Mylena Fiori/Enviada especial Foto: Valter Campanato/ABr
“Os cenários onde nós, governos, discutimos e tomamos decisões têm como trilha sonora prévia as conclusões do encontro cívico, trilha sonora que tem como letra as preocupações dos homens e mulheres da região e que não necessariamente coincidem com as dos governos”, afirmou. “Temos que conseguir que estas preocupações façam parte do coração da agenda política dos governos”, disse Leire Pajin.
Ao seu lado na mesa de abertura do encontro, além de Bachelet, estavam o secretário-geral ibero-americano e ex-diretor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias. Na platéia, cerca de 70 representantes de organizações não-governamentais, centrais sindicais, povos indígenas, ativistas ambientais, meios de comunicação comunitários e outros atores sociais de 22 países de língua espanhola e portuguesa da América Latina e da península ibérica. Antes de ocupar a Secretaria de Cooperação Internacional, vinculada à chancelaria espanhola, Leire foi secretária de Relações com ONGs e Movimentos Sociais da Comissão Executiva Federal do Partido Socialista Espanhol.
A secretária de Estado falou sobre o tema central da 17ª Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo - a coesão social - e enumerou os desafios da região na direção de sociedades mais justas. “Coesão social significa luta contra a pobreza, a desigualdade e a exclusão social. Lamentavelmente, estes seguem sendo desafios primordiais em muitos países da comunidade ibero-americana”, afirmou destacando que 205 milhões de pessoas ainda vivem na pobreza na América Latina.
“Poderão nossas democracias consolidar-se com estas cifras? Quanta desigualdade cabe na democracia?”, indagou. “É necessário conceber a coesão social como um grande contrato no qual se assumam direitos e obrigações entre o Estado e a sociedade, contrato que a cidadania deve vigiar o cumprimento”, complementou.
Leire também chamou atenção para a má distribuição de renda na América Latina. Parabenizou a região pela redução da distância entre pobres e ricos, mas enfatizou que nos países latino-americanos a diferença entre os mais ricos e os mais pobres é quatro vezes maior que na União Européia. “As diferenças seguem sendo inadmissíveis”, frisou. “Reduzir a diferença existente entre os que mais têm e os que menos têm é essencial para produzir uma integração cívica plena”.
Na sua avaliação, o crescimento econômico é necessário, mas não suficiente para o desenvolvimento. “A questão não é só quanto se cresce, mas como se reparte esse crescimento”, afirmou. Para a secretária, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita não pode ser o único indicador de bem-estar. “São igualmente importantes o acesso à educação, à saúde, à infra-estrutura básica como água potável e a um emprego digno e decente, assim como a participação de todos os setores, sem exceção, na vida política e social do país”, defendeu.
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/11/07/materia.2007-11-07.9292542661/view
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