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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Abya Yala*/América Latina luta e volta à esquerda

28 de outubro de 2019, 09:50 h, Brasil 247 (Brasil) https://www.brasil247.com/blog/america-latina-luta-e-volta-a-esquerda


Emir Sader
*

Para o sociólogo Emir Sader, "a América Latina não apenas volta à esquerda", mas "luta à esquerda, desmontando o modelo neoliberal no seu eixo fundamental, o Chile". Neste cenário, diz ele, "a evolução da situação brasileira será determinante" para a terceira década do continente no século XXI


Nosso continente continua a ser o cenário das mais importantes lutas do mundo contemporâneo – contra o neoliberalismo e pela construção de alternativas ao modelo adotado pelo capitalismo no período histórico atual. O fôlego da retomada neoliberal se confirma como curto. Derrota espetacular de Mauricio Macri na Argentina, do tamanho da euforia que sua vitória havia despertado. Evo Morales, na Bolívia, aguenta firme, apesar da ofensiva da direita e da perda de apoios. No Uruguai, a Frente Ampla continua como a maior força política, mas vai ter parada dura no segundo turno, pela soma das direitas e também pela perda de apoios. Na Colômbia, as eleições municipais representam dura derrota para o atual presidente, Iván Duque,  representante do uribismo, se fortalecem candidatos do campo popular e vinculados ao novo líder da esquerda, Gustavo Petro.

A Argentina confirma as fragilidades do neoliberalismo, que a direita não tem outra alternativa, que não aprendeu do esgotamento do seu modelo, que se enganou quanto ao sucesso dos governos antineoliberais, volta com sua política de ajustes fiscais e revela sua incapacidade não apenas de retomar o crescimento econômico e atacar o desemprego,  como, em decorrência disso, de

quinta-feira, 25 de julho de 2019

CPLP/Governado pela esquerda, Portugal atinge desemprego mais baixo em 27 anos


24 de julho de 2019, 12:01 h, Brasil 247 (Brasil) https://www.brasil247.com/mundo/governado-pela-esquerda-portugal-atinge-desemprego-mais-baixo-em-27-anos 

O governo de Portugal, que tem como primeiro-ministro António Costa, informou que, pela primeira vez, em mais de 27 anos, o desemprego registado ficou abaixo das 300 mil pessoas; o número de desempregados inscritos nos serviços de emprego, em junho de 2019, desceu para as 298,2 mil; na atual legislatura, o desemprego registado já desceu 46,3%

247 - O governo de Portugal informou que, pela primeira vez, em mais de 27 anos, o desemprego registado ficou abaixo das 300 mil pessoas. O número de desempregados inscritos nos serviços de emprego, em junho de 2019, desceu para as 298,2 mil. Ao longo da atual legislatura, o desemprego registado já desceu 46,3%, o equivalente a menos

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Brasil/Confira os locais dos atos em defesa da Petrobras e contra o golpe

30 setembro 2015, Vermelho http://www.vermelho.org.br(Brasil)

Neste próximo sábado (3), milhares irão às ruas em todo país, no intuito de defender a Petrobras, tendo em vista que forças reacionárias, aliadas ao imperialismo, ameaçam tomá-las do povo brasileiro, através de ações golpistas. O ato também servirá com um grito pela democracia, já que a direita continua a não ouvir o recado das urnas e segue em frente com o pedido de impeachment.


A manifestação está sendo organizada pela Frente Brasil Popular, lançada no último dia 5, em Belo Horizonte, composta pela sociedade civil, movimentos sociais e sindicais.

Já sabe onde será a manifestação em sua cidade? Confira abaixo:

São Paulo 
Capital - 14h - Avenida Paulista, 901 – em frente ao prédio da Petrobras
Caminhada: Paulista, Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, Largo São Francisco e Praça da Sé

Distrito Federal- 3/10
Em Brasília será às 10h na Feira da Ceilândia

Rio de Janeiro - 2/10 
No Rio, o ato será no dia 2, no centro, com

sábado, 26 de setembro de 2015

Brasil/POR UM CONGRESSO COM A CARA DO POVO

22 setembro 2015, Carta Maior, Blog do Emir http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

Por Emir Sader

A retirada dos financiamentos empresariais pode representar a verdadeira possibilidade de se eleger Congressos com a cara do povo e não das suas elites.

Nos sistemas políticos representativos, os cargos executivos representam a maioria da população. Os legislativos deveria representam as distintas posições em suas devidas proporções, espelhando a diversidade – social, politica, cultural – da sociedade.
 
No entanto, não há nada mais oposto à cara da sociedade brasileira do que a composição dos parlamentos, a todos os níveis. É como se os congressos fossem a sociedade invertida: há muito mais parlamentares representando o agronegócio do que as trabalhadores rurais enquanto que, na realidade do campo, são milhões de trabalhadores trabalhando a terra por um lado e um punhado de donos de agronegócio por outro.

Acontece que, entre a realidade concreta e essa representação invertida intervém o poder do dinheiro, produzindo todas essas distorções. Se os grandes temas discutindo pelo Congresso fossem debatidos e definidos pela sociedade realmente existente, frequentemente as resoluções seriam o oposto do que os parlamentares decidem.

O financiamento privado de campanha elegeu, até aqui, não bancadas de partidos, mas de empresas que os financiam, os conhecidos

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Brasil/A VARIÁVEL LULA

27 julho 2015, Blog do Emir, Carta Maior cartamaior.com.br (Brasil)

 

Por Emir Sader

 

É Lula que pode ser o eixo da recomposição das forças de esquerda, democráticas e populares, recomposição que deve ser feita com novas plataformas.

Lula foi situado no centro da vida política brasileira. Todos os holofotes se concentram sobre ele: ou será abatido no voo pela direita, tirando-o, no tapetão, da vida política, ou exercerá seu papel de eixo da recomposição da esquerda brasileira e conseguirá dar continuidade ao processo iniciado em 2002, com todas as adequações necessárias.

Em um marco de crise de credibilidade das instituições, das forças políticas e sociais, das lideranças, a exceção fica com Lula. Não fosse assim, ele não seria alvo dos ataques concentrados da direita. Se acreditasse nas suas pesquisas, bastaria a direita esperar até 2018 e derrota-lo com qualquer um dos seus candidatos.

O destino da direita depende de conseguir inviabilizar juridicamente a candidatura do Lula e ter assim o caminho aberto para reconquistar a presidência da república. Caso contrario, teria que se consolar com um novo mandato do Lula, limitando-o pela revogação da reeleição.

Do lado do campo popular, Lula também é a referência, é o grande patrimônio, com ele pode contar. O maior líder popular da história do Brasil, Lula mantém vínculos profundos com a massa da população, seus governos ficaram marcados na consciência e na memoria das pessoas, Lula representa a auto estima dos brasileiros. Por tudo isso, apesar

terça-feira, 10 de março de 2015

Brasil/UNE convoca os estudantes para mobilização no dia 13 de março

10 março 2015, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)


Presidenta da UNE, Virgínia Barros, durante a Plenária Nacional dos Movimentos Sociais, realizada no último sábado (7)

A UNE convoca os estudantes para se mobilizar nesta sexta-feira (13), em todo o Brasil, contra as investidas golpistas, em defesa da Petrobras, da reforma política e da conquista de mais direitos para o povo brasileiro. Na capital paulista a mobilização será em frente ao prédio da Petrobras, Avenida Paulista, 901. 

Mariana Serafini

Presidenta da UNE, Virgínia Barros, durante a Plenária Nacional dos Movimentos Sociais, realizada no último sábado (7)

A presidenta da UNE, Virgínia Barros, alerta para o fato de que a movimentação golpista não acontece apenas no Brasil, mas também na Venezuela e na Argentina, e a situação nacional não pode ser vista de forma isolada. Ela ressalta ainda a crise do capitalismo que assola os países da Europa e, evidentemente, atinge também a economia brasileira. 

Vic é incisiva ao afirmar que cabe aos estudantes e aos trabalhadores ocupar as ruas em defesa da democracia, dos direitos já conquistados e dos avanços no campo social. Quanto à Petrobras, a relação dos estudantes com a empresa já é antiga, desde a campanha “O petróleo é nosso!”, em 1953. 

Os estudantes sempre estiveram em defesa da Petrobras e do Brasil. Em 2009 o petróleo voltou à agenda nacional e mais uma vez a

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Brasil/Reúne-se em SP a mais ampla articulação de esquerda do mundo



30 de Julho de 2013, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Começa nesta quarta-feira (31), na capital paulista, o 19º Encontro do Foro de São Paulo. O evento desenvolve-se até o domingo, dia 4 de agosto, e mobiliza as atenções do conjunto das forças progressistas não só latino-americanas, mas de todo o mundo.

Por José Reinaldo Carvalho, editor do Vermelho


Importantes líderes progressistas estarão presentes, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente boliviano Evo Morales e dirigentes de partidos comunistas no poder, como os partidos comunistas de Cuba, da China, da Coreia Popular e do Vietnã. Durante esses dias, estarão reunidos representantes de cerca de uma centena de partidos de esquerda da região e muitos outros da Europa, África, Ásia e Oriente Médio.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Portugal/“REVISÃO INACEITÁVEL DA HISTÓRIA”

8 junho 2010/Esquerda.Net http://www.esquerda.net

Deputado bloquista critica comemoração da República em Aveiro que envolve desfile de crianças envergando a farda da extinta Mocidade Portuguesa e fazendo a saudação fascista.

O deputado Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, criticou a evocação da Mocidade Portuguesa numa cerimónia comemorativa do Centenário da República, prevista para ocorrer em Aveiro, considerando-a “uma revisão inaceitável da História”.

O evento está previsto para esta quarta-feira em praças e ruas de Aveiro, e faz parte das comemorações do centenário da República em Portugal. Mais de 1200 crianças de quatro jardins-de-infância e cinco escolas do 1.º ciclo do município participam. Entre os grupos que representam instituições ou personalidades da República, algumas dezenas de crianças irão marchar com a farda da extinta Mocidade Portuguesa, organização de enquadramento da juventude que existia no regime fascista.

Segundo o Diário de Aveiro, Alcina Moura, professora e coordenadora do projecto de comemoração da efeméride argumenta que apenas um pai se manifestou contra a participação da filha com aquela idumentária (que inclui um cinto com a fivela em forma de “S”, de Salazar), mas afirma que foi um caso isolado entre os alunos e alunas de três turmas do quarto ano da escola do 1º ciclo das Barrocas escolhidas para tomar parte na parada envergando réplicas de fardas, a entoar o hino da Mocidade e de mão esticada (saudação fascista).

“Como se percebe pelas palavras do próprio director do agrupamento, o que está em causa, e cito, é um belo momento de revisão da História. Vão fazer um momento de apresentação de revisão da História portuguesa aos aveirenses e isso é algo que nos choca”, afirmou o deputado bloquista.

Soares recordou que naquele distrito “existiram muitas pessoas que lutaram contra o fascismo e contra o Estado Novo, algumas delas foram presas, outras torturadas”.

Para Pedro Filipe Soares, este processo de revisão, feito por aqueles que são acríticos da História, “é um processo completamente inaceitável”.

Portugal/A PEGADA SOCIAL DA CRISE

Esquerda.Net http://www.esquerda.net

Joana Mortágua

Tal como no ambiente, é hora de impor aos poluidores o ressarcimento dos danos causados.

O Governo português deve dar o exemplo através do offshore da Madeira, mas esta bandeira de justiça económica em tempos de dificuldade deve envolver os povos europeus

A crise é a versão moderna do saque: O governo português (PS e PSD) saca aos portugueses mais pobres; os Estados europeus mais fortes sacam aos Estados europeus mais fracos; o Banco Central Europeu tenta sacar a quem já está de joelhos com tanto saque; e o sector financeiro privado saca a todos os outros os lucros perdidos durante a espiral da crise por ele criada.

Na sequência de roubos ninguém assume responsabilidade nem admite culpas, ainda que no rastro destes modernos saqueadores surjam as consequências que todos conhecemos: mais pobreza e desigualdade, desastre social, desemprego e salários baixos para os que estão no fundo da cadeia. Já todos sabemos bem o que significa a “pegada ecológica” do capitalismo. Esta é a “pegada social” da crise.

Tal como no ambiente, é hora de impor aos poluidores o ressarcimento dos danos causados. A pergunta que se impõe é bastante simples, afinal: quando é que exigimos alguma coisa a quem sempre enriqueceu com tanto saque?

Dizem-nos que estamos todos a apertar o cinto, mas existem na espiral da crise buracos negros que permitem esconder negócios suspeitos; há quem se esconda em “jogos de espelhos”, transferindo milhões sem qualquer controlo, de um lado para outro, sem pagar os impostos e sem cumprir os sacrifícios que agora nos impõem.
Os offshores são os instrumentos desse saque, e afectam todos os países europeus sem excepção.

Na semana passada a Polícia Financeira de Itália desmontou um esquema de fraude fiscal com recurso a facturas falsas e lavagem de capitais. Um pequeno grupo de nove pessoas roubou ao Estado italiano 31 milhões de euros em taxas e impostos não pagos. Como? Através de transferências para três paraísos fiscais, entre eles o offshore da Madeira.

Só em 2009, saíram de Portugal com destino a estes buracos negros financeiros 12 mil milhões de euros, grande parte sem pagar a parte devida ao Estado português. Quer isto dizer que, só em 2009, um punhado de pessoas detentor de 12 mil milhões de euros deixou de cumprir a sua parte dos sacrifícios impostos pela crise. Quer isto dizer que, só em 2009, o Estado português ficou uns milhões de euros mais pobre para poder tapar a pegada social deixada pela crise.

Tal como o Estado português, também o italiano, o grego e o espanhol ficaram a perder com esta injustificada permissividade perante o obscurantismo financeiro. Mas nem esta evidência impede o acordo de Sócrates, Passos Coelho, Alberto João Jardim, Sarkozy, Zapatero e Berlusconi e de todos os outros governantes europeus: os offshores estão para ficar; o regime de excepção nos sacrifícios é para manter.

Não cedemos perante um saque tão descarado. O Bloco de Esquerda apresentou uma proposta clara: 25% de taxa sobre os milhões que são transferidos todos os anos para os offshores. Essa é a nossa exigência a quem enriqueceu com o saque durante tanto tempo.

O Governo português deve dar o exemplo através do offshore da Madeira, mas esta bandeira de justiça económica em tempos de dificuldade deve envolver os povos europeus como frente de combate por uma reivindicação comum: democracia e igualdade nos sacrifícios impostos pela crise.

terça-feira, 8 de junho de 2010

CHINA EXPÕE VISÃO PRAGMÁTICA SOBRE QUADRO NA AMÉRICA LATINA

7 junho 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Artigo publicado na versão digital do Diário do Povo - órgão oficial do Partido Comunista da China - expõe a visão pragmática do país asiático em relação ao quadro político na América Latina. O texto avalia o avanço da esquerda no continente como "uma nova oscilação no pêndulo do relógio histórico". Leia abaixo a íntegra:

O QUE A CHINA DEVE FAZER ANTE O AVANÇO DA ESQUERDA
NA AMÉRICA LATINA?

Por Zhang Jiazhe, no Diario do Povo on line

Desde o fim do século passado até a data atual, 12 partidos de esquerda da América Latina venceram as eleições e assumiram o poder. Esta conjuntura tem sido uma fonte de alegria para muito chineses, que viram, na chegada da esquerda nesta região geográfica, o último prego no caixão do "Consenso de Washington" e do neoliberalismo, após ambos terem sido condenados pelos povos latino-americanos em meio ao recente fervor esquerdista.

No entanto, nos últimos anos, não faltaram países latino-americanos governados pela esquerda que têm levantado a bandeira do garrote "anti-dumping" contra a China, disferindo duros golpes às exportações do país asiático até esta zona. Isso ocorreu inclusive naquelas nações que reconheceram a condição da China como uma economia de mercado.

Por outro lado, esses países continuam a manter relações estreitas com os Estados Unidos, cujas posições no tema dos direitos humanos têm sido respaldadas através de voto nas instâncias internacionais. Alguns mantiveram preços elevados para a aquisição de minério de ferro. Ante esta situação, os chineses ficamos perplexos, imaginando o que acontece com esses países.

Tendo em conta os altos e baixos que América Latina tem sofrido durante um período razoavelmente longo de sua história, parece razoável concluir que a atual emergência da esquerda naquela área nada mais é que uma nova oscilação no pêndulo do relógio histórico até a esquerda, e que as muitas variações que têm caracterizado este pêndulo são circusntanciais à área, em sua transição de regimes ditatoriais aos democráticos; das juntas militares às administrações civis; dos períodos de privatizações às campanhas de nacionalização; do protecionismo à abertura; dos governos de esquerda aos de direita; ou do "socialismo" (ao estilo latino-americano) ao capitalismo.

Nos 200 anos transcorridos desde que a maioria destes países declararam a sua independência da Espanha e Portugal, a região se viu oscilando entre extremos. É por isso que não é aconselhável alimentar muitas esperanças pelo atual rumo dos acontecimentos, nem colocar muito alta a barra das expectativas. Naturalmente, a China deve aproveitar a oportunidade em tudo o que lhe for conveniente.

Entre os 12 países sob a liderança da esquerda, há um grupo que pode ser considerado "radical" (Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua, em certa medida, que formaram uma "aliança contra os EUA") e outro de "moderados". Estes últimos não têm diferenças essenciais com os não-esquerdistas, pois tendem mais para o nacionalismo e o populismo com peculiaridades latino-americanas, e inclusive evidenciam certas posturas do socialismo cristão. A esses países se deve render um tratamento igual ao dado aos não-esquerdistas, partindo de iguais princípios diplomáticos e leis econômicas. Não há necessidade de diferenciá-los atendendo a suas tons ideológicos.

O autor deste artigo acredita que se pode persistir no princípio de "separar a política da economia", ao tratar com os países de esquerda "radicais". No terreno econômico, a China pode desenvolver os intercâmbios econômicos e comerciais sobre a base da igualdade e o benefício mútuo com estes países. Inclusive se pode passar por alto a habitual ojeriza estadunidense quando nota que outros fomentam atividades econômicas nos países da zona. Não se deve esquecer que, no passado, os EUA recorreram a táticas semelhantes para competir primeiro e, depois, expulsar do jogo uma Europa empobrecida.

Ao abordar os problemas políticos (incluindo o tema militar), a China deve começar a levar em conta suas relações com os EUA e suas ligações com a América Latina, ou seja, não porque prejudicar uns e desafiar outros. Na hora de desenhar sua diplomacia para a América Latina, a premissa da China deve, em todos os momentos, pensar com a cabeça fria.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Paraguai/UM ANO DE AMBIGUIDADES

Acordo com o Brasil dá mais fôlego a Fernando Lugo, que chega ao primeiro ano na presidência com contradições e dificuldades em administrar um Estado controlado há décadas pelo Partido Colorado

21 agosto 2009/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

Daniel Cassol, correspondente em Assunção (Paraguai)

Após fechar um acordo com o Brasil sobre a energia da binacional Itaipu, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, fez um pronunciamento solene em frente ao Palácio de Governo. Era 25 de julho. Com menos de um ano de negociações, o país chegava a um acordo esperado há três décadas. Mas a referência ao passado mirava o futuro: próximo de completar os primeiros doze meses na presidência, Lugo recuperava fôlego, calava críticas e abria uma nova etapa para o seu até então fragilizado governo.

“Evidentemente que o acordo tranquilizou muito o ambiente. Gerou um ambiente mais propício para o diálogo”, admite Enrique Salim Buzarquis, presidente da Câmara dos Deputados pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA).

Lugo, ex-bispo convertido em candidato a presidente por consenso de diferentes movimentos sociais e partidos de esquerda, aliou-se ao tradicional PLRA, instituição com mais de cem anos de existência, e assumiu a presidência do Paraguai em 15 de agosto de 2008 com o desafio de promover “el cambio” num Estado controlado há 60 anos pelo Partido Colorado. A tarefa não vem sendo fácil.

Lugo faz um governo ambíguo. Promove avanços nas políticas sociais e no combate à corrupção, além de uma postura séria nas relações internacionais, o que levou não só ao acordo histórico com o Brasil mas a uma nova imagem do país no exterior.

“Na luta contra a corrupção, ganhamos um respeito internacional, e em um ano de governo não há nenhum indício de casos de corrupção na presidência e nos ministérios. A segunda conquista é o acordo que conseguimos com Itaipu, que foi histórico”, resumiu o presidente, em entrevista a rádios comunitárias no Equador, durante a última reunião da Unasul (União das Nações Sul-Americanas).

Sem rumo
Por outro lado, Lugo cede às pressões do agronegócio, vacila em temas estratégicos como a reforma agrária e, para melhorar a atribulada relação com o Congresso, acena aos partidos conservadores.

Assim, é forte no Paraguai a ideia de que o presidente não tem uma linha política clara de atuação. “Existem problemas complexos que impedem que ele tenha uma linha de ação mais concreta. O que estamos vendo é uma situação em que, ideologicamente, há sinais à esquerda, sem deixar de dar uma mão à direita”, afirma o sociólogo José Nicolás Morinigo, ex-senador pelo Partido País Solidário, que na última eleição tentou voltar ao Congresso pelo Partido do Movimento ao Socialismo (P-MAS).

Ideia que é compartilhada por setores de oposição a Lugo. Héctor Cristaldo, presidente da União de Grêmios de Produtores (UGP), que reúne todas as entidades do agronegócio no país, diz que o governo não tem rumo. “Não há nenhum avanço. Há mais dúvidas que certezas. Um ministro diz uma coisa, no dia seguinte outro ministro lhe contradiz. Não há rumo. É muito difícil trabalhar assim”, afirma.

Se de fato o governo não tem rumo, os ruralistas paraguaios colaboraram para isso. Ameaçando com a realização de um “tratoraço”, que por fim não aconteceu, a UGP obrigou Lugo a derrubar seu decreto que regulava a utilização de agrotóxicos. A medida, uma das mais emblemáticas do primeiro ano de gestão, gerou descontentamentos entre os camponeses e mostrou que as dificuldades são muitas e que, ao que parece, Lugo não tem muita disposição para enfrentá-las.

“Quem exerce o poder real são as oligarquias, e eles estão trabalhando para manter seus privilégios”, diz o dirigente camponês Belarmino Balbuena. “Estamos preocupados porque houve muitas promessas, mas não sabemos se Lugo está mais próximo da direita ou da esquerda. O que se nota até hoje é que a direita está rodeando o governo”, avalia.

Como prega sua formação católica, Lugo parece não ter mesmo vocação para o conflito. Recentemente, lançou a ideia de realizar uma consulta popular e recuou após a reação negativa do Congresso e da imprensa, deixando para que os setores de esquerda levassem adiante a proposta. Derrotada no Parlamento a aprovação do Imposto de Renda, que não existe no Paraguai, o presidente iniciou uma aproximação que incluiu diálogos com o Partido Colorado e com o UNACE, partido do general Lino Oviedo.

Realidade complexa
Por outro lado, essa postura pode ser a mais adequada diante da complexa realidade política paraguaia, com marcas profundas das seis décadas de domínio do Partido Colorado, tradição recente de golpes e uma polaridade expressa na emergência de um suposto grupo guerrilheiro chamado Exército do Povo Paraguai (EPP), cuja existência, mesmo duvidosa, tumultua o ambiente político no país.

No episódio do reconhecimento de seu filho – as outras duas denúncias ainda não se confirmaram –, Lugo teve sua credibilidade abalada e foi ameaçado inclusive de impeachment. O próprio vice-presidente, Federico Franco, do PLRA, contribui para a instabilidade do governo. Recentemente, diante de rumores de que o presidente estaria doente, Franco respondeu simplesmente que estava pronto para assumir.

Transformando o “antichavismo” no “anticomunismo” do século 21, a direita paraguaia acossa o governo Lugo. A política econômica é conservadora e a reforma agrária será deliberadamente lenta. “Nenhum país na América Latina fez uma reforma agrária que tenha levado um ano, cinco anos. Nosso plano de reforma agrária termina em 2023”, disse o próprio presidente, no Equador.

Sem condições ou mesmo disposição para grandes rupturas, Lugo prioriza o fortalecimento de políticas sociais, para combater a pobreza no país, mas, ao mesmo tempo, não consegue controlar a Polícia Nacional, que segue reprimindo manifestações camponesas, como nos últimos governos. Transformar o Estado paraguaio não é uma tarefa a ser concluída em um ano de governo.

Por isso, o presidente parece apostar em transformações possíveis nas instituições. Aos poucos, vai testando a possibilidade de uma reforma na Constituição, algo que ainda está no horizonte distante.

Novo fôlego
Passada a turbulência dos primeiros meses de governo, e fortalecido com o acordo obtido com o Brasil – politicamente importante, mas que também representará um acréscimo considerável no orçamento do país –, Fernando Lugo tem um pouco mais de fôlego para levar adiante essas mudanças.

No meio desse complicado jogo político, a frágil esquerda paraguaia começa um processo de unidade para respaldar transformações mais profundas. Não está em discussão se o governo está em disputa ou não. Ambíguo e conciliador, assim é o governo Lugo.

“Esse é o Lugo, não é mais nem menos do que é. E ele somente vai ter posições políticas mais fortes quando o movimento popular unificado exija com maior força e conduza este processo. Se não, não há disputa”, afirma Rocío Casco, presidente do P-MAS. (leia entrevista)

Para ela, é preciso compreender as contradições do processo paraguaio e aproveitar o momento para se organizar: “Não vai ser um governo socialista, mas, compreendendo a história paraguaia, podemos ter alguns avanços. Não que as pessoas vão confiar nas instituições burguesas, mas que olhem o socialismo como uma opção real de mudança. Se nós conseguirmos avançar nesses objetivos, podemos dizer muito obrigado, presidente Lugo”.

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Forças sociais se mobilizam por mudanças
No momento em que governo Lugo completa um ano, movimentos e partidos de esquerda saem às ruas para, ao mesmo tempo, apoiar e pressionar o presidente

Os avanços e retrocessos da gestão Lugo
Na semana que antecedeu o aniversário de um ano do governo do ex-bispo paraguaio, o Brasil de Fato realizou uma série de entrevistas de avaliação de sua administração

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A BATALHA DE HONDURAS E A LUZ AMARELA NA AMÉRICA LATINA

18 agosto 2009/Vermelho http://www.vermelho.org.br

A obstinação de Micheletti foi encorajada por aqueles que vêem a crise em Honduras como uma chance de interditar o avanço da esquerda na América Latina. Um mês e meio depois de Zelaya ter sido afastado, o pequeno e desesperadamente pobre país da América Central se tornou palco de uma grande batalha que poderá desenhar a política hemisférica, inclusive a política externa de Barack Obama, para os próximos anos. A fixação em Chávez é muito útil para desviar a atenção da pobreza que corrói a região, bem como do fracasso do modelo econômico neoliberal promovido por Washington nas últimas décadas.

Por Greg Grandin *, em The Nation

Roberto Micheletti, que tomou o poder em Honduras depois do golpe de 28 de junho, tem estado sob intensa crítica da comunidade internacional por rejeitar um compromisso negociado pelo presidente Oscar Arias, da Costa Rica, o qual permitira a Manuel Zelaya, o presidente democraticamente eleito, forçado ao exílio pelos militares, retornar como líder de um governo de reconciliação.

Mas a obstinação de Micheletti foi encorajada por aqueles que vêem a crise como uma chance de interditar o avanço da esquerda na América Latina. Um mês e meio depois de Zelaya ter sido afastado, o pequeno e desesperadamente pobre país da América Central se tornou palco de uma grande batalha que poderá desenhar a política hemisférica, inclusive a política externa de Barack Obama, para os próximos anos.

Nos anos de 1980 Honduras serviu como um estágio para as operações anticomunistas de Ronald Reagan na Nicarágua, em El Salvador e na Guatemala, e como um portal para a Nova Direita Cristã derrotar a Teologia da Libertação. A cruzada anticomunista da América Central tornou-se algo como o esquadrão da morte do Código Da Vinci, agregando um bloco carnavalesco incluindo a primeira geração de neocons, torturadores latino-americanos, oligarquias regionais, cubanos anti-Castro, mercenários, ideólogos do Opus Dei e enormes púlpitos evangélicos.

A campanha para expulsar Zelaya e impedir sua restauração ao poder reuniu os velhos camaradas dessa batalha, inclusive figuras sombrias, como Fernando “Billy” Joya (que, nos anos 80 foi membro do Batalhão 316, uma unidade paramilitar hondurenha responsável pelo desaparecimento de centenas, e que agora trabalha como assessor de segurança de Micheletti) e os veteranos do Irã-Contras, como Otto Reich (que dirigiu o gabinete de diplomacia pública de Reagan, que malversou o dinheiro público para manipular a opinião pública a apoiar a guerra dos Contra contra a Nicarágua).

Os generais hondurenhos que depuseram Zelaya receberam seu treinamento militar no auge da guerra suja, inclusive com cursos na notória Escola das Américas. E a atual crise revela uma química familiar entre as hierarquias católicas conservadoras e os Protestantes evangélicos que, com uma mão deram suporte ao grupo, e cristãos progressistas que estão sendo atacados pelas forças de segurança, pela outra.

Aliados à coalizão do golpe estão novos atores, como o venezuelano Robert Carmona Borjas, que em 2002 se envolveu na tentativa de derrubar o presidente venezuelano Hugo Chávez. De acordo com a analista de América Latina Laura Carlsen, Carmona, trabalhando junto com Reich, voltou suas atenções para Honduras depois do fracasso na tentativa deter a vitória eleitoral da esquerda na Venezuela.

Começando em 2007, a Fundação Arcadia de Carmona lançou uma campanha midiática para desacreditar Zelaya, acusando seu governo de corrupção. Como escreveu Carlsen, a “natureza politizada da ofensiva anti-corrupção da Arcadia estava clara desde o começo”. Carmona, bem como Otto Reich, acusaram o presidente Zelaya de 'cumplicidade' com vários crimes. A cruzada foi similar ao modo como o Instituto Republicano Internacional ligado a grupos de “promoção da democracia” desestabilizaram o presidente haitiano Jean-Bertrand Aristide, resultando em sua derrubada em 2004.

Outro recém chegado na batalha é Lanny Davys, ex-assessor de Hillary Clinton e atual lobista, que foi contratado pelos empresários que deram suporte ao golpe para pressionar o Departamento de Estado de Clinton a reconhecer o governo Micheletti. A ala de Clinton no Partido Democrata tem vínculos profundos com neoliberais latino-americanos que presidiram as ruinosas políticas de liberalização de mercados nos anos de 1990, agora vastamente deslocadas do poder por novos membros da esquerda regional. Os consultores de pesquisas de Clinton, como Stanley Greenberg e Doug Schoen, vêm trabalhando em muitas de suas campanhas eleitorais [da América Latina], sempre do lado perdedor.

Três anos atrás a região, localizada na esfera de influência dos EUA pelo Acordo de Livre Comércio da América Central, parecia imune às mudanças que vinham ocorrendo na América do Sul, que tinham levado a esquerda ao poder na maioria dos países. Mas então, os Sandinistas voltaram ao poder na Nicarágua em 2006. Recentemente, a FMLN [Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional] ganhou a presidência em El Salvador, e a Guatemala, liderada pelo presidente de centro-esquerda Álvaro Colom, está testemunhando o ressurgimento de um pesado ativismo, a maior parte contra as corporações transnacionais que exploram minérios e biocombustíveis.

Os movimentos de Zelaya
Em Honduras, Zelaya agitou o cenário ao aumentar o salário mínimo e pedir desculpas pelas execuções de crianças de rua e membros de gangues, levadas a cabo pelas forças de segurança, nos anos 90. Ele fez movimentos para reduzir a presença do exército dos EUA e se recusou a privatizar a Hondutel, a empresa estatal de telecomunicações, uma negociação que Micheletti, como presidente do Congresso, pressionou para que se realizasse. Zelaya também vetou a legislação, apoiada por Micheletti, que baniu a venda da pílula do dia seguinte.

Considerando o vergonhoso apoio do presidente nicaraguense Daniel Ortega às posições anti-aborto da igreja católica, a qual resultou numa legislação que condena a trinta anos de prisão a mulher que o praticar, essa foi talvez a medida mais corajosa tomada por Zelaya. Ele também aceitou ajuda internacional, na forma de petróleo a baixo custo da Venezuela.

Seria impossível superestimar o ódio que a classe dominante da América Central tem de Chávez, cuja presença é vista por trás de todos os protestos massivos e de todas as manifestações pela democratização política e econômica da região. O presidente de um conselho empresarial hondurenho disse recentemente que Chávez “tinha Honduras na sua boca. Ele era um gato com um rato na boca, que foi embora”.

Ideia fixa
A fixação em Chávez é muito útil para desviar a atenção da pobreza que corrói a região, bem como do fracasso do modelo econômico neoliberal promovido por Washington nas últimas décadas. Quarenta por cento dos centro-americanos, e mais de 50% dos hondurenhos vivem na pobreza.

A obsessão por Chávez também distrai do fato de que sob a igualmente desastrosa “guerra contra as drogas” de Washington, os cartéis do crime, profundamente arraigados nas famílias das oligarquias militares e e tradicionais, levou boa parte da América Central à condição que o Gabinete para a América Latina de Washington chama de “estados cativos”.

Para a Casa Branca, Honduras está provando ser um difícil e inesperado teste de política externa. Depois de condenar o golpe, Obama entregou a gestão da crise ao Departamento de Estado. Em vez de trabalhar diretamente com a Organização dos Estados Americanos (OEA), a Secretária de Estado Hillary Clinton nomeou unilateralmente Oscar Arias, quebrando compromissos e ignorando as preocupações de muitos outros governos latino-americanos de que negociações garantiriam muito mais legitimidade ao golpe.

Até agora, Clinton tem relutado em aplicar uma série de possíveis sanções, inclusive congelando contas bancárias daqueles que protagonizaram o golpe, para forçar Micheletti a aceitar o plano de Arias. E para aqueles que vêem Micheletti como a última linha contra o avanço de chavismo – seja em Honduras, na Guatemala, El Salvador ou em qualquer outro lugar da América Latina – o retorno de Zelaya, mesmo a tão poucos meses de término do seu mandato, é inaceitável.

A direita norte-americana
No fim dos anos 70 a revolução sandinista revelou os limites da tolerância de Jimmy Carter com o nacionalismo do Terceiro Mundo. Quanto mais Carter tentava apaziguar os falcões na sua administração, mais ele era acusado de vacilar, pavimentando assim o caminho para os neoconservadores sob Reagan, para usar a América Central como amostra de sua linha dura.

Hoje, uma dinâmica similar está tomando lugar. Os republicanos se alinharam ao redor de Micheletti, enviando uma delegação congressual, liderada por Connie Mack para visitar Tegucigalpa. Em mais uma página da história da estratégia da direita na América Latina, eles acusaram Obama, associando-o com Chávez..

Obama disse: “Esse é o tipo de expediente ostensivo que os Republicanos, fora da agenda doméstica, vêm adotando. A posição da Venezuela em Honduras é idêntica à do Brasil e do Chile – e, nessa questão, a da União Européia”. Mas os ataques da direita são efetivos, em larga medida porque assim auto-descritos liberais repetidamente se enfileiram na demonização não apenas de Chávez, como o fez Lanny Davis recentemente, mas também de esquerdistas como Evo Morales e Rafael Correa, no Equador.

No começo de Agosto, o Departamento de Estado pareceu estar dando suporte aos republicanos, declarando numa carta ao senador republicano Richard Lugar que “as ações provocativas” de Zelaya “desencadearam os eventos que levaram ao seu afastamento”. Essa declaração, bem como os mornos esforços para pressionar Micheletti, são um mau presságio quanto à disposição da administração Obama em resistir à pressão da direita.

O próprio Obama continua a enviar sinais confusos. Numa cúpula de presidentes do México, Canadá e EUA em Guadalajara, em agosto, ele reclamou que “os críticos que dizem que os EUA não intervieram suficientemente em Honduras são os mesmos que dizem que sempre interviemos e que os Yankees precisam sair da América Latina. Não se pode ter ambas as coisas”.

Contudo, ninguém na América Latina está pedindo uma intervenção unilateral dos EUA, mas, antes, que Washington trabalhe multilateralmente com a OEA. Ao nomear Oscar Arias, os Estados Unidos efetivamente sobrepujaram a OEA. Assim como Obama fez essas observações, os presidentes da América do Sul, que se encontraram em Quito, no Equador, reafirmaram sua condenação do gole e disseram que não vão reconhecer qualquer presidente eleito sob o atual regime – um passo que o Departamento de Estado de Clinton se recusou a dar.

Uma luz amarela na América Latina
O fracasso em restaurar o poder de Zelaya enviará uma clara mensagem aos conservadores latino-americanos de que Washington tolerará golpes, uma vez que esses tenham sido propiciados com o pretexto democrático. Como observou recentemente o historiador Miguel Tinker num ensaio publicado em Common Dreams eles já entendem que Honduras pode ser um ponto de virada.

Um homem de negócios conservador venceu a presidência no Panamá. Em junho, na Argentina, o partido de centro-esquerda peronista de Cristina Fernández sofreu uma derrota relativa e perdeu o controle do Congresso. E pesquisas mostram que as próximas eleições presidenciais no Chile e no Brasil possivelmente implicarão perdas maiores para a esquerda.

Enquanto isso, Zelaya está convocando apoiadores dos arredores para pressionarem pelo seu retorno. Em Honduras, os protestos continuam e a contagem de corpos dispara. Ao menos 11 apoiadores de Zelaya foram assassinados desde o golpe. O último, Martín Florencio Rivera, foi apunhalado até a morte depois de ter deixado o velório de uma outra vítima.

Micheletti, por sua vez, está recolhido em Tegucigalpa, apostando que pode alavancar, por fim, o apoio internacional, até que a agenda da eleição presidencial em novembro seja regularizada. O curso futuro da política latino-americana pode estar em jogo.

* Greg Grandin é professor de história na New York Univesity e um dos grandes especialistas em história latino-americana dos Estados Unidos. É autor do recentemente publicado Empire's Workshop: Latin America, The United States, and the Rise of the New Imperialism (Metropolitan).

Fonte: Artigo publicado originalmente no The Nation, e reproduzido por Carta Maior

terça-feira, 21 de abril de 2009

EUA/Livro que Chavez ofereceu a Obama sobe ao segundo lugar de vendas

Washington, 21 abril 2009 (Lusa) - O livro "As veias abertas da América Latina" que o presidente venezuelano, Hugo Chavez, ofereceu ao seu homólogo norte-americano, Barack Obama, na V Cimeira das Américas, subiu segunda-feira ao segundo lugar de vendas no sítio na Internet da Amazon.com.
Escrita em 1971, a obra do escritor uruguaio Eduardo Galeano narra o saque das riquezas do continente durante meio século às mãos das potências da época.
Há 40 anos, no meio da proliferação das ditaduras militares de direita no continente, a obra foi um dos factores que influenciou a esquerda latino-americana.

terça-feira, 14 de abril de 2009

FIDEL FAZ RADIOGRAFIA DA REVOLUÇÃO NA BOLÍVIA

Em sua Reflexão intitulada A Revolução Boliviana e do comportamento de Cuba, Fidel Castro faz uma radiografia sintética do leque político da Bolívia. O líder revolucionário cubano comenta a greve de fome do presidente boliviano, Evo Morales, e desmente a oposição daquele país, dizendo que o registro eleitoral É ''um dos mais sérios do continente''.

12 de Abril de 2009/Blog do Velho Comunista

http://www.blogdovelhocomunista.blogspot.com/

Várias vezes já pensei que no dia seguinte não teria de escrever, poderia dedicar algum tempo para ler e estudar, tal como já fiz muitas vezes. Mas os avanços significativos que ocorreram nas últimas semanas, relacionados com a economia e política mundial e os que acontecem na Bolívia, me impediram.

Aos 10h41 entrei em contato com Dausá (Rafael Dausá, embaixador de Cuba em La Paz]). Eu queria detalhes sobre a saúde de Evo e outros líderes que estavam no terceiro dia de greve de fome. Ele acordou bem, embora um pouco debilitado pela falta de alimentos.
Os que o acompanham, também em greve, estão bem e com ótimo estado de ânimo. Pediram livros. Disseram ao embaixador, que queriam livros de Marti [José Martí, 1853-1895, poeta e herói da Independência de Cuba], o Che e da nossa revolução. Hoje foi o nosso embaixador atendeu ao pedido enviando-lhes Vida e obra de José Martí, O Socialismo e o Homem em Cuba e outros materiais.

Como sabe, a qualidade da inscrição eleitoral da Bolívia foi reconhecido por diversas organizações internacionais, incluindo a OEA e da União Europeia, nada simpatizantes da esquerda, que contaram com serviços especializados e, a partir de sua análise, aprovaram o registro eleitoral como um dos mais sérios do continente.

Apesar disto, as autoridades dos tribunais dos departamentos de Beni, Pando, Potosí, Tarija e La Paz, dos nove que a Bolívia possui, questionaram o registro eleitoral, em evidente cumplicidade com a oposição.

Na Bolívia o maior partido no Parlamento é o MAS (Movimiento Ao Socialismo) de Evo Morales, que tem 72 dos 130 deputados da Câmara dos Representantes. É portanto o partido mais forte da Bolívia.

Os outros deputados se dividem. O Podemos (Poder Democrático Social), a segunda força política, constituída por antigos seguidores o do general Hugo Banzer e representantes de outras correntes políticas tradicionais. O Podemos representa a oligarquia boliviana. O seu actual líder é Jorge Quiroga, que assumiu a presidência da Bolívia pouco antes da morte de Banzer, pois era seu vice.

O MNR é a terceira força política, é chefiada pela senhora Mirtha Quevedo. Tem um menor número de membros do Parlamento, que se opõem ao MAS.

Unidade Nacional é outra força de oposição no Parlamento Boliviano.

Quanto a Cuba, as principalis organizações políticas de oposição não se caracterizam pela hostilidade.

Recentemente, após o referendo constitucional de janeiro, através do departamento de nosso partido para a América, recebemos uma grande delegação boliviana composta por Carlos Borth, senador do Podemos; Roberto Ruiz, outro senador do mesmo partido; Cesar Navarro, um homem de Evo, muito positivo; Mario Justiniano, deputado do MNR, crítico de Evo; Hugo Moldiz, diretor do semanário La Epoca, um amigo de Cuba, excelente escritor; Guido Rivero, secretário-executivo da Fundação Boliviana pela Democracia Multipartidária, que organizou a viagem, de 11 a 15 de março. Foram atendidos por companheiros do Departamento Internacional de nosso partido.

Em favor da unidade e cooperação de todas as forças políticas pelo desenvolvimento da Bolívia, o presidente Evo Morales fez todo o possível para promover a cooperação, evitando posições extremas que poderiam destruir o processo revolucionário. Que extremismo poderia haver no líder boliviano quando consultou os eleitores sobre o teto na extensão das propriedades, de 10 mil ou 5 mil hectares? Evo criou pela primeira vez na história da Bolívia uma importante reserva e divisas, o que lhe permite enfrentar a grave crise financeira internacional, erradicar o analfabetismo, com o uso do espanhol, aimará e quechua, em menos de três anos, levar toda a população pobre a desfrutar de uma renda mínima segura; recuperou as fontes de energia e conquistou a admiração do mundo para a Bolívia.

Nosso povo contribui neste esforço com seus conhecimentos nos domínios da educação e da saúde. Milhares de nossos compatriotas ali prestam seus abnegados esforços.

Nossos médicos realizaram 24.618.833 consultas, realizaram 35.390 cirurgias e salvaram 20.102 vidas.

A Missão Milagro ja soma 386.597 operados dos olhos, dos quais 25.198 brasileiros, 24.240 argentinos, 17.309 mil peruanos e 309 paraguaios.

Cerca de 5 mil jovens bolivianos estudam medicina em Cuba.

Esta é nossa modesta contribuição para o povo irmão da Bolívia, que tem sido o mais pobre e explorado da América Latina.

Fidel Castro Ruz

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Brasil/Lula cobra posição e planos de Barack Obama para a América Latina

Yara Aquino, repórter da Agência Brasil

17 dezembro 2008/Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (17) que está na hora da América Latina “exigir” uma discussão política com o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, para saber a relação que ele terá com a região.

“Está na hora da América Latina exigir uma discussão política com ele [Barack Obama] para saber qual a visão que ele vai ter na relação com a América Latina”, cobrou Lula.

Segundo Lula, os presidentes da região não podem ser vistos como “um grupo de esquerdistas, todos revolucionários”. “Não queremos mais Aliança para o Progresso como foi feito na década de 1960 com o Brasil, ele [Barack Obama] tampouco pode olhar para a América Latina como um grupo de esquerdistas, todos revolucionários, recebendo orientação de Cuba. Já não existe mais isso na América Latina”, disse o presidente Lula.

Aos 33 mandatários presentes no encerramento da Cúpula da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento, realizada na Costa do Sauípe, Bahia, Lula afirmou que a esquerda que fazia luta armada nas décadas de 1960 e 1970 chegou ao poder na maioria dos países, ganhou as eleições e hoje está no governo.

Lula disse esperar que o presidente eleito dos Estados Unidos tenha outra visão sobre a Venezuela e que reestabeleça relações com Cuba. “Espero que o Obama tome a decisão de reatar relações diplomáticas com Cuba. Não existe mais nenhuma explicação política, sociológica, nenhum analista do mundo, um psicólogo qualquer, entenderia porque ainda existe o bloqueio a Cuba. Será que é vingança?”.

Lula destacou que, se os encontros realizados em Sauípe não tivessem apresentado avanços, já teria valido a pena pela entrada de Cuba no Grupo do Rio, oficializada ontem (16). “Só o fato do Grupo do Rio ter aprovado a volta de Cuba às instituições e instâncias multilaterais já é um feito inusitado, porque os que presidiram os países antes de nós não tiveram coragem de colocar Cuba no Grupo do Rio”.

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/12/17/materia.2008-12-17.4472459158/view

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Equador/Aprovado por 85%, Rafael Correa completa seis meses no poder

Vermelho / 15 Julho 2007

O presidente do Equador, Rafael Correa, completa seis meses de governo neste domingo (15) com índices de aprovação na faixa de 85%. Segundo ele, o país “está entrando em uma verdadeira democracia” desde sua ascensão ao cargo, em 15 de janeiro deste ano. A declaração foi dada à sua emissora de rádio, transmitida de Mil ão, Itália.

''Estamos lutando para mudar o modelo econômico do neoliberalismo — desse modelo social e econômico que nos impuseram nos últimos 20 anos na América Latina'', disse Correa. Depois dos primeiros seis meses de seu governo, ele vê o país mais coeso. ''Esse governo está rompendo recordes históricos de apoio popular que superam 85%, com uma legitimidade que acreditamos significar coesão social'', disse.

Correa declarou que seu governo enfrenta ''uma luta muito dura com essa coesão social e com esse recurso humano e com um modelo adequado com políticas adequadas e dirigentes adequados''. Sustentou que essa luta tem o objetivo de ''fazer de nosso país o que sempre deveria ter sido — uma pátria próspera, onde a gente possa encontrar trabalho, serviços básicos que merece e sonha''.

Nesse sentido, afirmou que a mudança que seu governo está buscando, para ''uma pátria altiva e soberana'', apenas se manterá se, nas eleições para a assembléia, a população eleger uma maioria governista. ''Em 30 de setembro nós jogaremos novamente pela vida, porque a Assembléia Nacional Constituinte é tudo ou nada'', afirmou.

Além disso, reiterou que, em reconhecimento aos plenos poderes, tanto ele como o vice-presidente, Lenín Moreno, colocarão seus cargos à disposição da assembléia constituinte no primeiro dia de seu funcionamento. Assim, os representantes eleitos é que determinarão de o Executivo deve continuar.

A esquerda no poder

Correa, que se autoclassifica como esquerdista católico, assumiu o poder e prometeu estabelecer uma ''revolução cidadã'' para gerar uma mudança radical no sistema político, econômico e social em vigor no país andino. Economista de 43 anos, ele é o oitavo presidente dos últimos dez anos e o primeiro de uma tendência de esquerda.

Durante a última década, o Equador enfrentou um grave período de instabilidade. Os últimos três presidentes eleitos constitucionalmente não terminaram sua gestão. Todos eles deixaram o poder depois de enfrentar crises econômicas, políticas e mobilizações populares e indígenas.

Com um mandato até 2011, Correa substituiu Alfredo Palácio, que assumiu o poder em abril de 2005 depois da crise política e dos protestos populares que derivaram na destituição de Lucio Gutiérrez. (Da Redação, com agencias)