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terça-feira, 16 de agosto de 2016

Brasil/MUNDO ISOLA TEMER NAS OLIMPÍADAS



15 agosto 2016, Carta Maior http://cartamaior.com.br (Brasil)

Por Altamiro Borges

A medíocre presença de chefes de estado na Rio-2016 revela, na prática, o total isolamento do covil de Michel Temer.

O "chanceler" José Serra está totalmente desmoralizado - e não é apenas devido à denúncia vazada na semana passada de que ele teria recebido R$ 23 milhões da Odebrecht para seu Caixa-2 na campanha presidencial em 2010. A abertura das Olimpíadas também confirmou que o "interino" é um bravateiro -- para não dizer mentiroso. Ele havia garantido que 45 chefes de Estado participariam da solenidade no Rio de Janeiro. Na verdade, só compareceram 18 líderes mundiais, o que confirma o isolamento internacional do covil golpista do Michel Temer e o descrédito do tucano. A informação foi revelada pelo Estadão, mas não ganhou as manchetes da mídia chapa-branca.

Segundo relato do jornalista Jamil Chade, "o Itamaraty havia anunciado que 45 chefes-de-estado e de governo estariam na abertura dos Jogos Olímpicos, na noite desta sexta-feira. Mas uma lista obtida pelo Estado revela que o número total foi de apenas 18, sendo que os demais eram apenas vice-primeiros ministros, governadores e autoridades de segundo escalão. A reportagem

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Brasil/Depois do golpe, Congresso fará sua própria anistia



11 agosto 2016, Brasil 247 http://www.brasil247.com (Brasil)

 Da esquerda para direita: Marcelo Odebrecht, Léo Pinheiro,  
Eduardo Cunha, Michel Temer, Rodrigo Maia e Renan Calheiros

Se o impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff vier mesmo a ser confirmado no fim de agosto, a Câmara e o Senado passarão a discutir, em regime de urgência, um projeto que beneficia mais de 200 partamentares: a anistia geral aos envolvidos na Operação Lava Jato; a tese que vem sendo construída é a de que o crime de caixa dois seria diferente da propina disfarçada como doação eleitoral;  assim, os deputados e senadores ficariam livres das delações de empresários como Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro (OAS), bem como do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que disse a um delator sustentar financeiramente mais de 200 parlamentares; a questão é combinar esse acordão, que

quarta-feira, 30 de março de 2016

Brasil/LA Times expõe o absurdo: Presidenta idônea é julgada por corruptos



29 março 2016, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)
 

"Os políticos que votam o impeachment da presidente do Brasil são mais acusados de corrupção que ela". Este é o título de matéria publicada nesta segunda-feira (28) pelo jornal norte-americano Los Angeles Times, que expõe a contradição e o absurdo do atual cenário político brasileiro.

O periódico dos Estados Unidos divulga um levantamento feito pela ONG Transparência Brasil sobre os políticos que estão responsáveis por analisar o pedido de impeachment. A partir dos dados fornecidos, o jornal conclui: “A Comissão do Congresso que ajudará a decidir o destino de Dilma Rousseff tem seus próprios problemas jurídicos”. Dos 65 membros da Comissão do Impeachment, 37 enfrentam acusações de corrupção ou outros crimes graves.

"Cinco membros da comissão são acusados de lavagem de dinheiro, outros 6 de conspiração e 19 são investigados por irregularidades nas contas; 33 são acusados ou de corrupção ou de improbidade administrativa; ao todo, 37 membros foram acusados, alguns deles de crimes múltiplos", afirma o jornal.

O texto mostra que a comissão, na verdade, é um espelho do próprio Congresso, já que dos 513 deputados brasileiros, 303 estão sendo investigados por graves

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Brasil/GOLPE FINAL NA SOBERANIA DO PAÍS

21 janeiro 2015, Redecastorphoto http://redecastorphoto.blogspot.com.br  (Brasil)

Adriano Benayon* - 20.01.2015
Texto enviado pelo autor

1. Não é hipérbole dizer que o Brasil – consciente disto, ou não – vive momento decisivo de sua História. Se não quiser sucumbir, em definitivo, à condição de subdesenvolvido e (mal) colonizado, o povo brasileiro terá de desarmar a trama, o golpe em que está sendo envolvido.

2. Essa trama -- que visa a aplicar o golpe de misericórdia em qualquer veleidade de autonomia nacional, no campo industrial, no tecnológico e no militar – é perpetrada, como foram as anteriores intervenções, armadas ou não, pelas oligarquias financeiras transnacionais e instrumentalizada por seus representantes locais e pelo oligopólio mediático, como sempre utilizando hipocritamente o pretexto de combater a corrupção.

3. Que isso significa? Pôr o País à mercê das imposições imperiais sem que os brasileiros tenham qualquer capacidade de sequer atenuá-las.

4. Implica subordinação e impotência ainda maiores que as que levaram o País, de 1955 ao final dos anos 70, a endividar-se, importando projetos de infra-estrutura, em pacotes fechados, e permitindo o crescimento da dívida externa, através dos déficits de comércio exterior decorrentes da desnacionalização da economia, e em função das taxas de juros arbitrariamente elevadas e das não menos extorsivas

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Ecuador saluda vuelta de embajador brasileño a Quito

14 enero 2009/TeleSUR http://www.telesurtv.net

Ecuador saludó este martes el retorno a Quito del embajador brasileño, Antonino Marques Porto e Santos, lo cual confirma el pleno restablecimiento de las relaciones bilaterales luego del altercado entre los gobiernos por la deficiente construcción de una hidroeléctrica por parte del empresa amazónica Odebrecht en territorio ecuatoriano.
Un comunicado de la cancillería de Ecuador , revela que la presencia de Porto e Santos "augura el reinicio de una fructífera relación entre las dos naciones".
"Se trata de un paso más en la consolidación de un nuevo escenario de cooperación e integración promovido por los presidentes Rafael Correa y Luiz Inácio Lula Da Silva", asegura la nota.
"De esta manera el esfuerzo diplomático desplegado por el gobierno produjo el resultado esperado; el pleno restablecimiento de las relaciones diplomáticas entre los dos países, sin menoscabar la reivindicación de los intereses nacionales", concluye el documento.

El diplomático fue llamado a consulta el pasado noviembre, después de que el gobierno ecuatoriano presentara una demanda de arbitraje internacional para no pagar un crédito 243 millones de dólares, entregado por el Banco Nacional de Desarrollo Económico y Social (BNDES) brasileño a la empresa del mismo país, Odebrecht, para encargarse de la construcción de hidroeléctrica San Francisco en Ecuador.
La demanda surgió a raíz de que la obra, inaugurada a mediados del 2007, dejara de funcionar en junio 2008 por fallos estructurales en su construcción. Fue entonces cuando el Gobierno de Ecuador expulsó a la firma brasileña, ante el riesgo de grandes fallas de energía.
Ecuador rechazó el apoyo de Brasilia a Odebrecht y señaló que la disputa fue entre el estado y una empresa privada brasileña y no con el gobierno de esa hermana nación.

http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/40374-NN/ecuador-saluda-vuelta-de-embajador-brasileno-a-quito/

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A AUDITORIA É LEGÍTIMA: EQUADOR TEM DIREITO

Jubileu Sul/Brasil *

16 dezembro 2008/[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina

Tradução: ADITAL www.adital.com.br

Carta da Assembléia Nacional da Rede Jubileu Sul Brasil
A Rede Jubileu Sul Brasil, reunida em Assembléia Geral, em Salvador, Bahia, de 10 a 12 de dezembro de 2008, reafirma seu apoio à decisão soberana do governo do Equador, bem como dos movimentos e organizações sociais do país, de levar adiante as conclusões da Comissão de Auditoria Integral do Crédito Público (CAIC), que podem trazer como consequência o não pagamento das dívidas ilegítimas. O fazemos tomando como base os princípios de justiça.
A auditoria é um instrumento fundamental para descobrir a verdade sobre o processo de endividamento público com base em documentos e provas; é um procedimento soberano, digno e responsável para com um povo que, historicamente, tem carregado o peso das dívidas.
A decisão de questionar o empréstimo realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Brasil à Odebrecht para a construção da hidrelétrica de San Francisco é uma consequência direta do fato de que em junho, a menos de um ano antes de sua inauguração, o dique teve que sair de operação devido a graves falhas técnicas. O incidente não somente colocou em perigo o abastecimento de energia para o Equador, como também poderia ter causado graves desastres sócio-ambientais e irrecuperáveis impactos causados pela construção. Nesse contexto, as conclusões e recomendações da CAIC, que encontrou inúmeras ilegalidades e ilegitimidades nos contratos analisados, serviram para reforçar a ação equatoriana de defesa de seus direitos e patrimônio. O governo do Equador tem o direito legítimo de questionar a natureza dessa dívida e o governo brasileiro tem a obrigação de fiscalizar e, eventualmente, julgar a Odebrecht e o BNDES.
A criação da CAIC foi uma resposta do governo equatoriano às demandas dos movimentos sociais do país e sua experiência é uma colaboração sem precedentes à luta mundial contra a dominação da dívida imposta a nossos povos e países. Sua composição plural e seu caráter participativo e transparente são a fonte de sua legitimidade. Seus resultados podem ser o passo inicial para que os governos de todos os países do Sul, sobretudo nesse momento de crise, de maneira coordenada e soberana, avancem na suspensão do pagamento das dívidas ilegítimas e exijam a restituição e reparações daquilo que já foi cobrado injustamente.
Nesse sentido, exortamos aos demais governos da região e do mundo, especialmente ao governo brasileiro, respaldar a ação soberana do governo equatoriano e a empreender iniciativas similares. Esperamos que os resultados da Auditoria realizada pelo Equador, junto à ação coordenada de outros países, sejam uma contribuição significativa para a construção de um sistema financeiro autônomo que elimine o endividamento ilegítimo e esteja ao serviço dos povos e da natureza. É hora de recuperar o controle de nossos recursos.

Salvador, 12/12/2008

*********

Leia mais
Nota em defesa do Movimento pela Auditoria da Dívida
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=36334
Relatório revela irregularidade na dívida externa
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=36141
Manifesto por Equador
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=36301

* Jubileu Sul/Brasil

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=36547

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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Equador/Enfrentar a Odebrecht é só o começo

Enquanto o governo de Rafael Correa questiona dívidas ilegítimas e odiosas, direita conservadora brasileira se vê com o “brio ferido”

Eduardo Sales de Lima, da Redação

26 novembro 2008/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

A expulsão da construtora brasileira Norberto Odebrecht do Equador desvela uma situação na qual nem a elite brasileira nem parte do governo federal querem admitir; a de que o país vizinho, na verdade, tenta se livrar de mais de 30 anos de dívidas ilegítimas e odiosas*.
As primeiras, aquelas que se referem a empréstimos contraídos fora do marco legal nacional e internacional, em um contexto injusto, de falta de transparência, que viola a soberania e os direitos humanos. As segundas, as que foram contraídas sem o consentimento da população.
A atitude tomada pelo governo do Equador surge como conseqüência direta do relatório Auditoria Integral do Crédito Público (Caic), apresentado em novembro, que abordou detalhes de empréstimos feitos ao Equador que vão de 1976 a 2006.
Entre as inúmeras irregularidades ocorridas nesses 30 anos, o estudo aponta um contrato repleto de ilegalidades envolvendo o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), a construtora Odebrecht e o governo equatoriano.
A auditoria cita a assinatura de dez contratos ampliadores, que aumentaram os custos da obra da segunda maior usina hidrelétrica equatoriana, a San Francisco, e demonstra uma submissão do empréstimo feito pelo BNDES à legislação brasileira, quando este deveria ser regido pelas leis equatorianas.
Somado a isso, no meio do ano, a Odebrecht – que também está está sendo indiciada em inquérito pelo acidente no metrô paulista – provocou a paralisação da hidrelétrica equatoriana por conta de problemas na turbina e no túnel por onde passa a água.
Após rescindir todos os contratos com a empreiteira brasileira, o governo do Equador pretende, ainda, não reconhecer a dívida pertencente à Odebrecht junto ao BNDES, de 243 milhões de dólares. Para tanto, o governo do presidente Rafael Correa decidiu recorrer à Câmara de Comércio Internacional, em Paris.
Além disso, serão investigados pelo governo equatoriano parte dos funcionários públicos do país e os vestígios de todas as operações da empresa no Equador.

Credores “mui amigos”
A atitude de Correa mostra que na América Latina já não existem tantos presidentes que permitem a ação de grupos e instituições internacionais especializados em ganhar com o endividamento de países pobres.
Considerando todo o período do estudo da Caic, o presidente equatoriano anunciou que "não pagará a dívida ilegítima, a dívida corrupta e ilegal". Uma mensagem direta, também ao BNDES. A recomendação dos economistas integrantes da auditoria é a de que não se pague cerca de 40% da dívida externa do país, por causa dos indícios de corrupção – ou seja, um total de 3,9 bilhões de dólares.
Nas palavras de Correa, será necessário julgar os culpados pelo endividamento externo que adquiriram vantagens “com títulos espúrios, com chantagens e traição”. Segundo ele, cada qual tem que pagar com seus bens o que corresponda.
A auditora fiscal Maria Lúcia Fattorelli, que também integrou a Caic, afirma que a partir do início da década de 1980 um expressivo montante da dívida privada foi transferido para o Banco Central do Equador. Segundo a auditoria, a dívida externa do país aumentou de 240 milhões de dólares em 1970 para 17,4 bilhões de dólares em 2007.
O presidente equatoriano ainda anunciou em público que "os emprestadores não são menos culpados, os que induziram compulsivamente, os que amarraram e pressionaram para empurrar seus empréstimos e lucrar com beneficiosas comissões". Um recado que também serve para a Odebrecht e para o governo brasileiro.
Segundo Fattorelli, em relação aos empréstimos bancários, o chamado endividamento agressivo foi patrocinado principalmente pelos bancos privados, que ofereciam taxas de juros baixíssimas, chegando a ser até negativas. “Depois, a partir de 1979, o Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos), que na verdade é um conjunto de bancos privados, começou a subir as taxas de juros internacionais, que chegaram a 20,5% ao ano. Isso foi um verdadeiro golpe contra todos os países, inclusive contra o Brasil.”
Ela acrescenta ainda que os principais responsáveis pela dívida comercial do Equador nesses 30 anos são todos dos Estados Unidos ou da Inglaterra. Dos quais: Citibank, o JPMorgan e Chase Manhattan.

“Brio”
Para a economista Roberta Traspadini, a atitude do governo equatoriano frente não só à Odebrecht e ao BNDES, mas também em relação às instituições financeiras internacionais compreende um direito à soberania e à defesa dos interesses nacionais. “O Equador, a partir de sua lógica de produção nacional e internacional, atrela sua postura à uma política de Estado, cuja coerção e consenso tentam caminhar em um sentido, senão totalmente oposto, ao menos mais tensionado e disputado, do que o executado pelo Estado brasileiro”, contextualiza.
Já o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), não vê a situação com tal visão crítica e defendeu no Congresso, no dia 24, que o governo brasileiro tome uma postura de enfrentamento em relação à gestão do presidente Rafael Correa. "O Brasil não pode ficar silencioso. O brio brasileiro está ferido", disse.
Para Traspadini é necessário, antes de tudo, saber quem está falando e quem essa pessoa representa. “Se por brio, se entende a capacidade de dominar, ditar as regras e impor, dado seu poderio econômico-militar-político e sua aliança com os grupos e Estados hegemônicos mundiais, sim, a política de Correa afeta os brios brasileiros”, pondera.
“E se por brio se entende a capacidade de ao estar junto, não impor e sim se contrapor à lógica de poder dominante ao longo da história, em que a referência está no desejo e necessidade dos povos latinos e não da classe dominante, então, a política de Correa não só mexe com o brio, como o coloca em seu devido lugar”, conclui.

Saiba mais: No direito internacional se considera "dívida odiosa" àquela que foi contraída "sem o consentimento da população (por um regime despótico), que se utiliza contra os interesses ou o bem estar da população, e tudo isso se realiza com o conhecimento dos credores".

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/agencia/internacional/enfrentar-a-odebrecht-e-so-o-comeco

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Brasil/NOTA DE APOIO AO GOVERNO EQUATORIANO*

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br

29 setembro 2008


Adital - Diante da controvérsia existente entre o governo equatoriano e a empresa brasileira Odebrecht, nós, organizações da sociedade civil brasileira abaixo-assinadas, manifestamos nosso apoio à iniciativa soberana do presidente Rafael Correa de responsabilizar a empresa pelos maus serviços prestados naquele país. Também consideramos legítimo a demanda por uma justa reparação por parte da Odebretch do prejuízo causado por este empreendimento, financiado com recursos públicos de cidadãs e cidadãos brasileiros através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Entendemos que as ações adotadas recentemente pelo governo do Equador buscam incidir não apenas sobre os graves impactos causados pelos problemas na Hidrelétrica de San Francisco (a segunda maior usina do país, que está paralisada desde junho devido ao desabamento parcial de um túnel e do desgaste prematuro de rodas das turbinas). Após várias tentativas de negociar com a empresa, por parte do governo equatoriano, a adoção destas ações devem ser situadas em um processo histórico de irregularidades em licitações, acusações de corrupção em governos anteriores e descaso com os consumidores desses serviços, como afirmam o governo Correa, com base no relatório da Comissão de Auditoria Oficial do Crédito Público do Equador, organizações da sociedade civil equatoriana e parte da opinião pública daquele país.

Não se trata de um caso isolado em que a "responsabilidade social" da Odebrecht é colocada à prova. Esta mesma companhia era a responsável pela construção da linha 4 - amarela do metrô de São Paulo quando, no dia 12 de janeiro de 2007, ocorreu o maior acidente da história do metrô de São Paulo, causando a morte de sete pessoas e vários feridos. O Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, no estado de Rondônia, é outro exemplo do descaso da Odebrecht com as populações locais. Apesar dos severos e irreversíveis impactos socioambientais que ocorrerão em conseqüência deste mega-empreendimento, a busca desenfreada pelo lucro é colocada acima dos direitos humanos.

Corroboramos a proposta do governo do Equador em interromper as atividades da Odebrecht e suspender o pagamento da obra, até que todos os fatos sejam apurados. A ausência de transparência nesta operação financeira realizada com recursos públicos compromete a capacidade da sociedade para avaliar o caso com clareza. Por esta razão reivindicamos ao governo brasileiro, em especial ao BNDES, que forneça esclarecimentos imediatos sobre os detalhes dessa operação de financiamento às atividades da Odebrecht no Equador.

Que essas ações sirvam de exemplo para as grandes empresas que muitas vezes não desenvolvem estudos técnicos suficientes sobre os impactos sócio-ambientais de seus megaprojetos; para o BNDES, que continua a investir a maior parte de seus recursos - dinheiro dos contribuintes - em megaprojetos, realizados por grandes empresas, que aprofundam a injustiça social; e também para os governantes de toda América do Sul, eleitos para cumprir as leis de seus países, mesmo que isso signifique contrariar os interesses econômicos de grandes empresas transnacionais.

Brasília, 27 de setembro de 2008

* Assinam:

Attac Brasil
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase)
Instituto de Estudos Sócio Econômicos (INESC)
Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS)
Jubileu Sul Brasil
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
Movimento dos Sem Terra (MST)
Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais

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