10 setembro 2009/Vermelho http://www.vermelho.org.br
O conteúdo do acordo com os Estados Unidos para permitir a presença de militares norte-americanos em sete bases colombianas é um mistério. Mas de duas coisas já se sabe com certeza: que o acordo ainda não foi assinado e que a imunidade judicial para os militares norte-americanos é um dos pontos que continuam em discussão.
Por Juanita León*, no Opera Mundi
Depois da reunião do ministro do Interior, Fabio Valencia, do chanceler Jaime Bermúdez e do ministro da Defesa, Gabriel Silva, com o Conselho de Estado colombiano, o presidente deste tribunal, Rafael E. Ostau De Lafont, disse que o governo lhe havia confirmado que as negociações com os Estados Unidos estavam avançadas, mas não concluídas. E que o Conselho de Estado havia pedido informações adicionais sobre o tema da imunidade.
Embora o chanceler Bermúdez tenha dito publicamente que os empreiteiros estrangeiros não terão imunidade diplomática, o debate sobre os crimes graves cometidos pelos militares fora de serviço continua.
Para o governo dos Estados Unidos, o tema da imunidade para os membros das forças militares tem sido um cavalo de batalha desde a assinatura, em 1961, da Convenção de Viena, que regula a imunidade diplomática. As razões são duas. De um lado, Washington acredita que só em um tribunal norte-americano os militares podem ter um julgamento justo. De outro, teme que ações legais arbitrárias no país hospedeiro acabem obstruindo as operações militares.
Até 2008, o país mantinha uma ampla proteção a seus empreiteiros militares. No entanto, depois que empregados da Blackwater (empresa de mercenários) assassinaram 'por engano' 17 pessoas no Iraque, em 2007, a imunidade destes civis que realizam operações militares tornou-se um tema negociável para os norte-americanos. Os empreiteiros alegam que, sem esta proteção legal, ficam à mercê do sistema judicial muitas vezes injusto dos países onde trabalham e, além disso, não conseguem pagar o alto prêmio cobrado por suas seguradoras.
Todavia, considerando o histórico de crimes cometidos por soldados e empreiteiros nos países onde há bases norte-americanas, assinar um cheque em branco de impunidade também é muito difícil politicamente para as nações hospedeiras.
Três casos se tornaram famosos. Um deles foi o estupro de uma menina de 14 anos na ilha de Okinawa, no Japão, por um marine. O incidente, ocorrido em 1995, provocou protestos em massa que obrigaram os Estados Unidos e o Japão a firmar um novo acordo reduzindo as bases norte-americana. Outro caso foi a violação de uma filipina em 2005 por um soldado americano. E o terceiro foi o do Iraque.
Em 16 de setembro de 2007, empreiteiros da Blackwater que escoltavam um comboio de veículos do Departamento de Estado dos EUA dispararam contra civis na praça Nisour, em Bagdá, matando 17 iraquianos. Logo depois, o Iraque retirou a licença de operação da empresa, motivando mudanças na legislação norte-americana sobre os privilégios dos empreiteiros.
Na Colômbia, o caso de Jessika Beltrán também entrou no debate. Sua mãe denunciou que o sargento Michael Cohen e o empreiteiro César Ruiz, ambos lotados na base de Tolemaida, onde trabalhavam no Plano Colômbia, violentaram Jessika quando ela tinha 12 anos. O senador Gustavo Petro, do Polo Democrático, denunciou que os supostos estupradores voltaram aos Estados Unidos e seu crime ficou impune.
Um estudo de Laura Gil, especialista em relações internacionais, apresenta os quatro cenários possíveis para a Colômbia na negociação da imunidade (ou impunidade) dos militares e empreiteiros dos Estados Unidos quando entrar em vigor o acordo sobre sua presença reforçada nas sete bases colombianas. Ela se baseia nos Acordos de Situação de Forças (SOFA, na sigla em inglês) firmados pelo governo norte-americano com outros países.
Cenários:
O MELHOR
Imunidade só para crimes cometidos em atos de serviço
Qualquer crime cometido por soldados ou empreiteiros norte-americanos no exercício das funções previstas no Acordo seria julgado por juízes dos Estados Unidos. O mesmo valeria para casos que comprometessem a segurança nacional dos Estados Unidos, como traição, sabotagem, espionagem e violação de informação confidencial norte-americana. Todos os demais delitos seriam julgados por juízes colombianos. Ou seja, se um empreiteiro ou soldado atropelasse uma pessoa no fim de semana, roubasse algo ou matasse alguém ao sair de uma festa, a Colômbia não lhe garantiria imunidade. Este esquema é o que se aplica no SOFA da Otan (art. VII) e no Acordo com a Coreia (pág. 2 a 4), onde inclusive são enumerados os casos em que os Estados Unidos devem ceder a custódia do acusado. O Acordo com o Japão (art. XVII) também é restritivo.
TENDENDO AO RUIM
Imunidade para tudo, salvo para crimes graves
O SOFA (art. 12) firmado em dezembro de 2008 entre Estados Unidos e Iraque depois que empreiteiros da Blackwater mataram 14 pessoas, estabeleceu que Bagdá poderia julgar militares e civis norte-americanos por "crimes premeditados e graves" quando estes fossem cometidos fora das instalações e áreas combinadas (as dos Estados Unidos) e fora de serviço. E em todos os casos quando se tratasse de empreiteiros norte-americanos e seus funcionários. O problema é que o acordo estabeleceu que, posteriormente, os dois países negociariam a definição de "crime grave", algo ainda não determinado. Além disso, a desvantagem de excluir os crimes não premeditados é que os acidentes de trânsito ou homicídios cometidos em estado de embriaguez, por exemplo, ficariam impunes. Aparentemente, esta é a opção preferida pela Colômbia.
MELHOR QUE NADA
Possibilidade de recorrer a um conselho de guerra in loco
Como a ONU envia capacetes azuis e eles também cometem crimes, a Recomendação 35 estipula que, quando eles cometem um crime grave, deve ser formado um conselho de guerra in loco, com acesso imediato às testemunhas e provas na zona da missão. A lógica por trás desta recomendação é que esse tipo de tribunal ad hoc demonstraria à comunidade local que, por exemplo, os atos de exploração e abuso sexual cometidos por membros de contingentes militares não ficarão impunes.
O PIOR
A imunidade total
Alguns Estados, como Timor Oriental e Mongólia, aceitaram a imunidade total. O caso da Mongólia (art. 10) se assemelha ao que o ministro Valencia Cossio apresentou no princípio: jurisdição exclusiva dos Estados Unidos e compromisso de considerar a suspensão da imunidade a pedido do governo da Colômbia. "As autoridades militares dos Estados Unidos terão o direito de exercer toda jurisdição penal e disciplinar na Mongólia sobre pessoal dos Estados Unidos a eles conferida pela legislação militar dos Estados Unidos. (...) O governo dos Estados Unidos outorgará uma consideração compassiva a uma solicitação do governo da Mongólia para que ceda a jurisdição em casos não ligados aos atos de serviço."
*Diretora do site jornalístico colombiano La Silla Vacia
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sábado, 12 de setembro de 2009
Colômbia discute imunidade (ou impunidade) para soldados dos EUA
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segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Brasil reitera que EE.UU. y Colombia deben explicar acuerdo para instalación de bases militares
El canciller brasileño, Celso Amorim, instó a los gobiernos de Colombia y Estados Unidos a mejorar sus explicaciones sobre el alcance del acuerdo militar , que implica la activación de cinco bases en territorio colombiano.
2 agosto 2009/TeleSUR http://www.telesurtv.net
El canciller de Brasil, Celso Amorim, insistió que Estados Unidos (EE.UU.) y Colombia deben explicar mejor sus negociaciones para la instalación de cinco nuevas bases militares en el país suramericano, pues esto implica la ampliación de la presencia de tropas extranjeras a la región y crea una "situación nueva".
Para el diplomático, Colombia "es un país soberano y tiene derecho a hacer lo que quiera en su territorio, pero se trata de una presencia militar importante en el vecindario", dijo Amorim en una entrevista que publica este domingo el diario brasileño Folha de Sáo Paulo.
Las explicaciones del presidente colombiano, Álvaro Uribe, quien ha dicho que la presencia de los marines estadounidenses supone una "fase mejorada del Plan Colombia" y fortalecerá la lucha contra los grupos irregulares, parece no haber convencido a Celso Amorim, porque consideró que son necesarias "más explicaciones", pues "en la región es importante tener transparencia y claridad y tal vez eso ha faltado".
Otro país que se ha mostrado preocupado por esta situación es Venezuela, cuyo presidente, Hugo Chávez, calificó este mismo domingo la alianza militar colombo - estadounidense, como un peligro para la soberanía y estabilidad de la región .
"De hecho, estas nuevas bases militares constituyen un peligro real y concreto contra la soberanía y la estabilidad de la región suramericana. Son puntas de lanza del nuevo coloniaje", afirmó Chávez en sus acostumbradas líneas.
El canciller indicó, a modo de ejemplo, que los países vecinos de Colombia podrían "tener garantías formales sobre cómo esas bases serán usadas".
Amorim explicó que "comprende las preocupaciones" de Chávez, ya que "se dice que el blanco (de la cooperación entre Estados Unidos y Colombia) es el narcotráfico, pero al mismo tiempo hay informes en el Congreso estadounidense diciendo que Venezuela sería complaciente con el narcotráfico".
Según Amorim, el asunto de las bases en Colombia se asemeja a lo ocurrido el año pasado, cuando el Gobierno de Estados Unidos decidió reactivar su IV Flota en el Atlántico Sur, a pesar de la resistencia de muchos países latinoamericanos.
"En su momento (en Estados Unidos) reconocieron que hubo errores de comunicación", pues "las justificaciones que dieron fueron todas muy inocentes" y se referían a "ayuda humanitaria al Caribe", dijo.
En el caso particular de Brasil, Amorim subrayó que "preocupa una presencia militar fuerte, cuyo objetivo y capacidad parecen ir mucho más allá de lo que pueda ser la necesidad interna de Colombia".
Amorim disminuyó el tema de la supuesta entrega de armas venezolanas de fabricación sueca a las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC), algo que calificó como un "episodio" en las relaciones entre ambos países.
"No sabemos cuándo ocurrió ni si ocurrió y, si ocurrió, si fue antes o después de Chávez", y tampoco se sabe "si fueron robadas", indicó el canciller, para quien ese asunto "es sólo un episodio".
Según Amorim, "muchas armas le llegan a las FARC, así como llegan a las favelas de Río de Janeiro", y esa denuncia no supone más que "un episodio de un tamaño pequeñito en comparación con las bases militares" de Estados Unidos.
Precisamente las acusaciones de Bogotá hacia Caracas por este asunto, del cual no ha presentado los supuestos arcenales y se ha limitado a enseñar fotos de archivo y gráficos, ocasionó que Chávez ordenara el congelamiento de las relaciones con el vecino país, la retirada del embajador y la revisión de los acuerdos comerciales y energéticas.
2 agosto 2009/TeleSUR http://www.telesurtv.net
El canciller de Brasil, Celso Amorim, insistió que Estados Unidos (EE.UU.) y Colombia deben explicar mejor sus negociaciones para la instalación de cinco nuevas bases militares en el país suramericano, pues esto implica la ampliación de la presencia de tropas extranjeras a la región y crea una "situación nueva".
Para el diplomático, Colombia "es un país soberano y tiene derecho a hacer lo que quiera en su territorio, pero se trata de una presencia militar importante en el vecindario", dijo Amorim en una entrevista que publica este domingo el diario brasileño Folha de Sáo Paulo.
Las explicaciones del presidente colombiano, Álvaro Uribe, quien ha dicho que la presencia de los marines estadounidenses supone una "fase mejorada del Plan Colombia" y fortalecerá la lucha contra los grupos irregulares, parece no haber convencido a Celso Amorim, porque consideró que son necesarias "más explicaciones", pues "en la región es importante tener transparencia y claridad y tal vez eso ha faltado".
Otro país que se ha mostrado preocupado por esta situación es Venezuela, cuyo presidente, Hugo Chávez, calificó este mismo domingo la alianza militar colombo - estadounidense, como un peligro para la soberanía y estabilidad de la región .
"De hecho, estas nuevas bases militares constituyen un peligro real y concreto contra la soberanía y la estabilidad de la región suramericana. Son puntas de lanza del nuevo coloniaje", afirmó Chávez en sus acostumbradas líneas.
El canciller indicó, a modo de ejemplo, que los países vecinos de Colombia podrían "tener garantías formales sobre cómo esas bases serán usadas".
Amorim explicó que "comprende las preocupaciones" de Chávez, ya que "se dice que el blanco (de la cooperación entre Estados Unidos y Colombia) es el narcotráfico, pero al mismo tiempo hay informes en el Congreso estadounidense diciendo que Venezuela sería complaciente con el narcotráfico".
Según Amorim, el asunto de las bases en Colombia se asemeja a lo ocurrido el año pasado, cuando el Gobierno de Estados Unidos decidió reactivar su IV Flota en el Atlántico Sur, a pesar de la resistencia de muchos países latinoamericanos.
"En su momento (en Estados Unidos) reconocieron que hubo errores de comunicación", pues "las justificaciones que dieron fueron todas muy inocentes" y se referían a "ayuda humanitaria al Caribe", dijo.
En el caso particular de Brasil, Amorim subrayó que "preocupa una presencia militar fuerte, cuyo objetivo y capacidad parecen ir mucho más allá de lo que pueda ser la necesidad interna de Colombia".
Amorim disminuyó el tema de la supuesta entrega de armas venezolanas de fabricación sueca a las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC), algo que calificó como un "episodio" en las relaciones entre ambos países.
"No sabemos cuándo ocurrió ni si ocurrió y, si ocurrió, si fue antes o después de Chávez", y tampoco se sabe "si fueron robadas", indicó el canciller, para quien ese asunto "es sólo un episodio".
Según Amorim, "muchas armas le llegan a las FARC, así como llegan a las favelas de Río de Janeiro", y esa denuncia no supone más que "un episodio de un tamaño pequeñito en comparación con las bases militares" de Estados Unidos.
Precisamente las acusaciones de Bogotá hacia Caracas por este asunto, del cual no ha presentado los supuestos arcenales y se ha limitado a enseñar fotos de archivo y gráficos, ocasionó que Chávez ordenara el congelamiento de las relaciones con el vecino país, la retirada del embajador y la revisión de los acuerdos comerciales y energéticas.
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