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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Macron chama Bolsonaro de mentiroso e diz que França sairá do acordo UE-Mercosul



Macron e Bolsonaro, o mentiroso

Ruralistas sofrem o primeiro grande prejuizo decorrente da insanidade bolsonarista. A França acaba de anunciar que irá se opor a um acordo comercial com o Mercosul, que poderia abrir mercados para os produtos nacionais. Presidente francês, Emmanuel Macron, justificou a não ratificação do acordo afirmando que Jair Bolsonaro “mentiu” sobre os compromissos ambientais assumidos pelo Brasil durante a reunião de cúpula do G20, no Japão.

247 - Os incêndios florestais que devastam a Amazônia há 20 dias, incentivados pelo desmonte dos orgãos de fiscalização ambiental e pelas declarações de incentivo ao desmatamento feitas por Jair Bolsonaro, já resultaram no primeiro grande prejuízo internacional ao agronegócio. Segundo a Agência de Notícias France Press, A França acaba de anunciar que irá se opor ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, o que fecha a entrada de produtos agropecuários brasileiros nos principais mercados europeus.

Para o presidente francês, Emmanuel Macron, Bolsonaro “mentiu” sobre

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

HISTORIADORES ALEGAM QUE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL TEM INÍCIO EM 1937

28 agosto 2015, Diário do Povo Online http://portuguese.people.com.cn (China)  

Enquanto que a maioria do mundo ocidental acredita que a Segunda Guerra Mundial teve início com a invasão da Polónia pela Alemanha Nazi em 1939, há um crescente número de historiadores que acredita que a data oficial deve ser alterada para 1937, quando o Japão iniciou a invasão do território Chinês.

Robert Frank, Secretário Geral do Congresso Internacional de Ciências Históricas, é um dos grandes apoiantes desta alteração cronológica. Ele menciona os seus argumentos no livro “1937-1947 World War”, que foi publicado em França em abril.

Escrito em cooperação por 40 historiadores, o livro contém um capítulo específico chamado “War begins in Asia.” (A Guerra Começa na Ásia). Outros capítulos elaboram sobre a resistência dos países asiáticos, a ocupação japonesa, e a resistência e sofrimento da população chinesa.

“Na França chamamos-lhe a guerra de 1939-1945. Mas é uma guerra mundial. Não apenas

A GUERRA MUNDIAL ANTI-FASCISTA

4 maio 2015, Diário do Povo Online http://portuguese.people.com.cn (China)  

A Segunda Guerra Mundial foi a guerra de maior escala e com a maior perda na história humana, trazendo desastres sem precedentes aos povos do mundo.

A guerra afetou mais de 60 países e regiões, uma população de dois bilhões (80% da população global naquela época) e se espalhou para a Europa, Ásia, África, Oceânia e Oceano Pacífico, Índico, Atlântico e Ártico. Com a zona de combate de 22 milhões km² e a mobilização de 110 milhões de soldados, as despesas militares diretas da Guerra atingiu cerca de 1,3 trilhões de dólares, ocupando 60% a 70% da Renda Nacional Bruta (RNB) total dos países beligerantes, cujos perdas materiais chegaram a quatro trilhões de dólares.

O povo chinês e o povo da União Soviética fizeram grandes sacrifícios e deram importantes contribuições à vitória da Guerra Mundial Anti-Fascista. Segundo dados estatísticos, durante os oito anos da Guerra Anti-Japonesa, como o principal campo de batalha da Guerra Anti-Fascista na Ásia, a China lutou contra 70% das tropas japonesas. Mais de 35 milhões chineses sacrificaram suas vidas para a pátria, com a perda e

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A VITÓRIA DOS POVOS SOBRE O NAZIFASCISMO COMPLETA 70 ANOS

30 abril 2015, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)


No dia 30 de abril de 1945, diante da evidência da retumbante derrota, o líder nazista Adolf Hitler cometia suicídio. A 2 de maio, um soldado soviético içava a bandeira vermelha com a foice e o martelo na cúpula do Reichstag, marcando a rendição de Berlim ao Exército da União Soviética.


Na semana seguinte, a 9 de maio, selava-se o resultado da guerra, com a definitiva derrota do nazi-fascismo. São datas para a celebração eterna na trajetória da Humanidade na sua busca constante pela democracia, a paz, a civilização e a justiça.

Embora quase não se fale sobre isto no Brasil, transcorrem nos próximos dias em diversos países do mundo eventos comemorativos do 70º aniversário de um dos acontecimentos mais gloriosos da história da Humanidade - a vitória dos povos sobre o nazifascismo. O principal deles será sem dúvida o desfile militar na Praça Vermelha de Moscou, de que participará a presidenta Dilma Rousseff.

Lideranças de movimentos sociais também

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O DILEMA DO ‘OCIDENTE’ DEPOIS DA DERROTA EM DEBALTSEVO: O QUE FAZER DE POROSHENKO?!

 20 fevereiro 2015, Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)


“Apesar de todos termos dado o melhor de Nós – do valente combate das forças militares e navais, da diligência e da assiduidade de Nossos funcionários públicos, e do devotado serviço de Nossos cem milhões de cidadãos – a situação da guerra desenvolveu-se não necessariamente para benefício do Japão” (Imperador Hirohito reconhecendo a derrota do Japão).

O presidente fantoche da Ucrânia, Petro Poroshenko deveria fazer discurso semelhante. Não há dúvida alguma de que a situação da guerra na Ucrânia desenvolveu-se não necessariamente para benefício de seu governo. Mas Poroshenko fez discurso (veja abaixo) muito mais delirante, muito mais sem-noção que a fala-cortina de Hirohito.

Há seis dias, vários milhares de soldados do governo ucraniano foram cercados no bolsão de Debaltsevo. A única estrada em direção a linhas amigas foi minada e ficou sob fogo direto e indireto da oposição. Houve várias tentativas para escapar do cerco, pelos que estavam dentro, e de invadir o cerco, por soldados ukies que estavam fora; todas foram derrotadas, com altas perdas de vida e materiais.

Desde ontem, e depois de vários dias de preparação, as tropas das Repúblicas Populares de Donestk e Lugansk, atacam ininterruptamente a cidade. Anunciaram que cerca de 3 mil soldados de Kiev foram mortos e 
cerca de mil renderam-se e foram presos. Umas poucas centenas escaparam a pé durante

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Moçambique/CAMPONESES ERGUEM SUAS VOZES E MUDAM O JOGO NO PROSAVANA



13 agosto 2013, Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

Fátima Mello*
de Maputo (Moçambique)

Tendo como referência o Prodecer, implantado no Cerrado brasileiro, o ProSavana seria mais um caminho para ampliar os lucros das grandes transnacionais do setor agrícola

Termina em Maputo, capital de Moçambique, a Conferência Triangular dos Povos frente ao ProSavana. O evento, realizado nos dias 7 e 8 de agosto, mudou o jogo que até há pouco tempo era amplamente favorável às corporações do agronegócio brasileiro e às transnacionais.

Em 2009, os governos do Brasil, Japão e Moçambique assinaram um Memorando de Entendimento para implantar o ProSavana, um megaprograma que visa levar o pacote da chamada “Revolução Verde” para o norte de Moçambique, na área de cerca de 14 milhões de hectares que hoje é conhecida como Corredor de Nacala.

Para tal, contrataram

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Brasil/O DESTINO DE ALCÂNTARA



8 agosto 2013 Carta Capital http://www.cartacapital.com.br (Brasil)

Enquanto o Brasil for ocupado ideologicamente, não conseguirá fazer política soberana em temas como o programa espacial


Estadão (29 de julho, p. A6) diz que o “Brasil volta a negociar uso de base de Alcântara com os EUA.” Há, no título o primeiro erro, pois não se trata de uso de "base de Alcântara", que não existe, mas de cessão de território estratégico brasileiro, para que nele os EUA e, mais tarde, "europeus e japoneses", continua o jornal, instalem bases para lançamentos de satélites, suprindo assim suas (deles) atuais carências, exatamente aquelas que hoje tornam concorrencialmente viável o projeto espacial brasileiro – o qual tem (ou deveria ter) objetivos estratégicos determinantes e fins comerciais secundários.

Os europeus não devem ter interesse na empreitada, pois já possuem, em pleno funcionamento, a base de Kourou, na Guiana Francesa, cuja localização geográfica, a 5,0º ao Norte da linha do Equador, preserva algumas das muitas vantagens oferecidas pela península de Alcântara, no Maranhão. Ela poderia interessar aos russos, pois suas atuais bases de lançamento, como a de Baikonur, mediterrâneas, exigem o sobrevoo do satélite sobre áreas habitadas; mas eles estão associados aos franceses em Kourou, de onde serão lançados os foguetes Soyuz,

sexta-feira, 7 de junho de 2013

O QUE QUER O BRASIL COM O PROSAVANA, EM MOÇAMBIQUE? CARTA ABERTA DAS ORGANIZAÇÕES DE MOÇAMBIQUE FRENTE AO PROSAVANA



6 junho 2013, ADITAL Agência Frei Tito para a America Latina http://www.adital.com.br (Brasil)

ProSavana: Brasil banca usurpação de terras em Moçambique

Maputo, 28 de Maio de 2013

Carta Aberta das Organizações e Movimentos Sociais Moçambicanas dirigida aos Presidentes de Moçambique, Brasil e Primeiro-Ministro do Japão/Maio de 2013
Sua Excelência Senhor Presidente da República de Moçambique, Armando Guebuza
Sua Excelência Senhora Presidente da República Federativa do Brasil, Dilma Rousseff
Sua Excelência Senhor Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe


O Governo da República de Moçambique, em parceria com os Governos da República Federativa do Brasil e do Japão, lançou, oficialmente, em Abril de 2011, o Programa ProSavana. O referido programa resulta de uma parceria trilateral dos três governos com o objectivo de, supostamente, promover o desenvolvimento da agricultura nas savanas tropicais do Corredor de Nacala, no Norte de Moçambique.

A estratégia de entrada e implementação do ProSavana assenta-se e fundamenta-se na necessidade, justificadamente, prioritária de combate à pobreza e no imperativo nacional e humano de promoção do desenvolvimento económico, social e cultural do nosso País.

Aliás, estes têm sido os principais argumentos usados pelo Governo de Moçambique para justificar a sua opção pela política de atracção de Investimento Directo Estrangeiros (IDE) e

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Brasil/A GEOPOLÍTICA DO CREPÚSCULO

10 agosto 2010/Carta Maior http://www.cartamaior.com.br

Gilson Caroni Filho*

A política externa multilateralista do governo Lula, por afirmar interesses nacionais, amplia áreas de atrito com grandes potências. Por isso mesmo é alvo da "retórica do medo", por parte dos que advogam o retorno do alinhamento incondicional com os Estados Unidos, Europa e Japão.

Fala-se que a política externa de um país é a expressão de sua política interna, da dinâmica de forças sociais que expressam um projeto de inserção no cenário mundial. Se for assim, como devem ser vistas as críticas de setores neoliberais que, em sintonia com a retórica de britânicos e estadunidenses, classificam-na como desastrosa, “sem uma avaliação adequada de nossas possibilidades e reais interesses"? A questão é importante, pois revela que, em uma eventual vitória da oposição na eleição de outubro, o Brasil sofrerá um processo de continuidade nessa área. Um lamentável retorno a teses e conceitos de uma geopolítica de vice-reinado.

As declarações de ex-chanceleres do governo FHC (**) denunciam, com toda a clareza possível, a natureza e orientação da subalternidade planejada. Seríamos reduzidos a uma máquina de segurança mercadológica dos produtos exportáveis, relegando a meras cerimônias aspectos substantivos que, nos últimos oito anos, passaram a refletir um país democrático e maduro.

A integração regional soberana daria lugar ao antigo alinhamento com o capitalismo central, recolocando o país no segundo plano do jogo internacional das nações. As diretrizes e os meios de ação desse retrocesso são esboçados no discurso de José Serra e na linha editorial das corporações midiáticas que lhe dão sustentação.

O objetivo é continuar silenciando inspirações e práticas brilhantes que têm origem no pensamento altivo de Araujo Castro e San Thiago Dantas, entre outros. O Itamaraty, como lugar ideal de formulação e execução de políticas soberanas não é compatível com o ideário mercantil dos velhos sedimentos estamentais.

Convém lembrar a história do Brasil, em particular, sua independência. A ruptura dos laços com a metrópole portuguesa, sob o bafejo do capital inglês, não redundou na criação de um Estado nacional de corte burguês. Antes, permitiu que uma oligarquia fundiária e escravocrata articulasse um tipo de dominação senhorial que impôs à emergente sociedade brasileira uma superestrutura política, liquidada apenas no século XX.

A estratégia das nossas elites, desde então, operou no sentido de frustrar a democratização social, realizando a exclusão do povo da cena pública. A construção do Estado Nacional, entre nós, realizou-se sistematicamente com o controle e a manipulação, pelo alto, da intervenção popular. Mesmo as mais notáveis inflexões no processo de constituição e desenvolvimento desse Estado não conseguiram reverter essa tendência. Aliás, todas as vezes em que a ameaça de reversão se fez sentir, como em 1964, as classes dominantes não hesitaram em recorrer à violência.

É por tudo isso que o discurso da direita deve merecer uma atenção especial. Mais do que nunca é preciso motivar a reflexão e a análise de todos. A integridade e a soberania nacional só se fundem em um Estado que expresse os interesses da maioria dos seus cidadãos. Ainda recente e inconclusa, a superação das mais sérias patologias de nossa formação histórica tem sido pedagógica. Aprendemos, em pouco tempo, que a independência de um país só pode se fundamentar na legitimidade do seu regime político e na participação social dos setores organizados.

A política externa multilateralista do governo Lula, por afirmar interesses nacionais, amplia áreas de atrito com grandes potências. Por isso mesmo é alvo da "retórica do medo", por parte dos que advogam o retorno do alinhamento incondicional com os Estados Unidos, Europa e Japão.

Como os caminhos da política externa são indissociáveis dos rumos das opções internas, ficam claras as marcas constitutivas das frações de classe que apóia a candidatura de José Serra: subalternidade nas relações internacionais e retomada, no âmbito interno, de políticas excludentes. Nas frestas de velhos pactos coloniais, o retrocesso sempre se apresenta como crepúsculo e destino.

*Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

**FHC (Fernando Henrique Cardoso)é recordado no Brasil como um dos presidentes mais entreguistas que o país já teve. O seu governo vendeu as mais importantes empresas estatais, passando o controle para o capital estrangeiro. Ele é particularmente odiado pelos milhares de ferroviários que foram colocados no desemprego com a venda da Estrada de Ferro Central do Brasil. (Nota de Mercosul e CPLP)

sábado, 12 de setembro de 2009

Colômbia discute imunidade (ou impunidade) para soldados dos EUA

10 setembro 2009/Vermelho http://www.vermelho.org.br

O conteúdo do acordo com os Estados Unidos para permitir a presença de militares norte-americanos em sete bases colombianas é um mistério. Mas de duas coisas já se sabe com certeza: que o acordo ainda não foi assinado e que a imunidade judicial para os militares norte-americanos é um dos pontos que continuam em discussão.

Por Juanita León*, no Opera Mundi

Depois da reunião do ministro do Interior, Fabio Valencia, do chanceler Jaime Bermúdez e do ministro da Defesa, Gabriel Silva, com o Conselho de Estado colombiano, o presidente deste tribunal, Rafael E. Ostau De Lafont, disse que o governo lhe havia confirmado que as negociações com os Estados Unidos estavam avançadas, mas não concluídas. E que o Conselho de Estado havia pedido informações adicionais sobre o tema da imunidade.

Embora o chanceler Bermúdez tenha dito publicamente que os empreiteiros estrangeiros não terão imunidade diplomática, o debate sobre os crimes graves cometidos pelos militares fora de serviço continua.

Para o governo dos Estados Unidos, o tema da imunidade para os membros das forças militares tem sido um cavalo de batalha desde a assinatura, em 1961, da Convenção de Viena, que regula a imunidade diplomática. As razões são duas. De um lado, Washington acredita que só em um tribunal norte-americano os militares podem ter um julgamento justo. De outro, teme que ações legais arbitrárias no país hospedeiro acabem obstruindo as operações militares.

Até 2008, o país mantinha uma ampla proteção a seus empreiteiros militares. No entanto, depois que empregados da Blackwater (empresa de mercenários) assassinaram 'por engano' 17 pessoas no Iraque, em 2007, a imunidade destes civis que realizam operações militares tornou-se um tema negociável para os norte-americanos. Os empreiteiros alegam que, sem esta proteção legal, ficam à mercê do sistema judicial muitas vezes injusto dos países onde trabalham e, além disso, não conseguem pagar o alto prêmio cobrado por suas seguradoras.

Todavia, considerando o histórico de crimes cometidos por soldados e empreiteiros nos países onde há bases norte-americanas, assinar um cheque em branco de impunidade também é muito difícil politicamente para as nações hospedeiras.

Três casos se tornaram famosos. Um deles foi o estupro de uma menina de 14 anos na ilha de Okinawa, no Japão, por um marine. O incidente, ocorrido em 1995, provocou protestos em massa que obrigaram os Estados Unidos e o Japão a firmar um novo acordo reduzindo as bases norte-americana. Outro caso foi a violação de uma filipina em 2005 por um soldado americano. E o terceiro foi o do Iraque.

Em 16 de setembro de 2007, empreiteiros da Blackwater que escoltavam um comboio de veículos do Departamento de Estado dos EUA dispararam contra civis na praça Nisour, em Bagdá, matando 17 iraquianos. Logo depois, o Iraque retirou a licença de operação da empresa, motivando mudanças na legislação norte-americana sobre os privilégios dos empreiteiros.

Na Colômbia, o caso de Jessika Beltrán também entrou no debate. Sua mãe denunciou que o sargento Michael Cohen e o empreiteiro César Ruiz, ambos lotados na base de Tolemaida, onde trabalhavam no Plano Colômbia, violentaram Jessika quando ela tinha 12 anos. O senador Gustavo Petro, do Polo Democrático, denunciou que os supostos estupradores voltaram aos Estados Unidos e seu crime ficou impune.

Um estudo de Laura Gil, especialista em relações internacionais, apresenta os quatro cenários possíveis para a Colômbia na negociação da imunidade (ou impunidade) dos militares e empreiteiros dos Estados Unidos quando entrar em vigor o acordo sobre sua presença reforçada nas sete bases colombianas. Ela se baseia nos Acordos de Situação de Forças (SOFA, na sigla em inglês) firmados pelo governo norte-americano com outros países.

Cenários:

O MELHOR
Imunidade só para crimes cometidos em atos de serviço

Qualquer crime cometido por soldados ou empreiteiros norte-americanos no exercício das funções previstas no Acordo seria julgado por juízes dos Estados Unidos. O mesmo valeria para casos que comprometessem a segurança nacional dos Estados Unidos, como traição, sabotagem, espionagem e violação de informação confidencial norte-americana. Todos os demais delitos seriam julgados por juízes colombianos. Ou seja, se um empreiteiro ou soldado atropelasse uma pessoa no fim de semana, roubasse algo ou matasse alguém ao sair de uma festa, a Colômbia não lhe garantiria imunidade. Este esquema é o que se aplica no SOFA da Otan (art. VII) e no Acordo com a Coreia (pág. 2 a 4), onde inclusive são enumerados os casos em que os Estados Unidos devem ceder a custódia do acusado. O Acordo com o Japão (art. XVII) também é restritivo.

TENDENDO AO RUIM
Imunidade para tudo, salvo para crimes graves

O SOFA (art. 12) firmado em dezembro de 2008 entre Estados Unidos e Iraque depois que empreiteiros da Blackwater mataram 14 pessoas, estabeleceu que Bagdá poderia julgar militares e civis norte-americanos por "crimes premeditados e graves" quando estes fossem cometidos fora das instalações e áreas combinadas (as dos Estados Unidos) e fora de serviço. E em todos os casos quando se tratasse de empreiteiros norte-americanos e seus funcionários. O problema é que o acordo estabeleceu que, posteriormente, os dois países negociariam a definição de "crime grave", algo ainda não determinado. Além disso, a desvantagem de excluir os crimes não premeditados é que os acidentes de trânsito ou homicídios cometidos em estado de embriaguez, por exemplo, ficariam impunes. Aparentemente, esta é a opção preferida pela Colômbia.

MELHOR QUE NADA
Possibilidade de recorrer a um conselho de guerra in loco

Como a ONU envia capacetes azuis e eles também cometem crimes, a Recomendação 35 estipula que, quando eles cometem um crime grave, deve ser formado um conselho de guerra in loco, com acesso imediato às testemunhas e provas na zona da missão. A lógica por trás desta recomendação é que esse tipo de tribunal ad hoc demonstraria à comunidade local que, por exemplo, os atos de exploração e abuso sexual cometidos por membros de contingentes militares não ficarão impunes.

O PIOR
A imunidade total

Alguns Estados, como Timor Oriental e Mongólia, aceitaram a imunidade total. O caso da Mongólia (art. 10) se assemelha ao que o ministro Valencia Cossio apresentou no princípio: jurisdição exclusiva dos Estados Unidos e compromisso de considerar a suspensão da imunidade a pedido do governo da Colômbia. "As autoridades militares dos Estados Unidos terão o direito de exercer toda jurisdição penal e disciplinar na Mongólia sobre pessoal dos Estados Unidos a eles conferida pela legislação militar dos Estados Unidos. (...) O governo dos Estados Unidos outorgará uma consideração compassiva a uma solicitação do governo da Mongólia para que ceda a jurisdição em casos não ligados aos atos de serviço."

*Diretora do site jornalístico colombiano La Silla Vacia

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Japão e Brasil vão ajudar Moçambique a converter savana em terrenos agrícolas

Tóquio, Japão, 24 agosto 2009 - Responsáveis governamentais do Japão e do Brasil reunir-se-ão em Moçambique em Setembro para começarem a elaborar o plano de transformação da savana em terrenos agrícolas, noticiou o jornal japonês em língua inglesa Japan Times.

Integrando membros da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA, na sigla em ingles) e da Embrapa e da Agência Brasileira de Cooperação, do Brasil, a missão deverá assinar com o governo de Moçambique um acordo tripartido que estipulará, entre outros aspectos, as áreas onde será desenvolvido o projecto.

Falando em Maputo no final da visita que uma missão nipo-brasileira efectuou a Maputo em Julho último, o embaixador do Japão em Moçambique, Susumu Segawa, afirmou que ao longo dos últimos 30 anos o Japão e Brasil têm vindo a realizar conjuntamente um projecto de desenvolvimento agrário conhecido por “Desenvolvimento do Cerrado” e que tem tido resultados “bastante positivos”.

Susumu Segawa afirmou ainda que o Desenvolvimento do Cerrado foi um dos projectos de desenvolvimento que melhor foram sucedidos na cooperação bilateral entre o Japão e o Brasil.

Em declarações ao jornal, Kenzo Oshima, vice-presidente sénior da Agência de Cooperação Internacional do Japão, disse que se trata de um programa que levará 10 anos ou mesmo 20 anos a produzir resultados mas ajudará, "disso estamos convictos", a reduzir a pobreza em África.

De acordo com a JICA, cerca de 70 por cento dos 800 mil quilómetros quadrados de Moçambique são savana, terreno que tem potencialidade para ser cultivado a produzir, entre outros produtos, soja, arroz, trigo, milho e algodão. (macauhub)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Brasil e Japão apoiam projectos de desenvolvimento agrícola em Moçambique

Maputo, Moçambique, 3 julho 2009 - Uma missão de trabalho integrando membros de organismos de cooperação do Japão e do Brasil estiveram reunidos em Maputo para efectuar um estudo preliminar de um projecto de desenvolvimento agrário em Moçambique, de acordo com agências noticiosas.

Uma segunda missão nipo-brasileira, integrando membros da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA, na sigla em ingles) e da Embrapa e da Agência Brasileira de Cooperação, do Brasil, deverá deslocar-se a Moçambique para assinar um acordo tripartido que estipulará, entre outros aspectos, as áreas onde será desenvolvido o projecto e os produtos a serem desenvolvidos.

Falando em Maputo no final da visita que a missão de trabalho efectuou, o embaixador do Japão em Moçambique, Susumu Segawa, afirmou que ao longo dos últimos 30 anos o Japão e Brasil têm vindo a realizar conjuntamente um projecto de desenvolvimento agrário conhecido por “Desenvolvimento de Cerrado” e que tem tido resultados “bastante positivos” no desenvolvimento agrário.

Susumu Segawa afirmou ainda que o Desenvolvimento de Cerrado foi um dos projectos de desenvolvimento que melhor foram sucedidos na cooperação bilateral entre o Japão e o Brasil.

“O Programa de Cooperação Trilateral, que se pretende entre Moçambique, Japão e Brasil, não só promoverá um intercâmbio a nível técnico e académico mas também tornar-se-á numa base para a cooperação no domínio das relações exteriores destes países”, disse o embaixador.

O projecto Desenvolvimento do Cerrado visou incoporar terras consideradas improdutivas por problemas decorrentes da existência de alumínio nocivo e a deficiência de nutrientes químicos no solo no processo produtivo com a correcção adequada do solo combinada com adubação compensatória e a construção de infra-estruturas de produção. (macauhub)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Brasil/LULA ACERTA EM INVESTIR NO BRIC

30 junho 2009/Agencia Chasque http://www.agenciachasque.com.br

Reportagem: Raquel Casiraghi | duração: 4’00 | tamanho: 714 Kb

No comentário político da semana, o sociólogo Cristóvão Feil comenta a participação do Brasil na articulação com Rússia, Índia e China (BRIC) a fim de criar alternativas econômicas e políticas à hegemonia dos EUA, europeus e Japão. Comentários das semanas anteriores podem ser conferidos no link "Comentário Político" do site.

Porto Alegre (RS) - Na semana passada, na Sibéria, região gelada da velha Rússia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de mais uma reunião internacional com presidentes de países estrangeiros. Nesse dia, esteve com os dirigentes dos BRICs, que é o apelido dado aos países Brasil, Rússia, Índia e China, o BRIC. Pois bem, os BRICs se reuniram para combinar uma aliança estratégica, para bem além das meras formalidades das pomposas e inúteis reuniões de cúpulas internacionais.

A crise estrutural do capitalismo, a decadência econômica de países de ponta como os Estados Unidos, os países da União Européia e do Japão estão a exigir alternativas comerciais e geopolíticas à ordem mundial baseada nas potências que emergiram à partir principalmente do final da Segunda Guerra Mundial, nos meados do século passado. Os tempos são outros e exigem novos desafios e novas relações internacionais, menos marcadas pela dominação imperialista dos Estados Unidos e seus muitos aliados no mundo todo.

Nesse sentido, o presidente Lula trilha o caminho certo, a estrada justa, própria de quem não quer perder a janela de oportunidade que a conjuntura de crise está lhe apresentando. Os BRICs detêm cerca de um quinto do Produto Interno Bruto mundial. Detêm também 25% da área habitável e 40% da população do Planeta Terra. Não são números e dimensões desprezíveis, ao contrário: constituem um potencial de causar inveja, mas só precisam se organizar e traçar estratégias de médio e longo prazo, não só nas suas interelações, mas sobretudo nas relações que terão com as atuais potências e com as instituições de fomento como Banco Mundial, FMI e outros. E terão também que ser capazes de propor políticas comuns pautadas por outros conceitos e outras práticas. Embora os BRICs busquem convergências, há sim divergências entre os seus membros; divergências de forma e de métodos de trabalho, mas que devem ser conformados a fim de fazer da aliança das quatro potências médias uma força nova no cenário internacional, capaz de propor alternativas ao atual padrão de desenvolvimento que tanta injustiça social traz e que tanta destruição ambiental promove.

O presidente Lula, como player desse novo tabuleiro internacional, deve ter um papel importante na proposição de relações internacionais que levem em consideração os valores da humanidade, do internacionalismo, da solidariedade entre os povos e também sobretudo na emancipação de homens e mulheres no mundo todo, não somente nos países líderes dessa aliança.

Pensem nisso, enquanto eu me despeço.

Até a próxima.

Cristóvão Feil é sociólogo e editor do blog Diário Gauche (www.diariogauche.blogspot.com)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Papel da China em África semelhante ao do Japão na Ásia, diz especialista americano

Macau, China, 15 dezembro 2008 - A China tem a possibilidade de, tal como o Japão na Ásia Oriental, ser o principal motor do desenvolvimento africano no curto prazo, afirma o especialista em política externa chinesa Edward Friedman, na publicação Yale Global, do centro de Estudos para a Globalização da Universidade de Yale, Estados Unidos

Friedman, professor de Ciência Política na Universidade de Wisconsin, também nos Estados Unidos, defende que o envolvimento da China em África poderá fazer a economia do continente crescer seguindo o padrão dos “gansos selvagens”, imagem que diversos académicos usaram no passado para, tal como voo em formação daquelas aves, explicar o desenvolvimento asiático promovido pelo Japão no pós-guerra.

A teoria dos “gansos selvagens” argumenta que o processo de industrialização dos países é feito em pirâmide, havendo um país que lidera o esforço (o topo da pirâmide), sendo seguido por outras economias menos avançadas e estas por economias menos industrializadas ainda, beneficiando cada uma a seu tempo das suas vantagens comparativas - nomeadamente os custos da mão-de-obra - e recebendo investimento das economias do nível superior.

“A China está a criar em estufa este desenvolvimento com o padrão dos gansos selvagens. Pequim está a aplicar dinheiro em África para tudo, desde a construção de infra-estruturas até ao estabelecimento de laços económicos”, afirma Friedman, destacando o papel das Zonas Económicas Especiais (ZEE) que a China já começou a criar no continente africano.

“Destas áreas, o dinamismo económico vai espalhar-se, à medida que os africanos sejam atraídos pelas ZEE. Os governos vão construir então infra-estruturas e competir para atrair as empresas com mais sucesso”, diz.

Apesar de admitir que, tal como o Japão na Ásia do pós-guerra, a China não está interessada em promover a democracia e os direitos humanos em África e segue sobretudo “imperativos económicos”, Friedman realça os benefícios económicos do esforço chinês para liderar o novo bando de gansos.

“Visto de Pequim, a China em África no século 21 será como o Japão na Ásia Oriental e do Sudeste no meio século depois da Segunda Grande Guerra…Ao ligar-se ao dínamo económico, há benefícios. As melhores práticas aprendem-se quase inconscientemente. As vantagens do líder dinâmico espalham-se pelos países que vêem atrás”, afirma o especialista.

Para Edward Friedman, o processo entre a China e África ganhará cada vez mais intensidade à medida que a economia chinesa subir na escala de valor e que os custos da mão-de-obra na China aumentem, perdendo os produtores chineses competitividade nos mercados de preços mais baixos. A solução, afirma, será transferir a produção para os “gansos do nível seguinte” cuja economia, assim, vai também crescer.

“Os africanos que vêm a China como um salvador podem de facto beneficiar por se juntarem à China e seguirem a sua liderança”, afirma.

Friedman destaca por isso o número cada vez maior de chineses que vem emigrando para África levando consigo uma mentalidade empresarial e ligações a fábricas que produzem bens para os mercados mais baratos e que, para se manterem competitivas, encaram uma mudança para África, onde os salários são mais baratos.

“Já há mais chineses que portugueses na antiga colónia portuguesa de Angola”, diz mesmo Edward Friedman.

Friedman não nega a possibilidade de que o papel da China em África possa vir a ter no futuro algumas consequências negativas, como o esgotamento dos recursos naturais ou a manutenção no poder de elites corruptas, mas no geral aposta nas consequências benignas da relação económica entre as economias chinesa e africana.

“Os africanos estão dispostos a dar à China a oportunidade de reproduzir em África os processos criadores de riqueza que fizeram da Ásia a região do mundo que mais cresceu desde 1945” , afirma.

“Talvez os chineses e os africanos estejam certos e, tal como o Japão transformou a Ásia, também a China possam transformar África”, conclui Edward Friedman. (macauhub)