Mostrando postagens com marcador Plano Colômbia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Plano Colômbia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Colômbia/«NUNCA SE AVANÇOU TANTO, COM UMA AGENDA E A TERRA COMO PRIMEIRO PONTO»

19 agosto 2013,  ODiario.infohttp://www.odiario.info/ (Portugal)

Ainara Lertxundi*

Dick Emanuelsson tem feito, como correspondente para a América Latina, a cobertura do conflito na Colômbia no decurso de quase três décadas. Viveu de perto os processos de Casa Verde, San Vicente del Caguán e o que actualmente se desenvolve em Cuba. Em 2005 teve de deixar a sua casa de Bogotá devido a ameaças de morte. Os serviços secretos tinham uma pasta com 476 folios sobre a sua pessoa.

Casa Verde, San Vicente del Caguán e Havana. Três processos de negociações entre as FARC-EP e o Governo colombiano que fazem parte da dilatada trajetória profissional do jornalista sueco Dick Emanuelsson como correspondente para América Latina. Em mais de uma ocasião penetrou nas montanhas colombianas para entrevistar a guerrilha, tem investigado a morte de sindicalistas às mãos de paramilitares e retratado a situação do campesinato.

Visitando Euskal Herria, Emanuelsson veio à redacção de GARA para relatar a sua experiência em Colômbia e as suas impressões sobre as conversações de Havana.

¿Como realiza um jornalista o seu trabalho sabendo que está sendo espiado e que essa vigilância pode pôr em perigo as suas fontes?

Quando cheguei à Colômbia e me registei como jornalista, um colega disse-me ‘Dick, tem muita cautela

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

ALFONSO CANO, HERÓI DA COLÔMBIA


8 novembro 2011/Resistir.info http://resistir.info/

por Miguel Urbano Rodrigues

Alfonso Cano, comandante-chefe das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia caiu combatendo no dia 4 de Novembro.

Alfonso Cano bateu-se pela libertação da Colômbia durante mais de quatro décadas. De origem burguesa, rompeu com sua classe na Universidade de Bogotá quando estudava Antropologia. Dirigente da Juventude Comunista conquistou ali o respeito de professores e colegas pelo seu talento, cultura e firmeza de carácter. Era um intelectual brilhante que tinha dos clássicos do marxismo e da História do seu país um conhecimento profundo quando aderiu às FARC.

Terá sido com Jacobo Arenas um dos mais criativos ideólogos da organização revolucionária. Não surpreendeu, portanto, a sua nomeação para comandante-chefe quando Manuel Marulanda morreu.

Como era de esperar chovem agora sobre o presidente Juan Manuel Santos felicitações dos dirigentes dos países imperialistas. O crime é por eles transformado em grande vitória da democracia contra o terrorismo.

Os media do sistema já elaboraram e divulgaram uma extensa lista dos "crimes" cometidos pelo "terrorista" e "narcotraficante" morto.

Omitem obviamente que Alfonso Cano foi o responsável do projecto que as FARC enviaram à ONU e ao governo colombiano nos anos 90, propondo a erradicação da cultura da coca num prazo de 10 anos do município de Cartagena del Chairá, o maior produtor da planta maldita no país. Essa experiência piloto exigiria apenas o modesto financiamento de 10 milhões de dólares. A iniciativa foi, porém imediatamente vetada pelo governo de Bogotá, considerado por Washington modelo de democracia e o seu melhor aliado na América do Sul.

A oligarquia colombiana festejou, naturalmente, com entusiasmo a morte do líder das FARC. A organização guerrilheira define o regime, desde a presidência de Uribe, como fascizante. E não exagera no qualificativo.

O presidente Juan Manuel Santos, ministros e generais deslocaram-se a Popayan, capital do Departamento do Cauca onde foi assassinado Cano, para ver o seu cadáver, em exposição, condecorar os matadores e celebrar o crime em ambiente de entusiasmo. Os militares esclareceram que no acampamento onde se travou o ultimo combate foram encontrados os computadores do comandante e que o seu conteúdo "será estudado". A notícia logo correu mundo. Tudo indica que o governo, repetindo o uso que fez dos computadores manipulados do comandante Raul Reyes, tornará em breve públicas revelações sensacionais sobre a sua descoberta.

O comandante Alfonso Cano, como outros membros do secretariado do Estado-maior central das FARC tinha a cabeça a premio por mais de um milhão de dólares. É incómodo para Santos e os seus epígonos reconhecer que na Operação "Odisseia" – insulto ao herói grego de Homero – montada para abater o comandante das FARC participaram 2300 oficiais sargentos e soldados, aviões Super Tucano e muitos helicópteros.

No início do ano o governo de Bogotá divulgou notícias segundo as quais Alfonso Cano se encontraria no Oriente, próximo da fronteira da Venezuela. Eram falsas.

O secretariado das FARC, no momento em que escrevo, ainda não se pronunciou sobre as circunstâncias do crime.

Mas o simples facto de as selvas do oriente do país distarem cerca de 800 quilómetros do município de Suarez, no Cauca, onde ele morreu, após dois bombardeamentos maciços e um cerco montado por tropas especiais convida à reflexão. Duas cadeias de gigantes andinos da Cordilheira Oriental e da Central separam essas frentes de combate.

Ignoro por onde se movimentou Cano nos últimos meses. As declarações ao diário El Tiempo dos militares que o mataram não inspiram confiança. Num ponto coincidem todas: Alfonso Cano caiu combatendo!

A capacidade estratégica e a mobilidade dos guerrilheiros das FARC, cruzando montanhas, rios e florestas, em travessias que a História registou e inspiraram poetas e novelistas somente encontram precedente na saga de Bolívar galgando os Andes, durante a campanha de libertação de Nova Granada (a actual Colômbia).

Alfonso Cano, como Jorge Briceño, Jacobo Arenas e Manuel Marulanda souberam pelo seu exemplo, como revolucionários comunistas, conquistar em vida o respeito de milhões de compatriotas. Mortos, os seus nomes permanecerão na História como heróis da América Latina.

Foram duríssimos os golpes recebidos nos últimos anos pela organização guerrilheira mais antiga do Continente, que se bate há mais de quatro décadas por uma Colômbia democrática, livre, progressista, enfrentando um exército de 300 mil homens, armado e financiado pelos EUA.

Mas a hierarquia da Igreja e inclusive a oligarquia crioula estão conscientes de que não há solução militar para o trágico conflito que ensanguenta a nação.

A euforia de Juan Manuel Santos – protector de paramilitares assassinos – não consegue ocultar a sua certeza de que o combate das FARC vai prosseguir. Ele próprio reconheceu já essa evidência. Os media oficiais avaliam em 10 mil o numero actual de guerrilheiros das FARC.

A luta continua na Colombia!

Vila Nova de Gaia, 5/Novembro/2011



terça-feira, 31 de março de 2009

Colômbia/OS CRIMES DE ESTADO DE ÁLVARO URIBE VÉLEZ

por Gilberto López y Rivas *

21 março 2009/resistir.info http://resistir.info

Entre 24 de Fevereiro e 11 de Março de 2009, a Comissão Ética Contra os Crimes de Estado na Colômbia realizou a sua sexta visita. Esta Comissão é uma iniciativa para salvaguardar a memória colectiva das vítimas e acompanhar os seus processos de dignificação, denúncia e resistência, a partir da sociedade civil internacional e tendo em mente que "as vozes dos silenciados serão escutadas".

Nesta ocasião, para além do acompanhamento ao povo indígena Embera e afro-descendentes da bacia do rio Jiguamiandó na Primeira Consulta dos Povos e visitas aos departamentos de Sucre e Putumayo, a Comissão Ética assistiu ao "Encontro de familiares de vítimas de execuções extrajudiciais na Colômbia" que teve lugar durante os dias 5 e 6 de Março, ouvindo múltiplos testemunhos de execuções extrajudiciais, mal apelidadas de "falsos positivos" [1] , assim como contextos e análises de organizações que acompanham este processo a partir do Movimento de Vítimas de Crimes de Estado. Encontravam-se presentes numerosos familiares provenientes das diferentes regiões do país, pelo que se apresentou um panorama altamente representativo de uma situação nacional.

Em todo o país cometeram-se centenas de assassinatos que configuram o padrão de desaparecimentos forçados e execuções extrajudiciais, ambos os delitos considerados crimes de lesa humanidade cometidos pelo Estado, principalmente por membros das forças armadas colombianas –e/ou seus paramilitares- de forma sistemática e generalizada. Esta grave violação já vem de trás e tem o seu exponencial desenvolvimento durante os mandatos do presidente Álvaro Uribe Vélez, com a colocação em prática da chamada política de "Segurança Democrática" e a partir da instrumentalização do Plano Colômbia, pelo que as vítimas são apresentadas como "baixas em combate" para cobrar as recompensas económicas e receber os reconhecimentos e promoções que o próprio Comandante Geral das Forças Militares oferece de forma reiterada.

Estas práticas aberrantes apresentam-se como "resultados" da guerra contra-insurgente para justificar os apoios obtidos por via do Plano Colômbia e são claramente violadoras do direito penal colombiano, das Convenções de Genebra, do Direito Internacional, dos Direitos Humanos e, em especial, da Convenção Americana de Direitos Humanos.

As vítimas das execuções extrajudiciais seguem um padrão definido: homens jovens de não mais de 35 anos, pertencentes aos sectores populares e mais excluídos, com uma presença importante de jovens? camponeses, ou de áreas suburbanas e urbanas que se consideram "prescindíveis". Neste padrão incluem-se deficientes ou jovens que são considerados potenciais ou reais opositores ao regime, pelo que encontramos elementos para qualificar estes crimes de lesa humanidade como uma política de "limpeza social", só comparável com a praticada pelos execráveis regimes fascistas que prevaleceram no século passado. Pode-se afirmar, sem nenhuma retórica e perante as dimensões da tragédia do povo colombiano, que o governo de Uribe fez do crime de Estado, a sua política de Estado.

A impunidade é uma característica comum destes crimes nos quais os seus perpetradores não são investigados nem muito menos julgados e sancionados. As autoridades colombianas dos três poderes e os organismos de controlo estatal como a Procuradoria, e ainda organismos que supostamente defendem e preservam os direitos humanos, actuaram por omissão ou comissão como cúmplices dos mesmos, enquanto que os meios de comunicação em massa, na sua grande maioria, fazem eco das versões oficialistas sobre os acontecimentos denunciados, quando não ocultam ou encobrem totalmente estas graves transgressões e, principalmente, a responsabilidade do Estado colombiano.

É surpreendente o número de familiares das vítimas que saíram à rua, acompanhados por sectores da sociedade civil e com a observação da Comissão Ética, para manifestar a sua profunda indignação em frente ao Ministério da Defesa e ao Ministério Público a 6 de Março, pese embora as ameaças e os reais perigos que correm num país onde não existe o estado de direito e as instituições estão ao serviço do terrorismo de Estado.

A Comissão Ética juntou-se à exigência do Movimento de Vítimas de Crimes de Estado para que no caso das execuções extrajudiciais se forme uma equipa especial dentro da Unidade de Direitos Humanos do Ministério Público em Bogotá, para evitar eventuais interferências que, dado o estatuto e influência dos investigados, nos locais onde ocorreram os factos, possam afectar a imparcialidade das diligências

A Comissão também destaca uma militarização ampla, visível e evidente nos departamentos, que se expressa em inumeráveis detenções, repetidos requerimentos de identificação, impedimentos à livre mobilidade das pessoas, sobrevoos de helicópteros, quartéis e instalações militares dentro de localidades, recrutamento forçado e expedito (uma leva, em todos os sentidos do termo), prostituição de crianças e jovens, rondas constantes das tropas pelas estradas e povoações, presença militar no quotidiano da população civil (lojas, casas, quintas, etc), a continuidade e reconversão do paramilitarismo, tudo isto afectando a normalidade e a segurança das pessoas e constitui uma clara infracção ao Direito Internacional Humanitário. Esta é a realidade dantesca da Colômbia que Álvaro Uribe Vélez se ufana em apresentar como modelo a seguir e que as ultradireitas pretendem impor a qualquer preço no resto da América Latina, com a ajuda dos seus mentores estado-unidenses.
[1] Nota do tradutor: Os chamados "falso positivos" são civis assassinados cujos cadáveres são depois vestidos com trajes militares, de forma a serem apresentados como guerrilheiros mortos. As suas famílias opõem-se a essa denominação e preferem referir-se a eles como "execuções extrajudiciais como crime de Estado".

[*] Antropólogo, mexicano, professor do Instituto Nacional de Antropologia, doutorado em Antropologia pela Universidade de Utah, Mestre em Antropologia pela UNAM, ex-assessor do Exército Zapatista de Libertação Nacional.

http://www.resistir.info/colombia/crimes_de_estado.html

Ver também: Movimiento Nacional de Víctimas de Crimenes de Estado

O original encontra-se em La Jornada . A versão em português em http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=7224&lg=po .

Tradução de Alexandre Leite, membro de Tlaxcala e editor do blog http://investigandoonovoimperialismo.blogs.sapo.pt/ .

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Manifesto respalda decisão equatoriana

Agência de Informação Frei Tito para a América Latina http://www.adital.com.br

2 dezembro 2008

Adital - Cerca de 500 pessoas, entre intelectuais, artistas e lutadores sociais, de mais de 24 países já assinaram o Manifesto pelo Equador e pela Constituição de uma Rede Mundial contra a Dívida Ilegítima. A iniciativa é conseqüência das revelações feitas pelo informe de uma auditoria realizada nas contas públicas do Equador, que mostraram irregularidades na aquisição de empréstimos estrangeiros. Com isso, as organizações sociais pretendem respaldar a decisão do presidente Rafael Correa de interromper o pagamento da dívida.
No documento, os manifestantes recordam que a América Latina e o Caribe continuam pagando tributos coloniais. Segundo eles, as dívidas contraídas ilegalmente acabam por enfraquecer a soberania dos povos, obrigando-os a entregar suas riquezas: "Dívidas odiosas contraídas pelas ditaduras, feitas para subjugar e reprimir, combinam-se com dívidas expansivas que paradoxalmente quanto mais se pagam, mais crescem. As dívidas não foram contraídas pelos povos, mas sim contra eles".
De acordo com o manifesto, a IV Frota, o Plano Colômbia, a Iniciativa Mérida e os Comandos Sul e Norte são tidos como os antigos navios canhoneiros que impunham os empréstimos quando das Guerras de Independência, porém encobertos por sutis mecanismos financeiros. Dessa forma, os manifestantes acreditam que dívidas contraídas assim são ilegítimas e já foram pagas várias vezes.
A decisão do governo equatoriano, tomada no dia 20 de novembro deste ano, é qualificada como um ato "da maior transcendência histórica", ao se propor a julgar os responsáveis por contrai-la e a usá-la em nome do povo. "Diante da crise financeira e da recessão econômica provocada pela voracidade das corporações transnacionais, que agora querem fazer que nossos povos a paguem, é indispensável estender em nível mundial o rechaço definitivo ao pagamento da dívida ilegítima", afirmam.
Por fim, os assinantes do manifesto se comprometem a promover a criação de uma Rede Mundial contra a Dívida ilegítima e os Tributos Coloniais, em coordenação com todas as atividades existentes contra o pagamento da dívida. Entre as personalidades que já assinaram o documento, encontram-se o Prêmio Nobel da Paz, o argentino Adolfo Pérez Esquivel; o dominicano Frei Betto; o sociólogo estadunidense Immanuel Wallerstein; o escritor uruguaio Eduardo Galeano.

Para aderir ao manifesto, escreva para anacecena@gmail.com

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil
Para receber o Boletim de Notícias da Adital escreva a adital@adital.com.br