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terça-feira, 22 de outubro de 2019
Guerra nuclear/Entrevista con el legendario whistleblower Daniel Ellsberg* con ocasión de su 89a detención por acciones de resistencia
sábado, 13 de agosto de 2016
Cuba/“É PRECISO MARTELAR SOBRE A NECESSIDADE DE PRESERVAR A PAZ” -- Fidel Castro
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Who Dropped a Nuclear Bomb on the Poles?/Кто сбросил атомную бомбу на поляков?
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
HISTORIADORES ALEGAM QUE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL TEM INÍCIO EM 1937
A GUERRA MUNDIAL ANTI-FASCISTA
sábado, 12 de setembro de 2009
BASES MILITARES DOS EUA NA COLÔMBIA ESMAGAM MOVIMENTOS REVOLUCIONÁRIOS
Robson Braga *
A instalação de sete bases militares dos Estados Unidos na Colômbia - prevista ainda para este mês - reabriu o debate sobre o pretexto utilizado pelo país norte-americano para encobrir seu real objeto na América Latina. O Plano Colômbia - estratégia militar iniciada em 2000 pelos EUA - foi justificado, inicialmente, como forma de combater o narcotráfico na América Latina, já que a maior parte das drogas produzidas seria consumida em território estadunidense.
De acordo com o coronel-aviador da Força Aérea Brasileira, Sued Castro Lima, a maior parte das drogas consumidas nos EUA é produzida no próprio país. Para ele, a intervenção estadunidense na Colômbia serve para "promover o esmagamento dos movimentos populares ou revolucionários que surgem na América Latina e intimidar ou neutralizar iniciativas regionais autônomas nos campos econômicos e de defesa, como é o caso da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL)".
Sued é engenheiro civil e já participou de diversas missões militares nos EUA, Israel, Argentina, Chile e Rússia. É membro fundador do Observatório das Nacionalidades, entidade de pesquisa ligada à Universidade Federal do Ceará (UFC) e à Universidade Estadual do Ceará (UECE). Leia, a seguir, a segunda e última parte da entrevista que Sued concedeu à ADITAL.
Confira também a primeira parte da entrevista em: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=40919
Adital - O que representa, para a América Latina, a instalação das bases militares na Colômbia? E para o Brasil?
Sued Castro Lima - Segundo o pensador francês Michel Foucault, um dos instrumentos do exercício do poder resulta da presença física do dominador. Através dessa presença, pode ostentar a força destruidora que lhe é própria, intimidando o mais fraco.
Já o estrategista britânico Liddell Hart, que viveu no século passado, considerava que um dos maiores objetivos estratégicos do comandante militar é o de ter acesso prévio ao mais amplo grau de conhecimento sobre as forças do virtual inimigo, como ocupam o terreno, como pensam, quem são seus chefes, como se preparam, enfim avaliar seus pontos fortes e suas vulnerabilidades. A presença militar no território de potencial conflito armado ajuda a resolver bem tais questões, pois possibilita a observação e o acompanhamento dos acontecimentos que interessam ao potencial invasor, abrindo-lhe acesso a informações cruciais para o desencadeamento de seus eventuais propósitos de intervenção militar.
A concessão do governo de Uribe à instalação em território colombiano de sete bases militares operadas por milhares de soldados norte-americanos tem duplo efeito: fere a soberania de seu país e mina a União das Nações Sul-americanas (Unasul), com o seu Conselho de Defesa, ainda embrionários, filhos diletos da política externa e da estratégia de defesa regional desenvolvidas pelo governo Lula.
Adital - O senhor desconfia da justificativa dos EUA, que explicam a implantação das bases militares como mecanismo de combate ao narcotráfico na região. De que modo essas bases podem ameaçar a soberania dos países latino-americanos?
Sued Castro Lima - O argumento de fachada de combate ao narcotráfico há muito se perdeu. Desde que foi iniciado, no ano de 2000, o Plano Colômbia tem redundado em enorme fracasso. A produção de cocaína vem aumentando, exatamente porque aumentou o mercado, concentrado em sua maior parte no EUA. Segundo o Washington Office for Latin America, órgão do governo dos EUA, o preço da cocaína no país caiu 36% nos últimos anos. A queda do preço é mais resultado do incremento da oferta do que de uma redução da demanda. Os EUA continuam sendo os maiores consumidores de cocaína do mundo, com 2,5% da população viciada na droga, algo em torno de 7 milhões de pessoas.
Da produção sul-americana que segue para os EUA, apenas 10% do lucro fica nos países produtores, enquanto 90% vão para as mãos das máfias que operam dentro dos EUA. São dados que indicam que o território onde deveria se travar o principal combate contra o narcotráfico é o próprio território norte-americano e não a selva amazônica.
Ainda sobre o tema droga, a Folha de São Paulo publicou (23/08/2009) uma informação surpreendente: durante a era Taleban (1996-2001), a produção de ópio foi totalmente desmontada no Afeganistão. O líder do grupo, mulá Mohammad Omar, considerava a droga "anti-islâmica", e ameaçava executar quem cultivasse a papoula. Atualmente, com a presença de tropas estrangeiras no país, a região é responsável pela produção de 70% do ópio no mundo.
Afinal, o que sobra evidente é que o combate ao narcotráfico na América Latina é apenas o que se chama em contra-informação de história-cobertura. Em 1986, Reagan incorporou à Doutrina de Segurança Nacional a National Security Decision Directive (NSDD), segundo a qual camponeses cultivadores de coca, militantes de esquerda, guerrilheiros marxistas, governos populares nacionais e grandes traficantes fariam parte de um estranho complô destinado a destruir a integridade e o poderio político dos EUA. O tráfico funciona, assim, como pretexto para justificar ações militares destinadas a promover o esmagamento dos movimentos populares ou revolucionários que surgem na América Latina e intimidar ou neutralizar iniciativas regionais autônomas nos campos econômicos e de defesa, como é o caso da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL).
Adital - Como o senhor avalia a postura dos países da América Latina diante da implantação dessas bases?
Sued Castro Lima - Identificam-se claramente dois tipos de postura: os lenientes e os resistentes. Formam no primeiro grupo os governos explicitamente de direita, como os da Colômbia, Peru, México e os golpistas de Honduras. Esses últimos sequer contam com o reconhecimento da esmagadora maioria da comunidade internacional de nações e dos órgãos multilaterais, como a ONU e a OEA. No segundo grupo alinham-se o Brasil, Argentina, Equador, Venezuela, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Chile, Cuba, Nicarágua, El Salvador e outros, constituindo uma ampla e significativa maioria, o que não deixa de ser um fato novo, comparado à situação que existia há poucas décadas, em que o alinhamento com os EUA se dava automaticamente.
Sob esse ponto de vista, merece destaque a política externa do Governo Lula, que tem marcado posição de qualidade nos principais litígios internacionais ocorridos recentemente.
Adital - Em nível mundial, qual tem sido o papel desempenhado nas bases militares estadunidenses? Como as nações mundiais têm encarado essa intervenção militar?
Sued Castro Lima - A estratégia global dos EUA reproduz o que é desenvolvido na América Latina. O império faz-se presente em grande parte do planeta explorando e oprimindo povos, impondo, enfim, sua vontade pela força da corrupção e das armas. Esteve presente em praticamente todos os conflitos bélicos que ocorreram no planeta ao longo dos séculos XX e XXI. Levaram morte e destruição à Coreia, Vietnam, Laos, Iraque e Afeganistão, para citar apenas os eventos mais destacados, sem esquecer os ataques atômicos a Hiroshima e Nagasaki.
Atualmente, os EUA mantêm cerca de 820 bases em 60 países. Dispõem de um exército de 1,5 milhões de homens, dos quais 300 mil no exterior, sendo metade no Iraque e no Afeganistão. A outra metade espalha-se por outros países. O Grande Império do Norte gasta em seu aparato bélico o equivalente a 42% dos gastos militares globais, algo próximo a 610 bilhões de dólares.
Considero que as nações que não abdicam de sua soberania certamente repudiam tal estratégia de ocupação. Felizmente, o Brasil integra esse grupo de países e tem mantido firme ação diplomática de negação da presença hegemônica dos EUA nos países latino-americanos.
* Jornalista da Adital
domingo, 14 de outubro de 2007
Brasil/Sobreviventes de Hiroshima fazem apelo contra testes
São Paulo, 13 outubro 2007 - Sobreviventes da 2ª Guerra Mundial fizeram nesta semana, em São Paulo, um ato contra testes atômicos. O médico Hiroo Dohy, presidente do Hicare, Conselho Internacional de Hiroshima para tratamento das vítimas de radiação, fez um apelo pela suspensão de todos os testes atômicos, como os atualmente programados em Nevada, nos Estados Unidos. O médico participou de seminário no Hospital Santa Cruz, onde recebem acompanhamento especializado muitas das 130 vítimas das bombas atômicas lançadas sobre o Japão que hoje residem no Brasil.
"Os atuais artefatos atômicos são milhares de vezes mais poderosos que os lançados em Hiroshima e Nagasaki e estão deixando, comprovadamente, resíduos que estão poluindo o mundo, com conseqüências imprevisíveis para a Humanidade", afirmou Dohy.
Ao lado do médico Shizuteru Usui, presidente da seção japonesa dos Médicos Internacionais para a Prevenção da Guerra Nuclear, ele mesmo vítima da Bomba Atômica em Hiroshima, proferiram palestras também o professor Katsuhide Ito, da Faculdade de Medicina de Hiroshima, e o também médico Kuniaki Nomura, diretor da Assistência e Seguridade de Hiroshima.
O acompanhamento constante das vítimas continua necessário, parcialmente subsidiado por mecanismos implantados pela Província de Hiroshima, inclusive para residentes no Brasil.
A Associação Médica de Hiroshima estabeleceu um acordo de cooperação com a Associação Paulista de Medicina para intensificar o intercâmbio entre as instituições. Visa a não só conscientizar a população sobre os riscos das radiações, como lutar pelo banimento mundial das armas atômicas.
Efeitos distintos
Os especialistas explicaram que as bombas lançadas em Hiroshima e Nagasaki eram diferentes e deixaram seqüelas distintas. A primeira era de urânio e provocou 140 mil mortos até dezembro de 1945, a fase mais aguda dos efeitos, deixando 80 mil feridos. A de Nagasaki, de plutônio, provocou 70 mil mortos e 80 mil feridos. No total, estima-se 400 mil vítimas.
No primeiro momento, as vítimas e as autoridades japonesas não sabiam que tipo de bomba os tinha atingido. Somente com os danos provocados sobre filmes utilizados em aparelhos de raios X é que começaram as desconfianças sobre as radiações de materiais atômicos.
Estudos acurados efetuados até hoje, primeiro pelos japoneses, e depois em cooperação com os norte-americanos, mostram que a fase aguda das muitas leucemias foi encerrada em torno de 1965, com a morte das vítimas. Hoje, os sobreviventes sofrem com vários tipos de câncer e outras doenças, mais do que a população em geral.
Dados detalham as diferenças de efeitos considerando a idade em que as vítimas foram afetadas, bem como as distâncias em que encontravam do epicentro das explosões das bombas, classificando o grau das radiações a que foram expostas. Até o momento, não se constatou seqüelas entre os descendentes destas vítimas, e as cidades de Hiroshima e Nagasaki não apresentam mais resíduos de radiação.
O estudo disponível no Japão é único. Não há similares sobre as vítimas de Chernobyl ou de Goiânia, no Brasil. Nem das vítimas dos testes norte-americanos no Atol de Bikini, no Pacífico. (Agência Estado)

