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terça-feira, 10 de setembro de 2019
Vaticano/Papa Francisco diz que desmatamento é ameaça global
terça-feira, 27 de agosto de 2019
Mercosul, Brasil/Economist: desmatamento na Amazônia pode atingir em breve ponto sem volta
Mercosul, Brasil/“Por acaso, foi o Bolsonaro que tocou fogo na floresta?” Sim, veja o passo a passo
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
Mercosul, Brasil/Começa onda mundial de boicote a produtos brasileiros
quinta-feira, 2 de maio de 2019
Cientistas europeus exigem que respeito aos povos indígenas seja base de acordo com Brasil
Assustados, os cientistas resolveram utilizar a pauta econômica para pressionar a UE e, consequentemente, impactar o governo brasileiro. A carta tem apoio de parlamentares da União Europeia, e é endereçada às comissões responsáveis por esses acordos comerciais.
A União Europeia é hoje o segundo maior parceiro comercial do Brasil. E, apesar de ter mecanismos estabelecidos para promover a sustentabilidade em seus acordos bilaterais, isso não está se traduzindo nos pactos para importações de produtos brasileiros.
Um estudo aponta que a carne bovina e animal importada pela Europa do Brasil em 2011 esteve associada a mais de 1.000 km² de desmatamento - mais de 300 campos de futebol por dia. Além disso, o minério de ferro foi o produto mais negociado entre o Brasil e a UE - mais de 3 bilhões de euros em 2017 - apesar dos riscos associados a mineração no Brasil, evidenciados nas catástrofes de Mariana e Brumadinho. Outro estudo aponta que um campo de futebol foi desmatado por hora no Brasil em consequência das importações europeias entre 2005 e 2013.
“A gente quer ressaltar que não existe oposição entre conservação e desenvolvimento econômico”, afirma Kehoe. O documento explicita que a conservação das florestas é fundamental para a manutenção dos regimes de chuvas dos quais a agricultura depende e que a restauração de terras degradadas e a melhoria de sua produtividade poderiam atender à crescente demanda agrícola por pelo menos duas décadas, sem a necessidade de mais desmatamento.
“A Europa é cúmplice dos crimes cometidos em nome da produção agrícola”, afirma Sônia Guajajara, da coordenação da APIB. “A Europa e outros mercados consumidores no mundo precisam aprender a usar seu poder de consumo para garantir que direitos das populações tradicionais sejam respeitados e promover a preservação das florestas”, conclui.
Por fim, o documento faz três recomendações à União Europeia: respeitar a declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, melhorar os procedimentos para rastrear commodities associadas ao desmatamento e conflitos de direitos indígenas e consultar e obter o consentimento dos povos indígenas e comunidades tradicionais para definir os critérios sociais e ambientais para as mercadorias negociadas.
https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/cientistas-europeus-exigem-que-respeito-aos-povos-indigenas-seja-base-de-acordo-com-brasil
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Brasil/POVO BRASILEIRO SABERÁ IMPEDIR RETROCESSO -- Dilma na ONU
Em seu discurso na sede das Nações Unidas, em Nova York, onde participa da cerimônia de assinatura do Acordo de Paris sobre Mudança Climática, a presidenta Dilma Rousseff fez uma rápida e firme menção à situação política de seu país. Depois de classificar como “grave” o momento pelo qual passa o Brasil, ela afirmou que a sociedade brasileira saberá impedir retrocessos. E encerrou sua fala agradecendo aos líderes que expressaram solidariedade.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Brasil/Minc diz que consumo consciente é saída para conter desmatamento na Amazônia
15 de Junho de 2009/Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br
Rio de Janeiro - O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, elogiou hoje (15) a decisão de algumas redes varejistas de deixar de comprar carnes de agropecuaristas que criam gado em áreas de desmatamento na Amazônia.
“Acho ótimo. O consumo consciente é a chave da questão”, afirmou, ao participar de um debate sobre mudanças climáticas na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Segundo Minc, o ministério do Meio Ambiente já havia firmado acordos semelhantes com produtores de soja e de madeira que trouxeram bons resultados. Ele explicou que o setor agropecuário desistiu de fazer o mesmo logo no início da crise financeira internacional, temendo ter prejuízos.
“Foi uma decisão equivocada, porque no momento da crise a questão ambiental facilitaria, sendo possível mostrar que o setor estava se modernizando.”
O ministro também lembrou que em um ano houve uma redução de 55% nos níveis de desmatamento da Amazônia, garantindo o menor índice dos últimos 20 anos.
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/06/15/materia.2009-06-15.1569550087/view
domingo, 14 de dezembro de 2008
Iniciativas brasileiras são elogiadas na Conferência do Clima na Polônia
12 dezembro 2008/Envolverde http://envolverde.ig.com.br
No penúltimo dia de negociação sobre as mudanças climáticas, que ocorre durante conferência da ONU em Poznan, na Polônia, o Brasil foi elogiado por governos, pesquisadores e organizações não-governamentais por ter assumido, finalmente, metas concretas e ambiciosas de combate ao desmatamento na Amazônia. O anúncio das metas, que já havia sido feito em Brasília, foi acompanhado também pelo lançamento do Fundo Amazônia e do Plano Nacional de Mudanças Climáticas para a comunidade internacional.
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que apresentou as iniciativas brasileiras ressaltou que pela primeira vez o Brasil tem metas de redução de desmatamento e isso dá ao país mais força para cobrar dos países desenvolvidos "uma atuação mais imediata" no cumprimento de suas metas de redução das emissões dos gases do efeito estufa. "Nosso plano de mudanças do clima prevê redução de 72% do desmatamento na Amazônia em 10 anos. Isso equivale a deixar de emitir 4,8 bilhões de toneladas de CO2 e corresponde a mais do que todo o esforço prometido pelos países ricos no Protocolo de Quioto. Esforço esse que não vai ser cumprido", ressaltou Minc.
Para Paulo Adário, responsável pela campanha da Amazônia do Greenpeace, a iniciativa brasileira deve ser comemorada. "Enfim, o Brasil apresenta metas concretas de redução do desmatamento. A criação do Plano Nacional de Mudanças Climáticas brasileiro também deve servir como um exemplo a ser seguido por outros países", disse Adário. Para representantes da sociedade civil, a divulgação dessas metas de redução e sua respectiva apresentação na Conferência do Clima faz com que o Brasil assuma compromissos concretos e possa ser cobrado pela sociedade pelos seus resultados.
Nicholas Stern, economista Inglês autor do famoso relatório Stern de Mudanças Climáticas, também elogiou a iniciativa brasileira e acredita que o Brasil possa influenciar outros países a criarem seus planos nacionais de combate às mudanças climáticas. "Vejo o crescimento econômico baseado em baixas emissões de carbono é a única forma de crescimento que temos como opção. Por isso, vejo com o otimismo a criação dos planos nacionais de mudanças climáticas de países como o Brasil, China e Índia", sublinhou Stern.
Segundo Minc, para cumprir a meta de redução de emissões, o Brasil já dobrou as operações de fiscalização e criou barreiras nas fronteiras rodoviárias. Porém, colocou o ministro, apenas ações policiais e de fiscalização são insuficientes. "Fechamos uma serraria ilegal em uma hora, mas não criamos 50 empregos sustentáveis em uma hora. Por isso, precisamos de recursos contínuos para mudar o modelo econômico na Amazônia".
Fundo Amazônia
O BNDES irá gerir o primeiro fundo brasileiro voltado especialmente para investir em projetos que colaborem com o combate ao desmatamento na Amazônia. Chamado de "Fundo Amazônia", a iniciativa atende ao conceito de redução de emissões através de desmatamento evitado, que é chamado de REDD (Reduction Emissions from Deforastation and Forest Degradation) na Convenção do Clima. Estima-se que 75% das emissões de gases do efeito estufa brasileiras sejam oriundas de queimadas nas florestas. O primeiro compromisso de aporte de recursos já foi recebido durante a conferência e foi feito pelo governo da Noruega, que destinará 1 bilhão de dólares até 2015, o equivalente a cerca de US$ 150 milhões anualmente.
O ministro do Meio Ambiente da Noruega, Erik Solheim, ressaltou que a iniciativa brasileira de lançar o Fundo Amazônia deve ser apoiada por outros países e que o governo da Noruega está motivado a apoiar iniciativas que protejam as florestas tropicais e combatam o desmatamento. Eduardo Bandeira de Mello, chefe do departamento de Meio Ambiente e Responsabilidade Social do BNDES, disse que a Noruega já havia demonstrado interesse em investir em projetos como esse desde a Conferência do Clima de 2007, ocorrida em Bali. Mello afirmou que novos aportes de recursos poderão ser feitos ainda durante a conferência. "Governos de outros países e empresas nacionais e multinacionais demonstraram interesse em destinar recursos", informou Mello.
Em janeiro de 2009, o fundo estará em operação e apto a receber propostas de projetos que tenham como meta contribuir com o desmatamento na Amazônia, sejam projetos de empresas, órgãos públicos e organizações não governamentais. "O acompanhamento da execução dos projetos e a prestação de contas será feita de forma transparente e aberta a todos, seguindo o modelo adotado pelo BNDES em sua operação", concluiu Mello.
Para Steve Schwartzman, diretor de políticas para florestas tropicais da EDF (Environmental Defense Fund), a iniciativa brasileira de criar o fundo é extremamente positiva, assim como a criação da política nacional e do compromisso de metas de redução. No caso do Fundo Amazônia, Steve ressaltou que os recursos destinados ao fundo não serão convertidos em créditos de carbono para que os países ricos e industrializados possam usar para evitar cortes em suas próprias emissões, o que seria negativo para o combate às mudanças climáticas. Os recursos irão gerar créditos extras, que serão contabilizados como esforços adicionais. Neste sentido, o ministro Minc também sublinhou que o fundo não quer "transformar as florestas em um supermercado". "A iniciativa não é para garantir créditos e, sim, para garantir a manutenção da biodiversidade e o respeito aos direitos dos povos indígenas".
* Juliana Radler é jornalista e documentarista da Sumaúma Documentários Socioculturais e Ambientais (http://www.sumauma.org">http://www.sumauma.org) e está em Poznan, Polônia, acompanhando a Conferência do Clima.
(Envolverde/O autor) © Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Brasil/20 ANOS SEM CHICO MENDES

28 novembro 2008/Portal do MST http://www.mst.org.br
Na próxima quarta-feira (3/12), a partir das 10h, o Congresso Nacional e várias entidades da sociedade civil realizam um ato em homenagem a Chico Mendes. Neste ano de 2008, o assassinato deste que foi um grande lutador completa 20 anos.
Guardião da floresta e combatente da opressão
Francisco Alves Mendes Filho nasceu no Seringal Porto Rico no município de Xapuri em 15 de dezembro de 1944, filho de pais nordestinos que migraram para a Amazônia. Desde os 11 anos já trabalhava como seringueiro partilhando o destino comum àquelas famílias que em vez de ir à escola trabalham para extrair o látex.
Chico Mendes teve a fortuna de encontrar aquele que seria seu grande mestre, Fernando Euclides Távora, que não só lhe ensinou a ler e a escrever, mas o caminho que o levaria a se interessar pelos destinos do planeta e da humanidade.
Em 1975, já militando nas comunidades eclesiais de base - as Cebs - funda o primeiro sindicato de trabalhadores rurais no Acre, em Brasiléia, junto com seu amigo Wilson Pinheiro. Em março de 1976 organiza junto com seus companheiros, o primeiro Empate no Seringal Carmen.
O Empate consistia na reunião de homens, mulheres e crianças, sob a liderança dos sindicatos, para impedir o desmatamento da floresta, prática que se tornaria emblemática da luta dos seringueiros. Nos Empates alertavam os ´peões` a serviço dos fazendeiros de gado, geralmente de fora do Acre, que a derrubada da mata significava a expulsão de famílias de trabalhadores, convidava-os a se associar à sua luta oferecendo 'colocações` e 'estradas`de seringa para trabalhar e, firmes, expulsava-os dos seus acampamentos de destruição impedindo seu trabalho.
Os Empates tiveram um papel decisivo na consolidação da identidade dos seringueiros e essa forma de resistência acabou por chamar a atenção de todo o Brasil, sobretudo após o assassinato de seu amigo Wilson Pinheiro em 21 de julho de 1980.
http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=6084
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Brasil/QUEREMOS PRODUZIR ALIMENTOS
10 junho 2008/Portal do MST http://www.mst.org.br
O atual modelo econômico, baseado no agronegócio e no capital financeiro, quer transformar os alimentos, as sementes e todos os recursos naturais em mercadoria para atender os interesses, o lucro e a ganância das grandes empresas transnacionais.
Para isso, esses grupos econômicos se apropriam de terra, águas, minerais e biodiversidade, privatizando o que é de todos. Além disso, desmatam as florestas e deterioram os solos com a monocultura. Também aumentam a exploração dos trabalhadores, precarizam, retiram e desrespeitam os direitos trabalhistas, causam desemprego, pobreza e violência.
Dessa forma, o agronegócio promove a concentração da riqueza nas mãos dos mais ricos, especialmente banqueiros e empresas transnacionais, enquanto aumenta a desigualdade e a pobreza da população. É necessário e urgente combater essa lógica opressora e destrutiva, que apresentamos nos seguintes pontos:
I - Denunciamos
Denunciamos o atual modelo agrícola por que:
1. Favorece os interesses das empresas transnacionais, que compõem aliança com os latifundiários para controlar a nossa agricultura e obter grandes lucros na produção e comercialização dos alimentos e na venda das sementes e insumos agrícolas.
2. Prioriza o monocultivo em grandes extensões de terras, que afeta o meio ambiente, deteriora os solos e exigem o uso grandes quantidades venenos.
3. Estimula a monocultura de eucalipto e pínus, que destroem a biodiversidade, causam poluição ambiental, geram desemprego e promovem a desagregação social das comunidades camponesas, indígenas e quilombolas.
4. Incentiva a produção de etanol para exportação, promovendo a ampliação do plantio da monocultura da cana-de-açúcar e, conseqüentemente, causando a elevação dos preços dos alimentos e a concentração da propriedade da terra por empresas estrangeiras.
5. Difunde o uso das sementes transgênicas, que destroem a biodiversidade, eliminam as nossas sementes nativas, podem causar danos à saúde dos camponeses e consumidores de alimentos e transfere para as transnacionais o controle político e econômico das sementes.
6. Promove o desmatamento dos nossos biomas, de modo especial da floresta amazônica e do cerrado, e a destruição dos babaçuais, através da expansão da pecuária, soja, eucalipto e cana, juntamente como a exportação de madeiras e minérios.
II- Somos contra
As transnacionais, os latifundiários e um grupo de políticos, partidos e parlamentares que defendem interesses econômicos e querem aprovar projetos que vão piorar ainda mais esse quadro e, por isso:
1. Somos contra a lei de concessão das florestas públicas, que significa a privatização da biodiversidade, e o projeto de lei nº 6.424/05, que reduz a área da reserva legal da Amazônia de 80% para 50%, de autoria do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA).
2. Somos contra a Medida Provisória nº 422/08, que legaliza áreas de até 1500 hectares, invadidas por latifundiários na Amazônia, quando a Constituição determina apenas até 50 hectares.
3. Somos contra a Medida Provisória que desobriga o registro em carteira até três meses de trabalho. Condenamos a existência impunemente do trabalho escravo, da exploração do trabalho infantil e da falta de garantia aos direitos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores rurais.
4. Somos contra o Projeto de Emenda Constitucional nº 49/06, que propõe diminuir a extensão da faixa de fronteiras para beneficiar empresas transnacionais e grupos econômicos internacionais, de autoria do senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) .
5. Somos contra o projeto de transposição do Rio São Francisco, que visa apenas beneficiar o hidronegócio e a produção para exportação e não atende as necessidades das populações que vivem na região do semi-árido nordestino.
6. Somos contra a privatização das águas, que passam a se monopolizadas por empresas transnacionais como Nestlé, Coca-Cola e Suez.
7. Somos contra o atual modelo energético, baseado na construção de grandes hidrelétricas - principalmente na Amazônia -, que entrega o controle da energia às grandes corporações multinacionais e favorece as grandes empresas que mais consomem energia.
III - Defendemos
Estamos mobilizados e vamos lutar para mudar essa realidade. Por isso, queremos:
1. Construir um novo modelo agrícola, baseado na agricultura camponesa, na Reforma Agrária, na distribuição de renda e fixação das pessoas no meio rural.
2. Combater a concentração da propriedade da terra e de recursos naturais, fazendo uma ampla distribuição dos latifúndios, com a definição de um tamanho máximo para a propriedade da terra.
3. Garantir que a agricultura nacional seja controlada pelo povo brasileiro, assegurando a produção de alimentos, como uma questão de soberania popular e nacional, incentivando as agroindústrias cooperativadas e o cultivo de alimentos sadios.
4. Diversificar a produção agrícola, na forma de policulturas, respeitando o meio ambiente e usando técnicas de produção da agroecologia.
5. Preservar o meio ambiente, a biodiversidade e todas as fontes de água, com atenção especial ao Aqüífero Guarani, combatendo as causas do aquecimento global.
6. Desmatamento zero na Amazônia e nos demais biomas brasileiros, preservando a riquezas naturais e usando os recursos naturais de forma adequada e sustentável, em favor do povo. Defendemos o direito coletivo da exploração dos babaçuais.
7. Preservar, difundir, multiplicar e melhorar as sementes nativas, dos diferentes biomas, para garantir o seu acesso a todos os agricultores.
8. Lutar pela aprovação imediata da lei que determina expropriação de todas as propriedades com trabalho escravo e a instituição de pesadas multas aos latifundiários que não cumprem as leis trabalhistas e previdenciárias.
9. Exigir a implementação da política proposta pela Agência Nacional de Águas, que prevê obras e investimentos em cada município do semi-árido, necessárias para resolver o problema de água da população da região.
10. Impedir que a água se transforme em mercadoria e garantir seu gerenciamento como um bem público, acessível a toda a população.
11. Assegurar um novo modelo energético que garanta a soberania energética, que priorize o desenvolvimento de todos, utilizando o uso racional da energia hidráulica em pequenas usinas, com a produção de agrodiesel e álcool pelos pequenos agricultores e suas cooperativas.
12. O governo federal deve autorizar o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) a retomar a regularização, com maior celeridade, de todas as áreas pertencentes aos quilombolas.
13. Promover a demarcação imediata de todas as áreas indígenas e expulsão de todos os fazendeiros invasores, em especial da Raposa Serra do Sol e das áreas dos guarani no Mato Grosso do Sul.
O governo Lula precisa honrar os compromissos assumidos para a realização da Reforma Agrária, cumprindo seu programa político, assinado em julho de 2002, assentando imediatamente todas as famílias acampadas e construindo no mínimo 100 mil casas por ano no campo para evitar o êxodo rural. A nossa luta é pela construção de uma sociedade justa, com igualdade e democracia, onde a riqueza é repartida com todos e todas.
VIA CAMPESINA
ASSEMBLÉIA POPULAR
http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=5461
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quinta-feira, 6 de março de 2008
Amazônia terá postos de vigilância fixos para combater desmatamento ilegal, diz Tarso
Brasília, 6 março 2008 - O governo federal instalará dez postos fixos de vigilância no polígono compreendido por municípios do Pará, Rondônia e Mato Grosso, estados onde foi maior o desmatamento da Floresta Amazônica em 2007.
O objetivo é coibir o desmatamento, o crime, o tráfico de drogas e o contrabando de material genético proveniente da floresta.
A área de atuação será a mesma da operação Arco de Fogo, uma ação integrada de combate ao desmatamento ilegal.
A informação foi dada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, ao participar hoje (6) de entrevista a emissoras de rádio no estúdio da Empresa Brasil de Comunicação.
“Vão convergir para lá elementos da Força Nacional, da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Federal, além de contingentes do estado e fiscais do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis], para fazer um trabalho multidisciplinar permanente na região. Isso para que o estado ocupe aquela região e não seja ocupado pelo delito, pela destruição da nossa floresta e até pela utilização criminosa da biodiversidade”, explicou.
Segundo o ministro, a operação Arco de Fogo, integrada por fiscais do Ibama, Polícia Federal e agentes da Força Nacional, transcorre bem e será mantida por mais um tempo. "As informações que eu tive ontem é que as operações se desenvolvem normalmente e ainda se desenvolverão nesse ritmo por um certo tempo”, disse.
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/03/06/materia.2008-03-06.9033612927/view
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
AMAZÔNIA DEVASTADA
Frei Betto *
Adital - A constatação, por organismos do próprio governo Lula, de que a área desmatada da Amazônia é maior do que se imaginava, fez vir à lume as contradições do ministério nomeado pelo presidente. Como o governo não tem projeto de nação - preterido em função do projeto de eleição -, o ministério é um saco cujos gatos não são todos pardos.
Há quem defenda o Brasil, como a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e há quem prefira proteger os interesses da arcaica elite dos latifundiários, madeireiros e empresários do agronegócio, como o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.
Em 2004, o Planalto aprovou um Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia Legal. No ano seguinte, a Casa Civil admitiu que o plano continha mais buracos que as estradas que cortam a região amazônica. O desmatamento prosseguia em ritmo acelerado, sem que nenhuma providência resultasse em efetiva inibição da atividade predatória de pecuaristas, mineradoras, siderurgias e plantadores de soja.
Entre 1990 e 2006, a área de cultivo de soja na Amazônia se expandiu ao ritmo médio de 18% ao ano. O rebanho se multiplicou 11% ao ano.
Infelizmente o governo está mais preocupado com a repercussão do desmatamento amazônico no exterior, capaz de prejudicar as exportações de grãos, álcool e carne, do que com a preservação da floresta, patrimônio da humanidade.
Os satélites do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) detectaram, entre agosto e dezembro de 2007, a derrubada de 3.235 km2 de floresta. É importante salientar que os satélites não contabilizam queimadas, apenas o corte raso de árvores. Portanto, nem dá para pôr a culpa na prolongada estiagem do segundo semestre de 2007.
Como os satélites só captam cerca de 40% da área devastada, o próprio governo estima que 7.000 km2 tenham sido desmatados. Mato Grosso é responsável por 53,7% do estrago; o Pará, por 17,8%; e Rondônia, por 16%. Do total de emissões de carbono do Brasil, 70% resultam de queimadas na Amazônia.
Quem será punido? Tudo indica que ninguém. A bancada ruralista no Congresso conta com cerca de 200 parlamentares, um terço dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado. E, em ano de eleições municipais, não há nenhum indício de que os governos federal e estaduais pretendam infligir qualquer punição aos donos das moto-serras com poder de abater árvores e eleger ($) candidatos.
De olho nas eleições de 2010, o governo federal teme punir a agroindústria, que recebe gordos subsídios de bancos públicos e não cumpre a contrapartida de preservar 80% da área florestal.
Até 2030, o Brasil corre o risco de perder 21% de sua cobertura florestal, segundo dados da Universidade Federal de Minas Gerais e do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia. Se o ritmo atual de desmatamento prosseguir, desaparecerão do mapa 670 mil km2 de floresta, área que comporta 22 Bélgicas! Haverá perda inestimável da biodiversidade, aumentará o aquecimento global, reduzirão consideravelmente as chuvas entre o Uruguai e a Flórida (EUA).
A menina dos olhos do governo federal, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), pode se transformar em vilão se efetivamente abrir e pavimentar, nos próximos anos, 14 mil km de estradas na Amazônia sem que haja controle efetivo da floresta e regularização da posse da terra.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o governo não está disposto a negociar a redução, para menos de 80%, da reserva legal nas propriedades rurais em área de floresta. A agroindústria pressiona para que seja "flexibilizada" a lei que determina que apenas 20% da área de uma fazenda possa ser desmatada. Segundo os produtores, esse limite torna as fazendas economicamente inviáveis.
Se o governo Lula quer mesmo proteger a Amazônia, deve imediatamente equipar o Ibama e o Instituto Chico Mendes; tornar efetiva a cobrança de multas ambientais; cortar créditos e subsídios; proibir a exportação de produtos oriundos de empresas que devastam a floresta e adotam trabalho escravo; expropriar as terras dos reincidentes para efeito de reforma agrária.
Na outra ponta, cabe aos consumidores dar as costas aos produtos ofertados por quem promove o ecocídio amazônico.
[Autor de "Uala, o amor" (FTD), entre outros livros].
* Frei dominicano. Escritor.
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Brasil/Aliança de governo e agronegócio impulsiona desmatamento
Por João Alfredo Telles Melo
Correio da Cidadania/Portal do MST/1 fevereiro 2008
A notícia do recrudescimento do desmate na Amazônia vem em pior hora para o governo federal, que vinha comemorando, desde o ano passado, a redução, pelo terceiro ano seguido, do índice de desmatamento, pois este havia chegado a um dos menores números – embora ainda extremamente elevado – desde que se começou a medição por satélite: 11.224 km², para o período 2006/2007.
O alerta dessa retomada já vinha sendo feito desde meados do segundo semestre de 2007. No dia 23 de setembro, o jornal “O Globo” estampava: “Devastação da Amazônia volta a crescer: queimadas em áreas de floresta sobem 30% este ano em relação a 2006 e serrarias operam a todo vapor” (Rodrigo Taves).
Em 16 de outubro, era a vez do “Estado de São Paulo” denunciar, a partir de dados do Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), operado pelas Ongs Imazon e ICV: “Desmatamento volta a crescer e faz governo rever plano para Amazônia”. Ali, informa-se que a devastação no estado de Mato Grosso (ao lado do Pará e de Rondônia, os campeões de desflorestamento) “saltou 107% na comparação de junho/setembro com o mesmo período de 2006” (Cristina Amorim).
A própria ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reconheceu, agora, que “já é possível dizer que o aumento do preço da soja, o avanço do gado na Amazônia e a derrubada de árvores para as siderúrgicas de ferro-gusa são as causas principais do desmatamento. Seus assessores lembraram que a derrubada da floresta aconteceu principalmente em Mato Grosso, Rondônia e no Pará, estados onde esses setores da economia têm avançado muito nos últimos anos” (O Estado de São Paulo, 24.01.2008).
O que evitou o desmatamento de 2004 a 2007?
A questão da variação do preço das commodities agrícolas já vinha sendo apontada pelas Ongs como uma das causas – embora o governo à época não quisesse admitir – da queda do desmatamento a partir de agosto de 2004 (após o pico de 26.130 km2, verificado entre agosto de 2003 e agosto de 2004).
Na publicação “Faltou Ação ao Plano de Ação”, o Greenpeace apontava, dentre os fatores que tinham contribuído para a queda dos índices, o “momento desfavorável para as commodities agrícolas brasileiras no mercado internacional. O otimismo dos produtores que estimulou o forte desmatamento do período 2003/2204 foi abalado pela redução dos preços da soja e pela sobrevalorização do Real em relação ao dólar. O faturamento do setor de grãos em geral no país – US$ 47 bilhões na safra 2004/2005 – caiu US$ 13 bilhões em relação à safra anterior” (Greenpeace, 2005, pág. 7).
Evidentemente, não se pode desconhecer que ações do governo contribuíram, também, para a queda que se verificou de 2004 a 2007. Assim, a criação de grandes áreas protegidas; a realização de grandes operações conjuntas do Ibama com a Polícia Federal, que levaram à apreensão de madeira ilegal e à prisão de servidores públicos corruptos, além de madeireiros e lobistas; dentre outras medidas impactantes – algumas delas desencadeadas após o assassinato da Irmã Dorothy, em fevereiro de 2005 -, devem ser reconhecidas como medidas importantes no combate ao desmate, à grilagem e à violência na região amazônica.
No entanto, a retomada vigorosa do desflorestamento mostra que nem a presença de Marina Silva no comando da pasta do Meio Ambiente do governo brasileiro é suficiente para dar conta do desafio que é uma política efetiva para a questão do combate ao aquecimento global. Símbolo da luta ambiental, a ponto de, recentemente, ter sido citada pelo jornal britânico “The Guardian” como uma das 50 personalidades que podem ajudar a salvar o planeta, Marina – que tem uma histórica política e pessoal de superação emblemática – é herdeira de outro ícone da luta sócio-ambiental brasileira, o seringueiro, como ela, Chico Mendes, assassinado, no século passado, por sua luta em defesa da floresta.
A questão é outra. Ou, para usar um conceito que a própria ministra gosta de utilizar, falta “transversalidade ambiental” nas ações do governo, como um todo, voltadas para o binômio meio ambiente/desenvolvimento, vis a vis a questão das mudanças climáticas. Basta que se diga que enquanto Marina responsabilizava o gado e a soja pela devastação, outro ministro do governo Lula, Reinold Stephanes, da Agricultura, fazia a defesa enfática do agronegócio.
Abra-se, aqui, parêntesis para aludir que esse integrante do governo defende o plantio de cana para o etanol na Amazônia e sua pasta é responsável por todas as políticas do setor que tem sido responsabilizado pela degradação da floresta (em outro enfrentamento com o titular anterior da mesma pasta de agricultura, Roberto Rodrigues, Marina foi derrotada com a introdução das plantas transgênicas no país).
A aliança do governo com o agronegócio
A aliança social e política celebrada pelo governo com o agronegócio, que tem, no parlamento brasileiro, como seu representante, a bancada ruralista, é fundamental para o modelo econômico adotado e para a chamada “governabilidade”.
Na economia, a exportação de produtos oriundos da agricultura e da pecuária tem um peso importante para o equilíbrio da balança comercial. No Congresso, a presença na base de sustentação do governo confere à bancada ruralista posição privilegiada na concessão de favores e privilégios – quase sempre traduzidos, além de cargos na estrutura de governo, em generosos abatimentos em suas dívidas agrícolas junto às instituições financeiras oficiais – para garantir a aprovação de matérias legislativa de interesse do Executivo.
É essa aliança que, com um falso discurso “verde”, incentiva a monocultura da cana-de-açúcar para a produção do etanol combustível, que tem se mostrado insustentável, tanto do ponto de vista social – pela superexploração dos cortadores de cana e pela substituição de culturas de subsistência –, como ambiental, já que sua expansão, além de empurrar a soja e o gado ainda mais para dentro da floresta, é responsável pela degradação de outro grande bioma brasileiro, o Cerrado, que é a savana com maior biodiversidade do planeta.
Estudo do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) concluiu que “importantes áreas para a conservação e uso sustentável da biodiversidade do Cerrado que deveriam ser protegidas estão sendo tomadas pelas lavouras de cana-de-açúcar para produção de etanol. Isso significa que pode haver comprometimento dos recursos naturais, das populações rurais e da segurança alimentar na região”.
Ali se denuncia que o Cerrado, que abrange cerca de dois milhões de quilômetros quadrados, já perdeu metade de sua cobertura vegetal, estando as causas do desmatamento “relacionadas à agricultura e pecuária praticadas inclusive sobre áreas que deveriam estar sob proteção e que são a base do estudo do ISPN”. Segundo Nilo Dávila, assessor de políticas públicas da entidade, “apesar de não haver monitoramento oficial, estima-se que o desmatamento na região gire em torno de 1,1% ao ano, o que equivale à destruição de cerca de 22 mil Km2 por ano, sendo maior que o desmate na Amazônia” (www.ispn.org.br).
É essa sólida aliança governo Lula com o capital agropastoril que explica o fato de que um dos maiores beneficiários do chamado Plano de Aceleração do Crescimento (conjunto de ações, políticas, empreendimentos, que formam o carro-chefe da política desenvolvimentista do governo brasileiro), na atilada análise de Gerson Teixeira, seja “o agronegócio exportador, em particular, na sua trajetória expansiva na fronteira Norte” (“O Programa de Aceleração do Crescimento e o Meio Ambiente”, mimeo, 2007, pág. 7). Ali, Teixeira constata que, para “pavimentar, de vez, a expansão do agronegócio na Amazônia, o PAC prevê investimentos de peso no binômio ‘energia e asfalto’, afora em hidrovias, que, entre outros efeitos, romperão as principais barreiras para essa atividade naquela região e da sua transformação em via de acesso a mercados internacionais de produtos de outras regiões” (idem, ibidem).
Uma no cravo outra na ferradura
Ou seja, o mesmo governo que anuncia medidas duras de combate ao desflorestamento, como o recente Decreto 6321/2007 – que “dispõe sobre ações relativas à prevenção, monitoramento e controle do desmatamento no Bioma Amazônia” –, realiza pesados investimentos públicos em infra-estrutura (rodovias, hidrovias, energia) que poderão fazer da Amazônia, segundo ainda a percuciente análise de Teixeira, não apenas a grande fronteira da energia elétrica, mas, também, “a última fronteira do agronegócio brasileiro” (idem, pág. 8).
Isso para não falar nas linhas de financiamento, a juros subsidiados, do Banco da Amazônia, do PRONAF e do FNO, para a pecuária, conforme já noticiado pela imprensa, a partir do estudo realizado pelos Amigos da Terra – Amazônia, onde se constatou que é, naquela região, que se encontra, hoje, 94% do crescimento do número de cabeças registrado no país entre 2003 e 2006. Das 10.334.668 novas cabeças de gado registradas no Brasil pelo IBGE, no período considerado, 9.680.511 estavam na Amazônia Legal (www.amazonia.org.br: “O Reino do Gado. Uma nova fase na pecuarização da Amazônia”).
Além desses impactos sobre a fauna e a flora, o próprio governo reconhece, segundo informações do Conselho Indigenista Missionário, que 201 empreendimentos do PAC interferem em terras indígenas, dessas, 21 com povos isolados. Dentre essas obras, encontram-se as barragens de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira (RO), que vai impactar grupos de índios isolados que vivem na região; a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA), que atinge terras dos povos Arara, Xincrin e Juruna; a hidrelétrica de Estreito, no rio Tocantins, que traz impactos sobre as terras indígenas Avá Canoeiro, Kraolândia, Filni-ô, Xerente, Apinayé, Krikati e Mãe Maria; a finalização da BR-156 no Amapá, que corta 40 km de terra dos povos Galibi-Marworno, Palikur e Karipuna; a finalização da BR – 242, no Tocantins, que atinge os povos da Ilha do Bananal: Avá Canoeiro, Javaé, Karajá e Cara Preta. Em nenhum momento, até agora, houve qualquer consulta prévia a esses povos, o que denota o profundo desrespeito com o direito dos povos indígenas.
A insustentabilidade da ‘política de desenvolvimento’ do governo
A comprovação maior de que não há política ambiental integrada transversalmente com os outros setores do governo é, exatamente, esse Plano de Aceleração de Crescimento, que, efetivamente, é o nome do projeto de desenvolvimento para o segundo mandato do presidente Lula. Ali, estão previstas, além do que acima foi listado, outras ações que atentam contra o meio ambiente e o clima do planeta, tais como a construção de 77 usinas termoelétricas (a maioria a carvão e a óleo), a retomada do programa nuclear brasileiro, a transposição do rio São Francisco, a construção das já referidas usinas hidrelétricas do Rio Madeira (cujo parecer inicial do órgão de meio ambiente era contrário, pelos impactos sócio-ambientais causados), o incentivo à siderurgia (com a desoneração do Impostos sobre Produtos Industrializados – IPI - para o aço) etc.
Portanto, a insustentabilidade da política de desenvolvimento do governo brasileiro não se encontra somente na Amazônia – onde o PAC incentiva a continuidade do desmate da floresta –, mas, também, nos outros setores – energia, indústria, transportes - causadores da emissão de gases do efeito-estufa. De nada adianta a elaboração, por um ou dois ministérios, apenas, de um plano de enfrentamento às mudanças climáticas – em seus aspectos de prevenção, mitigação e adaptação –, se, no centro das políticas públicas levadas a cabo ou estimuladas pelo governo - com investimentos, créditos, incentivos fiscais e subsídios -, se encontra a ideologia do crescimento a qualquer custo, onde a economia se sobrepõe ao social e ao ecológico, onde o governo se rende à lógica do mercado, onde as políticas ambientais ainda estão – e como estão! – à margem dos grandes processos decisórios.
João Alfredo Telles Melo é advogado, professor de Direito Ambiental, ex-deputado federal e consultor de políticas públicas do Greenpeace.
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Brasil/Após sobrevôo, Marina Silva diz que desmatamento em Mato Grosso é preocupante
Luana Lourenço/Agência Brasil
Brasília, 30 janeiro 2008 - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, avaliou que o sobrevôo feito hoje (30) pela região de Marcelândia (MT) – município da Amazônia que mais desmatou de agosto a dezembro do ano passado, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – provou que a situação do desmatamento na região é “preocupante”.
Mais uma vez, a ministra evitou responsabilizar diretamente produtores de soja ou pecuaristas pela devastação da floresta, mas voltou a repetir “que não acredita em coincidências”, em referência ao aumento do desmatamento após a valorização dos preços das commodities (produtos agropecuários) no mercado internacional.
“São regiões de dinâmica econômica significativa de atividade agropecuária e de exploração irregular de madeira. Não é apenas uma ação esporádica de uma ou duas pessoas; existe uma dinâmica econômica na região, uma disputa em converter recursos naturais para atividades econômicas”, acrescentou.
Sobre a precisão dos números do Inpe que mostraram o avanço do desmatamento entre os meses de agosto e dezembro, a ministra afirmou que os dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) são utilizados para “ orientar o processo de fiscalização” e que a consolidação dos dados é feita por outra metodologia, o Prodes.
“Em nenhum momento foi dito que o Deter se presta a indicar taxa de desmatamento, ele é um sistema para as ações de comando e controle e de fiscalização e são feitas projeções. O governo trabalha com dados oficiais em termos de taxas, quando são divulgados os dados do Prodes, após um trabalho rigoroso em cima de cada imagem”, afirmou Marina.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, que também participou do sobrevôo, anunciou o início de uma força tarefa da Polícia Federal nas regiões de maior desmatamento a partir de 20 de fevereiro. Segundo o ministro, a devastação da floresta é causada por uma sucessão de atos criminosos. “A PF incide sobre [investiga] essa cadeia, verificando se ela está integrada, se há um planejamento centralizado, de um grupo organizado, ou se é uma sucessão de atos delitosos”, adiantou.
sábado, 26 de janeiro de 2008
Brasil/Crítica de Marina sobre desmatamento perturba governo
Brasilia, 25 janeiro 2008 - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ao reclamar da falta de empenho de governadores aliados no combate ao desmatamento causou constrangimento no Palácio do Planalto. Logo após a entrevista dela para falar do problema na Amazônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou assessores dizerem à imprensa que não era hora de acusações, mas de tomar providências.
Lula acompanhou parte da entrevista no gabinete um piso acima do local onde estava a ministra. Marina Silva havia começado a entrevista criticando o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), e de Rondônia, Ivo Cassol (sem partido), de retirarem policiais militares de ações integradas de combate ao desmatamento. "Estamos vivendo um momento atípico, um período de estiagem longa, um período eleitoral, onde temos muita dificuldade de operar com os agentes locais", disse Marina.
"É só verificar o que aconteceu em Rondônia, onde estávamos com uma operação com a policia ambiental do Estado, os agentes da Polícia Federal e o Ibama", completou. "E o governador deu uma ordem unida para que os 45 policiais militares nos deixassem completamente à deriva, numa operação que eles deveriam nos dar suporte."
Contravenção
Ela observou que a decisão de Cassol, que teria ocorrido anteontem, tem acontecido em outras situações, inclusive em Mato Grosso. No decorrer da entrevista, Marina foi questionada sobre o fato de os três estados com maiores índices de desmatamento - Mato Grosso, Pará e Rondônia - serem governados por aliados do Planalto. Blairo Maggi chegou a indicar um ministro para a pasta da Agricultura e mantém boas relações com o governo.
"Num processo republicano você não opera com essa lógica de que a contravenção é de aliado ou de não aliado, a contravenção deve ser combatida com igual rigor para todos", se limitou a dizer a ministra. A ministra e os assessores não abordaram a questão da grilagem de terras públicas, considerada por especialistas como uma das principais causas do desmatamento irregular na Amazônia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
sábado, 17 de novembro de 2007
Brasil/Amazônia está sendo sufocada, diz secretário-geral da ONU
Juliana Cézar Nunes/Repórter da Agência Brasil
Em entrevista coletiva divulgada pela assessoria de imprensa da ONU, o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse que parte dos principais “tesouros” do planeta estão ameaçados pela ação humana. Entre eles, a Antártida, as geleiras de Torres del Paine (geleiras no Chile) e a Amazônia.
“Na Amazônia, eu vi como a floresta tropical – o pulmão da terra – está sendo sufocada”, alertou Ban Ki-moon, para quem o Brasil tem feito um esforço sério para reduzir o desmatamento e promover o desenvolvimento sustentável.
“Mas o governo [brasileiro] teme que o aquecimento global já esteja minando esses esforços. Se as piores projeções desse painel se tornarem verdade, boa parte da Amazônia vai se transformar em savana.”
O secretário-geral da ONU disse que em regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas, como Punta Arenas, no Chile, as crianças já estão usando roupas protetores contra a radiação ultravioleta.
“Em algumas épocas, os pais não deixam as crianças brincarem na rua ou mesmo ir à escola. Essas cenas são tão aterrorizadoras como filmes de ficção científica. Mas elas são ainda mais arrepiantes porque são reais.”
Relatório da ONU estimula reaproveitamento da água e uso de energia renovável
ONU pede ações concretas de governos contra mudanças climáticas
Desmatamento na Amazônia segue como preocupação de cientistas com Brasil
Novo relatório da ONU sobre mudanças climáticas orienta governos e políticos
Pesquisador diz que Brasil precisa de esforço econômico para frear desmatamento
Entrevista 2 – Munasinghe sugere uso de dinheiro do Nobel em fundo contra mudança no clima
Entrevista 1 – Lutas contra o aquecimento e a pobreza caminham juntas, diz vice do IPCC
Resultados de debate do IPCC serão levados a conferência na Indonésia sobre o clima
Pesquisadores pedem urgência para políticas que atenuem efeito estufa
Marina Silva diz que crescimento não pode ser usado para causar dano ao meio ambiente
Cientista premiado defende reforço nas ações para adaptação às mudanças climáticas
sábado, 27 de outubro de 2007
Brasil/Marina Silva anuncia 20 novas ações de contenção do desmatamento
Mariana Jungmann/Repórter da Agência Brasil
Após reunião com representantes dos ministérios da Defesa e do Desenvolvimento Agrário, e da Casa Civil, a ministra informou que estão em prática 23 dessas operações, coordenadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
As novas operações serão nos estados que apresentaram aumento nos níveis de desmatamento, especialmente Pará, Rondônia e Mato Grosso.
“Vamos movimentar as equipes. Da mesma forma que se tem um problema na favela da Rocinha e acontece outro no Alemão, você movimenta suas equipes para lá. É o que estamos fazendo”, explicou Marina Silva.
As operações do Ibama contam com o apoio da Polícia Federal, do Exército e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Elas fazem parte do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal, que desde 2004 monitora os níveis de desmatamento.
Segundo a ministra, em algumas regiões é grande a tensão entre os fiscais do meio ambiente e a população local. “Os madeireiros incitam a população inocente contra os nossos fiscais, o que gera situações de risco”, explicou.
Por isso, o ministério também conta com o apoio da Força Nacional de Segurança, que atua no município de Buriticupu, no estado do Maranhão, para controlar conflitos na reserva biológica de Gurupi. "A Força será convocada sempre que se fizer necessário”, completou Marina Silva.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Brasil/Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres é lançado com sucesso
Aline Bastos / Enviada especial
Tayuan (China), 19 setembro 2007 - O lançamento do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS-2B) foi feito com sucesso às 11h26 desta quarta-feira - horário local (0h26 pelo horário de Brasília), na base lançamentos de Tayuan, na província de Shanxi, a pouco mais de 400 quilômetros de Pequim, na China.
Segundo o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, os chineses demonstraram interesse em aumentar a cooperação espacial, considerada estratégica para o Brasil. "Os chineses tem um domínio grande da tecnologia. Nós temos um domínio de parte dela e trabalhar com os chineses vai ser muito importante para nós", disse.
O CBERS-2B é um satélite de observação da superfície terrestre que vai ajudar a controlar o desmatamento em regiões como a Floresta Amazônica e a investigar focos de queimadas e tráfico de drogas nas fronteiras. Já no segundo dia em órbita, o satélite fará imagens de testes das três câmeras acopladas a ele, sendo uma delas, com capacidade de produzir imagens em alta resolução de uma faixa de 27 Km de largura.
Além do ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, também estiveram presentes no lançamento do CBERS 2B, na China, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Gilberto Câmara e o presidente da Agência Espacial Brasileira, Miguel Henze.
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/09/19/materia.2007-09-19.4903732525/view
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Brasil/Desmatamento aquece Amazônia em até 4ºC
Agência Chasque / 3 setembro 2007
Cientistas brasileiros acreditam que o desmatamento vai mudar o clima da Amazônia em até quarenta por cento.
A conclusão é de um estudo feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
Segundo a pesquisa, substituir a mata nativa por soja ou pasto pode causar aumentos de temperatura de até quatro graus Celsius.
Além disso, também pode ocasionar uma redução de até vinte e quatro por cento nas chuvas durante a estação seca na porção leste do território amazônico.
Essa área abrange os estados do Pará, Amapá, Roraima, Maranhão, Tocantins e um pedaço do Amazonas e é considerada a mais seca e uma das mais desmatadas da Amazônia Legal.
http://www.agenciachasque.com.br/boletinsdiarios2.php?iddata=497ed3f5b07d97725deccc2d605f78b5
sábado, 18 de agosto de 2007
Brasil/1ª Assembléia das Guerreiras Mulheres Indígenas do Leste e Nordeste
Com o objetivo de garantir uma maior intervenção política das mulheres indígenas, visando contribuir para o fortalecimento do movimento indígena, mapeamos os principais problemas que nós mulheres indígenas enfrentamos. Debatemos sobre nossas demandas específicas e definimos estratégias de mobilização em defesa dos direitos dos povos indígenas do Brasil frente a atual conjuntura política.
O Programa de Aceleração do Crescimento, PAC, um projeto onde as dimensões humana, social e de futuro estão ausentes, desterritorializado, com a previsão de um elenco de obras de infra-estrutura como a transposição das águas do rio São Francisco, a construção das hidrelétricas que atingem terras indígenas, a exemplo do que ocorre nos territórios dos Povos Truká, Pipipã e Kambiwá/PE e Tumbalalá/BA, atendendo a poderosos interesses econômicos, atropela os direitos dos povos indígenas e das populações ribeirinhas, e violenta a natureza.
O agronegócio, apoiado pelas políticas governamentais, que se caracteriza pelos monocultivos para o mercado internacional, pelo uso intensivo de produtos químicos (agrotóxicos, adubos), pela mecanização pesada, pelas tecnologias totalitárias e agressoras à biodiversidade, paralisa a demarcação das terras indígenas e mantém a concentração fundiária. Exemplo disso é a invasão dos territórios dos Povos Tupinikim e Guarani no Espírito Santo e Pataxó, na Bahia, pelo monocultivo de eucalipto das empresas Aracruz Celulose e Veracel; do povo Jenipapo Kanindé, no Ceará, pelo monocultivo da cana de açúcar da empresa Ypióca; dos Potiguara da Paraíba pela Companhia de Tecidos Rio Tinto e outras; do povo Tremembé pela Empresa Ducoco.
O avanço do desmatamento praticado por fazendeiros, criadores de gado e grileiros significa uma ameaça permanente para os territórios e a vida dos nossos Povos.
Cresce assustadoramente a violência contra os povos indígenas e suas lideranças. Neste cenário destaca-se uma grande vulnerabilidade pelas várias formas de violência que as mulheres e crianças indígenas sofrem: física, moral, psicológica entre outras.
Submetidos a séculos de preconceito e discriminação, fomos expulsos de nossos territórios tradicionais, hoje nos encontramos nas cidades e no campo, reconstruindo nossas identidades e exigindo o reconhecimento e a garantia dos nossos direitos. No entanto, o poder público e setores poderosos da sociedade têm na repetição do preconceito e da discriminação a única resposta às nossas legítimas demandas.
No âmbito do Poder Judiciário existe uma avalanche de ações, com decisões liminares, que paralisam a demarcação das terras indígenas, bem como está em curso um processo de criminalização e ameaças à vida das lideranças indígenas em luta pela terra, a exemplo de Zé de Santa, Marcos e Agnaldo Xukuru, Neguinho e Adailson Truká em Pernambuco, Joel Brás Pataxó e Luis Titiah Pataxó Hã Hã Hãe da Bahia, Dourado Tapeba no Ceará e Paulo Tupinikim, Vilson e Vilmar Benedito e Genildo Francisco no Espírito Santo, Domingos e José Nunes Xakriabá, de Minas Gerais.
Destacamos como sinais de esperança a inscrição dos direitos indígenas nas Constituições de muitos países latino-americanos e sua consolidação através de instrumentos internacionais como a Convenção 169 da OIT e a Declaração Universal dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas aprovada pela Comissão de Direitos Humanos da ONU, em 2006.
O crescimento demográfico da população indígena de 10% ao ano, impulsionado pelo processo de auto-identificação, tanto no interior quanto na cidade, a mobilização em torno do Acampamento Terra Livre e a criação da Comissão Nacional de Política Indigenista, CNPI, atestam avanços da luta indígena no Brasil.
Essa realidade nos desafia a enfrentar as políticas governamentais integracionistas e o caos da atenção à saúde indígena; aprimorar e fortalecer o protagonismo da mulher no movimento indígena no Nordeste e Leste através de processos de mobilização e formação.
Nós mulheres indígenas e lideranças dos Povos Anacé, Tapeba, Tremembé, Jenipapo Kanindé, Kanindé, Kalabaça, Tabajara, Potiguara e Pitaguary do Ceará; Potiguara da Paraíba; Atikum, Truká, Kambiwá, Kapinawá, Xukuru, Pipipã e Pankará de Pernambuco; Geripankó, Tingui-Botó, Xukuru-Kariri, Wassu Cocal, Kalankó, Karapotó, Koiwpanká, Katokinn, Karuazu de Alagoas; Xokó de Sergipe; Kiriri, Tuxá, Tumbalalá, Xukuru Kariri, Pankaru do norte e oeste da Bahia; Pataxó e Tupinambá do sul e extremo sul da Bahia; Tupinikim e Guarani do Espírito Santo; Pataxó, Caxixó, Mukuriñ, Xakriabá, Krenak, Aranã, Xukuru-Kariri, Pankararu de Minas Gerais.
E as entidades aliadas: Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Organização das Mulheres Indígenas de Roraima (OMIR), Associação Nacional de Ação Indigenista (ANAI), Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva (CEDEFES), Licenciatura Indígena da UFMG, Rede de Mulheres Rurais da América Latina e Caribe (REDE LAC).
Ribeirão das Neves / Minas Gerais, 16 de agosto de 2007.
