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quarta-feira, 23 de março de 2016

Brasil/E SE DILMA...



23 março 2016, Jornal GGN http://jornalggn.com.br (Brasil)


Esse texto foi lido ontem no Congresso

Texto escrito por Francisco Costa

1 - E se Dilma tivesse 22 processos por corrupção, como Eduardo Cunha (PMDB)?

2 - E se Dilma tivesse 18 processos por corrupção, como José Serra (PSDB)?

3 - E se Dilma colocasse sob sigilo, por 25 anos, as contabilidades da Petrobras, Banco do Brasil e BNDES, como Geraldo Alckmin (PSDB) colocou as do Sistema Ferroviário paulista, das Sabesp e da Polícia Militar, após se iniciarem investigações da Polícia Federal, apontando desvios de muitos milhões?

4 - E se Dilma tivesse comprado um apartamento no bairro mais nobre de Paris e, dividindo-se o valor do imóvel pelos seus rendimentos, se constatasse que ela teria que ter presidido este país por quase trezentos anos para tê-lo comprado, caso de FHC (PSDB)?

5 - E se

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

HÁ UMA NOVA SITUAÇÃO POLÍTICA EM CURSO NO BRASIL

24 novembro 2014, Vermelho htt p://www.vermelho.org.br (Brasil)

O primeiro governo Dilma deu passou significativos na construção de uma nova estratégica de desenvolvimento para o país. Tomou medidas na área da política econômica que provocou urticaria no capital financeiro e seus representantes. Reside aí o motivo do incessante ataque a área econômica do governo. 

Por Diogo Santos*, especial para o Vermelho


Durante a campanha eleitoral, a presidenta Dilma reafirmou seu compromisso com o emprego e a renda dos trabalhadores e não assumiu nenhum dos compromissos que o mercado financeiro tentou lhe impor. Todavia, o tema da reforma política foi ocupando o centro do palco da política brasileira, colocando na ordem do dia a premente necessidade e possibilidade de sua realização. A nova situação política exige uma trégua no front econômico e a concentração das melhores energias na realização das reformas democráticas.

Primeiro governo Dilma e o esboço de uma nova estratégia de desenvolvimento
Durante os oito anos de governo do presidente Lula o povo brasileiro, especialmente os mais pobres e os trabalhadores com baixa qualificação profissional, conquistaram políticas públicas que levaram

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Brasil/A ECONOMIA EM DOIS PROJETOS OPOSTOS DE GOVERNO

17 outubro 2014, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Numa campanha presidencial acalorada como a atual, diferentes temas polarizam e o eleitorado, por vezes, fica confuso. A economia é o terreno mais sólido para se caracterizar as posições e estabelecer as diferenças.

Haroldo Lima*, especial para o Vermelho

Numa campanha presidencial acalorada como a atual, diferentes temas polarizam e o eleitorado, por vezes, fica confuso. A economia é o terreno mais sólido para se caracterizar as posições e estabelecer as diferenças.

Guido Mantega e Armínio Fraga debateram assuntos econômicos no dia 9 de outubro passado, em um programa especial da Miriam Leitão, com tempo dobrado, na Globo News. 

Mantega foi ministro da Fazenda do governo Lula e continua nesse cargo no governo Dilma e Armínio, ex-presidente do Banco Central na época de FHC, seria o futuro Ministro da Fazenda, segundo anunciou o Aécio, caso ele seja eleito presidente. São as pessoas talvez mais qualificadas para falar sobre a política econômica de cada um dos candidatos que disputam a Presidência, Dilma Rousseff e Aécio Neves. Suas opiniões ajudam a esclarecer os assuntos que dividem as opiniões e mostram que dois projetos opostos disputam o futuro do Brasil. 

O debate foi longo e sua íntegra pode ser vista no GloboNews Play. Destaquei passagens que achei mais importantes e as reproduzo abaixo, usando sempre que possível as frases dos debatedores, às quais acrescento breves comentários meus. 

O tema inicialmente abordado foi o da inflação. Estando em 6,75%, ela foi caracterizada por Armínio como “bastante alta”, contrastando com o “crescimento muito baixo”. Armínio não indicou porém, medidas concretas para enfrentá-la. Disse apenas que será preciso “um compromisso permanente de não deixá-la sair do controle”, compromisso que, por ser genérico e vago, qualquer candidato assumiria. 

Mantega observou que “há onze anos cumprimos as metas de inflação” e,

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Seminário lança reflexão sobre os “desafios internos” da construção civil em Moçambique



6 setembro 2013, Macauhub http://www.macauhub.com.mo (China)

Os “desafios internos” do sector da construção civil em Moçambique vão ser analisados durante um seminário internacional organizado pela Federação Moçambicana de Empreiteiros (FME), na próxima semana, em Maputo, anunciou a organização.

Com a iniciativa, a FME pretende lançar uma reflexão “sobre o papel dos recursos nacionais no contexto económico actual”, marcado por grandes investimentos no sector da construção civil, refere a federação numa nota enviada à macauhub em Maputo.

Durante o seminário,

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Moçambique/Brasil decide financiar obras

Moçambique e Brasil estão a negocear financiamentos para as áreas de Transportes, Comunicações, estradas, barragens e outras importantes infra-estruturas cuja execução interessa às empresas brasileiras . Não foram quantificados os montantes propostos, mas sabe-se que uma delegação brasileira integrando empresários, membros do governo e instituições financeiras daquele país, estiveram há dias em Maputo onde mantiveram encontros com diversas entidades nacionais.
17 julho 2009, Notícias

Com uma das mais importantes economias da América Latina, o Brasil tem estado nos últimos anos a intensificar a sua influência empresarial em África e muito em particular em Moçambique onde para além da produção de medicamentos, poderá se envolver nas áreas de biocombustíveis, carvão, energia hídrica, entre outras.
Falando no decurso de um seminário realizado há dias em Maputo, o Ministro da Indústria e Comércio, António Fernando, começou por realçar que as relações comerciais entre Moçambique e Brasil são ainda baixas facto que justificou a criação em Outubro do ano passado de uma comissão para a promoção da cooperação técnica, comércio e investimento bilateral entre os dois países.
Com este órgão já foram realizados dois encontros de trabalho, um no Brasil e o último em Moçambique esperando-se que mais contactos sejam estabelecidos proximamente.
António Fernando convidou aos empresários brasileiros para se estabelecerem no país considerando que esta será uma forma deles acederem a um mercado doméstico com mais de 20 milhões de consumidores para além do regional composto por mais de 250 milhões de consumidores.
Para o Ministro da Indústria e Comércio um investimento em Moçambique também pode permitir aos brasileiros acederem ao mercado norte-americano através do AGOA iniciativa americana que assegura o acesso de produtos dos países em desenvolvimento como Moçambique, livres de quotas e de tarifas.
Apontou que Moçambique também goza de uma série de benefícios similares no comércio com outros mercados vastos como o da Uniao Europeia, China e Índia, para além de uma localização estratégica que permite um acesso rápido a todos os continentes através das suas infra-estruturas ferro-portuárias. Falando especificamente do sector de infraestruturas, por exemplo, António Fernando considerou que Moçambique ainda tem um défice pelo que um envolvimento dos brasileiros na reestruturação do Aeroporto Internacional de Nacala pode contribuir para a dinamização do turismo através da angariação de mais truristas e consequentemente mais investidores em Nampula.
“Se eles se envolverem por exemplo, na construção duma grande terminal na Beira, podemos ter mais movimento de mercadorias e isso renova a robustez do nosso país”, sublinhou António Fernando.
“Nós em Moçambique queremos criar mais empregos e isso cria-se através de mão-de-obra intensiva. Dir-vos-ei que investimentos na área da produção de bio-diesel, têxteis são importantes para quem quer atrair os brasileiros. Estou a falar de iniciativas para atrair emprego e exportação, mas se há outras áreas que podem exploradas são bem vindas”, indicou o governante.

DEZ MILHÕES DE DÓLARES EM MÃO

Construtores moçambicanos vão beneficiar de um financiamento de dez milhões de dólares norte-americanos para a aquisição de equipamentos para a área de construção civil. Para o efeito, um grupo de 17 empresas deverão constituir ainda este ano, uma sindicância de garantias bancárias com vista a aceder ao finaciamento a ser disponibilizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social do Brasil (BNDES).
Agostinho Vuma, primeiro vice-presidente da Federação Moçambicana dos Empreiteiros disse que um comprimisso nesse sentido foi assumido semana passada no culminar das conversações que vinham sendo mantidas entre a federação e aquele banco público brasileiro.
A fonte detalhou que as negociações com os brasileiros duram há alguns anos, mas sempre falharam na medida em que o Governo moçambicano não podia emitir uma garantia para o banco brasileiro isto motivado por ditames de algumas organizações e parceiros de cooperação do país.
“Estávamos a falar de mais ou menos dez milhões de dólares., mas uma grande barreira é que nos empréstimos que envolvem o Estado, para os pequenos bancos comerciais da praça, não podem exceder a seis milhões de dólares e para nós isso não era prático”, sublinhou Vuma.
Com a concessão dos dez milhoes de dólares, Agostinho Vuma diz acreditar que, em primeiro lugar, vai melhorar o desempenho dos empreiteiros nacionais. É que no seu entender as reclamações que têm sido levantadas sobre a fraca qualidade das obras, em parte é derrivada da falta de empreiteiros devidamente equipados.
“Significa que se tivermos uma obra de estrada podemos fazer a compactação com equipamento devido e não com algum maço adaptado”, defendeu Agostinho Vuma para depois acrescenetar que as empresas nacionais vão poder se colocar num patamar internacional criando condições para que nas obras que estão a ser promovidas em Moçambique seja assegurada a qualidade e participaão de empreas nacionais.
Neste entendimento segundo a nossa fonte a grande estratégia desenhada passa pela transaferência de tecnologias para as empresas nacionais.
Sublinhando que defende a criação de “joint venture”, Vuma indicou que o esboço agora conseguido permite a disponibilização directa de equipamentos ao empreiteiro nacional sem necessidade de se passar por parceiras com estrangeiros.
O vice-presidente da Federação Moçambicana dos Empreiteiros acrescentou ainda que uma segunda fase das discussões da cooperação com os brasileiros pressupõe um financiamento pelo BNDES de actividades que visem criar condições para que empresas nacionais tenham acesso a fundos que os possibilitem concorrer nos concursos públicos e para em caso de pagamerntos atrasados por parte do Estado, tenham o normal funcionamento.
Para Agostinho Vuma, o acesso ao fundo contribuirá para mudar o acutal estágio dos empreiteiros nacionais, sobretudo porque passará a haver empresas nacionais com capacidade financeira, técnica requerida nos termos da globalização.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A AUDITORIA É LEGÍTIMA: EQUADOR TEM DIREITO

Jubileu Sul/Brasil *

16 dezembro 2008/[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina

Tradução: ADITAL www.adital.com.br

Carta da Assembléia Nacional da Rede Jubileu Sul Brasil
A Rede Jubileu Sul Brasil, reunida em Assembléia Geral, em Salvador, Bahia, de 10 a 12 de dezembro de 2008, reafirma seu apoio à decisão soberana do governo do Equador, bem como dos movimentos e organizações sociais do país, de levar adiante as conclusões da Comissão de Auditoria Integral do Crédito Público (CAIC), que podem trazer como consequência o não pagamento das dívidas ilegítimas. O fazemos tomando como base os princípios de justiça.
A auditoria é um instrumento fundamental para descobrir a verdade sobre o processo de endividamento público com base em documentos e provas; é um procedimento soberano, digno e responsável para com um povo que, historicamente, tem carregado o peso das dívidas.
A decisão de questionar o empréstimo realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Brasil à Odebrecht para a construção da hidrelétrica de San Francisco é uma consequência direta do fato de que em junho, a menos de um ano antes de sua inauguração, o dique teve que sair de operação devido a graves falhas técnicas. O incidente não somente colocou em perigo o abastecimento de energia para o Equador, como também poderia ter causado graves desastres sócio-ambientais e irrecuperáveis impactos causados pela construção. Nesse contexto, as conclusões e recomendações da CAIC, que encontrou inúmeras ilegalidades e ilegitimidades nos contratos analisados, serviram para reforçar a ação equatoriana de defesa de seus direitos e patrimônio. O governo do Equador tem o direito legítimo de questionar a natureza dessa dívida e o governo brasileiro tem a obrigação de fiscalizar e, eventualmente, julgar a Odebrecht e o BNDES.
A criação da CAIC foi uma resposta do governo equatoriano às demandas dos movimentos sociais do país e sua experiência é uma colaboração sem precedentes à luta mundial contra a dominação da dívida imposta a nossos povos e países. Sua composição plural e seu caráter participativo e transparente são a fonte de sua legitimidade. Seus resultados podem ser o passo inicial para que os governos de todos os países do Sul, sobretudo nesse momento de crise, de maneira coordenada e soberana, avancem na suspensão do pagamento das dívidas ilegítimas e exijam a restituição e reparações daquilo que já foi cobrado injustamente.
Nesse sentido, exortamos aos demais governos da região e do mundo, especialmente ao governo brasileiro, respaldar a ação soberana do governo equatoriano e a empreender iniciativas similares. Esperamos que os resultados da Auditoria realizada pelo Equador, junto à ação coordenada de outros países, sejam uma contribuição significativa para a construção de um sistema financeiro autônomo que elimine o endividamento ilegítimo e esteja ao serviço dos povos e da natureza. É hora de recuperar o controle de nossos recursos.

Salvador, 12/12/2008

*********

Leia mais
Nota em defesa do Movimento pela Auditoria da Dívida
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=36334
Relatório revela irregularidade na dívida externa
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=36141
Manifesto por Equador
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=36301

* Jubileu Sul/Brasil

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=36547

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Seminário internacional debate em Curitiba caminhos do Brasil com a crise

Lúcia Norcio, repórter

8 de dezembro 2008/Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br

Curitiba - O que está acontecendo com o Brasil? O país está no caminho certo? Essas e outras questões serão debatidas de hoje (8) a quinta-feira no seminário internacional Crise – Rumos e Verdades, promovido pelo governo do Paraná. Cerca de 600 pessoas se cadastraram para o encontro, que pretende chegar a novas propostas para enfrentar a crise. Estão previstas 30 palestras de economistas, professores e administradores brasileiros e da Itália, Inglaterra, Alemanha, China, Argentina, Venezuela, México, Rússia, Equador e Estados Unidos.
Segundo o governador do Paraná, Roberto Requião, que abriu o evento na noite de ontem (7), o governo federal liberou depósitos compulsórios para os bancos, que não liberam crédito para a economia. “Em vez disso, aplicam o dinheiro em letras do Tesouro. Então, já temos uma crise de crédito, além de um problema brutal de saída de recursos. Pois, se os dólares e outras moedas continuam entrando, já acumulamos um prejuízo de US$ 7 bilhões no balanço de entradas e saídas, segundo o governo federal”.
Na pauta do seminário, discussões sobre a economia mundial, crise e poder mundial; crise e integração sul-americana; crise e projeto nacional, qual é o projeto que o Brasil possui, a crise e o sistema financeiro mundial: o papel da China, dos Estados Unidos, da Rússia e da Índia. Crise e Brasil. De acordo com o governador, ao contrário do que pode parecer, não é uma discussão sobre o Brasil, é sobre os projetos nacionais, é a globalização versus Estado-nação.

O presidente da indústria de eletro-eletrônicos Gradiente, Eugênio Staub, um dos palestrantes da abertura do seminário, defendeu a manutenção do crédito da habitação, a redução da taxa de juros e de impostos e a manutenção de investimentos como medidas necessárias para o Brasil não reduzir o ritmo do crescimento econômico durante a crise do capitalismo global.

Para o economista Carlos Lessa, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a crise financeira que o mundo atravessa é a crise da superestrutura financeira criada ao longo de 25 anos. Lembrou que o mercado financeiro movimenta 130 trilhões de dólares em ativos primários e outros prováveis 540 trilhões de dólares em derivativos financeiros. “É um volume assustadoramente descolado da riqueza acumulada pela economia real — a soma dos Produtos Internos Brutos de todos os países soma apenas 60 trilhões de dólares”.

As pessoas que quiserem fazer perguntas pelo telefone e por e-mail aos debatedores contam com o apoio de economistas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) e da Secretaria de Planejamento e Coordenação. Estão disponibilizadas dez linhas telefônicas com ligações gratuitas. O atendimento é feito por estudantes, que repassam as perguntas aos técnicos e estes encaminham as dúvidas aos debatedores.

O seminário está sendo transmitido ao vivo pela TV e pela Rádio Paraná Educativa No último dia do evento, serão publicadas as despesas e o valor da contribuição de cada órgão que participou do seminário.


http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/12/08/materia.2008-12-08.3421971291/view

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Equador/Enfrentar a Odebrecht é só o começo

Enquanto o governo de Rafael Correa questiona dívidas ilegítimas e odiosas, direita conservadora brasileira se vê com o “brio ferido”

Eduardo Sales de Lima, da Redação

26 novembro 2008/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

A expulsão da construtora brasileira Norberto Odebrecht do Equador desvela uma situação na qual nem a elite brasileira nem parte do governo federal querem admitir; a de que o país vizinho, na verdade, tenta se livrar de mais de 30 anos de dívidas ilegítimas e odiosas*.
As primeiras, aquelas que se referem a empréstimos contraídos fora do marco legal nacional e internacional, em um contexto injusto, de falta de transparência, que viola a soberania e os direitos humanos. As segundas, as que foram contraídas sem o consentimento da população.
A atitude tomada pelo governo do Equador surge como conseqüência direta do relatório Auditoria Integral do Crédito Público (Caic), apresentado em novembro, que abordou detalhes de empréstimos feitos ao Equador que vão de 1976 a 2006.
Entre as inúmeras irregularidades ocorridas nesses 30 anos, o estudo aponta um contrato repleto de ilegalidades envolvendo o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), a construtora Odebrecht e o governo equatoriano.
A auditoria cita a assinatura de dez contratos ampliadores, que aumentaram os custos da obra da segunda maior usina hidrelétrica equatoriana, a San Francisco, e demonstra uma submissão do empréstimo feito pelo BNDES à legislação brasileira, quando este deveria ser regido pelas leis equatorianas.
Somado a isso, no meio do ano, a Odebrecht – que também está está sendo indiciada em inquérito pelo acidente no metrô paulista – provocou a paralisação da hidrelétrica equatoriana por conta de problemas na turbina e no túnel por onde passa a água.
Após rescindir todos os contratos com a empreiteira brasileira, o governo do Equador pretende, ainda, não reconhecer a dívida pertencente à Odebrecht junto ao BNDES, de 243 milhões de dólares. Para tanto, o governo do presidente Rafael Correa decidiu recorrer à Câmara de Comércio Internacional, em Paris.
Além disso, serão investigados pelo governo equatoriano parte dos funcionários públicos do país e os vestígios de todas as operações da empresa no Equador.

Credores “mui amigos”
A atitude de Correa mostra que na América Latina já não existem tantos presidentes que permitem a ação de grupos e instituições internacionais especializados em ganhar com o endividamento de países pobres.
Considerando todo o período do estudo da Caic, o presidente equatoriano anunciou que "não pagará a dívida ilegítima, a dívida corrupta e ilegal". Uma mensagem direta, também ao BNDES. A recomendação dos economistas integrantes da auditoria é a de que não se pague cerca de 40% da dívida externa do país, por causa dos indícios de corrupção – ou seja, um total de 3,9 bilhões de dólares.
Nas palavras de Correa, será necessário julgar os culpados pelo endividamento externo que adquiriram vantagens “com títulos espúrios, com chantagens e traição”. Segundo ele, cada qual tem que pagar com seus bens o que corresponda.
A auditora fiscal Maria Lúcia Fattorelli, que também integrou a Caic, afirma que a partir do início da década de 1980 um expressivo montante da dívida privada foi transferido para o Banco Central do Equador. Segundo a auditoria, a dívida externa do país aumentou de 240 milhões de dólares em 1970 para 17,4 bilhões de dólares em 2007.
O presidente equatoriano ainda anunciou em público que "os emprestadores não são menos culpados, os que induziram compulsivamente, os que amarraram e pressionaram para empurrar seus empréstimos e lucrar com beneficiosas comissões". Um recado que também serve para a Odebrecht e para o governo brasileiro.
Segundo Fattorelli, em relação aos empréstimos bancários, o chamado endividamento agressivo foi patrocinado principalmente pelos bancos privados, que ofereciam taxas de juros baixíssimas, chegando a ser até negativas. “Depois, a partir de 1979, o Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos), que na verdade é um conjunto de bancos privados, começou a subir as taxas de juros internacionais, que chegaram a 20,5% ao ano. Isso foi um verdadeiro golpe contra todos os países, inclusive contra o Brasil.”
Ela acrescenta ainda que os principais responsáveis pela dívida comercial do Equador nesses 30 anos são todos dos Estados Unidos ou da Inglaterra. Dos quais: Citibank, o JPMorgan e Chase Manhattan.

“Brio”
Para a economista Roberta Traspadini, a atitude do governo equatoriano frente não só à Odebrecht e ao BNDES, mas também em relação às instituições financeiras internacionais compreende um direito à soberania e à defesa dos interesses nacionais. “O Equador, a partir de sua lógica de produção nacional e internacional, atrela sua postura à uma política de Estado, cuja coerção e consenso tentam caminhar em um sentido, senão totalmente oposto, ao menos mais tensionado e disputado, do que o executado pelo Estado brasileiro”, contextualiza.
Já o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), não vê a situação com tal visão crítica e defendeu no Congresso, no dia 24, que o governo brasileiro tome uma postura de enfrentamento em relação à gestão do presidente Rafael Correa. "O Brasil não pode ficar silencioso. O brio brasileiro está ferido", disse.
Para Traspadini é necessário, antes de tudo, saber quem está falando e quem essa pessoa representa. “Se por brio, se entende a capacidade de dominar, ditar as regras e impor, dado seu poderio econômico-militar-político e sua aliança com os grupos e Estados hegemônicos mundiais, sim, a política de Correa afeta os brios brasileiros”, pondera.
“E se por brio se entende a capacidade de ao estar junto, não impor e sim se contrapor à lógica de poder dominante ao longo da história, em que a referência está no desejo e necessidade dos povos latinos e não da classe dominante, então, a política de Correa não só mexe com o brio, como o coloca em seu devido lugar”, conclui.

Saiba mais: No direito internacional se considera "dívida odiosa" àquela que foi contraída "sem o consentimento da população (por um regime despótico), que se utiliza contra os interesses ou o bem estar da população, e tudo isso se realiza com o conhecimento dos credores".

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/agencia/internacional/enfrentar-a-odebrecht-e-so-o-comeco

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Brasil/NOTA DE APOIO AO GOVERNO EQUATORIANO*

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br

29 setembro 2008


Adital - Diante da controvérsia existente entre o governo equatoriano e a empresa brasileira Odebrecht, nós, organizações da sociedade civil brasileira abaixo-assinadas, manifestamos nosso apoio à iniciativa soberana do presidente Rafael Correa de responsabilizar a empresa pelos maus serviços prestados naquele país. Também consideramos legítimo a demanda por uma justa reparação por parte da Odebretch do prejuízo causado por este empreendimento, financiado com recursos públicos de cidadãs e cidadãos brasileiros através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Entendemos que as ações adotadas recentemente pelo governo do Equador buscam incidir não apenas sobre os graves impactos causados pelos problemas na Hidrelétrica de San Francisco (a segunda maior usina do país, que está paralisada desde junho devido ao desabamento parcial de um túnel e do desgaste prematuro de rodas das turbinas). Após várias tentativas de negociar com a empresa, por parte do governo equatoriano, a adoção destas ações devem ser situadas em um processo histórico de irregularidades em licitações, acusações de corrupção em governos anteriores e descaso com os consumidores desses serviços, como afirmam o governo Correa, com base no relatório da Comissão de Auditoria Oficial do Crédito Público do Equador, organizações da sociedade civil equatoriana e parte da opinião pública daquele país.

Não se trata de um caso isolado em que a "responsabilidade social" da Odebrecht é colocada à prova. Esta mesma companhia era a responsável pela construção da linha 4 - amarela do metrô de São Paulo quando, no dia 12 de janeiro de 2007, ocorreu o maior acidente da história do metrô de São Paulo, causando a morte de sete pessoas e vários feridos. O Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, no estado de Rondônia, é outro exemplo do descaso da Odebrecht com as populações locais. Apesar dos severos e irreversíveis impactos socioambientais que ocorrerão em conseqüência deste mega-empreendimento, a busca desenfreada pelo lucro é colocada acima dos direitos humanos.

Corroboramos a proposta do governo do Equador em interromper as atividades da Odebrecht e suspender o pagamento da obra, até que todos os fatos sejam apurados. A ausência de transparência nesta operação financeira realizada com recursos públicos compromete a capacidade da sociedade para avaliar o caso com clareza. Por esta razão reivindicamos ao governo brasileiro, em especial ao BNDES, que forneça esclarecimentos imediatos sobre os detalhes dessa operação de financiamento às atividades da Odebrecht no Equador.

Que essas ações sirvam de exemplo para as grandes empresas que muitas vezes não desenvolvem estudos técnicos suficientes sobre os impactos sócio-ambientais de seus megaprojetos; para o BNDES, que continua a investir a maior parte de seus recursos - dinheiro dos contribuintes - em megaprojetos, realizados por grandes empresas, que aprofundam a injustiça social; e também para os governantes de toda América do Sul, eleitos para cumprir as leis de seus países, mesmo que isso signifique contrariar os interesses econômicos de grandes empresas transnacionais.

Brasília, 27 de setembro de 2008

* Assinam:

Attac Brasil
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase)
Instituto de Estudos Sócio Econômicos (INESC)
Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS)
Jubileu Sul Brasil
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
Movimento dos Sem Terra (MST)
Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil
Para receber o Boletim de Notícias da Adital escreva a adital@adital.com.br

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Brasil / BNDES apóia operação que transforma frigorífico nacional no maior do mundo do setor


Alana Gandra / Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro, 28 Junho - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho, confirmou hoje (28) o apoio da instituição ao grupo JBS, controlador do frigorífico Friboi, na operação de compra da empresa norte-americana Swift, anunciada no final de maio passado, no valor de US$ 1,4 bilhão.

“Essa é uma operação interessante, que se inscreve na política de fortalecer empresas brasileiras competitivas a se tornarem atores globais. Empresas que possam operar não só no mercado brasileiro mas em outros mercados e, com isso, inclusive, alavancar a capacidade exportadora brasileira”, disse Coutinho.

Ele explicou que o fato de a Friboi já ter recebido no passado financiamento do banco para aquisição da Swift argentina, e agora para a Swift norte-americana lhe permite atuar nos Estados Unidos, na América do Sul e na Austrália. Com isso, a companhia amplia sua linha de carne bovina para suína e se torna a maior abatedora mundial de bovinos e a segunda de suínos.

“Portanto, ela se torna uma grande operadora do mercado de carnes, que é um mercado em expansão e que se espera permaneça com preços favoráveis, e é um exemplo de como o Brasil pode desenvolver empresas competitivas, com boa governança, que saem de um sistema arcaico de construção de negócios para um moderno”, analisou o presidente do BNDES.

Ele salientou que todas as empresas que se qualificarem nessa direção deverão merecer o apoio do banco. Coutinho espera apoiar novas operações similares em outros setores, no futuro. “Espero que esta possa ser a primeira operação de uma série”, manifestou.

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/06/28/materia.2007-06-28.6298821128/view