Noticias, artigos e análises sobre economia, politica e cultura dos países membros do Mercosul, CPLP e BRICS | Noticiero, articulos e analisis sobre economia, politica e cultura de los paises miembros del Mercosur, CPLP y BRICS
quinta-feira, 14 de novembro de 2019
Abya Yala*/Golpe na Bolívia atesta que capitalismo neoliberal não aceita e não tolera a democracia
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Moçambique/Disponíveis em Cabo Delgado: cerca de um bilião de toneladas de grafite
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Moçambique/Hidrocarbonetos: mercado nacional deve beneficiar de parte significativa
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Moçambique/DESAFIO É LIGAR PME’S AOS GRANDES PROJECTOS
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Moçambique será 2º maior produtor mundial de gás liquefeito
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Empresas petrolíferas de Moçambique e da Rússia assinam memorando de entendimento
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Delegação de Angola em Timor-Leste para analisar exploração petrolífera
terça-feira, 4 de março de 2014
CPLP/Timor-Leste propõe exploração petrolífera em terra com parceiros de língua portuguesa
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Moçambique/Empresas reclamam protecção no gás
terça-feira, 25 de junho de 2013
Moçambique/Enh será transformada em operadora petrolífera
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Moçambique/Gás Rovuma: ENH descarta venda de participações mas confirma pressão
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Venezuela e China firmam acordos estratégicos em áreas chaves
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, firmou, nesta segunda-feira (13) quatro acordos bilaterais com o vice-presidente da República Popular da China, Ly Yuanchao, no Palacio Miraflores, em Caracas.
Foram firmados quatro acordos para fortalecer áreas chaves como
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Bolivia/Evo recomenda nacionalização dos recursos na Cúpula do G77
O presidente boliviano destacou que seu país deixou de ser, desde então, uma nação mendiga para converter-se em um Estado digno e soberano.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Moçambique/Hidrocarbonetos vão imprimir nova dinâmica
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Grupo italiano ENI revê em alta reservas de gás natural em Moçambique
sábado, 27 de outubro de 2012
Exploração de recursos naturais: Moçambique defende fortalecimento das instituições de formação
A ideia foi apresentada pelo vice-Ministro dos Recursos Minerais, Abdul
Razak, na segunda sessão de debates do VIII Fórum para o Desenvolvimento de
África sobre o tema “Recursos Minerais para o Desenvolvimento de África: uma
Nova Visão”.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Moçambique/ENH: Pesquisa constante de hidrocarbonetos e evoluir para empresa petrolífera
19 de Junho de 2009/Notícias
NOT - A CMH é constituída maioritariamente pela ENH e IGEPE. Que destrinça se pode fazer entre estas duas instituições sendo ambas do Estado?
NELSON OCUANE (NO) - A ENH tem um mandato de agir de forma comercial. Nós procurarmos o negócio. Quando se constituiu a CMH, por exemplo, uma Sociedade Anónima, trouxe-se o accionista Estado por uma questão do modelo de governação que tinha que ser instituído lá. Em última instância, a ENH, dos lucros que recebe reinveste noutros projectos. A participação do IGEPE flúi directamente para as Finanças. Então, a intenção era garantir que existisse, logo no princípio, alguns ganhos para o Estado com o objectivo de equilibrar a balança de pagamentos. Doutro jeito teria que se reinvestir e ficar-se à espera do apuramento dos resultados finais do exercício para, em caso de positivos, serem entregue ao Estado. Em suma, quando há partilha de dividendos, a parte do IGEPE flúi directamente para o Estado, enquanto a ENH tem que reinvestir.
NOT - Que aspectos relevantes há a ressaltar em ano e meio da actividade da empresa, sob gestão dos actuais executivos?
NO - Antes de mais é preciso referir que a ENH tem como missão evoluir para uma companhia petrolífera competente com uma carteira de actividades comerciais incluindo pesquisa e produção de petróleo e gás, bem como a sua distribuição para utilização interna e para os países vizinhos. A visão é que a ENH deverá optimizar o valor que pode ser gerado para Moçambique através da participação comercial na pesquisa e produção bem como em toda a cadeia de valores do petróleo.
A orientação que tivemos do Governo quando da nossa tomada de posse foi de inovar e formar quadros, para que a empresa esteja à altura de cumprir o seu mandato, bem como responder aos desafios que ao sector se impõem.
Nesse âmbito, uma das primeiras acções que desenvolvemos foi fazer uma análise estrutural e funcional da empresa. Com base nas constatações concebemos um projecto de apoio institucional, financiado pela NORAD em cerca 1.6 milhão de dólares com vista à introdução de uma série de reformas na empresa. Estamos a implementar uma solução integrada de gestão para as áreas de apoio (Recursos Humanos e Contabilidade e Finanças); aquisição de tecnologias especializadas para as áreas operacionais; elaboração do plano estratégico para os próximos cinco anos.
Neste contexto o que nós fizemos foi potenciar a área de core-business, que é a área de projectos e desenvolvimento assim como a área de pesquisa. Nesta duas áreas munimos o pelouro de pesquisa de instrumentos necessários para a avaliação técnica de oportunidades, bem como para a priorização e análise da viabilidade económica de cada um dos projectos.
NOT – Que se pode esperar desta empresa nos próximos cinco anos, sobretudo em termos de implementação da sua estratégia?
NO - O plano estratégico da empresa para os próximos cinco anos assenta nas áreas de core-business que é pesquisa constante de hidrocarbonetos, com vista à sua produção e comercialização em caso de descoberta. Tivemos que olhar para a estrutura da empresa e formalizá-la de acordo com aquilo que era, de facto, o modelo de governação que foi adoptado e de acordo com a lei das empresas públicas e respectivos estatutos.
Era preciso após a constituição do Conselho de Administração formalizar os diversos departamentos que pudessem operacionalizar o funcionamento da empresa. E uma das coisas fundamentais que introduzimos foi uma matriz de autonomia de decisão, a vários níveis desde o Conselho de Administração até às delegações.
Quando começámos a trabalhar, o projecto de Pande/Temane já tinha começado a produzir e a exportar gás natural para África do Sul. A empresa esteve, durante muito tempo, virada para este empreendimento, o que obrigou que fossem mobilizados grandes financiamentos para assegurar a participação do Estado moçambicano no empreendimento. Foram constituídas duas empresas subsidiárias da ENH, nomeadamente a Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos – CMH - e a Companhia Moçambicana do Gasoduto – CMG. Estas duas empresas foram criadas para poderem participar no empreendimento de Pande/Temane. A CMH detém 25 porcento do Centro de Processamento de gás de Temane dos campos de produção. A CMG detém 25 porcento de participação no gasoduto que parte de Temane, em Moçambique, à Secunda, na África do Sul.
A estrutura accionista da CMH é constituída em 70 porcento da ENH, 20 porcento do Estado moçambicano representado pelo IGEPE e 10 porcento dos privados nacionais e da CMG é constituída em 80 porcento do da ENH e 20 porcento do Estado moçambicano, representado pelo IGEPE. A ENH detém, igualmente, 25 porcento de participação no consórcio Matola Gás Company que construiu, opera e distribui gás no Parque Industrial da Matola, transportado através de um gasoduto que parte de Ressano Garcia a Matola
Para além disso a ENH tem participações na fase de pesquisas, nomeadamente na Bacia do Rovuma em que a empresa está envolvida em cinco blocos, com uma participação que varia de 10 e 15 porcento e na Bacia de Moçambique em três blocos, com participação que varia de 10 a 25 porcento. Durante este período foram assinados dois contratos; um para os Blocos 3 e 6 na bacia do Rovuma e outro para o Bloco de Búzi, na Bacia de Moçambique. Referir que a ENH detinha 100 por cento de participação no Bloco do Búzi, tendo cedido 75 porcento a empresa indonesa Búzi Hydrocarbon. Neste momento, a ENH está a negociar dois contratos, com a SASOL e a Osho, ambos na Bacia de Moçambique, com participações que variam de 10 a 15 porcento.
NOT - Havia também um défice em relação a mão-de-obra qualificada e que medidas foram tomadas para sanar o problema?
NO - No âmbito da capacitação em recursos humanos, procedemos ao recrutamento de 15 novos quadros para as áreas operacionais da empresa. Estes quadros foram submetidos à formação especializada tanto no país como no estrangeiro. Como estamos envolvidos em várias frentes os nossos técnicos têm que estar qualificados para estarem em condições de melhor defenderem os interesses do país.
Foi também feita uma revisão de processos e estamos agora num processo de informatização do nosso sistema de gestão, o qual se encontra agora em fase de testes. É um sistema de gestão integrada de recursos humanos e finanças, de tal forma que possamos ter, primeiro a tramitação processual mais rápida e o processo de prestação de contas em tempo útil. A empresa vai poder, a qualquer momento, saber o que é que está sendo feito ao nível da gestão diária da empresa, e isso vai permitir que possamos apresentar as contas em tempo útil.
NOT - Quais as hipóteses de aumento da participação do sector privado nacional nestas empresas?
NO - Isso vai depender muito da estratégia que vamos implementar. Neste momento estamos numa fase de investimento. Nesta etapa é difícil trazer o sector privado, porque ele (o sector privado) está à procura de projectos que lhes dêem retornos a médio prazo. Neste caso a estratégia que vamos adoptar é à medida que o serviço da dívida vai se diminuindo, vamos promovendo a entrada de privados até ao nível em que o accionista maioritário, o Estado definiu. Nesta fase de investimentos avultados pode não ser atractivo para os privados que queremos, que em princípio, devem ser moçambicanos.
NOT - Que balizas temporais foram definidas para a fase de investimentos?
NO - Vamos agora investir na fase de expansão que está já em curso. O investimento total vai ser feito mais ou menos em 10 anos, a partir da altura da contratação. Estamos a prever que o reinvestimento aconteça a partir de 2010.
NOT - Quanto é que custa a expansão e qual será a comparticipação moçambicana?
NO - A participação de Moçambique na expansão do Gás de Temane é de cerca de 100 milhões de dólares, ou seja, 25 porcento do investimento global, estimado em 400 milhões de dólares.
NOT - O Conselho de Administração está satisfeito com o actual desempenho da empresa?
NO - Isto está sendo conseguido na medida em que passamos a ter uma proactividade dos pelouros que trabalham no core-business. Passamos a produzir internamente reflexões em relação as nossa participações tanto ao nível técnico como de gestão. Não bastam os instrumentos, é preciso usa-los de tal forma que possamos ter ilações concretas das áreas.
Em cada uma das áreas em que temos participações é preciso ver o volume de reservas que lá existem, a participação que a empresa tem, o investimento que temos que fazer e a priorização dos projectos. Temos, por exemplo, a apresentação da situação do plano em relação ao orçamento mensal e temos relatórios trimestrais prontos a tempo, o que antes era difícil.
Neste momento estamos, para além da elaboração do plano estratégico, temos seminários de preparação do pessoal com vista à sua implementação. Introduzimos indicadores de desempenho para cada pelouro. Até agora o nível de desempenho é extremamente satisfatório.
LUCROS? AINDA ESTAMOS A INVESTIR
Dada a expectativa que reina à volta dos investimentos que têm vindo a ser canalizados, questionamos ao PCA da ENH sobre os resultados, ao que respondeu:
- É preciso dizer que neste momento estamos numa fase de investimento. Todas as participações na fase de pesquisa não estão em condições de dar lucro. O que está a acontecer nestas áreas é o investimento. O único projecto que neste momento está a produzir é o de Pande/Temane. Está a produzir, mas conforme disse, há necessidade de expandir. Há impostos. Tanto a Sasol como a CMH pagam impostos ao Estado e isto é um ganho directo para o Estado.
Em Moçambique, cerca de três milhões de gigajoules e esse gás esta a ser fornecido na zona da Matola e na cidade do Maputo, através da Matola Gás Company, em que a ENH detém 25 porcento de participação.
Para além disso, por via de dividendos a ENH também tem os seus ganhos em que depois de apurados os lucros é que iria pagar ao Estado, mas neste momento estamos ainda na fase de investimento e não há lucros e isso vai levar algum tempo.
NOT - Quando da cedência da participação da ENH à Hidrocarbones no projecto de Búzi, houve promessas do arranque do estudo ambiental em três meses. O calendário mantém-se?
NO - Assinámos o acordo em Abril e tínhamos 30 dias para fazer as aprovações necessárias para a materialização e, de facto, a 22 de Maio conseguimos todas as aprovações para que o contrato seja efectivo. Há algumas aprovações requeridas à luz do próprio contrato. Vamos ter, dentro em breve a reunião do comité de gestão em que vai ser aprovado o orçamento e o plano de trabalho para o desenvolvimento das actividades no bloco de Búzi. Os termos de referência para a contratação da empresa já estão elaborados e vai ser lançado o concurso até ao final do mês de tal forma que possamos seleccionar a empresa que vai fazer o estudo de impacto ambiental.
Há uma equipa que já se deslocou a Búzi para verificar as condições do terreno, mas que os trabalhos vão iniciar brevemente.
OFERTA DE GÁS PODE CRESCER
NOT - Neste momento, qual é o nível de consumo de gás natural em Moçambique?
NO - Moçambique consome actualmente três milhões e trezentos mil Gigajoules anuais, dos quais três milhões de gigajoules são distribuídos para consumidores comerciais e industriais na Matola, duzentos e cinquenta mil gigajoules a ENH fornece a consumidores domésticos e comerciais no norte de Inhambane e os restantes são usados para CNG para veículos em Maputo e Matola.
No norte de Inhambane, 115 consumidores domésticos se beneficiam directamente do gás natural para cozinha através duma rede de distribuição de 250 km de extensão detida em 100 por cento pela ENH.
Com vista a incrementar o uso de gás natural em Moçambique a ENH efectuou um estudo de mercado e de viabilidade para a implementação de um projecto de distribuição de gás canalizado na cidade e distrito de Marracuene, cujas projecções indicam um consumo de cerca de 2,5MGJ em 2010 podendo atingir os 7 MGJ em 2030.
NOT - Em termos de poupança, que vantagem representa o uso de gás em viaturas face aos derivados de petróleo
NO - Estudos apontam para uma poupança de cerca de 40 porcento quando se usa gás. Na produção de energia eléctrica, o carvão e a energia hídrica continuam competitivos. O problema do carvão é que é uma matéria-prima altamente poluente, enquanto o gás é ambientalmente são.
NOT – Mantêm-se todos os planos quanto à viabilização do projecto de produção de gás de petróleo liquifeito (gás de cozinha), a partir de concentrados?
NO - Existem dois cenários possíveis. Mas a ideia é que até 2011 ou 2012 Moçambique passa a produzir o gás de petróleo liquifeito e as projecções indicam que vão se produzir cinco mil toneladas por ano ou então 15 mil. Isso vai depender dos testes a serem feitos. Neste momento estão a ser feitos estudos com vista a viabilização deste projecto. O que se está a fazer é que durante a expansão serão criadas condições de tal forma que a planta de produção do gás de petróleo liquefeito seja anexada.
BACIA DO ROVUMA NOSSA ESPERANÇA
Muito se tem falado sobre a probabilidade de ocorrência de petróleo ou gás na bacia do Rovuma. Muito dinheiro tem vindo a ser canalizado para a área, o que, de certa maneira, acalenta esperança de um dia o chamado “ouro negro” venha a ser descoberto. Foi neste contexto que perguntamos a Nelson Ocuane, sobre os últimos desenvolvimentos nesta zona, ao que respondeu:
NO - Quando se fala de pesquisas de hidrocarbonetos a Bacia do Rovuma é a que está a ser altamente pesquisada. Só para elucidar, vão ser feitos quatro furos no mar e um furo na terra entre finais deste ano e princípios do próximo. Portanto, vai se testar a existência ou não de petróleo ou gás na Bacia. Nesta bacia, entre 2009 e 2010 vão ser investidos cerca de 370 milhões de dólares na pesquisa. Esta é a única forma de conseguir descobrir petróleo ou gás, não bastam os estudos preliminares. Todos os estudos preliminares são feitos através da sísmica ou outras tecnologias. A parir de finais de 2009 e princípios de 2010 vão começar os furos, aí vamos ter a indicação certa de existência ou não de hidrocarbonetos. Mas pelo volume de actividades o local mais promissora e que nos pode trazer os resultados com maior brevidade é a bacia do Rovuma.
NOT -(…) É que há muito dinheiro a ser canalizado para esta bacia…
NO - É que se não forem feitos investimentos não se vai saber o que é que lá existe. Temos que furar para podermos descobrir o que lá existe, que pode ser petróleo ou não.
NOT - (…) Se não houvesse alguma esperança não se canalizaria assim tanto investimento …
NO - O levantamento sísmico que é feito representa investimento. Só se conseguem resultados investindo. É um investimento de risco que não se sabe se vai ter retornou ou não.
NOT – Globalmente, quanto é que a ENH tem investido na prospecção de hidrocarbonetos?
NO - A ENH participa em quase todas áreas de pesquisa em regime de “carried interest”. Quer dizer, só pagará os custos incorridos pelas companhias parceiras na proporção da sua participação em caso de descoberta. Na Bacia do Rovuma, e havendo descoberta nos cinco blocos de pesquisa, a ENH teria que investir em cerca de 100 milhões de dólares, enquanto que na Bacia de Moçambique teria que investir em cerca de 63 milhões de dólares, isto até 2011, e, como referi, caso haja descoberta de petróleo ou gás natural.
NOT - Que se lhe oferece dizer, neste momento, quanto aos projectos de responsabilidade social que por imperativos da lei todas as empresas têm que as implementar?
NO - Conforme disse temos participações em todos os blocos. E em todos os projectos está previsto um valor que deve ser aplicado em projectos sociais identificados no local. Só para ter alguma ideia, na bacia do Rovuma existem investimentos anuais de mais de um milhão de dólares que o consórcio faz e 15 porcento disso é da responsabilidade da ENH. Isso já esta acontecer. (António Mondlhane)
sexta-feira, 23 de maio de 2008
LE MONDE: O PODER SOBRE O PETRÓLEO MUDOU DE LADO
No início dos anos 1970, quando o barril de "ouro negro" valia menos de US$ 2, ninguém jamais iria imaginar que um presidente americano se encontraria um dia na situação de ser obrigado a implorar perante o rei da Arábia Saudita por um aumento da produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), com o objetivo de forçar uma redução dos preços. O Ocidente, entretanto, chegou a este ponto.
Por Jean-Michel Bezat, para o Le Monde
22 maio 2008/Fonte: Vermelho http://www.vermelho.org.br
Depois de esbarrar numa primeira recusa grosseira, em meados de janeiro, George W. Bush voltou a insistir neste pedido, na sexta-feira (16/05), por ocasião do seu encontro em Riad com o rei Abdala. A tentativa fracassou mais uma vez, pois tudo o que o presidente americano conseguiu foi um aumento limitado e temporário.
Já vai longe a época em que a Standard Oil of New Jersey, a Anglo-Persian, a Gulf Oil e suas quatro outras "irmãs" dominavam o mercado mundial. O tempo em que o presidente Roosevelt conseguiu obter do então rei Ibn Saud a abertura dos poços sauditas para as companhias estrangeiras em troca da proteção militar americana (1945). A época em que era possível derrubar impunemente o primeiro-ministro iraniano Mossadegh (1953), culpado de ter nacionalizado os hidrocarbonetos. O tempo em que fingiam acreditar que o petróleo era uma riqueza inesgotável.
O poder de mercado mudou de lado. Ele escapou dos países consumidores e das grandes multinacionais do setor (Exxon, Chevron, Shell, BP). A evolução do preço de referência do barril (que se aproxima atualmente de US$ 130) está sendo decidida nos bastidores do Kremlin e nas obscuras ante-salas do poder iraniano, no meio dos manguezais nigerianos e nas ribanceiras do Orenoco venezuelano, nos corredores vienenses da Opep e nas agitadas salas da New York Mercantile Exchange (NYMEX, a bolsa especializada na energia e nos metais). E, sobretudo, nos palácios sauditas.
Duzentos dólares
O mundo está vivendo um terceiro choque do petróleo - mais lento do que os anteriores, de 1973 e de 1980. O preço do barril, cujo montante foi multiplicado por seis no espaço de seis anos, é hoje mais elevado em dólares constantes do que era no início de 1981. O seu preço poderá eventualmente refluir de dez ou vinte dólares dentro dos próximos meses, mas nada é menos certo. Alguns analistas tão influentes como os do banco de negócios Goldman Sachs prevêem a manutenção da sua cotação em US$ 141 em média no decorrer do segundo semestre, e em US$ 148 em 2009. A OPEP, por sua vez, não exclui mais que ele venha a alcançar US$ 200.
A Arábia Saudita, o único país capaz de liberar a injeção de um milhão de barris suplementares no mercado, está relutando a proceder desta forma. Ele até mesmo modificou a orientação do seu discurso, recentemente, anunciando que iria limitar o teto da sua produção cotidiana a 12,5 milhões de barris entre 2009 e 2020, de maneira a preservar as suas reservas e, junto com elas, os interesses das gerações futuras. "Toda vez que vocês descobrirem novas jazidas, deixem-nas no solo, pois os nossos filhos delas irão precisar", decidiu o rei.
Nada consegue convencer os sauditas a abrirem as comportas. Eles avaliam que o mercado está suficientemente abastecido e que os estoques de petróleo bruto e de gasolina se mantêm em níveis satisfatórios. Eles estão preocupados, acima de tudo, com a política energética dos Estados Unidos, que visa a reduzir a sua "dependência petroleira" em relação ao Oriente Médio - uma palavra de ordem que foi lançada pelo presidente Bush e retomada em coro pelos pré-candidatos à eleição presidencial John McCain e Barack Obama. Basta ouvir os inflamados discursos acusatórios do ministro saudita da energia contra os biocombustíveis que vêm sendo desenvolvidos no continente americano, para compreender os interesses que estão em jogo. A isso, deve ser acrescentada a vontade de alguns parlamentares americanos de submeter o mercado petroleiro às regras anticartéis do comércio internacional, e até mesmo de suspender as vendas de armas se Riad continuar se recusando a aumentar a sua produção de petróleo.
Essas iniciativas preocupam e irritam os dirigentes da Opep. A estratégia do cartel de Viena, que renunciou desde 2003 a determinar um valor máximo e outro mínimo para o preço do petróleo, parece simples: seguir abastecendo o mercado para evitar toda ruptura, reduzir o "colchão de segurança" ao mínimo (2 milhões de barris por dia) e manter desta forma os preços tão elevados quanto possível, sem comprometer o crescimento econômico. Por serem proprietários dos três quartos das reservas mundiais, os treze Estados membros da Opep detêm todo o poder de barganha necessário para imporem a política que eles bem entendem.
Explosão dos preços
A dependência dos países consumidores está vinculada à fragilidade das multinacionais. Os Estados petrolíferos e as suas companhias públicas nacionais compartilham entre si 85% das reservas mundiais. Com isso, os gigantes multinacionais hoje não detêm mais do que 15% dessas reservas e enfrentam problemas para reconstituí-las à medida que elas vão extraindo a matéria-prima.
Qual será o peso real do "gigante" ExxonMobil, a maior companhia cotada, se comparado com a Gazprom ou a Saudi Aramco? O acesso das grandes companhias ocidentais aos campos petrolíferos - após se verem "barrados" na Arábia Saudita, no Kuwait e no México, a sua penetração está cada vez mais difícil na Rússia, na Venezuela e na Argélia - implicaria "no retorno ao período anterior ao das nacionalizações realizadas nos anos 1970", avalia Nicolas Sarkis, o diretor da revista especializada "Pétrole et gaz arabes".
Será preciso travar uma guerra para reconquistar o precioso líquido? Esta opção é inimaginável, mesmo se a necessidade de petróleo veio a ser um dos motivos da invasão americana do Iraque em 2003, conforme reconheceu o antigo presidente do Fed (o banco central americano), Alan Greenspan. Além disso, esta guerra permitiria obter qual benefício? Ao atiçar as tensões no Oriente Médio e ao reduzir a oferta, a guerra no Iraque contribuiu para a explosão dos preços. A luta para tomar posse dessas reservas por meio da força não passaria de "uma batalha de retaguarda", uma vez que os países petroleiros se encontram atualmente "numa posição de força", comenta Nicolas Sarkis. Eles podem vender as suas enormes reservas em dólares e impedir que os beligerantes do petróleo dele se apoderem, oferecendo-as a países mais pacíficos. Antes para a China do que para a América!
Um bom número de países industrializados tirou as lições das crises de 1973 e 1980 e optou por reduzir a sua dependência. Hoje, eles precisam de menos "ouro negro" para criarem a mesma riqueza. Nos Estados Unidos, as administrações sucessivas tomaram decisões que foram na contramão desta tendência, valendo-se de argumentos do tipo: "O modo de vida americano não é negociável". Por conta disso, a sua taxa de dependência em relação ao petróleo importado acabou passando de 60% para 80%.
Neste exato momento, o problema é de natureza geopolítica: o acesso ao recurso petroleiro está minguando. Num futuro próximo, ele passará a ser geológico. Nas reservas conhecidas, hoje sobra o equivalente a 1,2 trilhão de barris de petróleo, ou seja, o suficiente para quarenta anos de consumo mundial, seguindo-se o ritmo de extração atual. Os mais otimistas multiplicam este número por três, acrescentando os tipos de petróleo bruto chamados de "não-convencionais" (óleos pesados, areias betuminosas). Infelizmente, a extração destes últimos é muito mais cara. Enquanto isso, as reservas dos campos vêm diminuindo inexoravelmente na Arábia Saudita, na Rússia, na Noruega, no México, na Indonésia...
A única resposta prática reside numa diminuição do consumo. Ora, a explosão dos preços não resultou numa redução da demanda, a não ser de maneira marginal, uma vez que os transportes funcionam, numa proporção de 97%, apenas por meio dos derivados do petróleo bruto. Contudo, a redução do consumo nunca foi tão vital, seja para reforçar a segurança energética, seja para lutar contra o aquecimento climático.
O mais barato e o mais limpo de todos os tipos de petróleo continua sendo aquele que não é queimado.
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=37577
domingo, 11 de maio de 2008
Portugal e Venezuela firmam acordo sobre exportações
Lisboa, 9 maio 2008 (Lusa) - Portugal e Venezuela assinam terça-feira um acordo em que Lisboa pagará importações no valor de 10 mil barris de petróleo por dia com exportações de empresas portuguesas, disse fonte diplomática à Agência Lusa.
O acordo complementar à cooperação entre Portugal e Venezuela, datada de 2004, será assinado terça-feira, em Caracas, no início de uma visita de três dias do primeiro-ministro luso, José Sócrates, à Venezuela.
A cerimônia de assinatura do documento será presidida pelo líder venezuelano, Hugo Chavez, e por José Sócrates, após um encontro entre os dois no Palácio Miraflores.
Segundo fonte diplomática, o acordo prevê a constituição de uma comissão mista, em que cada parte será representada por cinco pessoas e que envolverá a presença de membros dos ministérios da Economia dos dois países.
A comissão mista vai acompanhar a evolução das trocas comerciais entre os dois países e a evolução dos preços nos mercados internacionais dos produtos negociados. Além disso, vai identificar as necessidades de importação bilaterais.
Negociações
Segundo o acordo entre a portuguesa Galp e venezuelana PDVSA, Portugal deve receber da Venezuela cerca de 30 mil barris de petróleo por dia.
O valor desses barris de petróleo será em parte pago pela Galp à petrolífera estatal venezuelana em uma conta da Caixa Geral de Depósitos (CGD, o maior banco português).
A partir dessa mesma conta da CGD, serão feitos os pagamentos às empresas nacionais que exportarem para o mercado venezuelano.
Segundo fonte do Executivo de Lisboa, a solução "dá uma grande margem de segurança às empresas portuguesas que exportarem para a Venezuela, ultrapassando os problemas que sentiam em relação ao pagamento".
Em termos de potencial de exportações para o mercado venezuelano, o Estado português se mostra otimista. Nos últimos anos, foram certificadas pelas centrais de compras da Venezuela "dezenas de empresas nacionais".
De acordo com as estimativas de Lisboa, as importações de hidrocarbonetos a partir da Venezuela serão pagas em cerca de um terço por produtos exportados por Portugal para o país sul-americano.
Exportações portuguesas
A Venezuela mostrou interesse em exportações nacionais nos ramos agro-pecuário, farmacêutico, saúde, indústria naval, construção civil, tecnológico e materiais de construção.
Segundo os dados disponibilizados pelo governo de José Sócrates, Portugal exporta para a Venezuela produtos na ordem dos 17 milhões de euros (R$ 44,3 milhões) anuais, valor que contrasta com o da Espanha, que atinge 400 milhões de euros (R$ 1 bilhão).
O valor das exportações portuguesas é considerado "extraordinariamente baixo", até porque a Venezuela "é um mercado em acelerada expansão", que tem registrado taxas de crescimento econômico na ordem de 8%.
Na comitiva da visita do primeiro-ministro português à Venezuela estão cerca de 80 empresários, na sua maioria em representação de pequenas e médias empresas nacionais.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Guiné-Bissau/Cinco empresas estrangeiras receberam autorização para prospecção petrolífera
Bissau, Guiné-Bissau, 9 maio 2008 - A Guiné-Bissau autorizou cinco empresas a realizarem trabalhos de prospecção de petróleo no "offshore", cujos resultados serão conhecidos no prazo de cinco anos, anunciou quinta-feira em Bissau o director-geral da Petroguin, a petrolífera estatal guineense.
Leonardo Cardoso afirmou que o Presidente da República, João Bernardo "Nino" Vieira, promulgou, em Abril, os decretos que autorizaram oito licenças, concedidas às empresas Larsen Oil & Gas, Svenska, SER Petroleum, Super Nova e Sociedade Hidrocarbonetos de Angola (SHA).
A Larsen Oil & Gas, a Ser Petrolum e a Svenska receberam duas licenças cada e a Super Nova e a SHA uma.
De acordo com Leonardo Cardoso, os trabalhos de prospecção "estão com um bom ritmo" desde que o Governo decidiu assinar o decreto de concessão das licenças, prontamente promulgado pelo Presidente da República e publicado em Boletim Oficial (Diário da República) a 11 de Abril.
Uma das preocupações da Petroguin estava relacionada com o abandono, no início do ano, dos trabalhos de prospecção de duas companhias, a Premier Oil e a Occidental, alegando fracos resultados.
O director-geral da Petroguin afirmou que esse problema já não se coloca porque as licenças das duas empresas foram adquiridas recentemente pela Svenska.
A Svenska, empresa de capitais suecos, é aquela que está mais adiantada nas prospecções já que adquiriu os dados geológicos e sísmicos que estavam na posse da Premier Oil e da Occidental, disse Leonardo Cardoso.
Leonardo Cardoso frisou que a Guiné-Bissau decidiu conceder gratuitamente as licenças de prospecção, ressalvando que, em caso de descoberta de petróleo com valor comercial os lucros serão repartidos entre a empresa prospectora e o Estado guineense. (macauhub)
