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sábado, 14 de novembro de 2015

Angola/A VITÓRIA DE TODOS

12 novembro 2015, Jornal de Angola EDITORIAL http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Quarenta anos depois, a República de Angola prevalece como um país independente, soberano, com instituições funcionais e comprometidas com a construção de uma sociedade livre, justa, democrática, solidária, de paz, igualdade e progresso social.

Desde a constituição dos Estados modernos, a História da humanidade viu surgir vários Estados, assim como desaparecer tantos outros. E não raras vezes ao longo de décadas e séculos, muitos Estados vêem-se a braços com ameaças internas e externas à sua continuidade e viabilidade. Por isso, constituem sempre motivo  de celebração, com pompa e circunstância, quando um Estado passa por vários "testes de sobrevivência", caminha com os pés firmes assegurando o respeito e a garantia da sua efectivação pelos poderes legislativo, executivo e judicial, seus órgãos e instituições, bem como por todas as pessoas singulares e colectivas.

Hoje, exaltamos o papel que antepassados como Njinga Mbandi, Katiavala, Nzinga Mvemba, Ekuikui, Mandume e outros soberanos que

domingo, 12 de outubro de 2014

Angola/"VAMOS TER FORÇAS ARMADAS MODERNAS"

9 outubro 2014, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Cândido Bessa

No dia em que se comemora 23 anos da fundação das Forças Armadas Angolanas,  Geraldo Sachipengo Nunda garante que já não há guerra em Angola, avança que a última acção da FLEC, em Cabinda, ocorreu em Maio de 2011, mas afirma que é preciso estar preparado para os riscos internos e externos.

Dá exemplos da  Líbia, Tunísia, Síria e Nigéria onde o Boko Haram conseguiu criar situações de instabilidade com o rapto de centenas de crianças, que ainda não foram encontradas. Na entrevista, o chefe do Estado-Maior General fala do momento actual das FAA, do processo de reedificação que vai torná-las num exército moderno e pronto para responder aos desafios do futuro.


Jornal de Angola - Hoje, 23 anos após a sua fundação, que Forças Armadas o país tem?
Sachipengo Nunda -
 Hoje temos Forças Armadas Angolanas definidas pela direcção política do nosso país e que tem como orientação principal realizar o seu reequipamento, uma reestruturação adequada aos desafios do momento e do futuro. Em termos mais concretos, se

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Angola/Estudo geológico arranca no Norte

27 agosto 2014, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Jaquelino Figueiredo, Soyo

O voo inaugural de prospecção para determinar o potencial de recursos mineiros das províncias de Cabinda, Uíge e Zaire, no quadro do Plano Nacional de Geologia (PLANAGEO), aconteceu segunda-feira, na cidade do Soyo.

A cargo do grupo chinês CITIC, a prospecção é feita através de um avião Falcon - 406 que vai realizar levantamentos aerogeofísico, geoquímico, cartográfico, geológico, além de estudos geotécnicos e de infra-estruturas. O objectivo é aumentar o nível de conhecimento geológico e mineiro do país, para diversificar a produção mineira e aumentar as fontes de receitas para Orçamento Geral do Estado.

A cerimónia foi orientada

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Angola/ATENTADO, CABINDA E COPA DA ÁFRICA

14 janeiro 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Jairo Junior *

"...a primeira noite sem conseguir dormir. Cabinda exalava um som de fundo vindo da floresta do Maiombe e aos fins-de-semana o batuque nas senzalas inundava a cidade. As vozes pareciam atravessar o tempo, atrasando-se, adiantando-se a ele. Ao redor das fogueiras, as festas alimentavam os indígenas noites e noites inteiras. Na cidade, e sem conseguir conciliar o sono, levantei-me da cama pequena de madeira que me tinha sido oferecida com todo o carinho pela Família Amaro Pereira. O quarto era grande, e amplo, contrastando com a cama. Abri a janela e a minha boca abriu-se ao ver os poços de petróleo distribuídos pelo alto mar, qual archotes espalhados. A imagem do petróleo extraído na teia de plataformas junto à costa ainda é totalmente clara para mim. Podia ver pequenas fogueiras ao longe, em cima do mar, como que decorando e iluminando essa massa de água no escuro.

Acordei em Cabinda. Entre o mato e o mar. Tinha 17 anos e cabelos compridos. Andava descalça pela cidade, ou com apenas umas sandálias que tinha trazido comigo do Lobito. No Lobito apanhava os machimbombos, os autocarros comuns, quando ia para a escola ou para a praia, mas frequentemente preferia os bulamas, autocarros mais usados entre os indígenas porque se podia andar descalço. Assim que saía de casa para ir para a escola, tirava as sandálias e colocava-as ao pescoço. Nascida em Nova Lisboa, no ano de 1953, eu tinha tudo para ser confundida com os nativos de Angola. A única coisa que me distinguia era a cor da minha pele. Apesar de queimada pelo sol.

A cidade de Cabinda recebeu-me de braços abertos com os seus caminhos largos, passeios limpos e brancos, com as suas casas semeadas como calhava por entre a verdura, as árvores que ofereciam sombra, com os cheiros que emanavam da floresta e que me diziam que estava em casa, e com as praias e mar que me deliciavam. Nas ruas, as indígenas vestiam-se com os panos coloridos de Cabinda e do Congo. Eu vestia- me com bermudas e camisas atadas à cintura. Soltava ou prendia o cabelo com um lápis. E caminhava ao ritmo das músicas cantadas nas senzalas que tinha ouvido na noite anterior."

As belas palavras da escritora portuguesa Sofia Vila Nova contrasta com as ultimas informações obtidas após o fato deplóravel ocorrido horas antes do inicio da tão esperada atividade esportiva do Continente Áfricano: A Pan-África.

História
Cabinda, conhecida no passado como Congo Português, foi a parcela do antigo Reino do Congo atribuída a Portugal, por ocasião da Conferência de Berlim (1885), quando simultaneamente nasceram o Congo Belga (ex-Zaire e atual República Democrática do Congo) e o Congo Francês (ex-Congo Brazzaville e actual República do Congo). Na realidade, Cabinda originalmente era unida territorialmente a Angola, mas a Bélgica reivindicou uma saída para o Atlântico para o seu Congo Belga, o que foi concedido por Portugal através de um acordo, selando definitivamente a separação de Cabinda do restante de Angola.

Nas vésperas da referida Conferência, os príncipes e os notáveis de Cabinda assinaram o Tratado de Simulambuco com Portugal, pelo qual o território de Cabinda passou a ser protetorado luso.

Em 1974, após a Revolução do 25 de Abril em Portugal, interesses políticos de ambos os lados levaram Cabinda a continuar integrada a Angola, com a qual não tem fronteiras comuns. Imediatamente após a independência angolana, a 11 de Novembro de 1975, a Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC), reclamando o direito à independência do território devido às alegadas e nitidamente inexistentes diferenças culturais e econômicas e por não fazer parte do território de Angola, empreendeu uma frágil luta de guerrilha visando a separação.

Em 1 de Agosto de 2006, foi assinado um "Memorando de Entendimento para a Paz e a Reconciliação da Província de Cabinda", entre o Governo de Angola e o Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD). As delegações da negociação eram chefiadas da parte da República de Angola por Virgílio Fontes Pereira, ministro da Administração do território angolano e da parte das populações de Cabinda por General Doutor António Bento Bembe, ex. presidente da FLEC-Renovada ora FLEC-PLataforma, que por imperativos da fusão entre a sua organização política-militar com a FLEC-Fac (do Miguel Estanislau Boma), passou a ocupar os cargos de Secretário-geral, vice-presidente da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC) e Presidente do Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD) em repr esentação das populações de Cabinda.

Desde a mencionada data, os efetivos da FLEC e das Demais Organizações sob autoridade do Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD) foram aquartelados e a 6 de Janeiro de 2007, numa cerimônia de mais alto nível realizada em Cabinda, alguns dos elementos ex. militares da FLEC foram integrados e incorporados nas Forças Armadas Angolanas (FAA) e na Polícia Nacional. Dois dias depois, todos aqueles elementos da FLEC e das demais organizações sob autoridade do Fórum que optaram pela vida ativa começaram a sua formação acadêmica conforme previsto nas cláusulas do acordo, no sentido de poderem desempenhar melhor os seus cargos e responsabilidades nacionais.

O "Memorando de Entendimento para Paz e Reconciliação em Cabinda" inclui também o "Estatuto Especial para Cabinda".

A população de Cabinda respaldou tal processo pois via o acordo como um passo adiante no sentido de desenvolver a região. Ultimamente, a oposição a este acordo tem alegado que de prático o governo central e os ex-guerrilheiros agora no governo pouco tem feito. A base da crítica é por conta da região responder por 80% da produção de petróleo do país e, segundo os opositores, tais recursos não redundam em desenvolvimento de Cabinda. Algo como a grita atrasada dos governadores dos estados onde estão concentradas as áreas do pré-sal aqui no Brasil acharem ruim que parte dos recursos ajudem o país como um todo. Nesta realidade não é difícil supor que há incentivos por parte das grande exploradoras de Petróleo européias e americanas. Neste cenário, ações como a que ocorreu contribuem na luta para tentar desestabilizar o governo central Angolano.

Bento Bembe é agora ministro sem pasta do governo central e tem demonstrado cabalmente que não há guerra em Cabinda. De fato, a Flec - agora Frente de Libertação do Estado de Cabinda, com a liderança no exílio de Comandante Antonio Luis Lopes, tem pouco poder de combate. Primeiro pela total ausência de apoio popular e também por que parte de seus militantes aderiram ao governo central, além das deserções. No entanto, mantém ataques isolados contra forças do governo nas selvas e até contra instalações de empresas transnacionais terceirizadas a serviço de Luanda. É uma questão que caminha a passos longos para o seu fim, pois sem quase nenhum apoio externo, a "guerrilha" --como eles se intitulam--não logrará êxito.

O esforço correto de sinalizar para o mundo e para o resto do país a importância daquela região, é também porque ali se pratica e se ama muito o futebol que Cabinda foi escolhida como uma das sub-sedes da Copa Africana de Nações de2010. Mas, em uma tentativa de polarizar as atenções e provocar o Governo central, um punhado de adeptos da FLEC disparou rajadas de metralhadora contra o carro que fazia o transporte da seleção do Togo, que indefesa e atônita viu o motorista , que era angolano, ser morto e ainda mais dois membros da comissão técnica, o auxiliar e assessor de imprensa, deixando um terceiro, o goleiro reserva, com o risco de ficar paraplégico. Atitude que evidentemte coloca o mundo contra eles e ainda retira qualquer esperança que eles tinham de apoio popular, enfraquecendo-os ainda mais e respaldando ações mais enérgica do governo central, defendida por parte do exército nacional.

Um pouco de Informações
O petróleo extraído em Cabinda representa cerca de 70% do crude exportado por Angola, e corresponde a mais de 80% das exportações angolanas. Cabinda tornou-se assim o palco de múltiplos interesses internacionais.

O clima é tropical húmido, com precipitações anuais em torno de 800 mm. A temperatura média anual varia entre os 25 e os 30º Celsius.

Futebol de verdade...
Atendendo as expectativas, o que se viu na abertura da Copa Africana foi um belo jogo de futebol entre as seleções de Angola e Mali. Um jogo sensacional em que a seleção angolana deixou transparecer toda sua força e fraqueza. Afinal de contas o ataque fulminante, rápido e eficaz deixou todos no estádio principal que ela será uma forte candidata ao titulo. Todos menos a seleção oponente que se aproveitou com competência da fragilidade defensiva dos Palancas Negras, que é como são chamados os jogadores da seleção local, e enfiaram quatro gols em 9 minutos. Isso mesmo quatro gols em nove minutos e isso preocupa mais o povo angolano do que atitudes tresloucadas de grupelhos que teimam em quere que a roda da história gire para trás.

* Presidente Associação Brasil Angola (AABA); Diretor do Centro Cultural Africano (CCA); Coordenador do Congresso Nacional de Capoeira (CNC

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Angola é o sexto maior fornecedor petrolífero dos Estados Unidos da América

6 agosto 2009

O petróleo está no centro das relações económicas bilaterais entre Angola e os Estados Unidos da América, com duas petrolíferas norte-americanas a operar poços que representam cerca de metade das exportações angolanas de petróleo em rama.


Segundo dados da Administração para a Informação Energética, organismo estatístico de Washington para o sector, o Bloco 15 ("off-shore" do Soyo), representa perto de 30 por cento da produção angolana, e é operado pelo "gigante" norte-americano ExxonMobil, através da subsidiária Esso, com uma participação de 40 por cento no consórcio.

A também norte-americana Chevron opera o Bloco 0 (Cabinda), de onde sai aproximadamente 20 por cento da produção angolana, tendo como parceiros a Sonangol, a TotalFinaElf e a ENI-Agip

É ainda a Chevron que opera o Bloco 14, o primeiro de águas ultraprofundas a entrar em produção (105 mil barris em 2006).

Em Angola opera a também norte-americana Marathon, que recentemente chegou a acordo com duas petrolíferas chinesas - Sinopec e CNOOC - para vender por 1,2 mil milhões de dólares 20 por cento da sua participação no Bloco 32, considerado "altamente promissor" nos trabalhos de prospecção já realizados.

De acordo com a Bloomberg, o negócio contava ainda com o interesse da indiana ONGC e da brasileira Petrobras.

Angola é o sexto maior fornecedor petrolífero dos Estados Unidos, sendo a venda da Marathon emblemática da sobreposição dos interesses norte-americanos com os da China.

O gigante asiático já tem em Angola o seu principal fornecedor petrolífero africano - 599 milhões de barris em 2008, no valor de 59,9 mil milhões de dólares, segundo dados da Agência Internacional de Energia.

"As exportações para os países asiáticos cresceram rapidamente nos últimos anos, particularmente para a China (...) A Sonangol e a Sinopec vão também estar atentas a futuras concessões, particularmente nos 23 blocos na Bacia do Kwanza e áreas abandonadas dos blocos 15, 17 e 18", refere a Administração para a Informação Energética norte-americana.

Juntos, Estados Unidos e China recebem actualmente 90 por cento das exportações petrolíferas angolanas, que por sua vez contribuem com mais de 80 por cento do PIB e 83 por cento das receitas do Estado (2008).