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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Portugal/O CRESCIMENTO ECONÓMICO É ANÉMICO, MAS AINDA ASSIM DEVE-SE AO CONSUMO

21 agosto 2015, ODiario.info httpː//www.odiario.info (Portugal)

Eugénio Rosa

Uma das teorias mais matraqueadas pela “troika”, pelo governo e pelos seus “papagaios” na comunicação social é que a recuperação da economia só seria possível através do aumento das exportações e nunca pelo crescimento do consumo interno. Cortam nos salários, nas pensões, e na despesa pública essencial, porque isso reduziria o consumo e aumentaria a competitividade da economia e as exportações. Mas a verdade é que o anémico crescimento económico verificado se deve ao aumento da procura interna, e não da procura externa, desdizendo o governo e a “troika”. É o próprio INE a afirmar isso.



quinta-feira, 28 de maio de 2015

CARTA EM DEFESA DO BRASIL, DA DEMOCRACIA E DO TRABALHO

27 maio 2015, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

Petição Pública http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR82210



Para: Ao povo brasileiro


O pacto político e social da Constituição de 88 está sob um ataque de exceção. Contra a política, contra os partidos, especialmente do campo da esquerda, contra os movimentos sociais. 

Este ataque representa a maior ofensiva organizada pelas forças políticas da direita e pelo oligopólio da mídia conservadora, desde 1968. 

A luta contra a corrupção, que deveria atingir de forma indistinta e igual quem viola a legalidade e desmoraliza a política e o Estado, está sendo instrumentalizada por setores conservadores e foi colocada a serviço de um projeto autoritário de restauração de uma democracia restrita e de redução das funções públicas do Estado. 

Parte da direita não hesita em clamar pela intervenção militar, como se o Brasil fosse uma república bananeira, e as nossas forças armadas fossem feitoras dos interesses do capital financeiro. Promovem a contra-reforma política para manter o financiamento empresarial de campanhas eleitorais e partidos políticos e buscam terceirizar o Banco Central, pretendendo

terça-feira, 3 de março de 2015

Argentina/A ÚLTIMA FALA DE CRISTINA AO PARLAMENTO COM 400 MIL PESSOAS

2 março 2015, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)


Por Francisco Leite Filho*, no Café na Política



A presidenta Cristina Kirchner dirigiu-se neste domingo (1º), pela última vez, no seu segundo mandato, ao Congresso da Argentina. Foi acompanhada de uma multidão de 400 mil pessoas e falou durante quase quatro horas.

A concentração na Praça Congresso, que se destacava pelo colorido da juventude, em contraste com a assepsia e encardimento dos engravatados da marcha elitista opositora de 18 de fevereiro, quis desagravá-la da campanha de infâmias, engendradas pelas corporações econômicas e midiáticas, praticamente, desde o primeiro dia de seu primeiro mandato em 2007.

A última dessas infâmias consistiu em uma denúncia fajuta que tinha como escopo a sua destituição por um golpe judicial-midiático, no bojo de um tumulto de rua, com a produção de muitos mortos e feridos. O golpe foi, finalmente, abortado na quinta-feira (26/02/15) pela desassombrada postura da chefa de Estado do país irmão, e culminou na

sábado, 20 de dezembro de 2014

Brasil/Dilma: Ofereço a luta renovada por justiça social e igualdade

19 dezembro 2014, Vermelho (Brasil)
Diplomada nesta quinta-feira (18) para o próximo mandato à frente do Executivo federal, a presidenta Dilma Rousseff afirmou que o processo eleitoral brasileiro tem sido uma “prova permanente” da solidez da democracia brasileira.

“É da própria natureza da disputa eleitoral resultar em vitória e resultar em derrota. Mas como uma eleição democrática não é uma guerra, ela não produz vencidos. O povo, na sua sabedoria, escolhe quem ele quer que governe e quem ele quer que seja oposição. Simples assim”, afirmou Dilma, em seu discurso.

“Cabe a quem foi escolhido para governar, governar bem. Cabe a quem foi escolhido para ser oposição, exercer da melhor forma possível o seu papel”, reforçou.

Compromissos
Durante a solenidade, a presidenta enfatizou a continuidade dos compromissos de seu governo com políticas sociais e com o crescimento sustentado.

“O que mais quero oferecer ao meu país é a luta renovada por justiça social, educação de qualidade, igualdade de oportunidades, estabilidade econômica e política, e

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Portugal/GOVERNO PS RETIRA AJUDAS AOS MAIS POBRES E DIREITOS AOS DESEMPREGADOS

19 agosto 2010/ODiário.info http://www.odiario.info

Eugénio Rosa*

Depois da fusão ideológica do PS com a direita e da sua rendição incondicional ao neoliberalismo, todo o dinheiro é pouco para ajudar o grande capital: para que a banca pague 4,3% de IRC (como sucedeu em 2009) é preciso retirar direitos e subsídios aos que deles precisam. Qualquer pessoa percebe isto, que o dinheiro não é elástico, não é senhores economistas do sistema?

Com o pretexto de que a economia portuguesa está a recuperar, mas fundamentalmente com o objectivo de reduzir o défice orçamental de 9,3% para apenas 2% do PIB entre 2009 e 2013, o que corresponde a uma redução da despesa publica de 12.234,8 milhões € em 4 anos, que significa um corte muito grande, o governo, através do Decreto-Lei 77/2010, eliminou as medidas extraordinárias de apoio aos desempregados que eram para vigorar durante a crise, e que foram as seguintes:

(a) Eliminação da prorrogação por mais 6 meses do subsídio social de desemprego inicial e subsequente;

(b) Eliminação da redução do prazo de garantia (número de dias de descontos para a Segurança Social) para se ter acesso ao subsídio de desemprego que era de 365 dias e que agora passou para 450 dias;

(c) Eliminação da majoração de 10% do subsídio de desemprego para os desempregados com dependentes a seu cargo. Portanto, medidas que vão atingir profundamente todos os portugueses que não têm trabalho, reduzindo ainda mais os que têm direito a receber o subsídio de desemprego. E isto quando o número de desempregados a receber subsídio de desemprego não para de diminuir. De acordo com o Ministério do Trabalho, em Fevereiro de 2010 eram 370.658, mas em Junho de 2010 já apenas 352.846, ou seja, menos 17.812.

Para além destas medidas extraordinárias que o governo tinha aprovado no inicio do ano para vigorarem até ao fim de 2010, mas que eliminou em Junho deste ano, este governo aproveitou a “embalagem” e eliminou também uma medida que não era extraordinária, que tinha sido implementada através do Decreto-Lei 245/2008, portanto muito antes das chamadas medidas extraordinárias, que era a seguinte: “Os titulares do direito a abono de família para crianças e jovens, de idade compreendida entre 6 e 16 anos durante o ano civil que estiver em curso, têm direito a receber, no mês de Setembro, além do subsídio que lhes corresponde, um montante adicional de igual quantitativo que visa compensar as despesas com encargos escolares, desde que matriculados em estabelecimento de ensino”. Após a publicação do Decreto-Lei 77/2010, passaram a ter direito, não todas as famílias que recebiam abono como acontecia, mas apenas as beneficiários pertencentes ao 1º escalão do abono de família, ou seja, passaram a ter direito a este adicional de abono a receber em Setembro de cada ano apenas as famílias cujo rendimento familiar a dividir pelo número de filhos com idade entre os 6 e 16 anos seja inferior a 209,61€/mês, o que reduziu drasticamente o número de famílias com direito ao adicional do abono de família.

E como tudo isto já não fosse suficiente, este governo aprovou dois outros decretos – o Decreto-Lei 70/2010 e 72/2010 – que entram em vigor dois meses após a sua publicação, ou seja, em 1 de Agosto de 2010, que reduzem o apoio aos portugueses com rendimentos insuficientes, portanto próximos ou mesmo no limiar da pobreza, e aos desempregados. E são esses dois decretos que entrarão em vigor no inicio de Agosto, que revelam um profunda insensibilidade social, que vamos analisar seguidamente procurando tornar claros os seus efeitos.

O DECRETO –LEI Nº 70/2010 - A alteração da chamada condição de recursos vai reduzir significativamente o direito a apoios sociais
O acesso em Portugal a muitas prestações de apoio social (abono de família, abono pré-natal, subsídio social de desemprego, complemento solidário de idoso, rendimento social de inserção, acção escolar, taxas moderadoras, comparticipações nos medicamentos, comparticipação nas despesas dos utentes de cuidados continuados, etc.), de quem não possua recursos suficientes depende de cumprir a chamada “ condição de recursos”, que é definida com base no rendimento “per capita” do agregado familiar.

O governo para reduzir o número daqueles que têm direito a esses apoios sociais alterou a formula como se calcula o rendimento “per capita”.

Até aqui só eram considerados como pertencentes ao agregado familiar aqueles em que se verificava uma relação dependência económica. Após 1 de Agosto de 2010, com a entrada em vigor do Decreto-Lei 70/2010, são consideradas todas as pessoas em economia comum, ou seja, que residem no mesmo alojamento e suportem em conjunto as despesas fundamentais ou básicas, portanto muitas mais, o que fará aumentar o rendimento familiar, e quanto maior seja o rendimento familiar menos é a probabilidade de ter direito a apoios sociais.

Para além disso, até aqui o rendimento “per capita” era obtido dividindo o rendimento do agregado familiar pelo número de pessoas que o constituíam. Após 1 de Agosto de 2010, com a entrada em vigor do Decreto-Lei 70/2010, já isso não acontece. O 1º adulto “vale” 1, mas cada adulto seguinte vale apenas 0,7; e as crianças, cada uma somente 0,5.

Um exemplo, para tornar as consequências desta alteração mais claras. Imagine-se um agregado familiar cujo rendimento é de 1000€/mês, constituído por 2 adultos, em que um foi despedido, e por duas crianças. Até aqui o rendimento “per capita” do agregado familiar obtinha-se dividindo os 1000€ pelas 4 pessoas, o que dava 250€. Agora divide-se apenas por 2,7 (o 1º adulto=1; o 2º adulto =0,7; cada criança =0,5), e obtém-se já 370€, de rendimento “per capita”. Para se ter acesso ao subsídio social de desemprego é obrigatório que o rendimento “per capita” do agregado familiar do desempregado seja inferior a 80% do IAS, ou seja, a 335€. Pela forma como antes era calculado o rendimento “per capita” o desempregado daquele agregado familiar tinha direito ao subsídio social de desemprego. Após a a entrada em vigor do Decreto-Lei 70/2010 este mesmo desempregado já não tem direito ao subsídio social de desemprego. O que acontece com este subsídio sucede como muitos outros apoios sociais a pessoas a viver no limiar da pobreza. Portanto, o número de portugueses com insuficiência de recursos com direito a apoios sociais (abono de família, abono pré-natal, subsídio social de desemprego, complemento solidário de idoso, rendimento social de inserção, acção escolar, taxas moderadoras, comparticipações nos medicamentos, comparticipação nas despesas dos utentes de cuidados continuados, etc.) vai diminuir significativamente. Mas é desta forma que este governo pretende reduzir as despesas do Estado, para assim reduzir o défice orçamental.

O DECRETO-LEI Nº 72/2010: Reduz o subsídio de desemprego e determina a diminuição geral dos salários no futuro
E como tudo isto já não fosse suficiente, o governo também alterou a lei do subsídio de desemprego, ou seja, o Decreto-Lei nº 187/2007. Segundo o nº2 do artº 29 do Decreto-Lei 72/2010, que também entra em vigor em 1 de Agosto de 2010, o valor máximo do subsídio de desemprego vai baixar de 65% do salário ilíquido que o trabalhador recebia antes de ser despedido para apenas 75% desse salário liquido, ou seja, depois de deduzir o desconto para a Segurança Social (11%) e a retenção do IRS. Para além disso, o desempregado passa a ser obrigado a aceitar qualquer emprego, sob pena de perder o direito ao subsídio, desde que o salário oferecido nos primeiros 12 meses seja igual ao subsídio de desemprego mais 10%, e depois basta que seja igual ao subsídio de desemprego, que no máximo corresponde a 75% do salário liquido que o trabalhador recebia no emprego anterior.

Portanto, e repetindo para ficar claro, a partir de 1 de Agosto de 2010, com a entrada em vigor do Decreto-Lei 72/2010 não é só o subsídio de desemprego que vai diminuir (passa de 65% do salário ilíquido que o trabalhador tinha antes de ser despedido para apenas 75% desse salário liquido), mas também o salário do desempregado em futuro emprego já que ele ficará obrigado a aceitar um emprego cujo salário seja apenas igual ao subsídio de desemprego após mais 10% nos primeiros 12 meses de desemprego, e depois desse período é obrigado a aceitar um emprego desde que o salário seja igual ao subsídio de desemprego que está receber, o qual no máximo é igual a 75% do salário liquido que recebia antes de cair no desemprego. E se não aceitar perde o direito ao subsídio de desemprego (artº 13º, artº 41, nº1, alínea a; artº 49,nº1, alínea a). É de prever que os patrões aproveitem esta disposição da lei, ou seja, esta ajuda do governo para baixar ainda mais os salários. Mas é desta forma que este governo pretende promover o emprego em Portugal, reduzindo ainda mais a qualidade do emprego e os salários.

O CARÁCTER RECESSIVO DO PEC E A INSENSIBILIDADE SOCIAL DESTAS MEDIDAS
O PEC:2010-2013 é um programa recessivo porque reduz a despesa e o investimento publico e diminui o poder de compra da população através do congelamento dos salários e das prestações sociais, ou da sua eliminação, e da subida dos impostos (só a subida do IVA e do IRS reduz o poder de compra da população em mais de 1.260 milhões €/ano). Como se está a verificar igual corte de despesas públicas em todos os países da U.E. (mais de 200.000 milhões €), as exportações tornar-se-ão mais difíceis, e o desemprego vai continuar a aumentar. A saída de Portugal da crise torna-se assim mais difícil.

Para além de tudo isso, pelas medidas analisadas neste artigo que também constam do PEC, fica claro que ele é também um programa que revela uma profunda insensibilidade social.

Numa altura como esta é necessário que o País e também as famílias façam uma aplicação rigorosa dos seus recursos, não se endividando mais (as taxas de juro estão a aumentar), e que ninguém cruze os braços, não deixando de participar em movimentos da sociedade civil para que a politica do governo português e da U.E. deixe de se preocupar apenas com a redução do défice orçamental e em “agradar os mercados” e passe a se preocupar com as pessoas, em particular com as que menos têm.

*Economista

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

AS CENTRAIS SINDICAIS BRASILEIRAS: HISTÓRIA, CONCEPÇÕES E FORMAS DE ATUAÇÃO

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina

20 AGOSTO 2009/http://www.adital.com.br

CUT *
Este texto faz parte das propostas de ações da Secretaria de Política Sindical da

CUT Nacional para o debate, e faz uma rápida análise da história do movimento sindical brasileiro a partir dos anos 80, até sua configuração atual, com o reconhecimento das centrais sindicais. Procuramos ainda, a partir da análise, propor alguns pontos que consideramos prioritários para a atuação dos sindicatos cutistas nesta nova conjuntura. O texto, e principalmente, as propostas de ação aqui apresentadas, são apenas uma contribuição a um necessário debate, e que pretendemos aprimorar a partir de um encontro com as secretarias de política sindical das CUTs estaduais e ramos e na avaliação das experiências concretas que forem obtidas a partir da definição e da aplicação do nosso plano estratégico.

Legalização das centrais
A legalização das centrais sindicais brasileiras tem colocado na ordem do dia a discussão sobre qual central sindical pode melhor representar os trabalhadores. Esse é um debate que diz respeito não apenas aos sindicalistas, mas principalmente aos maiores interessados, os trabalhadores, pois o resultado desta escolha pode proporcionar uma direção com maior ou menor envolvimento com as lutas do cotidiano. A destinação de recursos financeiros para uma central sindical, a ser definida pelo sindicato, deve levar parte dos dirigentes sindicais a fazer uma reflexão sobre o tema, uma vez que é grande o número de sindicatos não filiados a nenhuma central sindical.

Nessa conjuntura tem aparecido um grande número de centrais sindicais em busca da legalização, algumas antigas e conhecidas, como é o caso da CUT e da Força Sindical e outras mais recentes, como a União Geral dos Trabalhadores (UGT), que resultou de uma fusão da Social Democracia Sindical (SDS), Central Geral dos Trabalhadores (CGT), Central Autônoma dos Trabalhadores (CAT) e parte da Força Sindical, a Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), que reúne parte das federações e confederações oficiais, que defendem a atual estrutura sindical, a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), ligada ao MR8, o Conlutas, ligado ao PSTU, (mas que não se apresenta enquanto central sindical) e mais recentemente, a Confederação dos Trabalhadores do Brasil (CTB), ligada ao PCdoB.

História
O 1º Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora) foi realizado na Praia Grande em 1981 com o objetivo de construir uma central única dos trabalhadores brasileiros. No entanto, parcela dos sindicalistas presentes não tinha clareza sobre a necessidade de fundar a CUT naquele momento e foi constituída uma Comissão Pró-CUT, para fundar a central no congresso seguinte.

Naquele momento configuravam-se duas fortes vertentes no sindicalismo, de um lado o chamado "sindicalismo autêntico" que reunia os dirigentes vinculados ao PT, ala progressista da igreja católica, e trotskistas, que mais tarde fundariam a CUT. E um outro agrupamento, constituído de sindicalistas formados no corporativismo sindical, defensores da estrutura sindical vigente. O racha foi inevitável e resultou na fundação da CUT em 1983, presidida por Jair Menegueli e da Conclat (Coordenação Nacional da Classe trabalhadora) que em 1986 se transformaria na Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), presidida por Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão, e depois por Antonio Rogério Magri, que mais tarde seria ministro do trabalho do governo Collor.

Um terceiro grupo de sindicalistas não aparece neste contexto, exatamente por serem contrários a criação de uma central sindical, eram os sindicalistas que dirigiam a quase totalidade das federações e confederações da estrutura oficial e sem qualquer referência nas lutas dos trabalhadores. As federações e confederações que dirigiam não praticava o contato e o diálogo com os sindicatos ou com as bases, pois a estrutura sindical permitia - e permite até hoje - a sustentação desta estrutura através do imposto sindical.

Onde estão hoje as forças políticas do período da criação da CUT?

Das forças que originalmente criaram a CUT, parte dos trotskistas, então agrupados na "Convergência Socialista", se transformaram em partido político, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), juntamente com uma parcela de ex-petistas que também se transformaram em partido político, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), constituíram o Conlutas. Outra parcela do PSOL, com uma pequena parcela de petistas, construiu a "Intersindical". Vale lembrar que nem o Conlutas e nem a Intersindical se definem como centrais sindicais.

Foram várias as mudanças na composição das forças políticas que criaram a CGT em 1986, em relação à realidade sindical atual. Os sucessivos rachas na CGT foram dando espaços a pensamentos políticos mais homogêneos e partidários. Da CGT original surgiram: CGTB, CAT, SDS, FS, CGT e CTB.

Uma parcela da CGT, ligada ao MR8 constituiu sua própria central sindical, a CGTB, outra parcela constituiu a Força Sindical (FS). É importante recordar que a FS nasceu a partir de uma iniciativa do então presidente Fernando Collor de Mello, que queria uma central sindical que o apoiasse e que se opusesse a CUT, procurando conseguir assim o apoio de parte do movimento sindical ao seu projeto de governo. Em 2007 foi fundada a UGT, resultado da fusão da CAT, SDS, CGT e parte da FS. E finalmente, a CSC, que saiu da CGT e entrou na CUT em 1992, de onde saiu novamente para fundar sua própria central, em 2007.

Um terceiro segmento: os "sindicalistas", instalados na maioria das confederações e federações oficiais e contrárias à construção de uma central sindical; criou a NCST, com o intuito de garantir que os recursos financeiros de seus sindicatos filiados continuem sendo canalizados para a manutenção de suas estruturas, a partir da legalização das centrais.

O vai e vem da CSC
A CTB é o braço sindical do PCdoB, embora neguem publicamente. Para se contrapor a esta afirmação, alegam que no interior da Corrente Sindical Classista (CSC) e agora na CTB militam sindicalistas filiados ao PSB e ao PDT. Embora possam existir sindicalistas de outros partidos, figuram mais como adorno, pois são inexpressivos. A maior parte dos sindicalistas, filiados ao PDT, encontra-se na FS, como é o caso inclusive do seu presidente.

Foi da direção nacional do PCdoB a decisão de não ingressar na CUT em 1983 e ingressar na CGT. Foi também da direção nacional do PCdoB, a decisão de que a CSC deveria sair da CGT e entrar na CUT, em 1992. E é novamente, por determinação da direção nacional do PCdoB a saída da CSC da CUT para fundar uma nova central sindical. As plenárias e congressos realizados para esta tomada de decisão são apenas instrumentos utilizados para referendar no movimento sindical uma decisão partidária.

A saída da CSC da CUT, e sua constituição em uma central sindical acontecem por razões facilmente entendidas. No interior da CUT a CSC era minoritária e as posições políticas do PCdoB não eram refletidas nas resoluções da CUT, tais como a filiação internacional, a unicidade sindical, ou a defesa da convenção 87 da OIT, em que o PCdoB tem posições antagônicas à CUT. Logo, como as posições do PCdoB não tinham repercussão na CUT, a alternativa encontrada foi aproveitar o momento de legalização das centrais para criar sua própria central sindical, assim, além de divulgar no movimento sindical as posições do partido em nível nacional e internacional, terão ainda recursos financeiros, o que não acontecia antes.

Mas, para entender que as posições políticas partidárias é que definiram a saída da CSC da CUT para criar a CTB, e importante entender a conjuntura em que essa central foi criada. Na verdade, a CTB surge para representar sindicalmente o chamado "bloquinho", que aglutina no plano partidário o PCdoB, PDT e PSB, ou seja, a concepção do "bloquinho" partidário está refletido na CTB, sendo que o "bloquinho" sindical tem uma representação muito maior do PCdoB do que a do PDT e PSB, partidos extremamente reduzidos na composição da direção desta central.

Após o 9º Concut, a CSC ameaçou sair da CUT caso não tivessem de volta o cargo da vice-presidência, que ocupavam até então, e que passou a ser ocupado por uma dirigente rural. Para contornar o problema, a direção da CUT decidiu pela criação de duas vice-presidências, solução que agradou os comunistas e apaziguou os ânimos. No entanto, concomitante a isso, na Câmara Federal o PT entrava na disputa da presidência da Câmara, derrotando o então presidente, Aldo Rebelo, do PCdoB. A partir daí inicia-se o processo de construção do bloquinho, visando o lançamento de Ciro Gomes à presidência da República e de Aldo Rebelo para a prefeitura de São Paulo. A partir desta movimentação política do PCdoB a sua direção nacional decide pela saída da CSC e a construção de sua própria central sindical.

Portanto é falsa a polêmica de que a CSC deixou a CUT devido a "falta de democracia interna", ou "seu atrelamento ao PT", ou "dependência do governo". A CSC ficou na CUT durante 15 anos mesmo tendo posições políticas contrárias à central e sem questionamentos em relação à sua democracia interna. A saída da CSC da interior deu-se única e exclusivamente por uma decisão da direção nacional do PCdoB que aconteceu no início de 2007 e que desembocou em um congresso da CSC, ainda em 2007, para homologar a decisão da direção do PCdoB.

Filiação internacional
A CUT já nasceu com uma das maiores centrais sindicais do mundo e obviamente era cortejada internacionalmente para se filiar a uma das entidades internacionais existentes então, a Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres (CIOSL), a Confederação Mundial do Trabalho (CMT) e a Federação Sindical Mundial (FSM).

A CUT permaneceu sem filiação internacional enquanto fazia o debate interno, pois existiam posições favoráveis e críticas a todas centrais internacionais. Após longo debate, a CUT se posicionou pela filiação a CIOSL e sobre a necessidade de uma intervenção da CUT, juntamente com outras centrais sindicais do terceiro mundo, no interior da CIOSL procurando imprimir um novo relacionamento e uma nova visão sobre o mundo do trabalho, considerando como necessária a filiação internacional em uma sociedade cada vez mais globalizada.

Com a unificação da CIOSL e a CMT em 2006, criando a Confederação Sindical Internacional (CSI), a CUT passa a ser filiada a esta nova internacional e o movimento sindical mundial passa a ter apenas duas centrais, a CSI que abriga sindicatos de todos os continentes e a FSM, restrita a sindicatos em poucos países, tais como a CTC de Cuba, a CTP do Peru, a CTE do Equador, entre outras. No Brasil antes da CTB, a CGTB era (e continua) filiada a FSM, sendo que o presidente da CGTB, Antonio Neto, foi presidente mundial da FSM. Embora existam duas centrais mundiais, podemos afirmar que a representação da FSM é inexpressiva em relação a CSI.
Nas Américas, aconteceu em 2008, na cidade do Panamá, a construção da Confederação Sindical das Américas (CSA), unificando a Organização Regional Internacional dos Trabalhadores (ORIT), organização regional da antiga CIOSL e a Confederação Latino- Americana de Trabalhadores (CLAT), confederação regional da antiga CMT.

Relação com o governo Lula
No aspecto de relação com o governo Lula, os críticos da CUT - à direita ou à esquerda - costumam argumentar que antigos dirigentes da central, hoje se encontram em cargos importantes no governo federal, o que faria com que a CUT perdesse sua independência frente ao governo. É inegável o fato de que uma parcela dos dirigentes da CUT são filiados ao PT, assim como grande parte dos dirigentes da CTB são filiados ao PCdoB, da FS são filiados ao PDT, e assim por diante. A CUT apoiou Lula para presidente da República, entendendo ser o melhor candidato para fazer um governo voltado para os trabalhadores e setores mais explorados da população. A FS apoiou Geraldo Alckmin, o Conlutas e o PSOL apoiaram Heloisa Helena.

Consideramos que é inegável que o governo Lula foi, e continua sendo, melhor para os trabalhadores do que seria um governo neoliberal, pois abriu e mantém diálogo com as centrais e movimentos sociais. São inegáveis os avanços obtidos como a redução da pobreza, a diminuição do desemprego, a participação das centrais em diversos conselhos, a legalização das centrais sindicais, os aumentos do salário-mínimo, discutidos com os atores envolvidos, os acordos salariais com ganhos acima da inflação, o acesso de populações pobres, negras e indígenas às universidades, a desoneração de impostos para produtos essenciais à população de baixa renda, como produtos da cesta básica e material de construção. Enfim, são conquistas importantes para os trabalhadores, onde a CUT se sente elemento importante e ativo no processo.

O fato de apoiar não significa apoio incondicional. Não foram poucas as vezes que a CUT se manifestou contra a taxa de juros determinada pelo Copom, contra a terceirização no serviço público e realização de concursos, pela recuperação dos salários dos servidores federais que foram praticamente congelados durante o governo FHC, pela ratificação da convenção 158 da OIT, aprovada, mas denunciada ao STF pelo governo FHC, na coleta de assinaturas, em conjunto com outras centrais, para a aprovação da redução da jornada de trabalho sem redução salarial e na realização de quatro marchas à Brasília.

Convenção 87 da OIT
A defesa da Convenção 87 da OIT é um dos elementos que coloca a CUT em posição oposta às demais centrais sindicais. A CUT sempre defendeu a total liberdade de organização sindical, sem a intromissão do Estado, o que quer dizer que os trabalhadores é que decidem em qual sindicato querem se filiar e lhes dá liberdade para organizar seu próprio sindicato. Aí está uma grande diferença entre a concepção cutista de organização sindical e das demais centrais. Enquanto a CUT defende que os trabalhadores é que definem a melhor forma de se organizarem, as demais centrais defendem a unicidade sindical, ou seja, um único sindicato por categoria em cada cidade impondo limitações para a organização dos trabalhadores. O que as demais centrais chamam de fragmentação da atuação sindical nós chamamos de liberdade de organização.

Taxas compulsórias
A cobrança compulsória de taxas para a manutenção da estrutura sindical é outro ponto divergente da CUT em relação as demais centrais sindicais. A CUT, desde sua fundação, defendeu que os trabalhadores, além de definirem qual a melhor forma de se organizarem, também devem definir de que forma sustentam financeiramente suas lutas. A CUT entende que os sindicatos devem sobreviver das mensalidades sindicais e das taxas assistenciais, definidas em assembléia das categorias profissionais.

Enquanto a CUT é contra, as demais centrais defendem a cobrança do "imposto sindical" que representa o desconto de um dia de trabalho de cada assalariado, e é o grande responsável pela manutenção de tantos sindicatos, federações e confederações sem qualquer compromisso com a base, pois sua sustentação financeira não passa pela filiação, mas apenas pelo imposto compulsoriamente cobrado dos trabalhadores.

Organização por ramo ou por categoria
Outra diferença que podemos apontar é se a organização dos trabalhadores se dá por ramo ou por categoria. A CUT defende a organização por ramos por entender que a criação de diversos sub-segmentos profissionais dentro de uma mesma categoria dificulta cada vez mais a organização por categoria. A introdução de novas tecnologias e a qualificação/desqualificação progressiva do trabalho tem levado ao surgimento de um amplo leque profissional fragmentando, comparando-se às antigas grandes categorias profissionais. A organização por ramos, desta forma, é mais apropriada, pois parte do princípio de organização de todos os profissionais envolvidos naquele ramo profissional, e não exclusivamente uma determinada categoria, que é bem menos expressiva numérica e economicamente do que o ramo. A organização por ramos de atividades e sua progressiva reestruturação para fusão a ramos similares é um processo histórico em andamento em diversos países, pois aumenta o poder de pressão sindical e combate corporativismos de categorias.

A CUT ainda desenvolve projetos de construção de redes sindicais organizando sindicatos, filiados ou não a CUT, em redes nacionais e internacionais em conjunto com as Federações Sindicais Internacionais (FSIs).

O que fazer?
Diante do quadro descrito, a CUT nacional, estaduais e ramos devem priorizar o trabalho junto aos nossos sindicatos, pautados em três eixos fundamentais: 1) manutenção e fortalecimento dos atuais sindicatos filiados à CUT; 2) a conquista de novos sindicatos; 3) ampliação da participação de nossos sindicatos na sociedade.
Certamente cada um desses itens requer uma estratégia específica, pois cada tema precisa necessariamente ser acompanhado de um conjunto de ações para que sejam atingidos os objetivos específicos.
Para manter e fortalecer os atuais sindicatos filiados à CUT, por exemplo, é necessário um autodiagnóstico do desenvolvimento de nossos sindicatos, para podermos levantar nossos pontos fortes e nossos pontos fracos, e então, a partir daí, elaborar estratégias para o fortalecimento dos nossos pontos fortes, e de superação dos nossos pontos fracos, visando acabar -ou ao menos diminuir- as debilidades detectadas em nossas entidades sindicais, o que requer o aprofundamento da democracia interna, maior transparência financeira e administrativa, melhoria nas formas de comunicação, promoção de maior incidência das atividades junto à base, fortalecendo as OLTs existentes e criando estratégias para sua ampliação, enraizando a CUT nos locais de trabalho. Ter uma maior aproximação entre os sindicatos com as estaduais e os ramos da CUT, além de uma maior integração com os atuais parceiros prioritários, aproximação com novos parceiros e maior intervenção da CUT na sociedade.
A conquista de novos sindicatos requer a definição de uma estratégia das estaduais e dos ramos, para a intervenção em eleições sindicais consideradas prioritárias para a ampliação de nossa base sindical. O mesmo raciocínio podemos aplicar em relação a ampliação da participação da CUT na sociedade, junto aos parceiros, movimentos sociais, partidos políticos, ONGs e governos estaduais e municipais.
Enfim, a discussão desses e outros temas, e a definição de estratégias de ação sindical é uma tarefa bastante complexa e que pretendemos aprofundar posteriormente, a partir de reuniões a serem agendadas brevemente, visando construir coletivamente com as secretarias da CUT nacional, CUTs estaduais e ramos - em debate que deverá ser aprofundado na 12º Plenária - uma estratégia comum, para ampliar a referência dos nossos sindicatos junto aos trabalhadores e na sociedade, e conseqüentemente, ampliar nossa base de atuação sindical.

* Central Única dos Trabalhadores

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sexta-feira, 18 de julho de 2008

São Tomé/Governo anuncia redução de salários dirigentes das empresas públicas

São Tomé, 18 julho 2008 - O primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Rafael Branco, anunciou hoje (sexta-feira), que vai dar seguimento a um programa de reestruturação salarial a nível das empresas públicas, argumentando que os valores são incompatíveis com a actual situação económica" do país.
Em conferência de imprensa, Rafael Branco afirmou que, com esta medida, o governo pretende recuperar a confiança dos cidadãos nas instituições do estado.
"Temos empresas com um director, mais dois directores adjuntos, além de um Conselho de Administração com três a quatros membros, que todos os meses recebem um salário e não trabalham. Não pode ser", sublnihou.
"Temos empresas que não produzem, no entanto, o salário do director é quatro a cinco vezes superior que o salário de um ministro", esclareceu Rafael Branco.
Analistas políticos são-tomenses prevêem que esta medida possa provocar algum "mal-estar", uma vez que muitos dos dirigentes das empresas públicas integram partidos políticos que apoiam o actual governo.
"Os partidos disseram que apoiam o governo. Apoiar o governo significa fazer aquilo que é bom para o nosso povo. Não podem apoiar o governo e não querer que ele faça o que é bom para a sociedade", disse Rafael Branco, quando questionado sobre as consequências desta medida.
"Estou no governo com o espírito de servir. No dia em que os partidos que me apoiam acharem que eu não estou a servir, vou-me embora. Não ficarei nem mais um dia", disse o primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe.
"Estou confiante que esses partidos participaram na elaboração do programa de governo porque entendem que é absolutamente necessário recuperarmos a confiança do cidadão, e a nossa missão é parar a degradação da nossa situação económica, politica e social", defendeu.
Rafael branco considera que o governo tem de ser "claro, determinante e transparente" para que os cidadãos percebam que o trabalho do executivo "não é para o benefício de alguns, de um partido ou dois, mas da colectividade". (AngolaPress)