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quarta-feira, 25 de maio de 2016

NOVO ABALO POLÍTICO NO BRASIL: É HORA DA MÍDIA COMEÇAR A DIZER “GOLPE”?



23 maio 2016, The Intercept https://theintercept.com (Brasil)

(To read the English version of this article, click here.)

O país acordou hoje com a notícia das secretas e chocantes conversas envolvendo um importante ministro do recém-instalado governo brasileiro, que acendem uma luz a respeito dos reais motivos e agentes do impeachment da presidente democraticamente eleita, Dilma Rousseff. As transcrições foram publicadas pelo maior jornal do país, a Folha de São Paulo, e revelam conversas privadas que aconteceram em março, apenas semanas antes da votação do impeachment na Câmara. Elas mostram explícita conspiração entre o novo Ministro do Planejamento, Romero Jucá, e o antigo executivo de petróleo Sergio Machado – ambos investigados pela Lava Jato – a medida em que concordam que remover Dilma é o único meio para acabar com a investigação sobre a corrupção. As conversas também tratam do importante papel desempenhado pelas mais poderosas instituições nacionais no impeachment de Dilma, incluindo líderes militares do país.

As transcrições estão cheias de declarações fortemente incriminatórias sobre os reais objetivos do impeachment e quem está por trás dele. O ponto chave da conspiração é

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Argentina/Cristina Kirchner defende Lula e Dilma e fala em 'conspiração' no continente

23 agosto 2015, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

Marcia Carmo - BBC Brasil

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, defendeu a presidente Dilma Rousseff durante pronunciamento em rede nacional de rádio e TV em seu país.


“O que está acontecendo em outros países da região, como o Brasil, é o que ocorreu na Argentina”, disse, referindo-se aos protestos contra seu governo em 2011. “Olhem o que estão fazendo com a Dilma”, afirmou.

Ela sugeriu que os “panelaços”, alguns “setores da imprensa” e da “Justiça” fariam parte de uma conspiração contra a colega brasileira.

Cristina lembrou manifestações ocorridas na Copa das Confederações, em 2013, e na Copa, no ano passado – quando Dilma foi vaiada em estádios – para afirmar que os atos contra a colega brasileira não eram claros. “Não se sabe bem por que”, disse.

Ela sugeriu ainda que a morte do então presidenciável Eduardo Campos (PSB-PE), ocorrida num acidente de avião em Santos (SP), em agosto de 2014, possa ter sido fruto dessa mesma conspiração contra a presidente brasileira.

“Ele não tinha se manifestado sobre (quem apoiaria) no segundo turno das eleições. E Marina Silva ocupou seu lugar e depois apoiou o outro candidato (Aécio Neves)”, afirmou.

Cristina disse ainda ter achado “tudo muito estranho, porque de repente os brasileiros, que gostavam de futebol, passaram a criticar (o futebol)”. "E, depois de Dilma, agora estão contra Lula.”

'Do norte'
A presidente argentina afirmou que essa "conspiração" pode ter partido “do Norte”. “As panelas têm marca registrada” de uma agência de investigações “do país do norte que tem interesse na América Latina”, disse, sobre os panelaços contra a colega brasileira.

Após o pronunciamento, voltou a citar o Brasil em discursos para militantes concentrados no pátio interno da Casa Rosada, sede do governo.

Com microfone em punho, e interrompida por aplausos, disse que “grande parte do que construímos devemos a eles, (Néstor) Kirchner, Hugo (Chávez) e Lula”. E reiterou o que já tinha declarado em cadeia nacional: “E por isso agora estão avançando contra Lula. Estejamos todos atentos”.

Cristina afirmou que a região registrou avanços nos últimos anos e que opositores querem “frustrar os processos de desenvolvimento social que alguns chamam de populista”.

E relatou um diálogo que teve com Dilma sobre a juventude de ambas.

"Na conversa, eu disse que tínhamos razão para estar irritadas, indignadas porque não havia eleições, havia ditadura, pessoas desaparecidas, torturadas, o que fizeram com a Dilma. Sempre andávamos com caras irritadas e uma palavra que disse à Dilma, mas não vou dizer aqui".

A presidente argentina, que passará a faixa presidencial em 10 de dezembro, disse ainda que “o resultado das urnas deve ser respeitado”, e ouviu seus apoiadores cantarem “Cristina no sé vá” (“Cristina não vai embora”) e “somos os soldados de Cristina”.

Créditos da foto: Roberto Stuckert Filho


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A DESESTABILIZAÇÃO ECONÓMICA NA VENEZUELA REPETE O PRECEDENTE CHILENO



3 novembro 2013, ODiario.info http://www.odiario.info (Portugal)

Os Editores

Um esclarecedor vídeo que nos chega da Venezuela alerta para a gravidade da conspiração em desenvolvimento, montada em Washington com o objetivo de destruir a Revolução Bolivariana.

A intensificação da desestabilização económica desencadeada naquele país pela direita repete com pouca imaginação a primeira fase do plano golpista contra o Chile da Unidade Popular, ideado pela Administração Nixon e cujo desfecho foi o sangrento golpe fascista do 11 de setembro de 1973.

Em Caracas e nas principais cidades da Venezuela a escassez é hoje uma realidade. Nos supermercados falta carne, peixe, farinha, arroz, óleos comestíveis, sabão, até papel higiénico. O bolívar desvaloriza-se, o câmbio negro do dólar dispara, a inflação galopante aumenta a cada semana. A violência alastra, os atentados terroristas multiplicam-se.

A oposição legal organiza manifestações que lembram as passeatas das panelas chilenas, tenta desorganizar os transportes. Os media - controlados maioritariamente pela oligarquia financeira - incitam à rebelião,

segunda-feira, 2 de março de 2009

Escritor brasileiro revela plano da CIA para depor Allende

Lisboa, 27 fevereiro 2009 (Lusa) - O escritor e cientista político brasileiro Luiz Alberto Moniz Bandeira defende, em seu novo livro, que os dois acontecimentos mais importantes da América Latina no Século 20 foram a revolução cubana e a deposição de Salvador Allende, no Chile, numa "conspiração norte-americana organizada pela CIA".

No livro "A fórmula para o Caos", publicado em Portugal, Moniz Bandeira analisa o processo político, econômico e social que levou à queda do governo de Salvador Allende, em setembro de 1973, após ser eleito democraticamente.

O autor cita a conspiração da CIA com os grupos civis de extrema direita, com os militares e com a oposição para derrubar Allende.

Em declarações à Agência Lusa, o cientista político, ou "politólogo", como gosta de se classificar, explicou que o título da obra foi inspirado na expressão que o chefe do escritório da CIA em Santiago, Henry Heckscher, usou para denominar o conjunto de operações encobertas - atentados terroristas, assassinatos, sabotagens, boicote econômico - que culminariam com o golpe de Estado.

Contexto
O historiador defendeu que "os golpes de Estado que existiram nos diversos países da América Latina após a revolução cubana foram um fenômeno da guerra fria", não um fenômeno nacional.

"Foram o resultado da mutação da estratégia da segurança continental dos EUA no contexto da guerra fria", disse o especialista.

"Antes, a estratégia de segurança dos EUA tinha como objeto a defesa de uma agressão do bloco sino-soviético. Com a revolução cubana houve uma mutação da estratégia de segurança para dar ênfase, como primeira hipótese de guerra, à subversão", afirmou.

Em seguida, "começou a funcionar a doutrina da ação cívica, que atribui às forças armadas, considerando-as a instituição mais estável e modernizadora, o papel político que deviam fazer as reformas, a revolução, antes que os comunistas a fizessem".

Ação dos EUA
Para Moniz Bandeira, esta mutação da estratégia de segurança permitiu às forças armadas passarem a "fazer golpes de Estado de todas as vezes que o governo se opunha àquilo que os EUA consideravam como fundamental".

"Allende estava fraturado, era inviável o regime socialista. O Chile era um país atrasado, dependente do mercado mundial, não só para as suas exportações de cobre como até para importações de alimentos, e não se pode socializar a pobreza", disse.

De acordo com o cientista político, "a teoria de Marx é a socialização da riqueza que o capitalismo produz, de forma excludente ou discriminatória. O socialismo nunca foi pensado como via de desenvolvimento, mas sim como via de distribuição".

Por esse motivo, explicou que "os EUA temeram que houvesse uma aliança com Cuba. Mais um foco comunista, juntamente com Cuba".

Fazendo uma comparação entre os dois regimes, lembrou também que, inicialmente, "Cuba não ia ser socialista" e que "Fidel Castro não era comunista"

"Ele [Fidel] começou uma reforma agrária, expropriando as terras da empresa norte-americana United Fruits e distribuindo-as por camponeses, não queria fazer socialismo. Fidel foi compelido a ser comunista quando caiu nos braços da União Soviética. Já o que Allende tentou foi um sonho, ele queria fazer um modelo, implantar, socializar, e mexeu com tudo. Não era possível, criou as condições para ser derrubado, que era o que os EUA queriam", disse.

Pesquisa
O escritor admitiu a polêmica da sua obra, mas ressaltou que a narrativa sobre os três anos do regime de Salvador Allende, assim como sobre a trama interna e internacional que provocou bombardeio do palácio de La Moneda e a tomada de poder por Augusto Pinochet, foram elaboradas a partir de documentação primária fornecida por arquivos chilenos, brasileiros e norte-americanos, especialmente os arquivos da própria CIA.

"Todos os meus livros são polêmicos, se não o forem não têm graça. Eu defendo teses, sou um politólogo, estudo, analiso, pesquiso em fontes primárias. Mostro todo o processo", declarou, afirmando que mostra no livro "como a CIA passou a desenvolver a técnica de criar situações que permitem o golpe de Estado".

Em defesa da sua teoria, Moniz Bandeira revelou à Lusa que o líder da organização de extrema direita Pátria e Libertat lhe disse como receberam dinheiro da CIA para fazer atentados terroristas para criar o caos.

"Inclusive contou-me, ele que foi genro do Pinochet, que Pinochet chegou atrasado ao posto de comando do golpe para derrubar Allende porque antes foi perguntar ao embaixador norte-americano se os EUA o estavam apoiando ou não", revelou.

O autor concluiu que a CIA foi o grande vencedor do 11 de setembro de 1973, dia do golpe, e que Allende e o seu projeto de implantação do socialismo pela via pacífica foram os grandes perdedores.

Autor
Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira, nascido em 1935 em Salvador, é reconhecido como um dos maiores historiadores sul-americanos e é autor de mais de 20 obras traduzidas em diversos países.

Licenciado em Direito, é professor titular de história de política exterior da Universidade de Brasília, doutorado pela Universidade de São Paulo.

Foi professor visitante do Instituto Superior de Ciências Sociais e Política (ISCSP) de Lisboa em 2006 e conferencista regular do Instituto de Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores.

Em 2006, foi eleito intelectual do ano de 2005 pela União Brasileira de Escritores. Moniz Bandeira mora atualmente Alemanha, é Grande Oficial da Ordem de Rio Branco e Comendador da Ordem de Mérito Cultural (Brasil) e Comendador da Ordem de Mayo (Argentina) e Cruz de Mérito - 1ª Classe da Alemanha.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Entrevista/MARI ALKATIRI, EX-PRIMEIRO-MINISTRO DE TIMOR-LESTE E DIRIGENTE DA FRETILIN


Diário de Notícias (Portugal) 13 junho 2008

DN: Timor-Leste está hoje melhor ou pior do que em 2006?

Está aparentemente melhor. Já não há violência, existe estabilidade institucional, há um Parlamento que funciona, há um Governo em funções - mas que não reconhecemos, que não tem legitimidade para governar, mas não será a Fretilin a fazer uso da violência como outros fizeram contra nós.

DN: Não tendo o Governo legitimidade, qual a proposta da Fretilin para normalizar a situação?

Entendemos que 2008 deve ser de estabilização, política e económica. E que deve haver eleições em 2009.

DN: Como é que a Fretilin vê os ataques a Ramos-Horta e Xanana?

Achamos que devia haver uma comissão internacional credível a investigar o sucedido. Se se começa a levantar mais suspeitas, está comprometida a liderança do país.

DN: Quais as condições para superar esse clima?

O diálogo. Que se elucidem todas as dúvidas e suspeitas. Eu digo que houve uma conspiração, o Xanana diz que não. Então, vamos comparar dados e ver quem tem razão.

DN: Houve uma conspiração?

Às vezes, só se prova décadas depois. Mas os factos devem ser analisados e ver a quem aproveitam.

DN: Quais as prioridades da Fretilin para um próximo Governo?

Desenvolver Timor-Leste, investir na educação, na saúde, em cursos profissionais, investir nas infra-estruturas para criar emprego. E investir na agricultura para passar do nível de subsistência para o nível da exploração familiar rentável. Apostamos numa política de inclusão e no fortalecimento de mecanismos de participação da sociedade civil e da Igreja para formar consensos nas questões essenciais.

DN: Qual deve ser, em sua opinião, a atitude da justiça timorense para com os envolvidos na crise de 2006 a 2008?

A questão fundamental é se há ou não crimes de sangue. Se há, a justiça deve funcionar; se não há e os factos foram praticados numa certa conjuntura política, deve haver uma certa sensibilidade...

DN: Tolerância?

Não. O Ramos-Horta é que acha que se deve pôr uma pedra sobre o assunto. Ora, isso não deixa de ter os seus riscos...

DN: A Fretilin cometeu alguns erros que abriram a porta à crise?

É bom não esquecer que a minha casa foi queimada em 2002, estava a governar há poucos meses. A partir daí, sempre houve tentativas de desestabilização. Em 2005, há manifestações da Igreja. Os factos de 2006 não aparecem isoladamente.

DN: O objectivo era impedir a governação?

Sim. Quando em finais de 2005 fiz o discurso de balanço e indiquei claramente a política de desenvolvimento como prioridade e qual o rumo a seguir, sabiam se me deixassem governar mais um ano, com as receitas do petróleo, voltaria a ter maioria absoluta. É preciso não esquecer que foi Xanana, usando de sarcasmo numa mensagem de Estado, é que vem trazer para primeiro plano a questão das divisões entre os do leste e do oeste, dizendo que estes eram todos filhos de milícias. Logo após esta mensagem começam os conflitos e os assassinatos, logo depois.

DN: Considera Xanana um dos responsáveis pela campanha contra a Fretilin?

Disso não tenha dúvidas. O que ele fez, o que escreveu e disse não deixam dúvidas.

DN: Reinado foi um instrumento dessa campanha?

Ele disse isso na última mensagem, que actuou a mando de Xanana...

DN: A morte de Reinado foi providencial?

Se ele dizia que tinha provas, mas foi morto, agora já não pode provar nada...