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sexta-feira, 31 de julho de 2015

BANCO DO SUL, O FUTURO DA ARQUITECTURA FINANCEIRA EM LUTA

29 julho 2015, ODiário.info http://www.odiario.info (Portugal)


O final da prosperidade económica na América Latina impulsionada pelo aumento dos preços de commodities durante o período 2003-2007 demonstrou a necessidade da implementação de novas políticas que apoiem o desenvolvimento. Porém, o êxito dos projectos regionais dependerá da cooperação e convergência dos países membros que possuem interesses e prioridades diferentes, e disputas na região.

O estabelecimento do Banco do Sul marcou um ponto de inflexão nos projectos de integração na América Latina com a assinatura da acta constitutiva em finais de 2007.A União das Nações Sul-americanas (UNASUR) propôs a criação do banco com o fim de prestar assistência financeira aos doze países membros para a execução de projectos regionais.

A iniciativa do Banco do Sul entrará em vigor este ano depois de sete anos de negociações atravessando diversas dificuldades. O atraso do banco é

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Abya Yala, Patria Grande/MERCOSUL CONSOLIDA E AMPLIA INTEGRAÇÃO REGIONAL

30 julho 2014 Vermelho EDITORIAL http://vermelho.org.br (Brasil)
A diplomacia dos países sul-americanos, na sua maioria liderados por governos progressistas, produziu mais um fato político com reflexos positivos no desenvolvimento econômico e social. 

Os chefes de Estado e de governo membros do Mercado Comum do Sul (Mercosul), reunidos em Caracas nesta terça-feira (29), na 46ª Cúpula Presidencial do bloco, decidiram acelerar o desenvolvimento produtivo da região pondo em marcha mecanismos que atuam não mais a favor dos monopólios, mas dos povos. 

Os dois resultados mais visíveis e impactantes da Cúpula foram a aceleração do processo para ativar o Banco do Sul e o impulso à criação da Zona Econômica Complementar, com a participação da Aliança Bolivariana para Nossa América (Alba), Comunidade do Caribe (Caricom) e Petrocaribe, que é o acordo energético composto por Venezuela, Cuba e vários outros países caribenhos. De acordo com

terça-feira, 27 de maio de 2014

Abya Yala, Patria Grande/BANCO DO SUL: OUTRO LEGADO DE CHÁVEZ

26 maio 2014, Patria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)

Chanceleres da Unasul, reunidos na semana passada no Equador, decidiram pela implementação do Banco do Sul, com um capital inicial de 7 bilhões de dólares.

Beto Almeida*



Foto: Arquivo

Os chanceleres da Unasul, reunidos na semana que passou no Equador, decidiram pela implementação do Banco do Sul, com um capital inicial de 7 bilhões de dólares, ferramenta financeira destinada ao financiamento de projetos de integração da América do Sul.

Trata-se de mais um dos grandes legados do presidente Hugo Chávez, falecido em 2013. Sem dúvida, o lado visionário de Chávez também se revela aqui nesta decisão, que vinha sendo procrastinada injustificadamente, inclusive pela relutância das autoridades financeiras do Brasil. Da mesma forma que até hoje, o governo brasileiro não tomou qualquer medida para vincular-se à Telesur oficialmente, favorecendo a integração informativo-cultura da América Latina, o que teria plena sintonia com o discurso autocrítico feito por Lula em encontro com blogueiros, quando reconheceu muito pouco foi feito para a democratização da comunicação no Brasil.

O Banco do Sul, assim como a Unasul, nasceu graças a uma pregação incansável de Chávez, e agora já terá a companhia do Banco dos Brics, bem como de outras medidas adotadas pela Rússia, China e Iran para a desdolarização gradual da economia.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A ALIANÇA DO PACÍFICO, UMA ALTERNATIVA?

26 fevereiro 2014, Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br/  (Brasil)

A Aliança do Pacífico é a versão para o século XXI de outros projetos fracassados dos EUA para estender a todo o continente uma área de livre comércio.

por Emir Sader/Carta Maior

Há um grande lobby midiático internacional – em que o grupo espanhol Prisa, que publica El País, desempenha um papel motor – que, incomodado com o sucesso dos governos progressistas latino-americanos e para defender os interesses das grandes corporações internacionais na região, busca fazer dos seus sonhos realidade. A Aliança do Pacífico seria o setor dinâmico da América Latina e, como corolário, o Mexico e não o Brasil, seria o grande líder continental.

A Aliança do Pacifico é a versão para o século XXI de outros projetos fracassados dos EUA para estender a todo o continente uma área de livre comercio. A primeira versão foi o Nafta – Area de Livre Comércio da America do Norte -, assinado entre os EUA, o Canadá e o México, em 1994, cujos planos iniciais eram ir incorporando a países do continente, conforme seus governos correspondessem às normas do Consenso de Washington.

Depois do México, o Chile se apresentou como o próximo pretendente a ingressar no Nafta. Porém, no mesmo ano da assinatura do acordo, o Mexico viveu uma grande crise – a primeira crise especificamente neoliberal na América Latina -, ao mesmo tempo que o levante de Chiapas alçava seu grito conclamando à resistência contra o neoliberalismo.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Pátria Grande, América Latina/OFENSIVA IMPERIALISTA EM GRANDE ESCALA



Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)

– NÃO É SÓ A VENEZUELA QUE ESTÁ NA MIRA, É O CONTINENTE

por Carlos Aznárez*

O ambiente latino-americano está rarefeito. Há sinais muito claros de que o Império decidiu impulsionar uma contra-ofensiva de grande porte. Tanto é que o próprio secretário de Estado estado-unidense John Kerry voltou a desenterrar um conceito que nos últimos anos parecia esquecido. Por ocasião do seu discurso perante o Comité de Assuntos Externos da Câmara de Representantes dos EUA afirmou com muita tranquilidade: "A América Latina é o nosso pátio traseiro (...) temos que nos aproximar de maneira vigorosa".

quarta-feira, 29 de maio de 2013

10 ANOS DE KIRCHNERISMO: A DÉCADA GANHA NA ARGENTINA



27 maio 2013, EDITORIAL Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

Milhares de argentinos reuniram-se no sábado (25) para celebrar os dez anos de kirchnerismo e, coincidentemente, os 203 anos da Revolução de 1810, que deu início à Guerra pela Independência do país. Emblematicamente, os governos progressistas de Néstor Kirchner (2003-2007) e Cristina Fernández de Kirchner, vigente desde 2008, somam-se ao contexto vivenciado por outros governos progressistas latino-americanos que buscam independência econômica, soberania política e justiça social para seus povos.

A década ganha na Argentina, como é chamado no país o período iniciado com a chegada de Néstor à presidência, é marcada pela mudança no rumo, pelo recado claro e contundente às minorias que sempre dominaram o país e que neste período tiveram seus interesses corporativos submetidos ao bem-estar e melhoria de vida das maiorias historicamente apartadas dos centros de decisão e das políticas do Estado. Disso resulta o constante conflito de interesses entre a burguesia, saudosa dos tempos em que a Argentina era parte do quintal dos Estados Unidos, e os trabalhadores, que viram suas condições de vida melhorar nos últimos dez anos.

Ao revisar as leis de impunidade, ao garantir a “Asignación Universal por Hijo” (Bolsa Família argentina), ao aprovar a Lei dos Meios de Comunicação, o matrimônio igualitário, a estatização dos fundos de aposentadoria, a nacionalização da YPF, o governo kirchnerista criou um abismo entre a Argentina do passado e a do presente e do futuro que querem os argentinos: “nem um passo atrás”

terça-feira, 21 de junho de 2011

Mercosul/INTEGRAÇÃO SULAMERICANA: UM MODELO EM DISCUSSÃO

Quem decidiu que os países do Mercosul devem ser em conjunto os principais produtores e provedores mundiais de soja? Isso é resultado de uma decisão planificada soberanamente ou o produto da estratégia de um punhado de empresas transnacionais da alimentação e da biotecnologia que manejam o pacote tecnológico do atual modelo produtivo? Falando do setor industrial, o que significa que o grosso do intercâmbio de bens intra-Mercosul esteja constituído por produtos da indústria automobilística? A quem isso beneficia? O artigo é de Julio Gambina.

20 junho 2011/Carta Maior http://www.cartamaior.com.br

Página 12 (Argentina)

Julio Gambina*

O processo bicentenário de luta pela emancipação em nossa América supunha o imaginário da integração regional, mais como território e identidade compartilhada que como relações entre nações. Esta última é a história do capitalismo nativo e do vínculo entre os países. Cada institucionalização integradora teve o selo do capitalismo da época, seja a Industrialização Substitutiva de Importações (ISI) ou o recente período neoliberal.

A crítica popular ao livre comércio e à ordem econômica hegemônica, na mudança de século, construiu a possibilidade de limitar a proposta da ALCA, que se renova com tratados bilaterais e multilaterais impulsionados pela Europa ou pelos Estados Unidos. Por isso, não devemos nos confundir e pensar que, regionalmente, já superamos o ciclo de inserção mundial subordinada, funcional à estratégia global de um grupo reduzido de transnacionais.

Quem decidiu que os países do Mercosul devem ser em conjunto os principais
produtores e provedores mundiais de soja? Isso é resultado de uma decisão planificada soberanamente ou o produto da estratégia de um punhado de empresas transnacionais da alimentação e da biotecnologia que manejam o pacote tecnológico do atual modelo produtivo?

Falando do setor industrial, o que significa que o grosso do intercâmbio de bens intra-Mercosul esteja constituído por produtos da indústria automobilística? A quem isso beneficia? Aos trabalhadores do setor de autopeças da região que devem diminuir significativamente sua produção porque para as montadoras é mais barato importar as peças de qualquer lugar do mundo? Ou as 12 grandes transnacionais que pagam, em termos de hora média de trabalho, quase a terça parte do que pagam no sudeste asiático, exportando a preços internacionais? Não é só o Mercosul. Pode verificar-se o crescimento da integração da Argentina com o Chile, sendo a mineração um motivo compartilhado de entrega de recursos naturais a investidores com dimensão adequada para uma exploração em grande escala com risco certo de contaminação.

A “sojização”, o privilégio à mineração em céu aberto e o caráter de indústria montadora estão ligados aos fenômenos de subordinação ao programa capitalista dominante. São os interesses nacionais contraditórios, ou melhor ainda, os das classes dominantes de cada país, que obstaculizam uma estratégia que assuma a perspectiva originária de articulação de um projeto regional autônomo e emancipado. A crise mundial em curso nos devolve os limites da integração capitalista no programa da liberalização. É o caso da Grécia, da Espanha ou da periferia europeia, países chantageados pelo poder do Banco Central da Europa, dos bancos alemães ou franceses, do FMI, e pela mediação da burocracia política administradora do capitalismo no velho continente.

A hegemonia capitalista define em cada país e em cada região o curso da acumulação, especialmente em época de crise, onde o horizonte de preservar e restaurar lucros se constitui no objetivo principal. É imprescindível a busca de alternativas. Não existe caminho na imitação das articulações integradoras hegemônicas. O que tampouco devemos esquecer é que, na contramão do que ocorre nos países centrais, a periferia latino-americana vive um de seus melhores momentos em termos dos preços internacionais de seus produtos de exportação. O que ocorrerá se terminar esta conjuntura favorável com a acumulação de reservas soberanas, os superávits fiscais que financiam a política social e sustentam os pagamentos da dívida externa? Como os governos se ajustarão a esse novo cenário, se ele ocorrer?

Por isso, faz falta ensaiar um novo caminho que reconstrua o imaginário originário em nossa América. Uma chave desse caminho pode surgir do postergado Banco do Sul, se ele servir para impulsionar outro modelo produtivo, que afirme soberania alimentar, energética ou ambiental, para uma diferente equação de beneficiários e prejudicados. Pode ser o caminho da generalização de intercâmbios em moeda local, incipiente entre Brasil e Argentina, e entre os sócios da ALBA, e para criar um debate sobre a criação de uma moeda regional na disputa pela independência da inserção regional na divisão internacional do trabalho.

Trata-se de observar a estratégia concentra de desenvolvimento da Petrocaribe, que envolve 18 países da América Central e Caribe e supõe, desde as importantes reservas venezuelanas de gás e petróleo, a construção de refinarias e plantas de armazenamento localizadas na região, com financiamento a baixas taxas de juros e uma fatura petroleira a pagar em condições favoráveis para países dependentes da dominação transnacional. A cooperação energética é importante na promoção soberana de um projeto autônomo, o que significa recuperar soberania sobre os recursos naturais e dispô-los em uma lógica não mercantil.

A perspectiva de construir uma estratégia econômica comum na Unasul, superando o caráter de fórum político, com exclusão dos EUA, possibilita discutir os limites da ordem capitalista em nossos países, base imprescindível para pensar uma integração alternativa.

(*) Doutor em Ciências Sociais na Universidade de Buenos Aires. Presidente da Fundação de Investigações Sociais e Políticas (Fisyp) e integrante do Comitê Diretivo do Clacso.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

quarta-feira, 25 de março de 2009

Banco do Sul terá capital de 10 bilhões de dólares

Argentina, Brasil e Venezuela injetarão 2 bilhões de dólares cada na entidade latinoamericana, sendo que os 4 bilhões restantes serão completados por Bolívia, Equador, Uruguai e Paraguai

25 março 20097Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

O Banco do Sul terá um capital inicial de 10 bilhões de dólares que poderá elevar-se no futuro com a incorporação de novos sócios, segundo decidiram, nesta segunda-feira(23), os ministros de Economia dos países associados, em reunião realizada em Caracas, Venezuela. Participaram da reunião representantes da Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela.
Trata-se da “criação de um banco que vai ter um capital de 10 bilhões de dólares, e que pode aumentar no futuro, para financiar tipos de projetos para o desenvolvimento de nossos países”, disse o ministro venezuelano para Economia e Finanças, Alí Rodríguez.
Rodríguez qualificou o encontro como excepcional e apontou que nele foram resolvidos pontos que estavam pendentes para se avançar à materialização deste significativo instrumento financeiro.
O ministro venezuelano explicou que os sete países que participaram da criação do Banco do Sul concordaram plenamente que a América Latina é chamada a desenvolver um papel cada vez mais importante no concerto das nações, e para isto os governantes das mesmas consideram indispensável avançar plenamente nos processos de integração regional.
Um encontro similar em 25 de abril de 2008 em Montevideo havia decidido que a entidade teria “um capital autorizado do equivalente a 20 bilhões de dólares, com um capital registrado de 7 bilhões de dólares”. O acordado nesta segunda-feira(23) implica, desta forma, no aumento de 3 bilhões de dólares no capital inicial.
Os ministros ratificaram o pacto em Montevideo, sendo que as economias maiores – Argentina, Brasil e Venezuela – injetarão cada uma com 2 bilhões de dólares, segundo o governo venezuelano.
“Bolívia, Equador, Uruguai e Paraguai contribuirão, de maneira escalonada, com somas que estarão ao redor de 100 milhões de dólares por país, até que em conjunto completem os 4 bilhões de dólares restantes”, disse um comunicado.
“Dentro dos processos de integração ressaltam a união energética, na qual se tem avançado, a integração física, que implica a construção de ferrovias, estradas e facilidades portuárias e aeroportuárias que sirvam como novas linhas de conexão entre os nossos países, além de um ponto de suma importância como o é a integração financeira”, disse o ministro.
Rodríguez anunciou que os ministros terão uma nova reunião técnica e ministerial em Buenos Aires, Argentina, no começo de maio, e imediatamente após se convocará uma cúpula presidencial em Caracas “para deixar definitivamente instalado o Banco do Sul”.
O ministro venezuelano acrescentou que o Banco do Sul também aumentará o aparato produtivo dos países membros, fortalecendo aos setores público e privado.
O Banco do Sul foi fundado no final de 2007 em acordo assinado por Argentina, Brasil, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela, com o objetivo de aprofundar a identidade sulamericana economicamente e impulsionar o músculo produtivo da região para conseguir a total independência do modelo imperialista.

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/agencia/internacional/banco-do-sul-tera-capital-de-10-bilhoes-de-dolares

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A HORA DO BANCO DO SUL

Emir Sader

13 outubro 2008/http://www.cartamaior.com.br

A UNASUR deveria convocar imediatamente uma reunião de caráter excepcional, para discutir como os países do continente devem reagir diante da crise internacional. Não há outra atitude que não seja aprofundar os processos de integração, para diminuir a fragilidade e os riscos da região diante da crise, forjada no centro do capitalismo e que deseja fazer com que os pobres de cada país e os países da periferia do sistema, paguem o preço pelos remédios cavalares que os governos centrais colocam em prática.

Uma série de supostos consensuais requerem que o nosso continente fortaleça seus mecanismos de defesa diante da crise internacional. Esta está caracterizada claramente como resultado da farra especulativa dos países do centro do sistema, dos EUA em particular. A desregulação financeira é a fonte dessa gigantesca bolha especulativa. Desregulamentando – segundo as fórmulas do FMI, da OMC e do Banco Mundial – promoveu-se rapidamente a hegemonia do capital financeiro sob sua forma especulativa, ao mesmo tempo que se propiciou a livre circulação de capitais.

Os resultados estão à mostra. Os países que participam dos processos de integração regional na América Latina estão menos expostos à crise, porque incrementaram o comércio e os intercâmbios entre si, porque diversificaram suas relações internacionais. Agora se trata de dar novos passos adiante, para não serem vitimas passivas da crise internacional.

É a hora de avançar e aprofundar o processo de integração. É a hora de avançar na construção do Banco do Sul, na direção da criação da moeda única regional, de um Banco Central único, de mecanismos de controle da circulação do capital financeiro, de proteção dos mercados internos, de avançar para políticas econômicas únicas, de desenvolver projetos de integração industrial e tecnológica, de elaborar um plano de desenvolvimento regional.

É a resposta latino-americana à crise, fortalecendo os mecanismos de integração, a diversificação das relações internacionais, o desenvolvimento dos mercados internos de consumo, acentuando a coordenação dos sistemas bancários e financeiros dos países da UNASUR.

Os países centrais do capitalismo, responsáveis pela exportação das políticas de livre comércio e de livre circulação dos capitais, desejam comprometer-nos com suas soluções, que consistem apenas em injetar grande quantidade de capital para resgatar um sistema falido, sem introduzir modificações fundamentais nas políticas que levaram à gigantesca crise atual.

Devemos ter nossa própria resposta que, no plano internacional, deve propor formas de regulação da circulação do capital financeiro – impostos sobre essa circulação, da forma como a ATTAC propõe, como um imposto cidadão para políticas sociais -, de controle estatal sobre o sistema financeiro, de penalização dos responsáveis pelos processos especulativos que conduziram à crise atual.

Mas nada substitui nossas alternativas que, coerentemente com o que tem sido o processo de integração regional, devem fazer desse processo nossa forma de defesa e de ação autônoma diante de um sistema financeiro internacional falido. Avançar na construção de um mundo multipolar política e economicamente e a hora é a de avançar na construção do Banco do Sul, com reservas próprias, moeda única e Banco Central único. Chega de termos nossas reservas a perigo nos bancos do norte, é hora de que elas financiem diretamente nosso desenvolvimento, sob nosso controle. Avançar ao mesmo tempo em todas as formas de integração do desenvolvimento regional.

Senão seremos vítimas, uma vez, das soluções dos próprios responsáveis pela crise, que tratam de socializar os prejuízos de um sistema baseada na privatização dos lucros. Ficou claro como não se pode ter nenhuma confiança nos supostos do sistema financeiro internacional fundado na chamada “livre circulação de capitais”.

É a hora do Banco do Sul, a hora de aprofundar e consolidar todos os mecanismos de integração regional, hora de impedir que exportem sua crise e de fazer prevalecer o desenvolvimento regional sobre as ruínas do neoliberalismo e da hegemonia imperial estadunidense.

http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=216

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A INTEGRAÇÃO LATINO-AMERICANA, A REUNIÃO DE B. AIRES E A FOBIA CONTRA CHÁVEZ

Ricardo Zúniga García *

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br

5 agosto 2008

Adital - "Vamos fazer esta segunda reunião com Cristina e Lula para continuar afiançando esta integração que vimos delineando há tempos. Este eixo que se conforma busca desenvolver o potencial agroalimentar, energético e financeiro, porque na América do Sul temos tudo para ser uma potência mundial" (Declarações de Chávez ao chegar a Buenos Aires, em 4 de agosto, reproduzidas em Página 12)

No dia 4 de agosto, como sabemos através dos meios, houve uma importante visita do presidente Lula a Argentina, onde foi acompanhado por duzentos empresários brasileiros. A visita foi qualificada como "histórica", pela Cancelaria de ambos países. O objetivo da visita era fortalecer as relações bilaterais e aumentar o volume do intercâmbio comercial binacional.

No final do dia, chegou o presidente Hugo Chávez para uma reunião trilateral (Argentina, Brasil, Venezuela) para trabalhar a agenda do Mercosul. Nessa reunião, abordaram importantes temas, como a projeção do Banco do Sul e a possibilidade de construir infra-estruturas para garantir a integração real: gasodutos, ferrovias; trabalhar políticas comuns do bloco em fóruns internacionais... E ficou marcado o próximo encontro, em Pernambuco, para o dia 7 de setembro, entre Lula, Cristina Fernández e Chávez, para continuar tecendo as redes da integração sul-americana.

Concretamente, Venezuela e Argentina assinaram um convenio de cooperação para levar adiante um projeto refinador a fim de impulsionar a cooperação energética entre ambas nações. Também assinaram quatro convênios em capacitação e agricultura (1):

- O primeiro, é um contrato integral entre o Ministerio de Industrias Ligeiras e Comércio venezuelano e o Instituto Nacional de Tecnologia Industrial da Argentina (INTI), para que este último assessore, capacite, dê asistência e serviço técnico especializado ao Servicio Autónomo Nacional de Normalización, Calidad y Reglamentos Técnicos (Sencamer) da Venezuela.
- Outro convenio de aquisição de unidades agrícolas foi assinado entre o Instituto Autónomo Corporación Agraria de Venezuela (CVA) e a Cámara Argentina de Fabricantes de Maquinaria Agrícola.
- Um acordo entre o Ministerio del Poder Popular para la Agricultura y Tierras y la Secretaría de Agricultura, Pesca y Alimentos del Ministerio de Economía y Producción de Argentina, para ser executado pela Fundación de Capacitación e Innovación para Apoyar la Revolución Agraria de Venezuela (Ciara).
- E uma agenda de cooperação para o desenvolvimento tecnológico industrial entre o Instituto Nacional de Educación y Capacitación Socialista (Inces) e o INTI, para executar um plano de trabalho e fortalecer os espaços possíveis de cooperação entre as partes.

O presidente Chávez propôs ainda a criação de um fundo bilateral de investimentos.

A cobertura internacional da TV Globo sobre essas reuniões dá a impressão de refletir uma posição ideológica que chega a converter-se em fobia. Os noticiários da Globo apresentaram a chegada do presidente Chávez a Buenos Aires como uma intromissão que havia provocado mal-estar no presidente Lula; como se o presidente brasileiro tivesse ciúmes do protagonismo e a grande delegação de empresários brasileiros fosse prejudicada em seu trabalho pela chegada de Chávez.

A má vontade do noticiário noturno do dia 4 foi reiterada em outro espaço noticioso, o "Bom dia Brasil", do dia 5 de agosto, onde una analista com ares doutorais (Sra. Míriam Leitão), comentou, após dar a notícia, que essa já era uma conduta reiterada de Chávez: chegar a reuniões onde não estava convidado.

A obcecação contra Chávez leva este meio de comunicação a uma posição que distorce os fatos. Os telespectadores de "Bom dia Brasil", se não tiverem acesso a outros meios mais sérios ficam com a impressão falsa do encontro dos três presidentes, em Buenos Aires. Não ficam informados sobre os projetos que estão sendo estudados e elaborados e que permitirão, no futuro, um traslado do gás mais de maneira mais segura desde a Venezuela até a Argentina, como também serão construídas outras infra-estruturas com vistas à integração sul-americana.

Além de apresentar o presidente Chávez como um insensato que realiza una viagem de mais de cinco mil quilômetros para penetrar em uma reunião a qual não foi convidado, tratam de negar sua qualidade de estadista com uma visão estratégica da unidade latino-americana e do potencial econômico dessa unidade. Essa maneira de informar está distorcendo a realidade e tentando ocultar o que não pode ser ocultado.

Senhores que determinam a linha editorial da Globo, sejam mais inteligentes, pois essa manipulação é demasiado grosseira. O custo de apresentar a Chávez como um simples personagem folclórico, sem substância, é ocultar importantes agendas e a preparação de projetos que, queiram vocês ou não, terminarão sendo notícias importantes no Brasil e na América Latina.

Nota: (1) Venezuela em Noticias, 5 de agosto de 2008.

* Colaborador de Adital. Educador nicaragüense. Analista político.

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Argentina/Troca de elogios marca cerimônia de fundação do Banco do Sul

Carolina Pimentel, enviada especial/Agência Brasil
Buenos Aires, 10 dezembro 2007 (Argentina) - A cerimônia de fundação do Banco do Sul foi marcada pela troca de elogios entre os presidentes dos seis países sul-americanos integrantes do banco.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo a discursar no evento, começou elogiando o colega boliviano, Evo Morales. Ele disse que Morales "é a coisa mais extraordinária" que aconteceu na América do Sul. "Ninguém tem mais a cara da Bolívia do que Evo Morales", disse, para a platéia de autoridades que acompanhava a cerimônia na Casa Rosada, sede do governo argentino.
Para Chávez, a quem chamou de "rei do petróleo", garantiu que vai equilibrar a balança comercial entre os dois países, que atualmente é favorável ao Brasil. "A nossa relação com a Venezuela, que hoje é sólida, muito forte, é também muito favorável ao Brasil. Preciso diminuir essa distância", disse Lula.
O presidente venezuelano retribuiu o afago exaltando, mais uma vez, a descoberta do campo de Tupi, grande reserva de petróleo na Bacia de Campos (SP). "Agora, [Lula] conseguiu uma reserva de petróleo gigantesca", afirmou.
Lula ainda defendeu a parceria entre Brasil e Argentina que, segundo ele, vive um "dos melhores momentos de sua relação", graças ao bom diálogo que ele e Néstor Kirchner tiveram nos últimos anos.
"Foi uma extraordinária alegria governar o Brasil no momento em que você governou a Argentina. Tenho a convicção de que aprendi muito contigo e, certamente, Cristina também. Se Cristina aprendeu contigo e eu também, Cristina e eu temos obrigação de fazer muito mais do que nós dois fizemos".
Em seu último ato como presidente da Argentina, Néstor Kirchner também comentou o bom momento da relação Brasil-Argentina e agradeceu a Chávez pelo apoio "nas horas mais difíceis". Depois, passou a palavra para Cristina Kirchner, sua mulher, que tomará posse hoje (10) como a primeira mulher eleita presidente do país.
Cristina Kirchner destacou que Brasil e Argentina têm uma dívida com o Paraguai, por causa da Guerra do Paraguai, de 1864 a 1870, quando brasileiros, argentinos e uruguaios aliaram-se contra o vizinho, levando o Paraguai à falência.
Dos sete países membros do banco, apenas Tabaré Vázquez, do Uruguai, não esteve presente à cerimônia. Além de Lula, Kirchner, Morales e Chávez, participaram Rafael Correa (Equador) e Nicanor Duarte (Paraguai).

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/12/10/materia.2007-12-10.1331515894/view

Argentina/Lula afirma que Banco do Sul vai reduzir dependência externa

Carolina Pimentel, enviada especial/Agência Brasil
Buenos Aires, 10 dezembro 2007 (Argentina) - Ao participar ontem (9) da assinatura da ata de fundação do Banco do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que pela primeira vez os sul-americanos comandarão um banco que atenda suas necessidades. E disse que a organização diminuirá a dependência da região dos atuais organismos financeiros internacionais.
"Este será o primeiro banco internacional verdadeiramente controlado pelos países de nosso continente", disse na Casa Rosada, sede do governo argentino.
O presidente voltou a defender que os países sul-americanos precisam se unir para enfrentar a concorrência internacional. "Somente forte, unida e integrada, a América do Sul poderá ocupar o lugar que lhe cabe no concerto das nações e desenvolvimento pleno dos nossos povos", afirmou.
"Não existe possibilidade de saídas individuais", completou. Dos sete presidentes que firmaram a ata, apenas Tabaré Vasquez, do Uruguai, estava ausente. Ele assinará o documento hoje (10), segundo Lula.
A assinatura da ata de fundacão estava prevista para o dia 5 de dezembro, em Caracas, de acordo com o presidente brasileiro. Lula explicou que todos mandatários decidiram adiar o evento para prestar hoje uma homenagem a Néstor Kirchner, que à tarde passa o comando da Argentina para sua esposa, Cristina Kirchner, primeira mulher eleita presidente do país.

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/12/10/materia.2007-12-10.7084580210/view

BANCO DO SUL NASCE COMO ALTERNATIVA ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS INTERNACIONAIS

Agência Adital/7 dezembro 2007
No próximo domingo (10), os presidentes do Brasil, Argentina, Uruguai, Venezuela, Equador, Paraguai e Bolívia se reúnem para o lançamento oficial do Banco do Sul, em Buenos Aires (Argentina). Mais do que para ser um Banco de crédito, o Banco do Sul nasce para dar fim à dependência financeira sul-americana em relação às Instituições Financeiras Internacionais (IFIs) e às exigências neoliberais, para a liberação de crédito, feitas por essas.
O Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), instituições comprometidas com os interesses norte-americanos na América Latina, e o Fundo Monetário Internacional (FMI), também comprometido e que condiciona seus empréstimos à redução dos gastos sociais e à privatização das empresas e serviços estratégicos dos países, têm a partir de domingo uma alternativa autônoma à economia neoliberal por eles pregada.
O novo Banco, idealizado pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, irá financiar a execução de projetos de infra-estrutura nos países latino-americanos, especialmente os que promovam o desenvolvimento social da região. Além disso, o Banco priorizará também o financiamento projetos fundamentais para a integração geopolítica do Sul, como: a infra-estrutura física terrestre, aérea e marítima; a rede de abastecimento alimentar; a rede do sistema integral de saúde; o sistema educativo para a transformação; e as conexões de oleodutos e gasodutos energéticos.
Em Carta Aberta aos presidentes dos sete países fundadores do Banco, o Jubileu Sul Américas disse que os movimentos sociais, que lutam contra o flagelo da dívida pública ilegítima e das políticas e práticas perversas das IFIs, entendem a abertura do Banco como um enorme passo e oportunidade não só para a América do Sul, mas para a América Latina, o Caribe e as outras regiões do Hemisfério Sul.
Para o Jubileu, o Banco é uma oportunidade "para superar as experiências negativas da abertura econômica; da privatização e desregulamentação do patrimônio público e dos serviços básicos; da ausência de democracia e transparência no comportamento de Banco Mundial, BID, FMI e Corporação Andina de Fomento (CAF)". Mas a organização critica a falta de diálogo com a sociedade durante a construção do Banco do Sul e reivindica a participação de organizações e movimentos sociais nas tomadas de decisões do mesmo. A Carta pede ainda compromisso do Banco com a redução das desigualdades, o desenvolvimento e a soberania da região.
O Banco do Sul terá sede central em Caracas (Venezuela) e duas sub-sedes em Buenos Aires (Argentina) e La Paz (Bolívia). O capital inicial para o funcionamento do Banco será de sete bilhões de dólares. Esse aporte financeiro inicial foi dividido igualmente entre os países, assim cada país terá apenas um voto nas decisões do Banco.
A expectativa de Luiz Inácio da Silva, Néstor Kirchner, Tabaré Vázquez, Hugo Chávez, Rafael Correa, Nicanor Duarte Frutos e Evo Morales - presidentes dos países fundadores do Banco - é que com ele, as reservas internacionais de divisas dos países sul-americanos possam ficar na própria região, ao invés de serem colocadas nas mãos de instituições do norte. Além disso, os países que integrarem o Banco do Sul terão uma estratégia orientada para proteger suas políticas financeiras frente às flutuações nos mercados internacionais de valores - ataques especulativos - e à debilidade do dólar.
O historiador Edgardo Antonio Ramírez disse, ao sítio Aporrea, que, com essa nova concepção de financiamento internacional, a América do Sul promove o "desenvolvimento através dos princípios de cooperação, solidariedade e respeito mútuo, com o objetivo de articular a soberania dos estados com a autodeterminação dos povos".
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sábado, 8 de dezembro de 2007

Mercosul/Contra FMI, 6 presidentes sul-americanos lançam Banco do Sul

Vermelho/7 dezembro 2007

Seis presidentes sul-americanos assinarão no domingo (9), em Buenos Aires, a ata de fundação do Banco do Sul. A instituição será criada como uma alternativa regional para os organismos multilaterais, entre eles o FMI (Fundo Monetário Internacional).
O Banco do Sul surge depois do fracasso das políticas de ajuste impostas pelas entidades internacionais de crédito. Com um capital inicial de US$ 7 bilhões, o banco poderá incentivar projetos regionais de desenvolvimento e integração. .
No ato de assinatura estarão presentes os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, o argentino Néstor Kirchner, o venezuelano Hugo Chávez, o equatoriano Rafael Correa, o boliviano Evo Morales e o paraguaio Nicanor Duarte Frutos. Já o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, não estará presente na cerimônia de assinatura, segundo a chancelaria.
O lançamento será realizado no Salão Branco da Casa Rosada. A presença dos presidentes para a assinatura da ata coincidirá com as cerimônias de posse de Cristina Kirchner como sucessora presidencial de seu marido, Néstor Kirchner, na segunda-feira.
Um banco para a região
A instituição estará operacional em 2008, mas ainda falta definir a contribuição que cabe aos países, um a um. O ministro das Finanças da Venezuela, Rodrigo Cabezas, admitiu nesta semana que cada país tem uma idéia a respeito da contribuição de capital inicial do Banco do Sul, mas que esse detalhe está sendo negociado.
A iniciativa do Banco do Sul nasceu em 2006 sob o impulso de Chávez. Até que a iniciativa foi conquistando outros governos de diferentes perfis ideológicos. O denominador comum do acordo foi a recusa unânime ao que consideram influências negativas do FMI e do Bird (Banco Mundial).
"O banco financiará projetos públicos e privados. Não participará em projetos de países de fora da região. Está direcionado para a América do Sul", afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A sede do Banco do Sul será em Caracas e haverá filiais em Buenos Aires e La Paz.

http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=29514

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Mercosul/Movimentos sociais lançam 2ª Carta sobre o Banco do Sul

Agência Adital/1 novembro 2007

A organização Jubileu Sul apresentou, nesta quarta-feira (31/10), a 2ª Carta Aberta sobre o Banco do Sul, redigida pelos Movimentos Sociais, para que mais organizações somem sua adesão. O documento será entregue aos presidentes da Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela, os prováveis assinantes da criação do Banco.
Na carta, os assinantes dizem que "a decisão tomada de criar o Banco do Sul pode representar um enorme passo e oportunidade não só para a América do Sul, como para América Latina e o Caribe, assim como também, outras regiões do Hemisfério Sul".

Como forma de ajudar na criação de um Banco que beneficie de fato os países do Sul, os assinantes apresentam uma séria de proposições, que expressam as aspirações de amplos setores das sociedades destes países. Uma delas é que o Banco se oriente a promover uma nova matriz de desenvolvimento, no qual "o desenvolvimento econômico e tecnológico sejam concebidos como meios para o objetivo maior que á o desenvolvimento humano e social".

Os assinantes propõem também que o Banco represente uma nova arquitetura financeira latino-americana e caribenha, que inclua um Fundo do Sul, com função de Banco Central continental. A idéia é que seja trabalhado o estabelecimento de uma moeda regional para os intercâmbios intra-regionais.

O Banco deve também servir como um equipamento para a superação das dívidas históricas, traduzidas nas desigualdades sociais e os danos ambientais que têm se perpetuado há mais de cinco séculos no continente. Para os assinantes, o Banco deve ser um espaço de participação popular, com direção de forma igualitária entre os países membros, institucionalizando e mantendo o princípio igualitário de "um sócio um voto" em todos seus níveis de decisão colegiada.

Sobre os empréstimos, as organizações propõem que sejam destinados à promoção de uma integração regional genuinamente cooperativa, atendendo ao desenvolvimento local autogestionário e impulsionando o intercâmbio comercial eqüitativo e solidário entre setores da sociedade como agricultores familiares, pequenos produtores, setor de economia social solidária e comunidades indígenas e tradicionais.

As organizações expressaram preocupação pela forma como estão fazendo as negociações para a criação do Banco. Segundo elas, não são transparentes nem participativa, além de não haver debate público ou consulta à sociedade. "[Isto] pode indicar que estamos em frente a algo que pode ser o mesmo que havia antes". De acordo com a carta, lhes preocupam também "os sucessivos adiamentos da assinatura do ato de fundação, que podem indicar a existência de indefinições significativas".

Centenas de redes, organizações e movimentos sociais, sindicatos e acadêmicos da América Latina, Caribe e Europa já haviam assinado a 1ª Carta, enviada em junho deste ano aos ditos presidentes, durante a Cúpula de Presidentes do Mercosul, realizado no Paraguai.

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=30372

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

COMENTÁRIO/Paraguai/Uma "democracia puta"?

Agência Carta Maior/14 outubro 2007


O diário ABC Color, do Paraguai, publicou um editorial de primeira página, no dia 7 de outubro, com esse grosseiro título: “Uma democracia puta”.

Não se referia à ditadura do Partido Colorado, que há sete décadas controla o poder e perpetua o Paraguai como um dos países mais pobres do continente. Nem à reconversão dessa ditadura para uma forma “democrática” dessa ditadura, que fez com que a viúva do ex-ditador Alfredo Stroessner comentasse, singelamente: “Só falta o Alfredo”.

Não. Referia-se à Venezuela, um regime que teve seu presidente eleito e reeleito várias vezes, submetido à confirmação do voto popular no meio do seu mandato, com um mecanismo de controle dos eleitores sobre os eleitos, que nenhum outro país do continente possui.

O ABC Color é o principal jornal do Paraguai. Não é necessário um exercício de memória muito grande para imaginar sua convivência com a ditadura do partido-Estado Colorado. Agora dizem que apóia a Lino Oviedo, recém libertado para tentar bloquear a possibilidade de vitória de Fernando Lugo, derrotando pela primeira vez ao Partido Colorado. O candidato de preferência do jornal foi condenado em tres processos, um deles por participação na morte do ex-vice presidente Luis Argaña, outro deles por tentativa de golpe militar.

Esse jornal se atreve a julgar o caráter democrático do regime venezuelano, para tentar bloquear o ingresso da Venezuela no Mercosul.

“Se nossos presidentes do Mercosul, mesmo sabendo qual é sua obrigação histórica com a defesa dos princípios e dos valores políticos que iluminam nossos povos, são capazes de se vender ou de ligar-se mediante uma relação adúltera com um ditador megalômano surgido das catacumbas de um passado sinistro, teremos que convir que nossas democracias se vendem como autênticas putas” – diz o editorial do jornal paraguaio.

Antes desse final, o jornal fez um apelo aos parlamentares do Paraguai e do Brasil, para que impeçam o ingresso da Venezuela ao Mercosul – porque disso se trata, essa é a operação política que a direita do continente trata de armar. São os aliados paraguaios dos parlamentares da direita brasileira que igualmente se opõem à entrada da Venezuela no Mercosul.

Até julho de 2006, o Mercosul se limitava aos conflitos comerciais entre as grandes corporações privadas da Argentina e do Brasil, na disputa de mercados, relegando o Uruguai e o Paraguai a coadjuvantes sem importância. A participação da Venezuela e da Bolívia, posteriormente do Equador e a aproximação de Cuba, permitem romper esse crculo vicioso.

Acontece que todos aqueles que continuam identificados com os interesses dos EUA, do chamado “livre comércio”, que se opõem à consolidação e à extensão da integração latino-americana, buscam deter a entrada da Venezuela, com todo o dinamismo e a ampliação de temas que a incorporação do governo de Hugo Chavez representa. Se opoem ao gasoduto continental, se opõem ao Banco do Sul. Se opõem à autonomia do continente diante da hegemonia imperial dos EUA.

São esses os que tentam atrasar a integração continental, representando os interesses do império na região. No Paraguai, como no Brasil, são esses os que resistem ao Mercosul, à integração regional, como agentes do “livre comércio”, do FMI, da OMC e do Banco Mundial. Par isso não poupam nem esforços, nem vocabulário grosseiro. São resquícios de um passado que, embora resistindo – como o Partido Colorado – tem seus dias contados.


http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=144

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Venezuela/Nobel da Economia elogia decisão de Chávez de criar banco sul-americano

RTP/11 outubro 2007

O Prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz disse na quarta-feira em Caracas que a decisão do Presidente venezuelano, Hugo Chávez, de criar um banco regional de empréstimos será benéfica para a América do Sul.
O antigo economista do Banco Mundial disse que o Banco do Sul, a ser fundado no mês que vem em Caracas, é uma iniciativa importante destinada a ajudar ao desenvolvimento da América Latina.
"É uma boa coisa haver concorrência na maioria dos mercados, incluindo o mercado do empréstimo para o desenvolvimento", disse o economista norte-americano aos jornalistas durante um fórum económico.
Stiglitz disse que o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional tendem a impor muitas condições que "entravam um efectivo desenvolvimento".
"Uma das vantagens de haver um Banco do Sul é que ele deverá reflectir as perspectivas dos que são do Sul", disse Stiglitz, que se encontrou com Chávez.
O Presidente venezuelano lançou a ideia, apoiada por um grupo de governos sul-americanos, como um contrapeso à influência dos Estados Unidos e como uma via para a região para traçar o seu próprio rumo.
Stiglitz, que venceu o Prémio Nobel da Economia em 2001, criticou também os acordos comerciais dos Estados Unidos com a Colômbia e outros países.
"Isso está a minar a cooperação andina e faz parte da estratégia americana de dividir para conquistar, uma estratégia para tentar conseguir o máximo de lucros para as empresas americanas, deixando pouco para os países em desenvolvimento", disse.
(Lusa)

sábado, 11 de agosto de 2007

Mercosul/Movimentos sul-americanos querem participar do debate sobre criação do Banco do Sul

Mylena Fiori / Repórter da Agência Brasil


Brasília, 11 Agosto 2007 - Os movimentos sociais sul-americanos querem participar das discussões sobre a criação do Banco do Sul para evitar que a nova instituição reproduza os problemas do modelo que, décadas atrás, foi assumido pelo Banco Mundial (Bird) e outras instituições financeiras multilaterais.


"Até agora não nos foi dado qualquer acesso às discussões sobre a constituição do Bando do Sul. Isso é um péssimo começo, porque evidencia que transparência e participação não são os pilares que orientam a criação dessa instituição", diz o pesquisador Carlos Tautz, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).

"Demandamos aos governos participação no debate sobre a constituição deste banco e participação ativa nas decisões que serão tomadas pelo banco", resume a argentina Beverly Keene, do Jubileu Sul nas Américas.

O tema entrou em pauta na 7ª Assembléia Nacional da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Internacionais, realizada esta semana, em Brasília, com a presença de organizações parceiras de seis países sul-americanos.

A Rede Brasil reúne mais de 80 movimentos sociais, entidades sindicais, institutos de pesquisa e assessoria, associações profissionais e Organizações Não-governamentais (ONGs).

"Os recursos são públicos, é nosso dinheiro, e o desenvolvimento que se pretende é o nosso desenvolvimento. Então, os povos, as organizações populares e os movimentos sociais têm que ter participação nas decisões do Banco do Sul e de outras instituições novas que se pode criar na região", justifica Keene.

Segundo ela, apenas o Equador criou uma comissão de participação social nos debates. "Pensamos que isso deveria estar ocorrendo em todos os nossos países. No mínimo, deveria estar funcionando uma comissão pública de debate, um espaço para nos interarmos sobre o que os governos estão discutindo e propondo", diz, reiterando a necessidade de participação da sociedade civil organizada no funcionamento da nova instituição.

"Os povos da América do Sul não estão mais dispostos a sentar e olhar, simplesmente, que os governos atuem. Queremos tornar a democracia participativa".

Guilherme Carvalho, integrante da FASE-Amazônia e da nova diretoria da Rede Brasil, diz que os movimentos sociais brasileiros têm solicitado ao Ministério das Relações Exteriores e do Planejamento que a sociedade civil possa acompanhar as negociações e apresentar sugestões.

"É preciso fazer com que a sociedade compreenda que é importante participar. E, a partir daí, fazer as gestões necessárias que viemos fazendo. Mas é um processo paulatino".

Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Venezuela, Bolívia e Equador haviam marcado para abril a assinatura da ata constitutiva do Banco do Sul.

A nova instituição de fomento da América do Sul seria instituída durante a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, nos dias 28 e 29 de junho, em Assunção, no Paraguai. Mas foi adiada para até o final do ano.

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/08/10/materia.2007-08-10.3349903449/view

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segunda-feira, 23 de julho de 2007

Sem Brasil, Banco do Sul vira "banquinho", avalia economista

Mylena Fiori / Repórter da Agência Brasil

Brasília, 22 Julho 2007 - A adesão do Brasil à proposta de criação de um banco regional – o Banco do Sul - fortaleceria a instituição. Além de ser a maior economia da região, o Brasil tem também as maiores reservas entre os países sul-americanos – cerca de US$ 100 bilhões. “O Brasil poderia dar uma escala muito maior para o banco. Sem o país, corre o risco de ficar mais um banquinho sem grande capacidade de alavancar recursos e sem grandes vôos”, avalia Marcos Antonio Cintra, professor do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp).
A criação do banco estava prevista para ocorrer na Cúpula de Chefes de Estado, em junho. Mas foi adiada para até o final do ano. A proposta, defendida principalmente por Venezuela e Argentina, é vista com algumas ressalvas pelo Brasil.
O professor da Unicamp destaca que um dos maiores entraves para a integração física sul-americana é a carência de mecanismos de financiamento. O Banco do Sul poderia cumprir esse papel. "A questão na integração, hoje, é como se financia os investimentos. "Uma instituição especializada em desenhar grandes projetos e atrair financiamento para estes projetos, em viabilizar estes projetos de desenvolvimento e integração seria muito interessante. Uma instituição multilateral regional que cumpra este papel seria espetacular para a América do Sul”, avalia.
Marcos Cintra lembra o papel fundamental do Banco Europeu na estratégia européia de desenvolvimento. O banco foi instituído em 1949, para a reconstrução da Europa. "Hoje é o maior banco de investimento do mundo. O Banco Mundial tem ativos em torno de US$ 250 milhões, o Banco Europeu tem US$ 600 milhões. Continua ativo, operando e é crucial no desenvolvimento europeu”, ressalta.
No caso do Banco do Sul a idéia, de acordo com Marcos Cintra, é utilizar em torno de 10% das reservas de cada país da região para montar uma instituição financiaria a integração da infra-estrutura física da região e projetos de desenvolvimento que podem gerar integração econômica, social, riqueza e renda. Somadas, as reservas latino-americanas estão em torno de US$ 220 bilhões. “Refutar a idéia é muito difícil dado que estamos todos com excesso de reservas internacionais”, avalia. “Estes recursos ficam aplicados em títulos do governo americano, em títulos do governo dos países centrais, como Alemanha, França e Japão, que rendem taxas muito baixas”, ressalta o economista.

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/07/16/materia.2007-07-16.3141014735/view

domingo, 15 de julho de 2007

Senador uruguayo advierte sobre torpedeo de EEUU a creación de Banco del Sur


Montevideo, 13 Julio (ABN) - Uno de los objetivos del periplo suramericano del secretario del Tesoro de Estados Unidos, Henry Paulson, podría ser torpedear los esfuerzos de varios países de la región por crear el Banco del Sur, afirmó el senador uruguayo Eduardo Lorier.

El parlamentario refirió que circulan varias presunciones creíbles sobre los designios de Paulson, quien llegó la noche de este jueves a Montevideo como parte de una gira que también incluye Chile y Brasil, reportó Prensa Latina.

Uno de los supuestos es que Estados Unidos pretende presentar 'un espejo del Banco del Sur' para malograr la acogida que pudieran dar naciones de la región a esa iniciativa de Venezuela.

Paulson anunció hace unos días un plan para promover en América Latina una infraestructura, mediante una corporación financiera internacional, que busca captar unos mil millones de dólares del sector privado para financiar obras.

El secretario del Tesoro de Estados Unidos se entrevistó este viernes en Montevideo con el presidente uruguayo, Tabaré Vázquez, y después sostuvo un encuentro con los ministros de Economía de Uruguay, Chile, Perú y México, a quienes les habría explicado la iniciativa estadounidense.

'Sospechamos con sobrada razón que aquí hay una medida tipo espejo que, como la sombra al cuerpo, sigue al Banco del Sur', apuntó Lorier.

Al también secretario general del Partido Comunista de Uruguay (PCU) le pareció tan significativo como preocupante que a la reunión de Paulson con los ministros de Economía no fueran invitados los de Venezuela, Bolivia y Ecuador, naciones promotoras e impulsoras del Banco del Sur.

El senador anunció que planteará su preocupación el martes próximo en la Mesa Política del Frente Amplio (FA), la gobernante coalición de fuerzas de izquierda a la que pertenece el PCU.

'Inquiriremos cómo fue organizada esta reunión, cuáles fueron sus objetivos, qué criterio se siguió para invitar a los distintos países y por qué Venezuela, Bolivia y Ecuador fueron excluidos', anunció.

Lorier recordó que Uruguay fue de los últimos países en integrarse a las discusiones sobre el funcionamiento del Bansur debido a la resistencia del Ministerio de Economía de ese país y en especial de su titular, Danilo Astori.

Según medios oficiales y privados, habría sido el propio Astori quien convocó a la reunión de sus pares suramericanos con Paulson.

http://www.abn.info.ve/go_news5.php?articulo=97363&lee=Array[0]