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segunda-feira, 22 de junho de 2015

ENCÍCLICA ECOLÓGICA DO PAPA FRANCISCO: QUE MUNDO QUEREMOS DEIXAR PARA QUEM VAI NOS SUCEDER?

18 junho 2015, ADITAL Agência Frei Tito para a America Latina http://www.adital.com.br (Brasil)

Aguardada com muita expectativa por ambientalistas e fiéis de todo o mundo, a mais nova encíclica do Papa Francisco acaba de ser lançada, a "Laudato si” [Louvado sejas, em português]. Desta vez, o foco é a importância da questão ambiental/ecológica para a humanidade. "Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai nos suceder, às crianças que estão crescendo?”, Esta interrogação pode ser considerado o âmago da Laudato si’, a aguardada Encíclica ecológica do Papa Francisco.

‘Laudato si’, publicada nesta quinta-feira, 18 de junho, é considerada pelo próprio Vaticano o documento pontifício mais importante dedicado à temática da ecologia até hoje, culminando um percurso de reflexão com mais de 50 anos.

O nome foi inspirado na invocação de São Francisco "Louvado sejas, meu Senhor”, que no Cântico das Criaturas recorda que a terra "pode ser comparada ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma mãe, que nos acolhe nos seus braços”.

Ao longo de seis capítulos,

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Ecuador/Confirmado: Ecuador es país libre de semillas de maíz transgénico



24 abril 2013, Rebelión http://www.rebelion.org (Mexico)
Tegantai

Acción Ecológica, la Red por una América Libre de Transgénicos (RALLT) y la Coordinadora de Defensa del Manglar (CCONDEM) confirmaron que el Ecuador es país libre de semillas de maíz transgénico. Esta aseveración la fundamentan en el estudio realizado en 15 provincias del país, en las que se tomaron más de 400 muestras de variedades de maíz criollo, industrial e híbridos en los dos últimos años.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Paraguai inicia campanha contra Monsanto

20 agosto 2012, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Uma campanha denominada Operação Monsanto começou no Paraguai contra atividades de empresas vinculadas à multinacional estadunidense de mesmo nome, que concentra a distribuição de sementes e herbicidas acusadas de causar graves prejuízos ao campo nacional.

O fato já foi abordado durante o recém concluído Fórum Social Paraguai Resiste, que condenou o aumento exagerado do uso de sementes geneticamente modificadas e de herbicidas, qualificado de desastroso para a terra e a saúde dos camponeses.

A partir deste fim de semana, como parte das ações anunciadas contra a Monsanto, o grupo Anonymous Paraguai atacou as páginas da internet das instituições nacionais que colaboram com esta empresa, segundo informou a própria frente Paraguai Resiste.

O grupo indicou que o início da mencionada operação é a primeira resposta à decisão governamental de promover ainda mais o uso das sementes transgênicas para os cultivos de milho e algodão, fundamentais na produção agrícola paraguaia.

A nação guarani conta com mais de 2,8 milhões de hectares de terra dedicados ao cultivo de soja e concentrados em mãos dos grandes latifundiários que, além disso, se dedicam ao desmatamento de grandes territórios, segundo a denúncia.

A Monsanto - gigante que, de acordo com dados oficiais, só em 2010 obteve lucros ao redor de 10,5 bilhões de dólares - fará desaparecer a semente nacional e com ela o pequeno produtor, afirmou o Paraguai Resiste.

"O cultivo extensivo da soja transgênica converteu o campo para os trabalhadores pobres em um lugar inabitável devido aos venenosos herbicidas e por deixar suas terras impróprias para outros cultivos, gerando ainda mais miséria", agregou. (Fonte: Prensa Latina)

Outras notícias







terça-feira, 10 de abril de 2012

Brasil/Rondônia: trabalhadora é assassinada por denunciar madeireiros

9 abril 2012/Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Dois meses depois de denunciar à imprensa a atuação de madereiros em Rondônia, Dinhana Nink foi assassinada. Agora, a líder rural Nilcilene Miguel de Lima, que tem escolta da Força Nacional por denunciar os madeireiros, denuncia que pistoleiros saqueiam, agridem e matam os lavradores locais sem maiores problemas.

Por Ana Aranha*


Dinhana foi uma das poucas entrevistadas que denunciou a quadrilha sem medo de mostrar o rosto:

“Bote meu nome aí, eu vou falar sim. Eles mandaram calar a boca, mas eu não calo. Vou ter a coragem da Nilce e denunciar quem me ameaça”, disse.

Em resposta à sua coragem, Dinhana foi assassinada com uma bala no peito na madrugada da última sexta, dia 30. O crime aconteceu na frente de seu filho de 6 anos, Tiago. O pai de Dinhana, primeiro a chegar depois do crime, encontrou Tiago limpando o sangue do rosto da mãe. Dinhana deixou mais dois filhos, um de sete e outro de dez anos.

Apesar da cara de valente, sua condição já era frágil na época da entrevista, em janeiro. Tiago brincava ao lado da mãe, no chão da sala. Eles estavam morando de favor em vila Nova Califórnia (Rondônia) desde que sua casa foi queimada em um incêndio criminoso em novembro. Por precaução, a reportagem não usou o nome e a foto de Dinhana. Essa é a primeira vez que sua história é publicada.

Na entrevista, Dinhana falou sobre ameaças que recebia desde que desafiou um homem ligado à quadrilha de pistoleiros que toma conta da região. Ela morava no assentamento Gedeão, município de Lábrea, sul do Amazonas. Sem nenhuma estrutura de policiamento, o lugar é destino de madeireiros ilegais, que contratam pistoleiros para garantir que ninguém impeça o roubo de madeira.

Desde que a líder Nilcilene ganhou escolta da Força Nacional, diversas famílias próximas a ela estão sendo ameaçadas de morte. Algumas tiveram que fugir para não ter o mesmo destino de Dinhana. É uma forma de deixar a líder isolada.

Dinhana não tinha envolvimento com a associação. Queria apenas tocar a vida e proteger seu negócio, um pequeno bar e mercearia dentro do assentamento.

Mas ela sabia demais. Enquanto trabalhava, ouvia conversas sobre as atividades das madeireiras. “O povo bebia e falava”, ela disse à Pública. “Tem muita gente lá que vive de madeira. Serra de dia, e tira de noite. Eles dizem que tem que ter cuidado na hora de entrar com o caminhão de noite. Se a polícia pega, não pode prejudicar os donos. Se pegar, não pode de jeito nenhum falar quem era o dono da madeira”.

Sua morte está relacionada à força do crime organizado que se formou na região, graças ao comércio ilegal de madeira combinado com a ausência do Estado. Dinhana se meteu com a pessoa errada e decidiu denunciar as agressões, em um local onde a polícia não age. Pagou com a vida.

Tudo começou em novembro, quando um de seus clientes no bar, Jheferson Arraia Silva, bebeu demais e começou a provocar briga. Ela pediu que fosse embora, ele ficou agressivo. Dinhana não era mulher de ficar calada. Apanhou, mas também bateu. Depois registrou tudo na polícia.

“Eles não gostaram que eu fui na polícia e, na semana seguinte, a mãe dele começou a mandar recado”, Dinhana disse. Suzy Arraia Silva, mãe de Jheferson, é citada em diversos relatos dos pequenos produtores rurais da região pela proximidade com a quadrilha. “Ela dizia que não ia ficar em branco, que ia queimar minha casa, que ia ter vingança”.

Assustada, Dinhana decidiu mudar para Nova Califórnia, a vila mais próxima, já no estado de Rondônia. Mas, enquanto procurava lugar para ficar, sua casa e bar no assentamento foram queimados, com tudo dentro. “Ficou tudo no chão, preto, queimado. O freezer ficou miudinho. Minha dor maior foi ver os meninos revirando as cinzas. Eles foram catando coisas para levar embora. Mas eu não deixei, tava tudo queimado”.

Dinhana procurou a Força Nacional. “Eles disseram que só podem proteger a Nilce, me indicaram a polícia. Fui no posto da PM de Nova Califórnia, eles disseram que não podem fazer nada porque são de Rondônia e lá é Amazonas”.

No Boletim de Ocorrência registrado na Polícia Civil de Rondônia, ela fala das ameaças. Segundo o documento, Suzy “teria dito que iria eliminar três pessoas da localidade”. Dinhana era uma delas. Mas a polícia nada fez sobre o caso.

Em entrevista, o sargento Fábio Cabral de Lima, do posto de Nova Califórnia, disse ter recebido mais de 20 registros de ameaças de morte da área do assentamento Gedeão só no último ano. “Nós estamos de mãos atadas em relação a tudo que acontece lá porque não é jurisdição de Rondônia”, disse.

“Esse grupo manda na região. Eles cometem crimes, perseguem e difamam quem os denuncia”, diz Neide Lourenço, coordenadora da Comissão Pastoral da Terra do Amazonas. “Enquanto o Estado não se fizer presente e colocar um posto policial, o crime vai continuar ditando a ordem”.

A CPT se preocupa ainda com o fim da escolta para Nilcilene. No final de abril, a Força Nacional deve se retirar do local e deixar de escoltar a líder. Como nada foi feito para levar policiamento ao local, se o contrato da escolta não for renovado, Nilcilene vai ter que fugir. “Se a Força sair, eu e o meu marido temos que sair primeiro. Se nós ficar, antes de morrer, ainda vamos ser torturados”, diz.

*Ana Aranha é jornalista.

Fonte: APública

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Brasil/A REBELDIA DOS JOVENS QUE NOS FAZ TANTA FALTA

22 junho 2011/Blog do Emir Sader http://www.cartamaior.com.br

Entre tantas frases estimulantes e provocadoras que as rebeliões populares no mundo árabe e agora na Europa, essencialmente protagonizada por jovens, fizeram ecoar pelo mundo afora, a que mais nos incomoda – com toda razão – é aquela que diz: “E quando os jovens saíram às ruas, todos os partidos pareceram velhos.”

Aí nos demos conta – se ainda não tínhamos nos dado – da imensa ausência da juventude na vida política brasileira. O fenômeno é ainda mais contrastante, porque temos governos com enorme apoio popular, que indiscutivelmente tornaram o Brasil um país melhor, menos injusto, elevaram nossa auto estima, resgataram o papel da política e do Estado.

Mas e os jovens nisso tudo? Onde estão? O que pensam do governo Lula e da sua indiscutível liderança? Por que se situaram muito mais com a Marina no primeiro turno do que com a Dilma (mesmo se tivessem votado, em grande medida, nesta no segundo turno, em parte por medo do retrocesso que significava o Serra*)?

A idade considerada de juventude é caracterizada pela disponibilidade para os sonhos, as utopias, a rejeição do velho mundo, dos clichês, dos comportamentos vinculados à corrupção, da defesa mesquinha dos pequenos interesses privados. No Brasil tivemos a geração da resistência à ditadura e aquela da transição democrática, seguida pela que resistiu ao neoliberalismo dos anos 90 e que encontrou nos ideais do Fórum Social Mundial de construção do “outro mundo possível” seu espaço privilegiado.

Desde então dois movimentos concorreram para seu esgotamento: o FSM foi se esvaziando, controlado pelas ONGs, que se negaram à construção de alternativas, enquanto governos latino-americanos se puseram concretamente na construção de alternativas ao neoliberalismo; e os partidos de esquerda - incluídos os protagonistas destas novas alternativas na América Latina -, envelheceram, desgastaram suas imagens no tradicional jogo parlamentar e governamental, não souberam renovar-se e hoje estão totalmente distanciados da juventude.

Quando alguém desses partidos tradicionais – mesmo os de esquerda – falam de “politicas para a juventude”, mencionam escolas técnicas, possibilidades de emprego e outras medidas de caráter econômico-social, de cunho objetivo, sem se dar conta que jovem é subjetividade, é sonho, é desafio de assaltar o céu, de construir sociedades de liberdade, de luta pela emancipação de todos.

O governo brasileiro não aquilata os danos que causam a sua imagem diante dos jovens, episódios como a tolerância com a promiscuidade entre interesses privados e públicos de Palocci, ou ter e manter uma ministra da Cultura que, literalmente, odeia a internet, e corta assim qualquer possibilidade de diálogo com a juventude – além de todos os retrocessos nas políticas culturais, que tinham aberto canais concretos de trabalho com a juventude. Não aquilata como a falta de discurso e de diálogo com os jovens distancia o governo das novas gerações. (Com quantos grupos de pessoas da sociedade a Dilma já se reuniu e não se conhece grandes encontros com jovens, por exemplo?)

Perdendo conexão com os jovens, os partidos envelhecem, perdem importância, se burocratizam, buscam a população apenas nos processos eleitorais, perdem dinamismo, criatividade e capacidade de mobilização. E o governo se limita a medidas de caráter econômico e social – que beneficiam também aos jovens, mas nãos os tocam na sua especificidade de jovens. Até pouco tempo, as rádios comunitárias – uma das formas locais de expressão dos jovens das comunidades – não somente não eram incentivadas e apoiadas, como eram – e em parte ainda são – reprimidas.

A presença dos jovens na vida publica está em outro lugar, a que nem os partidos nem o governo chegam: as redes alternativas da internet, que convocaram as marchas da liberdade, da luta pelo direito das “pessoas diferenciadas” em Higienópolis, em São Paulo, nas mobilizações contra as distintas expressões da homofobia, e em tantas outras manifestações, que passam longe dos canais tradicionais dos partidos e do governo.

Mesmo um governo popular como o do Lula não conseguiu convocar idealmente a juventude para a construção do “outro mundo possível”. Um dos seus méritos foi o realismo, o pragmatismo com que conseguiu partir da herança recebida e avançar na construção de alternativas de politica social, de politica externa, de politicas sociais e outras. Os jovens, consultados, provavelmente estarão a favor dessas politicas.

Mas as mentes e os corações dos jovens estão prioritariamente em outros lugares: nas questões ecológicas (em que, mais além de ter razão ou não, o governo tem sistematicamente perdido o debate de idéias na opinião pública), nas liberdades de exercício da diversidade sexual, nas marchas da liberdade, na liberdade de expressão na internet, na descriminalização das drogas leves, nos temas culturais, entre outros temas, que estão longe das prioridades governamentais e partidárias.

Este governo e os partidos populares ainda tem uma oportunidade de retomar diálogos com os jovens, mas para isso tem assumir como prioritários temas como os ecológicos, os culturais, os das redes alternativas, os da libertação nos comportamentos – sexuais, de drogas, entre outros. Tem que se livrar dos estilos não transparentes de comportamento, não podem conciliar nem um minuto com atitudes que violam a ética publica, tem que falar aos jovens, mas acima de tudo ouvi-los, deixá-los falar. Com a consciência de que eles são o futuro do Brasil. Construiremos esse futuro com eles ou será um futuro triste, cinzento, sem a alegria e os sonhos da juventude brasileira.

*José Serra: Candidato da direita nacional e dos Estados Unidos nas últimas eleições presidenciais realizadas no Brasil. (Nota de Mercosul & CPLP)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Portugal/A PEGADA SOCIAL DA CRISE

Esquerda.Net http://www.esquerda.net

Joana Mortágua

Tal como no ambiente, é hora de impor aos poluidores o ressarcimento dos danos causados.

O Governo português deve dar o exemplo através do offshore da Madeira, mas esta bandeira de justiça económica em tempos de dificuldade deve envolver os povos europeus

A crise é a versão moderna do saque: O governo português (PS e PSD) saca aos portugueses mais pobres; os Estados europeus mais fortes sacam aos Estados europeus mais fracos; o Banco Central Europeu tenta sacar a quem já está de joelhos com tanto saque; e o sector financeiro privado saca a todos os outros os lucros perdidos durante a espiral da crise por ele criada.

Na sequência de roubos ninguém assume responsabilidade nem admite culpas, ainda que no rastro destes modernos saqueadores surjam as consequências que todos conhecemos: mais pobreza e desigualdade, desastre social, desemprego e salários baixos para os que estão no fundo da cadeia. Já todos sabemos bem o que significa a “pegada ecológica” do capitalismo. Esta é a “pegada social” da crise.

Tal como no ambiente, é hora de impor aos poluidores o ressarcimento dos danos causados. A pergunta que se impõe é bastante simples, afinal: quando é que exigimos alguma coisa a quem sempre enriqueceu com tanto saque?

Dizem-nos que estamos todos a apertar o cinto, mas existem na espiral da crise buracos negros que permitem esconder negócios suspeitos; há quem se esconda em “jogos de espelhos”, transferindo milhões sem qualquer controlo, de um lado para outro, sem pagar os impostos e sem cumprir os sacrifícios que agora nos impõem.
Os offshores são os instrumentos desse saque, e afectam todos os países europeus sem excepção.

Na semana passada a Polícia Financeira de Itália desmontou um esquema de fraude fiscal com recurso a facturas falsas e lavagem de capitais. Um pequeno grupo de nove pessoas roubou ao Estado italiano 31 milhões de euros em taxas e impostos não pagos. Como? Através de transferências para três paraísos fiscais, entre eles o offshore da Madeira.

Só em 2009, saíram de Portugal com destino a estes buracos negros financeiros 12 mil milhões de euros, grande parte sem pagar a parte devida ao Estado português. Quer isto dizer que, só em 2009, um punhado de pessoas detentor de 12 mil milhões de euros deixou de cumprir a sua parte dos sacrifícios impostos pela crise. Quer isto dizer que, só em 2009, o Estado português ficou uns milhões de euros mais pobre para poder tapar a pegada social deixada pela crise.

Tal como o Estado português, também o italiano, o grego e o espanhol ficaram a perder com esta injustificada permissividade perante o obscurantismo financeiro. Mas nem esta evidência impede o acordo de Sócrates, Passos Coelho, Alberto João Jardim, Sarkozy, Zapatero e Berlusconi e de todos os outros governantes europeus: os offshores estão para ficar; o regime de excepção nos sacrifícios é para manter.

Não cedemos perante um saque tão descarado. O Bloco de Esquerda apresentou uma proposta clara: 25% de taxa sobre os milhões que são transferidos todos os anos para os offshores. Essa é a nossa exigência a quem enriqueceu com o saque durante tanto tempo.

O Governo português deve dar o exemplo através do offshore da Madeira, mas esta bandeira de justiça económica em tempos de dificuldade deve envolver os povos europeus como frente de combate por uma reivindicação comum: democracia e igualdade nos sacrifícios impostos pela crise.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Brasil/LUTAS SOCIAIS PRECISAM SE ARTICULAR CONTRA O MODELO NEODESENVOLVIMENTISTA

(ADITAL) Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
19 maio 2010/ADITAL http://www.adital.com.br

Karol Assunção *

Adital - Camponeses, camponesas e movimentos sociais têm um grande desafio pela frente. Isso é o que afirma o pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores (Cepat), César Sanson. Presente no debate de ontem (18), no segundo dia do III Congresso Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Sanson acredita que um dos principais desafios para os movimentos sociais é perceber "o momento de profundas transformações que impactam a sociedade".

O pesquisador explica que o mundo está vivendo uma "crise civilizacional" composta não por apenas uma ou duas crises, mas por um conjunto de cinco crises: a econômica, a ecológica, a alimentar, a energética e a do trabalho. Crises que afetam gravemente o planeta e o homem. "A crise civilizatória ameaça a espécie humana", revela.

De acordo com ele, o sistema capitalista provoca uma forte "pressão no planeta Terra". Isso porque está relacionado ao modo de produzir e de consumir. "Para o capitalismo, o crescimento tem que ser infinito. E, para isso, ele precisa de recursos naturais, que são finitos", destaca.

De todas as crises vividas atualmente pela humanidade, Sanson ressalta a ecológica, que também está relacionada com as outras. Para ele, esse modelo que prega o "crescer, crescer e crescer" impacta principalmente o meio ambiente e as comunidades locais.

A opção pelos modelos desenvolvimentistas mostra isso. "O modelo neodesenvolvimentista é perverso. Os governos financiam projetos que impactam as comunidades", afirma. Para ele, Belo Monte é um exemplo claro. Segundo Sanson, a ideia da construção da hidrelétrica no Rio Xingu é para fins econômicos, mas também está relacionado com a energia (produção energética) e com o ecológico (impacto ambiental). "Belo Monte é emblemático nesse aspecto. Que tipo de país nós queremos?", questiona.

Na opinião dele, é preciso articular as lutas sociais contra esses modelos e crises. "É necessário se contrapor a esse modelo com projetos alternativos", considera. E, para o pesquisador, a solução para essas crises será dada pelas comunidades locais. "A resposta [à crise civilizatória] virá do local, de experiências alternativas, do respeito ao meio ambiente", acredita.

III Congresso da CPT
O III Congresso Nacional da CPT começou na segunda-feira (17) e vai até a próxima sexta-feira (21) em Montes Claros (MG). O evento, que tem como tema "Biomas, Territórios e Diversidade Camponesa", reúne cerca de 900 pessoas, entre trabalhadores e trabalhadoras do campo, movimentos sociais e assessores da Comissão.

Na noite de hoje (19), as atividades do Congresso prosseguem com uma caminhada pelas ruas da cidade mineira em memória às vítimas da violência no campo. Os participantes sairão do Colégio São José, Marista, às 19h, e seguirão rumo à Igreja do Senhor do Bonfim, na Praça do Morrinho. No decorrer da caminhada, serão realizadas seis paradas, uma para cada bioma brasileiro: Amazônico, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.

* Jornalista da Adital

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Ecuador tendrá en Galápagos el primer aeropuerto ecológico del mundo

8 abril 2010/TeleSUR TeleSURtv.net

La nueva obra recibe el nombre de Ecogal. El subsecretario de aeronáutica civil del país suramericano dijo que operará en parte con agua del mar y con energía solar. También se utilizará la eólica que no afecta el medio ambiente.

Ecuador tendrá en la Isla de Belta (Archipiélago de Galápagos) el primer aeropuerto ecológico del mundo, el cual se estima estará concluido en el 2011 y tendrá un costo de unos 20,5 millones de dólares.

La información fue suministrada por el subsecretario de aeronáutica civil del país suramericano, Guillermo Bernal, quien detalló que la terminal aérea funcionará principalmente con energía solar y eólica que no afectan el medio ambiente.

Las Islas Galápagos de Ecuador, la antigua ciudad inca de Machu Picchu (Perú) y las ruinas mayas de Copán (Honduras) son las zonas patrimoniales latinoamericanas que más preocupan a la Organización de las Naciones Unidas (ONU) para la Ciencia, Educación y Cultura (Unesco), por el crecimiento acelerado y no planificado de la industria turística.

Tomando las inquietudes de la Unesco las autoridades aeronáuticas y de transporte de Ecuador han diseñado la nueva infraestructura.

Bernal precisó que la construcción del nuevo aeropuerto, se hará en tres fases: "la edificación de la terminal aeroportuaria, la plataforma que va a crecer el doble de su actual espacio y, posteriormente, la pista que será de cemento".

En cuanto al inicio de la obra dijo que se hará una vez que se haya concluido el estudio de suficiencia ambiental y tenencia de tierras.

Agregó que en la construcción también se utilizarán materiales que pudieran considerarse ecológicos , porque son "básicamente favorables a la conservación del medio ambiente".

En este sentido detalló que el techo será de material refractario para refrescar naturalmente el interior, las paredes serán levantadas con elementos y pinturas que puedan mantenerse bajo poca iluminación y el agua será reciclada, mientras que la energía utilizada será la solar.

Aclara que el propio proceso de levantamiento de la obra no afectará el frágil ecosistema de las islas.

Las islas Galápagos, también conocidas como las Islas encantadas y como el Archipiélago de Colón, está formado por 13 islas volcánicas, seis más pequeñas y 107 rocas e islotes. Se caracteriza por su riqueza en especies endémicas.

Son llamadas las "Islas Encantadas" ya que la flora y fauna encontrada allí es practicamente única y no se le puede encontrar en ninguna otra parte del mundo.

Las estructuras de la terminal se ensamblará en el Ecuador continental, para luego trasladarlas hasta Baltra. El proyecto, tal como está diseñado, abarcará un área de nueve mil metros cuadrados, y será sólo de una planta.

En cuanto a la pista Bernal, aclaró que erá la misma que opera actualmente, sólo que será remozada y luego de tres años será reconstruida en su totalidad.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Brasil/APOLO HERINGER LISBOA: MUITO ALÉM DA LUTA DE CLASSES


Apolo Heringer é idealizador e coordenador-geral do Projeto Manuelzão, em Minas Gerais/Foto: Murilo Gitel/EcoD

(ADITAL) Agência de Informação Frei Tito para a América Latina

20 janeiro 2010/http://www.adital.org.b

EcoD *

O médico, professor e ambientalista mineiro Apolo Heringer Lisboa é o idealizador do Projeto Manuelzão, iniciativa voltada para a revitalização do Rio das Velhas, o principal afluente do São Francisco em plena Região Metropolitana de Belo Horizonte. Graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1967, ele é especialista em Pneumologia pelo Centro Hospitalar Universitário de Beni-Messous (Argel), e em Epidemiologia, pela Universidade Livre de Bruxelas (Bélgica). Bem antes de lutar pela preservação da biodiversidade, este Cidadão Honorário da capital mineira também foi um militante de destaque durante os anos de chumbo da ditadura militar (1964-1985), período em que chegou a ser exilado e preso diversas vezes.

Nesta entrevista ao portal EcoDesenvolvimento.org, Apolo demonstra a importância da revitalização da Bacia do Rio das Velhas, além de relatar como ele despertou para essa causa, depois de anos de atuação pelos ideais marxistas. O também líder-parceiro da Fundação Avina compreende bem a complexidade da chamada luta de classes, mas já descobriu que pelo bem do planeta, lutas maiores precisam ser travadas.

EcoD: Quando é que começa o interesse do senhor pela revitalização do Rio das Velhas?

Apolo Heringer Lisboa: Bem. Eu sou médico, professor da faculdade de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mas também tive uma militância política intensa. Estive exilado, fui preso várias vezes, morei em muitos países durante a ditadura, fui vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), então a minha trajetória política me levou muito para linhas da Revolução Socialista, da luta contra a ditadura, e tudo para mim era luta de classes. Só que eu cheguei à conclusão de que a luta de classes era uma luta dentro de uma espécie: a espécie humana, e na espécie humana, uma parte quer dominar a outra. Agora, colocando a espécie humana como uma espécie entre outras, você tem passarinho, peixes, mamíferos, as aves, sendo que todas essas espécies têm direito a vida. Então eu comecei a meditar que se a nossa casa comum, que são os rios, as matas, as florestas, está sendo degradada unicamente por uma espécie, a humana, eu estarei acabando com a vida de todas as outras. Foi aí que eu passei a lutar pela conservação do meio ambiente, com foco na água dos rios.

EcoD: E porque com esse foco específico?

Apolo Heringer Lisboa: Porque o rio reflete o estado geral do planeta. É na água dos rios que você vê a mentalidade humana, a qualidade de nossa atividade econômica. Tudo de ruim acontece no rio. E a volta do peixe sinaliza se a situação está melhorando ou piorando.

EcoD: Quais são os objetivos do Projeto Manuelzão no Rio das Velhas?

Apolo Heringer Lisboa: O Rio das Velhas é o principal afluente do Rio São Francisco. É uma bacia hidrográfica que abrange 4 milhões e 800 mil pessoas. Pouca gente sabe, mas trata-se da única região metropolitana do Rio São Francisco - fica em Belo Horizonte, às margens do Rio das Velhas.

O nosso objetivo é a recuperação desse rio. Nós começamos nosso trabalho em 1990, com a parte teórica, e lançando a ideia de que a volta do peixe é um dos objetivos principais de nossa atuação - fazer de tudo para o peixe voltar, por meio de tratamento de esgoto e da mobilização da sociedade. Mas nós só conseguimos começar esse trabalho em 1997. Dentro da Universidade Federal de Minas Gerais um grupo de professores se articulou em torno da medicina, pensando em saúde coletiva, onde foi discutida a relação de água poluída com doença, e o peixe apareceu como bioindicador natural - se a água melhora, vai ter mais peixe. Então nós trabalhamos muito em cima do biomonitoramento.

Em 2003 nós fizemos uma grande expedição pelo rio. Navegamos 800 quilômetros em todas as curvas dele e lançamos a meta 2010: nós queremos navegar, pescar e nadar no Rio das Velhas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (a mais poluída). E a partir daí nós conseguimos levar o tratamento de esgoto de Belo Horizonte de 0% a praticamente 70%. Melhorou muito a qualidade do rio. Ainda não está dando para nadar dentro de Belo Horizonte, mas já está aparecendo peixes como Dourado e Surubim perto Da capital, enquanto no baixo e médio Rio das Velhas já tem mais peixe do que no Rio São Francisco. Então foi um movimento que deu certo. Um movimento com base científica, teórica e grande mobilização social. Esta é a força capaz de pressionar tanto as empresas como o governo a mudar suas posturas.

EcoD: Aproveitando esse gancho, o projeto conta com apoio do poder público?

Apolo Heringer Lisboa: Nós temos apoio da prefeitura e do governo estadual, mas é um apoio um tanto complicado, porque quando você trabalha por alguma coisa na qual você acredita profundamente na proposta você age de um jeito. Quando você trabalha porque a mobilização é grande e você quer tirar dividendo político ou porque você quer melhorar sua imagem na fotografia, sempre deixa a desejar. O bom é quando as pessoas trabalham profundamente convencidas, porque aí elas sabem muito bem o que fazer - e fazem melhor.

EcoD: Há como separar o médico Apolo do ambientalista Apolo?

Apolo Heringer Lisboa: Não. O meu trabalho tem base na preocupação com a saúde humana. Saúde para nós não é uma questão médica, mas de qualidade de vida, uma questão de meio ambiente que inclui a política econômica, transporte, moradia, porque tudo isso é meio ambiente. A saúde do peixe está para a qualidade das águas dos rios, assim como a saúde humana está para a qualidade de vida da sociedade, das cidades e dos bairros. Você não pode separar. Se eu quero salvar o peixe, eu preciso tratar o rio. Se eu quero tratar da saúde humana eu preciso cuidar da vida social.

EcoD: Como o Projeto Manuelzão está organizado?

Apolo Heringer Lisboa: Nós temos um jornal bimensal com tiragem de 100 mil exemplares, um site, fazemos muitas palestras, trabalhos em escolas, ocupamos regularmente a grande mídia da cidade, atingimos os municípios do interior, já fizemos duas grandes expedições pelo rio em 30 dias (800 km remando), parando em diversos lugares para realizarmos debates. Realizamos trabalhos voltados para a preservação dos afluentes, como festivais de música, literatura, dança.

EcoD: O que está faltando para que o Rio das Velhas possa ser revitalizado?
Apolo Heringer Lisboa: Que o ser humano mude a própria mentalidade. Eu sempre digo e repito que a questão fundamental não é a volta do peixe. A questão fundamental é a mudança da mentalidade. A volta do peixe é um elemento mobilizador que promove condições para a mudança da mentalidade. Isso porque a questão cultural-política é a base para tudo o que o ser humano faz.

Se eu não atingir o cérebro das pessoas, a cultura, a visão de mundo, eu não vou conseguir sucesso em nada, porque as pessoas não vão trabalhar convencidas. Elas precisam se convencer de que um mundo mais sustentável para todas as espécies é possível. Eu acredito nisso.

EcoD: Apolo, obrigado pela sua entrevista e muito sucesso para o projeto!
Apolo Heringer Lisboa: Muito obrigado a vocês!

* Projeto do Instituto Ecodesenvolvimento

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Brasil/Sebastião Salgado, Chomsky e Wallerstein declaram apoio ao MST

Trabalhadores rurais sem terra. Foto: Sebastião Salgado

O Manifesto em Defesa da Democracia e do MST atingiu a marca das 2 mil assinaturas e foi endossado por três personalidades reconhecidas mundialmente: o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado e os ativistas estadunidenses Noam Chomsky e Immanuel Wallerstein.

24 setembro 2009/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Sebastião Salgado, um dos mais respeitados fotógrafos de nosso tempo, prestou em 1997 sua maior homenagem ao MST, quando publicou Terra - livro de fotografias sobre a realidade dos acampados e assentados. “O MST é um movimento de ocupação desse espaço vazio, para dar vida e sentido a essa terra. Eu o vejo como um elemento necessário tanto para a ecologia como para o lado social, da redistribuição de renda”, afirmou, à época.

“O MST é o mais importante movimento de massa do mundo e tem registros de importantes conquistas. Pode ajudar o Brasil a alcançar o brilhante futuro que o povo do ‘colosso do Sul’ merece”, declarou o linguista Chomsky. O acadêmico, que leciona no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), é autor de trabalhos que revolucionaram os estudos atuais no campo da lingüística.

O sociólogo Immanuel Wallerstein, pesquisador sênior na Universidade Yale, dos Estados Unidos, e autor da obra “O sistema mundial moderno” (1990), também aderiu ao manifesto. "O MST poderia ser um bom exemplo para a esquerda estadunidense, se tivéssemos qualquer coisa comparável em termos de movimento social", acredita.

O Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), a Cáritas Brasileira e a deputada nicaragüense Mônica Baltodano, entre outras entidades, artistas, intelectuais, parlamentares e entidades, nacionais e internacionais, também assinaram o Manifesto, que pode ser subscrito em www.petitiononline.com/manifmst/petition.html .

Twiiter da página do MST

A partir desta semana, a página do MST na internet também está no Twitter. Somando esforços na luta pela produção e circulação de conteúdo contra-hegemônico, a proposta com a utilização dessa ferramenta é ampliar o número de leitores de nossa página (www.mst.org.br), que divulga notícias, informações, notas, imagens e textos de estudo ligados à luta por Reforma Agrária, justiça social e soberania popular. (Fonte: Assessoria de imprensa do MST)

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EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DO MST


21 setembro 2009/Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra http://www.mst.org.br

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Bastou realizarmos mais uma jornada de lutas - cobrando o cumprimento de uma pauta de reivindicações apresentada ao governo Lula ainda em 2005 – e exigirmos a atualização dos índices de produtividade agrícola, como estabelece a Constituição Federal, para que viesse a reação.

Os setores mais conservadores do Congresso e da sociedade, liderados pela senadora Kátia Abreu (DEM/TO), começaram a orquestrar uma nova ofensiva contra o MST. Na semana passada, os parlamentares ruralistas protocolaram mais uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) contra o MST - a terceira em menos de 5 anos. É exatamente uma represália à nossa ousadia de solicitar a atualização dos índices de produtividade agrícola, que poderá beneficiar os proprietários rurais que realmente produzem em nosso país.

Os que não produzem, certamente, aprovados os novos índices, terão dificuldades de acessar os recursos dos cofres públicos. Assim, os “modernos” defensores do agronegócio não apenas defendem uma agricultura atrasada, em defesa própria, como também expressam, mais uma vez, seu caráter anti-social e parasitário dos recursos públicos.

Os ruralistas, agora parlamentares, alegam que há uma malversação dos recursos públicos destinados à Reforma Agrária para justificar essa CPI. É um direito deles fazer esse questionamento e elogiamos a disposição de prezar pelos recursos públicos.
Mesmo sabendo que a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que a senadora Kátia Abreu preside, financiou a campanha eleitoral da senadora e até hoje não foi investigada. Mas se há problemas com esses recursos públicos, para que serve o Tribunal de Contas da União (TCU), subordinado ao Congresso Nacional, ou a Receita Federal?

Há a necessidade de criar uma nova CPI ou os objetivos são apenas imobilizar um movimento social e ocupar espaços na mídia para inibir a bandeira da Reforma Agrária? Parlamentares identificados ou coniventes com esses objetivos é que não faltam.

Mas se não nos faltam inimigos da Reforma Agrária, fortalecidos política e economicamente há cinco séculos pela existência do latifúndio, também não nos faltam solidariedade e apoio de incansáveis e valorosas lutadoras e lutadores da Reforma Agrária.

Abaixo, segue o texto do Manifesto. Assine-o e promova sua divulgação. Para assinar, entre em: http://www.petitiononline.com/manifmst/petition.html .

Secretaria Nacional do MST


MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DO MST


“...Legitimam-se não pela propriedade, mas pelo trabalho,
nesse mundo em que o trabalho está em extinção.
Legitimam-se porque fazem História,
num mundo que já proclamou o fim da História.
Esses homens e mulheres são um contra-senso
porque restituem à vida um sentido que se perdeu...”
(“Notícias dos sobreviventes”, Eldorado dos Carajás, 1996)

A reconstrução da democracia no Brasil tem exigido, há trinta anos, enormes sacrifícios dos trabalhadores. Desde a reconstrução de suas organizações, destruídas por duas décadas de repressão da ditadura militar, até a invenção de novas formas de movimentos e de lutas capazes de responder ao desafio de enfrentar uma das sociedades mais desiguais do mundo. Isto tem implicado, também, apresentar aos herdeiros da cultura escravocrata de cinco séculos, os trabalhadores da cidade e do campo como cidadãos e como participantes legítimos não apenas da produção da riqueza do País (como ocorreu desde sempre), mas igualmente como beneficiários da partilha da riqueza produzida.

O ódio das oligarquias rurais e urbanas não perde de vista um único dia, um desses novos instrumentos de organização e luta criados pelos trabalhadores brasileiros a partir de 1984: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST. E esse Movimento paga diariamente com suor e sangue – como ocorreu há pouco no Rio Grande do Sul, por sua ousadia de questionar um dos pilares da desigualdade social no Brasil: o monopólio da terra. O gesto de levantar sua bandeira numa ocupação traduz-se numa frase simples de entender e, por isso, intolerável aos ouvidos dos senhores da terra e do agronegócio. Um País, onde 1% da população tem a propriedade de 46% do território, defendida por cercas, agentes do Estado e matadores de aluguel, não podemos considerar uma República. Menos ainda, uma democracia.

A Constituição de 1988 determina que os latifúndios improdutivos e terras usadas para a plantação de matérias primas para a produção de drogas, devem ser destinados à Reforma Agrária. Mas, desde a assinatura da nova Carta, os sucessivos Governos têm negligenciado o seu cumprimento. À ousadia dos trabalhadores rurais de garantir esses direitos conquistados na Constituição, pressionando as autoridades através de ocupações pacíficas, soma-se outra ousadia, igualmente intolerável para os senhores do grande capital do campo e das cidades: a disputa legítima e legal do Orçamento Público.

Em quarenta anos, desde a criação do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), cerca de um milhão de famílias rurais foram assentadas - mais da metade de 2003 pra cá. Para viabilizar a atividade econômica dessas famílias, para integrá-las ao processo produtivo de alimentos e divisas no novo ciclo de desenvolvimento, é necessário travar a disputa diária pelos investimentos públicos. Daí resulta o ódio dos ruralistas e outros setores do grande capital, habituados desde sempre ao acesso exclusivo aos créditos, subsídios e ao perdão periódico de suas dívidas.

O compromisso do Governo de rever os critérios de produtividade para a agricultura brasileira, responde a uma bandeira de quatro décadas de lutas dos movimentos dos trabalhadores do campo. Ao exigir a atualização desses índices, os trabalhadores do campo estão apenas exigindo o cumprimento da Constituição Federal, e que os avanços científicos e tecnológicos ocorridos nas últimas quatro décadas, sejam incorporados aos métodos de medir a produtividade agrícola do nosso País.

É contra essa bandeira que a bancada ruralista do Congresso Nacional reage, e ataca o MST. Como represália, buscam, mais uma vez, articular a formação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) contra o MST. Seria a terceira em cinco anos. Se a agricultura brasileira é tão moderna e produtiva – como alardeia o agronegócio, por que temem tanto a atualização desses índices?

E, por que não é criada uma única CPI para analisar os recursos públicos destinados às organizações da classe patronal rural? Uma CPI que desse conta, por exemplo, de responder a algumas perguntas, tão simples como: O que ocorreu ao longo desses quarenta anos no campo brasileiro em termos de ganho de produtividade? Quanto a sociedade brasileira investiu para que uma verdadeira revolução – do ponto de vista de incorporação de novas tecnologias – tornasse a agricultura brasileira capaz de alimentar nosso povo e se afirmar como uma das maiores exportadoras de alimentos? Quantos perdões da dívida agrícola foram oferecidos pelos cofres públicos aos grandes proprietários de terra, nesse período?

O ataque ao MST extrapola a luta pela Reforma Agrária. É um ataque contra os avanços democráticos conquistados na Constituição de 1988 – como o que estabelece a função social da propriedade agrícola – e contra os direitos imprescindíveis para a reconstrução democrática do nosso País. É, portanto, contra essa reconstrução democrática que se levantam as lideranças do agronegócio e seus aliados no campo e nas cidades. E isso é grave. E isso é uma ameaça não apenas contra os movimentos dos trabalhadores rurais e urbanos, como para toda a sociedade. É a própria reconstrução democrática do Brasil, que custou os esforços e mesmo a vida de muitos brasileiros, que está sendo posta em xeque. É a própria reconstrução democrática do Brasil, que está sendo violentada.

É por essa razão que se arma, hoje, uma nova ofensiva dos setores mais conservadores da sociedade contra o Movimento dos Sem Terra – seja no Congresso Nacional, seja nos monopólios de comunicação, seja nos lobbies de pressão em todas as esferas de Poder. Trata-se, assim, ainda uma vez, de criminalizar um movimento que se mantém como uma bandeira acesa, inquietando a consciência democrática do país: a nossa democracia só será digna desse nome, quando incorporar todos os brasileiros e lhes conferir, como cidadãos e cidadãs, o direito a participar da partilha da riqueza que produzem ao longo de suas vidas, com suas mãos, o seu talento, o seu amor pela pátria de todos nós.

Contra a criminalização do MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA!
Pelo cumprimento das normas constitucionais que definem as terras destinadas à Reforma Agrária!
Pela adoção imediata dos novos critérios de produtividade para fins de Reforma Agrária!

São Paulo, 21 de setembro de 2009
Alípio Freire – escritor (São Paulo)
Hamilton Pereira, o Pedro Tierra – poeta e membro do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo
Heloísa Fernandes – socióloga, USP e ENFF
Osvaldo Russo – estatístico, ex-presidente do INCRA (1993-1994), diretor da ABRA e coordenador do núcleo agrário nacional do PT
Plínio de Arruda Sampaio – presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), ex-Deputado Federal Constituinte pelo PT-SP (1985-1991) e ex-consultor da FAO

Confira as demais assinaturas aqui (assinaturas feitas por correio eletrônico) e aqui (assinaturas feitas pelo Petition Online).

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Venezuela lanza el primer celular ecológico producido en el país

30 julio 2009/TeleSUR http://www.telesurtv.net

La estatal venezolana de telefonía celular Movilnet lanzó este jueves el primer celular ecológico fabricado en el país y diseñado en alianza con el fabricante asiático Motorola.
El Moto W233 Eco cuenta con una tapa elaborada con plástico reciclado proveniente de botellas de agua desechables", y se alimenta de un "cargador solar que busca reducir el consumo de electricidad y las emisiones de dióxido de carbono.

"Si 100 mil personas utilizan este equipo, habremos reducido una descarga de más de 78 mil kilos de dióxido de carbono y azufre a la atmósfera", dijo en rueda de prensa la presidente de Movilnet, Jacqueline Faría.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Chile/CARTA DE LA IV CUMBRE ABYA YALA*

20 abril 2009/[ADITAL] Agencia de Información Fray Tito para América Latina http://www.adital.com.br

Solicitamos su adhesión y la de su colectivo o agrupación, así como le pedimos que pueda hacerla llegar a sus contactos nacionales e internacionales para que ellos también puedan ampliar aun más la cobertura. Las adhesiones deben enviarse a redecosocial@gmail.com a la brevedad posible.

CARTA A LA IV CUMBRE CONTINENTAL DE PUEBLOS Y NACIONALIDADES INDÍGENAS DEL ABYA YALA

Hermanos y hermanas participantes en la IV Cumbre

En primer lugar saludarlos y desearles los mejores resultados en este encuentro que sin duda tendrá una enorme importancia no solo para vuestras comunidades, sino también para todos los que habitamos este territorio fértil generoso.
En las ciudades de Abya Yala crece el apoyo a la justa lucha por los derechos de los pueblos y nacionalidades indígenas por los estados plurinacionales y el buen vivir, por el territorio y la autonomía, en especial este apoyo se expande en las periferias y barrios pobres donde la presencia de miembros de las comunidades originarias es bastante notoria y también donde progresivamente aumenta la pobreza y la miseria.
Vuestra lucha hoy día es un ejemplo continental que no solo estimula a la organización autónoma de sectores de la población en comunidades urbanas para resolver necesidades cotidianas con las propias manos, sino también contribuye a los procesos de democratización de la sociedad y los estados, independientemente de las reticencias de los burócratas que se atrincheran en las instituciones a defender sus espacios de poder, apavoridos por las posibilidades emergentes de una democratización general de la sociedad que viene desde abajo y que les lleve a perder sus privilegios, y que en varias legislaciones comienza a verse ya el reconocimiento de la existencia y los derechos de los pueblos indígenas, tanto a nivel municipal como en escalas mayores hasta llegar a las máximas estructuras estatales, cosa que ustedes han conseguido sobre la base de una lucha sostenida en todos los planos, en la calle y en el campo, en las propias comunidades y en la prensa, en las organizaciones sociales y los parlamentos, en fin, sabiendo aprovechar sabiamente los espacios y aprendiendo de las experiencias, en especial que hay que conservar la autonomía para desprenderse de las relaciones de poder. También hemos aprendido de ustedes a reconocer y respetar a la madre tierra, ya que habíamos perdido la orientación dejándonos llevar por los collares de colores y espejitos de la tecnología de la sociedad egoísta y depredadora traída e instalada por los europeos en la forma de extrañas instituciones para dominar a los pacíficos habitantes de nuestras tierras, instrumentos de poder y sometimiento, como son los estados de corte occidental, absolutamente verticales y autoritarios. También nos han ensenado ustedes a abrir los ojos y defender los recursos naturales, como los bosques, montanas y ríos, por eso crecen y se destacan los comités de defensa del agua o de resistencia contra represas, mineras, pesca de arrastre y forestales, entre otras. Nos han ensenado a no confiar en aquellos que mandan desde afuera de nosotros, sino en las autoridades tradicionales y asambleas de todos los participes cotidianos del mundo de la vida. Hemos aprendido de ustedes que el saber no viene de las elites sino de la vida en común y la resolución colectiva de los problemas y necesidades de todos. Estamos aprendiendo de su lucha que no somos pájaros de alas cortadas por el poder, sino que estamos comenzando a recuperar la libertad de acción de nuestros cuerpos y espíritus con una mirada mas limpia hacia el horizonte en abrazo fraterno con nuestros hermanos y vecinos mas inmediatos con los cuales estamos forjando identidades comunitarias recuperando las raíces humanas del ser y estar juntos. En fin, estamos dejando de ser piezas utilizadas para beneficio de quienes destruyen nuestra tierra y agreden a los pueblos originarios.
En las periferias de las ciudades comienza poco a poco a verse el brote de la semilla que ustedes están plantando, múltiples formas de autoorganización de la propia población, las mujeres y la juventud con autonomía de los partidos, del estado y del mercado, surgen por diferentes lugares, países y ciudades, tales como centros culturales, emprendimientos productivos autogestionarios, huertas comunitarias, salud tradicional, escuelas barriales, bibliotecas populares, centros sociales, comités de consumidores unidos, permacultura, colectivos autónomos, etc. que paso a paso se articulan, aun en grados incipientes, para intercambiar localmente productos y reflexiones en una cadena de solidaridad, cooperación y apoyo mutuo.
Queremos pedirles perdón por no habernos dado cuenta antes de que nos habían encerrado en una burbuja y prisión de vida que no nos permitía ver que éramos cómplices de los estados y capitales depredadores en contra de la naturaleza y de ustedes. Pedirles perdón por haber participado en fuerzas militares de todos los colores que en vez de respetar su autonomía y seguir vuestras instrucciones, pretendían y pretenden sumarlos a algún proyecto de poder. Pedirles perdón por participar en las elecciones e instituciones que han legitimado durante más de 500 anos la persecución, el confinamiento y la muerte de muchos millones de ustedes. Hoy comprendemos que solo con ustedes podemos recuperar nuestra dignidad y construir juntos una nueva sociedad desde abajo, un mundo donde quepan muchos mundos, una nueva democracia que se inicie desde las comunidades rurales y urbanas, un mundo de paz y justicia, donde las reglas y sanciones sean elaboradas y aplicadas por las propias comunidades y no por poderes facticos atados a los intereses empresariales.
Notable seria que en esta época de crisis económica y de falta de esperanzas para muchos habitantes de las urbes, que estas iniciativas urbanas autogestionarias y redes incipientes de economía alternativa pudiesen comunicarse e intercambiar directamente con las comunidades originarias de las proximidades para tejer redes mas amplias que aproximen al campo con la ciudad en términos comunitarios, es decir de comunidad a comunidad, estimulándose mutuamente a organizar la subsistencia con los esfuerzos propios y a practicar en las ciudades formas de vida en común aprendidas de lo que ustedes muy bien denominan el Buen Vivir.
Para las poblaciones empobrecidas de las periferias de las ciudades será un enorme aliciente que la IV Cumbre incorpore entre sus resoluciones alguna nota al respecto, tal vez llamando a las comunidades urbanas, rurales y originarias a fortalecer las experiencias de organización autónoma barrial en las ciudades y campos estrechando lazos de economía directa con las comunidades campesinas y originarias, en el sentido de que una parte de la producción alimentaria, artesanal y cultural del campo se destine al intercambio con los colectivos barriales a costos inferiores que los del mercado oficial, que envenena y encarece los productos del campo, que en vez de los cuatro o cinco componentes individuales de la cadena producción-consumo (productor, transportista, comerciante, tal vez otro comerciante y finalmente el consumidor) se haga entre dos (productor comunitario-consumidor colectivo, siendo el transporte una tarea a combinar).
Eso podrá ser de ayuda a las comunidades, que deben hacer depender sus productos de intermediarios inescrupulosos y rapaces, que compran a precio bajo para venderlo a valores exorbitantes. Un comercio justo, solidario y fraterno como ese servirá mucho para los pobres urbanos y aun para los sectores medios que se ven cada vez mas empobrecidos.

*Les saludan fraternal y comunitariamente.

Red de Economía Popular y Ecología Social, Chile
redecosocial@gmail.com
Red Ecológica de Chile
redecologicachile@gmail.com
Semanario El Mauco, Curacavi, Región Metropolitana, Chile
www.semanarioelmauco.cl semanarioelmauko@gmail.com
Colectivo Germina, Curacavi, Chile
colectivogermina.blogspot.com colectivogermina@gmail.com
Colectivo de educación popular "La Escuela de la Vida", Santiago, Chile
laescueladelavida@hotmail.es http://edukacionlibertaria.blogspot.com
Casa Cultural y de Permacultura AKI, Santiago, Chile
http://www.republika550.cl centrodeinvestigacionescenika@yahoo.es
Universidad Libre, Chile
http://ulibre.org unlibre@gmail.com
Nueva Escuela No. 1, San Antonio, Chile
http://www.nuevaescuela1.blogspot.com nuevaescuela1@gmail.com
Red informativa Clajadep
http://clajadep.lahaine.org clajadep@hotmail.es
Centro Cultural TallerSol, Santiago Chile
tallersol1977@gmail.com
Centro de Ecodesarrollo Aldea Millawapi
http://millawapi.bligoo.com / millawapi@gmail.com

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