14 outubro 2015, Правда.Ру, Pravda.ru http://www.pravda.ru (Россия, Rússia)
Pepe Escobar
Asia Times, 12/10/2015
O Novo Grande Jogo na Eurásia avançou saltos e saltos semana passada,
depois que a Rússia disparou 26 mísseis cruzadores, do Mar Cáspio, contra 11
alvos no ISIS/ISIL/Daesh por toda a Síria e destruiu todos. Esses ataques
do mar foram a primeira vez, que se saiba, em que foram usados operacionalmente
os mísseis cruzadores estado-da-arte SSN-30A Kalibr.
O Pentágono só pôde mesmo lançar olhar enviesado, sobre o ombro, acompanhando o
voo dos mísseis Kalibr -- que acertam alvos localizados a 1.500km de distância.
Aí está. Mensagem curta, clara, compacta de Moscou, dirigida ao Pentágono e à
OTAN. Querem meter-se conosco, caras? Talvez, quem sabe, com aqueles
porta-aviões enormes e pesadões?
Mais que isso, além de implantar o que é uma zona de exclusão aéreade facto sobre a Síria e o sul da Turquia, o cruzador
Moskva, da Marinha Russa, que transporta 64 mísseis S-300 mar-ar, está agora
ancorado em Latakia.
As proverbiais fontes anônimas nos EUA entraram em surto de hiperatividade,
espalhando 'noticiário' segundo o qual os russos tiveram quatro mísseis que
'perderam o rumo' e caíram no Irã. O Alto Comando da Rússia riu delas: todos os
mísseis atingiram o alvo, dentro do raio previsto de 2,40m em torno do ponto
demarcado.
O Pentágono nem sabia que o Kalibr pode ser disparado de navios pequenos (os
Tomahawks exigem navios muito maiores).
O melhor
que o Pentágono conseguiu inventar, além da apoplexia generalizada, foi o
comandante do North American
Aerospace Defense Command (NORAD), almirante William Gortney a dizer que os mísseis
cruzadores de longo alcance do Conselho Atlântico da Rússia são nova
"ameaça" à defesa nacional estratégica dos EUA.
A ameaça do míssil cruzador russo é "desafio particular para o NORADe para o Comando do Norte." OH! É mesmo?!
Pode-se falar de mais uma subavaliação monstro do que seja o Novo Grande Jogo.
Pode-se argumentar que o desenvolvimento militar da Rússia ao longo dos últimos
anos pôs Moscou várias gerações à frente dos EUA. Na hipótese de uma Guerra
Quente Mundial 3.0 -- que ninguém, exceto os Drs. Fantásticos enlouquecidos de
sempre, poderia desejar --, as armas chaves serão mísseis e submarinos, não os
porta-aviões monstro à moda dos EUA.
O Pentágono está apoplético, porque essa mostra da tecnologia russa revelou ao
mundo que acabou o monopólio dos EUA sobre os mísseis de longo alcance. Os
analistas do Pentágono ainda trabalhavam sob o pressuposto de que o alcance
desses mísseis não ultrapassaria 300 quilômetros.
Além do mais, a OTAN foi avisada: a Rússia pode acabar com eles, num flash -
como vi acontecer em conversas na Alemanha, semana passada. A retórica furiosa,
do tipo