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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Brasil/QUAL REFORMA AGRÁRIA HOJE?

Osvaldo Russo / Correio da Cidadania / 17 janeiro 2008

http://www.correiocidadania.com.br

Apesar de o volume de investimentos do governo no programa, o ano-novo inicia a imprensa anunciando a desaceleração da reforma agrária, com a redução, em 2007, de 62% na área desapropriada por interesse social no país e a ação criminosa de grileiros, madeireiros e fazendeiros na floresta amazônica, inclusive em assentamentos oficiais. É preciso revigorar o leme da democratização da propriedade da terra, da qualificação dos assentamentos agrários e do gerenciamento dos nossos recursos fundiários. É preciso, também, ampliar a fiscalização e o combate ao crime organizado contra o meio ambiente e a reforma agrária.

O governo Lula tem propiciado avanço notável nas políticas sociais, reduzindo a pobreza e as desigualdades. O Bolsa Família, a nova política de assistência social introduzida pelo SUAS, o aumento real do salário mínimo, a geração de mais empregos com carteira assinada, a apoio à agricultura familiar através do Pronaf, a construção de cisternas no semi-árido, o Luz para Todos, a criação do Fundeb (Fundo da Educação Básica), etc., têm merecido aceitação não só da maioria da população brasileira mas reconhecimento dos organismos internacionais, dos movimentos sociais e dos municípios em todo o país, que são parceiros do governo federal na implementação daquelas políticas públicas.

Os programas sociais, no entanto, inclusive os de transferência de renda, não substituem os de geração de trabalho e renda, que se constituem em portas de saída daqueles programas. Na área rural, este objetivo é cumprido pela reforma agrária e pelo desenvolvimento da agricultura de base familiar. Nesse sentido, a prioridade ao agronegócio deveria ser revista, pelo menos como está posta atualmente, pois, apesar de gerar divisas que contribuem para o superávit da balança comercial, tem comprometido o meio ambiente e a soberania alimentar da população brasileira, além de não gerar os empregos necessários ao país. O modo de produção do chamado agronegócio mostra-se, sobretudo, insustentável, segundo estudos que revelam novos padrões de sustentabilidade econômica, social e ambiental.

Em qualquer contexto histórico, aqui e alhures, reforma agrária significa – não só, mas antes de tudo - redistribuir a terra útil, sobretudo a privada, desconcentrando a sua propriedade, a sua posse e o seu uso, ou então não se faz reforma agrária. Como dizia o saudoso José Gomes da Silva (fundador da Abra, ex-presidente do Incra e “ministro” do governo paralelo do Lula, em 1990): “a terra está para a reforma agrária assim como o feijão está para a feijoada – depois vêm os temperos”. Para fazer uma feijoada de primeira, são necessários temperos saborosos e feijão de boa qualidade; na reforma agrária, igualmente, é preciso garantir políticas adequadas e terra de boa qualidade.

Democratizar a vida no campo, proteger o meio ambiente, gerar empregos, promover o ser humano e produzir alimentos saudáveis por si só justificam a importância da reforma agrária hoje. Nas regiões desenvolvidas do país, entretanto, a legislação atual inviabiliza a massividade da reforma agrária, mediante a aplicação de seu principal instrumento - a desapropriação por interesse social com pagamento da terra em títulos da dívida agrária.

É preciso, pois, mobilizar as energias da sociedade e o acúmulo do Estado conseguido até aqui para impulsionar as mudanças normativas que se fazem necessárias, como fortalecer institucionalmente o programa de reforma agrária e atualizar, como reconhece o ministro do Desenvolvimento Agrário, os defasados índices de produtividade, que ainda são da década de 70, exigidos para classificar a grande propriedade rural como “produtiva”, isenta de desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária, segundo a Constituição.

A reforma agrária precisa, sobretudo, dialogar com os movimentos sociais que organizam os demandantes prioritários – os trabalhadores rurais sem terra. A organização coletiva é necessária para alcançar escala econômica e empoderamento social que, ao lado de infra-estrutura, tecnologias apropriadas de produção, crédito, assistência técnica, educação e formação profissional, possibilitam a viabilidade econômica dos projetos de assentamento e a promoção social das famílias assentadas. Hoje, sem isso, torna-se impossível garantir o desenvolvimento sustentável dos assentamentos da reforma agrária no Brasil.


Osvaldo Russo é diretor da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra). Foi presidente do Incra (1993/94) e secretário nacional de Assistência Social (2005/06).

http://www.correiocidadania.com.br/content/view/1323/47/

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Brasil/Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres é lançado com sucesso

Aline Bastos / Enviada especial

Tayuan (China), 19 setembro 2007 - O lançamento do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS-2B) foi feito com sucesso às 11h26 desta quarta-feira - horário local (0h26 pelo horário de Brasília), na base lançamentos de Tayuan, na província de Shanxi, a pouco mais de 400 quilômetros de Pequim, na China.


Segundo o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, os chineses demonstraram interesse em aumentar a cooperação espacial, considerada estratégica para o Brasil. "Os chineses tem um domínio grande da tecnologia. Nós temos um domínio de parte dela e trabalhar com os chineses vai ser muito importante para nós", disse.


O CBERS-2B é um satélite de observação da superfície terrestre que vai ajudar a controlar o desmatamento em regiões como a Floresta Amazônica e a investigar focos de queimadas e tráfico de drogas nas fronteiras. Já no segundo dia em órbita, o satélite fará imagens de testes das três câmeras acopladas a ele, sendo uma delas, com capacidade de produzir imagens em alta resolução de uma faixa de 27 Km de largura.


Além do ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, também estiveram presentes no lançamento do CBERS 2B, na China, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Gilberto Câmara e o presidente da Agência Espacial Brasileira, Miguel Henze.


http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/09/19/materia.2007-09-19.4903732525/view

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Brasil/Um chamado ao povo brasileiro

MST * / Adital / 5 setembro 2007

Estimado amigo e amiga do MST,

Esta semana diversos movimentos sociais e entidades estão realizando um Plebiscito Popular para questionar o leilão, que em 1997, vendeu a Companhia Vale do Rio Doce. A venda foi realizada durante do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e foi marcada por irregularidades que vão desde o subfaturamento da Companhia, vendida por 3,3 bilhões de reais, quando seu patrimônio à época estava avaliado em 40 bilhões de dólares, até o favorecimento ilícito de grupos. Hoje a Vale está sendo avaliada em cerca de 100 bilhões de dólares.


A privatização da Vale significou a privatização do patrimônio do povo brasileiro. Junto com a Companhia também foram vendidos os patrimônios materiais sobre os quais ela tinha concessão. A Vale tinha concessões públicas sobre a maior parte das reservas minerais do país, concessão de amplas extensões do nosso território. Somente ao redor da reserva mineral de Carajás havia uma concessão de 700 mil hectares de Floresta Amazônica. A Companhia também tinha concessão das três maiores ferrovias do país, a que liga Carajás a São Luiz, Belo Horizonte a Vitória e uma outra que liga o interior de Sergipe ao porto de Sergipe; além de ser concessionária de três grandes portos.


Todas essas obras não eram de propriedades da empresa. Foram construídas com dinheiro público, ou seja, de orçamento da União nos ministérios, portanto não cabia serem privatizadas. A Vale não se constituía em uma empresa comercial de propriedade do Estado, era na verdade uma empresa pública pertencente ao patrimônio de todo o povo brasileiro. Por essa razão é que jamais o governo FHC teria o direito de vender uma coisa que não era dele, mas sim do povo.


Ao longo dos últimos dez anos, vem se travando uma intensa batalha na Justiça pela nulidade do leilão da Vale do Rio Doce. As irregularidades acerca da venda da Companhia motivaram mais de cem ações populares na Justiça, 69 delas ainda estão em andamento. Mesmo antes da realização do leilão muitos juristas tentaram cancelar a venda. Mas na época tanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ), como o Supremo Tribunal Federal (STF), eram totalmente coniventes com os interesses do governo FHC e o leilão somente pode se dar sob a condição de liminares dadas na calada da noite.


Os movimentos sociais, as entidades e as pastorais sociais, articulados na Assembléia Popular no final do ano de 2006, perceberam que, além da luta institucional, é preciso travar uma batalha cotidiana com a participação efetiva do povo. Afinal, o povo não foi consultado sobre a venda de seu próprio patrimônio, nem sequer o Congresso Nacional aprovou a venda da Companhia. Não se respeitou um princípio básico da nossa Constituição de 1988, que garante ao povo brasileiro o poder de tomar as decisões relativas à vida e ao futuro do país.


Além da questão sobre a Vale o plebiscito também aborda outros três temas: se o governo deve continuar priorizando o pagamento dos juros da dívida externa e interna; se a energia elétrica deve continuar sendo explorada pelo capital privado e se você concorda com uma reforma da previdência que retire direitos dos trabalhadores. A idéia é fazer do Plebiscito Popular uma ação cívica para o exercício da cidadania do povo brasileiro.


O Plebiscito faz parte da Campanha Nacional pela Nulidade do Leilão da Vale do Rio Doce. Campanha que está sendo organizada por mais de 60 entidades e movimentos sociais. A votação já começou. Em todo o país, estarão espalhadas urnas para coleta dos votos entre os dias 1° e 7 de setembro, Semana da Pátria. A data foi escolhida por ocasião do Grito dos Excluídos, que esse ano tem como tema "A Vale É Nossa - Queremos Participação no Destino da Nação".


Nosso objetivo é pressionar pela nulidade do leilão que privatizou a Vale. Não podemos permitir que nossas riquezas naturais, como solo, minerais, água e ar sejam privatizadas. Não podemos permitir a entrega de nosso patrimônio material. Não podemos concordar com a premissa neoliberal de que o alto valor atribuído à Companhia hoje, seja fruto de sua privatização. Ao contrário temos provas concretas de que é possível uma empresa pública dar certo, como acontece com a Petrobras. Além disso, estamos certos de que uma empresa estatal não tem como primeiro objetivo dar lucro. O objetivo dela é o bem-estar da população.


Por tudo isso, queremos consultar o povo e convocamos cada amigo e cada amiga do MST a encampar também essa luta. Vote a favor do Brasil, a Vale é nossa, é do POVO BRASILEIRO!


Boa luta para todos e todas!

Saudações!
Direção Nacional do MST


Para saber como participar e ver locais de votação acesse a página:

www.avaleenossa.org.br


* Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=29375