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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Venezuela/Nobel da Economia elogia decisão de Chávez de criar banco sul-americano

RTP/11 outubro 2007

O Prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz disse na quarta-feira em Caracas que a decisão do Presidente venezuelano, Hugo Chávez, de criar um banco regional de empréstimos será benéfica para a América do Sul.
O antigo economista do Banco Mundial disse que o Banco do Sul, a ser fundado no mês que vem em Caracas, é uma iniciativa importante destinada a ajudar ao desenvolvimento da América Latina.
"É uma boa coisa haver concorrência na maioria dos mercados, incluindo o mercado do empréstimo para o desenvolvimento", disse o economista norte-americano aos jornalistas durante um fórum económico.
Stiglitz disse que o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional tendem a impor muitas condições que "entravam um efectivo desenvolvimento".
"Uma das vantagens de haver um Banco do Sul é que ele deverá reflectir as perspectivas dos que são do Sul", disse Stiglitz, que se encontrou com Chávez.
O Presidente venezuelano lançou a ideia, apoiada por um grupo de governos sul-americanos, como um contrapeso à influência dos Estados Unidos e como uma via para a região para traçar o seu próprio rumo.
Stiglitz, que venceu o Prémio Nobel da Economia em 2001, criticou também os acordos comerciais dos Estados Unidos com a Colômbia e outros países.
"Isso está a minar a cooperação andina e faz parte da estratégia americana de dividir para conquistar, uma estratégia para tentar conseguir o máximo de lucros para as empresas americanas, deixando pouco para os países em desenvolvimento", disse.
(Lusa)

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Moçambique/Africanos concertam com Bretton Woods

Pelo menos 35 países e quatro instituições financeiras internacionais confirmaram a sua participação na reunião anual do African Coucus, um fórum de consulta, concertação e harmonização de posições dos ministros das Finanças e/ou governadores de bancos centrais representantes dos países do continente nas instituições da Bretton Woods – Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI) – a realizar-se a partir hoje, em Maputo.

Maputo, 30 Julho 2007 - Avaliando pelas confirmações, o número de presenças, em termos de países, deverá superar o do ano passado, altura em que estiveram representadas 33 nações, sendo 29 ministros, oito vice ministros, cinco governadores e dois vice-governadores de bancos centrais africanos.

Fonte da organização do evento disse ao “Notícias” que em termos de representação estava assegurada a participação de 18 ministros, quatro vice-ministros, seis governadores e cinco vice-governadores de bancos centrais, quatro secretários permanente. Entre dignitários de instituições financeiras consta um vice-governador do Banco Mundial, oito directores, quatro directores adjuntos e 12 conselheiros seniores, totalizando 138 delegados, incluindo os membros da delegação moçambicana.

Até ontem decorriam os últimos acertos para a realização da reunião que irá decorrer pela segunda vez em Moçambique, país que preside ao fórum, cujas pastas serão passadas à Mauritânia no encontro agendado para Outubro em Washington. A perspectiva dos organizadores é de que Moçambique fique na história como país da tomada de decisões que vão influenciar o funcionamento daquelas instituições financeiras.

À semelhança do ano passado, a reunião desta semana volta a ser dominada por questões da voz e voto dos 45 países africanos nas reuniões do Banco Mundial e FMI. É que, para além dos votos básicos distribuídos uniformemente pelos países, os estatutos das instituições da Bretton Woods abrem espaço para as nações aumentarem o seu direito de voto através de quotas.

Acontece que os africanos não têm capacidade financeira para adquirir mais direito de voto pela via do aumento das quotas.

Constituem também temas do encontro, a reforma do African Coucus, implementação do mecanismo africano na perspectiva do Banco Mundial, papel do Fundo Monetário Internacional em África, aumento de recursos financeiros ao desenvolvimento de África no contexto da 15ª reposição de fundos da Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA), bem como de outras fontes adicionais como o Fundo Católico para África e o Fundo de Infra-Estruturas para África.

As principais conclusões deste fórum constarão de um memorando a ser submetido a debates perante dirigentes máximos das instituições da Bretton Woods, durante a Reunião Anual das mesmas, a decorrer em Outubro, nos Estados Unidos da América – EUA.

O African Coucus foi criado em 1963 e a presidência do organismo é exercida pelos países-membros de forma rotativa e com mandatos de dois anos. Moçambique assumiu a presidência em 2005, devendo o seu mandato expirar em Outubro.

A escassos meses do fim do mandato de Moçambique o ministro das Finanças, Manuel Chang, faz balanço positivo citando, como exemplos o facto de, durante o exercício, ter sido possível obrigar o FMI a criar um conselho consultivo africano, para além dos encontros que tiveram lugar para o estabelecimento de alguns órgãos, numa representação mais restrita.

Disse haver propostas de emendas das regras do FMI e do Banco Mundial por forma facilitar a integração das preocupações dos africanos, numa altura em que se assiste a um aumento de técnicos africanos na instituição. (Noticias)

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Moçambique/Ministros das Finanças de África exigem 'maior peso' no FMI e no BM

Maputo, 25 Julho 2007 - Os ministros das Finanças de África vão exigir próxima semana em Maputo que o continente tenha "um maior peso" nas decisões do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, disse hoje o ministro moçambicano das Finanças, Manuel Chang.

Os responsáveis pelas finanças dos países africanos vão sublinhar a importância de o continente ser mais ouvido nas decisões do BM e do FMI, durante a reunião dos titulares do pelouro das Finanças de África, governadores dos bancos centrais do continente e directores das duas mais importantes instituições financeiras do mundo, a decorrer entre 30 e 31 deste mês na capital moçambicana.

"O poder de África nas assembleias do BM e do FMI é escasso, já fizemos saber às duas instituições que África pretende ver o seu peso reforçado nas decisões das duas organizações", disse em conferência de imprensa o ministro das Finanças de Moçambique, que preside ao Fórum dos Ministros das Finanças e Governadores dos Bancos Centrais de África, também conhecido por African Caucus.

Para Manuel Chang, a influência dos países africanos sobre as decisões do FMI e do BM está largamente reduzida pelo facto de o sistema de votação das duas instituições conferir predominância aos países que mais quotas pagam, que são os mais ricos do mundo.

"A igualdade que seria garantida pelo voto básico, a que os representantes de África tem direito no FMI e do BM, é logo ultrapassada pelo princípio do voto por quotas, que beneficia os países mais ricos, que são os que mais quotas pagam para as duas instituições", enfatizou Chang.

A fraca capacidade de influência de África nas políticas do FMI e do BM também podia ser atenuada se mais quadros do continente ingressassem nas duas instituições, assinalou o ministro moçambicano das Finanças.

"Em relação à presença de técnicos africanos no FMI e no BM, há avanços, mas acreditamos que pode ser feito mais, para que África tenha mais voz nas duas organizações", enfatizou o titular da pasta das Finanças de Moçambique.

Além desta questão, na reunião de Maputo será também abordada a Reforma do African Caucus, a Implementação do Plano de Acção Africano na Perspectiva do Banco Mundial e o Papel do FMI em África.

A reunião contará com a participação de 46 ministros das Finanças, governadores dos bancos centrais dos países de África e representantes do BM e do FMI. (Noticias Lusófonas)

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Brasil/Lula e Mantega discutem com secretário americano critérios para escolha de dirigentes do FMI e Banco Mundial


Daniel Lima / Repórter da Agência Brasil

Brasília, 11 Julho 2007 - A sistemática adotada para escolher dirigentes de organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial foi um dos assuntos tratados com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, no encontro que manteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Segundo Mantega, o governo brasileiro tem defendido a mudança nesses critérios, de modo a dar mais representatividade aos países em desenvolvimento. “Caso contrário as agências multilaterais perderão representatividade, como aliás já está acontecendo com o FMI”.

O atual diretor-gerente do FMI, Rodrigo Ratto, pediu afastamento do cargo e o processo de sucessão teve início. Normalmente, cabe aos Estados Unidos indicar o presidente do Banco Mundial e à União Européia, indicar o dirigente do FMI.

Para Mantega à medida que outros países como Brasil Índia, China e África do Sul, “que ganharam relevância econômica mundial”, têm uma representação pequena e sequer podem influenciar na escolha do diretor-gerente (do FMI) isso pode levar ao desinteresse pelo fundo.

O ministro lembrou que o FMI já tem hoje uma função limitada em ajudar os países em dificuldades financeiras.

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/07/11/materia.2007-07-11.7322287618/view


quarta-feira, 27 de junho de 2007

Mais de 200 organizações respaldam criação do Banco do Sul

Vermelho / 26 Junho 2007

O anúncio da criação do Banco Solidário dos Povos do Sul, feito em maio último pelo ministro das Finanças da Bolívia, Luis Arce, animou governos e movimentos sociais que estão em busca de fontes alternativas de financiamento para América Latina. Mais de duzentos movimentos, redes e organizações de todo o mundo já manifestaram seu apoio na carta aos presidentes envolvidos na criação do Banco do Sul, que será apresentada publicamente em Assunção, entre 27 e 28 de junho, na abertura da Cúpula dos Povos do Sul, que ocorre paralela à Cúpula dos Presidentes do Mercosul.

A carta leva a assinatura de redes, organizações e movimentos sociais que vêm lutando contra o castigo da dívida externa e das políticas e práticas das instituições financeiras internacionais. Para eles, os organismos financeiros internacionais como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, estão cada vez mais desacreditados por causa de suas políticas e falta de transparência em suas práticas.

"Cremos que o Banco do Sul deve formar parte de uma resposta regional unitária, junto com a criação de um fundo de estabilização do Sul, uma moeda comum regional para fomentar o comércio inter-regional e contar com maior estabilidade monetária", diz a carta.

Nova era
Segundo os assinantes, a criação do Banco será uma forma de contribuir para que os países latino-americanos rompam a dependência a mercados de capitais globalizados incertos e altamente especulativos, propiciando a própria capacidade de reserva, a detenção de fuga de capitais e a inversão de recursos em forma consistente com os direitos e as necessidades dos povos.

Antes que o Banco seja posto em funcionamento, as organizações pedem a abertura imediata de instâncias nacionais e regionais de informação, participação e consulta, de forma a permitir uma instauração democrática e consistente com a necessidade de dar prioridade absoluta a superação da pobreza, a marginalidade o subdesenvolvimento estrutural.

A definição de objetivos e direcionamento das ações do Banco também está entre os pedidos dos assinantes. "Entendemos que é imprescindível que o Banco do Sul parta de claras definições em relação aos recursos, objetivos, organização, normativa, sistema de tomadas de decisão e gestão operatória", declara a carta.

Soberania da região
Para eles, o Banco deve: definir como objetivo central a promoção do desenvolvimento próprio, por sua vez soberano e solidário, dos países membros e de toda a região; integrar seu capital acionário e direção em forma igualitária entre os países membros; estabelecer explicitamente mecanismos informativos e de controle público abertos

A iniciativa de criar o Banco do Sul, como una "alternativa financeira para a recuperação e integração econômica dos países do Sul da América", foi impulsionada originalmente pelos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Néstor Kirchner, da Argentina. Os presidentes do Equador, Bolívia, Paraguai e Brasil foram agregando seus respaldos à proposta. (Fonte: Agência Adital)

http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=20387

domingo, 27 de maio de 2007

Brasil quer mudar forma de escolha de membros do FMI e Bird

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, manifestou neste sábado (26), formalmente, a posição do governo brasileiro contra os atuais critérios no processo de escolha dos dirigentes de instituições financeiras multilaterais.

Em comunicado sobre a reforma no processo de escolha dos presidentes do Banco Mundial (Bird) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), Mantega afirmou que os diretores desses organismos devem ser definidos "segundo processos abertos e transparentes, sem restrição a candidaturas em função da nacionalidade".

A posição do Brasil é compartilhada pelos membros do G-20 financeiro, grupo que congrega ministros e presidentes de bancos centrais das economias mais avançadas e dos principais emergentes.

Um comunicado semelhante está sendo emitido pelo ministro das Finanças da África do Sul, Trevor Manuel, atual presidente do G-20, e pelo secretário do Tesouro da Austrália, Peter Costello, segundo Mantega.

Só norte-americanos
De acordo com os critérios adotados desde a criação das duas instituições, há 60 anos, a presidência do Banco Mundial é ocupada por um cidadão norte-americano, indicado pelo presidente dos Estados Unidos, e o diretor-gerente do FMI é escolhido por indicação dos principais países da Europa Ocidental.

Diz a nota: "O governo brasileiro entende que tal costume não encontra fundamento na realidade contemporânea, constituindo anacronismo que deve ser superado no contexto das instituições financeiras multilaterais. Num momento em que a legitimidade, a representatividade e a eficácia do Banco Mundial e do FMI precisam ser restauradas, seria de lamentar que a escolha do novo presidente do Banco Mundial não fosse baseada no mérito de candidatos apresentados por qualquer dos Estados membros da instituição".

O cargo de presidente do Banco Mundial está vago desde que Paul Wolfowitz pediu demissão, após denúncia de favorecer a própria namorada e ex-funcionária do banco com promoções. Wolfowitz estava na presidência do Banco Mundial desde 2005. Antes disso, foi membro do Pentágono e ajudou na formulação da estratégia para a invasão ao Iraque.

O comunicado divulgado hoje pelo Ministério da Fazenda diz que a posição do G-20 é reforçada "à luz dos recentes acontecimentos no Banco Mundial". (Agência Brasil / Vermelho / 26 de maio de 2007)