11 junho 2013, ODiario.info http://www.odiario.info
(Portugal)
ENTREVISTA COM PABLO CATACUMBO
Nesta entrevista com Pablo
Catacumbo, membro do Estado-Maior Central das FARC-EP explica como e por que
razão as FARC-EP a negociar com o governo de Juan Manuel Santos: «Sentimos que
havia a possibilidade de alcançar uma solução política, que nunca esteve ausente
da nossa abordagem estratégica».
Maria Jimena Duzan (MJD): Há quanto tempo não saía das
montanhas?
Pablo Catatumbo (PC): À civilização não venho desde as
negociações de Tlaxcala. Ou seja, há quase 25 anos. E há 12 que não via Iván
Marquez.
MJD: Você foi o primeiro membro do Secretariado, a dar o
passo que iniciou o processo de paz. O que o levou a isso?
PC: Certo. As explorações começaram com o governo de Uribe,
quando nos enviou uma carta, assinada pelo então comissário Frank Pearl.
Naquela época, no entanto, consideramos que não era viável entrar num processo
de paz quando o seu mandato estava terminando.
MJD: E por que decidiram iniciar conversações exploratórias
com o governo de Santos?
PC: Porque as cartas que nos enviou e as mensagens que nos fez
chegar tinham outros conteúdos. Além disso, iniciava-se um novo governo e desde
o dia de sua posse o presidente disse que não tinha fechadas as portas da paz e
que as chaves as tinha ele. Com Alfonso Cano e o secretariado analisámos o
discurso e pareceu-nos que havia nele uma mensagem. Sentimos que havia a
possibilidade de alcançar uma solução política, que nunca esteve ausente da
nossa abordagem estratégica.