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sábado, 28 de setembro de 2019

Espionagem global/"Vigilância massiva, registo permanente", de Edward Snowden


26 Setembro 2019, Resistir.info (Portugal) https://www.resistir.info/jf/snowden_resenha_set19.html

por Jorge Figueiredo



Edward Snowden é o Daniel Ellsberg da nossa época. O analista da Rand que teve a coragem de revelar os "Pentagon Papers" (1971) com o relato dos crimes praticados pelo imperialismo no Vietname é um digno antecessor de Snowden. Ambos caracterizam-se pelo eticismo. Fizeram-no abandonando carreiras confortáveis e assumindo riscos enormes.

O livro "Vigilância Massiva, Registo Permanente", [1] de Snowden, agora lançado em Portugal, é uma auto-biografia intelectual e política. Ela revela a evolução de um homem, extremamente talentoso do ponto de vista técnico e cuja origem social radica nas camadas médias que trabalham para o aparelho de Estado americano. Ele ingressou aos 22 anos na chamada "Comunidade da Informação" (CI) motivado sobretudo pelos sentimentos patrióticos em que acreditava.

Snowden trabalhou para a Central Intelligence Agency (CIA) e para a National Security Agency (NSA), muitas vezes através dos empreiteiros que as serviam. Começou a sua carreira como um jovem técnico desejoso de colaborar para a construção de "um mundo melhor". Acreditava nisso sinceramente e, graças ao seu enorme talento técnico, em apenas sete anos atingiu os mais altos níveis de responsabilidade operacional no aparelho mundial da CI, com acesso

quinta-feira, 25 de julho de 2019

CPLP, Timor-Leste/Fretilin critica acordo de fronteiras timorenses com Austrália por dar muito poder a Camberra


23-07-2019 12:23,  (Portugal) http://portocanal.sapo.pt/noticia/191687

Porto Canal com Lusa

Díli, 23 jul 2019 (Lusa) -- A Fretilin, na oposição em Timor-Leste, disse hoje ter votado contra o tratado de fronteiras com a Austrália por considerar que o documento dá aos australianos recursos timorenses e o poder de deliberar sobre o desenvolvimento do projeto Greater Sunrise.

"Hoje a Fretilin [Frente Revolucionária do Timor Leste Independente] votou contra a resolução sobre o Tratado de Fronteira Marítima porque abre já caminho para partilha de recursos, de forma gratuita, com nosso vizinho. Este tratado entrega também parte da nossa soberania à Austrália com direito para gerir a nossa riqueza, que está dentro do nosso território", explicou

CPLP, Timor-Leste/Fretilin kritika akordu fronteira tasi nian ho Austrália tanba fó liu poder ba Canberra


24 de Julho de 2019, 21:04, Pájina aktualizada iha 22:20h, kuarta-feira 24 Jullu,

Fretilin hatete katak vota kontra iha loron-tersa ne'e ba tratadu fronteira sira ho Austrália tanba konsidera katak dokumentu fó rekursu timoroan sira ba ema australianu sira ho poder hodi desidi kona-ba dezenvolvimentu hosi projetu Greater Sunrise.

"Ohin Fretilin [Frente Revolucionária do Timor Leste Independente] vota kontra rezolusaun kona-ba Tratadu hosi Fronteira Tasi tanba loke ona dalan hodi fahe rekursu sira, ho dalan gratuitu, ho ita nia viziñu. Tratadu ne'e entrega mós parte hosi ita nia soberania ba Austrália ho direitu hodi jere ita nia rikusoin, ne'ebé iha ita nia teritóriu nia laran", esplika hosi Aniceto Guterres Lopes, xefe hosi bankada Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) nian.

"Hanesan retóriku no kontraditóriu sira ne'ebé maka afirma katak ho definisaun hosi fronteira tasi ita manán soberania total, tanba tratadu hanesan fó kbiit desizaun nian ba Austrália no

terça-feira, 9 de agosto de 2016

BRICS, Rússia/A guerra das sanções: novas baixas na União Europeia/Санкционная война: новые потери Евросоюза



9 agosto 2016, Resistir.info http://resistir.info (Portugal)

por Pyotr Iskenderov

DIRIGENTES DA UE AO SERVIÇO DOS EUA ACTUAM CONTRA OS INTERESSES DOS POVOS EUROPEUS

O Ministério do Desenvolvimento Económico russo publicou algumas estatísticas que muitos no ocidente preferem ignorar. Estas revelam que a União Europeia, EUA, Canadá, Noruega e Austrália perderam um mercado anual no valor de US$8,6 mil milhões devido às sanções que aprovaram contra a Rússia. Em tonelagem, as importações russas de alimentos daqueles países diminuíram 98,9% – de 4.331 milhões de toneladas para 46.500. "Poder-se-ia dizer que as vendas perdidas dentro do mercado da Federação Russa foram o equivalente à redução em importações agrícolas daqueles países", enfatizou uma declaração do ministro russo do Desenvolvimento Económico.

Aquele serviço também apresentou uma estimativa aproximada da

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

BRICS, БРИКС/AGORA, É GUERRA TOTAL CONTRA OS BRICS

5 novembro 2014, Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br (Brasil)

Pepe Escobar, Rússia Today

Apertem os cintos, a guerra de informação já desencadeada contra a Rússia deve expandir-se para Brasil, Índia e China.

Brasil, Rússia, Índia e China, como o mundo inteiro sabe, são os quatro principais países do grupo BRICS de potências emergentes, que também inclui a África do Sul e em futuro próximo incorporará também outras nações do Sul Global. Os BRICS perturbam imensamente Washington – e sua Think-Tank-elândia – porque são a corporificação do impulso concertado do Sul Global rumo a um mundo multipolar.

Podem-se apostar garrafas de champanhe crimeano que a resposta dos EUA a esse processo deve ser alguma espécie de guerra total de informação – não muito diferente, em espírito, do “Conhecimento Total de Informação” [orig. Total Information Awareness (TIA)], elemento central da Doutrina da Dominação de Pleno Espectro, do Pentágono. Os BRICS são vistos como importante ameaça –, e conseguir contratorpedeá-los implica dominar toda a grade informacional.

Vladimir Davydov, diretor do Instituto de América Latina da Academia de Ciências da Rússia, acertou o olho do alvo quando observou que “a situação atual mostra que há tentativas para

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

NOVO JOGO, NOVA OBSESSÃO, NOVO INIMIGO – AGORA É A CHINA



31 outubro 2013, ODiário.info http://www.odiario.info (Portugal)


Para Obama há uma causa premente – a China. A África é a história de êxito da China. Onde os americanos trazem drones, os chineses constroem estradas, pontes e barragens. O que os chineses querem é recursos, especialmente combustíveis fósseis. O bombardeamento da Líbia pela NATO expulsou 30 mil trabalhadores chineses da indústria petrolífera. Mais do que o jihadismo ou o Irão, a China é agora a obsessão de Washington na África e para além dela.

Países são “peças num jogo de xadrez sobre o qual está a ser efectuado um grande jogo para a dominação do mundo”, escreveu Lord Curzon, vice-rei da Índia, em 1898. Nada mudou. O massacre no centro comercial em Nairobi foi uma fachada sangrenta por trás da qual uma invasão em grande escala da África e uma guerra na Ásia constituem o grande jogo.

Os assassinos do centro comercial al-Shabaab vieram da Somália. Se algum país é uma metáfora, este é a Somália. Partilhando uma língua e religião comuns, os somalis foram divididos entre os britânicos, franceses, italianos e etíopes. Dezenas de milhares de pessoas foram passadas de uma potência para outra. “Quando se faz com que se odeiem entre si”, escreveu um responsável colonial britânico, “a boa governação está assegurada”.

Hoje, a Somália é um parque temático (theme park) de divisões artificiais brutais, um país há muito empobrecido pelos programas de “ajustamento estrutural” do Banco Mundial e FMI e saturado de armas modernas, nomeadamente aquela da preferência pessoal do presidente Obama: o drone.

terça-feira, 10 de maio de 2011

AUSTRALIA INCITED TIMOR UNREST: WIKILEAKS

5 May 2011/newmatilda.com http://newmatilda.com

Was Australia involved in the unrest that engulfed East Timor in 2006 and led to the resignation of former PM Mari Alkatiri? A leaked US diplomatic cable suggests we were, writes John Martinkus

A leaked US diplomatic cable from the US Embassy in Lisbon in 2006 details a senior Portuguese intelligence official accusing Australia of fomenting the violence in East Timor that year.

The cable, published two weeks ago on the Portuguese news weekly Expresso’s website, states that Australia was encouraging unrest, and that it was motivated by oil. Jorge Carvalho, the chief of staff of the Portuguese intelligence agency, is quoted telling the embassy that "Australia had previously fomented unrest for its benefit". The cable continues:

"He cited two instances — demarcation negotiations of the maritime border between East Timor and Australia and demarcation negotiations of oil exploration boundaries off the shore of East Timor — where Australia had fomented unrest to put the pressure on the government of East Timor".

The cable, dated 12 June 2006, was deemed by the US Embassy in Lisbon to be credible enough to circulate to US embassies in Canberra, Dili, the UN, NATO and Washington — as well as to New Zealand and Kuala Lumpur who were also contributing troops to East Timor. The cable’s author, US Ambassador to Portugal Al Hoffman, defends the credibility of his Portuguese intelligence source calling him "an important pro-American Embassy contact who is not only knowledgeable in intelligence matters but well connected to political parties across the spectrum".

Hoffman goes on to add that Carvalho’s analysis of East Timor was dispassionate: "even his criticism of Australia was delivered in a matter of fact manner".

At the same time as the cable was being written, I was in Dili investigating the cause of the 2006 unrest — which led to the displacement of 130,000 people and the deployment of 2500 international troops to quell the violence. I received information from senior figures in the Timorese armed forces, the F-FDTL, that on three occasions in the previous 18 months two foreigners had approached the F-FDTL leadership requesting their assistance in carrying out an armed coup against the Alkatiri government.

Then prime minister, Mari Alkatiri, told New Matilda at the time that he had been informed of the developments but had not acted on them, as he was confident the F-FDTL leadership would respect the constitution.

Then of course emerged the case of the "petitioners" within the armed forces — a group of 600 soldiers who had been sacked in March after complaining of regional discrimination — and the defection of major Alfredo Reinado and 30 of his men, with weapons.

It was Reinado who began the actual attacks on the F-FDTL on 23 May. The following day, co-ordinated attacks were carried out on the house of the head of the F-FDTL, Major General Taur Matan Ruak, and the F-DTL base on the western outskirts of Dili. The attack on the base was led by a man called Rai Los, who would later emerge as the chief informant in an ABC Four Corners program alleging that Alkatiri had provided him with weapons to form a death squad. Those allegations were instrumental in forcing Alkatiri from power. (The Four Corners team won a Gold Walkley that year for their efforts.)

Reinado was also allowed by the Australian forces to remain free and continue to call for Alkatiri’s resignation — and was provided with SAS bodyguards in his historic hotel accommodation in the hill town of Maubisse.

It seems that whoever had been making approaches to the F-FDTL had finally found some lower level soldiers to carry out their planned coup.

As I detailed in a story for SBS Dateline, "Downfall of a Prime Minister", which went to air on 30 September that year, there were many people in Timor suggesting that Alkatiri-rival (and then president), Xanana Gusmao, had received the support of the Australians and that the armed groups of Reinado and Rai Los, and elements of the police, had initiated the attacks on the F-FDTL. The rumours and accusations of Australian support for the rebel soldiers and the opposition parties were fuelled by the involvement of the Australian military in evacuating the families of pro-Gusmao figures.

Coincidentally, on the day our program went to air, Reinado and 56 of his men walked out of the prison in Dili where he had been incarcerated after Portuguese police had found a large cache of weapons in his house across the road from the Australian base in Dili. The Australian military blamed the New Zealand troops based in the area and nothing more was ever said about it.

Reinado of course was shot dead at the house Jose Ramos Horta on 11 February 2008, after he had recorded a DVD message accusing Gusmao of being behind the 2006 violence.

Rai Los is now a rich man and has recently received a government contract from the Gusmao Government to oversee the laying of power lines in the Liquisa mountain district where he is from. The other rebel leaders have all been pardoned for their role in the 2008 attack on Jose Ramos Horta with former rebel leader Gastao Salsinha telling Timorese news weekly Tempo Semanal, "They played with us as if they played cards, to promote their own interests".

In the Wikileaks cable, Carvalho explains bluntly why Australia was interfering in East Timor’s politics, "Australia’s motives were driven by geopolitical and commercial (e.g. oil) Interests".

At the time, the Fretilin government believed it was Australian support for Gusmao and his anti-Fretilin coalition that had emboldened the opposition to continue demonstrations, armed attacks on the army and gang violence to call for Alkatiri to resign. According to Alkatiri at the time, there was only one world leader calling on him to resign: former Australian prime minister John Howard.

After he finally did step down as prime minister, Mari Alkatiri hinted of Australian involvement in his resignation, particularly focussing on the role of the Australian media, "for me when all the media take the same line accusing me by spreading allegations of all kinds. It seems that there is some mastermind. To quote to give instructions and orientation to the media to do it for the single same purpose to get to have me to get me to step down".

Speaking of his resignation and the campaign to get rid of him he told me in an interview at the time "this has been very well planned and executed very intelligently, professionally".

With more than 300 Cables from the US Embassy in Dili among those to be released by Wikileaks, we will finally get a much clearer picture of what role Australia played in the regime change in East Timor in 2006.

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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Timor-Leste/“Ele é que orquestrou tudo” - QUEM DUVIDA DE QUE HOUVE UM GOLPE DE ESTADO?

22 agosto 2009/timorlorosaenacao

Por Loro Foho

Para quem duvida que houve um Golpe de Estado em 2006, preparado pelas forças australianas, e chefiado por Xanana Gusmão e Ramos Horta, e que o objectivo era derrubar o Governo de Mari Alkatiri, e entregar Timor-Leste a Jonh Howard, vamos reflectir nalgumas coisas, nomeadamente no que é um Golpe de Estado.

Um Golpe de Estado implica um plano secretamente elaborado por pessoas que ambicionam fortemente o poder para dominar tudo e todos. Implica também um conjunto de acções estratégicas, consecutivas, premeditadas, que intencionam criar as condições ideais para a consumação do Golpe. Isto aconteceu em Timor-Leste.

Um Golpe de Estado é, de uma forma entendível, uma mudança súbita e agressiva na estrutura do Estado, imposta por elementos do poder, os quais agem utilizando a traição, o dinheiro, a manipulação de pessoas e a mentira imperando sobre a verdade. Isto aconteceu em Timor.

É uma ruptura violenta e intencional das principais instituições do Governo, principalmente na área da segurança, da justiça, e das finanças. Isto aconteceu também em Timor.

Acrescente-se que um Golpe de Estado tem uma anatomia própria, obedece a tácticas muito complexas, necessitando de participantes poderosos e de um certo tipo de gente, de baixo nível humano, para os apoiar nas suas maquinações secretas, sempre contra o povo, como não podia deixar de ser.

Compõe-se de uma estrutura que serve os interesses do terrorismo político e da corrupção interna e externa. É, só por si, uma organização altamente complexa, isenta de transparência para confundir e baralhar os dados, pois quando se torna urgente uma clarificação, a complexidade e o obscurantismo dessa estrutura é tal que dificilmente se vê a verdade.

Numa linguagem simples, porque eu sou do povo e, como tal partilho convosco os meus sentimentos, digo sem problemas de consciência, que o que aconteceu em Timor-Leste em 2006, foi realmente um Golpe de Estado. Basta relembrar declarações de Jonh Howard sobre Timor, na primeira quinzena de Maio de 2006, as quais serão relatadas nas páginas da nossa história.

Ou vão dizer que é invenção nossa e da própria imprensa mundial?
.
As tácticas utilizadas no Golpe de Estado, não estão dentro do meu âmbito de entendimento, mas os seus resultados que saltam aos olhos de todos nós, foram e são ainda hoje relatados e analisados quer a nível nacional quer a nível internacional.

Somos um povo igual a tantos outros povos, que lutam pela sua independência, bem-estar económico e social.

Em 2002, Mari Alkatiri Alkatiri aceitou ser primeiro-ministro de Timor-Leste.

Contudo, nesse mesmo ano, já os sinais eram evidentes de que se pretendia enfraquecer até à ruptura, o Governo de Timor-Leste, só pelo facto de ser liderado por Alkatiri, um político que já revelava fortes convicções relativamente ao desenvolvimento sustentável da nação, à defesa das riquezas petrolíferas e muita coragem para enfrentar a Austrália e os seus desmedidos interesses relativamente ao mar de Timor e não só. Temos a sorte, que também é a nossa desgraça, de termos riquezas, que deveriam ser só nossas por direito próprio.

Com os ataques e interesses externos, aguentávamo-nos bem, pois estávamos unidos na força do sonho que tínhamos alcançado, sermos independentes e respeitados. Tínhamos condições para começar bem a nossa história como povo soberano e independente. Tínhamos um Primeiro-Ministro honesto, forte e resistente, Mari Alkatiri, e um Presidente carismático, que passava para o exterior uma imagem poética, artística, e ao mesmo tempo guerreira, Xanana. Mas o perigo veio de dentro, dos “nossos”.

O “mito” Xanana, começou a revelar-se, de surpresa, contra o seu povo, que o endeusou. E Xanana dividiu-nos e atiçou-nos contra o Governo de Alkatiri, e colocou-nos uns contra os outros, fazendo-nos acreditar que estávamos divididos, “lorasaes contra loromonos”. Com isto, ficámos totalmente nas mãos da Austrália, que tinha todo o interesse nessa divisão e na degradação das relações políticas internas.

Cedo começamos a perceber que o Primeiro-Ministro era um elemento indesejável para o Presidente, só pelo simples mas poderoso facto de Mari Alkatiri, o Primeiro-Ministro, ter uma visão diferente de Xanana Gusmão, o Presidente. Sorte para nós, pois a visão de Alkatiri era uma visão forte e consistente para a nação, porquanto que a visão de Xanana era uma visão fraca, perigosa e não consistente.

Alkatiri, queria mesmo o desenvolvimento, sem os OPORTUNISTAS A ENCHEREM-SE E A SONEGAREM O PAÍS.

Alkatiri estava a criar estruturas sólidas para desenvolver o país de uma forma verdadeiramente independente.

Alguém pode, honestamente, contrariar isto?

Dizer que tudo era um mar de rosas em Timor-Leste, seria inconsciência. É verdade que havia descontentamento em vários sectores, como consequência da aplicação de políticas restritivas devido ao pouco dinheiro existente nos cofres do Estado, e além disso, condicionado pelo “roubo” dos recursos naturais de Timor por parte da Austrália.

Mari Alkatiri tinha (e tem) uma grande mestria para defender os interesses de Timor no petróleo e no gás, prejudicando os interesses agressivos da Austrália e dos negociantes poderosos sem escrúpulos.

Mari Alkatiri criou o Fundo para o Petróleo, para proteger das garras da corrupção o dinheiro do petróleo de Timor. Os australianos conhecendo bem Mari Alkatiri, começaram a odiá-lo. Então, urgente se tornava preparar o golpe fatal, o qual só teria possibilidades de sucesso com a conivência plena e sem limites de altos membros do Governo de Mari Alkatiri.

Alguém duvida desta verdade?
.
O complô para derrubar Mari Alkatiti, começou em 2002. Pois já nessa altura os Senhores poderosos perceberam que Alkatiri não estava a governar para agradar aos australianos, mas para preparar um futuro estável para Timor e o seu povo.

Parece-nos que o Sr. Gusmão, na altura Kay Rala Xanana Gusmão, não gostou da postura política de Mari Alkatiri e ficou muito preocupado, pois os interesses australianos estariam a ser postos em causa, pouco lhe importando os interesses do seu povo. Parece-nos que o mais importante para o Sr. Gusmão, era não melindrar a poderosa Austrália.

Percebia-se que o Sr. Gusmão estaria a arquitectar algo contra Mari Alkatiri, o qual era uma desilusão para ele, pois não se deixava ir na onda dos australianos, não era facilmente manipulável e, não sendo um mito, sendo simplesmente “o Chefe”, estava mesmo a trabalhar para libertar o povo das garras dos potenciais inimigos, o Governo de John Howard.

Poderá entender-se como normal, um governo acabado de nascer, ser alvo de tantas interferências estranhas por parte de muitos estrangeiros e organizações que se dizem trabalhar pela paz? E perante isto, o Presidente Xanana sentir-se confortável, e posicionar-se contra o Governo da jovem nação, de que ele era o representante máximo?

O desconforto parecia provir do seguinte:

MARI ALKATIRI JÁ REVELAVA TER UMA POSIÇÃO DURA RELATIVAMENTE AO PETRÓLEO E AO GÁS.

MARI ALKATIRI CORAJOSAMENTE DESAFIOU AS REIVINDICAÇÕES DA AUSTRÁLIA SOBRE O PETRÓLIO E O GÁS DE TIMOR.

Pareceu-nos desde muito cedo, e confirmámos mais tarde que,
A COMUNIDADE INTERNACIONAL EM TIMOR ESTAVA MUITO MAIS EM SINTONIA COM O LADO DA AUSTRALIA DO QUE COM OS NOSSOS SENTIMENTOS DE TIMORENSES.

Por isso foi tão fácil criar uma terrível crise e um habilidoso e manhoso Golpe de Estado.

A situação interna era muito complexa, difícil de dominar, porque a Austrália, Xanana e Ramos Horta, queriam a todo o custo o derrube de Mari Alkatiri, o qual nunca se deixou intimidar por Jonh Howard e, mesmo prejudicando a sua imagem política, lutou quanto pode pelos verdadeiros interesses de Timor e do seu povo e, enfrentou Xanana e Ramos Horta de cabeça levantada, com dignidade e respeito pelo povo. Revelou ser um político como já há poucos.

Quem está fora da política não entende o quanto foi difícil liderar um governo que estava a ser alvo constante de conspirações internas e externas, altamente perigosas e criminosas para os destinos da nação. O ambiente interno era muito frágil, alguns “estrangeiros” encarregavam-se de pactuar com as “tramas secretas” já em curso no sentido de derrubar o Governo. Rumores, calúnias e ódios contra Alkatiri e a Fretilin, eram o prato de cada dia.

Com o passar do tempo e das conturbações intencionalmente provocadas, os descontentamentos eram muitos, uns com razões válidas, outros fomentados, pois tinha de se criar um “clima” propício para a preparação, execução e consumação do Golpe de Estado, com vista a derrubar Mari Alkatiri e o seu Governo por inteiro.

Os graves distúrbios ocorridos em Abril de 2006, tinham em vista “outros” propósitos muito mais complexos que corrigir os erros e a instabilidade interna “provocada”.

Os “estrangeiros” e pessoas do exterior que apareceram subitamente em Timor, já eram os tentáculos de quem tentou e conseguiu dividir a nação.

Os australianos queriam Alkatiri fora. Não esquecendo que os representantes da igreja católica de Timor-leste também queriam.

E se bem o queriam, melhor o fizeram, por isso organizaram a famigerada manifestação de 2005, a qual nos fez recordar o período negro, terrível, da Inquisição.

Ou vão dizer que é invenção?

Pairava no ar uma tensão permanente. Contudo, ainda não acreditávamos que Xanana estava já a “trabalhar” em conspirações altamente secretas. Muitos de nós, povinho crente, não acreditávamos no que os olhos viam.

O importante para Xanana e seus discípulos era abrir as portas para a Austrália entrar em força. Essa era a realidade à frente dos olhos. A ONU ajudou, pactuou, para tristeza da própria ONU, que só ficou a perder em termos de credibilidade perante o Mundo.

Mais importante para Xanana era garantir a segurança económica da Austrália. O futuro do povo timorense pouco lhe importava, porque já era, por destino um “povo sofredor”, habituado ao sofrimento, por isso toca a andar para a frente rumo aos golpes de traição, consecutivos.

A violência que foi paga em 2006, para derrubar o governo de Alkatiri, e criar uma crise social terrível, é a mesma “violência” que compra agora a paz, uma paz degradante que só é garantida a preço de ouro.

Em 2006, ninguém tinha dúvidas de que Timor estava a ser vítima de um Golpe de Estado, com tácticas muito sofisticadas, tendo grandes potencias por trás a comandar os actos do Sr. Xanana, o qual era totalmente apoiado pelos “caçadores de ouro negro” e por um grande exército de “estrangeiros” que se penduraram a aplaudi-lo, pois sabiam que a “mina” poderia ser inesgotável.

Quem pagou a todos os que semearam a violência da crise de 2006? Uma pergunta que merece ser reflectida.

Alkatiri, foi obrigado a demitir-se. Vitória para Jonh Howard, vitória para Xanana. Derrota para o povo timorense.

Mas um dia, terá de ser explicado ao povo timorense quem se envolveu neste plano maquiavélico, golpista, sujo, cheio de vis traições. A História assim o exigirá, não pela violência, mas pela Verdade que reina acima de todas as coisas.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Ex-torturador timorense provoca debate na Austrália

Díli, 20 outubro 2008 (Lusa) - Uma comissão do Senado australiano discute terça-feira a situação de um ex-torcionário timorense que entrou na Austrália com um visto de peregrino.

A situação de Gui Campos, um colaborador da inteligência militar indonésia desde os primeiros anos da ocupação de Timor-Leste, vai ser abordada numa das comissões do Senado australiano.

É a segunda vez que o Governo federal vai ser questionado em relação a Gui Campos, que entrou no país há poucos meses com um visto concedido para participar no Dia Mundial da Juventude, durante a visita do Papa Bento XVI à Austrália.

Na sessão de 13 de Outubro, o senador Bob Brown, líder dos Verdes australianos, questionou o ministro da Imigração e Cidadania, o senador Chris Evans, sobre a presença de Gui Campos no país e exigiu saber também se as autoridades australianas pretendem agir contra o ex-torturador ou deixá-lo fugir.

Vários activistas timorenses na Austrália e também vítimas ou familiares de pessoas interrogadas, torturadas ou mortas por Gui Campos ou por sua indicação pretendem que o ex-colaborador dos indonésios seja preso e julgado por esses crimes.

Gui Campos, de 55 anos, residente em Díli, foi reconhecido numa rua de Sydney por uma mulher timorense que é irmã de um rapaz de onze anos que morreu em 1978 na capital timorense depois de ser interrogado e espancado pelo temido agente.

No seguimento dessa descoberta e da denúncia de Gui Campos na televisão australiana, vários outros testemunhos vieram a público confirmando as acusações contra o agente indonésio.

José Belo, um dos jornalistas timorenses mais conhecidos e director do jornal Tempo Semanal, e Naldo Rei, autor de um livro recente sobre a experiência da resistência timorense, acusam Gui Campos de os ter torturado nos anos 1990, com choques eléctricos e espancamentos.

Muitos outros episódios do currículo de Gui Campos estão documentados quer pelas suas vítimas em Díli quer pelos arquivos das comissões que investigaram a violência em Timor-Leste entre 1975 e 1999.

No Senado australiano, a oposição pretende saber como foi possível um homem com este currículo obter um visto de peregrino, que, segundo informação oficial, Gui Campos pretende renovar.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

SE HÁ TIMORENSES COM FOME PARA QUEM VÃO OS MILHÕES?

Por Gonçalo Tilman Gusmão

16 outubro 2008/timorlorosaenacao

Compreende-se. A corrupção é tanta que quase nada sobra para pôr cobro à miséria

“Eles só podem estar a mentir… e a roubar”, dizia-me um timorense indignado que assumidamente votou no CNRT, enquanto a mulher votou no PD. Queixava-se ainda de que os familiares, quase todos votantes na Fretilin, se riem muito quando eles se queixam de que a vida está cada vez mais difícil até para quem antes vivia razoavelmente e que pelo país se vê muito mais miséria, desde que o governo é chefiado por Xanana Gusmão.

Dizem-lhes os familiares que têm a sua quota-parte de responsabilidades por todos estarmos a viver pior, que “não votassem nos ladrões”. Ele acena a cabeça, desiludido, “acabam por ter razão, não devíamos ter acreditado em Xanana”, remata rendido às evidências.

“Eles só podem estar a mentir… e a roubar”, dizia, perguntando de seguida “onde estão os milhões de que tanto falam mas que nós não vimos? Se não se refletem no benefício do país e de todos nós quem é que está a ficar com os milhões?

Esta conversa aconteceu há cerca de duas semanas, em Dili, e o timorense em questão foi um encrespado defensor de Xanana Gusmão e pela formação do CNRT e respetivas campanhas eleitorais, passando a ser um crítico da Fretilin, segundo ele “levado pela igreja para as manifestações por confiar em Maubere, o padre que nos enganou…”

A testemunhar que o governo da AMP se está a governar e não a governar o país surgem afirmações de organizações internacionais insuspeitas a afirmá-lo. Desde que a AMP de Xanana Gusmão assumiu o Poder a corrupção disparou e agora surge um diagnóstico insuspeito da OXFAM, da Austrália, que aponta para a triste verdade do aumento da fome em Timor-Leste.

Há mais fome em Timor-Leste e não deixa de ser curioso que a nossa igreja silencie esta triste realidade quando anteriormente era a primeira a denunciar um ou outro caso e até a exagerar.

Também os deputados da dita maioria se calam, provando estar a defender os interesses da sua associação em vez de defender os interesses daqueles que representam e que neles votaram. Cuidam dos seus interesses pessoais e coletivos ignorando os que acreditaram nas suas palavras e promessas, ignorando a fome e subnutrição que abunda pelo país.

Se há fome, se o “último relatório da ONG aponta que o número de crianças menores de cinco anos que sofrem desnutrição crónica no país oscila entre 50% e 59%, se “além disso, mais de 70% das famílias enfrentam a cada dia a incerteza de se conseguirão comida para o dia”. Para quem está a governar esta AMP de Xanana Gusmão, de La Sama, de Mário Carrascalão e de mais uns quantos?

Compreende-se. A corrupção é tanta que quase nada sobra para pôr cobro à miséria a que votaram o país. Compreende-se. Ramos Horta foi tão atemorizado pela ameaça real à sua vida e pelas chantagens que vai falando mas nada diz que possa constituir críticas à má governação em curso.

Melhor seria que se demitisse ou que nos voltasse a chamar para nos pronunciarmos democraticamente em novas eleições, para tudo, para a Presidência da República e para o Parlamento, caso contrário o senhor Presidente da República que explique aos timorenses: apesar de tantos milhões porque razão há tanta fome em Timor e porque tem tendência a aumentar, já agora aproveite e exija também aos seus Bispos que o acompanhem nas explicações e que digam quanto é que os senhores Bispos já receberam para as suas Igrejas, conforme foi prometido na sua campanha eleitoral. É sabido que já receberam, quanto foi é que não sabemos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Timor-Leste/DUVIDOSO DESEMPENHO DAS FORÇAS AUSTRALIANAS?

Por Patrick O'Connor

World Socialist Web Site/2 Setembro 2008

Fonte da tradução: timorlorosaenacao/4 setembro 2008

Continuação da postagem Golpe contra Reinado - INVESTIGAÇÕES BLOQUEADAS, PROVAS CORROMPIDAS


Continuam por verificar uma série de questões pendentes no que respeita ao governo australiano e militares nas tenebrosas relações com Reinado desde o seu papel na crise de 2006.

Nas semanas que antecederam a 11 de Fevereiro de Reinado e os militares australianos, utilizaram Angelita Pires como intermediária, informando-se mutuamente sobre as respectivas deslocações, a fim de evitar eventuais encontros inesperados no interior de Timor. Além disso, é agora também conhecido que, pelo menos, um militar australiano de alta patente foi directamente envolvido nas negociações entre Ramos Horta e Reinado no mês de Janeiro. De acordo com um artigo em 22 de Agosto o Major Michael Stone acompanhado do presidente Horta esteve na reunião em 13 de Janeiro que ocorreu em Maubisse.
Stone foi nomeado conselheiro militar sobre a situação por Ramos Horta em finais de 2007, após ter sido concedido um período de dois anos de suspensão de funções no exército australiano.

Não pode haver dúvida de que a inteligência australiana teria tido o ex-militar e elementos principais sob estreita vigilância até 11 de Fevereiro. Do mesmo modo, é altamente improvável não terem sido interceptados telefonemas e mensagens de texto de Reinado enviadas a partir de seu telefone móvel - inclusive chamadas efectuadas e recebidas a partir Austrália.

Como foi então possível Reinado e seus homens serem capazes de conduzir a partir do distrito Ermera, sudoeste da capital, até Dili e à casa de Ramos Horta sem serem detectados por qualquer pessoa, incluindo as centenas de soldados australianos e da Nova Zelândia, no país?

Com doze homens fortemente armados a acompanharem Reinado em dois veículos, e um outro com dez homens do grupo de Gastão Salsinha, em outros dois veículos, era praticamente impossível não detectar aquele comboio de viaturas. Além disso, os homens de Reinado disseram à imprensa que fizeram o percurso lentamente para evitar uma chegada antecipada àquilo que acreditavam ser uma convocação para satisfazer o presidente.

"Os rebeldes salientaram que viajaram devagar até Dili, com paragem em locais para "matar o tempo", a fim de chegarem à hora para que tinham sido convocados", relatou The Australian.

Um dia depois dos atentados de 11 de Fevereiro, o Brigadeiro-General Taur Matan Ruak, do exército timorense, expressou a sua preocupação: "Dado o grande número de forças internacionais presentes em Timor-Leste, nomeadamente no âmbito da capital, como é que é possível que os veículos que transportam pessoas bem armadas entrarem na cidade e executarem operações nas residências do presidente e do primeiro-ministro sem terem sido detectadas? Tem havido uma falta de capacidade demonstrada pelas forças internacionais, que têm a principal responsabilidade pela segurança dentro de Timor-Leste, ao prever, reagir e evitar esses acontecimentos. "

Ramos Horta, posteriormente, fez comentários semelhantes: "Eu não vi nenhum ISF [Australian-led Estabilização Força Internacional] nem elementos da UNPOL [policiais] na área ... Normalmente eles são supostamente para actuar instantaneamente, e neste caso de extrema gravidade que seria normalmente vedarem toda a região, bloqueando a saída dos atacantes isso não aconteceu. Tanto quanto sei, nenhuma perseguição aos atacantes foi feita durante vários dias. Como foi possivel o Sr. Alfredo Reinado não ser detectado em Dili quando era suposto o ISF manter debaixo de olho os seus movimentos? "

As circunstâncias da morte de Reinado levantam a questão de saber se as forças australianas o fizeram deliberadamente deixando-o descer para Dili em 11 de Fevereiro.

Tal seria um acto incompatível com o que diz Camberra, que afinal consegue um imundo recorde em Timor-Leste.

Em 1975 o governo do Trabalhista Whitlam incentivou a junta militar indonésia para invadir e anexar a ex-colónia Portuguesa; mais tarde o governo trabalhista Hawke-Keating concluíu um acordo com os militares do ditador Suharto para a exploração ilegal dos mil milhões de dólares em reservas de petróleo e gás do Mar de Timor.

Em 1999, o governo Howard expediu centenas de militares a fim de proteger os australianos da elite dominante e os interesses vitais nas meias-ilha, supervisando a sua transição para a chamada independência perante o colapso do regime Suharto.

O papel desempenhado pelo governo australiano no envio de forças militares em 2006, na "crise" e subsequente violência ainda está para ser determinado.

Não há dúvida, porém, que o governo Howard manipulou a agitação para justificar o envio das tropas e, em seguida, foi o engenheiro da "troca de regime" à medida dos seus interesses financeiros e estratégicos.

Mari Alkatiri e a sua administração foi considerada demasiado perto de poderes rivais, nomeadamente de Portugal e da China, tendo-se revelado menos dispostos a acolher plenamente as exigências de Camberra durante as negociações sobre a atribuição do petróleo e gás natural no Mar de Timor

Após ter despendido esforços e substanciais recursos para expulsar Mari Alkatiri, o governo australiano teria visto com alarme o Presidente Ramos Horta com aparente disponibilidade para proceder à dissolução do governo Gusmão, vendo potencialmente a possibilidade do regresso ao poder de Alkatiri.

Em meio da escalada de hostilidade entre os timorenses para com a presença militar da Austrália, esse seria um grande revés, com potenciais consequências geoestratégica para além das fronteiras de Timor. A crescente influência da China está a criar sérias preocupações no âmbito da política externa australiana e o estabelecimento de Camberra na hegemonia do Pacífico Sul, que está a ser fatalmente minada.

Foi isto, acima de tudo, que levou às operações militares e policiais da Austrália em toda a região nos últimos anos, nomeadamente em Timor-Leste.

Macau reforça autonomia ao servir de plataforma entre China e lusofonia

Macau, China, 8 setembro 2008 (Lusa) - O papel de plataforma de Macau na ligação entre a China e os países de língua portuguesa contribui para o "reforço da autonomia" do território dentro da grande China, considerou o académico português Moisés Fernandes.

Em declarações à Agência Lusa, Moisés Fernandes, presidente do Instituto Confúcio e que hoje proferiu em Macau uma conferência sobre o papel do território como plataforma de ligação económica e comercial entre a China e a lusofonia, considerou que o trabalho do território lhe confere um maior peso na política chinesa.

"Este papel de ligação, que Macau já desempenhou no passado e que desapareceu com o fim do império português, permite ao território assumir um papel na política externa da China, centrada nos países de língua portuguesa", disse.

E é nesse papel de ligação ao mercado externo, que Moisés Fernandes recordou não ser uma competência local, já que a diplomacia e a defesa estão a cargo do Governo Central, que está o reforço da autonomia "através da conquista de uma posição internacional".

"Não sendo Macau uma praça financeira com a dimensão internacional de Hong Kong, ao desempenhar este papel de plataforma entre a China e os países de língua portuguesa, através do fórum, reforça o seu peso político quer interna quer externamente", disse.

O académico considerou também que o fórum de Macau pode "ajudar a levar São Tomé e Príncipe para uma relação política com a China" já que aquele país africano, que mantém relações diplomáticas com Taiwan, é um observador do fórum de Macau e não está excluído da componente comercial da estratégia chinesa.

"Além de Angola, não podemos descurar que São Tomé e Príncipe e a Guiné-Bissau são também países onde existe petróleo", afirmou.

Com um crescimento económico que Moisés Fernandes classificou de "avassalador", a China precisa de recursos naturais que possui mas que "não são suficientes para o seu desenvolvimento".

"Então compra ao exterior, aproveita Macau para a sua ligação com a lusofonia - principalmente o Brasil e África - e proporciona pacotes de ajuda excelentes como empréstimos a juros mais baixos e investimentos em infra-estruturas que em África são muito necessários", explicou.

Sem estruturas no país que proporcionem a formação dos quadros necessários a dominarem o português e o chinês, a China recorre a Macau e dá à cidade a oportunidade de reassumir o seu papel de ponte.

"Ao contrário do espanhol, que é ensinado em 68 departamentos na China, o português só é ensinado em quatro universidades, o que não dá resposta às necessidades do Estado", disse.

Moisés Fernandes considerou que "enquanto a China mantiver taxas de crescimentos elevados, o papel de Macau continuará a ser reforço enquanto plataforma", mas haverá, na lusofonia, outras alianças que podem originar ganhos maiores.

"Em Angola, a China vai buscar petróleo, mas Angola é longe e os riscos de segurança do transporte do petróleo e a instabilidade política no percurso até à China são elevados e por isso Timor-Leste pode ser uma alternativa", referiu. O investigador acrescentou que está a ser trabalhada "uma convergência de agenda política entre Portugal, Indonésia, Malásia e a China para mitigar a hegemonia australiana em Timor-Leste, abrindo caminho a Pequim para aceder aos recursos naturais do país".

"Não haverá nenhum acordo escrito mas uma convergência de agendas centrada nas questões económicas", disse, salientando que este será um "trabalho de paciência" e que é feito com pequenos passos, como a abertura de escolas onde se pode aprender mandarim, como hoje acontece em Díli, e outros investimentos chineses que estão a ser realizados no país.
"Depois não nos podemos esquecer que a todos estes países interessa diminuir o peso australiano em Timor-Leste", concluiu.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Timor-Leste/AUTÓPSIA MOSTRA “GOLPE” CONTRA REINADO – atingido à queima-roupa


Por Patrick O'Connor

World Socialist Web Site/2 setembro 2008

Fonte da tradução: timorlorosaenacao/4 setembro 2008

Dois relatórios da autópsia que foram publicadas na íntegra no site do WikiLeaks vêm refutar definitivamente a versão oficial dos acontecimentos de 11 de Fevereiro em Timor Leste, segundo a qual o ex-rebelde Alfredo Reinado se tinha envolvido num tiroteio em casa do Presidente José Ramos Horta com as suas forças de segurança.

Esta foi a suposta versão oficial que alegava uma tentativa de golpe e assassinato de Ramos Horta e Xanana Gusmão, Primeiro-Ministro. As provas agora disponíveis chamam à atenção para as fortes probabilidades levantadas desde o inicio pelo World Socialist Web Site - que Reinado foi atraído para Díli a fim de ser assassinado.

O relatório da autópsia de Reinado indica que ele morreu após ser baleado no olho à queima-roupa.

De acordo com um perito forense consultado pelo jornal australiano, a conclusão da autópsia da "queima e escurecimento da pele circundante" para cada uma das quatro feridas de Reinado (para os olhos, peito, pescoço e mão) significa que ele foi alvejado a partir de um intervalo de menos de 30 centímetros. O relatório sobre o colega de Reinado, Leopoldino Exposto revela que ele foi morto por um único tiro na parte de trás da cabeça, também por uma arma em "alta velocidade disparada e fuzilando a curta distância".

Reinado e seus homens estavam fortemente armados quando entraram na casa de Ramos Horta no início da manhã de 11 de Fevereiro. As autópsias relataram que Reinado vestia uma jaqueta verde com 12 carregadores contendo um total de "347 munições". Exposto tinha carregadores com 39 munições na sua jaqueta, bem como um saco com mais 98 munições.

É inconcebível que Reinado - que tinha recebido treino militar na Austrália - possa ter conduzido os seus homens numa operação hostil contra Ramos Horta, mas em seguida se deixasse balear à queima-roupa sem que tivesse ferido um único guarda presidencial.

Um homem de Reinado, dos que foram detidos disse sob juramento que eles tinham entendido que havia uma convocação para um encontro com o presidente. Várias testemunhas civis têm agora apoiado este testemunho.

Meses após o assassinato de Reinado e Exposto, e a tentativa de assassinato de Ramos Horta, que a imprensa faz eco do noticiado pelo Australian, contrariando a linha oficial apresentada por ambos os governos, timorense e australiano.

Profundamente cépticas são as declarações emitidas por uma série de altas figuras políticas em Díli, muito em especial as da Fretilin e do seu líder e ex-Primeiro-Ministro Mari Alkatiri, que já havia declarado ter provas fotográficas de que o alegado atentado ao veículo de Gusmão havia sido encenado.

A versão oficial dos acontecimentos é agora tão implausível e desacreditada que mesmo a média australiana sente-se obrigada a mudar de rumo.

Após a análise das provas da autópsia, o australiano Paul's Toohey afirmou em 13 de Agosto: "O que é certo é que os acontecimentos no interior da casa presidencial naquela manhã não são tão claros como anteriormente apresentados, e pode indiciar que Reinado e Exposto caminharam para uma armadilha…”.

Um artigo publicado mais tarde no mesmo jornal acrescentou: "Muitos timorenses acreditam que tudo isto foi um set-up; que o líder rebelde Alfredo Reinado foi convidado para ir a Dili para ser morto, ao fim de dois anos de stand-off, em que ele e o seu grupo se mantiveram rebeldes e armados nas colinas no oeste do país. "

Um artigo publicado na imprensa em 19 de Agosto, no Fairfax, lançou sérias dúvidas sobre a anterior alegação de que um dos homens do Reinado, Marcelo Caetano, tinha dado os tiros no Presidente Ramos Horta.

"Os investigadores acreditam agora que os tiros partiram de um homem vestindo um uniforme diferente do dos homens de Reinado, pertencente a um gangue de uma gangue que veste esse tipo de uniformes" esta é a história revelada.

"A revelação irá ser combustível fresco para a especulação em Dili, sobre que Reinado foi atraído a casa do Sr. Ramos Horta, mas onde pistoleiros os estavam esperando."

A série de provas e as fugas noticiosas que surgiram nos últimos quinze dias levantam a pergunta óbvia: se, como parece cada vez mais, Reinado foi atraído para a residência de Ramos Horta para ser morto, foi porquê e por quem?

Essa questão não foi ainda levantada por qualquer órgão da média australiana. Ainda mais espantoso não ter sido feita uma única pergunta sobre os acontecimentos de 11 de Fevereiro e suas consequências, quer Gusmão ou ao primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, durante a conferência de imprensa conjunta, realizada em Camberra, na passada segunda-feira.

Gusmão e a crise de 2006

As novas provas apontam para a possibilidade de o Primeiro-Ministro Gusmão, ou forças estreitamente alinhados com ele, serem responsáveis pelo assassinato de Reinado. Não há dúvida de que ele estava entre os que têm mais a ganhar com a morte do Reinado.

Semanas antes de sua morte, o ex-rebelde Reinado fez uma declaração acusando directamente Gusmão de instigar a dividir em 2006 os militares timorenses, o que precipitou a violência generalizada e culminou com a implantação de centenas de soldados australianos, seguida pela demissão do Primeiro-Ministro Mari Alkatiri.

Já há substanciais indícios que apontam Gusmão no papel de provocador da crise 2006. Reinado expressou na sua declaração que o primeiro-ministro não tinha explorado apenas dividir os militares para os seus próprios fins, mas tinha também trabalhado activamente para provocar a violência, a fim de fazer cair o governo da Fretilin.

O DVD, amplamente divulgado, onde essas acusações foram feitas também incluiu ameaças de Reinado de revelar mais informações sobre as acções de Gusmão.

Reinado foi morto antes que tivesse a oportunidade fazer mais declarações. Mas foi mesmo sério que as suas primeiras acusações tivessem desestabilizado Gusmão, já instável na coligação governamental.

No início de Fevereiro, o presidente Ramos Horta tinha indicado que ele concordava com a Fretilin na realização de novas eleições e a eventual constituição de uma nova administração.

Em uma reunião realizada em Díli em 7 de Fevereiro - apenas quatro dias antes de Reinado ser morto a tiros - Ramos-Horta anunciou que iria convocar uma reunião de parlamentares e o governo para tentar chegar a um acordo para novas eleições. Com Gusmão firme na oposição e insistindo em que seu governo poderá continuar a governar, a reunião terminou inconclusiva. Outras reuniões foram programadas, mas jamais realizadas, devido à violência de 11 de Fevereiro, após o que Gusmão anunciou o "estado de sítio" e alegou a emergência de poderes autoritários.

A aparente aproximação de Ramos Horta com a Fretilin coincidiu com a tentativa do presidente acordar uma "rendição" com Reinado. O presidente reuniu-se com o "rebelde" soldado em 13 de Janeiro e ofereceu a amnistia para as acusações contra Reinado (decorrentes de ataques em 2006 às forças governamentais), se ele aceitasse primeiro desarmar-se e submeter-se à prisão domiciliária.

Estas negociações apontam igualmente para a inexistência de qualquer motivo lógico para Reinado querer conduzir um ataque armado contra Ramos Horta.



INVESTIGAÇÕES BLOQUEADAS E PROVAS CORROMPIDAS


No rescaldo dos acontecimentos de 11 de Fevereiro, o Primeiro-Ministro Gusmão tem bloqueado a formação de um inquérito internacional, apesar do parlamento timorense o ter exigido. Como resultado, o único inquérito em curso é chefiado pelo procurador-geral do país, Longuinhos Monteiro, que tem pouca credibilidade, em Díli. Um relatório das Nações Unidas em 2006, na crise, acusava Monteiro de seguir cegamente Gusmão, e concluiu que ele não "funcionava independentemente do estado de Timor-Leste".

De acordo com um relatório das Nações Unidas sobre Monteiro transpareceu do inquérito sobre a morte do Reinado e atentado a Ramos Horta, que o Departamento Nacional de Investigação tinha sido submetido a "ingerência política e militar" e uma grande falta de cooperação.

A Associated Press acrescentou: "Houve manipulação de provas - incluindo as armas utilizadas pelos rebeldes…

Uma fonte próxima à investigação disse que as F-FDTL [Forças Armadas timorenses], os soldados que estavam guardando o presidente teve telefone celular de Reinado ativado, e continuou a receber e efectuar chamadas até vários dias após a sua morte, antes da sua entrega aos pesquisadores."

Esta crítica, junto a provas de corrupção, combinado com o veto de Gusmão a um inquérito internacional, pode resultar na inexacta versão do curso dos acontecimentos que levaram à morte do Reinado e do atentado a Ramos Horta, conduzindo a nunca serem conhecidos. Monteiro do relatório final será provavelmente um desculpar.

Sérias dúvidas têm sido levantadas pela jornalista portuguesa Felícia Cabrita acerca de Assis, um dos militares da segurança pessoal de Ramos Horta. Em um relatório publicado no jornal semanário Sol, em Março, Felícia Cabrita sugeriu que Assis traiu tanto Reinado como Ramos Horta. Os registos telefónicos indicam que Assis e Reinado tinham mantido contactos frequentes no período que antecedeu a violência de 11 de Fevereiro. O relatório também alegou que o líder dos amotinados “peticionários”, Gastão Salsinha, também contactou Assis, que lhe disse que Reinado e Exposto tinham sido mortos e que Ramos tinha sido atingido e estava bastante mal.
Gastão Salsinha pertencia ao grupo de Reinado, mas, em vez de falar com ele, que sabia estar deslocado em casa de Ramos Horta, ligou para Assis. Por que razão Assis falou com Gastão Salsinha a dizer-lhe o que tinha acontecido? A guarda de Ramos Horta da guarda já sabia de antemão que o líder dos “peticionários" tinha chegado a Díli com Reinado?

Às muitas questões por responder resta apenas acrescentar a incerteza sobre o que realmente aconteceu em relação ao alegado atentado a Gusmão que alega que o comboio de veículos em que seguia foi vítima de tiroteio, depois dos incidentes em casa de Ramos Horta.

Muitas suspeitas também têm caído sobre a componente indonésia de Hércules MARÇAL Rosário, que visitou Díli apenas 11 dias antes de Fevereiro.

"Hercules nasceu em Timor-Leste, em Jacarta ganhou notoriedade na década de 1990 como gangster", o Melbourne's AGE relata e continua. "Seu gangue também serviu com agente para o regime Suharto, para intimidar dissidentes e activistas pró-independência de Timor-Leste. Seus “clientes” foram altas patentes militares como o então general Prabowo Subianto, genro de Suharto. Numa fase em que ele viveu em Jacarta foi na casa do Major-General Zacky Anwar Makarim, que em 2003 foi indiciado por um Tribunal Penal das Nações Unidas para os crimes contra a humanidade. "

Pesquisadores têm noticiado que HÉRCULES contactava e se reunia com Reinado. Seu número também foi encontrado na lista do telefone móvel de Reinado.

Em 21 de Janeiro, apenas três semanas antes de Reinado ser morto, Hércules reuniu-se com Gusmão, aparentemente como parte de uma delegação empresarial indonésia investigando oportunidades de investimento.

Num extraordinário movimento, o governo Gusmão anunciou no início deste mês que Hércules adjudicara um contrato para a construção de uma mini-Mart e piscina no local de um campo de refugiados no centro de Díli - apesar dos relatos sobre o gangster, suspeições e potenciais referências para investigação no âmbito de provável envolvimento na morte de Reinado e atentado a Ramos Horta.
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Continua - a seguir: DUVIDOSO DESEMPENHO DAS FORÇAS AUSTRALIANAS?

sexta-feira, 27 de junho de 2008

TIMOR-LESTE NIA LEI FOUN KONA BA MINA RAI LOKE ODOMATAN BA KORUPSAUN



FRENTE REVOLUCIONÁRIA DO TIMOR-LESTE INDEPENDENTE
(FRETLIN)





Komunikadu Imprensa, 23 Junu 2008


Timor-Leste nia lei foun kona ba mina rai loke odomatan ba korupsaun

Lei foun kona ba mina rai Timor-Leste nian halo lalais liu no halo subar hosi públiku (sekretu) no ida ne'e sei loke odomatan ba korupsaun no jestaun a'at ba rendimentu gaz no mina rai nian, FRETILIN hatete ohin.

" Importante ba ita nia nasaun nia futuru halo konsulta públika makas liu ta'an no ható lei ne'e ba Parlamentu atu diskute didiak , dehan José Teixeira, eis- Ministru Rekursus Naturais , Minerais no Politika Enerjétika nian.

Maioria Aliansa Parlamentar governu defaktu Xanana Gusmão nian ( koñesidu nudar AMP) aprova dekretu-lei kona ba Autoridade Nasional Mina Rai nian iha 18 Juñu 08.

Autoridade Nasional Minarai (ANM) mak sei halao ba oin knaar Autoridade Dezignada ba Tasi Timor nian atu tau matan ba Área Dezenvolvimentu Konjuntu Minarai nian ba Timor-Leste no Australia. ANM mak sei simu responsabilidade ba regula esplorasaun hotu-hotu iha Timor-Leste kona ba minarai, produsaun, prosesamentu no knaar fan nian, iha tasi no iha rai laran.

" Konsellu Ministrus la devia pasa deit lei ne'e ho deit Governu ninia dekretu , maibé, devia haruka ba Parlamentu diskute no aprova" , Teixeira hatete.

"Sira fo deit loron lima ba públiku halo komentariu kona ba lei ninia esbosu, ne'e hanesan goza fali ho konsulta públika ", nia hatete.

Nia mo'os hatete katak esbosu ne'e viola prinsípius bázikus Konstituisaun RDTL nian no mo'os lei mina rai nian no hamenus kontrole Parlamentu nian ba sektor minarai no despezas fundu minarai nian.

" Hori uluk bainhira FRETILIN sei kaer governasaun, molok ami aprova lei kona ba sektor minarai, ami halo konsulta públika barak no lori tempu naruk ba simu no analiza buat ne'ebé públiku ható ba ami. Ba ami, importante tebes katak parte interesada hotu-hotu, liu-liu ita nia povu no sosiedade sivil atu kompreende didiak no ható sira nia hanoin ba lei ne'ebé ami hakarak aprova".

Fundu Minarai Timor-Leste nian ne'ebé Governu FRETILIN harii, iha ona besik dólar amerikanu bilian tolu iha poupansa, no hetan terseiru lugar núdar avaliasaun ne'ebé "Paterson Institute for International Economics" halo ba fundu oi'oin estadu nian kona ba transparénsia,; kona ba kritériu ida ne'e Timor-Lsete tuir kedas Noruega no Nova Zelândia.

" Minarai importante tebes ba ita nia nasaun nia futuru. Maibé, minarai mo'os hamosu ona problema korupsaun no halo a'at ba ambiente ne'ebé loke dalan ba konfliktu sosial no polítiku , iha rai barak", Teixeira hatete.

" Dalan diak ba ita hase'es a'an hosi konflitu iha Timor-Leste maka Konsulta públika diak ida hodi hetan hotu-hotu nia kontribuisaun no konsensu".

" Ita haré duni katak parte hotu, nasional no internasional sira, laran taridu no preokupa tamba governu halo lei ne'e sub'subar deit no ansi demais".

"Parlamentu ninia Komisaun rasik – Komisaun ba Rekursus Naturais, Agrikultura no Ambiente la haré esbosu lei ne'e ninian. Iha fulan ne'en nia laran, deputadu FRETILIN nian husu bei'beik atu Ministru Rekursus Naturais ka Sekretáriu Estadu atu explika kona ba knaar ne'ebé sira halao kona ba sektor minarai nian, maibé, sira la hatán".

"Governu defaktu ninia komunikadu imprensa rasik hatete sai katak sira halo akordu ho kompañia minarai estranjeiru atu fó asisténsia téknika ba halo esbosu lei nian atu sektor minarai bele hetan benefísiu diak liu. Maibé sira halo akordu sekretu; sira la presiza halo segredu ba ida ne'e, maibé tamba sira halo nonók deit, sosiedade sivil no partes intersadas sektor minarai nian deskonfia sira"

Iha 10 Abril 2008, Prezidenti Ramos Horta husu governu defaktu Gusmão nian atu servisu hamutuk ho FRETILIN atu hetan konsensu nasional ba jestaun minarai no ba ninia rendimentu.

Iha komunikadu imprensa 13 Juñu 2008 La'o Hamutuk, organizasaun importante hosi grupu sosiedade sivil nian, ne'ebé involve a'an fou-foun kedas iha sektor minararai Timor-Leste nian, kritika makás governu AMP tamba prepara nonok deit lei kona ba ANM.

Ne'e mak dokumentu ne'ebé Lao Hamutuk ható ba governu defaktu:
(http://www.laohamutuk.org/Oil/PetRegime/NPAlaw/08RestructIndex.htm)
Lao Hamutuk hatete: "Hosi susesu Governu nian hahú 2002 to 2007, buat ida ne'ebe halo mo'os ita sente orgullu liu, mak bainhira partidu sira se'es hosi buat sira ne'ebé fahe sira hodi hamutuk vota iha Parlamentu ba aprova lei fundu minarai nian. Tenke habelar konsensu ne'e, la'os hamonu fali. Importante involve reprezentantes hosi governu no opozisaun hodi bele hetan estabilidade iha futuru."

José Teixeira hatete: "Iha 2006, ema barak , nasional no internasional sira, mak haklaken makas governu FRETILIN tamba hahú fó lisensa ba esplora ba minarai iha tasi laran tuir mekanism ida ké transparente tebes . Relatóriu Komisaun Independente ba Avaliasaun Konkursu (Tender) publika; publika mo'os sá kompañia mak hetan kontratu no tamba sá ministru deside fó ba sira mak esplora. Hafoin kontratu produsaun fahe ba kompañia no Timor-Leste mo'os publika.

" Ita la tuir ona dalan transparénsia nian, maibé, hili fali dalan sekretu no konfuzu. Ema barak maka husu dala barak ona pergunta importante kona ba konflitu interese, koluzaun no injustisa "

Kontaktu: José Teixeira, tel 7287080

http://www.fretilin-rdtl.blogspot.com/


A LEI DO PETRÓLEO ABRE A PORTA À CORRUPÇÃO

(Tradução do comunicado em inglês pela Margarida e publicada por timorlorosaenacao, no dia 25 de deste mês, com o título « FRETILIN lança alerta sobre a nova e "secreta" lei do petróleo»)

A nova lei do petróleo de Timor-Leste foi feito à pressa e em segredo e abre a porta à corrupção e à administração incompetente dos rendimentos do gás e do petróleo do país, disse hoje a FRETILIN .

'È muito importante haver uma maior consulta publica e um maior escrutínio parlamentar para o futuro da nossa nação,’ disse o deputado da FRETILIN e antigo Ministro dos Recursos Naturais, Minerais e Energia, José Teixeira.

O governo de facto da Aliança da Maioria Parlamentar de da Xanana Gusmão (conhecido pelas iniciais AMP) emitiu em 18 de Junho o seu Decreto-lei da Autoridade Nacional do Petróleo.
A Autoridade Nacional do Petróleo (NPA) substituirá a Autoridade Designada do Mar de Timor (TSDA) para a Área Conjunta de Desenvolvimento de Petróleo partilhada entre Timor Leste e a Austrália. A NPA será também responsável por regulamentar todas a exploração de petróleo, produção, processamento e actividades de venda offshore e onshore em Timor-Leste.

Esta lei não devia ter sido aprovada por decreto, em segredo, em reunião do Conselho de Ministros mas devia ter sido enviada para o parlamento para escrutínio e aprovação,' disse Teixeira.

'Também foi dado apenas cinco dias úteis ao público para comentar a proposta de lei, fazendo da consulta pública uma paródia,' disse ele.
Ele disse que a lei proposta viola princípios básicos da constituição e a lei do petróleo existente e enfraquece o controlo parlamentar sobre o sector do petróleo e os gastos do fundo do petróleo."

Ele disse que a lei proposta viola princípios básicos da constituição e a lei do petróleo existente e enfraquece o controlo parlamentar sobre o sector do petróleo e os gastos do fundo do petróleo.
"Sempre que o antigo governo da FRETILIN implementava qualquer lei no sector do petróleo, realizámos ampla consulta pública e demos tempo para receber e examinar todos os contributos públicos. Para nós era muito importante que todas as partes, especialmente a nossa população e a sociedade civil, compreendessem totalmente e dessem a sua opinião sobre as leis que propúnhamos implementar.'
O fundo do petróleo de Timor-Leste criado pelo antigo governo da FRETILIN totaliza agora quase US$3 biliões em poupanças, e foi classificado como o terceiro fundo de riqueza soberana mais transparente pelo Instituto Peterson para International Economics, imediatamente a seguir aos da Noruega e Nova Zelândia.
'O Petróleo é vital para o futuro da nossa nação. Tem também causado problemas sem conta de corrupção e danos ambientais, e levou a conflitos sociais e políticos em muitos países,' disse Teixeira.
'Consultas públicas sérias que permitam a todas as partes contribuir para implementar boas leis e que alcancem o consenso é o único caminho para evitar que emerjam conflitos em Timor-Leste.
'Está claro que muitos parceiros nacionais e internacionais estão desapontados e preocupados com o segredo e a pressa desnecessária com que foi feita esta proposta.

'O próprio Comité Parlamentar dos Recursos Naturais, Agricultura e Ambiente nem sequer viu a proposta da lei. Nos últimos seis meses deputados da FRETILIN têm estado a pedir ao Ministro de facto responsável pelos Recursos Naturais e/ou seu Secretário de estado para comparecerem perante o Comité para sublinhar desenvolvimentos no sector do petróleo, sem qualquer resposta.
'As próprias declarações à imprensa do governo de facto mencionam acordos com companhias petrolíferas estrangeiras para dar assistência técnica para a elaboração de leis relativa a objectivos de optimização nacional para o sector do petróleo abaixo da corrente de Timor Leste.
'Contudo, estes acordos estão encobertos por segredo desnecessário, levantando suspeitas no seio da sociedade civil e outros parceiros no sector do petróleo.'
Em 10 Abril 2008 o Presidente José Ramos Horta ordenou ao governo de facto de Gusmão para trabalhar com a FRETILIN para obter um consenso nacional sobre a gestão dos recursos e rendimentos do petróleo.

Num comunicado de imprensa emitido em 13 Junho 2008 La´o Hamutuk, um grupo líder da sociedade civil envolvido intimamente com o desenvolvimento do sector do petróleo em Timor-Leste desde o seu início, foi altamente crítico da gestão secreta pelo governo da AMP de facto da lei da NPA.
No seu comentário entregue ao governo de facto
La´o Hamutuk disse: 'Um dos mais maravilhosos feitos do Governo entre 2002-2007 foi transcender as diferenças dos partidos e alcançar uma aprovação unânime no parlamento na Lei do Fundo do Petróleo. Este modelo de consenso devia ser seguido, não ultrapassado. O envolvimento de representantes eleitos de ambos, partidos do governo e da oposição, é essencial para dar estabilidade para o futuro.'

Disse José Teixeira : 'Em 2006, o então governo da FRETILIN recebeu amplos aplausos nacionais e internacionais pela maneira sem precedentes altamente transparente pela qual Timor-Leste geriu a ronda inaugural de licenciamento da exploração offshore. O relatório da Comissão Independente de Avaliação de Concorrentes ao Leilão foi publicado e foi publicada a decisão do ministério de entregar aos concorrentes com sucesso no leilão as suas áreas e todas as razões. Depois foram publicados os contractos de partilha de produção.
'Apenas os mais altos níveis de transparência podem assegurar um ambiente sem corrupção.
"A nossa abordagem altamente transparente foi substituída por uma abordagem de segredo e obscuridade. Questões vitais estão agora a ser frequentemente e amplamente perguntadas acerca de conflito de interesses e de conivências potenciais e vantagens incorrectas.'

.José Teixeira +670 728 7080 (Dili, Timor-Leste)

Tradução de Margarida/Fonte: timorlorosaenacao