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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Brasil/CRÔNICA DA MORTE PERPÉTUA NO CAMPO

28 agosto 2015, Carta Maior cartamaior.com.br (Brasil)


Najar Tubino

A luta dos sem terras no Brasil é uma trágica crônica da morte. Mudaram os tempos, mas o cotidiano dessas populações não se alterou.


Raimundo Rodrigues, de 54 anos, pai de seis filhos, conselheiro da Comunidade da Rebio de Gurupi, em Bom Jardim (MA), foi assassinado quando chegava em casa na tarde de terça-feira, dia 25. A esposa, Maria da Conceição Chaves Lima, também foi atingida e está hospitalizada em Açailândia. Raimundo já havia denunciado à Sociedade de Direitos Humanos do Maranhão que vinha sendo ameaçado pelo fazendeiro Jesus da Costa, que não aceitava a proibição de plantar na área da unidade de conservação, que é administrada pelo Instituto Chico Mendes. Ele já havia invadido as casa de 10 famílias que moram na reserva, depois colocou fogo junto com os pertences dos moradores. A Polícia Federal já prendeu dois suspeitos.

Até julho de 2015, a Comissão Pastoral da Terra – no Centro de Documentação dom Tomás Balduíno – registrou 23 mortes de agricultores em terra e assentados, na maior parte dos casos, ocorridas em três estados – Rondônia, Pará e Maranhão.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Brasil/Indígenas conseguem suspender matérias até final do mês



15 agosto 2013, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Após várias audiências e manifestações, esta semana em Brasília, parlamentares e lideranças indígenas que fazem parte do Grupo de Trabalho de Terras Indígenas, conseguiram do presidente da Câmara, deputado Henrique Alves (PMDB-RN), o compromisso de manter suspensa, até o final de agosto, a tramitação de matérias que contrariam os interesses dos indígenas.


As lideranças indíegnas participaram de várias audiência, manifestações e reuniões na Câmara esta semana.

As propostas legislativas são consideradas inconstitucionais, pela Frente Parlamentar de Apoio aos Povos Indígenas e entidades de proteção aos direitos garantidos a eles na Constituição Federal, como a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) e Cimi (Conselho Indigenista Missionário).

Uma delas é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que transfere do Executivo para o Legislativo a decisão final sobre demarcação de terras indígenas. Para juristas como Dalmo Dallari, que na terça-feira (13) participou de debate promovido pelo GT e pela Comissão de Legislação Participativa (CLP), a matéria é “escancaradamente” inconstitucional.

Brasil/RELATÓRIO FIGUEIREDO EXPLICITA QUE O PASSADO DE MASSACRE AOS INDÍGENAS SE REPETE HOJE



21 junho 2013, CIMI Conselho Indigenista Missionário http://www.cimi.org.br (Brasil)


Patrícia Bonilha, Brasília

Muitas referências estão sendo feitas entre atos ocorridos na época da ditadura e os dias de hoje, principalmente em relação aos povos indígenas e outras comunidades tradicionais. Considerados – ontem e hoje - obstáculos para o desenvolvimento, eles são desrespeitados e têm seus modos de vida severamente impactados para que mega projetos, principalmente de infraestrutura, sejam implementados. Em Audiência Pública realizada na Câmara dos Deputados ontem (20), Cleber Buzatto, Secretário Executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), afirmou que a mesma ânsia desenvolvimentista da época da ditadura que cometeu verdadeiros massacres contra os indígenas repete-se agora, manifestados tanto em atos de ataques e violência física como em violações e retrocesso nos direitos conquistados na Constituição de 1988.

O objetivo da audiência foi discutir as impactantes informações do recém encontrado Relatório Figueiredo que, em mais de 7 mil páginas, investigou massacres e torturas de povos indígenas no interior do Brasil que tiveram participação direta do extinto Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Concluído em 1967, em plena ditadura militar, o Relatório já é considerado um dos documentos mais importantes produzidos pelo Estado brasileiro no último século.

sábado, 8 de agosto de 2009

Brasil/ABAIXO ASSINADO: O SONHO DO POVO TUPINAMBÁ DE OLIVENÇA

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
6 agosto 2009/http://www.adital.com.br

Yakuy Tupinambá *

ASSINE ESTE ABAIXO ASSINADO

Preocupados com a violência e as constantes agressões, físicas, morais e culturais experimentadas pelo povo TUPINAMBÁ no sul da Bahia, consideramos que é de suma importância a urgente proteção constitucional sobre o seu território através da demarcação nos termos do Processo de nº 08620.001523/2008, em tramitação nesta FUNAI, identificado como: Terra Indígena: Tupinambá de Olivença. Família Lingüística: Tupi, localizada nos Municípios de Ilhéus, Buerarema e Uma no Estado da Bahia com Superfície: 47.376 Ha. Perímetro: 150 km. Sociedade Indígena: Tupinambá de Olivença. População: cerca de 3000 indivíduos. Identificação e Delimitação: Grupo Técnico constituído pela Portaria nº 102/PRES, de 22 de janeiro de 2004. Antropóloga Coordenadora: Susana Dores de Matos Viegas. Diante do exposto, solicitamos os bons préstimos de Vossa Senhoria para que seja dada a prioridade absoluta na tramitação dos atos destinados a homologação do referido território para que esse povo possa viver em sua terra sem males.

Passados cinco séculos ainda hoje somos obrigados a conviver com a ganância que foi implantada em nosso território sagrado, só mudaram as estratégias de usurpação e dominação de um Povo que foi obrigado a se esconder ou deixar de ser quem verdadeiramente é - autóctone desse território. Hoje o homem ocidental permanece camuflado nas suas artimanhas. Estrategicamente ele se inseriu em nosso contexto e como erva daninha teima em permanecer cego e surdo sempre tentando suprimir um passado ainda presente de INVASÃO E DESTRUIÇÃO (invasão, grilagem e destruição de uma terra que sempre teve presente o homem na sua essência física, cultural e espiritual).

O homem USURPADOR criou uma ilusão de propriedade partindo do eu para o meu, do comprei e paguei logo, sou dono e meu mundo chama-se economia; danem-se aqueles que não compartilham e não se submetem banidos serão. Esse mesmo homem inicia essa aventura quando ele expulsa seu semelhante do jardim que ele criou e denominou de "Jardim do Éden" (paraíso de Adão e Eva).

Nós, Tupinambás de Olivença, baseados em nossa ancestralidade e amparados pelo artigo 231 da Constituição da República Federativa do Brasil, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, chamamos a atenção dos organismos nacionais e internacionais, governamentais e não governamentais e toda imprensa para encontrarmos uma solução pacífica no sentido da regularização fundiária do nosso território sagrado.

Latifundiários poderosos, políticos gestores dos municípios de Ilhéus, Una, Buerarema e São José da Vitória e um vereador de Ilhéus estão contra as normas e tratados existentes que promovem a ordem e o cumprimento dos deveres e obrigações de uma sociedade organizada que busca promover a paz, a ordem e o bem estar de toda humanidade, em nome de uma ganância que não sabem por um fim.

Chamamos a atenção do mundo inteiro e pedimos ajuda para que essas pessoas não influenciem o descumprimento da Lei Maior e com isso possam continuar destruindo nosso Território Sagrado em nome da (suposta) tranqüilidade e garantia dos direitos de quem cultiva e produz. Segundo o prefeito de Ilhéus, Newton Lima, "não se pode medir o impacto social que essa demarcação de terras causaria, atingindo duramente, por exemplo, a Estância Hidromineral de Olivença, não só as suas áreas turísticas como também as terras que são ocupadas por dezenas de pequenos agricultores".

Somos mais de 7000 indivíduos vivendo em condição de miserabilidade à margem da margem de uma sociedade excludente e que deseja nossa total destruição, levando alguns indígenas a cometerem desatinos que na linguagem do homem branco é a transgressão de suas leis. Pistoleiros estão sendo contratados e armados e a todo o momento a imprensa local leva informações contraditórias e falsas sobre nosso Povo.

No próximo dia 12 de agosto será realizada em Brasília uma audiência pública com a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, com a finalidade de debater a delimitação do nosso território que envolve os municípios de Ilhéus, Una, Buerarema e São José da Vitória. A audiência será realizada às 10:00 horas da manhã no plenário 6 do Anexo II. e terá como expositor o vereador Alcides Kruschewsky, morador de Olivença, que almeja sua candidatura nas próximas eleições a Deputado Estadual da Bahia, segundo informações de populares.

O agronegócio e os políticos da região estão de mãos dadas para continuarem a destruição da Mata Atlântica e do pouco que resta do nosso Território Sagrado, usando pessoas desamparadas de conhecimento, espalhando pavor as populações não indígenas desses municípios. Estamos diante de uma nova Raposa Serra do Sol e precisamos da ajuda de todos para que se faça cumprir a LEI, fortalecendo o PODER JUDICIÁRIO deste país, que tanto vem lutando contra as mazelas existentes de um passado colonialista, para que possamos continuar cuidando da preservação do Planeta e das futuras gerações!

Reitero um pedido particular às autoridades francesas, à imprensa e todo povo da França, em nome da amizade estabelecida com os nossos ancestrais na época da colonização do nosso território, para que intercedam junto aos organismos internacionais e ao governo brasileiro no sentido que o POVO TUPINAMBÁ possa ter de volta seu TERRITORIO SAGRADO. Este é o ano de comemoração da França no Brasil, também o ano da batalha judicial dos Tupinambás para garantir a dignidade. Gostaríamos de fechar com "DIGNIDADE" essa comemoração com nossa regularização fundiária.

ASSINE ESTE ABAIXO ASSINADO

http://www.webbrasilindigena.org/?p=1615

* Novo parente da Web Brasil Indígena (WBI)

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil

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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Brasil/NA VIGÉSIMA QUARTA HORA

18 julho 2009/Correio da Cidadania http://www.correiocidadania.com.br

O último recurso de que a cidadania pode se valer para barrar a Lei da Grilagem das Terras da Amazônia é a Adin (Ação Declaratória de Inconstitucionalidade).
Nesta semana o Ministério Público Federal protocolou essa ação no Supremo Tribunal Federal. A palavra agora está com o Judiciário.
A decisão desta Adin é tipicamente daquelas decisões em que se manifesta o caráter político desse tribunal. Os ministros não darão uma sentença favorável aos proponentes se não tiverem a certeza de que eles representam o desejo da opinião pública.
Desse modo, na verdade, a palavra está com as entidades que, no seu conjunto, expressam o sentir do povo.
É agora a hora de saber se essas entidades estão dispostas a defender os interesses da nação, ainda que isto signifique bater de frente com Lula e os seus 80% de apoio popular.

A maneira de demonstrar essa disposição consiste em entrar na causa através da figura jurídica denominada "amicus curiae"- amigo do tribunal.
O "amicus curiae" é um colaborador que se dispõe a enviar, aos autos do processo, elementos que ajudem a esclarecer a controvérsia e, portanto, ajudem o juiz a chegar a uma decisão.
Esse apoio é vital para o Ministério Público, porque mostrará aos Ministros que, além dos argumentos jurídicos, há um sentimento popular contra a lei.
A ABRA (Associação Brasileira de Reforma Agrária) já declarou seu apoio à Adin e pediu ao Professor Fabio Comparato que coordenasse o trabalho de reunir nossa argumentação e levá-la ao Supremo.
O Correio da Cidadania apela a todas as entidades combativas da sociedade brasileira para que apóiem esta iniciativa. A entidade que quiser associar-se ao grupo dos "amici curiae" podem fazê-lo enviando sua adesão à redação do Correio (correio@correiocidadania.org.br). O jornal se encarregará das providências seguintes.
Cada vez mais a situação política obriga os partidos, as organizações da sociedade civil e as pessoas individualmente a encararem seriamente a questão de saber de que lado estão.
Cada vez torna-se mais difícil ficar à margem, pois deixar de agir significa estar do lado dos que estão vendendo o Brasil.
Vivemos a vigésima quarta hora. Na vigésima quinta não adiantará nada chorar sobre o leite derramado.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Brasil/Ato em evento empresarial pede vetos à "MP da Grilagem"

Participantes apoiaram apelo da senadora Marina Silva (PT-AC) para que o presidente Lula vete "os dispositivos mais danosos" da MP 458/09. Atmosfera de contradições caracterizou plenária sobre impacto de cadeias produtivas

Por Maurício Hashizume*

18 junho 2009/Reporter Brasil www.reporterbrasil.org.br

São Paulo (SP) - Entre plenárias, mesas redondas, estandes publicitários de grandes corporações privadas e muita gente alinhada, o ato público contra o desmonte da legislação ambiental brasileira conferiu ares de mobilização de caráter cidadão à Conferência Internacional Ethos 2009.
Realizada na tarde desta quinta-feira (18), a manifestação mobilizou agentes corporativos, organizações da sociedade civil, parlamentares e membros do governo para protestar contra a Medida Provisória (MP) 458/09 - a "MP da Grilagem" -, que legaliza terras públicas na Amazônia com até 1,5 mil hectares, sem licitação, aprovada no Congresso Nacional.

Os participantes apoiaram os apelos da senadora Marina Silva (PT-AC) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que "os dispositivos mais danosos" da MP 458/08 sejam vetados (leia especial: "Fazenda Amazônia").
Ex-ministra do Meio Ambiente (2003-2008), Marina Silva pede que pelo menos três artigos da "MP da Grilagem" não sejam sancionados: a regularização de imóveis amazônicos de ocupação e exploração indiretas, isto é, por terceiros que não sejam os próprios ocupantes (incisos II e IV do art. 2º); o direito de preferência estendido às pessoas jurídicas, a quem já possui terras e para ocupantes indiretos (art. 7º); e a dispensa da vistoria prévia para a regularização de imóveis de até quatro módulos fiscais (art. 13).
"A aprovação, no Congresso Nacional, da MP 458, conhecida como MP da Grilagem - que, entre outras medidas, promove a legalização de terras ilegais, é a mais recente demonstração de que há um projeto em andamento para desmontar a agenda ambiental, duramente conquistada nos últimos anos e que dá ao Brasil posição privilegiada para enfrentar as conseqüências das mudanças climáticas", pontua o texto da carta aberta à sociedade que emergiu do ato e foi encaminhada à Presidência da República.
A carta divulgada realça ainda a "enorme importância" do Brasil no mundo "por ser um dos países com maior patrimônio ambiental ainda preservado e, portanto, com maior potencial de desenvolvimento econômico e social sustentável". Além dos vetos, o ato ainda conclamou: o presidente Lula a assumir a liderança da agenda ambiental como central na estratégia do desenvolvimento social e econômico do Brasil; o Congresso Nacional a assumir sua responsabilidade frente à agenda ambiental brasileira; as empresas a incorporar a agenda ambiental como estratégia de seus negócios.
O documento frisa a "enorme perplexidade" com a existência, "no início de um novo século, com os desafios que temos", de "políticos e empresários descomprometidos que se apropriam do Estado para benefício particular, privilegiando o lucro imediato à custa do interesse maior da nação brasileira".
Manifestações
Diversos integrantes de entidades empresariais e de organização não-governamentais (ONGs) reforçaram a manifestação. A importância da priorização do "desmatamento zero" para a região, a necessidade de exigência de contrapartidas (como planos de manejo) dos beneficiados pela MP 458, a urgência na busca por alternativas econômicas ao desmatamento, a existência de normas legais para impedir a legalização de terras em que crimes foram flagrados e a contradição entre o discurso internacional brasileiro e as políticas internas que devastam "em nome do progresso" foram algumas das questões levantadas durante o ato público em ambiente empresarial.
Júlio Barbosa, da Confederação Nacional dos Seringueiros (CNS), afirmou que as comunidades locais e os povos tradicionais da floresta são os principais atingidos por essa ofensiva à legislação ambiental. De acordo com ele, a MP da Grilagem influencia diretamente no aumento da pressão sobre ribeirinhos e na ação de novos "grileiros". A coincidência entre a "grilagem" de terras na Amazônia e a ocorrência de casos de trabalho escravo foi realçada por Leonardo Sakamoto, da ONG Repórter Brasil. Leonardo lembrou ainda de outros projetos importantes que estão parados à espera de votação no Parlamento - como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438/2001, que determina o confisco de terras onde houver trabalho escravo.
A senadora Marina Silva - que criticou os "setores arcaicos do empresariado" e a atuação de congressistas segundo interesses próprios e não em prol da população em geral - e o ministro Carlos Minc - que preferiu enfatizar os aspectos de "avanço" do governo no campo ambiental - gravaram depoimentos que foram transmitidos durante a manifestação.
A ofensiva do bloco ruralista, salientou Ivo Bucaresky, chefe de gabinete do Ministério do Meio Ambiente (MMA), se intensificou a partir do momento em que o Código Florestal passou a ser exigido na prática, por meio de medidas como a Resolução 3.545 do Conselho Monetário Nacional (CMN) - que impõe restrições de crédito a produtores que não dispõe de documentos fundiários e ambientais - e a edição de decretos presidenciais mais severos. A aprovação de um conjunto de leis mais flexíveis no âmbito estadual em Santa Catarina pode provocar uma crise do pacto federativo, emendou Ivo. "Defender o Código [Florestal] é defender a unidade do país", completou.
Cadeias produtivas
Os riscos da MP da Grilagem já tinham sido tratados na plenária acerca da relação das cadeias produtivas com os biomas brasileiros, em especial o amazônico, que fez parte da programação da Conferência Internacional Ethos 2009 (convocada sob o tema "Rumo a uma Nova Economia Global: a Transformação das Pessoas, das Empresas e da Sociedade").
"Brasília não é a capital dos ambientalistas. É a capital dos lobbies", comentou Samyra Crespo, secretária de Articulação Social e Cidadania Ambiental do MMA, que foi uma das palestrantes da atividade realizada na última terça-feira (16). "Estamos medindo forças com um gigante", completou.
Para Samyra, os embates relativos aos impactos sociais e ambientais de grandes obras que fazem parte do Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC), coordenado pela Casa Civil, são provas da contradição que reina entre os diferentes ministérios. Nesse sentido, ela declara que "o que o MMA faz com uma mão" no sentido da sustentabilidade, muitas vezes é desfeito "com outra mão" por outros setores do governo. "Não somos nós que sustentamos essa política agrária equivocada".

A secretária do MMA cita outro exemplo. Documento de 250 páginas sobre "como sair da crise", elaborado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), colegiado com representantes da sociedade civil ligado à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, traz apenas um tópico dedicado à agroenergia, mais especificamente sobre etanol. E mais nada sobre temas relacionados à agenda ambiental.
Nesse oceano de contradições, comentou Hélio Mattar, do Instituto Akatu, "resistir é extraordinariamente importante". Hélio fez o papel de mediador da plenária, que contou ainda com as apresentações de Marcio Santilli, sócio-fundador do Instituto Socioambiental (ISA), e Luiz Fernando Furlan, presidente do Conselho de Administração da Sadia (que se fundiu com a Perdigão na Brasil Foods) e da Fundação Amazonas Sustentável.
Como subsídio ao debate, Hélio Mattar destacou o trabalho Conexões Sustentáveis São Paulo - Amazônia: Quem se beneficia com a destruição da Amazônia?, elaborado pela Repórter Brasil e pela Papel Social, em outubro do ano passado. Os resultados das investigações deram base para a assinatura de três pactos setoriais com vistas a compras que impliquem na redução de impactos nos setores da soja, da madeira e da carne bovina, além de um compromisso assinado pelos candidatos à Prefeitura de São Paulo.
A edição de junho da publicação Observatório Social em Revista apresenta desdobramentos dessas investigações e revela as ligações entre madeireiras flagradas cometendo crimes ambientais e o mercado internacional. Para se ter uma idéia, existem elos comerciais entre empresas acusadas de fraude no Pará com companhias estrangeiras que fornecem madeira para programas televisivos de reconstrução de moradias nos Estados Unidos.
Chapéus
A presença do ex-titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Luiz Fernando Furlan, foi a síntese da atmosfera contraditória que se espalhou pela plenária. De início, ele brincou com os "dois chapéus" (um de empresário e outro de representante do terceiro setor) que tinha sobre a cabeça. Ao longo da plenária, foi cobrado a respeito do terceiro chapéu (como ex-integrante do governo Lula) que também já utilizou.
Mesmo diante das inúmeras responsabilidades referentes à empresa que atualmente dirige e ao cargo público que ocupou, Luiz Fernando Furlan concentrou suas falas na função que exerce como presidente da Fundação Amazonas Sustentável. A iniciativa desenvolvida no estado do Amazonas, em parceria com o governo estadual e com outras empresas como o Banco Bradesco, visa preservar as 35 Unidades de Conservação (UCs) do território do Amazonas, que soma cerca de 16,5 milhões de hectares, e atende cerca de 10 mil famílias de ribeirinhos que vivem na floresta.
Depois de reiterar resultados de pesquisas recentes - como a de que os índices de desmatamento acompanham os preços do boi gordo e da soja e a de que os benefícios sociais do desmatamento são efêmeros, ambas do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) -, o ex-ministro não pôde negar a relação do agronegócio com o desmatamento, mas fez imediatamente uma ressalva de que "a maioria do agronegócio não é amazônico".
Sobre os possíveis impactos diretos e indiretos da empresa que dirige, Luiz Fernando disse apenas que dos dez estados em que a Sadia atua diretamente, apenas um ocupa a faixa de transição para a Amazônia (Mato Grosso). Destacou ainda o trabalho junto a 12 mil pequenos produtores em programas de reflorestamento, de tratamento de água, de reciclagem de resíduos e de geração de energia por meio do biogás. Existe um vínculo estreito entre o segmento alimentício da Brasil Foods e a produção de soja.
Longe da Esplanada dos Ministérios, ele chamou o Bioma Amazônia de "tesouro" e disse que água e ar deveriam ser considerados "ativos". Defendeu ainda alternativas econômicas como o financiamento da "extratoindústria". Segundo ele, são necessários recursos para que os moradores busquem o equilíbrio em atividades perenes e deixem de optar pelo desmatamento. Levantamento realizado pela Fundação Amazonas Sustentável identificou que apenas 12% dos homens da região atendida pela iniciativa tinham emprego fixo. Nas contas apresentadas pelo ex-ministro, é possível preservar um hectare de Floresta Amazônica com apenas R$ 20 por ano.
Mais especificamente sobre a sua participação no primeiro escalão do governo federal, Luiz Fernando Furlan se limitou a dizer que a composição ministerial corresponde a uma coalizão plural e que Lula "estimula o contraditório". "É uma ilusão achar que o governo pode resolver tudo", admitiu. "A agenda que anda é a do urgente, não a do importante", emendou. De fato, é provável que o I (de Indústria) e o C (de Comércio), que já estiveram sob sua responsabilidade quando ele era ministro, sempre sejam "urgentes", enquanto o D (de Desenvolvimento) nunca tenha passado de "importante".

*Colaborou Verena Glass

Leia especial:
Fazenda Amazônia

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sábado, 26 de janeiro de 2008

Brasil/Crítica de Marina sobre desmatamento perturba governo

Brasilia, 25 janeiro 2008 - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ao reclamar da falta de empenho de governadores aliados no combate ao desmatamento causou constrangimento no Palácio do Planalto. Logo após a entrevista dela para falar do problema na Amazônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou assessores dizerem à imprensa que não era hora de acusações, mas de tomar providências.

Lula acompanhou parte da entrevista no gabinete um piso acima do local onde estava a ministra. Marina Silva havia começado a entrevista criticando o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), e de Rondônia, Ivo Cassol (sem partido), de retirarem policiais militares de ações integradas de combate ao desmatamento. "Estamos vivendo um momento atípico, um período de estiagem longa, um período eleitoral, onde temos muita dificuldade de operar com os agentes locais", disse Marina.

"É só verificar o que aconteceu em Rondônia, onde estávamos com uma operação com a policia ambiental do Estado, os agentes da Polícia Federal e o Ibama", completou. "E o governador deu uma ordem unida para que os 45 policiais militares nos deixassem completamente à deriva, numa operação que eles deveriam nos dar suporte."

Contravenção

Ela observou que a decisão de Cassol, que teria ocorrido anteontem, tem acontecido em outras situações, inclusive em Mato Grosso. No decorrer da entrevista, Marina foi questionada sobre o fato de os três estados com maiores índices de desmatamento - Mato Grosso, Pará e Rondônia - serem governados por aliados do Planalto. Blairo Maggi chegou a indicar um ministro para a pasta da Agricultura e mantém boas relações com o governo.

"Num processo republicano você não opera com essa lógica de que a contravenção é de aliado ou de não aliado, a contravenção deve ser combatida com igual rigor para todos", se limitou a dizer a ministra. A ministra e os assessores não abordaram a questão da grilagem de terras públicas, considerada por especialistas como uma das principais causas do desmatamento irregular na Amazônia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.