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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Colômbia/«NUNCA SE AVANÇOU TANTO, COM UMA AGENDA E A TERRA COMO PRIMEIRO PONTO»

19 agosto 2013,  ODiario.infohttp://www.odiario.info/ (Portugal)

Ainara Lertxundi*

Dick Emanuelsson tem feito, como correspondente para a América Latina, a cobertura do conflito na Colômbia no decurso de quase três décadas. Viveu de perto os processos de Casa Verde, San Vicente del Caguán e o que actualmente se desenvolve em Cuba. Em 2005 teve de deixar a sua casa de Bogotá devido a ameaças de morte. Os serviços secretos tinham uma pasta com 476 folios sobre a sua pessoa.

Casa Verde, San Vicente del Caguán e Havana. Três processos de negociações entre as FARC-EP e o Governo colombiano que fazem parte da dilatada trajetória profissional do jornalista sueco Dick Emanuelsson como correspondente para América Latina. Em mais de uma ocasião penetrou nas montanhas colombianas para entrevistar a guerrilha, tem investigado a morte de sindicalistas às mãos de paramilitares e retratado a situação do campesinato.

Visitando Euskal Herria, Emanuelsson veio à redacção de GARA para relatar a sua experiência em Colômbia e as suas impressões sobre as conversações de Havana.

¿Como realiza um jornalista o seu trabalho sabendo que está sendo espiado e que essa vigilância pode pôr em perigo as suas fontes?

Quando cheguei à Colômbia e me registei como jornalista, um colega disse-me ‘Dick, tem muita cautela

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

AS FARC E AS LIGAÇÕES COM O BRASIL

Elaine Tavares *

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br

19 agosto 2008

Adital - Ventilam na imprensa brasileira informações sobre supostas ligações do governo de Lula com as FARC, da Colômbia. Aparecem nomes como o de José Dirceu, o chefe de gabinete do presidente, Gilberto Carvalho, e até o ministro Celso Amorim. As informações, requentadas por jornalistas brasileiros, foram divulgadas pela revista colombiana Cambio, do grupo editorial El Tiempo, que tem entre seus diretores membros da família do atual Ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos. O ministro é o mesmo que deu, em primeira mão para o jornal El Tiempo, também da sua família, a informação de que haviam confiscado o computador pessoal de Raúl Reyes, do ataque no qual o mesmo resultou morto. Desde então, este supercomputador tem servido de cornucópia de informações sobre praticamente todos os inimigos da política estadunidense que, por incrível coincidência, estavam listados na máquina do guerrilheiro.

É importante lembrar que as Forças Armadas Colombianas formam um grupo insurgente e popular que luta pela soberania daquele país desde os anos 60, quando em toda a América Latina pipocaram dezenas de movimentos de libertação. Alguns deles foram vitoriosos, como o caso dos sandinistas na Nicarágua, outros foram sendo destruídos pelas forças dos governos ditatoriais em parceria com mercenários estadunidenses. As FARCs vêm resistindo a todos os embates com os governos de seu país e ao complexo e anti-nacional Plano Colômbia fechado em Washington por dirigentes colombianos, em 1992. Já o grupo editorial El Tiempo é formado por poderosos grupos da oligarquia que sempre esteve no poder na Colômbia, controlando a maioria dos meios de comunicação que funcionam como usinas ideológicas a serviço do status quo. Logo, fica bastante difícil confiar nas informações que são divulgadas pelos seus veículos, sejam eles impressos, televisivos, radiofônicos ou distribuídos na internet. Pior ainda se a fonte for o ministro do governo Uribe, que é filho do editor do jornal e digno representante da elite colombiana.

Assim, é totalmente inverossímil que alguns jornalistas, ditos sérios, possam cair no conto de que estas "supostas ligações" tenham sido descobertas no computador de Raúl Reyes, o líder guerrilheiro assassinado pelas forças colombianas no território do Equador. E acaba sendo surpreendente perceber que poucos "escribas" nacionais falem sobre a ação criminosa de Álvaro Uribe - invadindo um país soberano - mas desperdicem papel especulando sobre os famosos correios eletrônicos que Reyes teria em seu computador, e dos quais não se têm qualquer prova, a não ser a palavra do ministro.

Raúl Reyes era um intelectual, um homem das letras. Ele sabia muito bem que, na guerra, o elemento mais valioso é a informação. Sendo assim, fica difícil acreditar que ele deixaria arquivado num computador todos os nomes e telefones de pessoas que possam ter algum dia ajudado a guerrilha. Também parece pouco provável que numa ação de guerra tão feroz como foi o ataque feito na selva equatoriana, apenas o computador "indestrutível" do líder das FARC sobraria intacto para que a inteligência colombiana pudesse descobrir os e-mails.

A história do computador de Raúl Reyes, que armazenava correios desde a metade dos anos 90, quando a Internet ainda era um instrumento quase que exclusivamente acadêmico, é tão espetaculosa que só mesmo num livro de García Marques poderia ser verossímil. Ao que parece pelo menos isso os militares colombianos têm de bom. Conhecem muito bem o realismo fantástico de seu compatriota e supõe que: se Macondo é possível, porque não um "super/mega/power computador" e um líder néscio o suficiente para registrar tudo em detalhes? Também é importante ressaltar que a Interpol, que supostamente teria conseguido recuperar as informações, violou todas as regras de investigação comumente definidas para este tipo de questão, tornando igualmente pouco crível a história.

O fato é que toda a história de computador, ligações perigosas e terrorismo é uma ação ideológica do estado colombiano para desviar a atenção daquilo que verdadeiramente importa, ou seja, a crescente ocupação do território colombiano por marines estadunidenses que buscam dar fim às lutas de libertação popular em vigor desde o final dos anos 60.

Para melhor compreender o que são as FARC é preciso voltar no tempo e estudar a história da Colômbia. Um país que entrou em convulsão social no ano de 1948 deixando sua população totalmente desprotegida diante da barbárie. Por conta disso as comunidades precisaram se armar para defender suas vidas e seus lares. Como os governos que se sucederam não atacaram as causas da violência endêmica, alguns grupos, alinhados politicamente com as idéias de socialismo e libertação, principiaram um processo revolucionário e desde então vêm lutando no país. A questão do narcotráfico apareceu muito depois e sempre teve o apoio da inteligência estadunidense, porque desta forma poderia ser um bom motivo para levar a cabo o processo de ocupação do país.

A Colômbia é um país que, ocupado pelos marines, serve como porta de entrada para uma das maiores riquezas do planeta: a região amazônica. Daí o interesse estratégico dos governos estadunidenses. Quando, em 1999, o presidente colombiano Andrés Pastrana foi a Washington com um projeto de combate ao tráfico de cocaína, este projeto foi totalmente remodelado pelos assessores do presidente Clinton - de olho na Amazônia - e é nesta época que se inicia a ocupação militar estrangeira no país. Os grupos armados, de natureza socialista, como as FARC e o Exército de Libertação Nacional (ELN), o que têm feito é lutar para que a soberania do povo colombiano seja recuperada. É certo que a guerrilha, passados mais de 40 anos de luta renhida, está fragmentada e muitas são as correntes de pensamento e ação dentro dos grupos insurretos, mas isso não os torna terroristas ou narcotraficantes.

O tráfico de drogas existe, é real, e tem ramificações poderosas em todos os setores da sociedade colombiana, inclusive junto aos paramilitares, nas fileiras governamentais e no poder judiciário. Nem mesmo o presidente do país escapa das capilares malhas. O jornal estadunidense New York Times divulgou em 02 de agosto de 2004 -

(http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=9507E3DF163CF931A3575BC0A9629C8B63) - uma reportagem na qual mostra o atual presidente Álvaro Uribe como um dos integrantes da lista (blacklist) dos implicados com o narcotráfico, feita pelo poderoso Departamento de Combate a Drogas dos Estados Unidos. A matéria fala de Uribe como sendo uma pessoa muito próxima de Pablo Escobar, o famoso narcotraficante que consolidou o papel da Colômbia como uma dos maiores produtores de cocaína do mundo. Portanto, imputar às FARC ou a ELN o rótulo de terroristas e traficantes nada mais é do que inverter a lógica, trocar os papéis.

A ação militar que se leva a cabo hoje na Colômbia, com o uso ilegal de mercenários a soldo estadunidense, esta, sim, é terrorista. É o chamado terrorismo de Estado, perpetrado pelo próprio governo. Ao povo, resta a defesa e aí, as guerrilhas são a mais clara expressão desta defesa. Porque essa gente luta por uma Colômbia livre, soberana e capaz de gerir seus próprios problemas, sem precisar da intervenção do exército estadunidense e muito menos dos assassinos paramilitares. Agora, daí a crer que estas informações sobre pessoas da esquerda do mundo todo estejam saindo do computador sobrevivente do bombardeio clínico efetuado por soldados dos Estados Unidos, já é muito realismo mágico para nossas cabeças de simples mortais. Seria bom que os jornalistas cortesãos pudessem estudar mais. Porque dizer isso ou é completo desconhecimento da história, ou o pior, é ser agente de propaganda de um sistema falido e comprovadamente criminoso.

Se todas estas informações que o jornal do pai do ministro diz que foram encontradas no computador de Raúl Reyes são reais e verdadeiras, porque o governo de Álvaro Uribe não encaminha um relatório completo e oficial a todos os países integrantes da OEA? Essa seria sua primeira obrigação. Mas, o que se vê é um governo dirigir sua política externa a partir de chantagens, nominando esta ou aquela liderança latino-americana, de preferência as que incomodam ao sistema, e acusando-as, sem qualquer prova, de terrorismo ou de co-participação no processo de guerrilha. Quem em sã consciência pode crer num governo que usa o terrorismo de estado, que apóia mercenários, e que faz acusações a partir de um computador que ninguém viu? Não será ele filho da mesma escola que inventou provas inexistentes de armas químicas no Iraque?

Os jornalistas deveriam ser um pouco mais perguntadores, como ensinava o grande Marcos Faermann.

* Jornalista no IELA - Instituto de Estudos Latino Americanos/UFSC

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil
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quarta-feira, 11 de junho de 2008

COMO TRANSFORMAR CHÁVEZ EM UM TERRORISTA EM DOIS MESES

11 junho 2008/Agência Carta Maior http://www.cartamaior.com.br

CRONOLOGIA DE UMA MONTAGEM

Como transformar Chávez em um terrorista em dois meses

O bombardeio de um acampamento das FARC no Equador, por parte da Colômbia, iniciou uma autêntica guerra midiática. Qualquer semelhança entre a versão da grande mídia e a realidade é mero acaso. Saiba como operou o eixo midiático formado pelos jornais The Wall Street Journal (EUA), El Tiempo (Colômbia) e El País (Espanha).

Data: 03/06/2008

Primeiro disseram que era ditador, mas não convenceram ninguém, por ser ele o presidente americano que mais eleições ganhou. Depois propagaram que ele estava se armando até os dentes e era um perigo para a estabilidade da região, mas a verdade é que Chávez nunca utilizou uma única arma fora de seu país. Ou seja, que o último lance é transformá-lo em terrorista, por meio de uma operação midiática de dois meses. Vamos repassar a cronologia da operação e comparemos cada acontecimento: a versão do eixo midiático (El País, El Tiempo, The Wall Street Jornal, o presidente colombiano Uribe, a Casa Branca) e a versão do que realmente aconteceu.

1º DE MARÇO DE 2008

VERSÃO DO EIXO MIDIÁTICO: O Exército colombiano ataca um acampamento das FARC em uma perseguição perto da fronteira do Equador. A notícia ocupa a primeira página da imprensa internacional.

VERSÃO REAL: O Exército colombiano bombardeou um acampamento com os representantes internacionais das FARC às três da manhã, enquanto todos dormiam. Para isso, invadiram território equatoriano adentrando dois quilômetros no país. Assassinaram, também, três estudantes mexicanos de uma delegação que estava se entrevistando com o comandante Raúl Reyes. Utilizaram tecnologia e mísseis norte-americanos e, depois, assassinaram os feridos com um tiro de misericórdia. Essa delegação guerrilheira estava no Equador para negociar com as autoridades francesas a libertação de Ingrid Betancourt. A morte de Reyes abortou essa operação. Todos estes elementos vão se tornando conhecidos posteriormente, pouco a pouco, e são incorporados somente nas páginas interiores dos jornais. Outro detalhe a ser considerado é que o jornal El Tiempo é propriedade da família Santos, e seu diretor – Enrique Santos –é irmão do ministro de Defesa – Juan Manuel Santos – e primo do vice-presidente colombiano, Francisco Santos.

9 E 10 DE MAIO DE 2008

VERSÃO DO EIXO MIDIÁTICO: No dia 9 de maio, The Wall Street Journal afirma que teve acesso a documentos procedentes do computador de Raúl Reyes, os quais confirmariam que Chávez enviou dinheiro para as FARC. A notícia é reproduzida pelo jornal El Tiempo e por todas as agências internacionais. No dia seguinte, 10 de maio, o jornal El País, da Espanha, afirma que também teve acesso aos documentos de Raúl Reyes e tem como manchete “Os papéis das FARC acusam Chávez”. Mais uma vez, o jornal El Tiempo reproduz a notícia.

15 DE MAIO DE 2008

A Interpol torna público o relatório sobre os supostos computadores de Raúl Reyes.

16 DE MAIO DE 2008

VERSÃO DO EIXO MIDIÁTICO: A imprensa norte-americana, espanhola e colombiana tem como manchete que o relatório da Interpol revela que os computadores eram das FARC e que não foram manipulados pelas autoridades colombianas. O jornal El País afirma que “segundo a agência policial, a Venezuela financiou as FARC”.

VERSÃO REAL : O relatório da Interpol não faz nenhuma referência ao conteúdo dos arquivos, uma vez que, tal e como esclarecem no início, os especialistas informáticos que fizeram a vistoria “eram provenientes de fora da região e não falavam espanhol” – eram asiáticos –, com a finalidade de “eliminar a possibilidade de que fossem influenciados pelo conteúdo dos dados que estavam analisando”. O relatório confirma que milhares de arquivos apresentam data falsa: “2.110 arquivos cujas datas de criação oscilam entre 20 de abril de 2009 e 27 de agosto de 2009; 1.434 arquivos cujas datas de última modificação variam entre 5 de abril de 2009 e 16 de outubro de 2010” e que nos três computadores os discos rígidos externos e as chaves USB foram conectados depois do ataque e antes de serem entregues aos investigadores de informática forense da polícia judiciária colombiana. A Interpol denuncia, portanto, que “o acesso aos dados contidos nas citadas provas não se ajustou aos princípios reconhecidos internacionalmente para o tratamento de provas eletrônicas por parte dos organismos encarregados da aplicação da lei”, ao ponto de que em dias posteriores ao 1º de março de 2008, ou seja, estando em mãos das autoridades colombianas, fica comprovada a “criação de 273 arquivos de sistema, a abertura de 373 arquivos de sistema e de usuário, modificação de 786 arquivos de sistema e eliminação de 488 arquivos de sistema”.

Quanto à procedência desses computadores, o relatório começa esclarecendo que “a verificação realizada pela Interpol das oito provas instrumentais citadas não implica na validação da exatidão dos arquivos de usuário que elas contêm, da interpretação que qualquer país possa fazer desses arquivos, nem da sua origem”.

Nesse mesmo dia é celebrada a Cúpula América Latina e Caribe-União Européia, em Lima. O assunto dos computadores das FARC e as acusações contra Chávez dominam a agenda informativa.

CONCLUSÕES

O desenvolvimento das informações difundidas mostra uma clara coordenação entre meios norte-americanos, como The Wall Street Journal, e os jornais El País e El Tiempo. É possível observar que El Tiempo começou difundindo os “vazamentos” do Governo sobre as circunstâncias do ataque, todos desmentidos posteriormente. Por isso, passaram para a estratégia de que fossem os meios amigos internacionais os que recebessem os vazamentos e difundissem os supostos conteúdos dos computadores. E foi assim que operou o eixo midiático integrado pelo tridente El Tiempo-El País-The Wall Street Journal. Ou seja, o jornal colombiano vinculado com o Governo; o espanhol, cuja empresa aspira obter a concessão de uma licença de televisão aberta na Colômbia e o jornal norte-americano que se encarregou da informação econômica mundial e que representa a ideologia conservadora estadunidense. Um maquinário bem engraxado para convencer o mundo de que Chávez é um terrorista. Afinal de contas, no Iraque deu certo acusar Sadam de manter relações com Al-Qaeda.

ASSOCIAÇÃO DE VÍTIMAS DO COMPUTADOR DE REYES : QUE NÃO FALTE O HUMOR

Que tenham aparecido computadores, discos rígidos e memórias portáteis em perfeito estado depois de um bombardeio é algo que provocou uma seqüência de comentários humorísticos na Venezuela. O escritor Roberto Hernández Montoya assinalou que “sua carcaça, de uma liga de concubinato de chumbo com pizzicato de titânio reforçado, torna-o invulnerável a mísseis de todo tipo, a bombas de fragmentação, a bombas inteligentes e a qualquer arsenal proibido por acordos internacionais. Você morre arrebentado e o computador continua como uma uva e produzindo materiais ao desejo do novo usuário”. Não falta quem tenha dito que não seria estranho que, mais adiante, algum porta-voz da Casa Branca mencione os vínculos ‘sinistros’ de Obama com as FARC —porque isso mostrariam os documentos dos computadores— após as declarações do democrata de que estaria disposto a “manter conversações diretas com os dirigentes de países como Irã, Síria, Cuba ou Venezuela”.

Ainda no plano do humor, foi criada a Associação de Vítimas do Computador de Raúl Reyes, cuja primeira atividade será a convocatória para um concurso de contos: solicitaram à população que envie relatos inverossímeis, tal como os que aparecem no computador de Reyes. O mais incrível e inexato dos contos será o que levará o prêmio, que vai consistir, é claro, em um computador. Inclusive há uma paródia na televisão estatal que apresenta um computador, resgatado dos restos do Titanic no fundo do Atlântico e completamente seco, que guarda informações sobre as relações de Uribe com pessoas à margem da lei.

Pascual Serrano é jornalista. Acaba de publicar "Meios violentos. Palavras e imagens para o ódio e a guerra". Maio 2008. El Viejo Topo.

Tradução: Naila Freitas / Verso Tradutores

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15031