que o primeiro-ministro Xanana Gusmão fora o arquitecto dos distúrbios do ano passado no país recentemente-independente. Agora o antigo presidente ameaçou os repórteres com prisão se eles entrevistarem o foragido.

Chris Ray

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Dili prosecutor refuses to question Xanana Gusmao

The Southeast Asian Times / From News Reports:

Fonte: Timor Online / 21 janeiro 2008 / http://timor-online.blogspot.com

Dili, January 18: East Timor's supposedly impartial Prosecutor General Longuinhos Monteiro has refused to investigate mutineer-deserter-and-murder-suspect Alfredo Reinado's allegation that president now-prime-minister Xanana Gusmao was the author of last year's disturbances that took the newly-independent country to the brink of civil war and a multi-national Australian-led military occupation.
Instead, Longuinhos Monteiro - who was quickly able to investigate ultimately false accusations against former prime minister Mari Alkatiri - says he needs advice from Gusmao's cheer-leader and foreign minister during the disturbances - the now president, Jose Ramos-Horta.
Why an independent prosecutor general would need the advice of a nominally ceremonial president is not explained.
The usually vociferous supporters of the Gusmao-Horta axis - the Australian corporate media - have been strangely quiet about the imbroglio although it did get to report the latter's call for his countrymen and women to pray for their former tormenter, General Soeharto, who is dying in Jakarta.
The request for Gusmao to be questioned is made in a letter to the Prosecutor General from Fretilin president
Francisco Guterres 'Lu-Olo' and follows distribution of a CD video throughout East Timor in which Alfredo Reinado makes his accusations against the president-prime minister.
The Southeast Asian Times reported the interview soon after it became public.
Longuinhos Monteiro has been quoted by East Timor's domestic media as saying that his office would not intervene because the contents of the video are too political.
He would also need to know what the president thought about what action should be taken.
Initially, the dubiously-appointed prime minister dodged East Timorese reporters who wanted his response to Alfredo Reinado's applications.

Now he has threatened to arrest them if and when instability re-emerges.
"You have to exercise more responsibility towards the environment of stability or instability. We close our eyes when in the case of small and big things you go and interview Alfredo," he said.
The Commander of the International Stabilisation Forces, Australian Brigadier General, John Hutcheson, said his troops will not be used to capture either Alfredo Reinado or his armed followers.
The Australian-trained mutineer-fugitive was an internal problem, he said.

What Reinado said:
In his speech widely reported inside East Timor but so far ignored by the foreign media, Reinado said Gusmao was behind the army protest movement known as the "petitioners" who deserted en masse in early 2006.
Reinado said: "He (Gusmao) calls us bad people, but it was he who created us, made us to be like this. He is the author of the petition. He was behind all of this. Now as a Prime Minister, he has changed his tune and is washing his hands.
"He has turned against us, those who were ordered and created by him. It was with his support that the petition emerged in the first place, it was his irresponsible speeches to the media that made people fight and kill each other until today and many more things, as he knows.
"I give my testimony as a witness, that Xanana is the main author of this crisis; he cannot lie or deny this. He will try anything and make all sorts of manoeuvres to save himself, but he will not succeed."
Reinado's broadside against Gusmao has been reported by newspapers which circulate mainly in the capital Dili and by Catholic Church radio which can be heard over most of the country.
East Timor's sole television station, the government-owned TVTL controlled by Gusmao supporters, has failed to broadcast footage of the speech though DVD copies are circulating in the capital.
Reinado also warned foreign companies not to invest in East Timor because the crisis remains unresolved.
Reinado is a former military police chief who spent several years in Australia and trained at the Australian Defence Academy in Canberra in 2005.
The following year he led an army mutiny against the Fretilin government of prime minister Mari Alkatiri who had angered Canberra by taking a tougher than expected stance in negotiations over oil and gas.
The mutiny sparked widespread violence, facilitated the dispatch of Australian troops to East Timor and forced the resignation of Alkatiri who was replaced by Jose Ramos Horta, a close ally of Gusmao.
Most Australian media acted as little more than a cheer squad for Gusmao and Horta, echoing Australian Prime Minister John Howard's argument that Alkatiri was to blame for the trouble.

Charges recommended

However a United Nations Independent Special Commission of Inquiry into the crisis recommended that Reinado be prosecuted and he was later charged with rebellion, eight counts of murder and 10 counts of attempted murder.
Despite the gravity of the alleged offences Reinado received open sympathy and covert support from Gusmao, who as president held the title of army commander in chief.

A correspondent for The Australian newspaper reported seeing a presidential order for Reinado and his fellow mutineers to base themselves in the town of Aileu, 50km southeast of the capital.
Following escalating violence in Dili, Reinado moved deeper into the mountains, establishing a base at the Poussada Hotel near Maubisse.
The Australian reported that operatives of Australia's Special Air Service went to the hotel to watch over Reinado who spent six weeks at the Poussada but moved out without settling his account.

The bill was paid by President Gusmao, hotel staff told The Australian.
Reinado was eventually arrested on July 27 2006 after Portuguese police discovered he and his men had moved back to the capital and were occupying houses across the street from Australian military headquarters.
The gang were jailed awaiting trial but broke out of prison a month later and went back to the mountains.
Despite his fugitive status Reinado remained in close and friendly contact with Australian troops. He was even photographed with a rocket launcher while attending a church-organised "peace seminar" in the presence of Australian soldiers.
Gusmao's Australian wife Kirsty Sword Gusmao came to the defence of the accused- murderer-turned- prison-escapee in an interview with ABC radio on September 6 2006.
"He (Reinado) has been portrayed somewhat incorrectly in the Australian media as being a renegade, a rebel," said the former schoolteacher turned charity queen.
"I think it's important to remember that when he defected from the military police, it was as a protest action against what he saw as terrible violations committed by our armed forces," she said.
Reinado took a step too far for Gusmao and Australia when he seized automatic weapons from police border posts in February last year.
Australian forces tried to recapture Reinado but he escaped from under their noses a second time, on March 4 2007, leaving behind the corpses of five of his supporters.
The stand-off between Reinado and the authorities has since descended into farce. President Horta - supposedly engaged in a "dialogue" with the rebel - has abused the judiciary for wanting to pursue murder charges against Reinado.
The Australian military commander in East Timor, Brigadier John Hutcheson, has been criticised by a judge and the country's main opposition party, Fretilin, for halting the operation to arrest Reinado on Horta's instructions.
The increasingly controversial role of Australian troops recently drew comment from an Australian Catholic priest Father Frank Brennan, a former director of the Jesuit Refugee Service in East Timor.
Brennan wrote: "There is a growing perception among local critics of the Timor government that the Australian troops are the personal troops of the President given their presence without full constitutional mandate and their ready response to Horta's arbitrary command, which showed little respect for the traditional separation of powers between the Executive and the judiciary."
Brennan noted that Fretilin supporters still feel cheated by Ramos Horta's decision to invite Gusmao to form a government, even though Fretilin outpolled Gusmao's party.

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East Timor mutineer-deserter-and-murder-suspect Alfredo Reinado has been often interviewed by the international and domestic media. But that was before named prime minister Xanana Gusmao as the architect of last year's disturbances in the newly-independent country. Now the former president has threatened reporters with arrest if they interview the fugitive.

http://timor-online.blogspot.com/2008/01/dili-prosecutor-refuses-to-question.html

sábado, 19 de maio de 2007

A «amnésia» de Ramos Horta

Ângelo Alves

Avante – 17.Maio.2007

Ramos Horta ganhou as eleições presidenciais em Timor-Leste. Desfecho pouco surpreendente no quadro de uma instabilidade alimentada por razões e interesses alheios ao povo timorense que visava essencialmente enfraquecer a Fretilin e tentar isolá-la interna e externamente.

O anti-comunismo mais primário e o «papão» do isolamento internacional foram algumas das pedras de toque desta campanha. E o «entusiasmo» de alguns foi tal que facilmente perderam o discernimento e o sentido da responsabilidade. Como Ramos Horta quando, ainda na qualidade de candidato, perdeu a «tramontana» numa entrevista a um diário português: desde acusações de anacronismo político até caricaturas anti-comunistas, tudo serviu para vender a ideia de que a Fretilin sofre do complexo da perseguição e que isso da Austrália, da Indonésia e dos EUA serem contra a Fretilin não passa de uma grande inventona. Concluía o então candidato que «quem ouve os discursos dos «camaradas» da Fretilin, até parece que a Fretilin só tem amigos em Moçambique e em Portugal, e mesmo em Portugal só do lado do PCP». Ora, é necessário lembrar Ramos Horta que foi ele quem, no anúncio da sua candidatura, referiu ter recebido «encorajamento» de vários «países amigos» e enumerou-os: Indonésia, Austrália, Alemanha e EUA. É portanto fácil de perceber que os governos destes países, numa descarada manobra de ingerência aceite e propagandeada pelo próprio, apoiaram um candidato... contra outro, obviamente.

Quanto ao facto de a Fretilin ter amigos em Moçambique e em Portugal, é verdade. Desde longa data. Ramos Horta pode já não querer recordar-se mas a Fretilin foi de facto a grande força obreira da libertação de Timor. Pode não dar jeito lembrar mas Moçambique foi um dos países que mais apoiou a Resistência timorense, e o próprio Ramos Horta. Pode querer escamoteá-lo mas se não lhe falhar a memória reconhecerá que ele próprio recebeu a intensa solidariedade do povo português e do PCP, enquanto elemento da Resistência e da Fretilin, uma e a mesma coisa para o povo português. Quanto à referência específica ao PCP resta-nos agradecer o reconhecimento público e notório da nossa solidariedade para com o povo de Timor. Contudo, a verdade obriga-nos a informar Ramos Horta que não são apenas os comunistas portugueses que se mantêm solidários com Timor, o seu povo e as forças que de forma corajosa prosseguem a luta pela real independência e soberania de Timor.

Xanana E Horta Os “Sobas” Da Era Moderna

Blog Portugal Directo – Quinta-feira, 17 de Maio de 2007

http://portugal-directo.blogspot.com/

De há um ano para cá têm acontecido em Timor-Leste factos impares que a comunidade internacional identifica como a descarada ingerência do governo australiano num país vizinho, com motivações na exploração máxima e quase gratuita do petróleo e gás natural do Mar de Timor a que a Austrália não deitaria a mão se Timor fosse um país soberano.

Políticos timorenses que anteriormente cativaram a opinião pública mundial estão agora em muito baixa cotação, por considerarem que estão claramente dominados pelos interesses energéticos dos australianos e norte-americanos, fazendo o que lhes é sugerido em vez de pensarem com a sua própria cabeça e consolidarem a independência e estabilidade do país.

Nos primeiros meses de 2006, o golpe militar patrocinado pela Igreja, por Xanana Gusmão e Ramos Horta, mas provocado pelos serviços de inteligência norte-americanos e australianos, deram origem a largas dezenas de mortes e centenas de casas devastadas pelo fogo e vandalismo, atingindo o número de refugiados-deslocados timorenses mais de 150 mil pessoas – dos quais ainda restam 30 mil.

Nessa altura, Xanana Gusmão revelou as suas intenções ao partir para o confronto com o então primeiro-ministro Mari Alkatiri, da Fretilin, em vez de procurar ser consensual e pacificador como compete a um Chefe de Estado. Por sua vez Ramos Horta manteve-se na sombra, diplomaticamente hipócrita, e acabou por ocupar o lugar de primeiro-ministro até então de Mari Alkatiri.

Xanana ameaçava demitir-se de Chefe de Estado se Alktiri não se demitisse, chantageando, indiferente às consequências que daí poderiam advir em mais mortes e destruição.
“Não quero governar sobre cadáveres”, foi a resposta de Alkatiri ao sair de chefe do governo, acusando indirectamente Xanana de já estar a presidir sobre cadáveres – coisa que continuaria a fazer.

Várias tentativas de fazer cair todo o governo e a Assembleia Legislativa foram feitas através da instabilidade provocada por grupos arruaceiro e militares rebeldes orquestrados e financiados pela Austrália e pelos Estados Unidos da América, mas dadas as dificuldades impostas pelo facto de a Fretilin ser partido maioritário, Xanana Gusmão recuou e preferiu prolongar a situação de instabilidade, mortes e destruição, com o intuito de desgastar a Fretilin e os seus principais lideres.

Dizendo-se cansado e desiludido da política, anunciou que se iria dedicar à agricultura assim que terminasse o mandato de PR, mas aquilo que foi demonstrado veio comprovar análises de profissionais de vários órgãos de comunicação social que apontavam o dedo a Xanana na sua subserviência a interesses estrangeiros.

O protagonismo de Ramos Horta em quase um ano em primeiro-ministro foi nulo no propósito de governar mas frutuoso na promoção e estruturação do ambiente político que lhe permitiria vir a substituir Xanana Gusmão na Presidência da República, ao invés o percurso de Xanana movimentou-se para a formação de um partido que colhe os “lucros” da implementação de um país em estado de sítio, anunciando que se vai candidatar à Assembleia Legislativa nas eleições de 30 de Junho, porque quer ser primeiro-ministro.

Para quem estava cansado e desiludido com a política e se ia dedicar à agricultura, às abóboras, a recuperação foi rápida.

Temos assim a consumação do golpe de estado por via “democrática”, de forma mais discreta que os golpes militares da América Latina, patrocinados pelos EUA, mas com uma mortandade e uma destruição significativa, que aterrorizou, uma vez mais, os timorenses. Ao ponto de eles votarem nos novos “Sobas” do país para que alguma paz quotidiana lhes seja concedida.

Ramos Horta, em 9 deste mês já foi eleito Presidente da República e irá substituir Xanana Gusmão. Em 30 de Junho, tudo indica, Xanana, com o seu partido CNRT, será eleito primeiro-ministro…

As moscas mudam de poiso mas a trampa vai ser a mesma, como a Austrália quer.