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terça-feira, 26 de abril de 2016

BrasilMovimento Fé e Política condena golpe "patrocinado por corruptos"



25 abril 2016, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

 
Representantes do Movimento Nacional Fé e Política aprovaram, neste fim de semana, um documento condenando energicamente o golpe de Estado em curso no Brasil. O movimento reuniu centenas de militantes de movimentos sociais, de pastorais, sociólogos, cientistas polítcos, sindicalistas e teólogos, em Campina Grande, entre 22 e 24 de abril. 

De acordo com o documento, o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff é um golpe, "executado por forças antidemocráticas e antipopulares". Segundo o texto, a votação na Câmara dos Deputados, no último dia 17, deixou claro que se trata de uma "fraude patrocinada por pessoas corruptas e

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Brasil/ DOROTHY STANG, VÍTIMA DO LATIFÚNDIO -- Frei Betto

12 fevereiro 2015, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra--MST http://www.mst.org.br (Brasil)

Por Frei Betto


Quem de fato matou Dorothy Stang foi o latifúndio, conforme denúncia dos bispos católicos brasileiros reunidos em Aparecida, em abril de 2013.

Eram 7h30 da manhã de 12 de fevereiro de 2005. Irmã Dorothy Stang, religiosa estadunidense naturalizada brasileira, 73, se dirigia à área do Projeto Esperança de Desenvolvimento Sustentável, em Anapu (PA).

No caminho, Rayfran das Neves a abordou. Perguntou se estava armada. Dorothy exibiu a Bíblia: “Eis a minha arma.” E leu trechos em voz alta.

O rapaz não se intimidou. A recompensa pelo crime importava mais que a vida da missionária que defendia pequenos agricultores, posseiros e sem-terras. Sacou a arma e descarregou nela sete tiros, sendo um na cabeça.


Há tempos, Dorothy sofria ameaças. Poucos dias antes havia escrito: “Não vou fugir nem abandonar a luta desses agricultores desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar.”

Rayfran, condenado a 27 anos de prisão, teve como mandante o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, condenado, em 2013, a 30 anos. Passou por três julgamentos. O primeiro, em

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Brasil/20 ANOS SEM CHICO MENDES



28 novembro 2008/Portal do MST http://www.mst.org.br

Na próxima quarta-feira (3/12), a partir das 10h, o Congresso Nacional e várias entidades da sociedade civil realizam um ato em homenagem a Chico Mendes. Neste ano de 2008, o assassinato deste que foi um grande lutador completa 20 anos.

Guardião da floresta e combatente da opressão

Francisco Alves Mendes Filho nasceu no Seringal Porto Rico no município de Xapuri em 15 de dezembro de 1944, filho de pais nordestinos que migraram para a Amazônia. Desde os 11 anos já trabalhava como seringueiro partilhando o destino comum àquelas famílias que em vez de ir à escola trabalham para extrair o látex.

Chico Mendes teve a fortuna de encontrar aquele que seria seu grande mestre, Fernando Euclides Távora, que não só lhe ensinou a ler e a escrever, mas o caminho que o levaria a se interessar pelos destinos do planeta e da humanidade.

Em 1975, já militando nas comunidades eclesiais de base - as Cebs - funda o primeiro sindicato de trabalhadores rurais no Acre, em Brasiléia, junto com seu amigo Wilson Pinheiro. Em março de 1976 organiza junto com seus companheiros, o primeiro Empate no Seringal Carmen.

O Empate consistia na reunião de homens, mulheres e crianças, sob a liderança dos sindicatos, para impedir o desmatamento da floresta, prática que se tornaria emblemática da luta dos seringueiros. Nos Empates alertavam os ´peões` a serviço dos fazendeiros de gado, geralmente de fora do Acre, que a derrubada da mata significava a expulsão de famílias de trabalhadores, convidava-os a se associar à sua luta oferecendo 'colocações` e 'estradas`de seringa para trabalhar e, firmes, expulsava-os dos seus acampamentos de destruição impedindo seu trabalho.

Os Empates tiveram um papel decisivo na consolidação da identidade dos seringueiros e essa forma de resistência acabou por chamar a atenção de todo o Brasil, sobretudo após o assassinato de seu amigo Wilson Pinheiro em 21 de julho de 1980.

http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=6084

quinta-feira, 5 de junho de 2008

BRASIL - MARTÍRIO E MISSÃO A PARTIR DAS CEBS

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br
4 junho 2008

RM * Por Dirceu Benincá
Sacerdote, doutorando em Ciências Sociais pela PUC/SP e mestre pela mesma universidade. É coordenador dos cursos online no CESEP/SP, membro da equipe nacional de CEBs e co-autor do livro CEBs: nos trilhos da inclusão libertadora. São Paulo, Paulus, 2006.

Com maior ou menor intensidade, ao longo da história do cristianismo sempre houve batismo de sangue por causa da fé. Em tempos mais recentes, na América Latina e Caribe, os mártires se multiplicaram. Isso evidencia, por um lado, o aprofundamento das injustiças e desigualdades sociais e, por outro, a resistência e a luta do povo na defesa dos diversos direitos, da vida e da dignidade humana. O mártir é alguém consciente da conjuntura sócio-histórica; da ordem que produz a desordem; das forças que geram a fraqueza. É portador de um projeto coletivo. Pensa para além das contradições do presente; enxerga através da noite escura e ousa ajudar o dia a clarear. Doa-se aos poucos ou tudo de uma vez, ancorado em uma espiritualidade profético-libertadora.

CEBs: uma Igreja martirial

As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) têm suas raízes no movimento desencadeado por Jesus de Nazaré. Surgidas no contexto do Concílio Vaticano II (1962-1965), ao longo de sua história foram vistas com suspeita, questionadas e até perseguidas. Alguns as rotularam de subversivas e comunistas. Porém, elas significam uma nova expressão eclesial; um espaço de evangelização, de vivência fraterna e tomada de consciência da realidade.

Em 1979, na Conferência de Puebla, os bispos disseram: "Está comprovado que as pequenas comunidades, sobretudo as Comunidades Eclesiais de Base criam maior inter-relacionamento pessoal, aceitação da Palavra de Deus, revisão de vida, reflexão sobre a realidade, à luz do Evangelho; nelas acentua-se o compromisso com a família, com o trabalho, o bairro e a comunidade local [...]. Elas constituem ambiente propício para o surgimento de novos serviços leigos..." (DP 629).

As CEBs procuram ser ecumênicas, abertas ao diálogo, inculturadas e inclusivas. Articulam fé-vida e religião-política; promovem a solidariedade e valorizam a diversidade, buscando a libertação integral das pessoas. São espaços de formação da consciência crítica, de construção de relações democráticas, ecológicas, étnicas, de gênero. São comunidades que não se acomodam diante da realidade, mas procuram transformá-la.

Desde o início da colonização, a América Latina vem sendo regada pelo sangue de muitos mártires. "Esse martírio de nossa América tem, já desde as origens da evangelização no continente, duas peculiaridades: é um martírio pelo "pobre" e pelo "outro". Entre nós o conceito de martírio se alargou. Nossos mártires são mártires pelo Reino, não somente pela estrita confissão de um artigo de fé cristã. Nossos mártires não só deram o sangue "pela Igreja"; deram-no também "pelo povo" [...]. Em sua oblação pela causa maior do Reino, nossos mártires são testemunhas de sangue de causas específicas, novas em certa medida e bem nossas. Mártires pelo Reino da Vida, vidas dadas pela vida. Contra todos os deuses da morte que nos espreitam, tão atualizados pelo lucro, pela prepotência, pela marginalização". (CASALDÁLIGA, Pedro. Cartas marcadas. São Paulo, Paulus, 2005, p.185.)

Nos últimos 25 anos, mais de duas mil lideranças sem-terra foram assassinadas no Brasil, na luta por dignidade e direitos. Para as CEBs, os mártires têm um relevante significado místico, teológico e sócio-político. Eles atualizam a memória do mártir Jesus Cristo, que foi processado e linchado como malfeitor pelo sistema da época.

Missão das CEBs hoje

No atual mundo globalizado e mercantilizado, somos induzidos a esquecer a memória, renunciar a cruz e desacreditar na utopia do Reino. Entretanto, as CEBs entendem que o resgate permanente da história, o cultivo da espiritualidade libertadora e o fortalecimento do sonho de uma sociedade mais justa e igualitária são condições indispensáveis para seguir a caminhada.

Através de sua práxis, os mártires expressam sua consciência crítica sobre o contexto em que atuam e sua decisão radical pela transformação da realidade. Veja-se o testemunho de Dorothy Stang: "não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar".

Celebrar a memória de alguém que foi martirizado é, em primeiro lugar, valorizar seu espírito e sua atitude de entrega da vida. Nisso consiste a grande diferença entre um santo tradicional e um mártir que morreu na luta pela justiça social. Normalmente, pede-se para o santo tradicional uma graça ou um milagre pessoal. O mártir, no entanto, suscita em nós o desafio de continuar lutando na mesma causa pela qual ele derramou seu sangue.

Na Conferência de Aparecida, o tema do martírio esteve presente. O Documento Final incentiva a assumir o projeto de Jesus Cristo, defendendo a vida das pessoas e da natureza até o martírio, se for preciso. Também retoma o método ver-julgar-agir consagrado pelas CEBs. Os bispos declaram: "queremos decididamente reafirmar e dar novo impulso à vida e missão profética e santificadora das CEBs, no seguimento missionário de Jesus. Elas foram uma das grandes manifestações do Espírito na Igreja da América Latina e do Caribe depois do Vaticano II" (DA 194).

Em nosso continente sofrido, as Comunidades Eclesiais de Base deram importante contribuição na formação de discípulos e missionários do Senhor. Muitos de seus membros chegaram, inclusive, a derramar o próprio sangue em gesto de entrega generosa pelo Reino de Deus. "Elas arrancam da experiência das primeiras comunidades, como estão descritas em Atos dos Apóstolos (cf. At 2, 42-47). Enraizadas no coração do mundo, são espaços privilegiados para a vivência comunitária da fé, mananciais de fraternidade e solidariedade, alternativa à sociedade atual, fundada no egoísmo e na competição" (DA 193).

Em meio à diversidade de ofertas religiosas e espiritualistas, as CEBs mantêm vivos a dimensão e o espírito profético da Igreja. Seu projeto e método seguem tendo um papel fundamental na luta pela libertação dos pobres e excluídos. Esse jeito de ser Igreja não perderá sua importância enquanto houver fome, miséria, opressão, exclusão, violência, injustiça, corrupção, agressão à dignidade, depredação do meio ambiente etc. Longe de estarem superadas, elas são mais atuais e necessárias do que nunca!

[Publicado na edição Nº05 - Junho 2008 - Revista Missões].

* Revista Missões

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=33330

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domingo, 2 de março de 2008

Brasil/Faleceu o Pe. José Simionato, o padre Zezinho

Portal do Conselho Indigenista Missionário / http://www.cimi.org.br

29 fevereiro 2008

Padre José Simionato, o Pe. Zezinho, de 83 anos, faleceu em Porto Velho, Rondônia, no dia 27 de fevereiro de 2008, na Paróquia de Nossa Senhora das Graças. No dia anterior tinha se encontrado mal e foi descansar. Porém o seu coração não resistiu e morreu durante a noite.

Missionário em Espírito Santo, Rondônia e Mato Grosso
Termina aqui a trajetória de um dos mais veteranos militantes da luta pela terra em Rondônia. De origem italiana, ele chegou ao Brasil no ano 1955. Membro da Congregação dos Missionários Combonianos, o Pe. Zezinho fazia parte do primeiro grupo de combonianos que chegou ao Brasil, e também foi dos primeiros a se naturalizar brasileiro, nos anos 1960. Trabalhando durante décadas no estado de Espírito Santo, lá ele se dedicou principalmente ao trabalho da educação, fundando escolas e ginásios em todos os lugares onde estava. Acompanhando a vinda de migrantes que iam de pau de arara para Amazônia, o Pe. José chegou em 1977 à nova cidade de Cacoal, nascida depois da abertura da BR 364 e da criação do Território Federal do Guaporé. Entre Cacoal, Ouro Preto do Oeste, na Diocese de Ji-Paraná; na capital de Rondônia, Porto Velho e também em Mato Grosso; ele dedicou à região amazônica a maior parte dos últimos trinta anos de sua vida.

Fundador da Comissão Pastoral da Terra em Rondônia
Atento a qualquer tipo de problemática e de sofrimento das famílias da paróquia, a irmã Augusta, companheira no trabalho nas comunidades rurais da Diocese de Ji-Paraná, testemunha como o Pe. Simoniato, escutava todo o mundo, se preocupando com todos, sem ter um não para ninguém. Eles se encontravam com outros agentes de pastoral, celebrando a eucaristia e partilhando as dificuldades que o povo enfrentava em cada lugar. Em 1979, o Pe. Zezinho estava no grupo que iniciou a Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Cacoal e na Diocese de Ji-Paraná, fundando posteriormente a CPT de Rondônia. Eles acompanhavam os colonos e migrantes que chegavam incessantes na região a procura de terra e que com freqüência sofriam abusos e violências dos grandes fazendeiros, que se apossavam impunemente do maior parte do território, muitas vezes acobertados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e pelas autoridades. “Nós acompanhávamos os colonos e os orientávamos para que fossem atendidos e respeitados pelo Incra”. Conta a Irmã Augusta. Foi assim que o Pe. José desde os primeiros anos na região, articulou também a formação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da Cacoal é a organização de Associações e Cooperativas de pequenos agricultores.

Companheiro do Mártir Pe. Ezequiel Ramin
O Pe. Zezinho sempre esteve dedicado à conscientização política, orientando ao compromisso político e à defesa dos direitos dos trabalhadores rurais. Tanta dedicação à causa dos pobres e dos agricultores não podia passar sem reação, e ela veio em 1985 com o martírio do seu companheiro e compatriota, o comboniano Pe. Ezequiel Ramin, de apenas 25 anos e que fazia apenas ano e meio que tinha chegado à região. “O Pe. Ezequiel logo ficou marcado pelo exemplo e testemunho do Pe. Zezinho, assumindo as lutas dos posseiros e sem terra, dos pequenos agricultores e dos índios Suruí”. Os enfrentamentos entre posseiros e jagunços a mando dos grandes grileiros para controlar grandes áreas de terra muitas vezes desencadeava a violência.

O Pe. José viveu de perto o drama do martírio do Pe. Ezequiel: “Padre José Simionato lembra-se de naquela noite ter conversado com padre Ezequiel sobre a programação do dia do Lavrador. Estava prevista a chegada entre 800 a mil trabalhadores do interior de Cacoal para uma série de conferências no salão paroquial e uma manifestação nas ruas da cidade. Na hora de deitar – relata ainda o padre José – “Ezequiel me avisou que no dia seguinte, iria com Adílio à fazenda Katuva. Eu reagi imediatamente dizendo que não era para ir e por vários motivos: porque no dia seguinte precisávamos preparar juntos o programa do Dia do Lavrador; porque era inútil aquela viagem por não termos ainda informações precisas dos posseiros, enfim, porque estávamos planejando de entrar na área juntos nos próximos oito ou dez dias. Conversamos bem uns 10 minutos e, quando me parecia que o tinha convencido a desistir, nos demos boa noite dizendo que no dia seguinte conversaríamos melhor”.[1]

Porém o Pe Ezequiel, preocupado com a sorte do povo, e mais inexperiente, acaba saindo para o fatal encontro com os jagunços que lhe tiraram a vida. Era o dia 24 de Julho de 1985. “Foi um covarde atentado contra a Pastoral da Igreja. Com esta morte os grandes fazendeiros tentaram passar a mensagem de que eram eles que mandavam no pedaço, e que não aceitavam interferências da Igreja. O Pe. Ezequiel era novo, fazia pouco mais de um ano que ele estava aqui”. Diz o Pe. Franco, também companheiro por 40 anos do Pe. Simoniato. Ele lembra que depois do martírio do pe. Ezequiel uma das frases do pe. Simoniato foi: “A luta continua”.

Iniciador das escolas Família Agrícola (EFAs) de Rondônia
O martírio do Pe. Ezequiel marcou profundamente a Diocese de Ji-Paraná, as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e toda a igreja de Rondônia. Um dos frutos inesperados foi à amizade do Pe. Simoniato com a família italiana do Pe. Ezequiel. “Eles quiseram deixar uma obra em memória do Pe. Ezequiel”. Aproveitando sua antiga experiência educativa, o Pe. Zezinho sugeriu iniciar em Cacoal junto ao Pe. Franco a primeira Escola Família Agrícola (EFA) de Rondônia, uma escola dedicada à educação dos jovens do mundo rural. Iniciativa que depois levou para a cidade de Ouro Preto, e que posteriormente se espalhou por outras cidades da diocese e da região. A partir das primeiras, de Cacoal e Ouro Preto, as EFAs iniciadas pelo Pe. Simoniato continuam sendo um ponto de referência para a educação camponesa e inclusive dos indígenas de Rondônia.

Apoiando a vida e o trabalho dos Movimentos Sociais
De acordo com Giuseppe Grassi, da CPT Mato Grosso, “Padre José foi uma pessoa miúda no físico, de voz fraca, grande, porém, nas intuições e na coragem de antever e tomar posições para uma Igreja comprometida para com os camponeses e índios.”. Ao longo de seu trabalho pastoral em Rondônia e Mato Grosso, sempre atuou a fim de que fosse implantada a Comissão Pastoral da Terra nas Paróquias, Dioceses e Regionais por onde passou. [2] Assim o Pe. Simoniato sempre acompanhou de perto a luta de centenas de posseiros e de sem-terras, apoiando onde estava a criação de equipes paroquiais e comunitários da Pastoral da Terra. Assim foi como também esteve sempre ao lado da luta dois novos movimentos sociais, como o MST , acolhendo encontros e marchas dos sem-terra nos locais de sua paróquia, indo celebrar nos acampamentos, e participando das assembléias, e escutando as lideranças, que muitas vezes procuravam o seu conselho.

Com mais de setenta anos, no final da década dos noventa, o Pe. Simoniato esteve morando na comunidade de Porto Velho, e por cinco anos ajudou os começos da Paróquia de Itapuá d’Oeste e região da Linha Triunfo, e acompanhava os problemas e os conflitos por terra da região vizinha a capital rondoniense. Os locais da Paróquia de Nossa Senhora do Amparo acabaram acolhendo a sede em Porto Velho do MAB, o Movimento dos Atingidos por Barragens, do MST e da Via Campesina, e lugar habitual de encontro do Fórum de Movimentos Sociais.

Na coordenação colegiada da CPT de Rondônia
Ficando por dois anos no seminário dos missionários combonianos em São Paulo , ele se sentia lá “como peixe fora da água”. Foi assim, que fiel ao seu compromisso missionário pelo Reino de Deus e a causa dos pobres, ele voltou para Porto Velho, “para quebrar um galho”, disse. Aqui, segurando a presença dos combonianos na Paróquia de Nossa Senhora do Amparo, ele se sentia rejuvenescido, vivendo e acompanhando de perto a luta dos movimentos sociais contra as barragens do Rio Madeira, e as preocupações de jovens e comprometidas lideranças sociais. Também foi assim que ainda nos últimos meses, o Pe. Simoniato escutou os apelos de Dom Moacyr Grecci, para assumir a vaga de Porto Velho na Coordenação Colegiada, criada num momento de grande dificuldade para a CPT de Rondônia. A morte o impediu de continuar com seu bom senso a escutar todo o mundo e orientar a todos, porém não lhe impedirá a continuar dando fruto com seu exemplo e testemunho. “Morreu o nosso comandante”, disse uma liderança dos movimentos sociais, testemunhando o sentimento dos militantes dos movimentos, congregados com todos os paroquianos, missionários combonianos, religiosos e leigos, membros da CPT e toda a Igreja de Rondônia na missa do funeral. Ele foi testemunho de Cristo para o mundo de hoje. Porto Velho, 28 de Fevereiro de 2008.

Pe. Josep Iborra, (zezinho também, perdi o meu xará!)
Da Coordenação Colegiada da CPT Rondônia.

http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=3052&eid=142