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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Angola/UMA OPORTUNIDADE HISTÓRICA

6 dezembro 2015, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao(Angola)

 

Filomeno Manaças

A Cimeira de Joanesburgo entre a China e a África já entrou na História. O alcance e a dimensão da parceria estratégica estabelecida entre a China e África pode não ser avaliada devidamente já agora, mas, como tudo, o tempo vai encarregar-se de revelar que o encontro de Joanesburgo, que ontem terminou, foi tão somente o primeiro de um grande passo no sentido de vários países africanos relançarem as suas economias e darem um salto em termos de modernização das suas infra-estruturas.

Com efeito, num ambiente de crise económica e financeira mundial, que obrigou muitos países a encolherem os seus orçamentos, mesmo ao nível de economias mais desenvolvidas e, portanto, mais desafogadas e com maior margem de manobra, o anúncio feito pelo Presidente Xi Jinping de que a China põe à disposição de África 60 mil milhões de dólares para projectos de desenvolvimento, foi o sopro de que se estava à espera e que, em boa verdade, revelou ser uma grande surpresa porque, tendo em conta os montantes, superou as expectativas.

Se recuarmos no tempo e tentarmos encontrar um termo de comparação, podemos pegar no Plano Marshall que os Estados Unidos elaboraram para reerguer dos escombros a Europa Ocidental, depois da II Guerra Mundial, e que

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Angola/DIVERSIFICAÇÃO DA ECONOMIA JÁ DÁ FRUTOS

20 setembro 2015, Jornal de Angolahttp://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Filomeno Manaças

A agricultura é a base e a indústria o factor decisivo.

Assim dizia Agostinho Neto, que já predizia a necessidade de Angola diversificar a sua economia para romper o ciclo da dependência de um só produto de exportação.

A monoprodução, como lhe chamam os economistas, era o calcanhar de Aquiles de muitos dos países do Terceiro Mundo. Essa situação tinha consequências nefastas para países que dependiam fortemente de um só produto de exportação. Na sua relação com a metrópole colonial pouco mais podiam fazer senão submeter-se às regras ditadas pelo poder estabelecido e aceitar, resignados, as condições impostas para a comercialização dos seus produtos.

Isso condicionava, obviamente, as opções políticas. Economicamente dominados, os países do Terceiro Mundo viam-se manietados na sua soberania e nas aspirações a um maior peso na determinação do paradigma da ordem internacional que, décadas atrás, estava impregnada de factores contrários ao surgimento e afirmação no contexto das nações de países independentes como Angola, Moçambique e Zimbabwe.

A África Austral foi um palco dessas grandes lutas pela emancipação política e económica. Cedo se aprendeu que não há emancipação política sólida se não se apostar fortemente no desenvolvimento da economia. Político visionário, Agostinho Neto tratou de concitar os angolanos para

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Angola/A LONGA LUTA A FAVOR DA PAZ NA ÁFRICA AUSTRAL

4 setembro 2015, Jornal de Angola jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

José Ribeiro

A África Austral foi o epicentro de um dos mais importantes conflitos regionais. Hoje é uma zona de paz, com condições para se desenvolver rapidamente. Mas para aí chegar, foi necessário muito sacrifício nas frentes de combate e muita mestria no campo diplomático. Nesse período e no momento presente, o Presidente revela toda a sua popularidade e capacidade de liderança.

A África Austral vive hoje uma era de paz e tem condições para se desenvolver economicamente. Mas até 1990 esta região foi o epicentro de um dos mais violentos conflitos regionais que a Humanidade conheceu.
  
O cerne do conflito residia em restos de colonialismo e nos regimes de segregação racial. Com a conquista da independência de Moçambique e Angola em 1974 e 1975, a Rodésia continuava ocupada pelos ingleses e a Namíbia pela minoria branca sul-africana. Os Acordos de Lancaster House acabaram com a Rodésia de Ian Smith e fundaram  a República do Zimbabwe em 1980 nas terras de Monomotapa.
  
Mas até à libertação da Namíbia em 1990, ao fim do apartheid, em 1990, à eleição de Nelson Mandela como primeiro presidente eleito democraticamente na África do Sul, em 1994, o conflito regional continuou a lavrar no continente.
  
Até que, finalmente, entre Agosto de 1987 e Agosto de 1988, dão-se na África Austral batalhas decisivas que abrem caminho a uma saída para o conflito. As tropas sul-africanas que ocupavam parcelas de Angola foram obrigadas a retirar, em troca as tropas internacionalistas cubanas que ajudavam o governo angolano aceitaram regressar a Cuba e a África do Sul foi forçada e conceder a independência à Namíbia e a abolir o apartheid. À época, o “Guia Prático do Quadro” da UNITA, aliada ao apartheid, dizia que quando os cubanos saíssem de Angola, o governo do MPLA caía. O que aconteceu foi que o apartheid caiu e a África venceu.

Missão histórica
Para manter a dominação na região, o regime sul-africano de então contava com o seu poder militar e o apoio das potências ocidentais. Mas do outro lado estavam

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Angola/BRANQUEAMENTO DE CAPITAIS

2 setembro 2015, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

O combate ao branqueamento de capitais tem constituído uma prioridade de muitos Estados, que estão preocupados com o fenómeno do terrorismo, que é financiado por dinheiro obtido por via de actividades ilegais, como, por exemplo, o tráfico de drogas.

O terrorismo é actualmente um dos grandes problemas no mundo e faz sentido que os Estados se empenhem em anular as fontes de financiamento de grupos que praticam a violência e cometem crimes hediondos em várias partes do globo, matando um elevado número de civis.

Vários Estados de África e de outros continentes consideram que em relação ao terrorismo tem de haver tolerância zero, implementando mecanismos de luta, os quais privilegiam a concertação entre os órgãos judiciais, policiais e de inteligência de diferentes países.
  
O número de crimes cometidos pelo terrorismo justifica uma acção permanente dos governos no sentido de disponibilizarem meios materiais e humanos que estejam centrados num fenómeno que põe em perigo a estabilidade de muitos Estados. Sabe-se da dimensão dos problemas causados pelo terrorismo, particularmente em África, onde

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Angola/A PROPÓSITO DO KUITO KUANAVALE – VI

18 abril 2015, Página Global http://paginaglobal.blogspot.pt (Portugal)

 
Martinho Júnior, Luanda

15 – O agrupamento FAPLA/FAR/PLAN tiveram antecipadamente, ao nível do seu mando, ao nível de José Eduardo dos Santos, de Fidel de Castro, de Sam Nujoma e de Oliver Tambo, entre outros mais, a visão das possibilidades de criar vantagens estratégicas que inevitavelmente se iriam reflectir depois nas conversações, a fim de alcançar os objectivos maiores: a independência da Namíbia, por tabela o fim do regime de Ian Smith e a independência do Zimbabwe, bem como o fim do próprio “apartheid”, com a introdução de eleições abrangentes na base de 1 homem / 1 voto.

A plataforma ideológica permitia encontrarem-se denominadores comuns na luta.

Sem essa visão, fruto da doutrina progressista que dominava a “Linha da Frente”, seria impossível introduzir meios, em tempo oportuno, que resultaram no desequilíbrio a favor do Movimento de Libertação em África, no próprio teatro de operações.

A experiência das possibilidades estratégicas e dos cenários que seriam assim produzidos, era algo que estava antes da tomada efectiva das decisões, por via da paciente colecta de dados, assim como de sua análise e foram os aliados dos angolanos e por inerente tabela os próprios angolanos, que tiveram a noção mais exacta da situação internacional, da África Austral e

segunda-feira, 23 de março de 2015

Angola/CUITO CUANAVALE MUDOU A HISTÓRIA

23 março 2015, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Adalberto Ceita


A Batalha do Cuito Cuanavale faz hoje mais um aniversário. Há 27 anos, os invasores sul-africanos e as tropas da UNITA foram derrotados no assalto final ao Triângulo do Tumpo.

Com suporte dos super-tanques de guerra “Oliphant” e os canhões G5, os invasores estavam convencidos do aniquilamento das FAPLA, que asseguravam a defesa do Cuito Cuanavale. Foram derrotados, e de um total de 20 super-tanques “Oliphant” que trouxeram para dentro de Angola só 13 conseguiram regressar e com sérias avarias. Alguns apenas andavam 500 metros por hora. Por isso, a retirada dos derrotados foi penosa. Outros três, um dos quais encontrado no teatro das operações militares em Dezembro de 2014, estão nas terras do Cuando Cubango e simbolizam a derrota dos invasores.
 
Estamos em Março de 1988. A 25ª Brigada comandada pelo capitão Valeriano e composta por valorosos combatentes das FAPLA tem a missão de defender o Triângulo do Tumpo, no Cuito Cuanavale, e impedir o avanço do exército sul-africano em

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

África/UNIÃO PARA ATINGIR O SUCESSO

16 outubro 2014, Jornal de Angola Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Roger Godwin

Cada vez mais e de forma altamente positiva começa a ganhar força a ideia de que a união de esforços entre os países mais pobres do continente africano é a chave para que estes possam atingir o sucesso económico que logicamente ambicionam.

A fórmula não é nova, mas alguns constrangimentos políticos, infelizmente, ainda se conseguem sobrepor aquilo que é a força da razão, impedindo, desse modo, que os avanços sejam feitos de forma mais afirmativa.

Há um ano, um grupo de países onde estão o Quénia, Ruanda e Uganda decidiram obrigar as suas respectivas companhias de telefonia móvel a reduzirem drasticamente os custos das chamadas internas e de ligação conjunta

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Angola/UMA COMUNHÃO DE INTERESSES

19 setembro 2014, Jornal de Angola (Angola)

Roger Godwin

O Zimbabwe e a Rússia acabam de assinar uma série de novos acordos de cooperação bilateral, sobretudo no sector económico, que representam fidedignamente uma ocasional comunhão de interesses que a história se encarregará de apagar quando o bom senso imperar entre aqueles que ainda se julgam com direito a decidir sobre o destino dos outros.

Assolados por sanções unilateralmente impostas pela União Europeia e os Estados Unidos, por razões diferentes ente os países visados, o Zimbabwe e a Rússia resolveram dar as mãos para juntos darem uma “bofetada de luva branca” a quem se julga no pleno direito de passar por cima das mais elementares regras que gerem as relações bilaterais entre Estados.

De comum, entre o Zimbabwe e a Rússia, em relação a

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Angola/O EXEMPLO DO HERÓI

17 setembro 2014, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

A História de Angola regista acontecimentos que marcaram o percurso de um povo pelos caminhos da liberdade, em que se destacaram líderes que ousaram superar o medo para enfrentar as forças da opressão que submetiam milhões de angolanos à escravidão.

Na trajectória da luta heróica que conduziu o povo angolano à Independência Nacional, pagaram com a vida milhares de patriotas que, decididos, e em circunstâncias diversas, combateram o colonialismo, até  à vitória final, que ocorreu a 11 de Novembro de 1975, data da independência nacional. A luta de resistência ao colonialismo é plena de feitos em que avultam gestos de primeira grandeza protagonizados por nacionalistas de diferentes regiões de Angola e que não hesitaram em aderir ao combate a um regime desumano e explorador.

Os combatentes pela independência de Angola, vivos e falecidos, mostraram, na guerrilha ou na clandestinidade, que sempre valia a pena o sacrifício para se conseguir a liberdade e a dignidade. Para

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Angola/Mugabe tenta mudar a imagem da SADC

25 de Agosto, 2014, , Jornal de Angolahttp://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Roger Godwin

O discurso proferido por Robert Mugabe a semana passada em Victoria Falls, o primeiro como presidente da SADC, deixa perceber a clara intenção do Zimbabwe moldar a imagem desta importante organização regional do continente africano, uma forte possibilidade que começa já a preocupar alguns parceiros institucionais, como a União Europeia.

No seu estilo frontal, perante uma plateia de chefes de Estado africanos, chefes de Governo e a maioria do corpo diplomático acreditado no Zimbabwe, Robert Mugabe apontou o dedo aos parceiros económicos da SADC dizendo que estes apenas apoiam a organização com a clara intenção de a dominar

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

INTERDEPENDÊNCIA DAS ECONOMIAS AFRICANAS

18 agosto 2014, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

 

Roger Godwin

Para fazer frente aos importantes desafios que se avizinham no futuro próximo o continente africano, cada vez mais, precisa de se interligar de modo a que possa suprir as dificuldades financeiras que cada Estado, periodicamente, enfrenta no caminho rumo ao desenvolvimento.

Velhos líderes africanos, como Robert Mugabe, não se cansam de clamar por uma maior conexão económica entre os países do continente como forma de, por um lado, resistirem à crise internacional que se prolonga há vários anos e, por outro, como modo de evitar a interferência de parceiros ocidentais que, invariavelmente, fazem dos negócios uma crescente forma de pressão política.

Um crescimento desigual entre

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Moçambique/MAPUTO VOLTA A SER PÓLO PARA SADC

18 Julho 2014, Jornal Noticias http://www.jornalnoticias.co.mz (Moçambique)

O porto de Maputo está a recuperar o seu papel histórico de pólo no comércio da região da África Austral, graças a investimentos em infra-estruturas portuárias e de transporte, que também impulsionam o crescimento económico.

O desenvolvimento do Porto de Maputo e das linhas ferroviárias que fazem a ligação com esta infra-estrutura, usada por empresas da África do Sul ou Zimbabwe, será “grande impulsionador do crescimento em 2014-18”, afirma

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Angola/SADC: Infra-estruturas de tecnologias de informação entre as prioridade do Governo



6 agosto 2013, AngolaPress http://www.portalangop.co.ao (Angola)


Luanda – O ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José de Carvalho da Rocha, disse hoje (terça-feira), em Luanda, que o Governo angolano está a desenvolver um amplo programa de reconstrução, em que as infra-estruras de suporte aos serviços das tecnologias de informação e comunicação constituem prioridade.

O governante prestou esta informação quando discursava na abertura do 2º Fórum para Governação da Internet da África Austral,

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Moçambique/ Governo quer maior controlo sobre mão-de-obra nacional no exterior

O governo pretende deter o controlo sobre o recrutamento de cidadãos nacionais para trabalhar em qualquer país do mundo, uma medida destinada a assegurar uma melhor defesa dos seus interesses, enquanto trabalhadores, bem como a partilha dos correspondentes benefícios com o Estado. Presentemente, o Executivo apenas controla a situação dos moçambicanos recrutados para trabalhar na indústria mineira, agricultura e prestação de serviços na vizinha África do Sul.

22 setembro 2009/Notícias

A decisão sobre esta matéria foi tomada recentemente no decurso do Conselho Coordenador do Ministério do Trabalho realizado na província de Sofala, durante o qual a Direcção do Trabalho Migratório deste pelouro foi instruída no sentido de criar bases para o seu envolvimento directo no recrutamento e colocação de moçambicanos noutros países que não seja apenas a África do Sul.

Dados apurados pela nossa Reportagem indicam que, actualmente, existe um número considerável de moçambicanos a trabalhar em países como Suazilândia, Zimbabwe, Botswana, Angola, Lesotho, entre outros, sobre os quais pouco se sabe, sobretudo relativamente às condições em que se encontram empregados.

Ligado a este objectivo, decorre no país o processo de preparação de um projecto de leis sobre a adesão à Convenção da Organização Internacional de Trabalho (OIT) sobre o trabalho migratório, instrumento que deverá ser submetido à aprovação da Assembleia da República.

Com relação a este assunto, o delegado do Ministério do Trabalho na África do Sul, Elias Nhambe, disse que a medida resulta do facto de o país estar a enfrentar dificuldades na criação de postos de trabalho suficientes para atender à crescente demanda, sobretudo por parte dos jovens que procuram espaço no mercado do trabalho pela primeira vez, sendo que uma das saídas seria a sua colocação nos países vizinhos, desde que seja em condições vantajosas, não só para eles, como também para o país.

Trata-se, segundo Elias Nhambe, de um desafio que se coloca ao Ministério do Trabalho, que já encetou as primeiras demarches no sentido de conseguir uma maior aproximação às representações diplomáticas dos países vizinhos com quem deverá trabalhar em regime de parceria intensiva.

Um dos passos a ser dados nesta perspectiva é a implementação do projecto de informatização do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), por forma a facilitar a adesão dos trabalhadores no estrangeiro, passando estes a desfrutar também dos benefícios do sistema de segurança social.

Ao longo dos últimos cinco anos foram recrutados 61 769 trabalhadores moçambicanos para as minas da África do Sul e 33 220 para o sector agrícola daquele país, facto que se reflectiu na redução do desemprego e consequente angariação de divisas para o país, mesmo considerando o impacto negativo da crise financeira mundial e os actos de xenofobia perpetrados contra estrangeiros naquele país vizinho.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Moçambique/Procura-se protecção para conhecimentos genéticos

20 agosto 2009, Notícias

Uma melhor protecção e utilização dos conhecimentos genéticos, tradicionais e expressões de folclore, incluindo a medicina tradicional, constitui um dos principais objectivos de um workshop que está a ter lugar em Maputo, envolvendo participantes do nosso país, de Angola, Botswana, Lesotho, Malawi, Namíbia, Suazilândia, Zâmbia e Zimbabwe.
O Ministro da Ciência e Tecnologia, Venâncio Massingue, que procedeu à abertura do encontro, referiu que na área dos conhecimentos tradicionais o Governo aprovou a Política de Medicina Tradicional e criou um departamento responsável por esta área no Ministério da Saúde. Acrescentou que o seu ministério criou igualmente um Centro de Investigação e Produção em Etnobotânica, “num esforço para explorar, cientificamente, o manancial de recursos genéticos” que o nosso país oferece.
Foi ainda referido que a protecção do folclore nacional é garantida pela Lei dos Direitos de Autor e Direitos Conexos, que confere poderes sobre a sua exploração, tutela e partilha dos benefícios ao Conselho de Ministros.
“Os esforços do Governo foram compensados pelo reconhecimento por parte da UNESCO que, em 2005, declarou uma das mais importantes expressões culturais, nomeadamente a ‘timbila’ e o “gule wankulu” dos membros da etnia ‘nyau’, obras primas do património oral e imaterial da humanidade”, disse ainda, na ocasião, Venâncio Massingue.
O encontro, que termina amanhã e que tem a participação da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), do Centro de Formação da Organização Africana Regional da Propriedade Intelectual (ARIPO), para além de especialistas da Nigéria e da China, conta com os préstimos do Instituto moçambicano da Propriedade Industrial, um organismo do Ministério da Indústria e Comércio.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Moçambique e Suazilândia discutem ligações ferroviárias de passageiros

Maputo, Moçambique, 26 agosto 2008 - A Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique e a Swazi Railways retomaram na passada semana conversações visando a reintrodução do serviço regular de transporte ferroviário de passageiros entre os dois países, informou o jornal Notícias, de Maputo.

Actualmente, o único serviço de passageiros é assegurado por um comboio especial que, pelo menos duas vezes ao ano, transporta turistas de vários países do mundo que percorrem os corredores de Goba, de Ressano e do Limpopo, ligando Moçambique, Suazilândia, África do Sul e Zimbabwe.

No âmbito da conferência sobre o lançamento do Corredor de Goba, realizada na semana passada em Manzini, representantes das duas companhias ferroviárias retomaram as discussões com vista à reintrodução daquele serviço.

Para Joaquim Zucule, director executivo da CFM-Sul, por exemplo, o serviço de passageiros é um projecto viável, razão por que as duas partes já avançaram rapidamente com ideias práticas sobre como o mesmo deverá ser reintroduzido, olhando para o actual cenário do mercado e da integração regional.

O serviço de transporte ferroviário de passageiros pode igualmente impulsionar o turismo na região, permitindo a ligação cruzada entre cidades como Maputo, Durban, Gauteng, ou o acesso ao Krueger Park, cumprindo distâncias relativamente curtas.

Ao nível do sistema ferroviário sul, o serviços de transporte de passageiros é maior na linha do Limpopo, que liga Moçambique ao Zimbabwe, sendo causa disso a existência de vários povoados ao longo do eixo até à fronteira com o Zimbabwe.

Na linha de Ressano Garcia, que liga Moçambique à África do Sul, os números tendem igualmente a subir, facto que fica a dever-se à abolição dos vistos e à vigência da Zona de Comércio Livre, dois dos factores que estimularam o movimento migratório a nível da região.

Nos primeiros três meses deste ano foram transportados 516.795 passageiros no sistema ferroviário sul, contra 467.477 em igual período de 2007.
(macauhub)

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Moçambicanos convocam "marcha de repúdio" contra Mugabe

Maputo, 26 junho 2008 (Lusa) - Diversas organizações da sociedade civil moçambicana convocaram para esta sexta-feira uma marcha de "repúdio" à violência no Zimbábue e à realização de "eleições sem liberdade" neste país, disse nesta quinta-feira à Agência Lusa fonte da organização.

Segundo Custódio Duma, jurista da Liga dos Direitos Humanos, promotora da iniciativa, a marcha vai percorrer a Avenida Robert Mugabe e terminará frente à embaixada do Zimbábue em Maputo.

Apesar da pressão internacional, o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, no poder desde a independência do país há 28 anos, e a Comissão Eleitoral do país (ZEC) insistem na realização do segundo turno das eleições na próxima sexta-feira, um pleito já denunciado por muitos como uma "paródia de democracia", devido à acentuada violência e à desistência do candidato da oposição, Morgan Tsvangirai.

"Pretendemos manifestar a nossa indignação com o que se passa no vizinho Zimbábue, não podemos ficar em silêncio perante a tirania e a ditadura de Robert Mugabe, aqui bem ao lado do nosso país", destacou Duma.

Com a marcha, as organizações da sociedade civil moçambicana querem também juntar-se à pressão contra a realização do segundo turno das eleições presidenciais no Zimbábue, "devido à violência e à falta de liberdade", afirmou Duma.

"Não há condições para a realização do segundo turno das eleições no Zimbábue, porque sem liberdade não pode haver escolha. Temos ali um tirano a tentar legitimar-se como presidente", frisou o jurista da LDH.

Para a LDH, "Robert Mugabe será um presidente sem legitimidade", caso se realize o pleito na sexta-feira, "porque quem legitima os líderes é o povo, em eleições livres e justas".

De acordo com Custódio Duma, "o Zimbábue que sairá das eleições de sexta-feira será de um caos ainda maior, com mais violência e um presidente a tentar legitimar-se pela força".

Duma criticou o "pronunciamento vago" do chefe de Estado moçambicano, Armando Guebuza, em relação à crise zimbabuana - feito por ocasião do Dia da Independência Nacional, assinalado na quarta-feira desta semana.

Em declarações aos jornalistas na Praça dos Heróis Moçambicanos, Guebuza fez um apelo "às vozes discordantes no Zimbábue para tomarem posições que possam permitir que o processo continue e em paz".

"Havendo vozes discordantes dentro do Zimbábue, a nossa preocupação é encontrar a forma de essas vozes deixarem de ser discordantes. Para tal, instamos as partes a se encontrarem para tomar as posições que possam permitir que o processo continue e em paz", disse o estadista.

Reagindo a estas declarações, a LDH considerou-as "vagas e de corporativismo para com Robert Mugabe, porque o presidente (moçambicano) não condena nem se manifesta no sentido de persuadir o governo do Zimbábue a parar com a violência".

Para Custódio Duma, a postura branda dos líderes da África Austral quanto ao que se passa no Zimbábue terá "conseqüências mais graves ainda para os países vizinhos, porque também serão atingidos pelo caos que se vive naquele país".

Duma acusou ainda o ex-chefe de Estado moçambicano Joaquim Chissano de fazer "declarações que demonstram alguma cumplicidade com Mugabe", ao defender também no Dia da Independência que "a solução para os problemas do Zimbábue virá dos próprios zimbabuenos".

"O povo zimbabuano precisa do apoio e solidariedade dos países vizinhos e amigos. Mugabe é o problema, não a solução da catástrofe no Zimbábue", realçou.


segunda-feira, 23 de junho de 2008

Zimbabwe/Governo brasileiro suspende missão de observadores

Brasília, 23 junho 2008 - O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, determinou a suspensão da missão de observadores eleitorais que o Brasil enviaria ao Zimbabwe após a decisão de Morgan Tsvangirai de retirar-se da segunda volta das eleições presidenciais.

A missão de observadores eleitorais do Brasil seria feita a convite do governo zimbabweano e era estimulada por países africanos.

Numa nota divulgada domingo, o Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, lamentou que a situação no país tenha chegado ao ponto de motivar a desistência do candidato opositor.

O líder da oposição no Zimbabwe, Morgan Tsvangirai, anunciou domingo a recusa em defrontar Mugabe na segunda volta das eleições presidenciais, prevista para 27 de Junho, face à onda de violência no país.

Desde as legislativas e a primeira volta das presidenciais a 29 de Março, pelo menos 70 pessoas morreram, de acordo com a oposição, e 400 foram detidas, segundo a polícia local.

"Ao condenar os actos de violência, o Brasil exorta as partes, especialmente o Governo do Zimbabwe, a propiciar um ambiente de calma e tranquilidade, em que a vontade do povo zimbabueano possa expressar-se democraticamente", refere o comunicado do Itamaraty.

O Governo brasileiro informou ainda que está a acompanhar "com interesse" a discussão sobre a situação no Zimbabwe no âmbito da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

A expectativa do Brasil é de que a reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros, convocada para hoje, aponte "caminhos que permitam a normalização do processo eleitoral, com a participação plena e livre das forças políticas zimbabweanas".

A renúncia de Tsvangirai abre caminho à reeleição automática de Robert Mugabe, de 84 anos, no poder desde 1980, quando o Zimbabwe se tornou independente da Grã-Bretanha. (AngolaPress)

terça-feira, 10 de junho de 2008

Moçambique/Xenofobia: Graça Machel responsabiliza excesso de imigrantes ilegais na África do Sul

Maputo, 10 junho 2008 - A presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), Graça Machel, considerou hoje (terça-feira) "insuportável" o excessivo número de imigrantes ilegais na África do Sul, responsabilizando esse êxodo de estrangeiros pela onda de xenofobia naquele país.

Mais de 60 estrangeiros foram mortos nos ataques contra estrangeiros na África do Sul, que eclodiram no início da segunda semana de Maio, e forçaram também à fuga de milhares de estrangeiros para centros de acolhimento naquele país e para estados vizinhos.

Falando hoje em Maputo num encontro sobre as causas da xenofobia na África do Sul, que reúne diversas organizações da sociedade civil da África Austral, Graça Machel, viúva do primeiro chefe de Estado moçambicano, Samora Machel, e actual mulher do primeiro Presidente negro da África do Sul, Nelson Mandela, afirmou que "a África Austral está a sangrar", devido à intolerância xenófoba na África do Sul.

Realçando que "nenhum país suportaria a entrada de repente de quatro milhões de imigrantes ilegais", que fugiram da grave crise económica e política no Zimbabwe para a África do Sul, Graça Machel afirmou que "a entrada de muitos estrangeiros pobres neste país tornou as condições de vida mais desumanas do que já eram para a própria população pobre sul-africana, levando à rejeição dos estrangeiros e à onda de ataques xenófobos".

"De repente, acordámos chocados e admirados, sem podermos reagir com a cabeça, mas com emoção, a uma onda de ódio, a uma onda de rejeição, de intolerância e mesmo de brutalidade", sublinhou Machel.

A abolição de vistos entre a África do Sul, o país mais forte economicamente em África, e a maioria dos estados da África Austral, incluindo Moçambique, também fez disparar o número de estrangeiros que procuram melhores condições de vida naquele país, tornando mais feroz a concorrência com os nacionais pelo emprego e acesso aos programas de reinserção social das comunidades pobres naquele país, acrescentou a presidente da FDC, uma das vozes mais respeitadas em África.

Entretanto, uma representante da comunidade de imigrantes moçambicanos na África do Sul, Laura Chambisse, disse hoje em Maputo que cerca de 35 corpos de moçambicanos mortos na sequência da violência xenófoba na África estão ainda por reclamar em hospitais sul-africanos, apesar de oficialmente apenas 17 moçambicanos terem morrido na onda de ataques aos estrangeiros.

Chambisse deu essa informação à chegada de dois cadáveres de moçambicanos assassinados na África do Sul, elevando para nove o número de vítimas já transladadas para o país, na sequência da perseguição aos estrangeiros naquele país. (AngolaPress)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Moçambique/Zimbabwe vai pagar dívida com a HCB dentro de seis meses

Maputo, 18 fevereiro 2008 - O Zimbabwe acaba de se comprometer a pagar a dívida com a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) no valor de 16 milhões de dólares norte-americanos, dentro dos próximos seis meses. Em meados de Janeiro último, a HCB retomou o fornecimento da corrente eléctrica ao Zimbabwe, depois de uma suspensão decretada no início do mesmo mês, quando a dívida zimbabweana ascendia os 26 milhões de dólares.
A retomada de fornecimento de energia eléctrica àquele país aconteceu depois que a ZESA, companhia de distribuição da corrente eléctrica do Zimbabwe, liquidou 10 milhões de dólares. Desde logo, as partes iniciaram negociações para a amortização do remanescente, o que levou à assinatura, em princípios de Fevereiro em curso, de um memorando de entendimento entre a ZESA e a HCB.
“Os documentos mais importantes deste acordo foram assinados na primeira semana de Fevereiro, nos quais o Zimbabwe se comprometeu a liquidar a dívida que tem para com a nossa empresa num período de seis meses, ao mesmo tempo que está a pagar a factura corrente”, afirmou Paulo Muxanga, presidente do Conselho de Administração.
O Zimbabwe, segundo a nossa fonte tem feito pagamentos semanais e os valores que tem fluído à HCB são significativos, o que indica a priori que os prazos serão cumpridos segundo o acordado. O Zimbabwe, através da ZESA, é o segundo cliente da HCB, depois da África do Sul.
A Hidroeléctrica de Cahora Bassa tem vindo a privilegiar o fornecimento de energia aos países vizinhos, sendo que depois da África do Sul e Zimbabwe, está em fase de construção uma linha de transmissão para o Malawi. Também tem disponibilizado corrente ao Botswana.
Na conversa com a nossa Reportagem, o PCA da HCB também se referiu ao projecto da construção da central norte, tendo revelado que o Governo moçambicano ainda não descartou esta possibilidade, mas remeteu a Manitoba Hydro Internacional a missão de realizar um estudo mais amplo e cuidadoso sobre a matéria.
Recentemente, consultores da Barragem de Manitoba Hydro Internacional Limitada do Canadá, com uma postura reconhecida na inspecção do estado físico e operacional de barragens de grande envergadura estiveram em Moçambique, para reavaliar o estado físico da HCB a mando das instituições bancárias internacionais que desembolsaram os valores que foram pagos ao Governo português para a reversão da HCB ao Estado moçambicano. A avaliação confirmou o “óptimo estado” que a Hidroeléctrica de Cahora Bassa apresenta.
Outros dados avançados por Paulo Muxanga, a empresa Hidroeléctrica de Cahora-Bassa vai arrancar ainda este ano, com programas de apoio social Educação, Saúde e no abastecimento rural de água potável ao longo do vale de Chitima onde a dificuldade de água para o consumo humano é sério. (Notícias)