Noticias, artigos e análises sobre economia, politica e cultura dos países membros do Mercosul, CPLP e BRICS | Noticiero, articulos e analisis sobre economia, politica e cultura de los paises miembros del Mercosur, CPLP y BRICS
quinta-feira, 25 de julho de 2019
CPLP, Timor-Leste/Fretilin kritika akordu fronteira tasi nian ho Austrália tanba fó liu poder ba Canberra
quarta-feira, 5 de março de 2014
Moçambique é o país com maior número de mulheres no Parlamento
quarta-feira, 15 de maio de 2013
ÁFRICA TERÁ A MAIOR DISPONIBILIDADE DE MÃO DE OBRA DO MUNDO EM 2040, PREVÊ COMISSÃO ECONÔMICA
quinta-feira, 25 de abril de 2013
CPLP/Moçambique: Ministros do Trabalho e Assuntos Sociais da CPLP assinam hoje Declaração de Maputo
terça-feira, 23 de abril de 2013
Moçambique/Peritos preparam reunião dos ministros de trabalho da CPLP
Angola/CPLP:Delegação nacional no I Congresso de Jornalistas de Língua Portuguesa
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Timor-Leste/LU OLO: UMA LIÇÃO DE LIDERANÇA
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Vítimas da guerra civil rejeitam anistia geral em Timor
A iniciativa do congresso, que se prolonga até sexta-feira e reúne na capital Díli uma centena e meia de representantes, acontece poucos dias após o presidente timorense ter defendido a aprovação da anistia geral.
O porta-voz da comissão organizadora, Élio Saldanha, disse à Agência Lusa que este primeiro congresso nacional das vítimas pretende que os respectivos direitos sejam acautelados.
“O objetivo desta reunião é expor as suas ideias e exigências, bem como procurar acautelar e proteger direitos das vítimas como a verdade, justiça e reparação”, explicou Saldanha.
O congresso é promovido por várias organizações não governamentais timorenses, incluindo o “Comité 12 de Novembro”, formado pelos sobreviventes do massacre de Santa Cruz, e conta com a presença de uma delegação indonésia de vítimas do tempo do regime ditatorial de Suharto.
Além disso, participam nos trabalhos representantes dos vários distritos, escolhidos em encontros locais com vítimas e familiares, realizados desde Março pelo fórum para organizações não-governamentais timorenses FONGTIL.
A rede das vítimas visa defender os seus interesses e pontos de vista na discussão nacional, que pretende ser ampliada sobre possíveis soluções para as questões pendentes relativas à justiça, reconciliação e indenizações.
No primeiro dia de trabalhos, o congresso teve como oradores convidados Aniceto Guterres, deputado da Frentlin e membro da Comissão de Verdade e Amizade (CVA), Lois Gentil, da Missão Integrada em Timor Leste das Nações Unidas (UNMIT), e Marek Michon, chefe da Unidade de Investigação de Crimes Graves (SCIT) daquela missão.
Impunidade
As numerosas participações da assistência criticaram a ideia de uma anistia geral para os crimes de que foram vítimas, sendo a posição dominante sintetizada por Saldanha.
“Os crimes contra a humanidade não podem ficar impunes, pelo que não aceitamos que sejam amnistiáveis”, disse.
A maioria dos congressistas, vindos dos distritos, apoia que seja estabelecido um tribunal internacional para julgar os crimes graves que ocorreram no país, baseando essa exigência na própria Constituição de Timor Leste.
Segundo Saldanha, “a ideia do presidente viola a Constituição de 2002, que no seu artigo 160º estipula que os crimes contra a humanidade, genocídio e crimes de guerra têm de ser alvo de processo no tribunal nacional e internacional”.
“A justiça que reclamamos não é para ressuscitar ódios ou por vingança, mas sim para educar as gerações desta nação e evitar violações futuras dos direitos humanos”, acrescentou.
“Entendemos que será útil para promover a justiça e a paz, e fazer a prevenção de conflitos, garantindo o respeito pelo Estado de Direito, como condição para a harmonia”, concluiu.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
China vê países lusófonos de forma isolada, afirma entidade
“Nós temos muito interesse em trabalhar nas duas perspectivas, para além da bilateral, e ver uma institucionalização entre o setor empresarial da CPLP e a China”, afirmou Basílio Horta, que participa do encontro empresarial para a cooperação econômica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa, que acontece no Rio de Janeiro.
Até agora, Horta afirmou que a China está fazendo negócios bilateralmente com a CPLP. “Da nossa parte, damos prioridade a um relacionamento não só bilateral, mas também tripartido com outros países de língua portuguesa relativamente à China”.
Para ele, o Brasil e a China são “duas grandes economias que se relacionam diretamente”, e Portugal ganhará se souber relacionar-se com a China por meio de parcerias brasileiras.
“Portugal é uma pequena economia, a China é uma enorme economia. É uma perspectiva interessante colocar na agenda do setor empresarial da CPLP o fórum da China e dos países de língua portuguesa”, argumentou.
Horta está participando do encontro empresarial que decorre até hoje, pela primeira vez no Brasil, e reforça que não se pode “ignorar dentro do sector empresarial da CPLP este fórum”.
Este é um “aspecto importante" que a presença de Portugal está trabalhando no evento.
Parceria estratégica
Além disso, ele lembrou que Portugal integra a lista dos quatro parceiros estratégicos econômicos na Europa escolhidos pela China, junto com Espanha, França e Alemanha “e não é por acaso que isso acontece”.
Para estar na Europa é preciso estar em Portugal, defende Basílio-Horta, acrescentando que Portugal está para a Europa como Macau está para a China.
“Temos muito interesse em relacionamento com a China, mas para nós é mais importante relacionarmos através do fórum do que com o relacionamento bilateral”, frisou.
Horta defendeu ainda perante os empresários que seja organizado um encontro em Lisboa das agências de promoção a exportação dos países lusófonos antes da sexta edição do fórum empresarial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, em 2010.
Crise deve aproximar China e lusófonos, diz empresário
"Os países de língua portuguesa têm muitas similaridades com a China", afirmou o vice-presidente do Conselho, Wei Zhang, ao destacar que o Governo está incentivando a internacionalização das empresas chinesas.
Wei Zhang falou paralelamente ao Encontro de Empresários para a Cooperação Econômica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, no Rio de Janeiro. Esta é a primeira vez que o evento é realizado no Brasil.
O Brasil é um dos "mais importantes parceiros comerciais da China", disse Zhang, ao lembrar que, desde março, a China tornou-se o principal parceiro comercial do Brasil, superando os Estados Unidos.
O comércio entre os dois países alcançou, em 2008, US$ 50 bilhões. Segundo dados da Agência Brasileira de Exportação e Investimento (Apex-Brasil), desde 1998, as exportações brasileiras para a China cresceram mais que 18 vezes (ou 1.700%), passando de US$ 904,9 milhões para US$ 16,4 bilhões.
"Economia complementar"
A tendência de crescimento para este ano mantém-se, a despeito da crise. Atualmente, as matérias-primas dominam as exportações brasileiras para a China, contudo, os estudos da agência brasileira identificam um potencial de diversificação da balança comercial entre ambos os países.
A alimentação, construção, tecnologia e proteção ambiental são os principais setores representados no encontro empresarial que reúne 90 empresários da China continental, 40 de Macau e igual número da província vizinha de Guangdong.
No que se refere ao continente africano, Zhang lembrou que Angola tem-se tornado um "grande parceiro" da China.
Para o representante do conselho chinês, os desafios são identificar os setores de cooperação com os países de língua portuguesa a fim de "formar uma economia complementar".
Esta é a terceira vez que Wei Zhang se desloca ao Brasil com uma delegação empresarial e, nas suas declarações, enfatizou principalmente três pontos: facilitar a cooperação, abrir novos caminhos e coexistir com outros países.
Tríade Macau, Hong Kong e Guangdong
Por seu turno, o vice-governador da Província de Guangdong, Wan Qingliang, afirmou que a tríade Macau, Hong Kong e Guangdong representa "uma das melhores dinâmicas de desenvolvimento" e é uma oportunidade para os países de língua portuguesa.
"A China está de portas abertas. Damos as boas vindas às empresas lusófonas", declarou, ao referir que Guangdong foi uma das primeiras províncias a abrir-se aos investimentos estrangeiros. Atualmente, a província apresenta um crescimento de 14% ao ano, tendo o oitavo PIB da economia chinesa.
A China tem apresentado um crescimento de 8,5% ao ano e, nos últimos dez anos, incluiu mais de 300 milhões de pessoas no mercado de consumo.
Na quinta edição do encontro empresarial, executivos chineses e lusófonos estão se reunindo para buscar em conjunto formas de cooperação e estabelecer joint-ventures.
Além de Macau, China Continental e Brasil, também participam empresários de Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor Leste.
terça-feira, 17 de março de 2009
Brasil garante doação de antiretrovirais a países lusófonos
Segundo a Agência Brasil, o anúncio da doação aconteceu num encontro que aconteceu até domingo - em Fortaleza, no Ceará - e reuniu autoridades do setor de saúde para discutir a cooperação entre os países do sul e outras entidades.
A rede Laços Sul-Sul é composta ainda por Bolívia, Paraguai e Nicarágua, nações que também serão beneficiados com a doação dos medicamentos.
A rede Laços Sul-Sul foi criada em 2004 - por iniciativa do governo brasileiro, através do Programa Nacional de DST/Aids - e tem como objetivo contribuir com o fortalecimento das políticas e dos esforços nacionais em apoiar o acesso universal ao tratamento antiretroviral.
Em declarações à Agência Brasil, a representante do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) no Brasil, Alana Armitage, afirmou que durante o encontro cada país apresentou um plano de ação para o tratamento, a prevenção e o controle da Aids pensado nas necessidades de cada país.
"O objetivo era fortalecer os processos de cooperação entre os países membros, trocar experiências sobre os progressos, avanços e desafios e discutir os obstáculos comuns para criar fundos de prevenção e tratamento", afirmou Armitage.
"A Unfpa ainda vai realizar a doação de preservativos masculinos e femininos", disse.
A representante da agência da ONU explicou que este ano o número de casos de Aids entre as mulheres foi um tema importante.
"Os países estão a reconhecer a feminilização da doença e a questão da mulher está a ser mais observada, principalmente nos países que requerem uma maior atenção no assunto", acrescentou Armitage.
Participam ainda na rede entidades como o Centro Internacional de Cooperação Técnica em HIV/Aids, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), o Fundo das Nações Unidas para o combate à Aids (Onusida) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Brasil/Haddad instala comissão de implantação da universidade luso-afro-brasileira
14 de Outubro de 2008/Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br
Brasília - O ministro da Educação, Fernando Haddad, participou hoje (14) da solenidade de instalação da comissão de implantação da Universidade Federal de Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab). Ele afirmou que a intenção no governo Lula é promover, por meio da instituição, uma maior integração com os países da África e do Timor Leste.
“A intenção é forjar um projeto pedagógico que promova essa integração, valorizando a língua e o intercâmbio de conhecimento científico. Há vários problemas comuns que são enfrentados por regiões brasileiras e países africanos no âmbito da agricultura, saúde pública, formação de professores e isso pode ser potencializado pela ação da nova universidade que nasce hoje”.
Segundo ele, a Unilab pretende viabilizar o intercâmbio de conhecimento que é comum nesses países. “Estamos instalando a comissão que terá prazo até meados do ano que vem para elaborar o projeto político-pedagógic, que estabelecerá a forma de acesso dos alunos à instituição, processos seletivos e concursos públicos para contratação de docentes. A premissa para que tudo isso seja desdobrado é um projeto acadêmico voltado para a integração”.
De acordo com o reitor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e coordenador da comissão de implantação da nova universidade, Paulo Speller, a Unilab e outras duas universidades federais de integração internacional - a Unila Latina Americana e a Universidade Federal da Integração da Amazônia Continental - buscam a integração com outros países.
“A Unilab busca a integração com os países de língua portuguesa, africanos e asiáticos, nos quais metade dos alunos serão brasileiros e metade estrangeiros, desenvolvendo parcerias e atividades com os governos, universidades e instituições desse país com o foco maior na África no continente Africano.”
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/10/14/materia.2008-10-14.0301451513/view
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Brasil/Acordo ortográfico fortalece base lingüística comum, diz Lula
Rio de Janeiro, 30 setembro 2008 (Lusa) - O Acordo Ortográfico dos países de língua portuguesa contribuirá para fortalecer a base lingüística comum dos oito países lusófonos, defendeu o presidente Lula.
Para Lula, que promulgou segunda-feira o acordo, numa sessão solene na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, a reforma da ortografia, além de unificar o registro da escrita, irá difundir a produção intelectual a partir da padronização da língua.
“O acordo vem coroar o competente e dedicado labor de lingüistas, filólogos e gramáticos de todos os países integrantes da CPLP. Ele tem, na verdade, uma importância maior do que pode parecer à primeira vista”, disse Lula da Silva.
O chefe de Estado brasileiro defendeu, por isso, que o acordo “precisa ser divulgado e explicado com clareza” para que se perceba “a sua pertinência e, sobretudo, o seu significado estratégico no que diz respeito à cooperação entre os países lusófonos e à própria presença da língua portuguesa e das nossas literaturas no mundo”.
Por sua vez, o embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Seixas da Costa, considerou este acordo estratégico, considerando que uma escrita comum vai permitir que “o português seja uma língua internacionalmente reconhecida”.
Em declarações à Agência Lusa, Seixas da Costa reconheceu, no entanto, que apesar do acordo representar “um salto qualitativo naquilo que pode ser um grande momento de afirmação da língua portuguesa no contexto internacional”, ainda há resistências à sua aplicação.
“O acordo é sempre algo traumático relativamente à mudança da maneira como se escreve. Ninguém gosta de mudar a sua maneira, mas as pessoas podem ter a consciência de que fazer algumas adaptações pode conduzir a uma maior eficácia na promoção internacional da língua”, considerou.
Para o embaixador Alberto da Costa e Silva, membro da Academia Brasileira de Letras e também acadêmico correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, em Portugal, a reforma ortográfica vai facilitar a “vida” dos países que falam o idioma comum.
“Até mesmo os documentos tinham que ser duplicados pela existência de duas ortografias. Na realidade, as diferenças ortográficas são mínimas, irrelevantes, mas criam barreiras”, afirmou à Lusa o acadêmico.
O acordo ortográfico foi aprovado em dezembro de 1990 pelos então setes países da CPLP (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe). Timor Leste só aderiu à organização em 2004, depois da independência.
De acordo com os estatutos da CPLP, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa deveria entrar em vigor quando três países da comunidade concluíssem os trâmites internos para o processo de ratificação.
O Acordo Ortográfico foi também ratificado por Portugal, Cabo Verde e São Tomé, mas ainda não está em vigor.
No Brasil, o acordo entrará em vigor a partir de janeiro de 2009 e será introduzido nos livros escolares em 2010, de forma gradual, para se tornar obrigatório em 2012.
sábado, 20 de setembro de 2008
«É hora de dar salto qualitativo», diz novo secretário da CPLP
Por José Sousa Dias, da Agência Lusa
Lisboa, 19 setembro 2004 (Lusa) - A hora chegou para que a CPLP, 12 anos após sua fundação, dê um salto qualitativo em suas intervenções, por meio de ações concretas para ganhar maior visibilidade junto às comunidades lusófona e internacional. Foi o que disse o novo novo secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o guineense Domingos Simões Pereira.
Simões Pereira, que já foi ministro na Guiné-Bissau, disse que os orçamentos da organização são insuficientes, uma vez que, "se pretende fazer algo mais, o orçamento de 1,1 milhão de euros (R$ 3 milhões) tem de ser revisto".
"Mas há dificuldades, entre elas as financeiras. Qualquer orçamento é relativo e tudo depende do que se pretende fazer e, se quisermos ir mais longe, terá de se rever", disse Simões Pereira.
O novo secretário-executivo lembrou ainda que Portugal é atualmente o detentor da presidência da comunidade, razão pela qual aguarda pelo relatório que está sendo elaborado pelo ministério português das Relações Exteriores.
"O meu desafio é interpretar corretamente as recomendações saídas da última cúpula (em julho deste ano, em Lisboa), tendo em conta as preocupações inerentes à criação da organização, a promoção da Língua Portuguesa, da concertação político-diplomática e da cooperação", explicou.
Metas
Simões Pereira se mostrou satisfeito pelo fato de se ter estipulado novos objetivos para a CPLP, como o impulso à agricultura, garantia à segurança alimentar e energética.
Além disso, ele disse que o petróleo dos países membros não deve constituir uma prioridade, por exemplo, o óleo existente em dois membros - Angola e Brasil - e as reservas de outros três - Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
"Antes de se recorrer às receitas do petróleo deve se apostar primeiro na agricultura e na segurança alimentar e, sobretudo, criar disciplina na gestão da governabilidade das nações mais frágeis. É necessário fortalecer e consolidar a administração do Estado. O petróleo, sem uma administração capaz, só traz problemas", avisou.
Simões Pereira deu como exemplo o sucesso de Cabo Verde, que assumiu o desafio, apostou na formação, nos recursos humanos e na competência, definiu as regras e os resultados são agora consensualmente considerados um êxito.
Visibilidade
Tendo como pano de fundo o aumento da participação da sociedade civil na vida da CPLP, Simões Pereira admitiu que, para o simples cidadão lusófono, a organização pouco ou nada diz, ou o beneficia, reconhecendo a responsabilidade da comunidade.
Nesse sentido, adiantou que vai promover uma campanha de aproximação ao cidadão lusófono, em que o mesmo será incentivado a contribuir e participar das discussões.
"Dar visibilidade é um grande desafio, mas até a própria Comunidade Britânica (Commonwealth), que cumpre 60 anos de existência, tem ainda as suas lacunas", frisou.
Simões Pereira, graduado em engenharia pela Universidade de Odessa (ex-URSS e atualmente Ucrânia), e mestre em estruturas pela Universidade de Fresno, nos Estados Unidos, realçou que as críticas à visibilidade da CPLP são normais, mas rejeitou a idéia de criticar apenas por criticar.
"Não basta reclamar. É preciso que quem reclama também participe das discussões. A CPLP oferece muitas oportunidades e a sua atuação não se resume ao secretariado executivo", sustentou.
Uso da língua
Sobre a Língua Portuguesa, Simões Pereira reconheceu que uma grande fatia dos povos lusófonos não fala português, razão pela qual defende a realização de uma campanha para "explicar a importância da utilização" do idioma no cotidiano das populações.
"O português oferece um conjunto de oportunidades que só estarão disponíveis a quem o domine minimamente. Aproxima-os ao futuro, à ciência, às novas tecnologias, à cultura, à informação", salientou.
Para Simões Pereira, outra polêmica que tem de ser esclarecida é de que a língua portuguesa não está competindo com outros idiomas ou dialetos locais, ressaltando que neste quesito, a campanha será útil.
Sobre o acordo ortográfico, o secretário-executivo se mostrou aberto à discussão e, admitindo não ser um técnico no assunto, apelou ao espírito de abertura para dar norte a discussão.
sábado, 6 de setembro de 2008
CPLP/Virar de página na afirmação do idioma comum
António Melo
3 setembro 2008/Revista África21
«Da minha língua vê-se o mar». A citação do escritor português Vergílio Ferreira serve de vitrina ao Instituto Internacional da Língua Portuguesa.
Lisboa - «Da minha língua vê-se o mar». A citação do escritor português Vergílio Ferreira serve de vitrina ao Instituto Internacional da Língua Portuguesa. É um facto, o português fez-se correndo o mundo através dos mares. Quer voltar a essas rotas, decidiu a Cimeira de Lisboa (Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, realizada em Lisboa, em Julho último).
Terminou a «Guerra dos Cem Anos!». Foi o Prof. Malaca Casteleiro quem criou a expressão, a propósito do diferendo entre as grafias no Brasil e em Portugal, nascido em 1911, com a afirmação unilateral, do lado português, da reforma ortográfica da Língua.
Em Dezembro do ano passado, como realçava na entrevista que deu à ÁFRICA21, ainda estava assanhada a briga em torno da alteração da escrita de 1,6 por cento das palavras do léxico português.
Do lado brasileiro, estava aprovado o acordo negociado em 1990, sobretudo entre o brasileiro António Houaiss, entretanto falecido, e o português Malaca Casteleiro. Em Portugal o assunto agitava as opiniões e a então ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, atirava para um horizonte de dez ou mais anos a concretização prática do Acordo Ortográfico.
Nos restantes países da CPLP o assunto era visto como de somenos importância, com Cabo Verde e São Tomé e Príncipe a ratificarem o Acordo Ortográfico e os restantes a aguardar a clarificação da polémica luso-brasileira.
A 21 de Julho, a três dias do início da 7.ª Cimeira da CPLP o enguiço, ou a «guerra dos cem anos», desfez-se.
O Presidente da República portuguesa, Cavaco Silva, promulgou o segundo protocolo, que reconhece o Acordo Ortográfico, e foi aprovado na Assembleia da República apenas com quatro votos contra. Metade dos países da CPLP, representando 200 milhões de falantes, estava assim finalmente de acordo sobre o Acordo.
Pôde assim dar-se substância à agenda da cimeira, que tinha como objectivo central a promoção interna e externa da Língua Portuguesa. Se as promessas se cumprirem, em 2011 o espaço da língua portuguesa disporá de uma só ortografia, instrumento indispensável para tornar o idioma língua de trabalho nas instâncias internacionais, a começar pelo Conselho de Segurança da ONU.
O primeiro-ministro angolano, Fernando Piedade ‘Nandó’, que liderou a representação do seu país, abriu expectativas de reconhecimento após a realização das eleições de Setembro, sendo certo que a decisão deverá estar tomada em 2010, na 8.ª Cimeira, que vai realizar-se em Luanda.
Os restantes três países, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor-Leste, expostos a uma envolvente ambiental francófona e anglófona, como salientou o novo secretário-executivo, o guineense Simões Pereira, sublinharam a necessidade de um apoio por parte dos outros países da CPLP e reservaram a sua posição para a cimeira de Luanda.
O primeiro-ministro português, José Sócrates, deixou claro, em conferência de imprensa, que o seu Governo ia apoiar a escolarização e o ensino da língua no conjunto da CPLP, destinando para isso um Fundo da Língua, no valor inicial de 30 milhões de euros (47 milhões de dólares).
Do lado brasileiro a proposta de apoio foi mais direccionada para a formação de quadros superiores, através da criação da Universidade Luso-Afro-Brasileira (Unilab), para cursos de pós-graduação na saúde, física, biologia, tecnologia, engenharia, administração e agronomia. Esta universidade terá capacidade para cinco mil alunos, mas o Presidente brasileiro, Lula da Silva, não esclareceu com que fundos vai ser dotada a Universidade e quais as condições de acesso.
Em todo o caso, um instrumento já existente, o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), criado em 2006, com sede na capital de Cabo Verde e dirigido pela angolana Amélia Mingas, viu reforçado o seu papel no seio da CPLP.
O papel do IILP
O IILP ocupa um lugar de referência na Declaração sobre a Língua Portuguesa, um documento-guia para a «efectiva mundialização da Língua Portuguesa».
Além de lhe expressar a sua «confiança», nas acções de «aplicação prática do Acordo Ortográfico, e na adopção de um Plano Estratégico» para a afirmação internacional do idioma comum da CPLP, confere-lhe tarefas específicas e com calendário a respeitar.
Na próxima reunião do Conselho de Ministros, a realizar na Cidade da Praia, provavelmente em Outubro do próximo ano, deve apresentar um plano concretizando as acções previstas na Declaração. Entre elas está a formação de tradutores e intérpretes que assegure a presença da Língua Portuguesa nos fóruns internacionais e o estabelecimento de uma rede de professores certificados da CPLP, ensinando com base em programas comuns «para o Ensino do Português como Língua Estrangeira».
Para que o IILP realize as tarefas de que fica incumbido, enfatiza a Declaração, é urgente que os governos da CPLP aí criem as suas Comissões Nacionais e que as que já existem sejam dotadas de uma real «operacionalidade». Uma questão que se levantou a propósito desta «operacionalidade» foi a da capacidade orçamental do IILP (ver caixa Orçamentos).
Com efeito, trata-se de um orçamento de funcionamento e expediente mínimos de um montante de 13 mil euros mensais (a 14 meses, segundo a regra salarial). Isto pressupõe que as comissões nacionais assegurem os seus próprios suprimentos.
O segundo documento da cimeira foi a Declaração de Lisboa, extenso documento que quase parece uma acta dos debates dos dois dias, que decorreram à porta fechada. Os temas políticos que fizeram a agenda tiveram por temática a paz e a segurança, a energia e a segurança alimentar. Mas o grande assunto da cimeira foi a Língua Portuguesa, entendida como «um património comum, num futuro global».
O primeiro-ministro português, no encontro final com os jornalistas, fez questão de citar uma figura cimeira da cultura lusa do século XX, Almada Negreiros, nascido em São Tomé. «Todas as palavras para salvarem o mundo já foram ditas. Resta fazê-lo», e é a «isso que nos propomos», acrescentou, deixando aos participantes a tarefa de levar a bom porto esta missão.
CPLP/Língua portuguesa é mostrada em Feira do Livro de Brasília com suas variantes
Por Daise Lisboa
3 setembro 2008/Portugal Digital
Brasília - A Feira do Livro de Brasília que está sendo realizada no shopping Pátio Brasil até o próximo dia 7 de Setembro, contou na noite dessa terça-feira (2) com uma programação para lá de especial e inédita na capital federal – As Cores da Palavra.
O público que lotou o espaço do Café Literário, na Feira do Livro, ouviu poesias nas vozes e sotaques de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
O evento reuniu poetas, escritores, declamadores e representantes do Corpo Diplomático dos diversos países que têm em comum o idioma português.
A estréia e apresentação única de As Cores da Palavra foi organizada pelas professoras Enilde Faulstich e Ana Adelina Lopo Ramos, da Universidade de Brasília (UnB), e pelas embaixadas de Angola, Cabo Verde, Moçambique e de Portugal.
"Nós resolvemos mostrar as vozes na diversidade da língua portuguesa no mundo, mas a idéia foi da embaixatriz Sara Pereira, de Cabo Verde. Ela pensou no evento e nos convidou a organiza-lo, pelo fato de sermos professoras da língua portuguesa. Mas o detalhe é que nós trabalhamos formando profissionais que tenham o português como segunda língua", explicou Ana Adelina ao Portugal Digital. "Então fizemos esta reunião com a participação dos estudantes da UnB que são de outros países da língua portuguesa, e contamos também com a presença de dois diplomatas em formação – um de Timor Leste e outro de São Tomé e Príncipe, que estudam no Instituto Rio Branco. Fizemos apenas dois ensaios e aqui estamos", comentou satisfeita.
”O resultado do evento foi tão positivo que a professora Enilde já está pensando em fazer outras apresentações na UnB. Na Feira do Livro só tivemos este espaço, mas já está muito bom", comemorou Ana Adelina.
A embaixatriz Sara Pereira realçou que a ideia de fazer o evento na Feira do Livro foi vista como o local certo. "Aqui tomamos a palavra e levamos ao público do Brasil todas as variantes do nosso falar. Com isso todos temos a ganhar. Obrigada ao Brasil por nos ter permitido esta oportunidade dando-nos este espaço", enfatizou a embaixatriz.
Um outro participante do evento foi o escritor português Fernando Pinto do Amaral, que pela primeira vez está em Brasília para a Feira do Livro.
Nesta quarta (3) ele vai ser uma das presenças marcantes na Bienal da Poesia, também na Feira do Livro, que acontece no Café Literário, a partir das 18h. Fernando é poeta, autor de contos, crítico literário e professor de literatura da Universidade de Lisboa.
"Não vou lançar livro, mas vou trazer minhas poesias e participar desta Bienal que promete ser um programa para quem gosta de ler. Convido a todos a participar deste encontro", enfatizou Fernando Pinto.