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terça-feira, 14 de abril de 2015

Angola/A VITÓRIA QUE MUDOU O MUNDO

14 abril 2015, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Artur Queiroz

A Operação Displace, que teve início no dia 28 de Abril de 1988, marca o fim da invasão de Pretória e o início de negociações directas entre os governos de Angola, da África do Sul e de Cuba, sob mediação dos Estados Unidos.

O ponto final da Batalha do Cuito Cuanavale foi no Triângulo do Tumpo, ao longo do dia 23 de Março de 1988. A esmagadora derrota das tropas invasoras do regime de apartheid obrigou PW Botha a tomar medidas de emergência. Responsabilizou o seu ministro da Defesa, Magnus Mallan, e o comando das forças armadas em bloco. Acusou-os de o terem enganado. Numa reunião em Pretória mandatou o seu chefe dos serviços secretos (Neil Barnard) para tirar Nelson Mandela do cárcere.

No Sudeste de Angola as tropas invasoras retiravam penosamente, vergadas ao peso da derrota. Os soldados que chegaram à Namíbia escreveram nas paredes das casas onde pernoitaram: viemos do inferno.

O arco-íris começou de imediato a ser “pintado”. Era preciso garantir na África do Sul uma transição para a democracia, num clima de paz social. Neil Barnard, um radical do apartheid, revelou mais tarde que trocou confidências e deu todas as garantias a Mandela.

O futuro Presidente da África do Sul contou que

sexta-feira, 27 de março de 2015

Angola/A SEGUNDA DERROTA DO APARTHEID

27 março 2015, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

José Ribeiro e Artur Queiroz

O abandono de soldados sul-africanos mortos nos campos de batalha tem uma justificação: os generais do apartheid estavam convencidos de que iam tomar a vila do Cuito Cuanavale, “mais hora menos hora”.

No dia 23 de Março de 1988, enquanto o comando avaliava a situação, o comandante dos tanques, Gerhard Louw, fazia esforços para recuperar os tanques imobilizados. Um deles foi puxado com sucesso por um veículo blindado de recuperação, mas ficou claro que era impossível recuperar os outros Oliphant. Louw pediu autorização para destruir os tanques imobilizados pelo fogo de artilharia das FAPLA. Mas o general Liebenberg ordenou que os tanques não fossem destruídos, mas abandonados, para serem recuperados mais tarde, quando fosse tomado o Cuito Cuanavale.

Gerhard Louw estava encurralado nos campos de minas do Triângulo do Tumpo. O fogo que caía à volta era tão intenso, que as tripulações dos tanques nem sequer tinham tempo para recuperar os seus objectos pessoais com segurança. O tanque de Gerhard Louw e um veículo blindado de recuperação não conseguiram mover um Oliphant que

quarta-feira, 25 de março de 2015

Angola/MONUMENTO À LIBERDADE

25 março 2015, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Artur Queiroz

No Triângulo do Tumpo a Bandeira Nacional foi hasteada nos pontos mais importantes da Batalha do Cuito Cuanavale, travada há 27 anos, entre as forças angolanas e as tropas do apartheid, reforçadas com os batalhões de Savimbi.

Uma aliança que acabou esmagada, no dia 27 de Março de 1987. A derrota dos invasores levou à libertação de Nelson Mandela, ao fim do regime de Pretória e à independência da Namíbia. Os combatentes construíram heroicamente no Cuando Cubango o monumento mundial da liberdade.

Os tanques Oliphant que há 27 anos  atacaram o Triângulo do Tumpo caíram nos campos de minas não convencionais, reforçadas com caixas de explosivos e bombas avariadas da aviação, obra do capitão Jorge, comandante da Engenharia Militar. O capitão Valeriano estava com os seus homens, na linha da frente. Montou num ardil aos invasores que lhes foi fatal.
 
“Durante o dia retirei os meus homens das suas posições e eles passaram a ponte sobre o rio Cuito. Eu sabia que o inimigo estava a vigiar os nossos movimentos. Mas pela calada da noite, com o máximo cuidado, regressámos. Quando os invasores nos atacaram, pensavam que

segunda-feira, 23 de março de 2015

Angola/CUITO CUANAVALE MUDOU A HISTÓRIA

23 março 2015, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Adalberto Ceita


A Batalha do Cuito Cuanavale faz hoje mais um aniversário. Há 27 anos, os invasores sul-africanos e as tropas da UNITA foram derrotados no assalto final ao Triângulo do Tumpo.

Com suporte dos super-tanques de guerra “Oliphant” e os canhões G5, os invasores estavam convencidos do aniquilamento das FAPLA, que asseguravam a defesa do Cuito Cuanavale. Foram derrotados, e de um total de 20 super-tanques “Oliphant” que trouxeram para dentro de Angola só 13 conseguiram regressar e com sérias avarias. Alguns apenas andavam 500 metros por hora. Por isso, a retirada dos derrotados foi penosa. Outros três, um dos quais encontrado no teatro das operações militares em Dezembro de 2014, estão nas terras do Cuando Cubango e simbolizam a derrota dos invasores.
 
Estamos em Março de 1988. A 25ª Brigada comandada pelo capitão Valeriano e composta por valorosos combatentes das FAPLA tem a missão de defender o Triângulo do Tumpo, no Cuito Cuanavale, e impedir o avanço do exército sul-africano em

quinta-feira, 19 de março de 2015

Angola/MEMÓRIA DA GRANDE BATALHA

19 março 2015, Jornal de Angola EDITORIAL http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

O céu do Cuando Cubango no mês de Março está frequentemente carregado de nuvens e os fortes aguaceiros fazem transbordar os rios. As chanas alagadas e os lamaçais isolam vastas áreas da província. Neste quadro, há 27 anos, os angolanos escreviam páginas de ouro da História Universal.

O regime racista de Pretória começava a atolar-se nos pantanais do Chambinga, na nascente do Dala, nos afluentes do Tumpo, nas colinas que circundam o Cuito. E a vila do Cuito Cuanavale, com a sua preciosa base aérea, ali tão perto, dando às tropas invasoras e seus aliados internos, a ilusão de que era fácil conquistar o alvo.

Os dias de paz, estabilidade e democracia que hoje vivemos tiveram um ponto de partida: A estrondosa vitória dos angolanos na Batalha do Cuito Cuanavale. É da mais elementar justiça, mesmo uma obrigação, hoje honrar os heróis que defenderam a soberania nacional e libertaram o mundo do regime do apartheid de Pretória, o maior crime que alguma vez foi cometido contra a Humanidade, apoiado, directa ou indirectamente, pelas grandes potências ocidentais e os seus satélites amestrados. Os aviões que a 19 de Março de 1988 bombardearam o Triângulo do Tumpo eram “Mirage” franceses. Os “stingers” da UNITA disparados contra os MIG da Força Aérea Nacional foram oferecidos pelos EUA. As tropas de elite da artilharia sul-africana que

sábado, 4 de outubro de 2014

Angola/Rússia lança filme sobre Batalha do Cuito Cuanavale

3 outubro 2014, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Nicolau Vasco, Menongue 

O governo da Rússia vai, no próximo ano, produzir um filme sobre a histórica Batalha do Cuito Cuanavale, intitulado “A Guerra Desconhecida dos Soviéticos em África”, para homenagear os heróis angolanos, cubanos e do seu país que participaram, até 23 de Março de 1988, na luta contra as tropas do regime do apartheid da África do Sul.

Esta intenção foi manifestada, terça-feira, no Cuito Cuanavale, pelo presidente do Conselho do Fundo dos Veteranos de Angola na Rússia (CFVA), Vadim Sagatchko, no final de uma visita de trabalho efectuada ao município.

Vadim Sagatchko, que chefiou uma delegação composta por cinco membros do CFVA, incluindo três jornalistas da televisão estatal da Rússia, disse que a produção deste filme tem como objectivo informar aos cidadãos angolanos, cubanos, russos e dos outros países do mundo sobre a importância e a verdadeira história da Batalha do Cuito Cuanavale.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Angola/A VERDADE SOBRE MAVINGA

25 setembro 2014, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

José Ribeiro

O livro “War in Angola – The Final South Africa Phase” de Helmoed-Roemer Heitman é uma descrição minuciosa do modo como se desenrolaram os combates em Mavinga entre quatro Brigadas das FAPLA e fortes unidades militares da África do Sul e revela como a 47.ª Brigada angolana ocupou a antiga base logística da UNITA naquela cidade e resistiu de forma heróica às tentativas  e ordens do próprio P.W. Botha para ser desalojada.

As acções de guerra da África do Sul em Angola atingem o seu pico nos meses de Agosto e Setembro. O regime de apartheid aproveita o tempo seco para bombardear e ocupar partes do território angolano. A época das chuvas é reservada aos ataques da UNITA de Savimbi. Na desestabilização de Angola, durante a guerra, as tarefas estavam bem definidas.
 
Após a Independência, a primeira grande invasão sul-africana a Angola ocorre a 23 de Agosto de 1981, com a Operação “Ashakari”. Dois anos depois,

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Angola/UMA LIÇÃO DE DIPLOMACIA

11 setembro 2014, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

José Ribeiro

A 11 de Setembro de 1981, Lagos, a capital da Nigéria, foi palco de um combate diplomático, em que, de uma vez por todas, ficou claro, para África, que as posições do Governo angolano eram justas e as tropas cubanas estacionadas em Angola necessárias para a conquista da independência da Namíbia e o derrube do apartheid.

Alguns dias antes, a 23 de Agosto, as Forças de Defesa da África do Sul (SADF) recuperavam de uma vergonha. Em  1975, as FAPLA, com ajuda cubana, haviam infligido a primeira derrota ao mais poderoso Exército de África. Os sul-africanos eram expulsos de Angola a 27 de Março de 1976.  Começou  o “fim do mito da invencibilidade” da África do Sul.

Mas cinco anos depois, unidades do exército sul-africano voltavam

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Angola/AS CONDIÇÕES DA LIBERDADE

12 maio 2014, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Maio é um mês fértil de acontecimentos históricos para a Humanidade.

Um deles salvou a Europa e provavelmente todo o mundo, da escravidão. No dia 9 de Maio de 1945, as hordas nazis de Hitler foram derrotadas na Frente Russa. Milhões de civis e militares soviéticos deram a sua vida pela liberdade dos povos. Depois da rendição, o mundo foi surpreendido pelos campos de extermínio. Há cemitérios das vítimas do nazismo nos países Aliados, para que a Terra não esqueça. Nós em Angola também vencemos os nazis. E temos no Cuito, capital do Bié, o cemitério das nossas vítimas, que representa todos os angolanos com ou sem sepultura.

A derrota dos nazis na então União Soviética é para recordar, não para esquecer. O mesmo acontece com a Batalha do Cuito Cuanavale. No Triângulo do Tumpo foi destroçado o regime de apartheid, em tudo igual ao nazismo de Hitler. A diferença é que os monstros que dirigiram o III Reich eliminavam as minorias étnicas ou raciais em nome da “raça ariana” e os sanguinários chefes do apartheid eliminavam a maioria negra, do alto da “superioridade da raça branca”.  Os Heróis da Batalha do Cuito Cuanavale escreveram as mais belas páginas da História Universal contemporânea,

sábado, 10 de maio de 2014

Moçambique/ATAQUES DA RENAMO CONTRA A DEMOCRACIA

10 maio 2014, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Samora Machel disse uma vez que os “vizinhos não se escolhem”. O primeiro Presidente de Moçambique justificava assim as divergências insanáveis com Pretória.

Devido ao injusto regime de segregação racial vigente no país mais rico do continente africano, a África do Sul sofreu durante décadas um bloqueio internacional, com a aplicação de sanções em todos os sectores. Moçambique pagou uma pesada factura por ter um vizinho agressivo e reaccionário.

O Governo de Moçambique nunca aceitou a lógica de um regime que prendia e condenava à morte ou a pena perpétua os seus opositores políticos. E quando não podia usar essas “armas”, fazia atentados mortíferos contra aqueles que davam tudo pela libertação do povo, das garras do “apartheid”. Angola sabe bem o que isso significa, porque a aviação do regime racista de Pretória bombardeou comunidades civis, assassinando milhares de angolanos e namibianos.