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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

BASIL DAVIDSON E «O FARDO DO HOMEM NEGRO»

15 agosto 2015, ODiário.info (Portugal)


A África foi até muito recentemente um continente sem História escrita. Cabe a Basil Davidson o mérito de nos seus livros ter iluminado o passado esquecido da África que em plena Idade Media construiu estados multinacionais organizados, mais extensos do que as grandes potências da época.

Fui amigo de Basil Davidson (1914-2010) e li quase todos os seus livros.

Desconhecia a existência de O Fardo do Homem Negro, cuja tradução em português foi publicada em Luanda no ano 2000*.

Creio ser dos mais importantes. O título é uma réplica irónica ao Fardo do Homem Branco, do escritor inglês Rudyard Kipling, epígono do imperialismo.

Davidson combateu na segunda guerra mundial como oficial do exército britânico. Bateu-se na Jugoslávia e na Itália ao lado dos guerrilheiros que enfrentavam os ocupantes alemães.

Foi uma personagem fascinante sobre a qual escrevi muitas páginas. Trocamos correspondência durante o meu exílio brasileiro, mas só o conheci em Lisboa, após o 25 de Abril. A admiração que me inspirava foi prólogo de uma grande amizade.

A sua paixão pela África nasceu tarde, mas cresceu torrencialmente. Fez dele, como assinalou a New York Review of Books, «o mais ilustre conhecedor da África Negra».

A leitura da sua obra de historiador é hoje indispensável ao conhecimento do doloroso processo de descolonização da África Subsaariana.

Não assumiu uma posição de distanciamento. Como escritor, historiador e professor (em Universidades da Inglaterra, dos EUA e da África) tomou partido pelos que lutavam