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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Economia/O Banco Central da Holanda reconhece a derrocada do sistema monetário internacional


25 outubro 2019, Resistir.info (Portugal) https://www.resistir.info/financas/bc_holanda_out19.html

por MPR



Agora, nem mesmo os bancos centrais ocultam que o afundamento financeiro começou e já procuram possíveis saídas para o futuro imediato. Um artigo publicado pelo Banco Central da Holanda admite que "se o sistema ruir, as existências de ouro podem ser utilizadas como base para a sua recuperação. O ouro reforça a confiança na estabilidade do balanço do banco central e cria uma sensação de segurança" [1] .

Isto é a única coisa que o capital financeiro considera como alternativa, o retorno ao padrão ouro, ou seja, renegar de si mesmo e voltar à fase anterior. Por isso voltou

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A DITADURA DO CAPITAL E SPECULATIVO

1º. fevereiro 2015, Rede Brasil Atual http://www.redebrasilatual.com.br (Brasil)

Emir Sader

Quando se procura no dicionário o significado da palavra ‘spread’, lá no final, como uma das alternativas, aparece um provável sentido real: “banquete”

Spread é uma expressão – mantida em inglês para facilitar a camuflagem do seu significado –, que indica o ganho líquido dos bancos, a diferença entre o que pagam pelo dinheiro que captam e o que recebem pelo que emprestam. Leve R$ 100 reais ao banco para uma aplicação, e no mês seguinte retire R$ 100,50. Dê a volta no balcão e consulte o mesmo funcionário sobre quanto pagará se quiser tomar emprestado a mesma nota de R$ 100. Ele provavelmente dirá que você terá de devolver, no mês seguinte, algo próximo R$ 110. A diferença é o spread, o ganho improdutivo, à custa do suor alheio.

Quando se procura no dicionário o significado da palavra, lá no final, como uma das alternativas, aparece um provável sentido real: “banquete”. Porque disso se trata, de um banquete especulativo. O capital financeiro nasceu como

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

PRECISÃO TERMINOLÓGICA: PORQUE O REGIME UCRANIANO PODE SER CARACTERIZADO COMO FASCISTA

24 agosto 2014, Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)

por Coronel Cassad

Mais uma vez, voltamos à essência da junta de Kiev – a algo que alguns tendem a negar.

Vamos tomar a definição clássica de fascismo de Georgi Dimitrov, a qual foi considerada a mais clara definição do ponto de vista da teoria comunista na URSS. 

"Fascismo é uma ditadura terrorista aberta dos elementos mais reaccionários, mais chauvinistas, mais imperialistas do capital financeiro... O fascismo não é nem o governo para além das classes nem o governo da pequena burguesia ou do lumpen proletariado sobre o capital financeiro. Fascismo é o governo do próprio capital financeiro. É um massacre organizado da classe trabalhadora e da parte revolucionária do campesinato e daintelligentsia. O fascismo na sua política externa é a espécie mais brutal de chauvinismo, a qual cultiva o ódio zoológico contra outros povos".

Dentre as várias definições, esta é a que considero a mais correcta e

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A CONTRAOFENSIVA DA DIREITA INTERNACIONAL

21 junho 2014,Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

 

por Emir Sader
Blog do Emir

A nova ofensiva contra a Argentina tem que ser respondida por todos os governos latino-americanos que são igualmente vitimas do capital especulativo.

A nova ação dos fundos abutre contra a Argentina faz parte de uma contraofensiva mais ampla da direita internacional contra os países progressistas da América Latina. Conduzida por suas principais vozes na mídia – Financial Times, Wall Street Journal, The Economist, El País – atacam sistematicamente esses governos, que não aceitaram os ditames do Consenso de Washington. E por isso mesmo conseguiram contornar a recessão capitalista internacional, que se instalou já faz mais de 6 anos no centro mesmo do sistema, arrasando os direitos sociais, sem prazo para terminar.

Por isso os países latino-americanos que seguiram crescendo e distribuindo renda, diminuindo a desigualdade que aumenta exponencialmente no centro do sistema, são um fator de perturbação, são a prova concreta que outra forma de enfrentar a crise é possível. Que se pode distribuir renda, recuperar o papel ativo do Estado, apoiar-se nos países do Sul do mundo e resistir à crise.

Daí a contraofensiva atual, que busca demonstrar

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Portugal/ESPECULAÇÃO FINANCEIRA CONTRA EMPREGO E SALÁRIOS

29 abril 2010/Esquerda.Net http://www.esquerda.net

A imprensa internacional noticiou que, em Janeiro passado, um grupo de especuladores financeiros, entre os quais George Soros, realizou um jantar em Nova Iorque, no qual combinou especular contra o euro, provocando a sua desvalorização para cerca de um dólar.

É bem provável que a notícia seja verdadeira e que os ataques aos títulos de dívida pública da Grécia, e também de Portugal, façam parte desse plano mais vasto de ataque ao euro. Do que não há dúvida é que a especulação contra as dívidas públicas grega e portuguesa fez disparar os juros das mesmas, agravando a situação económica dos dois países. É provável também que a seguir especulem contra as dívidas de outros países do sul da Europa, ou que estejam já a fazê-lo.

Nos mercados financeiros domina a especulação, o que dá ganhos fabulosos aos grandes intervenientes desses mercados: os senhores da finança e os grandes bancos mundiais.

Deste ataque da especulação financeira as autoridades europeias não falam, mas constantemente fazem declarações sobre a difícil situação grega e repetidamente criticam os elevados défices públicos. Mesmo quando dizem que a Grécia não vai cair na bancarrota, mais não fazem que criar um cenário de crise, favorecendo objectivamente a especulação. E não é só a Comissão Europeia, que assim age, de igual modo actuam o FMI e outras entidades internacionais.

A partir desta situação são impostas medidas drásticas contra os salários e os direitos sociais.

Os especuladores agem, as autoridades internacionais dão credibilidade aos ataques especulativos e os governos passam a factura aos povos: baixa de salários reais, cortes nos orçamentos sociais e nas pensões de reforma. Como vão longe as promessas do G20 e dos governos, feitas apenas há um ano, de impor uma verdadeira regulação financeira. A especulação dá milhões a bancos e senhores da finança e, por isso, tudo continua como antes.

Em Portugal, o Estado foi obrigado a apresentar uma proposta aos accionistas da EDP, PT e ZON, para que os seus gestores tivessem os seus vencimentos reduzidos e que os bónus milionários fossem congelados. Nada feito, os accionistas privados dessas empresas nem sequer se dignaram debater a proposta.

Como responder a esta grave e escandalosa situação?

O Bloco* apresentou propostas europeias contra a especulação e defendeu que o parlamento português debata o apoio à Grécia. Igualmente propôs a revisão do PEC e apresentou um conjunto de medidas prioritárias, para defender o emprego e atacar a especulação.

Na última semana de Abril, o movimento grevista aumentou e ganhou uma nova força com as paralisações no sector dos transportes.

Não estamos condenados ao PEC e à submissão perante os bónus milionários e a especulação financeira, que irão agravar as condições de vida dos trabalhadores e aumentar o desemprego. A alternativa existe e pode fazer caminho, para isso é necessário que o movimento social de protesto alastre e ganhe nova dimensão.

Bloco*: Bloco de Esquerda (Nota de Mercosul & CPLP)

quarta-feira, 4 de março de 2009

QUE DESENVOLVIMENTO É ECONÔMICO E SOCIAL?

Emir Sader

3 março 2009/Fonte: Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br

O que significa hoje desenvolvimento econômico e social? Pode haver desenvolvimento econômico sem desenvolvimento social? A quem favorece, nesse caso? Desenvolvimento sustentável é somente desenvolvimento econômico compatível com o meio ambiente ou é também desenvolvimento socialmente sustentável? Um seminário sobre um projeto de desenvolvimento econômico e social discute o cerne das questões que decidirão a fisionomia do Brasil na primeira metade do século XXI. O artigo é de Emir Sader.
O Brasil é o país mais desigual do continente mais desigual do mundo. Uma desigualdade que cruzou democracias e ditaduras, expansões e recessões econômicas, mas que encontrou seu ápice quando o desenvolvimento econômico foi substituído, como norte do país, pela estabilização financeira. Nunca tantos foram destituídos de tantos direitos –a começar pelo mais universal e básico dos direitos: o do emprego formal.
No entanto, não bastava manter o desenvolvimento como referência, para que fosse acompanhado de progresso social. Tivemos décadas em que houve acoplamento entre desenvolvimento econômico e extensão dos direitos sociais – como reação à crise de 1930 -, quando nos transformamos de país agrícola em país industrial, de país agrário em país urbano, de economia primário exportadora a país industrializado, com um grande mercado interno de consumo de massas.
A ditadura militar cortou esse ciclo virtuoso, desacoplou desenvolvimento econômico de progresso social. Promoveu um modelo centrado no grande capital internacionalizado e nos investimentos externos, impôs o arrocho salarial e, com ele, bloqueou o poder aquisitivo dos setores populares, destruindo ao mesmo tempo sua capacidade de resistência, pela repressão.
A democracia política não trouxe a democracia social, porque não produziu as reformas que fariam com que o país pudesse superar, em toda sua extensão, a pesada carga herdada da ditadura. Ao contrário. Em pouco tempo se impôs um modelo que favoreceu a maior transferência de renda para os setores já privilegiados da nossa sociedade, substituindo o desenvolvimento pela estabilidade, como se já tivéssemos atingido um patamar aceitável de desenvolvimento. “Virar a página do getulhismo” teve o cruel sentido de expropriar dos trabalhadores o emprego formal e a carteira de trabalho – seus passaportes para a cidadania social.
O que significa hoje desenvolvimento econômico e social? Pode haver desenvolvimento econômico sem desenvolvimento social? A quem favorece, nesse caso?
Desenvolvimento sustentável é somente desenvolvimento econômico compatível com o meio ambiente ou é também desenvolvimento socialmente sustentável?
Como disse Lula no discurso da vitória do segundo turno, “nunca os ricos ganharam tanto e nunca os pobres melhoraram tanto de vida”. Quando chega a crise e parece não mais ser possível compatibilizar a taxas de juros real mais alta do mundo e a distribuição de renda, como definir os rumos futuros do desenvolvimento econômico e social? É compatível a hegemonia do capital financeiro com a construção de um modelo com eixo nas políticas sociais? Como superar a ditadura da economia e dos mercados, para avançar definitivamente na direção de um Brasil para todos?
Que reforma do Estado é necessária para construir uma democracia com alma social e para deixarmos de ser o país mais injusto do mundo?
Um seminário sobre um projeto de desenvolvimento econômico e social discute o cerne das questões que decidirão a fisionomia do Brasil na primeira metade do século XXI. (Carta Maior)

http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=5abdf8b8520b71f3a528c7547ee92428&cod=3454