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sábado, 29 de junho de 2019

CPLP/Embaixadora de Moçambique: “Apoiamos que a China e os EUA resolvam seus problemas através do diálogo”


27.06.2019 09h37, Diário do Povo Online http://portuguese.people.com.cn  (China) http://portuguese.people.com.cn/n3/2019/0627/c309809-9591992.html

Em resposta à atual fricção econômica e comercial entre a China e os EUA, a embaixadora de Moçambique na China, Maria Gustava, expressou recentemente o apoio pela proposta chinesa de resolver os problemas entre a China e os EUA pela via do diálogo.

No dia 18 de junho, o presidente Xi Jinping reforçou durante uma conversa telefônica com o seu homólogo estadunidense que a questão econômica e comercial entre os dois lados deve ser resolvida pela via do diálogo. A chave é ter em consideração os interesses legítimos das duas partes. Maria Gustava referiu: “apoiamos a China e os EUA na resolução dos problemas pela via do diálogo igualitário e que atinjam resultados positivos com base no respeito, igualdade e benefício mútuo”.

“Espero que a porta para as negociações sino-americanas nunca seja encerrada”, disse Gustava. “Esta não só é a posição de Moçambique, mas a voz comum da grande maioria dos países

sábado, 23 de maio de 2015

Imigrantes/EUROPA ATRASOU-SE 500 ANOS

21 maio 2015, Contexto Livre http://www.contextolivre.com.br (Brasil)


Proposta de desmantelar barcos que transportam africanos para fora do Continente deveria ter sido feita antes da escravidão

Com um certo cinismo, seria até possível considerar o apelo de Federica Mogherini, chefe da diplomacia da União Européia, para desmantelar o esquema de imigração de africanos para o Velho Mundo. Claro que mesmo assim seria preciso discordar de qualquer ação militar, contra homens e mulheres que não tem como se defender em alto mar. Mas a ideia tem um defeito anterior e essencial: um atraso de cinco séculos.

Aqueles barcos que hoje atravessam o Mediterrâneo são sucessores diretos de milhares de embarcações, de várias etapas da tecnologia de navegação, que deixaram a África a partir do momento em que a civilização européia organizou e explorou a escravidão de um Continente inteiro, mudando sua história e comprometendo seu futuro. Perdemos a conta dos milhões de seres humanos que foram transportados pelos oceanos, em porões sombrios, famintos, correntes nos pés. Mas sabemos que ali começou uma história que

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

BRICS, БРИКС/RÚSSIA E CHINA: “SAIAM DA FRENTE, MOODY’S, QUE AQUI VAMOS NÓS!”

27 janeiro 2015, Redecastorphoto http://redecastorphoto.blogspot.com (Brasil)

22/1/2015, F. William Engdahl*New Eastern Outlook
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ao longo de praticamente um quarto de século da chamada “globalização econômica”, a habilidade de Wall Street para ser o lar das únicas agências “globais” de risco para distribuir “graus” ao valor dos créditos pelo mundo tem sido uma das armas mais efetivas para guerra financeira, no arsenal de Wall Street. Eles “qualificam” nações e empresas privadas. Agora vem aí uma resposta ao monopólio dos “graus” que sempre esteve em mãos das norte-americanas Moody’s, Standard & Poors, Fitch. Mas não vem da União Europeia, o que seria mais do que esperável e útil. Vem de Rússia e China − como tantas das mais importantes e desafiadoras iniciativas nos últimos tempos.

Hoje, apesar das repetidas crises financeiras nas quais as Três Grandes de New York [agências de avaliação de crédito] ou falharam ou obraram por claro viés político na “classificação”, pode-se dizer que Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch Ratings têm um virtual monopólio global. As “Três Grandes”, como são chamadas, distribuem 98% das avaliações de crédito nos EUA e cerca de 95% em todo o mundo. Chama-se “INFLUÊNCIA”, brother.

 
Durante a IIa. Grande Guerra trabalhou para o Partido Nazista da Hungria coletandoVALORES dos judeus que eram enviados aos campos de extermínio
Em entrevista à rede CBS declarou que seu tabalho com os NAZIS 
foi o melhor tempo de sua vida

O sistema que os mais importantes bancos de Wall Street desenvolveram depois de 1944 para fazer de New York o centro financeiro do mundo e do dólar sua moeda de reserva tem várias facetas bem planejadas. Depois de 1945, foi o fato de que o Federal Reserve dos EUA detinha cerca de 70% do ouro monetário do mundo, de tal modo que o dólar então “valia ouro”. As nações da Europa derrotada disputavam cada dólar possível para comprar máquinas e bens norte-americanos para a reconstrução do pós-guerra. O Plano Marshall foi explicitamente desenhado para usar dólares dos contribuintes dos EUA

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

AS FRONTEIRAS DA GLOBALIZAÇÃO

2 dezembro 2014, Jornal de Angola EDITORIAL http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Os países ricos estão a fechar as suas fronteiras ao arrepio de uma globalização por eles engendrada e imposta a todos os países do mundo, em nome da democracia planetária e da igualdade de oportunidades.

Os nacionalismos estão de volta e em alguns casos, com uma face mais violenta e intolerante. Na Europa cresce a ideologia nazi e partidos políticos ontem sem expressão, hoje ganham eleições “livres e democráticas”.
 
Nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, dois partidos de extrema-direita, racistas e xenófobos, ganharam as eleições no Reino Unido e na França da Revolução Francesa e dos Direitos do Homem. Na Suiça foram colocados entraves à entrada de imigrantes. É uma política de Estado. O passo seguinte é permitir a entrada de apenas 16.000 estrangeiros por ano, por “razões ecológicas”.
 Em toda a União Europeia o caminho é restringir a imigração. Enquanto foi necessária mão-de-obra escrava para as grandes obras públicas, os imigrantes, sobretudo africanos, eram desejados. Agora são escorraçados.

Os governos dos países ricos estão

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

AS MUDANÇAS NO PODER GLOBAL E AS PERSPECTIVAS DA AMÉRICA LATINA



, Blog da Boitempo http://blogdaboitempo.com.br (Brasil)


A crise de hegemonia dos EUA e sua longa duração
Temos defendido a tese de que desde os anos 1970 entramos em um contexto de crise civilizatória do capitalismo e da hegemonia dos Estados Unidos. Trata-se de uma crise estrutural e não de um colapso. A crise estrutural é longa, lenta, permite ampla margem de autonomia para que a grande burguesia dos países centrais e seus Estados estabeleçam estratégias de reação e contenção do descenso, podendo passar à ofensiva, ainda que no longo prazo, o custo de manutenção de seu status quo seja cada vez mais alto e a balança de poder lhes tenda a ser cada vez mais desfavorável.

Assim desde os anos 1970, características estruturais profundas vêm se desenvolvendo no capitalismo central: a financeirização da economia, a queda das taxas de investimento, altos níveis de desemprego, o aumento explosivo da dívida pública, a presença de importantes déficits comerciais, a transferência do dinamismo econômico e a relocalização para o leste asiático dos fluxos interacionais de capital, a perda de importância relativa das potências marítimas na economia mundial em detrimento da expansão dos regionalismos e dos hinterlands nas periferias e semiperiferias.

Estas tendências parecem estar vinculadas à emergência e difusão da revolução científico-técnica. Esta torna o conhecimento a principal força produtiva e eleva dramaticamente o valor da força de trabalho, levando o capital a substituir o circuito produtivo do capital pelo financeiro e a estender aos centros a superexploração do trabalho, que era uma característica secular e específica das periferias, para pagar ao trabalhador preços inferiores ao valor de sua força de trabalho.

A queda da taxa de lucro nos anos 1970, a saída de capitais dos Estados Unidos, a ruptura da paridade dólar/ouro e a desvalorização da moeda estadunidense foram respondidas na década de 1980 com a ofensiva neoliberal dos governos Reagan e Bush pai. A drástica elevação das taxas de juros, a criação de um mercado de títulos da dívida pública organizado desde o Estado e a abertura comercial/financeira substituíram o pleno emprego por um desemprego elevado, reduziram drasticamente os salários, e duplicaram a relação da dívida pública/PIB, que saltou de 33% para 64% entre 1979-92.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Brasil/Dilma propõe ao Papa uma frente ampla contra exclusão social



23 julho 2013, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

Dilma Rousseff durante chegada do Papa Francisco ao Rio de Janeiro. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A proposta foi feita por Dilma no encontro reservado que ela e o papa tiveram na sede do governo fluminense. Fontes do Vaticano e do governo brasileiro anteciparam à 'Carta Maior' que esse assunto seria discutido na audiência privativa e que a posição do papa seria a priori favorável a essa iniciativa.


A presidente Dilma Rousseff propôs ao papa Francisco, na segunda-feira (22), no Palácio Guanabara, a organização de uma frente ampla de luta contra a exclusão social e contra todas as formas de miséria no mundo.

A proposta foi feita por Dilma no encontro reservado que ela e o papa tiveram na sede do governo fluminense. Fontes do Vaticano e do governo brasileiro anteciparam à Carta Maior que

terça-feira, 23 de julho de 2013

Brasil/Em discurso de boas-vindas ao Papa, Dilma destaca luta em comum contra a desigualdade



22 julho 2013, Blog do Planalto http://blog.planalto.gov.br (Brasil)

A presidenta Dilma Rousseff afirmou, em discurso de boas-vindas ao Papa Francisco, que chegou nesta segunda-feira (22) ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, que é uma honra receber um líder religioso sensível aos anseios por justiça social. Segundo Dilma, o governo brasileiro e a Igreja Católica lutam contra um inimigo comum, a desigualdade.

“A crise econômica que desemprega e retira oportunidade de milhões pelo mundo afora nos obriga a um novo senso de urgência para combater a desigualdade. A participação de Vossa Santidade, um homem que veio do povo latino-americano, que veio da nossa irmã vizinha Argentina, agregaria mais condições para criar uma ampla aliança global de combate à fome e à pobreza, uma aliança de solidariedade, uma aliança de cooperação e humanitarismo,

Brasil/ÍNTEGRA DOS DISCURSOS DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF E DO PAPA FRANCISCO



22 julho 2013, Blog do Planalto http://blog.planalto.gov.br (Brasil)  
 
Nota: Mercosul & CPLP incluiu nesta matéria o discurso do papa Francisco mencionado pela presidenta Dilma na saudação ao visitante. O documento, com data de 16 de maio deste ano, tem por título “Discurso do papa Francisco aos novos embaixadores do Quirguistão, Antígua e Barbados, Grão-Ducado do Luxemburgo e Botswana por ocasião da apresentação das cartas credenciais”.

DISCURSO DA PRESIDENTA DA REPÚBLICA, DILMA ROUSSEFF, DURANTE CERIMÔNIA OFICIAL DE CHEGADA DE SUA SANTIDADE O PAPA FRANCISCO


Rio de Janeiro-RJ, 22 de julho de 2013

Sua Santidade Papa Francisco,
Senhoras e senhores,

Com grande alegria, Papa Francisco, dou-lhe as boas-vindas ao Rio de Janeiro e ao Brasil. É uma honra para o povo brasileiro recebê-lo. Honra redobrada, em se tratando do primeiro Papa latino-americano.

Sua Santidade,
O Brasil e seus mais de 50 milhões de jovens acolhem, de braços abertos, os peregrinos de dezenas de países que vieram para esta grande celebração que é a Jornada Mundial da Juventude.

Saúdo, em particular, o governo do estado do Rio de Janeiro, a prefeitura do Rio de Janeiro e a Arquidiocese do Rio de Janeiro, a quem agradeço os esforços dedicados que tornaram possível esse grande evento.

A presença de Sua Santidade no Brasil nos oferece a oportunidade de renovar o diálogo com a Santa Sé em prol de valores que compartilhamos: a justiça social, a solidariedade, os direitos humanos e a paz entre as nações. Conhecemos o compromisso de Sua Santidade com esses valores. Por seu sacerdócio entre os mais pobres, que se reflete até mesmo no próprio nome escolhido como Papa, uma homenagem a São Francisco de Assis, sabemos que temos, diante de nós, um líder religioso sensível aos anseios de nossos povos por justiça social, por oportunidade para todos e dignidade cidadã.

Lutamos contra um inimigo comum: a desigualdade, em todas as suas formas. Essa convergência orienta o diálogo do Estado brasileiro com todas as religiões, um diálogo marcado pelo respeito à liberdade de crenças e de culto e pela convivência com a diferença. Não poderia ser distinto em um país que acolheu e acolhe todas as culturas e todas as religiões.

Em seu discurso de 16 de maio, Vossa Santidade manifestou preocupação com as desigualdades agravadas pela crise financeira e o papel nocivo das ideologias que defendem o enfraquecimento do Estado, reduzindo sua capacidade de prover serviços públicos de qualidade para todos. Manifestou sua preocupação com a globalização da indiferença, que deixa as pessoas insensíveis ao sofrimento do próximo.

Compartilhamos e nos juntamos a essa posição. Estratégias de superação da crise econômica, centradas só na austeridade, sem a devida atenção aos enormes custos sociais que ela acarreta, golpeiam os mais pobres e os jovens, que são pelo mundo afora as principais vítimas do desemprego. Geram xenofobia, violência e desrespeito pelo outro.

Brasil/FRANCISCO, O PAPA PARA SE ADAPTAR A UMA IGREJA EM DECLÍNIO



22 julho 2013, EDITORIAL Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Qual é o significado da expressão “papa dos pobres” usada pela imprensa para referir-se a Francisco, o sucessor de Bento XVI, que inicia nesta segunda-feira (22), no Brasil, a sua primeira viagem internacional? A revista norte-americana Time tem programada, para a edição do dia 29, uma chamada de capa com uma variante dessa designação: “O papa do povo”.

A visita de Francisco ao Brasil vem repleta dos significados que envolvem, comumente, a figura do dirigente máximo da Igreja. São significados apostólicos, políticos e, sobretudo ideológicos.

A igreja católica, embora de influência declinante entre o povo, mantém grande força ideológica. Nos últimos papados (João Paulo II e Bento XVI), a igreja condenou a Teologia da Libertação e sua opção preferencial pelos pobres, cuja força cresceu durante o papado de Paulo VI (1963 a 1978). A inclinação social foi rejeitada pela cúpula da Igreja como “marxista”. O último terço de século em que a igreja foi dirigida pelos dois últimos papas foi o período do predomínio dos valores do dinheiro e da riqueza sobre o Vaticano. Neste sentido, João Paulo II e o cardeal Ratzinger (depois Bento XVI) foram campeões do neoliberalismo, como o presidente dos EUA, Ronald Reagan e a premier britânica Margareth Thatcher, que capitanearam a ascensão mundial do predomínio do dinheiro e da riqueza na preocupação dos dirigentes políticos.

João Paulo II foi um anticomunista da mesma estatura de Reagan e Thatcher, e o resultado de sua orientação “espiritual” é visível. Por um lado, representou forte aval ideológico e simbólico ao predomínio neoliberal; na outra ponta traduziu-se na série de escândalos, de toda natureza, que a cúpula da Igreja viveu nestes anos.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

CUBA OU A GLOBALIZAÇÃO DA SOLIDARIEDADE: A OPERAÇÃO MILAGRE



6 junho 2013, Global Research http://www.globalresearch.ca (Canada)

 

Global Research, June 06, 2013

As medidas que Cuba e Venezuela lançaram em 2004 possibilitaram que 2 milhões de pobres recuperassem a visão


Global Research, June 06, 2013

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), há atualmente cerca de 285 milhões de pessoas vítimas de deficiência visual no mundo – entre elas, 39 milhões de cegos e 246 milhões que apresentam uma diminuição da acuidade visual. Quase 90% delas vivem em países do Terceiro Mundo. As principais causas de deficiência visual são os defeitos de refração não corrigidos (miopia, hipermetropia e astigmatismo, com 43%), a catarata (33%) e o glaucoma (2%). Cerca de 80% das deficiências visuais são curáveis,

terça-feira, 11 de junho de 2013

CUBA OU A GLOBALIZAÇÃO DA SOLIDARIEDADE: O PROGRAMA “YO, SÍ PUEDO”



6 junho 2013, Global Research http://www.globalresearch.ca (Canada)

 

 

Cuba elaborou um programa que permitiu que mais de 5 milhões de pessoas aprendessem a ler, escrever e somar



Global Research, June 06, 2013

Segundo a Unesco, há no mundo 796 milhões de adultos analfabetos, ou seja, 17% da população mundial. Mais de 98% se encontram nos países do Terceiro Mundo. Dois terços são mulheres. Os países da África subsaariana e do sul e o este da Ásia contam com “73% do déficit mundial de alfabetização de adultos”. Em cifras absolutas, o número de analfabetos nessas regiões continua crescendo. Quanto às crianças, apenas 44% estão matriculadas na pré-escola (148 milhões), ou seja, 66% não têm acesso a esse tipo de ensino (222 milhões). Em nível primário, 67 milhões de crianças não estão na escola. A Unesco lançou então um chamado para reduzir em 50% o número de analfabetos até 2015. O organismo da ONU aponta que os progressos realizados nesse campo “foram, no melhor dos casos, decepcionantes e, no pior, esporádicos”. Segundo a Unesco, “para reverter essa tendência, é necessário que os governos do mundo atuem com determinação”.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

CUBA OU A GLOBALIZAÇÃO DA SOLIDARIEDADE: O INTERNACIONALISMO HUMANITÁRIO



3 junho 2013, Global Research http://www.globalresearch.ca (Canada)

 

Desde a Revolução de 1959, Cuba elaborou uma política para ajudar países pobres; resultados são espetaculares


Global Research, June 03, 2013

Desde 1963, com o envio da primeira missão médica humanitária à Argélia, Cuba se comprometeu a cuidar das populações pobres do planeta em nome da solidariedade internacionalista. As missões humanitárias cubanas se estendem por quatro continentes e apresentam um caráter único. Com efeito, nenhuma outra nação do mundo, nem sequer as mais desenvolvidas, teceu semelhante rede de cooperação humanitária no planeta. Desde seu lançamento, cerca de 132.000 médicos cubanos, além do pessoal sanitário, atuaram voluntariamente em 102 países.  No total, os médicos cubanos atenderam cerca de 100 milhões de pessoas no mundo e salvaram um milhão de vidas. Atualmente, 37.000 médicos colaboradores oferecem seus serviços em 70 nações do Terceiro Mundo.

A ajuda internacional cubana se estende a dez países da América Latina e às regiões subdesenvolvidas do planeta. Em outubro de 1998, o furacão Mitch havia assolado a América Central e o Caribe. Os chefes de Estado da região lançaram um chamado à solidariedade internacional. Segundo o PNUD, Cuba foi a primeira a responder positivamente, cancelando a dívida da Nicarágua de 50 milhões de dólares e propondo os serviços de seu pessoal sanitário.

Foi elaborado, então, o Programa Integral de Saúde, sendo ampliado a outros continentes, como África e Ásia.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Angola/Assunção dos Anjos afirma que CPLP tem sabido enfrentar os desafios da globalização

Luanda, 19 abril 2010 (Angola Press) – O ministro das Relações Exteriores, Assunção dos Anjos, disse hoje, em Luanda, que a Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) tem sabido posicionar-se e enfrentar os desafios que ao longo dos anos se têm apresentado.

O chefe da diplomacia angolana fez este pronunciamento durante um encontro com o secretário-executivo da organização, Domingos Simões Pereira, que se encontra no país para uma visita de trabalho no quadro da preparação da VIII Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo desta organização a ter lugar na capital angolana em Julho.

Assunção dos Anjos acrescentou que este facto pode ser aferido também pelo elevado número de pedidos de adesão à organização, significativo de que ela vai ganhando espaço ao nível das relações internacionais.

Referiu que a CPLP trabalha para ser uma organização que não se funde tão somente no parentesco linguístico, tendo dado passos importantes para transformar as sinergias existentes em cooperação mutuamente vantajosa, não só entre os estados membros, como também com outros e organizações internacionais.

“Obviamente nós queremos que a nossa organização continue a ser um espaço para a promoção e difusão da língua portuguesa, mas transcendendo efectivamente este aspecto”, referiu.

Por este motivo, o ministro referiu que os desafios que se colocam aos estados são elevados.

Por outro lado, disse haver muita expectativas em relação a Cimeira de Luanda pela importância dos distintos assuntos que estarão em discussão, entre as quais o alargamento da CPLP.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Moçambique/Centro de Estudos Africanos: Situação mundial impõe novos desafios de pesquisa

A globalização e o surgimento de novos poderes económicos impõem outros desafios de pesquisa ao Centro de Estudos Africanos (CEA) da Universidade Eduardo Mondlane, com vista ao maior conhecimento e redefinição do papel de Moçambique no contexto da África Austral e, em particular, no que concerne à busca de uma total independência.

24 setembro 2009/Notícias

Isabel Maria Casimiro, do CEA, falando à nossa Reportagem à margem do colóquio que decorre desde ontem em Maputo, em homenagem a Aquino de Bragança, disse que Moçambique precisa de redefinir o seu papel no contexto regional, sobretudo em relação à África do Sul, que se constitui actualmente na maior potência da África Austral.

Explicou que Qor A quando da criação do CEA em 1976, o objectivo era compreender Moçambique num contexto regional em que se impunha a libertação da África do Sul e da Rodésia (actual Zimbabwe). Porém, alcançadas as independências desses países vizinhos, um novo desafio se coloca hoje, nomeadamente, a situação de Moçambique em relação à África do Sul face ao seu poderio económico.

“Como vai ficar a situação de Moçambique que é praticamente dependente da África do Sul do ponto de vista económico? O que é que se nos coloca em termos de desafios para que de facto sejamos um país independente do ponto de vista económico, político e de soberania? São desafios permanentes que nós temos como pesquisadores e como Centro de Estudos Africanos”, observou Isabel Casimiro, salientando entretanto, a necessidade do relançamento dos debates científicos que caracterizaram o CEA desde a sua criação.

Disse ser necessário que o CEA aposte uma vez mais numa pesquisa comprometida com o conhecimento de Moçambique, sobretudo numa pesquisa despartidarizada que contribua para o conhecimento da nova realidade.

Apontou que o CEA foi o primeiro centro de pesquisa criado depois da independência no contexto de uma universidade em transformação do ponto de vista de pesquisa e de fazer a investigação, comprometida com o conhecimento de Moçambique, pois em 1976 havia tudo para conhecer, uma vez que os estudos que havia eram profundamente marcados pelo colonialismo.

Segundo Isabel Casimiro é na perspectiva do conhecimento da nova realidade que a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), através do Centro de Estudos Africanos (CEA), promove o colóquio em homenagem a Aquino de Bragança, director do centro entre 1976 e 1986. O colóquio que hoje termina e que junta proeminentes académicos, incluindo estudantes representando diversas instituições de Ensino Superior nacionais e estrangeiras, subordina-se ao tema “Como fazer Ciências Sociais e Humanas em África: Questões Epistemológicas, Metodológicas, Teóricas e Políticas”.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Actividade empresarial na China, Brasil e Angola sai reforçada da crise

Londres, Reino Unido, 15 junho 2009 – A actividade empresarial na China, no Brasil e em Angola vai sair reforçada da actual crise económica global, enquanto que países ocidentais como Portugal ver-se-ão enfraquecidos entre 2009 e 2013, afirma a Economist Intelligence Unit.

No relatório “O Impasse da Globalização: Como a Reviravolta Económica Global Vai Afectar o Ambiente de Negócios”, divulgado em Maio, Portugal surge na 36ª posição (entre 82 países), ainda à frente do Brasil, mas perdendo duas posições em relação à média de pontuações do ambiente de negócios entre 2004 e 2008.

“Os países que sofreram maiores quebras de pontuação são aqueles que registaram bolhas de activos, cujos governos estão dependentes de financiamento estrangeiro e os que têm grandes indústrias de serviços financeiros”, caso do Reino Unido, que perde 12 posições na previsão para o período 2009-2013, ou da Irlanda.

Dos países integrados no grupo da Europa Ocidental pela EIU, a Turquia é o único a ter uma previsão favorável para a sua pontuação nos próximos anos.

Na Ásia, o cenário é o inverso, com China, Índia e Vietname, “as três economias mais dinâmicas da região” a galgarem posições.

No caso chinês, o “salto” será de 11 posições, para o 45º geral no período 2009-2013.

O Brasil deverá ganhar uma posição, para 39º, embora o crescimento da pontuação não seja significativo.

“O Brasil atraiu uma gama de investidores crescentemente diversificada nos últimos anos, mas a pouca eficácia institucional, um sistema fiscal complexo e oneroso e deficiências do mercado laboral e das infra-estruturais impedem que esteja a escalar posições nas listas globais”, refere a EIU.

“A extensa rede de acordos de comércio livre e um grande mercado interno garantem que o Brasil vai continuar a ser uma localização atractiva para investimentos, apesar de as condições económicas internas serem extremamente débeis na primeira metade do período previsto”, adianta.

Angola também melhora a sua pontuação, mas, apesar da aproximação à Venezuela, “o ritmo da melhoria será mais lento do que em muitos outros países”, pelo que se mantém no fundo da tabela da EIU.

“Esperam-se progressos pouco significativos nas reformas estruturais, mas crescentes oportunidades de mercado serão sustentadas pelo esperado crescimento da produção de petróleo e diamantes”, adianta.

O país lusófono vê a sua posição na categoria de oportunidades de mercado saltar de 57º para 31º em 2009-2013, graças ao rápido crescimento populacional e aumento do PIB per capita.

Contudo, escreve a EIU, “a qualidade do ambiente de negócios geral permanece baixa, em resultado da ausência de instituições de governo eficazes e infra-estruturas muito pobres” e “as oportunidades de negócios foram dos sectores petrolífero e diamantífero vão continuar a ser muito limitadas”.

Na região, a África do Sul deverá reter a posição de liderança no ambiente de negócios, embora perca seis posições, com a Nigéria também em sentido descendente.

“A qualidade média do ambiente de investimento na região continua a ser pobre. Mas, apesar dos problemas em operar na região, as taxas de retorno são potencialmente elevadas para aquelas empresas que conseguirem dominar o complicado ambiente político e o difícil ambiente regulatório”, afirma a EIU.

O modelo Business Environment Rankings (BER) testa a atractividade de um ambiente de negócios e seus principais componentes, com base em dados quantitativos, sondagens empresariais e avaliações de peritos.

Pela primeira vez desde a introdução deste modelo, em 1996, o ambiente de negócios médio regista uma quebra em relação ao período quinquenal antecedente.

“Até há pouco tempo, esperava-se que o ambiente de negócios em todo o mundo continuasse a melhorar, reflectindo a aparentemente marcha incessante rumo à globalização”, mas agora este ritmo “será parado e nalguns casos invertido”, devido ao menor crescimento económico, fechamento de mercados e menor aposta em infra-estruturas.

No período 2009-2013, o ambiente de negócios vai piorar em mais de metade dos países (44 em 82) e o crescimento médio das economias mundiais, medido em paridade de poder de compra, cairá para 2,3 por cento, metade do registado até 2008, segundo dados da EIU.

Para a Economist, o panorama de negócios global nos próximos anos será de “maior precaução, menor liquidez, fluxos de capital internacionais mais reduzidos, regulação mais apertada e menor tomada de risco. (macauhub)

terça-feira, 21 de abril de 2009

NOVO MODELO DE SOCIEDADE

Se queremos tirar algum proveito da atual crise financeira, devemos pensar como mudar o rumo da história

17 abril 2009/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

Frei Betto

Ao participar do Fórum Econônico Mundial para a América Latina, a 15 de abril, no Rio, indaguei: diante da atual crise financeira, trata-se de salvar o capitalismo ou a humanidade? A resposta é aparentemente óbvia. Por que o advérbio de modo? Por uma simples razão: não são poucos os que acreditam que fora do capitalismo a humanidade não tem futuro. Mas teve passado?
Em cerca de 200 anos de predominância do capitalismo, o balanço é excelente se considerarmos a qualidade de vida de 20% da população mundial que vivem nos países ricos do hemisfério Norte. E os restantes 80%? Excelente também para bancos e grandes empresas. Porém, como explicar, à luz dos princípios éticos e humanitários mais elementares, estes dados da ONU e da FAO: de 6,5 bilhões de pessoas que habitam hoje o planeta, cerca de 4 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza, dos quais 1,3 bilhão abaixo da linha da miséria. E 950 milhões sofrem desnutrição crônica.
Se queremos tirar algum proveito da atual crise financeira, devemos pensar como mudar o rumo da história, e não apenas como salvar empresas, bancos e países insolventes. Devemos ir à raiz dos problemas e avançar o mais rapidamente possível na construção de uma sociedade baseada na satisfação das necessidades sociais, de respeito aos direitos da natureza e de participação popular num contexto de liberdades políticas.
O desafio consiste em construir um novo modelo econômico e social que coloque as finanças a serviço de um novo sistema democrático, fundado na satisfação de todos os direitos humanos: o trabalho decente, a soberania alimentar, o respeito ao meio ambiente, a diversidade cultural, a economia social e solidária, e um novo conceito de riqueza.
A atual crise financeira é sistêmica, de civilização, a exigir novos paradigmas. Se o período medieval teve como paradigma a fé; o moderno, a razão; o pós-moderno não pode cometer o equívoco de erigir o mercado em paradigma. Estamos todos em meio a uma crise que não é apenas financeira, é também alimentar, ambiental, energética, migratória, social e política. Trata-se de uma crise profunda, que põe em xeque a forma de produzir, comercializar e consumir. O modo de ser humano. Uma crise de valores.
Desacelerada a ciranda financeira, inútil os governos tentarem converter o dinheiro do contribuinte em boia de salvação de conglomerados privados insolventes. A crise exige que se encontre uma saída capaz de superar o sistema econômico que agrava a desigualdade social, favorece a xenofobia e o racismo, criminaliza os movimentos sociais e gera violência. Sistema que se empenha em priorizar a apropriação privada dos lucros acima dos direitos humanos universais; a propriedade particular acima do bem comum; e insiste em reduzir as pessoas à condição de consumistas, e não em promovê-las à dignidade de cidadãos.
Há que transformar a ONU, reformada e democratizada, no fórum idôneo para articular as respostas e soluções à atual crise. Urge implementar mecanismos internacionais de controle do movimento de capitais; de regular o livre comércio; de pôr fim à supremacia do dólar e aos paraísos fiscais; e assegurar a estabilidade financeira em âmbito mundial.
Não haveremos de encontrar saída se não nos dermos conta de que novos valores devem ser rigorosamente assumidos, como tornar moralmente inaceitável a pobreza absoluta, em especial na forma de fome e desnutrição. É preciso construir uma cultura política de partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano, e passar da globocolonização à globalização da solidariedade.
As Metas do Milênio e, em especial, os sete objetivos básicos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, de 1995, devem servir de base a um pacto para uma nova civilização: 1) Escolaridade primária universal; 2) Redução imediata do analfabetismo de adultos em 50%; 3) Atenção primária de saúde para todos; 4) Eliminação da desnutrição grave e redução da moderada em 50%; 5) Serviços de planificação familiar; 6) Água apta para o consumo ao alcance de todos; 7) Créditos a juros baixos para empresas sociais.
A experiência histórica demonstra que a efetivação dessas metas exige transformações estruturais profundas no modelo de sociedade que predomina hoje, de modo a reduzir significativamente as profundas assimetrias entre nações e desigualdades entre pessoas.

Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Luis Fernando Veríssimo e outros, de “O desafio ético” (Garamond), entre outros livros.

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/novo-modelo-de-sociedade

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

América Latina/A IMPORTÂNCIA DA CÚPULA DOS POVOS DO SUL

Na Base *

Adital - Entrevista com a socióloga Graciela Rodriguez

Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
12 dezembro 2008/ADITAL http://www.adital.com.br

A socióloga e feminista Graciela Rodríguez participa de diversas articulações junto aos movimentos sociais no Brasil e América Latina para incidência nos temas ligados à globalização e ao comércio internacional e questões de gênero. Nesta entrevista ela fala sobra a Cúpula dos Povos. Veja a seguir:
Na Base - Em dezembro será realizada em Salvador a Cúpula dos Povos do Sul. Qual o objetivo deste Encontro?
Graciela Rodríguez - O objetivo é continuar a aprofundar o debate sobre o desenvolvimento e a integração regional que queremos para os Povos da América Latina e Caribe, inclusive como uma resposta estratégica da região diante da crise global do capitalismo, que se expressa nas crises climática, alimentar, energética e recentemente na crise financeira, com todas as suas nefastas conseqüências para os povos, em especial os mais pobres do mundo. Iremos também pressionar e dialogar com as reuniões oficiais que os governos da AL e do Caribe estarão realizando.
NB - Qual é o papel do Brasil na condução de estratégias e ações para resolver os problemas da região?
GR - O Brasil junto com outros governos da região que buscam levar adiante propostas de integração e estratégias diferenciadas de desenvolvimento, tentando superar os anos de hegemonia liberal, têm um papel muito importante a cumprir. Com o fracasso da tentativa de fazer avançar a ALCA, esses governos precisam aprofundar a cada dia formas alternativas de integração regional, investindo em propostas como a UNASUL (União das Nações Sul-Americanas) e a ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas), entre outras. Essas várias propostas envolvem muitas possibilidades, com as quais devemos nos solidarizar, mas ao mesmo tempo estão longe de contemplar o conjunto importante de demandas e expectativas dos povos e movimentos sociais da região. Por esse motivo nós dos movimentos sociais devemos acompanhar muito atentamente estas negociações e pressionar para que elas tomem o rumo das conquistas econômicas, sociais, ambientais e culturais que queremos para nossos países.
NB - De que forma o movimento sindical pode contribuir para pressionar os governos a atender as reivindicações dos movimentos sociais latino-americanos e caribenhos?
GR - O movimento sindical é fundamental neste processo, não só com suas propostas e reivindicações específicas, mas compreendendo também que as sociedades mudaram e que cada vez mais precisamos incorporar setores que têm sido marginalizados pelo capital. Assim, é necessário incorporar as reivindicações de amplos setores de mulheres, camponeses e camponesas, indígenas, afrodescendentes, etc., todos trabalhadores e trabalhadoras, formais ou informais, que serão justamente os mais afetados pela crise global e que já estão pagando por ela, seja no aumento do preço dos alimentos, dos combustíveis, nas demissões, etc.
NB - O que de concreto, de diretrizes a serem seguidas, podemos esperar da Cúpula dos Povos?
GR - A Cúpula dos Povos pretende avançar na democratização da região, debatendo as formas em que a integração regional pode ser uma estratégia de povos e governos de América Latina e do Caribe para superação da crise. A região precisa superar o modelo agro-exportador de alimentos e energia barata, um modelo produtivo insustentável por um desenvolvimento harmonioso com a natureza e que leve em consideração homens e mulheres da região e seu bem-estar. Esta deverá ser a mensagem da Cúpula e esperamos que ela se desdobre em propostas alternativas concretas, como uma nova arquitetura financeira regional através de um Banco do Sul transparente e democrático, programas de soberania alimentar pautados na reforma agrária, propostas de economia solidária que trarão para Salvador, especialmente as mulheres, numa feira de produtos alternativos, entre outras propostas, que permitam ir visibilizando esse novo modelo mais justo, eqüitativo e sustentável.

* Boletim Informativo oficial do Sindicato dos Trabalhadores do ramo Químico / Petroleiro do Estado da Bahia

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Seminário internacional debate em Curitiba caminhos do Brasil com a crise

Lúcia Norcio, repórter

8 de dezembro 2008/Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br

Curitiba - O que está acontecendo com o Brasil? O país está no caminho certo? Essas e outras questões serão debatidas de hoje (8) a quinta-feira no seminário internacional Crise – Rumos e Verdades, promovido pelo governo do Paraná. Cerca de 600 pessoas se cadastraram para o encontro, que pretende chegar a novas propostas para enfrentar a crise. Estão previstas 30 palestras de economistas, professores e administradores brasileiros e da Itália, Inglaterra, Alemanha, China, Argentina, Venezuela, México, Rússia, Equador e Estados Unidos.
Segundo o governador do Paraná, Roberto Requião, que abriu o evento na noite de ontem (7), o governo federal liberou depósitos compulsórios para os bancos, que não liberam crédito para a economia. “Em vez disso, aplicam o dinheiro em letras do Tesouro. Então, já temos uma crise de crédito, além de um problema brutal de saída de recursos. Pois, se os dólares e outras moedas continuam entrando, já acumulamos um prejuízo de US$ 7 bilhões no balanço de entradas e saídas, segundo o governo federal”.
Na pauta do seminário, discussões sobre a economia mundial, crise e poder mundial; crise e integração sul-americana; crise e projeto nacional, qual é o projeto que o Brasil possui, a crise e o sistema financeiro mundial: o papel da China, dos Estados Unidos, da Rússia e da Índia. Crise e Brasil. De acordo com o governador, ao contrário do que pode parecer, não é uma discussão sobre o Brasil, é sobre os projetos nacionais, é a globalização versus Estado-nação.

O presidente da indústria de eletro-eletrônicos Gradiente, Eugênio Staub, um dos palestrantes da abertura do seminário, defendeu a manutenção do crédito da habitação, a redução da taxa de juros e de impostos e a manutenção de investimentos como medidas necessárias para o Brasil não reduzir o ritmo do crescimento econômico durante a crise do capitalismo global.

Para o economista Carlos Lessa, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a crise financeira que o mundo atravessa é a crise da superestrutura financeira criada ao longo de 25 anos. Lembrou que o mercado financeiro movimenta 130 trilhões de dólares em ativos primários e outros prováveis 540 trilhões de dólares em derivativos financeiros. “É um volume assustadoramente descolado da riqueza acumulada pela economia real — a soma dos Produtos Internos Brutos de todos os países soma apenas 60 trilhões de dólares”.

As pessoas que quiserem fazer perguntas pelo telefone e por e-mail aos debatedores contam com o apoio de economistas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) e da Secretaria de Planejamento e Coordenação. Estão disponibilizadas dez linhas telefônicas com ligações gratuitas. O atendimento é feito por estudantes, que repassam as perguntas aos técnicos e estes encaminham as dúvidas aos debatedores.

O seminário está sendo transmitido ao vivo pela TV e pela Rádio Paraná Educativa No último dia do evento, serão publicadas as despesas e o valor da contribuição de cada órgão que participou do seminário.


http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/12/08/materia.2008-12-08.3421971291/view

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

BRASIL: MODELO NA PREVENÇÃO E COMBATE À LAVAGEM DE DINHEIRO

25 novembro 2008/Ministério da Justiça http://www.mj.gov.br

A globalização permitiu uma intensa circulação de pessoas, bens e capitais, observada a partir do século XX. Mas trouxe também um ambiente favorável à utilização do sistema financeiro como meio para ocultar e dissimular a origem do produto da atividade ilícita, que é reintegrado à economia formal.
Essa conduta é o que chamamos de lavagem de dinheiro. Fechar o cerco ao crime transnacional tem sido preocupação constante do Estado. O Brasil hoje é referência mundial em Iniciativas concretas que vêm possibilitando descortinar organizações criminosas antes inatingíveis pelos aparatos tradicionais da justiça.
A fórmula para o sucesso é simples: estímulo à cooperação jurídica com outros países e articulação interna. O Brasil tem ampliado os mecanismos de prevenção e combate à lavagem de dinheiro. Com a ratificação da Convenção de Viena de 1988 (promovida pela ONU), o país procurou internalizar suas normas, incluindo a própria tipificação do crime.
Com a Lei nº 9.613/98 foram criados importantes órgãos que serviriam de instrumentos para lidar com os responsáveis pela corrupção e fluxo de dinheiro resultado de fraudes e até do tráfico de entorpecentes. Entre eles: o Departamento de Combate a Ilícitos Cambiais e Financeiros no Banco Central e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), unidade de inteligência financeira brasileira.
Outra medida importante foi a definição de um novo espaço para a implantação de políticas públicas. Instituiu-se a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla), estrutura inovadora, fundada no princípio da articulação permanente e não hierárquica das entidades afetas à área, com processo decisório baseado no consenso.
A Enccla não conta com marco normativo regulador. É baseada no princípio da confiança e da livre adesão. Ela se materializa a partir de um plano com periodicidade anual, definido pelos representantes dos órgãos participantes, que identificam as prioridades existentes e os projetos a serem implementados.
Essa atuação é acompanhada por reuniões ordinárias trimestrais do Gabinete de Gestão Integrada de Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro – GGI-LD. A Secretaria Executiva do GGI-LD é exercida pela Secretaria Nacional de Justiça, através do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) - outro marco essencial na estruturação do Estado para a prevenção e o combate à lavagem de dinheiro.
Em sua primeira edição, em 2003, a Enccla reuniu 27 órgãos. Em 2007 já foram 60 (numa clara demonstração do crescente comprometimento das entidades), que definiram 22 metas a serem cumpridas durante o exercício de 2008.
O Brasil tem adotado e repassado para o mundo a nova estratégia de se criar um círculo virtuoso onde não basta prender e processar. É preciso cortar o fluxo financeiro das organizações criminosas e dos recursos de seus membros – que funcionam como o oxigênio que respiramos. Ou seja, é asfixiando que se destrói efetivamente a possibilidade da organização permanecer atuando. Se isso não for feito, vamos continuar trabalhando muito, inovando sempre, mas só aperfeiçoando "fórmulas de enxugar gelo".

(Artigo do secretário Nacional de Justiça do Ministério da Justiça, Romeu Tuma Júnior)

http://www.mj.gov.br/data/Pages/MJ2304E146ITEMID0F18F6A17DD44DF79CB731C8D02D60D2PTBRNN.htm

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

AURORA DE UMA VENEZUELA INOVADORA

Marcos Arruda *

7 novembro 2008/ADITAL - Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
www.adital.com.br

Adital - O processo de transformação que vive a Venezuela é, como qualquer processo histórico, carregado de contradições e conflitos entre as classes sociais. Há conflitos entre capital e trabalho, entre governantes e empresas, entre governantes e sociedade civil organizada, e também no interior desta. E há empresas estrangeiras que não se conformam com a defesa da soberania e dos interesses nacionais pelo Governo Chávez... em tempos de globalização. Mas, ao final de uma visita de trabalho à Venezuela,[1] parto de volta ao Brasil com a convicção de que na Venezuela prevalece a criação de algo novo e ainda não visto na história da América Latina e, talvez, do mundo.
Ontem assisti uma das sessões televisivas de Alô Presidente. O Presidente Hugo Chávez inaugurava a nova imprensa que irá produzir três livros por habitante por ano daqui por diante. Ele lidera uma grande campanha nacional de leitura. E leitura crítica. Algo que nunca vi em outro país, nem mesmo na Nicarágua Sandinista dos anos 80. Para isso duas a três vezes por semana ele passa duas horas ou mais diante de um público que lota o salão ou a praça e diante dos telespectadores, apresentando livros, revistas e jornais, lendo trechos, comentando, interpretando notícias, dialogando com o público, chamando pessoas a dar testemunho ou a levantar questões ou críticas. Uma das tônicas mais surpreendentes é a simplicidade de Chávez e a maneira afável e sensível como ele valoriza cada pessoa. Ele comenta conversas com o presidente recém empossado da Nicarágua, Daniel Ortega.
- Perguntei a Daniel: ‘Nesta hora de viagem de carro ao interior, quero que você me fale dos erros do seu governo anterior que levaram à derrota eleitoral de 1990.’ Aferrar-se a dogmas, a doutrinas, confiando mais nelas do que na incerteza que implica desvendar novos horizontes, descobrir novas realidades, abrir novos caminhos. Tirar a propriedade dos pequenos produtores, iludindo-se que socializar quer dizer estatizar o mais possível.
E Chávez termina o relato dos erros chamando a Venezuela a não repeti-los, mas sim evitá-los na construção da Pátria Bolivariana:
- Há que aprender de Fidel a não nos aferrarmos a nenhum dogma, nem implantar o socialismo como dogma.
O programa Alô Presidente é uma autêntica sessão de educação libertadora. Não há discursos, apenas diálogo, interação.
Leio o digiscrito do livro de Marta Harnecker, a escritora e lutadora chilena convidada a assessorar o governo na promoção da participação popular desde baixo. O livro consiste numa longa entrevista com Argenio Loreto, prefeito do município de Libertador, no estado de Carabobo. Convivi com Argenio nos dois dias de visita ao Estado de Lara, e nos tornamos amigos. Ficar conhecendo os detalhes da vida pessoal e política dele é uma experiência surpreendente: uma imensa riqueza se esconde naquele índio forte e risonho, enérgico e afetuoso com quem compartilhei reflexões sobre práticas de governo local ricamente inovadoras.
Uma revolução socialista e democrática está em processo na Venezuela. Sem alarde nem sangue, um povo se empodera a partir de uma vivência profunda e autêntica de poder popular. São exemplos protagônicos os dois municípios com que me familiarizei - Torres, no estado de Lara, que visitamos, e Libertador, que conheci apenas indiretamente, através de Argenio e da sua rica entrevista a Marta Harnecker, que em breve sairá em livro. Torres é dirigida pelo prefeito Julio Chávez, que revelou idêntico compromisso com a construção de um poder popular a partir das famílias e das comunidades rurais e urbanas do seu município. Visitamos três comunidades rurais e um banco comunal, conversamos com porta-vozes eleitos por elas aos respectivos Conselhos Comunais e aos Conselhos Locais de Planejamento Participativo, e participamos de uma reunião do Conselho Popular Municipal e do Orçamento Participativo.
As novas instâncias de poder popular nesses municípios começaram antes da Lei de Conselhos Comunais e antes que se generalizasse o processo de Reforma da Constituição de 1999, que pretende adaptar a Carta Magna ao movimento de aprofundamento da Revolução no sentido do Socialismo Bolivariano. Apresso-me, porém, a apontar que isto não ocorre ainda no país inteiro. E não ocorre tampouco sem contradições e conflitos.
As palavras Revolução e Socialismo podem parecer retumbantes e repetitivas de um passado que já não volta. Ledo engano. Revolução é parte essencial da história humana e ocorre sempre que um sistema político, uma cultura ou uma civilização agoniza e outra se constrói até se tornar hegemônica e ocupar seu lugar. A verdade é que tudo que começo a contar neste artigo vem carregado de novidade. Trata-se de um socialismo inovador, certamente induzido a partir do Presidente, mas que vem sendo construído a partir de baixo, do nível das famílias e das comunidades. As Assembléias Cidadãs, os Conselhos Comunais, os Territórios Sociais e os Governos Comunitários são invenções geniais. Eles visam realizar a integração das pessoas e das famílias de todo o país num movimento de cidadania ativa que dá substância ao empoderamento das pessoas, das comunidades e da população para exercer efetivamente o poder.
Os mais audazes falam da construção de um Estado democrático, no interior e à margem do velho Estado oligárquico organizado e consolidado ao longo de séculos para servir aos interesses das classes privilegiadas. Há um projeto estratégico transformador e uma vontade política para torná-lo realidade, não a partir do Estado mas da sociedade organizada. Sua realização não é nada fácil nem é isenta de conflitos e contradições, obstáculos de ordem objetiva e, principalmente, subjetiva.
O que vimos na visita a Torres é uma amostra da socioeconomia solidária em construção na Venezuela. Há equívocos, mas a vontade política é acertada: construir iniciativas autogestionárias pelo país afora, lado a lado com instâncias de participação cidadã ativa no desenvolvimento econômico, social e humano local. O fundamento jurídico deste processo é a Constituição Bolivariana de 1999. Nela está definido o projeto de "garantir o pleno desenvolvimento humano", de "desenvolver o potencial criativo de cada ser humano, do pleno exercício de sua personalidade numa sociedade democrática"; de promover a participação cidadã como "a forma necessária de conseguir e garantir o pleno desenvolvimento, tanto individual quanto coletivo". A Constituição também identifica o planejamento democrático e o orçamento participativo em todos os níveis da sociedade e a "autogestão, a cogestão e as cooperativas de todo tipo" como exemplos das "formas de associação guiadas pelos valores da cooperação mútua e da solidariedade".
O Presidente Hugo Chávez falou enfaticamente desta visão em 2003, usando o conceito de economia social para dizer que ela fundamenta "sua lógica no ser humano, no trabalho, isto é, no trabalhador e na família do trabalhador, isto é, no ser humano." O professor Michael Lebowitz, no seu livro "El Socialismo no cae del cielo: un nuevo comienzo" (Monte Avila Editores Latinoamericana, Caracas, 2007), observa que "este é o conceito de uma economia que não está dominada pela idéia do lucro econômico e dos valores de troca (...) A economia social gera fundamentalmente valores de uso. Seu objetivo é a construção do homem novo, da mulher nova, da sociedade nova. Esta é uma visão conhecida, é o ideal que se encontra nas grandes religiões, nas tradições humanistas, nas sociedades indígenas - a idéia de uma família humana, de seres humanos associados pela solidariedade e não pelo interesse. " (Lebowitz, 2007:7-8) E resume a visão de Hugo Chávez citando sua fala de 2005: "Temos que criar um sistema comunal de produção e consumo, um sistema novo (...) com a participação das comunidades, através das organizações comunais, das cooperativas, da autogestão e de outras tantas maneiras de criar este sistema."
A Venezuela tem classes dominantes fortes e entrincheiradas em grandes propriedades rurais, em grandes empresas, em redes nacionais e internacionais de distribuição, e na grande mídia. A RCTV é apenas uma das potências midiáticas que defendia os interesses dessas classes. Frente aos ataques ao governo Chávez no Brasil e na imprensa internacional pela decisão recente de não renovar a concessão à RCTV, vale a pergunta: Por que é que a decisão dos governos dos Estados Unidos, Canadá, Espanha, França, Irlanda e Rússia de não renovar concessões a TVs e rádios não é denunciada pela mídia como atentado à liberdade de imprensa? (Ver Carta dos Leitores, O Globo, 5.6.2007). Essas elites são apoiadas pelas grandes potências do hemisfério Norte, que vêem em Chávez, assim como em Fidel Castro e Evo Morález, representantes da "má esquerda". Pois para elas há uma "boa esquerda", que na América Latina pode ser identificada em governos como os de Michele Bachelet, do Chile, Tabaré Vázquez, do Uruguai, e Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil. É "boa" porque não desafia nem enfrenta o capital globalizado. Esta é a análise do Professor Lebowitz em "Venezuela: um bom exemplo da má esquerda na América Latina" (revista Monthly Review, Nova York, julho-agosto de 2007). E aquelas elites estão ansiosas para impedir que o Equador, a Nicarágua e a Argentina pós-Nestor Kirschner venham a alinhar-se com a "má esquerda".

Nota
[1] Visita feita a convite do Centro Internacional Miranda, entre 17 e 22.7.07 para uma apresentação pública e debate sobre "O Ser Humano Integral e a Práxis: Empoderando Comunidades Locais" e para visitas ao interior do país.

* Socioeconomista e educador do PACS-RJ. Sócio do Inst. Transnacional (Holanda). Colab. da Rede Bras. de Socioeconomia Solidária e do Fórum Bras. de Economia Solidária. Membro coord. Intern. da Aliança por uma Economia Responsável, Plural e Solidária

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