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segunda-feira, 12 de maio de 2014
Colombia/ENTREVISTA CON DOS COMANDANTES GUERRILLEROS OPTIMISTAS, IVÁN MÁRQUEZ Y JESÚS SANTRICH DE LAS FARC-EP
terça-feira, 11 de junho de 2013
Colômbia/AS FARC-EP E O ACORDO DE PAZ
Nesta entrevista com Pablo Catacumbo, membro do Estado-Maior Central das FARC-EP explica como e por que razão as FARC-EP a negociar com o governo de Juan Manuel Santos: «Sentimos que havia a possibilidade de alcançar uma solução política, que nunca esteve ausente da nossa abordagem estratégica».
Pablo Catatumbo (PC): À civilização não venho desde as negociações de Tlaxcala. Ou seja, há quase 25 anos. E há 12 que não via Iván Marquez.
MJD: Você foi o primeiro membro do Secretariado, a dar o passo que iniciou o processo de paz. O que o levou a isso?
PC: Certo. As explorações começaram com o governo de Uribe, quando nos enviou uma carta, assinada pelo então comissário Frank Pearl. Naquela época, no entanto, consideramos que não era viável entrar num processo de paz quando o seu mandato estava terminando.
MJD: E por que decidiram iniciar conversações exploratórias com o governo de Santos?
PC: Porque as cartas que nos enviou e as mensagens que nos fez chegar tinham outros conteúdos. Além disso, iniciava-se um novo governo e desde o dia de sua posse o presidente disse que não tinha fechadas as portas da paz e que as chaves as tinha ele. Com Alfonso Cano e o secretariado analisámos o discurso e pareceu-nos que havia nele uma mensagem. Sentimos que havia a possibilidade de alcançar uma solução política, que nunca esteve ausente da nossa abordagem estratégica.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Colômbia/“ESTAMOS DISPOSTOS A BUSCAR A PAZ”

Timoleón Jiménez, comandante-em-chefe do Estado Maior Central das FARC-EP, é a cabeça visível do lendário movimento guerrilheiro, hoje comprometido na busca da paz democrática, mediante um novo diálogo com o Governo Nacional. É a continuidade de uma orientação da guerrilha das FARC-EP. Já o havia dito Manuel Marulanda ao VOZ, durante os diálogos de Caguán: “A paz é uma bandeira dos revolucionários”.
Primeira entrevista exclusiva com o Comandante Timoleón Jiménez (FARC-EP), realizada por Carlos Lozano, Director do semanário VOZ.
Esta entrevista ocorre em um momento histórico, à porta de um novo esforço para conseguir a paz na Colômbia. Aqui estão as respostas de Timoleón Jiménez, concretas, precisas. Poder-se-ia dizer, sem falso otimismo, que a paz está mais perto do que antes, porém, todavia, há muito pela frente a percorrer. Todo o país espera que não seja uma nova frustração.
“O Presidente repete que não pensa em cometer os erros do passado e confiamos que seja assim. Você sabe que o principal erro de todos os processos anteriores foi o de chegar à mesa e exigir a rendição”, disse o comandante Timoleón Jiménez ao director do VOZ.
Começa um novo processo de diálogo com um Governo de alguma maneira herdeiro
da “segurança democrática” uribista. Como abordam isso as FARC?
A agenda contempla o tema do “abandono das armas”, que seria o ponto de chegada do acordo de paz. Que expectativas têm as FARC a esse respeito?
- Não faria sentido iniciar um processo que caminhasse para o termo definitivo do conflito sem contemplar o abandono de armas como ponto de chegada. Largar as armas consiste na abolição do emprego da força, do apelo a qualquer tipo de violência, para a obtenção de fins económicos ou políticos. É um verdadeiro adeus às armas. Se conseguirmos que na Colômbia isso seja uma realidade, o nosso país daria um salto enorme adiante. Confiamos novamente que a administração Santos, e todos os sectores empenhados na violência como método de acção económica e política, coincidam connosco neste critério.
Os “erros do passado”
O Presidente Santos tem dito que o seu Governo requer que este processo de diálogo “não repita os erros do passado”; que existe a garantia de que se vai conduzir ao fim do conflito; e que o Governo manterá as operações militares e a pressão militar sobre as FARC. Quais são os pressupostos da insurgência para que o processo termine com êxito?
- A oligarquia dominante na Colômbia, solidamente apoiada pelos Governos dos Estados Unidos, leva já quase 50 anos apostando no extermínio das guerrilhas. Doze presidentes, um com mandato repetido, prometeram invariavelmente o nosso fim e deram carta-branca ao aparato militar para cumpri-lo. Quando Santos ordena incrementar as operações, não está dando satisfações ao sectores de extrema-direita, fá-lo porque acredita, como eles, como fizeram todos os governos anteriores, que na verdade poderão fazer-nos render pelo emprego da força. É este precisamente o círculo vicioso que precisa ser rompido. Se você observa o resultado das sondagens que indicam grande aprovação das negociações de paz, dar-se-á conta de que a imensa maioria dos colombianos não compartilha da saída militar, entre outras coisas porque, com maior bom-senso do que os seus governantes, sabe que não será possível. Nós partimos da ideia de que este processo terá êxito, na medida em que essas grandes maiorias que se inclinam pela solução política tenham oportunidade de falar, de se mobilizarem, de influir, de decidir a esse respeito.
E as estamos convidando a fazê-lo.
Em vários sectores que apoiam o diálogo está-se planeando a proposta de trégua, de cessar-fogo e de interrupção das hostilidades. Como opinam as FARC-EP?
- Estamos completamente de acordo. Sempre foi uma de nossas primeiras considerações ao produzirem-se aproximações com os diferentes governos. Desafortunadamente, a oligarquia colombiana tem pendido para que os diálogos se produzam no meio da confrontação. Se os processos passados tivessem sido acompanhados por um mecanismo dessa natureza, haveriam de ter outro tipo de desfecho.
- Na Colômbia, as classes dominantes, a sua classe política e os seus meios de comunicação sofrem da mania de olhar somente um dos lados. Informar da matança de 30 guerrilheiros num bombardeio aéreo desperta os seus aplausos, enquanto baixas oficiais em combate são repudiadas como assassinatos.
Com tal manipulação busca-se também pressionar-nos grosseiramente nas mesas de diálogos.
O papel do VOZ
- Vocês, como meio alternativo de heroica resistência, são talvez quem de maneira mais honrada informaram ao país, desde há décadas, da infame perseguição criminal praticada na Colômbia contra este tipo de organizações.
Dos arquivos do VOZ poderia elaborar-se a mais fidedigna história dos crimes de Estado contra o povo do país. O número de vítimas na Colômbia equipara-se ao espantoso holocausto judeu na Europa ocupada pelos nazis. Então adquire singular importância o papel dos diferentes movimentos sociais, sindicais, agrários, populares, que o Estado colombiano pretende ignorar ao abordar com migalhas, de maneira individual, um ou outro caso emblemático.
Essa Colômbia ignorada e vitimizada é a que tem que colocar-se de pé agora para reclamar por seus mortos e desaparecidos, para exigir o fim definitivo da guerra, para impedir que se consagre a impunidade, para exigir a satisfação dos velhos clamores pelo que foi violentada de modo tão generalizado e atroz.
O que pensa a respeito dos 6 a 8 meses imaginados pelo Presidente Santos?
- Trata-se de uma expectativa que ele está a criar por sua conta, na contramão do pactuado na letra e espírito do Encontro Exploratório. Ali combinou-se não estabelecer datas limite, nem sequer pelo uso da palavra “meses”, de modo que o que expressa o Presidente indica-nos a dificuldade que teremos neste caminho que empreendemos. Também evidencia de maneira clara a estratégia que vão implementar: quando não obtiverem êxito na mesa, tentarão impor as suas posições pelos media. Para chegar a Havana e realizar o Encontro Exploratório custou dois anos, quando inicialmente se acreditou que seria questão de semanas. E não foi precisamente por causa da insurgência, tema acerca do qual não quero dar pormenores por respeito ao compromisso de manter por agora em reserva os detalhes a esse respeito, ainda que, pelas crónicas que têm saído nos media, a contraparte pareça ter-se esquecido disso.
Um assunto dos colombianos
Que proposta política fazem as FARC-EP aos colombianos ao começar o diálogo?
- Mobilizar-se em torno do fim definitivo do conflito. A guerra ou a paz são assuntos que dizem respeito a todos nós colombianos e estamos obrigados a pronunciar-nos. O governo pretende que os diálogos se realizem exclusivamente entre os seus porta-vozes e os nossos, de modo discretíssimo, sem confusão, como repete insistentemente. Como quando Laureano Gómez e Lleras Camargo assinaram na Europa os acordos de Sitges e Benidorm. Além disso, o governo pretende que as FARC deem ali um endosso aos seus planos de governo, como sendo o mais conveniente para o país.
- Ou seja, que se desconheça outra vez a população colombiana, que se pactue nas suas costas, o que na verdade só interessa e convém às transnacionais, banqueiros, empresários e latifundiários. Isso não pode acontecer mais neste país. As grandes maiorias devem ser escutadas e atendidas. A nossa proposta aponta para isso.
Por que decidiram as FARC assumir esta nova tentativa de paz? Debilidade? Estratégia? Realismo?
- Os que afirmam que a pressão militar foi determinante para nos trazer a uma negociação política esquecem que esta década de guerra foi deflagrada quando Pastrana pôs fim de maneira unilateral ao processo de paz que se celebrava em Caguán. É o Estado que regressa à Mesa de Diálogos com as FARC, para o que deve ter feito as suas avaliações internas. Uma delas, não tornada pública, foi relacionada com o reconhecimento de que o enorme esforço realizado para nos vencer resultou inútil. As FARC ainda estão aqui, combatendo, resistindo, avançando. Agora voltamos ao cenário natural da política, ao diálogo civilizado. É absurdo dizer que fomos obrigados a sentar à mesa, quando foi o Estado que a abandonou furioso. Dialogamos porque a solução política foi sempre uma bandeira nossa e do movimento popular.
Sérios golpes
Mas então as FARC não receberam golpes severos durante estes dez últimos anos?
- Não se pode negar que recebemos sérios golpes. E extremamente dolorosos. As mortes de quatro membros do Secretariado Nacional não podem ser minimizadas. São muito duras também as mortes de combatentes sob o fogo dos bombardeios. Todavia, temos assimilado com coragem todos esses casos. Nenhum dos actuais membros do Secretariado conta com menos de trinta e cinco anos de experiência guerrilheira, o que pode ser aplicado também a quase todo o Estado-maior Central. As promoções não se improvisam. 48 anos de luta contínua têm produzido uma formidável engrenagem. Seguimos adiante, com dor na alma, porém mais experientes e confiantes de nossas razões. Em toda guerra há mortos. A campanha mediática insiste em nos apresentar como uma organização derrotada e sem futuro. Igual como sempre foi. Se fosse o caso de fazer frente a uma força derrotada, não estariam a trabalhar para incrementar ainda mais os efectivos e o arsenal adquirido. São verdades que o Estado e os meios de comunicação ocultam deliberadamente.
Sendo assim, embora as FARC não executem ações do calibre das de catorze anos atrás, pode afirmar-se que a confrontação continua sendo de grandes proporções? O Ministro da Defesa minimiza-a por completo e alega que a confrontação persiste apenas na área rural de dez municípios isolados do país…
- As FARC-EP operamos e movemo-nos nos mesmos territórios que eles ocupam. O suposto controlo exercido pelos comandos conjuntos, task-forces, brigadas e batalhões, é posto em xeque com frequência pela actividade das guerrilhas móveis. O número de baixas das forças armadas vem aumentando há algum tempo. Claro, também nós recebemos golpes, muito mais publicitados pelos meios de comunicação. É que este é o conflito. Uma guerra é travada segundo as circunstâncias, não há modos de operação válidos para todas as situações. É óbvio que as condições de hoje não são as mesmas de uma década atrás, sobretudo pelo uso maciço da aviação militar, mas a batalha é diária.
Em todos os blocos das FARC se trabalha em função da mudança desta situação a qualquer momento. Seja como for, a permanência do conflito implicará mais morte e destruição, mais luto e lágrimas, mais pobreza e miséria para alguns e maior riqueza para outros. Imagine-se as vidas que teriam sido salvas nestes dez anos. Por isso, procuramos os diálogos, a solução sem sangue, o entendimento por vias políticas. Com esse propósito vamos a Havana.
Confiamos que o Governo Nacional também entenda a necessidade de pôr fim a tão longa violência praticada contra o povo colombiano.
Publicado por ANNCOL para FARC-EP 18/09/2012
Tradução: PCB (Partido Comunista Brasileiro)
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
DIÁLOGO DE PAZ NA COLÔMBIA - VITÓRIA DAS FARC, DERROTA DO GOVERNO
O novo comandante-chefe, Timoleon Jimenez, Timochenko, reiterou porem o desejo de paz das FARC, sublinhando que não havia solução militar para um conflito que dura há meio século.
Nos últimos meses uma serie de ofensivas das FARC-EP infligiu grandes baixas ao Exercito abalado por escândalos relacionados com o envolvimento de generais no narcotráfico. O responsável pela Segurança foi inclusive extraditado para os EUA.
Essa atitude foi decisiva para a súbita mudança de posição do Presidente Santos.
Os sectores ultra da oligarquia criticaram com dureza o presidente, sublinhando que a abertura de conversações de paz com as FARC significam que na pratica o governo de Bogotá reconhece o estatuto de beligerante a uma organização que dias antes era qualificada de «criminosa» e os seus chefes de «assassinos» que tinham a cabeça a prémio por milhões de dólares.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
ALFONSO CANO, HERÓI DA COLÔMBIA

8 novembro 2011/Resistir.info http://resistir.info/
por Miguel Urbano Rodrigues
Alfonso Cano, comandante-chefe das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia caiu combatendo no dia 4 de Novembro.
Alfonso Cano bateu-se pela libertação da Colômbia durante mais de quatro décadas. De origem burguesa, rompeu com sua classe na Universidade de Bogotá quando estudava Antropologia. Dirigente da Juventude Comunista conquistou ali o respeito de professores e colegas pelo seu talento, cultura e firmeza de carácter. Era um intelectual brilhante que tinha dos clássicos do marxismo e da História do seu país um conhecimento profundo quando aderiu às FARC.
Terá sido com Jacobo Arenas um dos mais criativos ideólogos da organização revolucionária. Não surpreendeu, portanto, a sua nomeação para comandante-chefe quando Manuel Marulanda morreu.
Como era de esperar chovem agora sobre o presidente Juan Manuel Santos felicitações dos dirigentes dos países imperialistas. O crime é por eles transformado em grande vitória da democracia contra o terrorismo.
Os media do sistema já elaboraram e divulgaram uma extensa lista dos "crimes" cometidos pelo "terrorista" e "narcotraficante" morto.
Omitem obviamente que Alfonso Cano foi o responsável do projecto que as FARC enviaram à ONU e ao governo colombiano nos anos 90, propondo a erradicação da cultura da coca num prazo de 10 anos do município de Cartagena del Chairá, o maior produtor da planta maldita no país. Essa experiência piloto exigiria apenas o modesto financiamento de 10 milhões de dólares. A iniciativa foi, porém imediatamente vetada pelo governo de Bogotá, considerado por Washington modelo de democracia e o seu melhor aliado na América do Sul.
A oligarquia colombiana festejou, naturalmente, com entusiasmo a morte do líder das FARC. A organização guerrilheira define o regime, desde a presidência de Uribe, como fascizante. E não exagera no qualificativo.
O presidente Juan Manuel Santos, ministros e generais deslocaram-se a Popayan, capital do Departamento do Cauca onde foi assassinado Cano, para ver o seu cadáver, em exposição, condecorar os matadores e celebrar o crime em ambiente de entusiasmo. Os militares esclareceram que no acampamento onde se travou o ultimo combate foram encontrados os computadores do comandante e que o seu conteúdo "será estudado". A notícia logo correu mundo. Tudo indica que o governo, repetindo o uso que fez dos computadores manipulados do comandante Raul Reyes, tornará em breve públicas revelações sensacionais sobre a sua descoberta.
O comandante Alfonso Cano, como outros membros do secretariado do Estado-maior central das FARC tinha a cabeça a premio por mais de um milhão de dólares. É incómodo para Santos e os seus epígonos reconhecer que na Operação "Odisseia" – insulto ao herói grego de Homero – montada para abater o comandante das FARC participaram 2300 oficiais sargentos e soldados, aviões Super Tucano e muitos helicópteros.
No início do ano o governo de Bogotá divulgou notícias segundo as quais Alfonso Cano se encontraria no Oriente, próximo da fronteira da Venezuela. Eram falsas.
O secretariado das FARC, no momento em que escrevo, ainda não se pronunciou sobre as circunstâncias do crime.
Mas o simples facto de as selvas do oriente do país distarem cerca de 800 quilómetros do município de Suarez, no Cauca, onde ele morreu, após dois bombardeamentos maciços e um cerco montado por tropas especiais convida à reflexão. Duas cadeias de gigantes andinos da Cordilheira Oriental e da Central separam essas frentes de combate.
Ignoro por onde se movimentou Cano nos últimos meses. As declarações ao diário El Tiempo dos militares que o mataram não inspiram confiança. Num ponto coincidem todas: Alfonso Cano caiu combatendo!
A capacidade estratégica e a mobilidade dos guerrilheiros das FARC, cruzando montanhas, rios e florestas, em travessias que a História registou e inspiraram poetas e novelistas somente encontram precedente na saga de Bolívar galgando os Andes, durante a campanha de libertação de Nova Granada (a actual Colômbia).
Alfonso Cano, como Jorge Briceño, Jacobo Arenas e Manuel Marulanda souberam pelo seu exemplo, como revolucionários comunistas, conquistar em vida o respeito de milhões de compatriotas. Mortos, os seus nomes permanecerão na História como heróis da América Latina.
Foram duríssimos os golpes recebidos nos últimos anos pela organização guerrilheira mais antiga do Continente, que se bate há mais de quatro décadas por uma Colômbia democrática, livre, progressista, enfrentando um exército de 300 mil homens, armado e financiado pelos EUA.
Mas a hierarquia da Igreja e inclusive a oligarquia crioula estão conscientes de que não há solução militar para o trágico conflito que ensanguenta a nação.
A euforia de Juan Manuel Santos – protector de paramilitares assassinos – não consegue ocultar a sua certeza de que o combate das FARC vai prosseguir. Ele próprio reconheceu já essa evidência. Os media oficiais avaliam em 10 mil o numero actual de guerrilheiros das FARC.
A luta continua na Colombia!
Vila Nova de Gaia, 5/Novembro/2011
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Colômbia/GLÓRIA ETERNA AO COMANDANTE JORGE BRICEÑO, HERÓI DO POVO NA SUA RESISTÊNCIA CONTRA O OPRESSOR
Comunicado das FARC-EP
Com profunda dor, punho fechado e o peito oprimido pela dor, informamos o povo colombiano e os irmãos latino-americanos que o comandante Jorge Briceño, o nosso bravo, altivo e herói de mil batalhas, comandante desde os tempos gloriosos da fundação das FARC-EP, caiu no seu posto de combate, ao lado dos seus homens e no cumprimento das suas responsabilidades revolucionárias, em consequência de um cobarde bombardeamento no estilo das blitzkrieg do exército Nazi. Juntamente com ele caíram outros 9 camaradas a quem também prestamos a nossa sentida homenagem.
Deixou de existir um homem excepcional, de singulares virtudes pessoais, grande amigo e Camarada de extraordinário talento organizativo e militar. Um revolucionário exemplar que dedicou inteiramente a sua vida à causa dos humildes, professor, preceptor e condutor de guerrilheiros revolucionários. Combatente indomável durante mais de quatro décadas, Jorge Briceño fez morder o pó da derrota o exército dos falsos positivos e aliado dos paramilitares, vassalo do império ianque e inimigo ajuramentado das mudanças sociais e do nosso povo.
Não nos queixamos. Como revolucionários estamos conscientes dos riscos de uma luta como a que enfrentamos, obrigados pelas circunstâncias, contra um inimigo implacável, no caminho para uma paz democrática com justiça social.
O nosso compromisso com a mudança social e a Nova Colômbia não se verga perante os golpes que possamos sofrer na luta para a conquistar ou pela queda em combate de unidades nossas que, ainda que nos doam profundamente, também nos comprometem e estimulam a continuar em frente com mais afinco, como homenagem à sua memória, aos seus ensinamentos, ao seu exemplo heróico, á sua entrega e sacrifício.
Desde muito jovem, o «Mono», como fraternalmente lhe chamávamos, abraçou a luta revolucionária. Camponês, ainda adolescente viu-se envolvido na voragem da violência oligárquica contra o povo, que sobreveio após o assassínio de Gaitán em 1948.
Desde 1968, pegou em armas em defesa da sua vida e do seu povo. Aguerrido e audaz combatente da primeira linha durante toda a sua vida, foi, com Manuel Marulanda Vélez, Jacobo Arenas, Efrain Guzman e uma plêiade de revolucionários, insigne construtor das FARC-EP, pelo que sempre o teremos no nosso coração ao lado destes e de Jacobo Prías Alape, Isaías Pardo, Hernando González Acosta, Raúl Reyes, Ívan Ríos e tantos outros que deram a vida no altar da pátria pela libertação do nosso povo da opressão militarista e oligárquica, por uma Colômbia democrática com dignidade, paz e justiça social.
Com o tempo, todas as calúnias, comparações e infâmias difundidas sobre ele pelos seus inimigos de classe, pelos gazeteiros e piranhas informativas ao serviço da desinformação e da guerra mediática, serão apagadas e esquecidas, e será eternamente recordado pelo seu povo, pelos revolucionários e guerrilheiros como um dos seus mais resolutos e firmes representantes, exemplo de lealdade ao ideário bolivariano, dignidade, transparência, espírito de sacrifício e valor a toda a prova.
Em momentos como o actual com profunda emoção e convicções plenas, o Secretariado, o Estado-maior e os guerrilheiros reiteramos a nossa fidelidade à causa das FARC-EP, a firmeza com princípios revolucionários e bolivarianos de independência, justiça, dignidade e mudança social, bandeiras que jamais arriaremos!
Informamos que o Comandante Pastor Alape é o novo membro do Secretariado do Estado-Maior Central. E também que o Bloco Oriental das FARC-EP será chamado a partir de hoje de «Bloco Comandante Jorge Briceño» que continuará a desenvolver os seus planos sob a direcção do Comandante Mauricio Jaramillo.
Uma vez mais, como há 45 anos o manifestámos, reiteramos a nossa disposição de procurar para o conflito uma solução política que abra os caminhos da convivência, atacando e superando as causas que geraram. Mas no entendimento que a iniciação de um diálogo não pode ficar condicionada a algumas exigências unilaterais e a alguns inamovíveis que, como a história recente o evidencia, tudo o que conseguem é dificultar qualquer tentativa de aproximação.
Aos combatentes revolucionários do país incentivamo-los para redobrarem a luta e os esforços pelos objectivos da liberdade e das mudanças. Os desesperados e mentirosos apelos da oligarquia para que abandonemos as nossas convicções, decisões e sonhos, só pretendem levar uma mensagem de desesperança ao nosso povo, que sente nas bandeiras da luta guerrilheira revolucionária a possibilidade real de um futuro amanhecer que o reivindique e satisfaça as suas aspirações.
Glória eterna aos heróis caídos na resistência ao opressor!
Glória eterna a todos os combatentes que deram a sua vida à causa da libertação do nosso povo!
Comandante Jorge Briceño, herói da Liberdade, da Nova Colômbia, da Pátria Grande e do socialismo: Presente, até sempre!
Secretariado das FARC–EP
Montanhas da Colômbia.
25 de Setembro de 2010.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Colômbia/COMANDANTE JORGE BRICEÑO: UM REVOLUCIONÁRIO ASSASSINADO
Miguel Urbano Rodrigues
«Obama e Santos podem insultar o comandante Briceño chamar-lhe bandido, assassino e narcotraficante, mas as suas calúnias não têm o poder de apagar a grandeza do guerrilheiro caído em combte. Os nomes de Uribe, de Santos e dos generais que o assassinaram serão em breve esquecidos. Não o de Mono Jojoy, revolucionário e soldado da tempera de Bolívar, Sucre e Artigas. Com o tempo subirão da terra pelas Américas estátuas do heróico comandante das FARC. Será recordado com admiração e orgulho pelas futuras gerações,tal como o de Manuel Marulanda, fundador das FARC.»
A morte do comandante Jorge Briceño, das FARC, foi apresentada pelo sistema mediático controlado pelo imperialismo como «grande vitória da democracia sobre o terrorismo» e festejada pelo presidente dos EUA e pela maioria dos governantes da União Europeia.
A mentira e a calúnia podem manipular a informação e enganar centenas de milhões de pessoas, mas não fazem História.
O comandante Jorge Briceño, nome de guerra de Victor Suarez, conhecido na Colômbia como Mono Jojoy – «homem branco», no dialecto das tribos amazónicas da Região – foi um estratego militar de prestígio continental e um revolucionário exemplar que dedicou a vida ao combate pela libertação do seu povo, oprimido pela oligarquia mais corrupta e sanguinária da América Latina.
A sua morte culminou uma operação de custo milionário em que participaram a Força Aérea, a Polícia, os serviços de inteligência, o Exército e a Marinha da Colômbia com a colaboração de Israel, da CIA e do Pentágono.
Segundo El País, de Espanha, e alguns jornais Colombianos, o crime começou a ser preparado cientificamente há quatro anos quando, numa bota de Mono Jojoy teria sido colocado um chip que permitia via satélite acompanhar por GPS a sua movimentação nas densas florestas dos Departamento do Meta e do Caquetá, praticamente controladas pelo Bloco Oriental das Forças Armadas Revolucionárias–FARC, por ele comandado.
O cerco dos acampamentos do comandante Briceño, nas Serranias de La Macarena, principiou no dia 21 de Setembro. Segundo fontes oficiais, o bombardeamento das instalações, que abrangiam numerosas e profundas cavernas naturais nas escarpas da montanha, foi devastador. 20 Aviões e 37 helicópteros lançaram, no dia 22, sobre uma área reduzida, 100 bombas num total de 50 toneladas.
No ataque foram utilizadas armas e tecnologia que os EUA somente fornecem a Israel e à Colômbia.
A intervenção posterior de forças terrestres da VII Brigada do Exército encontrou, segundo o governo de Juan Manuel Santos, forte resistência das FARC. Nos combates que ainda prosseguem na Região, o Exército reconheceu ter sofrido numerosas baixas, entre feridos e mortos.
A TRAIÇÃO
Tal como ocorreu com a operação encenada cujo desfecho foi a mal chamada «libertação» de Ingrid Bettencourt, a traição de alguns guerrilheiros está na origem do assassínio do Jorge Briceño. Sem ela, a localização do acampamento e do lugar exacto onde se encontrava o comandante na hora do ataque, não teriam sido viáveis. Aliás, somente o segundo bombardeamento, realizado com bombas «inteligentes» de grande precisão, atingiu o objectivo: matar Jorge Briceño.
Mono Jojoy sofria de uma diabetes avançada. Por suportar mal as botas da guerrilha, usava umas ortopédicas, especiais. Segundo informações divulgadas em Bogotá, o responsável pela Intendência das FARC incumbido de comprar esse calçado teria entrado em contacto com os serviços de inteligência que introduziram o minúsculo chip numa dessas botas.
Cabe esclarecer que o Governo de Uribe – o anterior presidente – tinha criado um prémio equivalente a dois milhões de euros para quem contribuísse para a «captura ou morte» do chefe guerrilheiro.
A fixação da data para a operação – intitulada pelo governo «Boas Vindas às FARC» e «Sodoma» pelas Forças Armadas – foi antecipada porque nas últimas semanas a organização guerrilheira, desmentindo a propaganda oficial que a apresentava como moribunda, retomara a iniciativa em múltiplas frentes, numa demonstração da sua vitalidade.
Em Agosto e Setembro, em ataques de surpresa e embocadas, nos Departamentos do Caquetá e do Meta, foram abatidos em combate 90 elementos do Exercito e da Polícia.
Simultaneamente, o Secretariado do Estado Maior Central das FARC reafirmava a sua disponibilidade para negociar com o novo governo uma solução para o conflito que levasse à paz desejada pelo povo colombiano e dirigia-se à UNASUL, solicitando uma reunião em que pudesse expor e defender o seu projecto de uma verdadeira paz social para o Pais.
O presidente títere José Manuel Santos, com o aval de Washington, tomou então a decisão de montar o ataque à Serra de La Macarena cujo desfecho foi o assassínio do comandante Jorge Briceño e de um punhado dos seus camaradas.
Segundo “El Tiempo”, 4 traidores serão recompensados com dois milhões.
OS PARABENS DE OBAMA
Jorge Briceño é qualificado pelos media de Bogotá e dos EUA de assassino, terrorista feroz e narcotraficante. A linguagem costumeira para designar os dirigentes das FARC.
Essas calúnias e insultos estão desacreditados na América Latina. As forças progressistas do Continente e milhões de trabalhadores identificavam em Briceño um revolucionário de fibra, sabem que ele foi desde a juventude um comunista coerente. Ao oferecer um prémio gigantesco pela sua cabeça, o governo de Uribe demonstrou o respeito que lhe inspirava a capacidade de Mono Jojoy como estratego. Nas cordilheiras e nas selvas colombianas ele, combatendo, adquirira um prestígio quase lendário, emergindo como um símbolo da invencibilidade das FARC. Muitas vezes lhe anunciaram a morte para depois a desmentirem.
O general Padilla, quando comandante-chefe do Exército, dirigiu-lhe um apelo para que se rendesse, oferecendo-lhe garantias se o atendesse. Briceño, em resposta irónica, disse-lhe que uma organização revolucionária que lutava há quase quatro décadas somente deporia as armas quando o povo da Colômbia fosse libertado.
Em 2001, quando as FARC, na cidade de La Macarena, não longe da Serra do mesmo nome – libertaram unilateralmente cerca de 300 soldados e polícias capturados em combate, tive a oportunidade de conhecer e saudar Mono Jojoy. A troca de palavras foi breve porque ele era assediado por embaixadores ocidentais da Comissão Facilitadora da Paz então existente que admiravam o seu talento de estratego. Recordo que nessa jornada o interrogaram sobre a proeza militar que fora a tomada da cidade de Mitú na fronteira da Venezuela numa ofensiva fulminante de Briceño que humilhou os generais colombianos. As FARC combatiam então em 60 Frentes. Vi um vídeo do acontecimento. O discurso que na época dirigiu à população, concentrada na praça principal da cidade, foi uma peça de oratória revolucionária divulgada inclusive por grandes jornais da América Latina.
Compreende-se o ódio da oligarquia colombiana ao estratego das FARC.
Para o matar tiveram de mobilizar milhares de homens e dezenas de aeronaves e de gastar milhões para comprar a consciência de traidores. Agora exibem-lhe o cadáver como troféu.
O presidente dos EUA, numa atitude abjecta, saudou o seu colega colombiano pelo crime. Abraçou-o na Assembleia-geral da ONU, anunciou um aprofundamento da aliança com o regime fascista de Bogotá, e declarou, eufórico: «sublinho a liderança do presidente Santos e felicito-o porque ontem foi um grande dia para a Colômbia, em que as suas forças armadas realizaram um extraordinário trabalho (…) O presidente da Colômbia pode contar com todo o nosso apoio».
Essa a noção que o imperialismo tem da ética.
Mas Obama e Santos podem insultar o comandante Briceño, chamar-lhe bandido, assassino e terrorista que as suas calúnias não têm o poder de apagar a grandeza do guerrilheiro caído em combate.
Os nomes de Uribe, de Santos e dos generais que o assassinaram serão em breve esquecidos. Não o de Mono Jojoy, revolucionário e soldado da têmpera de Bolívar, Sucre, Artigas. Com o tempo subirão da terra pelas Américas estátuas do heróico comandante das FARC. Será recordado com admiração e orgulho pelas futuras gerações.
V.N de Gaia, 26 de Setembro de 2010.
Nota: *O comandante das Forças Armadas da Colômbia, general Edgar Cely, desmentiu as noticias segundo as quais os movimentos de Jorge Briceño eram há tempos acompanhados por GPS. As suas declarações devem porem ser recebidas com reservas, porque não coincidem em muitos pontos com a versão dos acontecimentos publicada por “El Tiempo”,propriedade da família do actual presidente da Republica, Juan Manuel Santos.
APOYO INTERNACIONAL A CÓRDOBA REFUERZA MOVIMIENTO POR LA PAZ EN COLOMBIA
Eva Golinger
Caracas, 29 septiembre 2010 (AVN) - Tras el anuncio de la Procuraduría General de Colombia de inhabilitar políticamente por 18 años a la senadora Piedad Córdoba se ha producido un clamor internacional en apoyo a la senadora, que marca el inicio de un gran movimiento internacional que Colombianos por la Paz ha estado promoviendo para apoyar e impulsar un diálogo en el vecino país para solucionar el conflicto armado en esa nación.
El señalamiento lo hizo la abogada internacionalista Eva Golinger, este miércoles, al ser entrevistada en Agenda Abierta, de Telesur.
El procurador general de Colombia, Alejandro Ordóñez, aprobó la destitución e inhabilitación por 18 años de la senadora Piedad Córdoba, por supuestos nexos con las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC).
Tras conocerse la decisión de la procuraduría colombiana, Córdoba afirmó este lunes 27 de septiembre que la investigación en su contra, utilizada por la procuraduría general para destituirla del Congreso de su país, no tiene respaldo probatorio.
En un comunicado, publicado en su página web, la legisladora del Partido Liberal consideró que además no tiene mérito jurídico alguno y menos aún valor moral y ético.
El Estado colombiano utiliza como argumentos para sustentar su decisión supuestos materiales encontrados en una computadora del asesinado líder del grupo guerrillero Raúl Reyes, el 1 de marzo de 2008, encontrada en el campamento donde estaba este grupo guerrillero en Ecuador, donde miembros del ejército colombiano entraron y cometieron tal acción.
Golinger recordó que en los momentos “más convenientes” han utilizado el argumento de información supuestamente contenida en esta computadora para hacer señalamientos, igualmente contra Venezuela, en alguna oportunidad.
No obstante, apuntó que esta información no ha sido verificada en cuanto a su origen o fuente, de hecho hubo una investigación de la policía internacional, Interpol, y ellos concluyeron que no podían constatar la fuente de estas informaciones.
“La mayoría de los documentos está escrita en sistema World y no hay manera de verificar quién ha sido el autor original de ésta, y al mismo tiempo, la Interpol sí concluyó que había un periodo en que fuerzas de seguridad colombianas habían manipulado la información, lo que fue reafirmado por algunas de las policías que trabajaron en este caso”, refirió Golinger.
De manera que Golinger apuntó que en términos jurídicos, no es una información confiable, ni constituye evidencias contundentes, “de hecho, si Piedad Córdoba tuviera la posibilidad de tener un debido proceso, se demostraría que esa información no tendría ningún valor jurídico”.
Reclamos hoy en Colombia
Golinger expuso que hay dos visiones muy distintas de la situación en Colombia: una que reconoce que hay una guerra civil en este país desde hace 70 años y que hay que tomar acciones, y otra visión que no reconoce esa guerra, no busca la paz y lo que busca es eliminar lo que consideran su adversario, que son los grupos irregulares que catalogan como terroristas.
“Son dos visiones de las cuales la que más ha tenido poder es la segunda, que tiene el apoyo de Estados Unidos, lo que han logrado imponer en los ámbitos mediáticos y social. Sin embargo, hay una gran fuerza del pueblo colombiano que quiere una solución a este conflicto, que ellos sí lo reconocen como eso, una guerra, que necesita ser tratado no con una masacre de seres humanos para luego decir que esto es el anuncio de la paz”, sostuvo.
Para Golinger, la realización de este tipo de actos de guerra unilaterales no significan un inicio de paz y, por ende, no hay el reconocimiento de que hay un conflicto que necesita un debate, un espacio, un diálogo en la sociedad colombiana.
Señaló que estas acciones tan radicales no sólo son contra Piedad Córdoba, sino contra el movimiento por la paz en Colombia e incluso en el ámbito regional, lo que también tiene que ver con los esfuerzos que ha hecho la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur) y otros países de la región por querer ayudar a Colombia, con un diálogo, para llegar a la paz.
Este martes, Córdoba dio una rueda de prensa, en la que denunció que la labor humanitaria, la labor en búsqueda de la paz está siendo criminalizada y se están cerrando las puertas a que América Latina pueda conforma escenarios en la búsqueda de la paz en Colombia.
En 2008, Córdoba tuvo la autorización del presidente colombiano de entonces, Álvaro Uribe Vélez, para mediar entre las FARC y el Gobierno para la liberación de retenidos por el grupo guerrillero.
La internacionalista consideró a Piedad Córdoba como una gran luchadora por la paz y el progreso de su país, y todo este escenario, para Golinger, no es más que el inicio de un gran movimiento internacional que tanto Córdoba, como las fuerzas del movimiento Colombianos por la Paz han estado promoviendo para apoyar e impulsar un diálogo en Colombia por la paz.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Colômbia/EM DEFESA DAS FARC
16 agosto 2010/ODiário.info http://www.odiario.info
Neste artigo Miguel Urbano Rodrigues critica a hipocrisia dos grandes do capital ao prestarem homenagem ao actual presidente da Colômbia e lamenta a atitude assumida por Hugo Chávez em Santa Marta. O presidente da Venezuela não foi coerente com a sua politica anti-imperialista. Durante anos sugeriu que às FARC fosse reconhecido o estatuto de organização beligerante; agora cede às pressões de um criminoso como Juan Manuel Santos que vê na guerrilha revolucionaria colombiana um grupo de terroristas.
Subitamente, em Washington, Londres, Berlim e Paris, uma chuva de elogios caiu sobre a Colômbia. Um Estado policial, neofascista, mascarado de democracia, surgiu nas manchetes dos jornais de referência e no discurso dos estadistas do Ocidente como modelo para a América Latina.
Álvaro Uribe, o presidente que terminou o seu segundo mandato, foi nomeado co-presidente da comissão internacional criada pela ONU para levar adiante o inquérito sobre o ataque israelense à Flotilha da Liberdade. Simultaneamente, a prestigiada universidade de Georgetown, em Washington, convidou-o para dirigir, como catedrático, um curso de formação de dirigentes políticos.
Na posse de Juan Manuel Santos, seu sucessor, compareceram 16 chefes de Estado, na maioria da América Latina. Não faltou o príncipe herdeiro da Espanha. Durante dias o novo presidente foi saudado pelos grandes media ocidentais como um talentoso político democrático com um projecto inovador, decidido a imprimir à Colômbia uma orientação diferente da uribista, introduzindo no país reformas profundas.
Todos estavam conscientes de que mentiam.
O discurso de Santos é diferente, mas a politica de terrorismo de estado vai prosseguir sob os aplausos dos EUA e da oligarquia mais reaccionária da América Latina.
Para a Casa Branca a Colômbia actual é uma democracia quase exemplar. O presidente foi também saudado com particular entusiasmo por Israel, íntimo aliado.
Uma hipocrisia inocultável foi o denominador comum na apologia do herdeiro de Uribe pelos príncipes do capital.
De repente simularam esquecer o currículo de Juan Manuel Santos [1].
O sucessor de Uribe é um aventureiro da política e um criminoso cujas palavras mansas escondem um passado tenebroso.
JMS foi o principal responsável, como ministro da Defesa, do ataque pirata da força aérea e do exército colombianos ao acampamento de Sucumbio no Equador, realizados com a cumplicidade do Pentágono, da CIA e da Mossad isrealense em Fevereiro de 2008. Nesse bombardeamento morreram o comandante Raul Reyes, responsável pelas Relações Exteriores das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia - Exército Popular, duas dezenas de combatentes da organização, e três jovens mexicanos que ali se encontravam.
O presidente do Equador, Rafael Correa, respondeu ao acto de barbárie rompendo as relações com o governo de Bogotá e a Justiça equatoriana exigiu a extradição de Juan Manuel Santos para ser julgado como primeiro responsável pelo crime. O processo não foi avante porque Uribe alegou incompetência do tribunal do Equador para julgar o seu ministro.
Transcorrido um ano, tive a oportunidade de falar em Caracas com um jovem que assistiu ao bombardeamento e à posterior descida no acampamento de tropas aerotransportadas. Não esqueci o relato que ele fez da matança dos guerrilheiros, feridos, que tinham sobrevivido ao bombardeamento. Contrariamente ao que os media noticiaram, morreram combatendo.
O processo foi agora arquivado porque, sendo chefe de Estado, JMS goza de impunidade, mas julgo útil recordar que ele se orgulha de ter sido o autor intelectual da chacina de Sucumbio.
O ALVO: AS FARC-EP
Dos presidentes do México, do Peru, do Chile eram esperadas as homenagens a Santos.
Mas, estranhamente, presidentes como Lula, Cristina Kirchner, Mauricio Funes e Fernando Lugo não somente aderiram ao coro de elogios como manifestaram o seu apoio à chamada política de «segurança democrática» iniciada por Uribe e cuja continuidade foi defendida pelo novo presidente.
Mais, aproveitaram a oportunidade para criticar as organizações insurgentes e sugerir que as FARC-EP e o ELN abandonem a luta e se integrem no sistema, aceitando dialogar com Santos nas bases por este definidas.
Particularmente inesperada foi a posição assumida por Hugo Chávez. O presidente da Venezuela deslocou-se a Santa Marta, no Caribe colombiano, e, na casa onde Bolívar faleceu, trocou abraços com Santos, assinou acordos e assumiu compromissos que, pela forma e pelo conteúdo são chocantes.
Compreende- se que Chávez pretenda normalizar as relações com a Colômbia após a ruptura resultante da ultima provocação de Uribe (2). Mas usou uma linguagem muito infeliz ao referir-se às organizações revolucionárias que combatem o estado neofascista colombiano, sugerindo na prática que se submetam às exigências de JMS. Colocou as FARC-EP e o ELN no mesmo plano dos bandos criminosos do paramilitarismo e dos cartéis do narcotráfico.
AS FARC têm afirmado repetidamente a sua disponibilidade para dialogar com o governo sobre a necessidade de paz no país.
Mas qual é o conceito de dialogo de Santos, exaustivamente exposto durante a campanha eleitoral e no seu discurso de posse?
Três são as suas condições para o diálogo com as FARC:
Deposição prévia das armas; libertação imediata de todos os presos em seu poder; e «renúncia ao narcotráfico».
Que significam essas exigências?
Que Santos não quer dialogar; exige, sem o dizer expressamente, a capitulação incondicional das FARC-EP.
Se a guerrilha depusesse as armas previamente, ficaria à mercê do Poder oligárquico.
Cabe lembrar o genocídio político dos anos 80.
Em Março de 1984 as FARC aceitaram a proposta do presidente Belisario Bettencourt para lutarem no quadro das instituições ditas democráticas, renunciando à luta armadas. E que aconteceu?
Fundou-se um partido progressista, a União Patriótica, que participou em eleições. A UP elegeu muitos senadores, deputados, autarcas. A resposta do Poder foi uma repressão política bárbara. Em três anos foram assassinados mais de 3.000 parlamentares, juízes, autarcas, dirigentes sindicais, supostamente ligados às FARC, num genocídio político sem precedentes.
Para sobreviverem, as FARC retomaram a luta armada.
Até a questão dos prisioneiros é colocada capciosamente por Santos. Reclama tudo sem oferecer nada em troca.
Pessoalmente, desaprovo os sequestros. Mas não posso ignorar que o governo mantém nos seus presídios, em condições sub humanas, milhares de guerrilheiros. E recusa-se ao intercâmbio humanitário, isto é, a libertação de uma parte desses presos, trocando-os por «reféns» – a maioria dos quais militares capturados em combate – em poder das FARC-EP.
Nas fossas de La Macarena, na Amazónia, recentemente descobertas, foram encontradas as ossadas de milhares de cidadãos assassinados pelo Exército da oligarquia durante as perseguições contra pessoas suspeitas de ligações com a União Patriótica e as FARC-EP.
Como confiar na palavra de Juan Manuel Santos, o responsável pela chacina de Sucumbio?
Estou certo de que Chávez não tardará a arrepender-se de haver acreditado na promessa de uma relação «transparente, democrática e respeitosa» feita por um politico corrupto e criminoso que, inevitavelmente, vai dar continuidade à estratégia agressiva e de ultra direita imposta por uma oligarquia de cujos interesses é o representante na Casa de Nariño.
Surpreende também que, sendo hoje Hugo Chavez na América Latina o pioneiro, quase o motor, da contestação ao imperialismo – pelo que merece o apoio e admiração das forças progressistas do Continente – não tenha levantado em Santa Marta o tema da instalação de 7 novas bases militares dos EUA na Colômbia. Esquecendo que na UNASUL afirmou que essas bases configuram uma ameaça inadmissível à independência dos povos da América Latina, afirmou que cada país tem o direito soberano de decidir sobre problemas como esse.
HERÓIS DA AMÉRICA LATINA
Inspira-me repugnância a terminologia utilizada pelo governo e o Exército da Colômbia para designar as FARC-EP, terminologia alias perfilhada pela ONU, pela União Europeia e os media dos EUA e da Europa.
Alem de terroristas é lhes colado o anátema de narcotraficantes.
O slogan «guerrilha do narcotráfico» – expressão forjada por um ex embaixador dos EUA, Louis Stamb, ligado ao Pentágono e à CIA – para desacreditar as FARC, difundido urbi et orbi atingiu o seu objectivo tão amplamente que inclusive intelectuais comunistas assimilaram a calúnia. A campanha é de tal intensidade que canais de televisão e jornais se referem rotineiramente a «fábricas de cocaína» instaladas pelas FARC na selva amazónica.
Tivessem as FARC acumulado milhões com o narcotráfico e disporiam de mísseis terra-ar como as organizações de resistentes no Afeganistão e no Iraque. Ora o próprio governo de Bogotá reconhece que elas não dispõem de armamento desse tipo. Mas somente aqueles que conhecem as condições de pobreza em que vivem na clandestinidade os representantes das FARC no exterior – é o meu caso – sabem que o folhetim da «guerrilha do narcotráfico» é uma perversa invenção do imperialismo.
A vida abriu-me a oportunidade de passar semanas num acampamento das FARC, no Departamento amazónico do Meta. Nesses dias conheci combatentes maravilhosos como Simon Trinidad, entregue por Uribe aos EUA e actualmente preso ali após três julgamentos de farsa (dois foram anulados). Condenaram-no finalmente por narcotraficante, a ele, ex banqueiro, membro de uma rica família aristocrática.
Foi também então que construí uma relação de respeito e admiração que evoluiu para a amizade com o comandante Raul Reyes. Mantivemos contacto até que o assassinaram em Sucumbio, a sul do Putumayo, no bombardeamento pirata concebido por Juan Manuel Santos.
Com Manuel Marulanda, o fundador das FARC, falei uma única vez por breves minutos. Mas guardo desse revolucionário, comunista exemplar e estratego militar talvez sem par na História da América, uma lembrança inesquecível.
Quando leio acusações infames contra os combatentes das FARC recordo sobretudo Rodrigo Granda, aliás Ricardo González, amigo fraternal e um dos revolucionários mais puros e autênticos que a vida me permitiu conhecer.
Recordando combatentes das FARC-EP, mortos, presos ou lutando nas montanhas e selvas do seu país, é natural, repito, que me inspirem repugnância os elogios hipócritas a um criminoso como Juan Manuel Santos.
É a esse ser abjecto que a burguesia internacional rende nestes dias homenagens enquanto despeja calúnias sobre os comandantes das FARC que se batem por uma Colômbia livre e democrática.
Uma certeza: os nomes de Uribe e Santos e da escória humana que os apoia serão esquecidos pelas futuras gerações.
Não os de Manuel Marulanda, Jacobo Arenas, e Raul Reyes. Com o passar dos anos, a calúnia deixará de os atingir. Eles contribuíram para a construção da História profunda, na fidelidade a valores permanentes da condição humana. Assumiram os ideais pelos quais viveram e se bateram heróis tutelares da Latina como Bolívar, Artigas, Marti.
1. Juan Manuel Santos pertence a uma das famílias mais influentes da oligarquia colombiana. Seu tio avô, Eduardo Santos, foi Presidente da República e director e proprietário de El Tiempo, um dos principais diários da América Latina. Foi ministro da Indústria, da Fazenda e da Defesa em vários governos, tendo desempenhado um papel importante na destruição da Segurança Social ao impor o modelo pinochetiano. Opôs-se inicialmente à reeleição de Uribe, mas depois fundou o partido, La U, que o apoiou e reelegeu.
Manteve muitos contactos com Carlos Castaño, o falecido chefe dos paramilitares e com Pablo Escobar, o rei da cocaína, também falecido.
2. A Colômbia foi nos últimos anos o principal parceiro económico da Venezuela após os EUA (7.000 mil milhões de dólares de intercambio comercial em 2008). Nos departamentos fronteiriços vivem centenas de milhares de colombianos, sobretudo camponeses, e essa comunidade cumpre um papel fundamental na agricultura venezuelana.
V N de Gaia, 12 de Agosto de 2010
quarta-feira, 4 de junho de 2008
MARULANDA, HERÓI DA AMÉRICA LATINA

Neste artigo Miguel Urbano Rodrigues recorda a trajectória revolucionária do comandante Manuel Marulanda e as circunstâncias em que conheceu na selva o dirigente das FARC, no qual identifica um herói da América Latina.
Miguel Urbano Rodrigues
28 maio 2008/Odiario.info (Portugal)
Sucessivos governos da Colômbia anunciaram a sua morte vinte vezes. As cadeias de televisão e a grande imprensa da Europa e dos EUA comentaram esse acontecimento e, com poucas excepções, insultaram e caluniaram o combatente. Depois divulgaram desmentidos para o ressuscitar. Porque Manuel Marulanda continuava vivo, lutando nas montanhas e selvas do seu país.
Ele sabia que não era eterno. Faleceu no dia 26 de Março. Mas, para decepção do fascismo colombiano e do imperialismo não foram as bombas e mísseis que abateram o comandante-chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-FARC. Marulanda morreu de um enfarte, algures na selva, com a sua companheira ao lado, rodeado de camaradas.
É necessário subir até Bolívar para encontrar na história da América Latina alguém com uma trajectória comparável. Ambos lutaram no mesmo cenário; ambos realizaram feitos que trazem à memória heróis mágicos da Ilíada de Homero. Mas, ao contrário do Libertador, Marulanda nasceu pobre numa família de camponeses do Quindio. Foram o espectáculo da miséria das populações rurais da Cordilheira e o sentimento de revolta contra a repressão de que elas eram alvo que fizeram dele um revolucionário. O guerrilheiro que aprendeu a ler já adulto, tornou-se comunista ao compreender que a autodefesa dos camponeses era inseparável de uma luta maior, de dimensão planetária, contra a engrenagem de poder responsável pela violência que os esmagava e pela situação semi-colonial da sua pátria.
Quando a oligarquia bogotana e antioquenha identificou uma ameaça naquela «rebelde» que recusava amnistia e não se submetia, mobilizou um exército de 10.000 homens para destruir o grupo guerrilheiro que na remota Marquetália não entregava as armas.
Marulanda contava somente com 46 combatentes. Ocorreu então um dos muitos impossíveis que iriam marcar a sua vida de lutador. A guerrilha, combatendo quase diariamente, rompeu o cerco. Essa saga esteve na raiz das FARC. A guerrilha de Marquetália, armada com uma ideologia humanista e revolucionária, transformou-se com o rodar dos anos no Exército Revolucionário do Povo, uma força avaliada em 15.000 combatentes, que se bate hoje, 44 anos após a sua criação, contra o Exército de Uribe em 60 Frentes.
O escritor Arturo Alape, num livro belo, recorda situações e factos que, pela atmosfera de excepcionalidade, mais parecem coisa de magia.
Mas foram reais.
Marulanda atravessou muitas vezes os Andes, combatendo. Na Colômbia a Cordilheira ciclópica divide-se em três ramificações, separadas por vales profundos. E uma coluna das FARC, sob o seu comando, repetiu o que era considerado absolutamente impossível. Cruzou a Cordilheira Central, de Ocidente para Oriente, através de desfiladeiros ocupados pelo exército, rompendo sucessivos cercos numa campanha que leva Arape a concluir que Marulanda como estratego somente encontra precedentes em Alexandre, Aníbal e Napoleão.
ENCONTRO COM TIRO FIJO
A vida proporcionou-me a oportunidade de encontrar uma vez Marulanda. Foi em Junho de 2001 na aldeia amazónica de La Macarena, após um almoço oferecido pelas FARC a delegações da Cruz Vermelha e de diferentes países que tinham acompanhado o processo de intercâmbio humanitário de prisioneiros. As FARC, em gesto unilateral, tinham libertado naquela manhã uns 300 prisioneiros quase todos militares capturados em combate.
Foi o comandante Raúl Reyes, de quem eu era convidado, que me apresentou ao comandante-chefe das FARC, o então já legendário Tiro Fijo, como era conhecido pela sua pontaria. Durou escassos minutos a troca de palavras porque Marulanda estava rodeado de embaixadores de países europeus.
Chovia torrencialmente e a água que se despenhava do céu em cataratas sobre a cobertura de plástico que protegia o terreiro do almoço produzia um ruído tão forte que dificultava as conversas. Mas não esqueci que os diplomatas se dirigiam com muito respeito ao dirigente revolucionário, disputando-lhe a atenção.
Nenhum dos presentes poderia naquele dia prever que a União Europeia, cedendo a pressões de Washington, iria definir as FARC como organização terrorista e que o futuro governo de Uribe colocaria a prémio, por milhões de dólares, a cabeça de Manuel Marulanda.
Recordo também ter pedido ao comandante-chefe que me concedesse uma entrevista.
Quase lhe escuto ainda a sua resposta ao pedido, pronunciada com a lentidão que lhe tornava a voz inconfundível. Sugeriu uma data posterior ao meu regresso a Havana, cidade onde então eu residia.
Pedi-lhe então que respondesse apenas a três perguntas que enviaria por uma colega cubana, que, essa sim, poderia entrevistá-lo no dia proposto. Marulanda concordou e cumpriu. A entrevista foi publicada no Avante!
A LUTA DAS FARC PROSSEGUE
Desde essa jornada na Macarena, o governo da Colômbia anunciou várias vezes que Marulanda falecera ou estava moribundo. Mentia. Como mentiu ao repetir em diferentes ocasiões que as FARC tinham recebido golpes tão duros que estavam à beira da desagregação.
Não obstante aparecerem, com os seus 380.000 homens, como as mais poderosas da América Latina – equipadas com armas que Washington somente fornece a Israel – as Forças Armadas da Colômbia acumularam derrotas em todas as ofensivas que tinham por objectivo o aniquilamento das FARC. O resultado decepcionante do Plano Patriota nos Departamentos do Caquetá e do Meta ficou, aliás, transparente na renúncia de meia dúzia de generais do Exército.
O povo colombiano tem hoje consciência de que a escalada belicista de Uribe fracassou e que não há solução militar para a guerra civil.
Mas o governo neofascista de Bogotá fecha as portas ao intercâmbio humanitário de prisioneiros nas bases propostas pelas FARC que implicariam a retirada prévia de todas as forças militares dos municípios de Florida e Pradera.
As FARC numa demonstração de boa vontade, entregaram, entretanto, à Cruz Vermelha Internacional alguns prisioneiros em gesto unilateral. Mas Uribe respondeu inviabilizando a mediação de Hugo Chávez e da senadora liberal Piedad Cordoba.
A campanha, de matizes farisaicos que exige incondicionalmente a libertação de Ingrid Betancourt veio porém criar, paradoxalmente uma situação muito incómoda para Uribe. Ao tomar conhecimento de contactos entre o comandante Raúl Reyes e o governo francês, o presidente colombiano concebeu e executou – com a cumplicidade da Casa Branca e do Pentágono – o plano cujo desfecho foi o assassínio daquele comandante das FARC e de mais vinte dos seus camaradas na acção criminosa que violou a soberania do Equador.
A morte de Marulanda ocorreu a 26 de Março no auge da campanha de desinformação promovida pelo fascismo uribista – depois da manipulação dos computadores de Raúl Reyes – com o fim de comprometer os presidentes da Venezuela e do Equador e de apresentar as FARC como envolvidas em negócios do narcotráfico e de armas.
Tornar publico o falecimento de Marulanda nos dias em que Uribe proclamava, triunfalista, que as FARC estavam em processo de destruição como força de combate permitiria ao presidente neofascista utilizar o acontecimento para promover a confusão e a desinformação.
A divulgação da notícia foi assim atrasada durante muitas semanas até chegar ao conhecimento do governo de Bogotá.
A partir de então ocorreu o que se previa. Para além da torrente de calúnias da propaganda oficial, os epígonos do uribismo não se limitaram a festejar a morte de Marulanda, apresentando-o como bandoleiro e assassino. De especulação em especulação identificaram no desaparecimento do comandante-chefe da organização guerrilheira o prólogo do seu fim iminente. As Forças Armadas chegaram ao absurdo de afirmar que teria morrido possivelmente durante um bombardeamento do seu acampamento.
Perante as proporções da orquestração reaccionária, o secretariado do Estado-Maior Central das FARC considerou chegado o momento de tornar pública a morte de Manuel Marulanda. A notícia foi divulgada através de um comunicado lido pelo comandante Timoleón Jimenez e transmitido em primeira-mão pela Telesur venezuelana. Nesse documento a direcção das FARC informa que o novo comandante-chefe é o Comandante Alfonso Cano. E prestando comovida homenagem a Marulanda, pela sua capacidade de liderança, lucidez ideológica e talento como estratego militar, sublinham a decisão inquebrantável de prosseguir em todas as Frentes até â vitória final a luta pelo «poder político, por uma sociedade de justiça social e pelo socialismo».
As campanhas de calúnias contra as FARC vão continuar, paralelas à guerra cujo objectivo é o seu aniquilamento.
O fim desta guerra não tem data no calendário. Mas o povo da Colômbia já percebeu que Uribe e os seus ministros somente deixaram marcas na História pelos seus crimes. E está consciente de que Manuel Marulanda conquistou já a eternidade, ocupando lugar ao lado de Bolívar no panteão dos heróis autênticos da América Latina.
Serpa, 27 de Maio de 2008
