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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Moçambique/Basta de intermediários



31 julho 2016, Jornal Domingo jornaldomingo.co.mz (Moçambique)

A equipa económica do governo mostrou a sua disponibilidade em manter a interacção com o sector privado para remover as barreiras que minam o desenvolvimento das empresas nacionais. Mas, deixou claro que “não confunde sector privado produtivo com intermediários”, isto porque persiste uma pressão muito forte sobre o mercado cambial para a importação de bens de consumo no lugar de se investir na produção.
 
A XIV Conferência Anual do Sector Privado (CASP) foi o primeiro que foi realizado sob a direcção do presidente Filipe Jacinto Nyusi e que aconteceu

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Portugal/O CRESCIMENTO ECONÓMICO É ANÉMICO, MAS AINDA ASSIM DEVE-SE AO CONSUMO

21 agosto 2015, ODiario.info httpː//www.odiario.info (Portugal)

Eugénio Rosa

Uma das teorias mais matraqueadas pela “troika”, pelo governo e pelos seus “papagaios” na comunicação social é que a recuperação da economia só seria possível através do aumento das exportações e nunca pelo crescimento do consumo interno. Cortam nos salários, nas pensões, e na despesa pública essencial, porque isso reduziria o consumo e aumentaria a competitividade da economia e as exportações. Mas a verdade é que o anémico crescimento económico verificado se deve ao aumento da procura interna, e não da procura externa, desdizendo o governo e a “troika”. É o próprio INE a afirmar isso.



sexta-feira, 21 de agosto de 2009

China/Macau: PME querem mais apoio do Governo para entrar nos países de língua portuguesa

Macau, China, 19 agosto 2009 (China) - A Associação de Pequenas e Médias Empresas de Macau (PME) propôs ao Governo a criação de um fundo com cerca de 44 milhões de euros, 50 por cento patrocinados pelo executivo, para apoiar investimentos nos países lusófonos.

De acordo com o presidente da Associação de Pequenos e Médios Empresários, Stanley Au, “o fundo poderia contar numa primeira fase com 500 milhões de patacas (44 milhões de euros)", em que o Governo contribuiria com 50 por cento do montante e os empresários com o restante.

“Se os negócios forem bem sucedidos, os investidores poderão cobrir o investimento do Governo, que poderá depois utilizar o dinheiro para outros fins de acordo com os lucros auferidos”, acrescentou Stanley Au que disputou o cargo de chefe do Executivo com Edmund Ho na primeira eleição após a transferência da administração de Macau de Portugal para a China.

Este fundo serviria, segundo o empresário, para aliviar as despesas de deslocação dos empresários de Macau aos países de língua portuguesa.

“Alguns dos países de língua portuguesa distam 20 horas de Macau. As viagens são muito caras, por isso sugerimos que o Governo dê incentivos aos empresários locais para iniciarem os negócios nesses países, pelo menos numa fase inicial”, justificou Stanley Au.

Outro tipo de ajuda requisitada pela Associação das Pequenas e Médias Empresas de Macau é o acompanhamento de tradutores de português nos contactos entre os investidores locais e os dos países lusófonos, sem o qual Stanley Au sublinha que “não se pode fazer nada”.

Também as embaixadas da China nos países lusófonos deveriam facultar protecção diplomática aos investidores de Macau caso sejam confrontados com algum problema, defende Stanley Au ao salientar que “o funcionamento da Justiça não é muito eficiente em alguns daqueles países”.

As propostas já foram entregues ao executivo, a Pequim e ao futuro chefe do Executivo, Chui Sai On, mas até ao momento a associação não obteve resposta.

A serem concretizadas, estas propostas poderão motivar um número considerável de investimentos dos empresários de Macau nos países de língua portuguesa, sublinhou.

"Se houver um bom plano, uma boa promoção, haverá muita gente interessada em investir nos países de língua portuguesa”, considerou Stanley Au, adiantando que a exportação de bens de consumo e o turismo são áreas privilegiadas de investimento na lusofonia.

quarta-feira, 4 de março de 2009

QUE DESENVOLVIMENTO É ECONÔMICO E SOCIAL?

Emir Sader

3 março 2009/Fonte: Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br

O que significa hoje desenvolvimento econômico e social? Pode haver desenvolvimento econômico sem desenvolvimento social? A quem favorece, nesse caso? Desenvolvimento sustentável é somente desenvolvimento econômico compatível com o meio ambiente ou é também desenvolvimento socialmente sustentável? Um seminário sobre um projeto de desenvolvimento econômico e social discute o cerne das questões que decidirão a fisionomia do Brasil na primeira metade do século XXI. O artigo é de Emir Sader.
O Brasil é o país mais desigual do continente mais desigual do mundo. Uma desigualdade que cruzou democracias e ditaduras, expansões e recessões econômicas, mas que encontrou seu ápice quando o desenvolvimento econômico foi substituído, como norte do país, pela estabilização financeira. Nunca tantos foram destituídos de tantos direitos –a começar pelo mais universal e básico dos direitos: o do emprego formal.
No entanto, não bastava manter o desenvolvimento como referência, para que fosse acompanhado de progresso social. Tivemos décadas em que houve acoplamento entre desenvolvimento econômico e extensão dos direitos sociais – como reação à crise de 1930 -, quando nos transformamos de país agrícola em país industrial, de país agrário em país urbano, de economia primário exportadora a país industrializado, com um grande mercado interno de consumo de massas.
A ditadura militar cortou esse ciclo virtuoso, desacoplou desenvolvimento econômico de progresso social. Promoveu um modelo centrado no grande capital internacionalizado e nos investimentos externos, impôs o arrocho salarial e, com ele, bloqueou o poder aquisitivo dos setores populares, destruindo ao mesmo tempo sua capacidade de resistência, pela repressão.
A democracia política não trouxe a democracia social, porque não produziu as reformas que fariam com que o país pudesse superar, em toda sua extensão, a pesada carga herdada da ditadura. Ao contrário. Em pouco tempo se impôs um modelo que favoreceu a maior transferência de renda para os setores já privilegiados da nossa sociedade, substituindo o desenvolvimento pela estabilidade, como se já tivéssemos atingido um patamar aceitável de desenvolvimento. “Virar a página do getulhismo” teve o cruel sentido de expropriar dos trabalhadores o emprego formal e a carteira de trabalho – seus passaportes para a cidadania social.
O que significa hoje desenvolvimento econômico e social? Pode haver desenvolvimento econômico sem desenvolvimento social? A quem favorece, nesse caso?
Desenvolvimento sustentável é somente desenvolvimento econômico compatível com o meio ambiente ou é também desenvolvimento socialmente sustentável?
Como disse Lula no discurso da vitória do segundo turno, “nunca os ricos ganharam tanto e nunca os pobres melhoraram tanto de vida”. Quando chega a crise e parece não mais ser possível compatibilizar a taxas de juros real mais alta do mundo e a distribuição de renda, como definir os rumos futuros do desenvolvimento econômico e social? É compatível a hegemonia do capital financeiro com a construção de um modelo com eixo nas políticas sociais? Como superar a ditadura da economia e dos mercados, para avançar definitivamente na direção de um Brasil para todos?
Que reforma do Estado é necessária para construir uma democracia com alma social e para deixarmos de ser o país mais injusto do mundo?
Um seminário sobre um projeto de desenvolvimento econômico e social discute o cerne das questões que decidirão a fisionomia do Brasil na primeira metade do século XXI. (Carta Maior)

http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=5abdf8b8520b71f3a528c7547ee92428&cod=3454