A secretária de Estado da Cooperação, Ângela Bragança, e o embaixador angolano em Moçambique, Brito Sozinho, testemunharam a audiência. Ainda ontem
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sexta-feira, 26 de junho de 2015
Angola/Independência de Moçambique com balanço positivo
A secretária de Estado da Cooperação, Ângela Bragança, e o embaixador angolano em Moçambique, Brito Sozinho, testemunharam a audiência. Ainda ontem
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Colômbia/Principais pontos dos acordos entre Farc e governo colombiano
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Nesta
semana, as Forças Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo (Farc-EP) e
o governo do presidente Juan Manuel Santos conseguiram um importante acordo
sobre a participação política da guerrilha. Apesar de parcial, foi
considerado "fundamental" pelas partes que discutem o fim do
conflito armado, que já dura mais de meio século. Em maio deste anos,
fecharam também um consenso sobre o primeiro ponto da agenda, o tema agrário.
Leia a seguir os principais destaques destes acordos:
Plano Brazil
Farc
estão próximas de um acordo sobre participação política
Participação política
- Criar
"circunscrições transitórias especiais de paz" para promover a
participação política das regiões isoladas e mais afetadas pelo conflito, que
terão uma representação especial na Câmara de Representantes do Congresso.
-
Desenvolver um sistema integral que proteja e garanta a vida e a liberdade de
opinião dos políticos, com enfoque especial no respeito ao novo movimento que
surgir
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009
OS "DIREITOS COMUNISTAS" NA ONU
Os direitos à alimentação, ao trabalho, à habitação e a uma vida condigna são tão importantes como o direito à liberdade de expressão, de religião, de consciência e de voto. Na próxima quinta-feira, na Assembleia Geral da ONU, Portugal será um dos primeiros países a assinar o Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. O jornal Diário de Notícias entrevistou Catarina Albuquerque sobre o trabalho a favor da assinatura do pacto e seu significado.
A jurista portuguesa Catarina Albuquerque, de 39 anos e a atual perita da ONU para o direito à água, terá razões para sorrir no dia da assinatura do pacto, pois "obrigou" o mundo a confirmar que o acesso à alimentação, à água, à saúde, à educação e ao trabalho são direitos fundamentais. Ela negociou e redigiu o novo tratado de direitos humanos e, sobretudo, acredita que ele fará a diferença na vida das pessoas mais desfavorecidas.
Confira abaixo trechos selecionados pelo Vermelho da entrevista realizada pelo jornal português Diário de Notícias com Cristina Albuquerque:
A assinatura, na próxima semana, do Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais é o virar de uma página na história dos direitos humanos e da humanidade?
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em 10 de Dezembro de 1948, consagra a igualdade entre os direitos civis e políticos (como o direito à liberdade de expressão, de religião e de consciência, o direito de acesso à justiça e ao voto) e os direitos econômicos, sociais e culturais (por exemplo o direito à educação, à segurança social, ou aos cuidados de saúde).
Na altura em que os países se preparavam para negociar uma convenção de direitos humanos que desenvolvesse as obrigações da Declaração estava a Guerra Fria e a oposição entre os blocos de leste e ocidental no seu auge. Consequentemente, foram adotados dois tratados – um sobre direitos civis e políticos, apoiado pelo Ocidente, e um sobre direitos econômicos, sociais e culturais, que eram vistos como "direitos comunistas", e que foi apoiado pelo bloco de Leste.
Os "direitos comunistas" são os chamados direitos básicos de subsistência?
Sim, é o direito à alimentação, ao trabalho, à habitação, à segurança social, à protecção da família, a uma vida condigna, entre outros. Durante a Guerra Fria estes direitos foram desvalorizados pelo Ocidente por comparação com os direitos civis e políticos, que eram os direitos do "mundo livre".
O bloco comunista defendeu aqueles direitos até à queda do muro de Berlim, até à Perestroika. O que aconteceu, foi que, de certa forma, após a derrocada do comunismo os direitos econômicos, sociais e culturais ficaram órfãos.
Como é que o protocolo vai tornar mais igual o que já nasceu igual?
Com o protocolo, vamos fechar um ciclo. Vai ficar claro que uma violação do direito à alimentação é tão grave como uma situação de tortura. Desde 1966 que é possível que os cidadãos vítimas de violação dos direitos civis e políticos apresentem queixas contra o seu Estado na ONU.
A partir de agora também poderão apresentar queixas por violação dos direitos econômicos, sociais e culturais. É um passo enorme, é um passo gigantesco que muitas pessoas que trabalham na área dos direitos humanos pensavam que nunca seria dado – tal é a oposição que existe por parte de alguns estados.
E agora qual é a natureza da resistência?
Sobretudo a ignorância. Diz-se que a realização dos direitos sociais, econômicos e culturais é muito cara, que obriga a um grande aumento da despesa pública. E faz-se a comparação com a garantia dos direitos civis e políticos, e diz-se que estes são baratinhos. Mas isto é mentira.
Para garantirmos a inexistência de tortura nas nossas prisões é preciso dar formação aos guardas prisionais e para isto é preciso investimento. E para garantirmos o direito à justiça e a um processo justo não se gasta dinheiro em tribunais, juízes e oficiais de justiça?
O direito ao voto, e vamos ter um ato eleitoral no próximo domingo (em Portugal) e outro daqui a duas semanas, também custa muito dinheiro ao erário público e é um investimento de que ninguém pode prescindir…
Precisamente. Não podemos consentir a propagação da ideia de que os direitos civis e políticos não têm custos econômicos. Têm-nos e o Estado assume-os e bem. Os direitos sociais, econômicos e culturais são igualmente direitos fundamentais e por isso exigem idênticas garantias.
Na maioria dos países do hemisfério norte os direitos à habitação, educação, saúde, alimentação, podem parecer tão básicos que até se estranha que tenham oponentes na ONU.
Há países que, grosso modo, até realizam esses direitos mas que persistem em chamar-lhes aspirações. Mas não, são direitos. E a diferença é que se forem direitos eu posso ir reclamá-los em tribunal, pois tenho o direito que o governo o realize e não estou à mercê da caridadezinha nem solidariedadezinha seja de quem for. E a existência do mecanismo de queixas a nível internacional vai impulsionar a apresentação de queixas de cidadãos a nível nacional por causa da violação dos seus direitos e, no caso de não obterem justiça, levarão os casos às Nações Unidas.
Na prática, o que é que vale uma queixa na ONU?
Se me pergunta se a decisão da ONU tem caráter vinculativo a resposta é não. Mas tem certamente um peso político enorme. E os Estados têm tendência – pelo menos aqueles com democracias mais bem estabelecidas e sociedades civis mais atentas – a dar seguimento às decisões e recomendações da ONU no âmbito de queixas.
O protocolo que vai ser assinado é o resultado de quanto tempo de trabalho?
A ideia do protocolo começou a ser avançada em 1991. Houve uma longa travessia do deserto. Eu fui eleita em 2004 para presidir às negociações e estas foram concluídas em 2008. Demorei nove meses a negociar o texto do protocolo.
Se fosse uma competição estava no primeiro lugar do pódio pois negociou e depois redigiu um tratado num tempo recorde, ao contrário do que é comum na ONU. Qual foi a sua fórmula?
A sério que não sei. [Risos]. Os egípcios, que presidiam ao grupo africano, diziam que o meu truque era fazer sorrisos e dizer que sim… E depois fazer o que queria! Acho que tive muita sorte e transformei as desvantagens iniciais a meu favor.
O fato de ser nova, mulher, branca e europeia eram desvantagens, mas houve uma série de circunstâncias que foram uma valia. O fato de ser portuguesa, de ter capacidade para fazer pontes, de me sentirem próxima de África e da América Latina, sendo europeia permitiu-me ganhar a confiança dos diplomatas na ONU.
Todos os países querem sentir que o seu pensamento está refletido no texto.
Nem mais, querem sentir que os seus pontos de vista e as suas preocupações estão refletidos no texto final. Cada país, cada governação quer sentir-se importante. É preciso muito tempo. E o que é que eu fazia? Entre as reuniões do grupo de trabalho ia para Genebra bater à porta dos vários embaixadores e falar com eles.
Ouvi-los individualmente fá-los sentirem-se importantes. Depois, também organizei reuniões regionais, para que cada região do globo se sentisse um bocadinho pai e mãe do processo e aqui as posições dos países mudaram bastante. Passaram a sentir-se co-responsáveis pelo tratado. E acabaram por estar empenhados em que a coisa resultasse. Na brincadeira eu dizia que os diplomatas também gostam de finais felizes!
Chegou a coordenar reuniões onde a maioria dos participantes eram homens oriundos de países que menosprezam os direitos das mulheres. Alguma vez se sentiu desconsiderada?
Com certeza! Disseram-me coisas que nunca me diriam se eu tivesse 60 anos, cabelo branco e fosse homem. [Risos].
E o que fazia?
Fazia-me de parva. No primeiro ano ouvi os maiores impropérios. Tinha 33 anos, estava rodeada de embaixadores de 60, 65 anos e vindos de países que não são respeitadores dos direitos das mulheres. Em salas com quinhentas pessoas sentadas, interrompiam a reunião, pediam pontos de ordem. No princípio até o fato de ser portuguesa foi complicado por causa de uma antiga colónia nossa que dizia que o seu estado de subdesenvolvimento se devia ao colonialismo.
Foi Angola?
Sim.
Fala com muita expressividade, entusiasmo e espontaneidade. Tinha o mesmo registro nas reuniões?
Sempre. Depois do protocolo ser adotado cada país tem de fazer um discurso e faz parte da etiqueta dirigir umas palavras ao presidente, neste caso à presidente. E aí os mais céticos disseram que no princípio desconfiavam, mas que me viam tão otimista, sempre com um sorriso estampado na cara, que se convenceram que tudo estava a funcionar e que o protocolo seria inevitável. A verdade é que eu punha sempre um ar muito seguro mas estava cheia de receio que as coisas não funcionassem.
Tinha pouca experiência mas acreditava no que estava a fazer…
Olhando para trás, penso que não tive muita consciência do que se passava e dos problemas com que iria deparar-me. Olhe esta: eu queria tirar conclusões e fazer recomendações do trabalho do primeiro ano e os estados-membros proibiram-me (os EUA e a Rússia bloqueram o consenso). Tive de ir sozinha à Comissão dos Direitos Humanos da ONU apresentar as minhas recomendações, o que me colocava numa posição muito mais fraca do que se as recomendações tivessem saído do grupo de trabalho.
Mas consegui que elas fossem aprovadas! Acho que simplesmente acreditava (e acredito) piamente que o protocolo pode ser uma ferramenta fantástica com o potencial de mudar as vidas das pessoas!!! De pessoas que talvez hoje nem sequer saibam o que é o protocolo!
Nunca pensou desistir?
Acreditei sempre que o resultado ia ser uma coisa boa, mas a dada altura defini o meu limite. Aconteceu quando os estados ocidentais quiseram salvaguardar o poder de decidir quais as queixas que viriam a aceitar.
Se se tivesse concretizado, uns aceitariam queixas sobre violação do direito aos cuidados de saúde, outros sobre violação do direito à alimentação, outros sobre água, outros sobre segurança social, etc. E eu, entre duas sessões do grupo de trabalho, pensei e perguntei a mim mesma se aquilo era uma solução. Concluí que não era. Se eu tivesse o azar de o meu problema ser o direito à educação e não o direito à saúde e vivesse num país que só aceitasse queixas sobre saúde não podia fazer nada.
Como é que resolveu esse impasse?
Trabalhei e investi tanto que comecei a ganhar credibilidade. Acreditar no que se está a fazer é meio caminho andado para convencer os duzentos estados membros das Nações Unidas.
O protocolo mereceu o consenso de todos os países?
Sim, nem os EUA quebraram o consenso, o que é quase um milagre. Aprovaram o protocolo e depois fizeram uma declaração a dizer que os direitos sociais, econômicos e culturais são aspirações.
O texto do protocolo permite diferentes interpretações?
O protocolo é muito bom, mas permite entendimentos um pouco diferentes. Prevê uma coisa que não existe para os direitos civis e políticos: em caso de violação grave e sistemática de um direito num determinado país, o Comitê tem poder para se deslocar ao país para investigar a situação. É o Comitê que toma a iniciativa com base no mecanismo do inquérito e para situações mais graves é fundamental.
A alimentação é um direito humano fundamental e a habitação igualmente. Significa que devem ser garantidos independentemente do esforço dos cidadãos?
Não. Ainda há pouco me fizeram essa pergunta a propósito do direito à água. Há quem diga que se é direito humano deve ser gratuita. Mas não. Ser direito humano obriga os estados a adotarem medidas com vista à realização progressiva do direito, dentro dos recursos financeiros disponíveis.
Também quer dizer que nenhum cidadão pode ser privado do exercício desse direito por falta de dinheiro. É por isso que pagamos os alimentos que compramos nos supermercados, a água que consumimos em casa, o apartamento em que habitamos, até os cuidados de saúde e as prestações sociais. No dia em que não conseguirmos pagar, o Estado tem de nos substituir e garantir a realização desse direito. É essa a diferença entre direitos humanos e caridade (ou solidariedade)!
Os números assustam. Um bilhão de pessoas não tem acesso a água segura para beber e todos os dias morrem quase cinco mil crianças por ingestão de água contaminada.
Crianças com menos de cinco anos… E 443 milhões de dias de aulas que se perdem todos os anos por doenças causadas pela água. E em certas regiões cerca de vinte por cento das moças deixam de ir à escola quando estão menstruadas porque têm vergonha de partilhar os banheiros com os rapazes. Precisamente porque não há banheiros separados por sexo.
Nos países da África subsariana o produto interno bruto perdido devido a doenças com origem na água é superior à ajuda pública ao desenvolvimento que recebem dos países industrializados. É uma crise de proporções por nós, ocidentais, inimagináveis.
Se pensarmos que por detrás dos números estão pessoas…
Uma boa deixa para falar de direitos humanos e para os distinguir de desenvolvimento humano. Não basta garantir o cumprimento dos objetivos do desenvolvimento do milénio, que apostam em reduzir em cinquenta por cento o número de pessoas que não têm acesso à água e saneamento. É bom mas não basta.
É que os cinquenta por cento que continuam a não ter acesso são sempre os mesmos: as pessoas mais pobres, com deficiência, que habitam em zonas rurais, os imigrantes, as crianças, os refugiados e indígenas. Os direitos humanos obrigam a prestar atenção aos grupos mais vulneráveis e o grande desafio que se coloca aos estados é corrigir este desequilíbrio. Para os direitos humanos cada pessoa é importante!
Numa sessão da ONU chegou a citar um artigo do British Medical Journal…
É muito importante. É a ciência a demonstrar que entre antibióticos, vacinação, anestesia, descoberta do DNA, para o progresso da medicina, mais importante do que tudo isto foi o saneamento.
Está a cumprir o primeiro ano de mandato, dedicado ao saneamento, e o próximo terá como tema o setor privado. Que mensagem quer transmitir?
Não sei ainda, é muito cedo. Vou olhar para a privatização dos serviços de abastecimento de água para entender a sua legalidade na perspetiva dos direitos humanos. Os direitos humanos não são contra a privatização, desde que se garanta o acesso quer em termos físicos mas também econômicos.
E o Estado tem de regulamentar a ação dos privados. E estes, que responsabilidades têm? Que responsabilidades tem a indústria hoteleira, de restauração, de telecomunicações e outras no acesso ao direito à água.
E o tema do terceiro ano será…
Seria um erro defini-lo já. Há dois temas que já estou a investigar – as alterações climáticas e as boas práticas em matéria de acesso à água e saneamento. Em outubro, virão a Portugal especialistas de todo o mundo para debater estas matérias.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
China vai alargar cooperação com Cabo Verde
O novo estádio nacional de Cabo Verde com capacidade para 20 mil espectadores vai ficar situado no zona de Monte Vaca, arredores da Cidade da Praia.
O embaixador chinês Li Chunhua falava aos jornalistas no final da sua primeira reunião de trabalho com o primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, desde que apresentou cartas credenciais, em Agosto.
A China vai apoiar projectos de desenvolvimento de infra-estruturas em Cabo Verde, nomeadamente de habitação social, energia, fabrico de cimentos e recuperação dos estaleiros navais Cabnave, num total superior a 240 milhões de dólares.
Da carteira de projectos constam a construção de habitação social nas ilhas de Santiago, S. Vicente, Boa Vista, Maio e Sal, que irá beneficiar de um financiamento de cerca de 100 milhões de dólares.
Entre os projectos bilaterais estão ainda a cimenteira de S. Cruz, avaliada em 65 milhões de dólares, bem como a recuperação dos estaleiros da Cabnave, que deverá custar entre 60 a 65 milhões de dólares.
Igualmente contemplada é a renovação da central eléctrica (Praia), projecto avaliado em 10 milhões de dólares.
No final do ano passado, a China e Cabo Verde assinaram um conjunto de acordos avaliados em 23 milhões de dólares, que contemplam o financiamento do Estádio Nacional, e construção da nova Maternidade e Central de Urgências do arquipélago.
O sector portuário e aduaneiro foi também apoiado, com a aquisição de três scanners, a serem instalados nos portos da Praia (Santiago), Porto Grande (São Vicente) e Palmeira (Sal).
A China é responsável pelas obras de ampliação do Centro de Consultas Médicas e da Maternidade do Hospital Agostinho Neto, na Cidade da Praia, e tem uma equipa de oito médicos chineses a trabalhar no arquipélago, o 13º grupo enviado em missão ao país.
A nível da Educação, a China está a concluir as obras de duas escolas no interior de Santiago e, em Agosto último, 25 alunos cabo-verdianos partiram para Pequim com bolsas de estudo do governo chinês para continuar os estudos.
A China apoia também o sector das pescas, estando neste momento e, por um período de um ano, no Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas, em São Vicente, uma equipa formada por três especialistas a trabalhar no desenvolvimento de um plano estratégico para a implementação da aquacultura e piscicultura em Cabo Verde.(macauhub)
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
China apoia desenvolvimento de infra-estruturas em Cabo Verde
Para o efeito, o governo de Cabo Verde, que aspira a tornar-se numa das zonas económicas especiais da China em África, assinou na semana passada com o novo representante diplomático de Pequim no arquipélago um acordo para a criação de uma Comissão Conjunta de Cooperação Económica, Comercial e Técnica.
Segundo refere nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades de Cabo Verde, o acordo tem em vista o “estabelecimento de um mecanismo regular de diálogo de desenvolvimento e cooperação, consubstanciado num instrumento programático de cooperação que engloba empréstimos sem juros, comerciais e projectos de investimento”.
Da carteira de projectos, adianta, constam a construção de habitação social nas ilhas de Santiago, S. Vicente, Boa Vista, Maio e Sal, que irá beneficiar de um financiamento de cerca de 100 milhões de dólares.
Entre os projectos bilaterais estão ainda a cimenteira de S. Cruz, avaliada em 65 milhões de dólares, bem como a recuperação dos estaleiros da Cabnave, que deverá custar entre 60 a 65 milhões de dólares.
Igualmente contemplada é a renovação da central eléctrica (Praia), projecto avaliado em 10 milhões de dólares, segundo a nota do governo cabo-verdiano.
Paralelamente, o ministro cabo-verdiano dos Negócios Estrangeiros, José Brito e o novo embaixador chinês no país, Li Chunhua, assinaram um acordo visando a promoção do intercâmbio entre jovens cabo-verdianos e chineses.
No final do ano passado, a China e Cabo Verde assinaram um conjunto de acordos avaliados em 23 milhões de dólares, que contemplam o financiamento do Estádio Nacional, e construção da nova Maternidade e Central de Urgências do arquipélago.
O sector portuário e aduaneiro foi também apoiado, com a aquisição de três scanners, a serem instalados nos portos da Praia (Santiago), Porto Grande (São Vicente) e Palmeira (Sal).
A empresa portuária de Cabo Verde (Enapor) tem vindo a procurar investidores chineses para a expansão do Porto Grande do Mindelo, na ilha de S.Vicente, projecto de 324 milhões de dólares que visa sextuplicar, até 2030, a movimentação de cargas da infra-estrutura, maior do género no arquipélago.
O objectivo é que 100 por cento do capital seja de origem privada, embora se admita um modelo de investimento misto.
O modelo de operação pode passar por uma parceria público-privada (PPP), por um contrato de concessão das infra-estruturas ou por um acordo do género B.O.T. (Build, Operate, Transfer), em que no final de um período determinado, que serve para o investidor recuperar o seu investimento, as infra-estruturas revertem para o domínio público.
Dotado das melhores infra-estruturas portuárias do país, o Porto Grande dispõe de um cais de pesca, armazéns frigoríficos com capacidade de 6.000 toneladas, além de um terminal de cabotagem, para carga de mercadorias e de passageiros, com 230 metros de perímetro de acostagem e uma rampa "roll-on/roll off".
As autoridades cabo-verdianas têm ainda procurado capital chinês para o processo de privatização e de recuperação dos Estaleiros navais de Cabo Verde, que poderão vir a ser usados como base de reparação para 300 barcos chineses que operam na região, fazendo da ilha de São Vicente uma base de processamento de pescado.
O processo tem sido seguido de perto pela CNFC, grupo chinês de promoção da pesca, agricultura, comércio e indústria, acompanhado pela Cabo Verde Investimentos (CVI). (macauhub)
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Angola/Governo prepara censo da população e habitação
Em declarações aos jornalistas no final da reunião do Conselho de Ministros, a ministra do Planeamento, Ana Dias Lourenço, disse que o Governo orientou o Instituto Nacional de Estatística (INE) a prosseguir as acções preparatórias do censo.
De acordo com a ministra, o censo da população é uma operação estatística “complexa e dispendiosa”, cuja preparação leva entre três a cinco anos. O objectivo é saber “quantos somos, onde estamos, como vivemos e quem somos”.
O OGE para 2010 deverá consagrar verbas para a preparação do processo, com custo avaliado em cerca de 100 milhões dólares norte-americanos.
Ana Dias Lourenço acrescentou que no próximo ano entrará em funções o órgão com responsabilidade para a coordenação e organização desta operação.
Os trabalhos preparatórios incluem a aprovação do pacote legislativo sobre a matéria, realização da cartografia censitária, em curso, e a preparação dos recursos humanos. (Angop)
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Moçambique investiu mil milhões de dólares nas estradas em 5 anos
De acordo com a agência noticiosa moçambicana AIM, durante aquele período foram asfaltados mais de 2500 quilómetros de estradas tendo o ministro afirmado que, por exemplo, a transitabilidade da Estrada Nacional Número Um (EN1) melhorou substancialmente, devido às intervenções realizadas nalguns troços.
Na EN1 falta reconstruir os troços Jardim-Benfica, na cidade de Maputo, cujo início está previsto para o corrente mês, Massinga-Nhachengue, em Inhambane e a estrada Xai-Xai-Chissibuca (em Gaza e Inhambane, respectivamente), cuja primeira pedra foi lançada a 29 de Abril último.
“Hoje, contrariamente aos últimos anos, a transitabilidade da EN1 melhorou substancialmente, graças aos trabalhos de reconstrução que realizámos em vários troços, alguns dos quais ainda estão em curso. A conclusão das obras vai certamente trazer um grande desenvolvimento económico às regiões onde estão a ocorrer e, nalguns casos, constitui um incentivo ao desenvolvimento do turismo em Moçambique” defendeu.
De acordo com dados da Administração Nacional de Estradas (ANE), durante o período realizaram-se 22 intervenções em igual número de troços distribuídas em 12 estradas nacionais, numa extensão de 2.019 quilómetros, incluindo 608 quilómetros da EN1.
A rede nacional de estradas de Moçambique é de cerca de 30 mil quilómetros, dos quais menos de 10 mil quilómetros são asfaltadas. (macauhub)
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Brasil/Sem terra denunciam falta de comprometimento com Reforma Agrária
20 abril 2009/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br
Da Redação
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que realiza neste mês de abril a Jornada de Lutas pela Reforma Agrária, denuncia, através de nota, a falta de comprometimento do governo federal na execução de políticas voltadas ao campo e aos trabalhadores rurais.
Segundo o movimento, ao mesmo tempo que o governo reduz os investimentos em reforma agrária, utilizando como justificativa a atual crise financeira, por conta do mesmo motivo tem aumentado a ajuda às maiores agroindústrias, que mesmo assim continuam demitindo trabalhadores em todo o país. Desde novembro de 2008, os latifúndios do agronegócio já demitiram 270 mil funcionários.
Desde o início da Jornada de Lutas foram ocupadas áreas em 15 estados e no Distrito Federal. Com as ações, o MST exige o assentamento de 100 mil famílias acampadas.
Dentre as ações realizadas, foi ocupada a Fazenda Balame, em Pernambuco, pertencente à família de José Cordeiro de Santana, conhecido como Zé de Riva, condenado em 2002 como mandante do assassinato do Cacique Xicão Xukuru, liderança indígena reconhecida internacionalmente por sua luta pela retomada das terras tradicionais do povo Xukuru, assassinado no município de Pesqueira em 1998.
Na Fazenda Espirito Santo, em Eldorado dos Carajás (PA), do banqueiro Daniel Dantas, ocupada desde fevereiro, pistoleiros balearam 9 sem terra e mantiveram reféns três integrantes do MST que retornavam das mobilizações em torno do Massacre de Eldorado dos Carajás, realizadas na Curva do S, para o acampamento, conforme apontado pelo movimento.
Na última semana, de 12 a 19 de abril, o MST intensificou a realização de ocupações em todo o país, em torno da memória dos 19 sem terra assassinados pela Polícia Militar do Pará, no Massacre de Eldorado de Carajás, em 17 de abril de 1996.
Confira abaixo nota do MST sobre o posicionamento do governo federal frente à questão da Reforma Agrária:
BALANÇO DA POLÍTICA AGRÁRIA DO GOVERNO FEDERAL
Estamos fazendo mais uma jornada de lutas para cobrar do governo federal a realização da Reforma Agrária e debater com a sociedade sobre a situação dos trabalhadores rurais, da agricultura e da gravidade da crise no campo. Realizamos ocupações, marchas e protestos em 15 estados e no Distrito Federal. Abaixo, apresentamos um balanço político da situação atual da política agrária do governo federal, que demonstra um retrocesso, inclusive em relação a anos anteriores.
Os latifúndios do agronegócio já desempregaram 270 mil trabalhadores assalariados, desde novembro de 2008. As 20 maiores agroindústrias desempregaram quase 100 mil operários de suas fábricas. Mesmo assim, continuam recebendo apoio governamental, enquanto trabalhadores rurais pobres do campo ficam em segundo plano.
1. Os recursos para desapropriação, aprovados no orçamento de 2009, eram de R$ 957 milhões e foram cortados ‘em função da crise’. Eles foram reduzidos em 41%, baixando o orçamento para R$ 561 milhões. Segundo o Incra, com essa redução será possível assentar apenas 17 mil famílias e não mais 75 mil, meta anteriormente prevista pelo governo para o ano de 2009.
2. Os recursos aprovados para assistência técnica das famílias assentadas, previstos para 2009, eram de R$ 224 milhões, mas foram reduzidos para R$135 milhões. Redução também de 41%.
3. Para o Pronera, programa de educação nas áreas de Reforma Agrária, os recursos aprovados para 2009 - eram de R$ 69 milhões - foram cortados em 62%, baixando para apenas R$ 26 milhões. Além disso, o Incra não consegue garantir formas de remuneração para os professores nas áreas rurais. Vários cursos já conveniados com universidades em todo país, e alguns já iniciados, foram interrompidos por falta de recursos!
4. O Incra vem usando índices de produtividade, que fixam os parâmetros necessários para desapropriação das áreas, com dados de produção ainda de 1975, totalmente defasados, o que dificulta classificar as fazendas como improdutivas. Em maio de 2005, o governo federal se comprometeu, perante a Marcha Nacional dos Sem Terra a Brasília, a atualizar os índices e publicá-los em algumas semanas. Em 2005, o Incra e o MDA atualizaram a portaria, mas até hoje ela não foi editada. A lei agrária determina que os índices sejam atualizados a cada cinco anos. É urgente que eles sejam atualizados com os dados do censo agropecuário de 2006, e se publique nova portaria.
5. Ano passado, propusemos e foi acordado com o governo, a liberação de R$18 mil por família para o programa de habitação rural a ser implementado em 2009, para a construção e reformas de moradias no campo. Pela primeira vez, tínhamos um programa consolidado de habitação para o meio rural. Soubemos, porém, que os recursos foram baixados para R$10, 6 mil reais por família neste ano. Perguntamos: alguém consegue construir uma casa com R$10 mil?
6. O governo havia se comprometido a garantir a assistência técnica para todas as famílias assentadas, e até fez propaganda disso. Nas negociações, ficou claro que por causa do corte de 41%, o Incra não tem condições de pagar sequer os trabalhos já realizados em meses passados pelos agrônomos e até hoje não pagos. Não vai honrar convênios já assinados com entidades, e não tem previsão de como será a assistência técnica no futuro. Isso vai prejudicar a realização dos projetos para acessar ao crédito do Pronaf, que terá início em julho. Até o final de março de 2009, nenhum centavo havia sido liberado para assistência técnica de projetos contratados em 2008.
7. O governo se comprometeu, na chegada da marcha a Brasília em maio de 2005, a abrir uma linha de crédito para financiamento especial de agroindústrias em assentamentos. Nossa demanda é de R$150 milhões, mas apenas R$ 20 milhões estão assegurados para os próximos dois anos. Há, porém, um processo de negociação em aberto com o BNDES para expandir esse valor. Por outro lado, o governo liberou R$12 bilhões via Banco do Brasil e BNDES como socorro de capital de giro para as 20 maiores agroindústrias do país, que estão em crise e já demitiram quase 100 mil trabalhadores.
8. Estamos esperando, até hoje, resposta a uma proposta de programa de reflorestamento nos assentamentos e na agricultura familiar, que previa apoio para que cada família de agricultor pudesse reflorestar dois hectares de sua área. A proposta foi apresentada e aprovada pelo presidente Lula, em 2003.
9. O governo sempre se deixou influenciar pelos interesses econômicos das empresas transnacionais do agronegócio, para liberar vergonhosamente as sementes transgênicas, sem nenhum estudo sério de impacto ambiental e de saúde. Na fila da CTNBio estão novas licenças de arroz, milho etc., e sempre alegaram não haver nisso problema nenhum. Nesta semana, porém, um juiz do Rio Grande do Sul aceitou uma demanda dos agricultores gaúchos contra o pagamento de royalties para a Monsanto. Além disso, o governo da Alemanha proibiu em seu território o cultivo da soja roundup, da Monsanto. No ano passado, o governo liberou três variedades de milho transgênico da Bayer, Syngenta e Monsanto. A produção de sementes de milho transgênico estava proibida. Assim que liberaram, milagrosamente em apenas uma safra, as empresas forneceram sementes para atender 40% da demanda. Isso terá um impacto futuro na agricultura familiar destruidor, como já aconteceu no México.
10. O governo enviou ao congresso a Medida provisória MP 458, que define novos critérios e praticamente legaliza todas as terras públicas griladas na Amazônia, em até 1500 hectares por pessoa. Isso demonstra um claro abandono da Reforma Agrária, pois, ao invés de exigir a imediata arrecadação pela União das terras acima de 15 módulos fiscais e sua destinação para o Incra, designa estas áreas para licitação, com direito de preferência para o atual grileiro! Portanto, está consumada a regularização do grilo, além de sucatear a já famigerada autarquia, porque vai transferir técnicos, diretores e demais estruturas do Incra para o projeto de regularização. Segundo denunciaram todas as entidades envolvidas no Fórum Nacional de Reforma Agrária a proposta da MP 458 tem clara afronta a preceitos constitucionais que devem ser contestados no STF.
11. Está parado na Câmara dos Deputados um projeto de lei que determina a desapropriação de todas as fazendas onde foram encontrados trabalhadores em situação análoga à escravidão. A lei já foi aprovada no Senado Federal. Mas, por articulações políticas dos ruralistas, o governo se rendeu e não mobilizou sua base para aprová-la. Enquanto isso, a Polícia Federal continua libertando pessoas que vivem em condições de trabalho escravo nas fazendas e já registrou que 58% das fazendas são reincidentes.
17/04/2009
SECRETARIA NACIONAL DO MST
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/sem-terra-denunciam-falta-de-comprometimento-com-reforma-agraria
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Seminário internacional debate em Curitiba caminhos do Brasil com a crise
8 de dezembro 2008/Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br
Curitiba - O que está acontecendo com o Brasil? O país está no caminho certo? Essas e outras questões serão debatidas de hoje (8) a quinta-feira no seminário internacional Crise – Rumos e Verdades, promovido pelo governo do Paraná. Cerca de 600 pessoas se cadastraram para o encontro, que pretende chegar a novas propostas para enfrentar a crise. Estão previstas 30 palestras de economistas, professores e administradores brasileiros e da Itália, Inglaterra, Alemanha, China, Argentina, Venezuela, México, Rússia, Equador e Estados Unidos.
Segundo o governador do Paraná, Roberto Requião, que abriu o evento na noite de ontem (7), o governo federal liberou depósitos compulsórios para os bancos, que não liberam crédito para a economia. “Em vez disso, aplicam o dinheiro em letras do Tesouro. Então, já temos uma crise de crédito, além de um problema brutal de saída de recursos. Pois, se os dólares e outras moedas continuam entrando, já acumulamos um prejuízo de US$ 7 bilhões no balanço de entradas e saídas, segundo o governo federal”.
Na pauta do seminário, discussões sobre a economia mundial, crise e poder mundial; crise e integração sul-americana; crise e projeto nacional, qual é o projeto que o Brasil possui, a crise e o sistema financeiro mundial: o papel da China, dos Estados Unidos, da Rússia e da Índia. Crise e Brasil. De acordo com o governador, ao contrário do que pode parecer, não é uma discussão sobre o Brasil, é sobre os projetos nacionais, é a globalização versus Estado-nação.
O presidente da indústria de eletro-eletrônicos Gradiente, Eugênio Staub, um dos palestrantes da abertura do seminário, defendeu a manutenção do crédito da habitação, a redução da taxa de juros e de impostos e a manutenção de investimentos como medidas necessárias para o Brasil não reduzir o ritmo do crescimento econômico durante a crise do capitalismo global.
Para o economista Carlos Lessa, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a crise financeira que o mundo atravessa é a crise da superestrutura financeira criada ao longo de 25 anos. Lembrou que o mercado financeiro movimenta 130 trilhões de dólares em ativos primários e outros prováveis 540 trilhões de dólares em derivativos financeiros. “É um volume assustadoramente descolado da riqueza acumulada pela economia real — a soma dos Produtos Internos Brutos de todos os países soma apenas 60 trilhões de dólares”.
As pessoas que quiserem fazer perguntas pelo telefone e por e-mail aos debatedores contam com o apoio de economistas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) e da Secretaria de Planejamento e Coordenação. Estão disponibilizadas dez linhas telefônicas com ligações gratuitas. O atendimento é feito por estudantes, que repassam as perguntas aos técnicos e estes encaminham as dúvidas aos debatedores.
O seminário está sendo transmitido ao vivo pela TV e pela Rádio Paraná Educativa No último dia do evento, serão publicadas as despesas e o valor da contribuição de cada órgão que participou do seminário.
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/12/08/materia.2008-12-08.3421971291/view
sábado, 27 de setembro de 2008
Moçambique/Estradas rurais : SADC procura alternativas
Especialistas de estradas da região austral de África partilharam experiências em Maputo, num encontro de três dias que serviu para debaterem o uso de tecnologias de baixo custo para o revestimento de estradas rurais e com fraca densidade de tráfego, para as quais tem sido difícil mobilizar financiamento, pese embora se reconheça o seu papel para o desenvolvimento dos distritos.
27 setembro 2008/Notícias
O Vice-Ministro das Obras Públicas e Habitação, Gabriel Muthisse, disse a propósito que esta é mais uma oportunidade para o país, atendendo a que um dos desafios do Governo é assegurar a transitabilidade das estradas rurais todo o ano, facto que até aqui não é conseguido devido a vários constrangimentos.
Com efeito, na época das chuvas a acessibilidade a alguns pontos do país torna-se difícil devido ao estado do piso, facto que requer sucessivos investimentos na sua manutenção, o que regra geral tem que acontecer depois da época chuvosa.
Segundo Muthisse, as dificuldades que Moçambique enfrenta na provisão de acesso rural são em grande medida semelhantes às de muitos outros países da região, daí a procura conjunta de soluções tecnológicas mais adequadas que rentabilizem os poucos recursos que são alocados ao sector. A ideia é que a troca de experiências resulte na provisão de estradas duradoiras e sustentáveis, de modo a contribuir para o desenvolvimento socioeconómico dos países.
O vice-ministro defendeu que a provisão de estradas com revestimento de baixo custo é, em termos de engenharia, um assunto que requer contínua reflexão, porque envolve práticas não convencionais e o uso de materiais disponíveis localmente, que muitas vezes não vão de acordo com as especificações. A vantagem é a redução dos custos de transporte, o aumento dos benefícios sociais e a diminuição dos impactos ambientais e dos problemas de segurança rodoviária.
Na óptica do vice-ministro das Obras Públicas e Habitação, é imperioso que as soluções técnicas a serem desenvolvidas sejam doradouras e menos dispendiosas.
“Sabemos que grandes esforços estão sendo feitos pelos nossos países na investigação de soluções técnicas adequadas, mas estamos conscientes de que muito há ainda por fazer”, sublinhou.
Neste contexto, existem no país algumas experiências piloto de manutenção de estradas de baixo custo, nomeadamente nas províncias de Cabo Delgado (260 quilómetros de vias rurais), Inhambane (276km), Niassa e Sofala, que permitiram a redução do tempo de viagem e o melhoramento do padrão de segurança rodoviária.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Premiê luso se reúne com Chávez pela 3ª vez em oito meses
Lisboa, 23 julho 2008 (Lusa) - O primeiro-ministro português, José Sócrates, recebe o presidente venezuelano, Hugo Chávez, no final da tarde desta quarta-feira (hora de Lisboa), em encontro em que devem ser assinados acordos bilaterais, em especial nos campos das obras públicas, habitação e energia.
Este será o terceiro encontro entre Sócrates e Chávez em menos de oito meses. Chávez foi a Portugal em novembro de 2007, visita retribuída por Sócrates em maio deste ano.
O presidente venezuelano, agora, regressa a Lisboa, onde estará até quinta-feira. A passagem pelo país é parte de um périplo europeu que já o levou a Rússia e Belarus.
Antes de partir para a Espanha, na quinta-feira, Hugo Chávez fará uma homenagem a Simón Bolívar em praça de Lisboa com o nome do personagem da história latino-americana e terá um encontro com empresários portugueses.
Negócios
Um dos acordos em preparação entre os dois governos é a ampliação do porto de La Guaíra - infra-estrutura visitada por Sócrates em maio e que é um dos principais pontos de abastecimento à capital venezuelana.
De acordo com a carta de intenções assinada em Caracas durante a visita do primeiro-ministro português, um consórcio liderado pela Teixeira Duarte deve ganhar uma obra de 415 milhões de euros, cujos trabalhos de construção devem começar no curto prazo.
A Teixeira Duarte está ainda envolvida em projetos de construção da barragem de Duas Bocas e de obras hidráulicas auxiliares, estimadas em cerca de 190 milhões de euros.
Empresas portuguesas também devem construir casas populares em centros urbanos venezuelanos.
No campo da energia eólica, a EDP vai dar apoio técnico aos trabalhos da petrolífera venezuelana PDVSA no Caribe. Além disso, a empresa lusa fecha acordo para a liquefação e posterior comercialização de gás com a estatal venezuelana.
O presidente venezuelano também já mostrou interesse em levar para seu país o programa do governo português "e.escolas". O projeto foi lançado em setembro e permite a alunos comprarem computadores com acesso à banda larga a preços competitivos.