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quinta-feira, 11 de julho de 2019

CPLP/Guiné-Bissau: nasce uma Islândia africana?


09/07/2019 11:38, Carta Maior  (Brasil) https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Pelo-Mundo/Guine-Bissau-nasce-uma-Islandia-africana-/6/44611

Por Wellington Calasans, para a Carta Maior

A democracia venceu na Guiné-Bissau. Esta notícia parece não fazer parte do novo padrão de notícias que merecem destaque em tempos de internet. É uma notícia boa e narra como o povo guineense é protagonista das decisões sobre o próprio futuro e o futuro que deseja para seu país.

É imperativo que seja feito um paralelo entre esta semente de democracia, plantada naquele pequeno país africano de língua portuguesa, e a luta dos islandeses em 2008. Assim como a Guiné-Bissau, apesar de ser um país pequeno e com uma população inferior à de muitas cidades brasileiras, a Islândia é um exemplo recente de consciência cidadã, um modelo a ser seguido quando falamos sobre a importância da luta de um povo, razão que faz a imprensa tentar esconder esta grande revolução desarmada.

De volta à Guiné-Bissau, na noite de 8 de março de 2019, precisamente dois dias antes das eleições legislativas, a Polícia Judiciária guineense, numa operação altamente secreta, interceptou e prendeu na capital Bissau um caminhão. Surpreendentemente, o Presidente da República José Mário Vaz, conhecido por JOMAV, tentou influenciar sem êxito a direção da Polícia Judiciária para que fosse concedida a libertação daquele transporte de carga. Não demorou muito para se soubesse a razão de tamanha importância

quarta-feira, 20 de julho de 2016

UMA ILHA AFRICANA



17 julho 2016, Odiario.info http://www.odiario.info (Portugal)

Carlos Pereira, Jornalista

A solidariedade internacionalista do povo cubano foi um exemplo único que superou toda e qualquer proporcionalidade que se queira encontrar.

Por isso, «as forças progressistas e os povos da África jamais esquecerão o contributo da Revolução Cubana para a libertação do continente e o sangue derramado pelos cubanos, muitos deles descendentes de escravos africanos levados à força, séculos antes, para o Caribe».

Evidenciando os laços históricos que unem os povos de Cuba e África, Amílcar Cabral disse um dia que a terra de Fidel «é uma ilha africana perdida no Mar do Caribe». Sentimento partilhado pelo revolucionário cubano, para quem Cuba «é um país latino-africano».

Assassinado em 1970 por agentes do colonialismo português, o líder da luta política e armada pela independência nacional da Guiné-Bissau e de Cabo Verde era

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

INTERNACIONALISMO CUBANO EN ÁFRICA

30 septiembre 2015, Rebelión http://www.rebelion.org (México)


A Jorge Risquet Valdés, combatiente revolucionario recientemente fallecido y, obviamente, al pueblo cubano

El 7 de diciembre es una fecha que nunca pasará desapercibida para el pueblo de Cuba. Ese mismo día, pero de 1896, cayó combatiendo en San Pedro, Punta Brava, el Lugarteniente General del Ejército Libertador Antonio Maceo Grajales y su ayudante, el capitán Panchito Gómez Toro, hijo del General mambí Máximo Gómez. Treinta y ocho años después y en la misma ciudad que el Titán de Bronce —Santiago de Cuba— nacía Frank Isaac País García, destacado luchador clandestino contra la tiranía batistiana. Y el 7 de diciembre de 1989, hace ya casi veintiséis años y 119 después del primer hecho aludido en este escrito, culminó en toda Cuba la Operación Tributo.

Ésta operación consistió en el traslado a la Isla de los restos mortales de más de 2.000 internacionalistas cubanos caídos en misiones en África. En medio de una gran conmoción, los combatientes repatriados fueron inhumados en los Panteones de los Caídos, acondicionados para la ocasión en cada uno de los 169 municipios del país —a cada uno en su lugar de origen, aunque el acto central fue celebrado en el Cacahual, lugar donde descansan los restos de Maceo y Gómez Toro—. Previamente, en el cementerio de la Misión Cubana en Angola, los especialistas del Instituto de Medicina Legal habían hecho un extraordinario y exhaustivo trabajo de identificación y preparación de los cadáveres.

Pero, como no podía ser de otra manera, tan magna y emotiva jornada tuvo sus antecedentes que, por su enorme y positiva trascendencia, así como por el descarado empeño por parte del imperio en ocultarlos y tergiversarlos, bien vale la pena recordar.

La Revolución Cubana no sólo se consagró a su propia defensa —ahí tenemos el caso de Playa Larga y Playa Girón, donde en abril de 1961 y en sólo 66 horas, el Ejército Rebelde y las Milicias liquidaron la invasión mercenaria apoyada y financiada por el gobierno de los Estados Unidos—, también se dedicó a prestar ayuda —siempre altruista— a infinidad de causas justas en numerosos países de África y de América Latina.

Por la República Popular de Angola, en el transcurso de los casi dieciséis años que duró la “Operación Carlota” [1], llegaron a pasar 377.033 combatientes

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

GUINÉ-BISSAU ULTRAPASSA CRISE*

26 setembro 2015, ODiario.info http://www.odiario.info (Portugal)


A Guiné-Bissau vivia desde Agosto uma crise política e institucional, situação que está longe de ser inédita naquele país. Contrariando um historial de violência política e militar, nesta crise na Guiné-Bissau parece ter sido encontrada uma solução pacífica, sem intervenção das Forças Armadas e no respeito pelas decisões dos tribunais, neste caso o Supremo Tribunal de Justiça.

No momento em que passa o 42.º aniversário da proclamação do Estado da Guiné-Bissau, os dirigentes guineenses procuram ultrapassar mais uma crise no país.

Carlos Correia, 1.º vice-presidente do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde), indigitado por este partido, foi escolhido para primeiro-ministro e encarregado de formar um novo governo. O experiente político – tem 81 anos, é engenheiro agrónomo, chefiou o governo em três outras ocasiões, é um veterano da luta de libertação nacional

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Angola/HISTÓRIAS DE FEVEREIRO (I)

6 fevereiro 2015, Página Global http://paginaglobal.blogspot.com.br (Portugal)

Martinho Júnior, Luanda 

1 – O 4 de fevereiro de 1961 foi para Angola como o soar duma trombeta de revolta, impossível de não se fazer ouvir, nem sentir, dentro e muito para lá das fronteiras angolanas.

A data foi criteriosamente escolhida para a produção do acontecimento, aproveitando-se o facto de estarem presentes em Luanda muitos jornalistas estrangeiros que aguardavam a chegada do paquete Santa Maria (rebaptizado pelos revoltosos de Santa Liberdade), que deveria estar em rota desde a América Central.

O paquete tomado por revoltosos portugueses e galegos a 22 de janeiro de 1961, não chegou, mas os jornalistas tiveram “de bandeja”, o 4 de fevereiro por relatar.

Efectivamente o agrupamento daqueles 150 patriotas angolanos, que com toda a legitimidade se levantava contra o regime fascista-colonial do “Estado Novo”, ainda que recorrendo a armas arcaicas, preencheram a oportunidade e colocaram Angola no centro das atenções internacionais.
  
2 – Os revoltosos produziram um ataque a duas cadeias de Luanda (São Paulo e Casa da Reclusão), onde se encontravam presos vários dos seus compatriotas angolanos, que

terça-feira, 24 de junho de 2014

RESPEITAR A DEMOCRACIA

24 Junho 2014, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)


A tomada de posse ontem do novo Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, eleito em Maio, marca o início de um período de normalidade constitucional naquele país de língua portuguesa, que conheceu sucessivas crises políticas.

São  muitas as esperanças de um futuro melhor na Guiné-Bissau depositadas  em José Mário Vaz, um economista com experiência governativa (já foi ministro das Finanças de 2009 a 2012) que tem a pesada responsabilidade de reerguer da crise política um país que  precisa  de se concentrar na reconstrução  económica.

Mário Vaz, que foi candidato do histórico Partido Africano  para a Independência  da Guiné (PAIGC) às presidenciais deste ano, que venceu com 61,9 por cento dos votos, sabe

quarta-feira, 21 de maio de 2014

CPLP, Guiné-Bissau/Depois do Parlamento PAIGC ganha a presidência


21 maio 2014, Jornal Notícias http://www.jornalnoticias.co.mz (Moçambique)
 
José Mário Vaz venceu as eleições presidenciais na Guiné-Bissau, de acordo com os resultados provisórios anunciados ontem por Augusto Mendes, presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE).
 
Mário Vaz, apoiado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), obteve 61,9 por cento dos votos na segunda volta das eleições presidenciais, realizada no domingo, enquanto o candidato Nuno Nabian recolheu 38,1 por cento.
 
O PAIGC já tinha conquistado a maioria absoluta nas eleições legislativas de 13 de Abril (mesma data da primeira volta das presidenciais) e consegue agora eleger

sábado, 19 de abril de 2014

ELEIÇÕES NA GUINÉ-BISSAU: PAIGC, o grande vencedor

18 abril 2014, Jornal Noticias http://www.jornalnoticias.co.mz (Moçambique)

O PAIGC volta ao poder na Guiné-Bissau, dois anos depois de seu governo ter sido derrubado por militares. Nas eleições gerais de domingo o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde conquistou a maioria absoluta. Mas o PCD e o PRS contestam os resultados. Nas presidenciais, o candidato do PAICV e um independente decidem dia 18 de Maio o futuro chefe de Estado do país.

Os guineenses foram domingo às urnas para escolher o presidente da Republica, entre 13 candidatos, e a composição da Assembleia Nacional Popular (Parlamento), entre 15 partidos.

Segundo os resultados provisórios

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Guiné-Bissau/UM ESTADO NASCIDO NA LUTA



5 setembro 2013, Avante http://www.avante.pt (Portugal)

Carlos Lopes Pereira

Os patriotas da Guiné-Bissau vão comemorar o 40.º aniversário do nascimento da sua República com orgulho e empenhados em libertar-se da ditadura militar e retomar os caminhos do progresso.

Há quatro décadas, o surgimento do novo estado ocorreu em plena luta armada de libertação nacional conduzida pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) contra o colonialismo português.

Para a ditadura salazarista-marcelista, em especial para o seu representante na Guiné, general António Spínola, tratou-se de uma colossal derrota política e militar que contribuiu decisivamente para o eclodir, meses depois, do 25 de Abril, a que se seguiu a revolução, o derrubamento do fascismo e a derrocada do sistema colonial português.

A 24 de Setembro de 1973, às 8 horas e 55 minutos (TMG), reunida nas áreas libertadas do Boé, no Leste, a primeira Assembleia Nacional Popular guineense proclamou o nascimento do Estado da Guiné-Bissau – com uma parte do território ainda ocupada por forças estrangeiras

quinta-feira, 24 de maio de 2012

LIBERDADES SOB SEQUESTRO NA GUINÉ-BISSAU

19 maio 2012/Odiario.info http://www.odiario.info (Portugal)


Num país há mais de um mês sem governo, as manifestações estão proibidas, a liberdade de informação é escassa, há pessoas que permanecem escondidas, outras continuam refugiadas em embaixadas. Os militares perseguem membros do governo derrubado, dirigentes partidários e quadros do aparelho de justiça, tendo divulgado uma lista de individualidades proibidas de deixar o país.
O golpe de estado militar na Guiné-Bissau foi “legitimado” pela Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (Cedeao). Foram assim ignoradas decisões da própria organização e de outros fóruns internacionais como ONU, União Africana, União Europeia e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que condenaram o golpe de 12 de Abril e ameaçaram os autores com sanções e uma força de interposição.
Dois enviados da Cedeao, os ministros dos negócios estrangeiros da Nigéria e da Costa do Marfim, nomearam na semana passada, em Bissau, com o apoio dos golpistas e seus aliados, um presidente da república pelo período de um ano. Trata-se de Serifo Nhamadjo, vice-presidente do parlamento, dissidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que concorreu às eleições presidenciais de Março, ficando em terceiro lugar com 15% dos votos. Nhamadjo anunciou que vai escolher o primeiro-ministro de um governo “de transição”, mas o PAIGC rejeitou liminarmente participar ou pactuar com qualquer solução que legitime o golpe e seja um “prémio” para os golpistas.
O reconhecimento “de facto” do movimento liderado pelo general António Indjai e pela cúpula das forças armadas agrava o isolamento do país. Organizações internacionais suspenderam já os programas de auxílio económico e Cabo Verde – historicamente ligado à Guiné-Bissau e também membro da Cedeao – anunciou que não reconhece qualquer presidente ou governo saído de um golpe de estado.
Poucos acreditam que a Cedeao consiga cumprir a decisão de enviar uma força militar capaz de assegurar a transição, de fazer avançar a reforma das forças de defesa e segurança (impedida pelo golpe) e de combater o narcotráfico. Apesar de a Nigéria parecer empenhada em travar a influência de Angola na sub-região.
Num país há mais de um mês sem governo, as manifestações estão proibidas, a liberdade de informação é escassa, há pessoas que permanecem escondidas, outras continuam refugiadas em embaixadas. Os militares perseguem membros do governo derrubado, dirigentes partidários e quadros do aparelho de justiça, tendo divulgado uma lista de individualidades proibidas de deixar o país.
Também é incerta a situação de Carlos Gomes Júnior, o líder do PAIGC, primeiro-ministro nos últimos anos e candidato vencedor da primeira volta das eleições presidenciais com 49% dos votos, e de Raimundo Pereira, presidente da república interino, que foram presos na noite do golpe e mais tarde libertados e enviados para Abidjan. Sabe-se que estão na capital marfinense mas com a liberdade condicionada, até porque a Costa do Marfim, com a Nigéria e o Senegal, tem sido dos países mais activos na implementação da solução imposta pela Cedeao.
Quanto à situação económica e social, as organizações não-governamentais (ONG) guineenses denunciam o não funcionamento dos serviços públicos, o não pagamento dos salários aos funcionários do Estado, os entraves colocados à campanha da castanha de caju, principal fonte de receita do país e da maioria dos camponeses, a suspensão de projectos apoiados por instituições internacionais e a paragem quase completa da vida económica. Tudo isso “está a provocar uma situação de aumento acentuado dos níveis de pobreza e vulnerabilidade das populações do mundo rural e dos bairros da capital”.
As ONG criticam também a paralisação do ensino e explicam que o golpe de estado no início da campanha do caju e em vésperas da preparação do ano agrícola compromete a segurança alimentar, a situação sanitária e a economia das populações, situação agravada pela fuga das populações da capital para o interior e pelo risco de propagação de epidemias.
Tal como o PAIGC e outros partidos e movimentos sociais que constituíram uma frente anti-golpe, as ONG traçam um quadro severo da situação na Guiné-Bissau. Hoje, com uma administração estatal inoperante, a desorganização e a incerteza reinantes estão “a favorecer a pilhagem crescente” dos recursos, pela maior permeabilidade das fronteiras, e estão, sobretudo, “a contribuir para a intensificação de negócios ilícitos como o narcotráfico”.
Rejeitando “arquitecturas políticas” que visam contornar o retorno à legalidade democrática exigida pelos guineenses, as ONG defendem a restauração da ordem constitucional e a reinstalação do governo eleito e do presidente da república interino, bem como a retoma do processo eleitoral presidencial interrompido, como recomenda o Conselho de Segurança das Nações Unidas. E pedem o restabelecimento das liberdades fundamentais sob sequestro e um processo de diálogo em que participem as autoridades democraticamente eleitas, as instituições legítimas do estado, os partidos políticos, a sociedade civil e as organizações internacionais envolvidas.


(Artigo publicado no “Avante!” Nº 2007, 17 de Maio de 2012)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

SOLIDARIEDADE COM A PÁTRIA DE AMÍLCAR CABRAL*


28 abril 2012/ODiario.info http://www.odiario.info (Portugal)


O golpe castrense na Guiné-Bissau, concretizado quando a segunda volta das eleições estava marcada para finais de Abril, visou impedir a previsível vitória do candidato do PAIGC e bloquear a reforma das forças armadas e de segurança guineenses que estava em curso com apoio de Angola, que instalou em Bissau uma missão técnica de cooperação militar. 

Quase duas semanas depois do golpe de estado militar de 12 de Abril, a Guiné-Bissau continua sem governo. Apesar das manifestações de rejeição no país e na diáspora e da condenação internacional, o «comando militar», cuja chefia e composição são desconhecidas, ainda não recuou. 

O presidente interino Raimundo Pereira e o líder do PAIGC e candidato presidencial Carlos Gomes Júnior continuam presos. Há também um número indeterminado de militares e civis detidos. Ministros e dirigentes do partido são perseguidos e alguns deles encontram-se escondidos ou refugiados em embaixadas. Há notícia de pilhagens de casas e bens de pessoas ligadas ao poder. Manifestações de jovens contra o golpe foram reprimidas no centro de Bissau. Muitas famílias abandonaram a capital com receio de uma escalada da violência. Estações de rádio privadas foram proibidas de emitir e há restrições ao trabalho dos jornalistas. O aeroporto, bancos, serviços públicos, bombas de combustível encerraram ou funcionam mal. Há um clima generalizado de medo e incerteza.

O golpe militar interrompeu o processo de eleições para a presidência da República, convocadas após a morte, em Janeiro, do presidente Bacai Sanhá. Em Março realizou-se a primeira volta e, sem surpresas, o candidato do PAIGC, Carlos Gomes Júnior, ganhou o escrutínio com 49 por cento dos votos, seguido por Kumba Ialá, apoiado pelo PRS, na oposição. O acto foi validado pelas autoridades guineenses e por observadores estrangeiros e as reclamações de candidatos derrotados foram consideradas sem fundamento pela comissão de eleições e pelo Supremo Tribunal.

O golpe castrense, concretizado quando a segunda volta das eleições estava marcada para finais de Abril, visou impedir a previsível vitória do candidato do PAIGC e bloquear a reforma das forças armadas e de segurança guineenses que estava em curso com apoio de Angola, que instalou em Bissau uma missão técnica de cooperação militar.

Em Bissau, o PAIGC, apesar da perseguição movida aos dirigentes, divulgou posições de firme repúdio pela acção militar e acusou a liderança do PRS de conluio com os golpistas. Exigiu a libertação do presidente e do primeiro-ministro sob sequestro, bem como de todos os presos, a reposição da legalidade constitucional e o retomar do processo eleitoral, ao mesmo tempo que rejeitou qualquer solução governativa «de transição».

De igual modo, outros partidos, os sindicatos, a Igreja Católica e diferentes movimentos sociais opõem-se a qualquer negociata ao arrepio da legalidade democrática.

No plano internacional, o Conselho de Segurança da ONU condenou o golpe e ameaçou os seus autores com sanções e outras medidas. Uma posição de repúdio foi também adoptada pela União Africana, pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e pela União Europeia.

Em Portugal, o Partido Comunista Português condenou o golpe em Bissau e considerou fundamental uma solução no quadro constitucional, «garantia para que o povo guineense possa decidir dos seus próprios destinos livre de qualquer ingerência externa». Expressando solidariedade ao PAIGC e ao povo guineense, o PCP exigiu a libertação dos dirigentes presos e alertou «para eventuais aproveitamentos da actual situação que coloquem em causa a soberania e independência nacional da Guiné-Bissau».

Pequeno território com um milhão e meio de habitantes, de grande diversidade étnica, a Guiné-Bissau conquistou a independência em 1973 depois de uma heróica e exemplar luta armada de libertação nacional que derrotou o colonialismo e contribuiu para desencadear em Portugal o 25 de Abril. Sem grandes riquezas naturais exploradas, o país foi vítima desde 1980 de vários golpes de estado, guerras civis e assassinatos de dirigentes, situação a que não será alheia a sua utilização como placa giratória do tráfico de droga entre a América do Sul e a Europa.

Sendo importantes a solidariedade das forças progressistas mundiais e a cooperação internacional, terá de ser principalmente o povo guineense – os partidos democráticos, os trabalhadores e suas organizações, os movimentos sociais, os jovens, os antigos combatentes –, hoje numa curva apertada da História, a libertar-se da opressão e a retomar nas suas mãos a consolidação da independência e a construção do desenvolvimento na pátria de Amílcar Cabral.

*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº2006, 26.04.2012


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

PAIGC quer reforçar diálogo com FRETILIN

Díli, 8 setembro 2011 (Lusa) -- O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), no poder na Guiné-Bissau, quer reforçar o diálogo com a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (FRETILIN), disse hoje a ministra dos Assuntos Parlamentares guineense, Maria Adiato Nandigna.

"Nesta vossa reunião magna é uma nova oportunidade para recriarmos as bases de um novo e desejado diálogo entre a FRETILIN e o PAIGC, que permita o reforço das nossas formações políticas e as sinergias necessárias para enfrentarmos os desafios que ainda temos pela frente", afirmou.

A ministra guineense falava no III Congresso Nacional da FRETILIN enquanto representante do presidente do PAIGC e primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior.

Maria Adiato Nandigna falou também sobre a necessidade de unidade e coesão da FRETILIN como fundamental para aquele partido timorense "reconquistar" o poder.

"Interpretem a nossa presença nesta vossa reunião como sendo a nossa firme vontade de vos ajudar a cimentar a unidade e coesão da FRETILIN, como sendo fator importante para reforçar a vossa determinação (...) para lutar e reconquistar o poder", afirmou.

O III Congresso Nacional da FRETILIN termina no domingo.