21 junho 2015, Jornal de Angola (Angola)
José Ribeiro
A grande vitória dos angolanos em 40 anos de Independência foi
terem acabado com a guerra. Mas outro grande sucesso foi terem gorado qualquer
tentativa de regresso ao caos e à situação que provocou o conflito armado.
Nisto reside o grande “milagre” de Angola.
O caos precede a violência e mina o
exercício das liberdades. Num ambiente
caótico, as expectativas sociais tornam-se inviáveis. Ninguém deve ignorar o
pecado original que foi a instabilidade gerada no período que se seguiu ao 25
de Abril. Nessa altura juntou-se a revolta contra a repressão colonial às
manobras contra a Independência e criou-se o caldo que conduziu à escalada de
guerra, que se prolongou por mais 30 anos. Apesar de todos os esforços de
Agostinho Neto, em pouco tempo a destruição atravessou o país, como uma lança
que nos rasga a carne e tudo desfaz. A Independência exigiu o sacrifício dos
heróis, mas muitas vidas teriam sido poupadas se a voz da razão tivesse sido
ouvida.
A História Mundial está cheia de exemplos de países que caíram em guerras ou no totalitarismo após um processo de degeneração social. E todos devemos aprender com isso. A subida de Hitler ao poder na Alemanha, em 1932, teve como pano de fundo a crise económica, o crescimento da miséria, da prostituição e do desemprego em massa. No Chile, em 1973, o general Pinochet apoiou-se
