1 agosto 2015, ODiario.info
http://www.odiario.info (Portugal)
Não faltam reportagens sobre a
tragédia da emigração clandestina no Mediterrâneo. O que as câmaras não mostram
e os jornais não contam é onde começou a penúria desses desgraçados. Todos
consideram normal que na África sempre tenham existido miseráveis e que muitos
dos seus filhos abandonem os seus lares. Que no Médio Oriente sempre tenham
existido guerras e os seus filhos procurem outra vida abandonando as suas
terras. Porém, nunca tantos como nestes últimos anos. Em 2014 foram resgatados
do mar entre cento e cinquenta e cento e setenta mil migrantes. E acredita-se
que cerca de seis mil e quinhentos morreram afogados em sucessivos naufrágios.
O mundo chora quando em todos os
jornais, em todos os shows periódicos, nas redes sociais, pelo menos do
Ocidente, são mostrados os naufrágios do Mediterrâneo e aqueles que não tiveram
a sorte de chegar sem que se note, ainda que tenham tido a sorte de chegar ao
local seco, porém molhados.
Despojando-os da pouca dignidade que ficava, as câmaras gravam os olhares
apagados, os olhos vermelhos, os semblantes quebrados, as peles rachadas, os
gestos titubeantes daqueles que se aventuraram a abandonar a miséria e a
violência de seus países.
Com medo, com terror, com fome, com angústia, com desespero, os resgatados
recebem das mãos dos socorristas as mantas térmicas e até a primeira sopa
quente como aviso de que suas penúrias terminaram por um segundo. Depois, terão
outras, porém secos e em terra firme. Sem dúvida, para os imigrantes o pior já
passou.
Em um ano já são mais de quarenta e dois mil resgatados do mar e mais de dois
mil os que não tiveram essa sorte. Nada se sabe de quantos chegaram com êxito a