19 novembro 2014, ODiario.info http://www.odiario.info (Portugal)
As acções do Banco Mundial não se resumem a uma sucessão de erros
ou de maus actos. Fazem, pelo contrário, parte de uma visão coerente, teórica e
conceptual, que se ensina doutamente na maioria das universidades, sustentada
por centenas de livros de economia do desenvolvimento. O Banco produz uma
verdadeira ideologia do desenvolvimento. Quando os factos desmentem a teoria, o
Banco não questiona a teoria. Ao invés, tenta deformar a realidade para
continuar a proteger o dogma.
O Banco Mundial considera que os países em desenvolvimento PED |1|
devem recorrer ao endividamento externo e atrair investimento estrangeiro para
progredirem. Esse endividamento serve principalmente para comprar equipamento e
bens de consumo aos países mais industrializados. Os factos demonstram, dia
após dia, há décadas, que isso não funciona. Os modelos que influenciaram o
Banco Mundial implicam logicamente uma forte dependência dos PED das entradas
de capital externo, principalmente sob a forma de empréstimos, na ilusão de
atingirem um nível de desenvolvimento auto-sustentado. Os empréstimos são
considerados pelos fornecedores de fundos públicos (governos dos países mais
industrializados e BM em particular) como um poderoso meio de influenciar os
países endividados. Portanto, as acções do Banco não se resumem a uma sucessão
de erros ou de maus actos. Pelo contrário, fazem parte