18 abril
2016, Carta Maior http://cartamaior.com.br (Brasil)
Leonardo Boff*
Poucas vezes se usou tanto o santo nome de Deus em vão quanto neste julgamento de exceção do Impeachment.
Observando
o comportamento dos parlamentares nos três dias em que discutiram a
admissibilidade do impedimento da presidenta Dilma Rousseff parecia-nos ver
criançolas se divertindo num jardim da infância.
Gritarias por todo canto.
Coros recitando seus mantras contra ou a favor do impedimento. Alguns vinham
fantasiados com os símbolos de suas causas. Pessoas vestidas com a bandeira
nacional como se estivessem num dia de carnaval. Placas com seus slogans
repetitivos. Enfim, um espetáculo indigno de pessoas decentes de quem se
esperaria um mínimo de seriedade. Chegou-se a fazer até um bolão de
apostas como se fora um jogo do bicho ou de futebol.
Mas o que mais causou estranheza foi a figura do presidente da Câmara que presidiu a sessão, o deputado Eduardo Cunha. Ele vem acusado de muitos crimes e é réu pelo Supremo Tribunal Federal: um gangster julgando uma mulher decente contra a qual ninguém ousou
Mas o que mais causou estranheza foi a figura do presidente da Câmara que presidiu a sessão, o deputado Eduardo Cunha. Ele vem acusado de muitos crimes e é réu pelo Supremo Tribunal Federal: um gangster julgando uma mulher decente contra a qual ninguém ousou