Mostrando postagens com marcador transgênico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador transgênico. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

DESGOVERNO MUNDIAL TOTALITÁRIO



20 agosto 2013, Coluna de Adriano Benayon, Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)

01. Estamos diante de mudança qualitativa na situação mundial, tanto no plano econômico como no político.

02. Depressão, desemprego crescente, concentração e financeirização absurdamente elevadas - incompatíveis sequer com o pouco que restava do estado de direito - têm levado ao Estado totalitário, cujas instituições aplicam meios e armas tecnológicas, nunca dantes vistas, para desinformar, espionar e reprimir as pessoas.

03. Poucos países, como Rússia, China e Irã, não se comportam como capachos do império angloamericano, sofrendo, por isso, pressões militares, políticas e constante campanha denigridora, apesar de com ele colaborarem em muitos terrenos e questões

terça-feira, 9 de julho de 2013

WebTV da Via Campesina dá visibilidade às lutas e conquistas da população camponesa global



8 julho 2013, ADITAL Agência Frei Tito para a America Latina http://www.adital.com.br (Brasil)

Lançada no mês de março pelo movimento internacional Via Campesina, defensor da agricultura sustentável em pequena escala como um modo de promover a justiça social e a igualdade, a Via Campesina TV se consolida como um novo espaço de comunicação que dá visibilidade às lutas e conquistas da população camponesa global, em favor da soberania alimentar, sementes crioulas, luta pela terra, água e em defesa da vida.

A WebTV surgiu em meio às comemorações dos 20 anos de luta da Via Campesina,

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Ecuador/Confirmado: Ecuador es país libre de semillas de maíz transgénico



24 abril 2013, Rebelión http://www.rebelion.org (Mexico)
Tegantai

Acción Ecológica, la Red por una América Libre de Transgénicos (RALLT) y la Coordinadora de Defensa del Manglar (CCONDEM) confirmaron que el Ecuador es país libre de semillas de maíz transgénico. Esta aseveración la fundamentan en el estudio realizado en 15 provincias del país, en las que se tomaron más de 400 muestras de variedades de maíz criollo, industrial e híbridos en los dos últimos años.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Paraguai/Entidades de Direitos Humanos falam sobre o impacto dos transgênicos

(ADITAL) Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
26 agosto 2010 ADITAL htpp://www.adital.com.br


Tatiana Félix *

Adital - Uma intensa mobilização de entidades ambientalistas aconteceu ontem (25), no Paraguai, com o objetivo de apresentar para a sociedade os impactos negativos do monocultivo de grãos transgênicos como a soja e o milho. Segundo as entidades, este tipo de cultivo afeta, diretamente, os direitos humanos das comunidades campesinas e indígenas, e, também o de toda a população. Na ocasião também foi lançada a campanha nacional "Paraguai livre de milho transgênico".

A análise foi apresentada pela Associação de ONGs do Paraguai (POJOAJU), a Coordenadora de Direitos Humanos do Paraguai (CODEHUPY) e a Rede Rural de Organizações Privadas de Desenvolvimento (REDE RURAL). Eles afirmaram que "todos os produtos com manipulação genética estão destinados a aumentar os biocombustíveis, afetando a ecologia, a economia, o ambiente, mas, não estão destinados a superar a falta de alimentos da população mundial".

Os manifestantes exigiram ainda o cumprimento das obrigações assumidas pelo governo do país, que implicam na adoção de um modelo produtivo e de desenvolvimento que garanta a inclusão e os direitos de todos os grupos sociais do país.

No último dia 17, as instituições divulgaram um comunicado retratando a situação atual e os efeitos do cultivo do milho transgênico no Paraguai. Segundo observam, este cultivo pode trazer riscos para não só para o meio ambiente e agricultura, mas, também para a saúde humana.

O apelo das ONGs é pela destruição do milho geneticamente modificado tolerante ao glifosato, sob alegação de que o cultivo desta semente não é permitida no território nacional. "Os milhos transgênicos não foram elaborados por técnicos de melhoramento genético, senão por uma tecnologia cara, imprecisa e especializada, chamada Biotecnologia, que agrega genes de outras plantas ou animais ao milho", afirmam.

De acordo com um estudo divulgado recentemente, a exposição à níveis mínimos de glifosato causa alterações severas no desenvolvimento de embriões de anfíbios. Desta forma, se confirma o prejuízo que esta substância causa tanto para a flora, fauna e seres humanos.

Além disso, é destacado que a aplicação de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) provoca danos ao equilíbrio ecológico e a biodiversidade, como, por exemplo, redução nas espécies de flora e fauna, maior contaminação da água e do solo, entre outros.

O alerta para a saúde do ser humano é que o consumo de OGMs, presentes na alimentação e nos animais que consumimos, tem efeitos à médio e à longo prazo. Preocupa também o fato dos produtos transgênicos não serem identificados para o consumidor. Além do mais, os alimentos transgênicos causam resistência ao uso de antibióticos, quando necessário seu uso, dificultando o combate às enfermidades.

* Jornalista da Adital

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil
Para receber o Boletim de Notícias da Adital escreva a adital@adital.com.br

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Portugal/Manifestação contra arroz transgénico

18 abril 2010/Esquerda http://www.esquerda.net

No último sábado, diversos manifestantes estiveram reunidos na Praça do Rossio contra a importação e comercialização de arroz transgénico na União Europeia.

Segundo a Plataforma Transgénicos Fora, o Ministério da Agricultura deve ser chamado ainda em 2010 para votar em Bruxelas a proposta de aprovação para importação e comercialização da primeira variedade de arroz transgénico na União Europeia, o que seria também o primeiro transgénico dirigido essencialmente ao consumo humano.

Integrada no dia internacional de acção contra os transgénicos, a manifestação teve como principal foco o actual problema da tentativa de introdução de Arroz Transgénico em Portugal. Em comunicado de Imprensa a Plataforma Transgénicos Fora lembra que o nível de consumo per capita de arroz em Portugal é o mais alto da Europa e que é urgente lançar o debate público sobre agricultura transgénica.

Argumentam ainda que a introdução do arroz transgénico não é uma reivindicação dos portugueses e que a variedade em questão, LL62, nunca foi objecto de uma avaliação científica independente e que, devido à sua tolerância ao herbicida glufosinato, cada bago de arroz transgénico vai ter mais resíduos desse poluente do que qualquer outro tipo de arroz.

Advertem ainda para o facto desta eventual permissão ter como efeito um efectivo impulsionar da produção deste arroz, ainda não produzido, em países mais vulneráveis ao lobby industrial e com menos preocupações de protecção ambiental. “O arroz sem transgénicos irá tornar-se uma coisa do passado”.

Para a Plataforma Transgénicos Fora e as entidades que a compõem acreditam que só é possível salvaguardar um futuro com arroz tradicional se for chumbado o pedido da Bayer de introduzir arroz transgénico na União Europeia.

Leia o comunicado da Plataforma Transgénicos Fora
Fotos da Manifestação aqui


Leia também: “Alguém quer arroz transgénico?”

terça-feira, 16 de junho de 2009

Tratado sobre Recursos Genéticos Vegetais para Agricultura e Alimentação

Brasil Livre de Transgênicos *

12 junio 2009/Adital-Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
http://www.adital.com.br

Foi realizada na Tunísia, África, na última semana, a Terceira Sessão do Órgão Gestor do Tratado Internacional sobre Recursos Genéticos Vegetais para Agricultura e Alimentação da FAO/ONU (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).

Num lance impressionante e histórico, a delegação do governo brasileiro foi capaz de reverter o clima de impasse que reinava na reunião com relação à implementação do Art. 9 da do Tratado, que trata dos Direitos dos Agricultores.

Durante quatro dias de difíceis negociações, as delegações da Europa, da América Latina e da África enfrentaram os esforços do Canadá no sentido de impedir qualquer acordo sobre o tema.

Segundo informe produzido pelo Grupo ETC, uma das ONGs presentes à reunião, "Angola, Brasil, Equador, Holanda, Noruega e Suíça merecem reconhecimento especial por colocarem em primeiro lugar o papel crucial dos camponeses na conservação e melhoramento dos recursos genéticos das plantas."

As organizações da sociedade civil presentes no encontro tiveram um papel fundamental para garantir o avanço das negociações. E a resolução finalmente aprovada pela plenária rompeu com as práticas convencionais da ONU ao convocar as organizações de agricultores a se envolverem em cada aspecto do Tratado.

Conforme expressou Wilhemina Pelegrina, diretora da SEARICE, uma organização filipina que se dedica à defesa dos direitos dos agricultores, a resolução que foi lida pelo Brasil à meia noite de quinta-feira diante de uma plenária exausta, "apesar de ser breve em compromissos firmes e dependente de financiamento, representa um grande passo a frente em décadas de luta pelo reconhecimento e pela instrumentalização dos direitos dos agricultores na FAO".

Através da nova Resolução, o órgão gestor do Tratado, entre outros importantes pontos:

(xi) Convida cada País Parte [do Tratado] a considerar uma revisão e, se necessário, ajustar suas medidas nacionais que possam afetar a efetivação dos direitos dos agricultores de acordo com o disposto no Artigo 9 do Tratado, para proteger e promover os direitos dos agricultores;

(xiii) Solicita à Secretaria que organize oficinas regionais sobre direitos dos agricultores, na medida em que permitir o orçamento, com o objetivo de discutir experiências nacionais sobre a implementação dos direitos dos agricultores, envolvendo, de forma apropriada, organizações de agricultores e outros atores;

(xiv) Solicita que a Secretaria recolha visões e experiências submetidas pelos Países Parte e outras organizações relevantes e relatórios das oficinas regionais como base para um item da agenda para consideração do Órgão Gestor em sua quarta sessão [daqui a 18 meses], e para disseminar informações relevantes via página eletrônica do Tratado, quando apropriado; e

(xv) Aprecia o envolvimento das organizações dos agricultores na continuidade dos trabalhos, de forma apropriada, de acordo com o regimento interno definido pelo Órgão Gestor.

Mas, apesar dos inegáveis avanços, as organizações de agricultores têm ciência de que grandes lacunas restam por ser resolvidas. Como bem resumiu o informe do Grupo ETC, "ainda nos preocupa que o Tratado da FAO sobre Recursos Fitogenéticos ponha ênfase na soberania nacional, acima da conservação dos recursos genéticos e dos direitos dos agricultores. As leis nacionais de sementes podem, por exemplo, impedir ou dificultar que agricultores conservem, intercambiem e vendam suas sementes."

No caso brasileiro há duas questões objetivas que poderão ser beneficiadas pela nova Resolução.

Primeiro, é preciso lembrar que neste exato momento a Casa Civil negocia com os ministérios a substituição da atual Lei de Cultivares (9.456/97) por uma nova. Conforme relatamos no Boletim 441, as mudança propostas vão no sentido de restringir o direito ao uso próprio de sementes pelos agricultores, instituir a cobrança de royalties sobre a colheita e impor, além disso, severas penalidades aos infratores. Segundo a proposta, o período de validade das patentes também seria estendido e elas passariam a englobar todos os gêneros e espécies vegetais.

Tudo isso bate exatamente de frente com o que determina a Resolução apresentada pelo Brasil na FAO e aprovada na última semana na Tunísia.
Não seria de bom tom o governo brasileiro defender nobremente os direitos dos agricultores no âmbito do Tratado Internacional da FAO, incentivando uma lista de outros países a fazerem o mesmo, e, chegando em casa, implementar justamente o contrário, encaminhando ao Congresso um Projeto de Lei destinado a estraçalhar os direitos dos agricultores. Aliás, os direitos que ainda restam, considerando todas as restrições já impostas pela atual Lei de Cultivares e pela Lei de Sementes e Mudas (10.711/03) e seu decreto regulamentador (5.153/04).

Outro ponto diretamente relacionado ao tema é o Projeto de Lei de Acesso aos Recursos Genéticos, há anos em negociação entre sociedade civil e governo (o assunto é regulado por medida provisória desde 2001). Também neste caso, o Ministério da Agricultura tem liderado as discussões no governo e podem resultar do processo medidas que reduzam ao mínimo os direitos dos agricultores e beneficiem as grandes empresas.

Vamos esperar que a posição do Brasil brilhantemente defendida na FAO não seja para inglês ver.

Com informações de:
- Nota à imprensa do Grupo ETC, 05/06/2009.
http://www.etcgroup.org/es/materiales/publicaciones.html?pub_
id=755

- A proposta apresentada pelo Brasil pode ser consultada, em inglês, no seguinte endereço:
http://www.aspta.org.br/politicas-publicas/biodiversidade/Farmers
%20Rights%20FAO.pdf/view

Está no ar o novo boletim de áudio produzido pela Agência Pulsar e AS-PTA, neste número tratando dos projetos de lei no Congresso Nacional que pretendem acabar com a rotulagem dos alimentos transgênicos.

http://www.brasil.agenciapulsar.org/nota.php?id=4651

* Da Campanha Por Um Brasil Livre de Transgênicos

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil

Para receber o Boletim de Notícias da Adital escreva a adital@adital.com.br

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Brasil/Sem terra denunciam falta de comprometimento com Reforma Agrária

Com Jornada de Lutas pela Reforma Agrária, MST denuncia ajuda do governo às grandes empresas do latifúndio e corte nos recursos destinados ao assentamento de famílias de trabalhadores rurais em função da crise

20 abril 2009/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

Da Redação

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que realiza neste mês de abril a Jornada de Lutas pela Reforma Agrária, denuncia, através de nota, a falta de comprometimento do governo federal na execução de políticas voltadas ao campo e aos trabalhadores rurais.

Segundo o movimento, ao mesmo tempo que o governo reduz os investimentos em reforma agrária, utilizando como justificativa a atual crise financeira, por conta do mesmo motivo tem aumentado a ajuda às maiores agroindústrias, que mesmo assim continuam demitindo trabalhadores em todo o país. Desde novembro de 2008, os latifúndios do agronegócio já demitiram 270 mil funcionários.

Desde o início da Jornada de Lutas foram ocupadas áreas em 15 estados e no Distrito Federal. Com as ações, o MST exige o assentamento de 100 mil famílias acampadas.

Dentre as ações realizadas, foi ocupada a Fazenda Balame, em Pernambuco, pertencente à família de José Cordeiro de Santana, conhecido como Zé de Riva, condenado em 2002 como mandante do assassinato do Cacique Xicão Xukuru, liderança indígena reconhecida internacionalmente por sua luta pela retomada das terras tradicionais do povo Xukuru, assassinado no município de Pesqueira em 1998.

Na Fazenda Espirito Santo, em Eldorado dos Carajás (PA), do banqueiro Daniel Dantas, ocupada desde fevereiro, pistoleiros balearam 9 sem terra e mantiveram reféns três integrantes do MST que retornavam das mobilizações em torno do Massacre de Eldorado dos Carajás, realizadas na Curva do S, para o acampamento, conforme apontado pelo movimento.

Na última semana, de 12 a 19 de abril, o MST intensificou a realização de ocupações em todo o país, em torno da memória dos 19 sem terra assassinados pela Polícia Militar do Pará, no Massacre de Eldorado de Carajás, em 17 de abril de 1996.

Confira abaixo nota do MST sobre o posicionamento do governo federal frente à questão da Reforma Agrária:

BALANÇO DA POLÍTICA AGRÁRIA DO GOVERNO FEDERAL

Estamos fazendo mais uma jornada de lutas para cobrar do governo federal a realização da Reforma Agrária e debater com a sociedade sobre a situação dos trabalhadores rurais, da agricultura e da gravidade da crise no campo. Realizamos ocupações, marchas e protestos em 15 estados e no Distrito Federal. Abaixo, apresentamos um balanço político da situação atual da política agrária do governo federal, que demonstra um retrocesso, inclusive em relação a anos anteriores.

Os latifúndios do agronegócio já desempregaram 270 mil trabalhadores assalariados, desde novembro de 2008. As 20 maiores agroindústrias desempregaram quase 100 mil operários de suas fábricas. Mesmo assim, continuam recebendo apoio governamental, enquanto trabalhadores rurais pobres do campo ficam em segundo plano.

1. Os recursos para desapropriação, aprovados no orçamento de 2009, eram de R$ 957 milhões e foram cortados ‘em função da crise’. Eles foram reduzidos em 41%, baixando o orçamento para R$ 561 milhões. Segundo o Incra, com essa redução será possível assentar apenas 17 mil famílias e não mais 75 mil, meta anteriormente prevista pelo governo para o ano de 2009.

2. Os recursos aprovados para assistência técnica das famílias assentadas, previstos para 2009, eram de R$ 224 milhões, mas foram reduzidos para R$135 milhões. Redução também de 41%.

3. Para o Pronera, programa de educação nas áreas de Reforma Agrária, os recursos aprovados para 2009 - eram de R$ 69 milhões - foram cortados em 62%, baixando para apenas R$ 26 milhões. Além disso, o Incra não consegue garantir formas de remuneração para os professores nas áreas rurais. Vários cursos já conveniados com universidades em todo país, e alguns já iniciados, foram interrompidos por falta de recursos!

4. O Incra vem usando índices de produtividade, que fixam os parâmetros necessários para desapropriação das áreas, com dados de produção ainda de 1975, totalmente defasados, o que dificulta classificar as fazendas como improdutivas. Em maio de 2005, o governo federal se comprometeu, perante a Marcha Nacional dos Sem Terra a Brasília, a atualizar os índices e publicá-los em algumas semanas. Em 2005, o Incra e o MDA atualizaram a portaria, mas até hoje ela não foi editada. A lei agrária determina que os índices sejam atualizados a cada cinco anos. É urgente que eles sejam atualizados com os dados do censo agropecuário de 2006, e se publique nova portaria.

5. Ano passado, propusemos e foi acordado com o governo, a liberação de R$18 mil por família para o programa de habitação rural a ser implementado em 2009, para a construção e reformas de moradias no campo. Pela primeira vez, tínhamos um programa consolidado de habitação para o meio rural. Soubemos, porém, que os recursos foram baixados para R$10, 6 mil reais por família neste ano. Perguntamos: alguém consegue construir uma casa com R$10 mil?

6. O governo havia se comprometido a garantir a assistência técnica para todas as famílias assentadas, e até fez propaganda disso. Nas negociações, ficou claro que por causa do corte de 41%, o Incra não tem condições de pagar sequer os trabalhos já realizados em meses passados pelos agrônomos e até hoje não pagos. Não vai honrar convênios já assinados com entidades, e não tem previsão de como será a assistência técnica no futuro. Isso vai prejudicar a realização dos projetos para acessar ao crédito do Pronaf, que terá início em julho. Até o final de março de 2009, nenhum centavo havia sido liberado para assistência técnica de projetos contratados em 2008.

7. O governo se comprometeu, na chegada da marcha a Brasília em maio de 2005, a abrir uma linha de crédito para financiamento especial de agroindústrias em assentamentos. Nossa demanda é de R$150 milhões, mas apenas R$ 20 milhões estão assegurados para os próximos dois anos. Há, porém, um processo de negociação em aberto com o BNDES para expandir esse valor. Por outro lado, o governo liberou R$12 bilhões via Banco do Brasil e BNDES como socorro de capital de giro para as 20 maiores agroindústrias do país, que estão em crise e já demitiram quase 100 mil trabalhadores.

8. Estamos esperando, até hoje, resposta a uma proposta de programa de reflorestamento nos assentamentos e na agricultura familiar, que previa apoio para que cada família de agricultor pudesse reflorestar dois hectares de sua área. A proposta foi apresentada e aprovada pelo presidente Lula, em 2003.

9. O governo sempre se deixou influenciar pelos interesses econômicos das empresas transnacionais do agronegócio, para liberar vergonhosamente as sementes transgênicas, sem nenhum estudo sério de impacto ambiental e de saúde. Na fila da CTNBio estão novas licenças de arroz, milho etc., e sempre alegaram não haver nisso problema nenhum. Nesta semana, porém, um juiz do Rio Grande do Sul aceitou uma demanda dos agricultores gaúchos contra o pagamento de royalties para a Monsanto. Além disso, o governo da Alemanha proibiu em seu território o cultivo da soja roundup, da Monsanto. No ano passado, o governo liberou três variedades de milho transgênico da Bayer, Syngenta e Monsanto. A produção de sementes de milho transgênico estava proibida. Assim que liberaram, milagrosamente em apenas uma safra, as empresas forneceram sementes para atender 40% da demanda. Isso terá um impacto futuro na agricultura familiar destruidor, como já aconteceu no México.

10. O governo enviou ao congresso a Medida provisória MP 458, que define novos critérios e praticamente legaliza todas as terras públicas griladas na Amazônia, em até 1500 hectares por pessoa. Isso demonstra um claro abandono da Reforma Agrária, pois, ao invés de exigir a imediata arrecadação pela União das terras acima de 15 módulos fiscais e sua destinação para o Incra, designa estas áreas para licitação, com direito de preferência para o atual grileiro! Portanto, está consumada a regularização do grilo, além de sucatear a já famigerada autarquia, porque vai transferir técnicos, diretores e demais estruturas do Incra para o projeto de regularização. Segundo denunciaram todas as entidades envolvidas no Fórum Nacional de Reforma Agrária a proposta da MP 458 tem clara afronta a preceitos constitucionais que devem ser contestados no STF.

11. Está parado na Câmara dos Deputados um projeto de lei que determina a desapropriação de todas as fazendas onde foram encontrados trabalhadores em situação análoga à escravidão. A lei já foi aprovada no Senado Federal. Mas, por articulações políticas dos ruralistas, o governo se rendeu e não mobilizou sua base para aprová-la. Enquanto isso, a Polícia Federal continua libertando pessoas que vivem em condições de trabalho escravo nas fazendas e já registrou que 58% das fazendas são reincidentes.

17/04/2009

SECRETARIA NACIONAL DO MST

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/sem-terra-denunciam-falta-de-comprometimento-com-reforma-agraria