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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Abuso de investigação da polícia para difamar a Fretilin e silenciar deputado

FRENTE REVOLUCIONÁRIA DO TIMOR-LESTE INDEPENDENTE
FRETILIN


COMUNICADO DE IMPRENSA


Quarta-feira Fevereiro 20, 2008

A investigação da polícia sobre os disparos da semana passada contra o Presidente de Timor-Leste José Ramos-Horta está a ser usada para propósitos políticos para intimidar e desacreditar a Fretilin, disse hoje o secretário-geral do partido, Mari Alkatiri.
O Dr Alkatiri disse que o deputado da Fretilin e porta-voz para os media José Teixeira foi levado para a sede da polícia em Dili ontem à noite numa tentativa descarada para sujar o seu nome e estragar a imagem da Fretilin."Isto é perseguição política – Teixeira é um porta-voz para os media eficaz e alguém autoritariamente quer calá-lo," disse.
"Exigi uma explicação do comandante da Polícia de Timor-Leste Afonso de Jesus que foi incapaz de explicar porque é que Teixeira foi levado.
"É uma tentativa desgraçada para politizar a força da polícia e usar a investigação aos disparos contra o presidente para ganhos político partidários."
José Teixeira, o ministro da energia no antigo governo da Fretilin, disse que seis carros cheios de polícias Timorense armados o levaram da sua casa às 7.15 pm sob ordens do vice-comandante de operações da polícia Mateus Fernandes.
"Eles não tinham mandatos de captura para a minha prisão e aparentemente a operação foi conduzida sem conhecimento do oficial de topo de investigação da polícia," disse Teixeira.
"Fui levado perante o investigador de topo da polícia que disse que seria interrogado no dia seguinte (Quarta-feira) porque não tinha sido ainda informado que linha é que o interrogatório ia seguir.
"Fui libertado depois dum protesto do Dr Alkatiri."
"A polícia pediu-me para eu me apresentar na sede da polícia para interrogatório esta manhã."
Dada a maneira muito pesada com que me trataram, sem qualquer justificação legal, vou tomar aconselhamento legal quanto às minhas opções. Nada tenho a esconder da investigação, mas este é ainda um país sob domínio da lei e é a lei que deve prevalecer ao lidar com os direitos dos cidadão."

Contactar: José Teixeira em Dili telefone +670 728 7080
(Fonte: Timor Online/20 fevereiro 2008)


Police investigation misused to smear Fretilin and silence MP


FRENTE REVOLUCIONÁRIA DO TIMOR-LESTE INDEPENDENTE
FRETILIN


MEDIA RELEASE

Wednesday February 20, 2008

The police investigation into last week's shooting of Timor Leste President Jose Ramos-Horta is being misused for political purposes to intimidate and discredit Fretilin, the party's general secretary, Mari Alkatiri said today.
Dr Alkatiri said Fretilin member of parliament and media spokesman Jose Teixeira was taken to Dili police headquarters last night in a blatant attempt to blacken his name and damage Fretilin's image.
"This is political persecution – Teixeira is an effective media spokesman and someone in authority wants to shut him up," he said.
"I demanded an explanation from Timor Leste Police commander Afonso de Jesus who was unable to give any explanation why Teixeira was taken in.
"It is a disgraceful attempt to politicise the police force and use the investigation into the shooting of the president for party-political gain."
Jose Teixeira, the minister for energy in the former Fretilin government, said six car loads of armed Timorese police took him from his home at 7.15pm on the orders of deputy police commander (operations) Mateus Fernandes.
"They had no warrant for my arrest and the operation apparently was conducted without the knowledge of the senior police investigating officer," Teixeira said.
"I was brought before the senior police investigator who said my questioning would take place the following day (Wednesday) because he had not yet been briefed on the line of questioning to be taken.
"I was released after a protest from Dr Alkatiri."
"The police asked me to present myself at police headquarters for questioning this morning.
"Given the heavy handed manner in which I was dealt with, without any legal justification, I am taking legal advice as to my options. I have nothing to hide from the investigation, but this is still a country under the rule of law and it is the law which should prevail in dealing with citizens' rights."

Contact: Jose Teixeira in Dili phone +670 728 7080
(Fonte: Timor Online/20 fevereiro 2008)

A MAIS ESTRANHA CRISE DE TODAS DE TIMOR-LESTE

Por Tom O'LincolnMR Zine/19 fevereiro 2008/Fonte e tradução: Timor Online

A última crise de Timor-Leste é a mais estranha de todas. O tiroteio que deixou o presidente José Ramos Horta nos cuidados intensivos e matou o carismático amotinado Major Alfredo Reinado, não está ainda explicado.
Primeiro disseram-nos que era uma tentativa de golpe pelas forças de Reinado, ex-soldados dissidentes que tinham vindo dos seus esconderijos nas montanhas para cercar a casa de Horta e depois para balearem o carro do Primeiro-Ministro Xanana Gusmão. Supostamente isto acontecera depois dum encontro entre o Presidente e o Major que tinha “acabado azedamente”.
Depois emergiu que Reinado morreu primeiro: "vizinhos e pessoal da casa de Ramos Horta disseram ao Australian que não foi Reinado quem disparou o primeiro tiro. Pelo contrário, disseram que ele apareceu ao portão a perguntar pelo Presidente e que foi quase imediatamente baleado num olho."
A seguir o cunhado de Ramos Horta, João Carrascalão, afirmou que ambos o Presidente e o Major tinham sido tramados, parece que por secções das forças armadas. Carrascalão diz que alguém baleou o Presidente pelas costas quando ele subiu um monte a pé em direcção aos homens de Reinado. Entretanto o Ministro da Economia João Gonçalves revela que o encontro entre Horta e Reinado fora um grande sucesso, e que estava a caminho um acordo de amnistia para ambos o Major e os seus seguidores. Então porque é que os amotinados iam atacar?Ramos Horta pode recuperar ou não o suficiente para retomar as funções. Reinado foi-se, mas, pelo menos por agora, reforçou-se o seu culto entre sectores da população a oeste de Dili. Os amotinados continuam ao largo, e os Australianos levaram um enorme golpe no seu prestígio ao terem permitido que tudo isto acontecesse mesmo debaixo dos seus narizes.
30,000 pessoas continuam a viver em campos depois da violência de 2006, enquanto as inundações e uma praga de gafanhotos torna a vida miserável. Agências falam de "fadiga de dadores" enquanto a imagem heróica de Timor-Leste se dilui e a ONU se apresta a cortar rações aos habitantes dos campos. O governo tem um plano para ajudar os deslocados a regressarem a casa, mas leis de propriedade confusas atrapalham o caminho.
Podia-se esperar conversa de acção para responder às necessidades das pessoas, mas a resposta do novo governo Australiano do Labor ecoa a do seu predecessor da ala direita -- botas no terreno. O Primeiro-Ministro Kevin Rudd tinha criticado o regime de Howard por se apoiar em soluções militares, mas mandou rapidamente novas forças armadas para Timor, elevando o total para cerca de um milhar, fazendo o grosso da chamada Força Internacional de Estabilização. Estes incluem comandos SAS que falharam uma tentativa para capturar Reinado apesar de terem helicópteros Blackhawk e "todo o tipo de aparelhagem moderna."
Eles enfrentaram críticas ferozes depois do tiroteio. "Não há nenhuma necessidade de enviarem mais tropas," disse o líder da Oposição Mari Alkatiri. "Já têm tropas suficientes aqui para fazerem o trabalho." disse o chefe das forças militares de Timor-Leste, Brigadeiro-General Taur Matan Ruak, que estava "chocado" por as forças de Reinado poderem ter alcançado a casa de Horta no desconhecimento dos Australianos.
A situação está carregada. Há uma relação simbiótica entre o governo Horta-Gusmão que conseguiram o cargo com muita dificuldade o ano passado e a presença Australiana (e da Nova Zelândia). O governo está efectivamente escorado por tropas estrangeiras, ao mesmo tempo que os planos Australianos para estabilizar o país assentaram no prestígio pessoal de Gusmão e nas capacidades políticas de Ramos Horta. Agora as tropas são um motivo de risota. Horta está ferido com gravidade, a versão dos eventos de Gusmão parece desacreditada e um chateado antigo partido do governo, a Fretilin, aguarda a sua vez no fragmentado parlamento. Todos os planos de Canberra podem-se desconjunturar.
Os estrategas Australianos estão a fazer perguntas nervosas acerca do plano de jogo a longo prazo de Rudd e da estratégia económica do governo de Timor-Leste.
Como o poderoso comentador do jornal Australian Greg Sheridan realça, o espalhar destes eventos pode cruzar-se com tumultos noutras partes do "mundo da Melanésia" -- um ponto que Rudd fez durante a eleição. Isso é as ilhas Estados etnicamente relacionadas que correm desde o leste de Timor até às Fiji. Sheridan quer que a Austrália comece com energia para durar e actue com mais agressividade.
"A Austrália é uma força separada e poderosa na política de Timor-Leste e quanto mais depressa reconhecer isso, melhor. A Canberra nunca devia ter autorizado que Timor-Leste tivesse desenvolvido ambas uma força armada e uma polícia, por exemplo." E diz que a crise corrente "sublinha a necessidade dumas forças armadas Australianas maiores."
Mas essas forças armadas cada vez são menos populares em Timor-Leste. Na semana antes de Ramos Horta ter sido atacado, o seu filho Loro escreveu que os Australianos estavam "a abusar da hospitalidade," citando uma série de ultrajes, por exemplo o incidente de Outubro de 2006 quando a ADF estabeleceu postos de controlo à volta do quartel das forças armadas de Timor-Leste. "Taur Matan Ruak foi prevenido sob armas apontadas de sair do seu próprio quartel" até ter sido revistado, o que deixou um trave amargo desta "humilhação às mãos dum soldado adolescente Australiano."
Uma das razões porque a "Força de Estabilização" se estampou ao comprido é por falta de raízes na sociedade local. Reinado escapou ao seu poder porque tinha uma fonte próxima dos Australianos. Contudo parece que ninguém contará nada aos Australianos.
À primeira vista parece que o governo devia ser capaz de fazer um plano económico. No fim de contas há os rendimentos do petróleo e do gás, com mais de um bilião de dólares num fundo especial em Nova Iorque. Horta e Gusmão foram para as eleições do ano passado a prometerem canalisar esses fundos mas pouco fizeram sobre isso. Isto acontece em parte porque a estratégia deles parece ser a de um regime neo-liberal de desregulamentar com impostos mínimos para os negócios e a máxima confiança no espírito empresarial. Mesmo se isso não pusesse em risco de acabar nas mãos de capitalistas predadores a maioria dos recursos, a realidade é que os empresários não arriscam nada no pesadelo de segurança que Timor-Leste é hoje.
Depois do assalto falhado contra Reinado, multidões fizeram barricadas nas ruas de Dili, queimaram pneus e gritaram "Australianos vão-se embora!" A raiva explodiu outra vez quando as tropas atacaram um campo de deslocados perto do aeroporto em 23 de Fevereiro, usando tanques, gás lacrimogénio e balas e mataram duas pessoas. Mas é preciso uma força social mais coerente para desafiar tropas imperialistas. O candidato mais provável é a Fretilin, mas este partido parece mais ansioso para reganhar o controlo parlamentar do que para construir um movimento social mais amplo.
Há uma outro golpe no horizonte para Kevin Rudd, contudo: outras forças do exterior que gostam de se intrometer. Portugal eatá a tentar recuperar algum do seu antigo poder. A bem conhecida estratégica diplomática de China está a construir mega-estruturas para bajular o governo, incluindo o novo edifício do Ministério dos Estrangeiros que de acordo com uma revista é "o maior edifício do país – obscenamente grande – muitas vezes o tamanho do Hospital de Dili Hospital." Eles têm esperança de influência no retorno.
Talvez o mais surpreendente é a re-emergência da Indonésia. Yanto Soegiarto, um jornalista próximo dos militares Indonésios, oferece uma solução para os problemas de Timor-Leste. "Dêem aos militares Indonésios uma oportunidade para restaurar a segurança e a estabilidade em Timor e a situação melhorará. . . . a Indonésia e Timor-Leste têm agora uma relação fraternal. Os Timorenses verão as tropas Indonésias mais como os seus novos irmãos comparados com o estilo Ocidental, dos soldados brancos pesadamente armados que tentam sempre parecer superiores."
Isto não é tão absurdo quanto parece, dadas as multidões que aplaudiam o Presidente Indonésio Yudhoyono quando da sua visita em 2005. O governo de Jacarta, ainda muito intimamente ligados aos militares, não está contente com a visão de um milhar de tropas Australianas ao pé da sua porta e procurará bastante novos caminhos para reganhar peso em Timor-Leste.

Tom O'Lincoln tem sido activo na esquerda desde 1967, no German SDS, na UC Berkeley, e durante muitos anos em Melbourne Australia. É autor ou editor de cinco livros sobre história e políticas Australiana (Into the Mainstream: The Decline of Australian Communism; Years of Rage: Social Conflicts in the Fraser Era; United We Stand: Class Struggle in Colonial Australia; Class and Class Conflict in Australia; e Rebel Women in Australian Working Class History), e mantém o website de intervenções marxistas: www.anu.edu.au/polsci/marx/interventions/.
Tom é um membro da Alternativa Socialista.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Timor-Leste/Fretilin não iria reconhecer Governo de Xanana com acordo entre partidos

(Fonte e sublinhados: Timor Online)

Díli, 19 fevereiro 2008 (Lusa) - A Fretilin não iria reconhecer o Governo de Xanana Gusmão com o acordo interpartidário que estava a ser promovido pelo Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, disse hoje à agência Lusa o secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri.
"De modo algum iríamos reconhecer o Governo. Iríamos sim cooperar com sentido de Estado para resolver os problemas que são de todos nós, que não são só problemas do Governo", afirmou Mari Alkatiri.
O líder da oposição e ex-primeiro-ministro identificou os problemas dos deslocados, de Alfredo Reinado (antes da sua morte) ou dos peticionários como "problemas do país, do Estado, que exigem que todos se juntem para resolver", posição que "não significa reconhecer o Governo".
Apesar de assumir que o acordo não implicava reconhecer o Executivo de Xanana Gusmão, Mari Alkatiri admite, contudo, que estaria disponível para uma eventual revisão da Constituição.
"Se há artigos (referentes à questão da formação do Governo) que não são claros para alguns podemos estudar isso para tornar cada vez mais claro", disse.
"A Constituição da República Democrática de Timor-Leste é para estar em vigor durante décadas ou séculos e por isso é bom que, se há artigos que criaram algum conflito, esses artigos sejam tornados claros", acrescentou Mari Alkatiri ao salientar que foi a Fretilin que escreveu o texto fundamental e que previa a sua revisão a partir de 2008.
Alkatiri confirma ainda a manifestação de vontade de Ramos-Horta em convocar eleições antecipadas para o Parlamento e chefia do Estado em 2009 e a necessidade de realizar mais algumas reuniões entre os partidos políticos para chegar a um acordo global de soluções para os problemas que afectam o país.
Nas declarações à agência Lusa, Mari Alkatiri subscreve também a posição revelada em Lisboa pelo líder do PSD, Mário Carrascalão, ao salientar ser uma "opção errada" entregar o comando das opções de captura do ex-tenente Gastão Salsinha e do seu grupo às Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).
"Colocar as F-FDTL atrás do grupo do Salsinha vai fazer crescer o problema que já existia entre o grupo do Salsinha e as próprias F-FDTL o que significa que pode aprofundar a crise leste/oeste (lorosae/loromonu) de novo", afirmou.
O Governo timorense entregou domingo o comando das operações de busca e captura do grupo de Gastão Salsinha ao chefe do Estado-Maior General das F-FDTL, brigadeiro-general Taur Matan Ruakàs F-FDTL.
Alegadas discriminações no seio das F-FDTL a favor de naturais do leste do país estiveram na base da crise de 2006, que resultou no despedimento de cerca de 600 militares (os peticionários) pelo Governo então liderado por Mari Alkatiri, que acabou por deixar o cargo, e em confrontos que provocaram mais de 30 mortos e 150 mil desalojados.
Sobre o ataque a Xanana Gusmão, Mari Alkatiri sublinha parecer estar-se perante um "filme de ficção" porque, garante, numa "emboscada com espingardas-metralhadoras naquela curva, ninguém sairia vivo".
"Montagem! Quem o teria feito? Parece que estamos um pouco num filme de ficção", disse Mari Alkatiri ao recordar que nenhum dos veículos da comitiva do chefe do Governo tem alguma protecção especial de blindagem.
O líder da Fretilin continua também com dúvidas sobre os ataques de 11 de Fevereiro, explica que para si "não há ainda luz ao fundo do túnel" e que se fosse investigador, as "primeiras pessoas que iria questionar eram aqueles que estavam em casa de Ramos-Horta".
"Depois de ter sabido que o Alfredo (Reinado) tinha morrido uma hora antes (de Ramos-Horta ter sido ferido) tornou-se ainda mais estranho para mim", afirmou ao interrogar "quem, afinal, tentou matar José Ramos-Horta?".