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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Fundação sugere expansão conjunta de Portugal e Espanha

Lisboa, 28 julho 2009 (Lusa) - Depois de consolidada a aproximação, Portugal e
Espanha deviam passar à "segunda fase" de relacionamento que é a "internacionalização conjunta", afirmou nesta terça-feira o vice-presidente da Fundação Luso-Espanhola, a propósito da pesquisa de opinião pública feita nos dois países.

O diretor do Instituto Cervantes em Lisboa frisou, por sua vez, o "desenvolvimento extraordinário das relações entre os dois países a todos os níveis, mesmo de relacionamento entre as pessoas".

Com uma amostra de 876 pessoas (363 portugueses), o Barômetro de Opinião Luso-Espanhol foi realizado em abril e maio pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Salamanca com o apoio do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa de Lisboa.

No documento apresentado ao início da tarde, em Madrid, conheceu-se o que os dois povos pensam das relações bilaterais, da ideia de federação, dos problemas comuns e revelaram-se quais as personalidades mais famosas.

“Pessoalmente”, José María Martín Valenzuela, do Instituto Cervantes, considerou que "se têm desenvolvido muito e melhorado muito nos últimos anos".

O vice-presidente da Fundação Luso-Espanhola, José António Silva e Sousa, citou as cúpulas bilaterais entre governos como um "motor grande" para o crescimento das relações, exemplificando com o novo projeto de nanotecnologia.

"É um primeiro sinal que os dois países em conjunto podem fazer algo de grande. Agora o que me parece é que as boas relações entre os dois países só por si não são um fim, devem ser um princípio", defendeu.

O mesmo responsável falou na necessidade de uma "virada na competitividade internacional das duas economias" de países "extraordinariamente complementares" a nível geográfico e da "visão do mundo".

Falando em causa própria ao comentar a posição dos espanhóis preferirem o português como língua oficial e os lusos verem com bons olhos a obrigatoriedade do espanhol nos níveis de ensino básico e secundário, Valenzuela assinala a "complementaridade" das línguas e as vantagens para os dois lados.

No Instituto que dirige, a procura pela aprendizagem do espanhol tem aumentado, assim como se notam alterações no perfil dos estudantes.

"Já não são só os alunos universitários, mas também jovens e menos jovens profissionais que mesmo sem precisar vêm para incluir o conhecimento de espanhol no seu currículo e terem mais possibilidades profissionais", disse.

Comentando a ideia de federação, que recolheu o apoio de 30% de espanhóis e 40% de portugueses, o responsável espanhol lembrou a proximidade entre os países: "Para mim tudo o que seja essa aproximação, esta convivência fácil e fluida é bom. Se acontecesse uma formalização política, não sei se seria melhor".

Já Silva e Sousa argumentou não fazer sentido no século 21 e quando os dois países já escolheram estar na União Europeia, que, por sua vez, também não definiu "se quer ser uma federação ou uma comunidade de bons vizinhos".

Sobre os espanhóis mais reconhecidos em Portugal, qualificou de "engraçado" Júlio Iglésias surgir no mesmo pódio com o Rei Juan Carlos e a princesa Letizia.

Na Espanha, os lusos mais reconhecidos são Cristiano Ronaldo, Luís Figo e José Saramago.

Valenzuela não deixou, porém, de lembrar o escritor Lobo Antunes, colaborador habitual do jornal El Pais, e que cada vez mais "autores, músicos e pintores" portugueses são reconhecidos.

Silva e Sousa considerou que a preferência pela família real espanhola é uma "relação mais pessoal que institucional".

terça-feira, 14 de abril de 2009

FIDEL FAZ RADIOGRAFIA DA REVOLUÇÃO NA BOLÍVIA

Em sua Reflexão intitulada A Revolução Boliviana e do comportamento de Cuba, Fidel Castro faz uma radiografia sintética do leque político da Bolívia. O líder revolucionário cubano comenta a greve de fome do presidente boliviano, Evo Morales, e desmente a oposição daquele país, dizendo que o registro eleitoral É ''um dos mais sérios do continente''.

12 de Abril de 2009/Blog do Velho Comunista

http://www.blogdovelhocomunista.blogspot.com/

Várias vezes já pensei que no dia seguinte não teria de escrever, poderia dedicar algum tempo para ler e estudar, tal como já fiz muitas vezes. Mas os avanços significativos que ocorreram nas últimas semanas, relacionados com a economia e política mundial e os que acontecem na Bolívia, me impediram.

Aos 10h41 entrei em contato com Dausá (Rafael Dausá, embaixador de Cuba em La Paz]). Eu queria detalhes sobre a saúde de Evo e outros líderes que estavam no terceiro dia de greve de fome. Ele acordou bem, embora um pouco debilitado pela falta de alimentos.
Os que o acompanham, também em greve, estão bem e com ótimo estado de ânimo. Pediram livros. Disseram ao embaixador, que queriam livros de Marti [José Martí, 1853-1895, poeta e herói da Independência de Cuba], o Che e da nossa revolução. Hoje foi o nosso embaixador atendeu ao pedido enviando-lhes Vida e obra de José Martí, O Socialismo e o Homem em Cuba e outros materiais.

Como sabe, a qualidade da inscrição eleitoral da Bolívia foi reconhecido por diversas organizações internacionais, incluindo a OEA e da União Europeia, nada simpatizantes da esquerda, que contaram com serviços especializados e, a partir de sua análise, aprovaram o registro eleitoral como um dos mais sérios do continente.

Apesar disto, as autoridades dos tribunais dos departamentos de Beni, Pando, Potosí, Tarija e La Paz, dos nove que a Bolívia possui, questionaram o registro eleitoral, em evidente cumplicidade com a oposição.

Na Bolívia o maior partido no Parlamento é o MAS (Movimiento Ao Socialismo) de Evo Morales, que tem 72 dos 130 deputados da Câmara dos Representantes. É portanto o partido mais forte da Bolívia.

Os outros deputados se dividem. O Podemos (Poder Democrático Social), a segunda força política, constituída por antigos seguidores o do general Hugo Banzer e representantes de outras correntes políticas tradicionais. O Podemos representa a oligarquia boliviana. O seu actual líder é Jorge Quiroga, que assumiu a presidência da Bolívia pouco antes da morte de Banzer, pois era seu vice.

O MNR é a terceira força política, é chefiada pela senhora Mirtha Quevedo. Tem um menor número de membros do Parlamento, que se opõem ao MAS.

Unidade Nacional é outra força de oposição no Parlamento Boliviano.

Quanto a Cuba, as principalis organizações políticas de oposição não se caracterizam pela hostilidade.

Recentemente, após o referendo constitucional de janeiro, através do departamento de nosso partido para a América, recebemos uma grande delegação boliviana composta por Carlos Borth, senador do Podemos; Roberto Ruiz, outro senador do mesmo partido; Cesar Navarro, um homem de Evo, muito positivo; Mario Justiniano, deputado do MNR, crítico de Evo; Hugo Moldiz, diretor do semanário La Epoca, um amigo de Cuba, excelente escritor; Guido Rivero, secretário-executivo da Fundação Boliviana pela Democracia Multipartidária, que organizou a viagem, de 11 a 15 de março. Foram atendidos por companheiros do Departamento Internacional de nosso partido.

Em favor da unidade e cooperação de todas as forças políticas pelo desenvolvimento da Bolívia, o presidente Evo Morales fez todo o possível para promover a cooperação, evitando posições extremas que poderiam destruir o processo revolucionário. Que extremismo poderia haver no líder boliviano quando consultou os eleitores sobre o teto na extensão das propriedades, de 10 mil ou 5 mil hectares? Evo criou pela primeira vez na história da Bolívia uma importante reserva e divisas, o que lhe permite enfrentar a grave crise financeira internacional, erradicar o analfabetismo, com o uso do espanhol, aimará e quechua, em menos de três anos, levar toda a população pobre a desfrutar de uma renda mínima segura; recuperou as fontes de energia e conquistou a admiração do mundo para a Bolívia.

Nosso povo contribui neste esforço com seus conhecimentos nos domínios da educação e da saúde. Milhares de nossos compatriotas ali prestam seus abnegados esforços.

Nossos médicos realizaram 24.618.833 consultas, realizaram 35.390 cirurgias e salvaram 20.102 vidas.

A Missão Milagro ja soma 386.597 operados dos olhos, dos quais 25.198 brasileiros, 24.240 argentinos, 17.309 mil peruanos e 309 paraguaios.

Cerca de 5 mil jovens bolivianos estudam medicina em Cuba.

Esta é nossa modesta contribuição para o povo irmão da Bolívia, que tem sido o mais pobre e explorado da América Latina.

Fidel Castro Ruz

http://www.blogdovelhocomunista.blogspot.com/

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Brasil/Reforma permitirá consolidar português no mundo, diz Lula

António Sampaio, da Agência Lusa

Toledo, Espanha, 13 outubro 2008 (Lusa) - O acordo ortográfico permitirá cimentar o papel da língua portuguesa no mundo, um processo que necessita de um esforço de promoção do idioma nos países onde se fala espanhol, defendeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"O acordo ortográfico procura aproximar o idioma usado nos países lusófonos. E também tem como objetivo reforçar a presença do português no mundo", afirmou Lula, em Toledo (Espanha).

"Estou convencido de que as nossas línguas [português e espanhol] devem aproximar-se cada vez mais. Realizamos ações para divulgar o espanhol no Brasil mas apoiamos iniciativas para divulgar o português nos países de fala espanhola", disse.

O presidente brasileiro discursava depois de ser homenageado, ao lado do escritor mexicano Carlos Fuentes, com a primeira edição do Prêmio Internacional D. Quixote de La Mancha. No caso de Lula, a distinção reconhece o seu papel na promoção do espanhol no Brasil.

"Com milhões de brasileiros estudando o espanhol desde a infância, tenho a certeza de que a integração regional e as relações com os nossos parceiros ibéricos terão bases muito sólidas para o futuro", disse.

Um processo que permitirá consolidar a integração regional, na América Latina, mas que, se for recíproco e centrado no intercâmbio, "fortalecerá a parceria" no espaço ibero-americano.

Atualmente, já estudam o espanhol como segunda língua mais de nove milhões de alunos brasileiros, um número que será aumentado para 12 milhões até 2010, mediante um sistema que envolverá mais de 30 mil professores e em que se destaca o apoio do Instituto Cervantes.

"Audácia e imaginação"

No seu discurso de agradecimento, Lula citou D. Quixote para defender que, atualmente, "o mundo em transição requer a audácia e imaginação" demonstrada pela personagem de Cervantes.

"Só com a imaginação não mudamos a realidade, mas sem a imaginação corremos o risco de ficar presos a um cinzento conformismo", disse, defendendo por isso o papel da cultura em que a humanidade se afirma e expressa "livremente".

"A cultura ilumina, é um fator de inclusão social, de cidadania, de afirmação coletiva. No mundo globalizado, a cultura fortalece a soberania e a identidade nacionais mas, ao mesmo tempo, é portadora do universalismo", ressaltou.

Mais do que um diálogo econômico, Lula defende por isso a cultura como veículo para consolidar a integração regional, consolidar os projetos de desenvolvimento social, ultrapassar a pobreza e conquistar a dignidade".

"Precisamos lançar um diálogo entre as sociedades que desejam e precisam de conhecer-se melhor (…) e que inclui necessariamente Espanha e Portugal", disse.

"O que nos une é justamente a cultura, a vivência histórica compartida de duas línguas irmãs. Queremos que o idioma de um fortaleça a parceria com o outro", afirmou Lula.