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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Abya Yala*, Chile/Último discurso de Salvador Allende


11/09/2019, Tlaxcala (México) http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=10552
Tlaxcala, a rede internacional de tradutores pela diversidade linguística



Salvador Allende (1908-1973) سلفادور أليندي Σαλβαδόρ Αλιέντε Сальвадор Альенде سالوادورآلنده

Santiago do Chile, 11 de setembro de 1973, 9:10 da manhã em Radio Magallanes


Meus amigos:
 
Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Radio Portales e da Radio Corporación. Minhas palavras não têm amargura, mas sim decepção. Que sejam elas um castigo moral para aqueles que traíram seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rasteiro... que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos Carabineros.
 
Diante desses fatos só me cabe dizer aos trabalhadores: não vou renunciar! Situado em uma transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais...

sábado, 6 de dezembro de 2014

AS MENTIRAS TEÓRICAS DO BANCO MUNDIAL

19 novembro 2014, ODiario.info http://www.odiario.info (Portugal)


As acções do Banco Mundial não se resumem a uma sucessão de erros ou de maus actos. Fazem, pelo contrário, parte de uma visão coerente, teórica e conceptual, que se ensina doutamente na maioria das universidades, sustentada por centenas de livros de economia do desenvolvimento. O Banco produz uma verdadeira ideologia do desenvolvimento. Quando os factos desmentem a teoria, o Banco não questiona a teoria. Ao invés, tenta deformar a realidade para continuar a proteger o dogma.

O Banco Mundial considera que os países em desenvolvimento PED |1| devem recorrer ao endividamento externo e atrair investimento estrangeiro para progredirem. Esse endividamento serve principalmente para comprar equipamento e bens de consumo aos países mais industrializados. Os factos demonstram, dia após dia, há décadas, que isso não funciona. Os modelos que influenciaram o Banco Mundial implicam logicamente uma forte dependência dos PED das entradas de capital externo, principalmente sob a forma de empréstimos, na ilusão de atingirem um nível de desenvolvimento auto-sustentado. Os empréstimos são considerados pelos fornecedores de fundos públicos (governos dos países mais industrializados e BM em particular) como um poderoso meio de influenciar os países endividados. Portanto, as acções do Banco não se resumem a uma sucessão de erros ou de maus actos. Pelo contrário, fazem parte

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

AS MUDANÇAS NO PODER GLOBAL E AS PERSPECTIVAS DA AMÉRICA LATINA



, Blog da Boitempo http://blogdaboitempo.com.br (Brasil)


A crise de hegemonia dos EUA e sua longa duração
Temos defendido a tese de que desde os anos 1970 entramos em um contexto de crise civilizatória do capitalismo e da hegemonia dos Estados Unidos. Trata-se de uma crise estrutural e não de um colapso. A crise estrutural é longa, lenta, permite ampla margem de autonomia para que a grande burguesia dos países centrais e seus Estados estabeleçam estratégias de reação e contenção do descenso, podendo passar à ofensiva, ainda que no longo prazo, o custo de manutenção de seu status quo seja cada vez mais alto e a balança de poder lhes tenda a ser cada vez mais desfavorável.

Assim desde os anos 1970, características estruturais profundas vêm se desenvolvendo no capitalismo central: a financeirização da economia, a queda das taxas de investimento, altos níveis de desemprego, o aumento explosivo da dívida pública, a presença de importantes déficits comerciais, a transferência do dinamismo econômico e a relocalização para o leste asiático dos fluxos interacionais de capital, a perda de importância relativa das potências marítimas na economia mundial em detrimento da expansão dos regionalismos e dos hinterlands nas periferias e semiperiferias.

Estas tendências parecem estar vinculadas à emergência e difusão da revolução científico-técnica. Esta torna o conhecimento a principal força produtiva e eleva dramaticamente o valor da força de trabalho, levando o capital a substituir o circuito produtivo do capital pelo financeiro e a estender aos centros a superexploração do trabalho, que era uma característica secular e específica das periferias, para pagar ao trabalhador preços inferiores ao valor de sua força de trabalho.

A queda da taxa de lucro nos anos 1970, a saída de capitais dos Estados Unidos, a ruptura da paridade dólar/ouro e a desvalorização da moeda estadunidense foram respondidas na década de 1980 com a ofensiva neoliberal dos governos Reagan e Bush pai. A drástica elevação das taxas de juros, a criação de um mercado de títulos da dívida pública organizado desde o Estado e a abertura comercial/financeira substituíram o pleno emprego por um desemprego elevado, reduziram drasticamente os salários, e duplicaram a relação da dívida pública/PIB, que saltou de 33% para 64% entre 1979-92.