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sexta-feira, 24 de abril de 2015

CHINA INVESTE NA AMÉRICA LATINA COM CRÉDITOS A PAÍSES EM PROBLEMAS

23 abril 2015, Carta Maior http://cartamaior.com.br (Brasil)

Mario Osava, via Other News


A lógica da China não vê sentido em subestimar a capacidade de endividamento de países que possuem matérias-primas em abundância.

Rio de Janeiro (IPS) – Os angolanos em geral agradecem a participação da China na reconstrução do país africano, apesar da má qualidade de algumas estradas e edifícios construídos pelas empresas chinesas, que além disso, não usaram mão de obra local.

Para recuperar a infraestrutura destruída pela guerra civil, Angola necessitava do financiamento que o Ocidente negava, enquanto a China apareceu oferecendo crédito e engenharia sem condições que, segundo os dirigentes angolanos, eram impossíveis para um país que só alcançou a paz 27 anos depois de sua independência, em 1975.

Em situações distintas, do outro lado do Oceano Atlântico, vários países latino-americanos em dificuldades

sábado, 11 de abril de 2015

Dilma: "devemos ir além das commodities e apostar na educação"

11 abril 2015, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

No início da noite desta sexta-feira (10), ocorreu o Foro Empresarial das Américas, realizado na cidade do Panamá. Na oportunidade a presidenta Dilma Rousseff afirmou que os países da América Latina, não podem se contentar em ser apenas fornecedores de matérias-primas (commodities), deve ir além, investir pesado em infraestrutura e educação. 

No Panamá, Dilma devemos ir além das commodities e apostar na educação. 

Dilma discursou ao lado dos presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama; do México, Enrique Peña Nieto, e do Panamá, Juan Carlos Varela. Eles participaram, na Cidade do Panamá, de um debate do Foro Empresarial das Américas, cujo tema desta edição é Integração Produtiva para o Desenvolvimento Inclusivo. 

Dilma ressaltou que não haverá avanço enquanto esses passos não forem dados. "Os investimentos em infraestrutura e em educação para

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

CRESCIMENTO CONTINUADO DO COMÉRCIO ENTRE A CHINA E OS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA EXIGE DIVERSIFICAÇÃO

24 fevereiro 2015, Macauhub http://www.macauhub.com.mo (China)

O ano de 2014 registou um novo recorde no valor do comércio entre a China e os países de língua portuguesa, mas o grande peso de matérias-primas, cujos preços estão em quebra internacional, fez com que o ritmo de crescimento abrandasse.

Com um total de perto de 133 mil milhões de dólares em 2014, de acordo com dados revelados este mês pelos Serviços de Alfândegas da China, valor que representou um crescimento inferior a 1% relativamente a 2013, parece agora mais longe a meta definida no final de 2013.

O Plano de Acção para a Cooperação Económica e Comercial (2014-2016), aprovado durante a 3ª reunião ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, previa a adopção de “todas as medidas necessárias e propícias” para

terça-feira, 27 de maio de 2014

ANGOLA É PRIORIDADE NA CHINA

27 maio 2014, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)

Angola é um dos países prioritários para a China em África, continente onde, nos próximos anos, vai continuar a aprofundar o seu envolvimento, de acordo com um centro de estudos dos Estados Unidos.

No artigo “África na Política Externa da China”, publicado pelo centro de estudos Brookings, o analista Yun Sun identifica como sinais de evolução, na relação entre a China e os países africanos, o aumento do investimento na formação de recursos humanos e o fomento de programas de responsabilidade social no continente.

“Nos próximos anos, o envolvimento da China em África deve crescer”, diz o analista, prevendo que o sistema actual se “actualize, adoptando soluções rápidas para alguns problemas sociais”.

Actualmente, “as actividades económicas da China estão a um nível sem precedentes”,

terça-feira, 11 de março de 2014

Pátria Grande, Bolivia/POR QUE EVO MORALES CONTINUA GANHANDO?

10 março 2014, Carta Maiorhttp://www.cartamaior.com.br (Brasil)

Morales transformou exitosamente cada uma de suas medidas em atos de refundação. Seu projeto de reeleição dará continuidade a várias medidas de impacto.

Uma pesquisa publicada recentemente deu a Evo Morales mais de 45% das intenções de voto e 32 pontos de diferença com seu concorrente mais próximo para as eleições do final deste ano, o político e empresário Samuel Doria Medina. Como as populações rurais não estão inclusas neste tipo de pesquisa, estima-se que poderia ampliar essa porcentagem e superar os 50%. Inclusive, mesmo se isso não acontecesse, já ganharia, segundo a lei boliviana, no primeiro turno. Mas a que se deve, em seu oitavo ano de governo, o fato de o “primeiro presidente indígena”  colher tais resultados em um país conhecido pela instabilidade política e onde, em 17 de outubro de 2003, o então presidente –Gonzalo Sánchez de Lozada– precisou abandonar apressadamente o poder e fugir de helicóptero, primeiro a Santa Cruz e, mais tarde, para os EUA? Sem dúvidas, a resposta reside em dois planos: o econômico e o político simbólico. 

Morales conta com recursos públicos com os que nenhum de seus antecessores se atreveu sequer a sonhar graças ao “vento da cola”, mas também a uma política econômica que combinou nacionalização de hidrocarbonetos, aumento dos impostos para as petroleiras e uma gestão macroeconômica cuidadosa dos equilíbrios fiscais que lhe permitiu acumular reservas recorde: quase 15 bilhões de dólares, equivalente a mais de 50% do PIB (porcentualmente uma das mais altas do mundo). Isto lhe dá, sem dúvidas, uma grande blindagem,

segunda-feira, 3 de março de 2014

China∕INVESTIMENTO CHINÊS EM ÁFRICA É CADA VEZ MAIS PRIVADO E DESTINA-SE À PRODUÇÃO LOCAL

3 março 2014, Macauhub http://www.macauhub.com.mo (China)
A nova vaga de investimento chinês em África é cada vez mais de natureza privada e não efectuado por empresas estatais como na fase inicial e, além da indústria extractiva visa a produção local, de acordo com um estudo da Universidade de Stellenbosch.
Num trabalho publicado no relatório anual do Centro de Estudos Chineses da universidade sul-africana, os investigadores Daouda Cissé e Yejoo Kim afirmam que a necessidade de matérias-primas por parte da China vai manter a África com “importância significativa na agenda chinesa de investimentos no exterior”, com os agentes privados a terem um papel crescente.
“A procura de oportunidades de

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Moçambique/Exploração de recursos naturais: PR defende equilíbrio com benefícios internos



26 julho 2013, Jornal Notícias http://www.jornalnoticias.co.mz (Moçambique)

Numa conferência internacional bastante concorrida realizada ontem, na cidade de Aberdeen, Escócia, sobre o desenvolvimento de infra-estruturas de petróleo e gás em Moçambique o Presidente Armando Guebuza alertou que, para se colher os benefícios dos recursos naturais será necessário ter a certeza de haver, por um lado, um equilíbrio entre a exportação das matérias-primas e, por outro lado, fazer-se com que essas matérias-primas fiquem disponíveis para o mercado interno de maneira que seja social e economicamente viável e sustentável. 

A conferência de dois dias, especialmente dedicada a Moçambique,

sábado, 2 de julho de 2011

Moçambique poderá a prazo ser o segundo parceiro comercial da China em África

29 junho 2011/MacauHub

Moçambique deverá tornar-se no segundo parceiro económico da China em África nos próximos cinco ou dez anos com o desenvolvimento da cooperação em sectores como a energia, disse à agência noticiosa portuguesa Lusa o secretário-geral adjunto do Fórum Macau.

“O volume de negócios com Angola e o potencial que existe em Moçambique em termos da sua relação futura próxima com a China fazem com que esses dois países sejam as locomotivas da relação China-Países Africanos de Língua Portuguesa” observou Manuel Amante da Rosa, à margem de uma palestra sobre as relações China-África no escritório de advogados de Macau CandC.

Para o também embaixador de carreira cabo-verdiano, Moçambique poderá “facilmente” tornar-se no segundo grande parceiro da China em África, depois de Angola, dentro de “cinco ou dez anos, dependendo da forma como a exportação de carvão e gás se vier a fazer”.

Amante da Rosa referiu também o facto de o “canal de Moçambique ser estratégico para as relações da China com África” e de aquele país africano “vir a ter a maior capacidade hidro-energética da África Austral” como outros motores do incremento da cooperação bilateral.

Para o diplomata, “dentro de dois ou três anos a cooperação atingirá níveis muito substanciais, assim que (Moçambique) começar a exportar (para a China) carvão em grande escala e quando se começarem a fazer as obras de infra-estruturação”.

Amante da Rosa considerou que o investimento da China em África “continuará a ser maciço e estará voltado para o sector extractivo, dos hidrocarbonetos”, mas observa que se “começam a delinear, principalmente na África Austral, alguns projectos na área agro-pecuária, nomeadamente em Moçambique, que tem potencialidades grandes nesse sector”.

Ao sublinhar que a China “tem a necessidade absoluta de importar matérias-primas”, Manuel Amante da Rosa salientou que o local mais viável para responder a essa procura é “África e depois o continente sul-americano”, sendo que aqui o Brasil continuará a ser o “maior parceiro” da China. (macauhub)


terça-feira, 20 de julho de 2010

EMPRESAS DE MÉDIA E ALTA TECNOLOGIA SÃO CENTRO DE ABORDAGEM MAIS PROFUNDA DA CHINA AO BRASIL

Macau, China, 19 julho 2010 - A China está a desenvolver uma abordagem mais profunda aos seus parceiros sul-americanos, que no caso do Brasil se centra na instalação das suas empresas de média e alta tecnologia, de acordo com a investigadora mexicana Liliana Avendano Miranda em estudo recentemente publicado.

Num estudo sobre os investimentos da China na América Latina publicado pelo Centro de Estudos Chineses da Universidade de Stellenbosch (África do Sul), a investigadora defende que depois de duas décadas de relacionamento centrado nas relações comerciais e investimento, a China levou a abordagem a um nível superior, como é expresso numa análise de políticas para a região publicado no final de 2008.

“A China espera fazer uma abordagem mais profunda à América Latina e Caraíbas, assegurando boas relações com fornecedores de alimentos (Argentina), petróleo (Venezuela) e matérias-primas (Chile), bem como com localizações estratégicas para as suas empresas de média e alta tecnologia”, refere a investigadora da Universidade Veracruzana (México).

Os fabricantes de peças ou de automóveis têm tido um papel importante nesta expansão e, mais recentemente, alguns dos grandes bancos chineses também têm estado a instalar-se no Brasil, caso do Banco da China.

Mas o mesmo exemplo tem sido também seguido por empresas brasileiras, o sendo o mais recente o da aeronáutica Embraer que constituiu uma subsidiária para operar no mercado chinês.

A análise adianta que o governo da China apoia empresas qualificadas e bem reputadas no investimento industrial, agrícola, florestal, pesqueiro, energético, mineiro de construção civil e de serviços para “promover o desenvolvimento económico e social de ambas as partes”.

Propõe ainda cooperação acrescida nalguns campos, como o legislativo, além de mecanismos de consulta e de cooperação em assuntos internacionais.

“A China não quer ser vista como um concorrente, mas como um amigo e parceiro, e por essa razão procura chamar pouco as atenções na região. Procura parceiros estratégicos e os escolhidos são aqueles que estão dispostos a intensificar as relações de colaboração”, afirma Miranda.

Entre os que receberam a designação de parceiros estratégicos está o Brasil, o principal parceiro comercial na região e um dos 8 países de língua portuguesa.

Depois da recente visita do presidente da China, Hu Jintao, ao Brasil, espera-se a concretização de grandes investimentos nos próximos meses, particularmente nos sectores do petróleo, mineração e siderurgia, estratégicos para a manutenção de taxas de crescimento elevadas.

Os dois presidentes assinaram um Plano de Acção Conjunta (PAC), que vigorará durante o período 2010 a 2014, abrangendo 11 áreas de cooperação, entre elas, agricultura, ciência e tecnologia, indústria e cultura. (macauhub)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Eixo Luanda-São Paulo cada vez mais importante para os dois

Luanda, Angola, 20 abril 2009 – Indiferentes ao negativo cenário económico global, os negócios entre Angola e Brasil tiveram em 2008 o melhor ano de sempre e continuam a intensificar-se, com a abertura de novas “frentes” nos biocombustíveis e agroindústria.

Dos dados mais recentes das trocas comerciais entre os dois países, salta à vista sobretudo o crescimento do valor das exportações angolanas para o Brasil – 8.350 por cento, para mais de 76 milhões de dólares nos dois primeiros meses do ano.

Tratando-se sobretudo de produtos petrolíferos, o aumento deve-se ao acréscimo de quantidades, dado que os preços deste género de matérias-primas têm estado em quebra.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior do Brasil, em 2008 Angola conseguiu mesmo exportar mais para o Brasil (2,24 mil milhões de dólares, mais do dobro do valor de 2007) do que importar (1,97 mil milhões).

Portugal continua a ser o maior exportador para Angola (2,27 mil milhões de euros em 2008), mas o facto de as compras à antiga colónia se ficarem pelos 408 milhões fazem com que já hoje a balança comercial Angola-Brasil tenha maior peso (4,21 mil milhões de dólares), tendo sextuplicado o seu valor desde 2004.

Hoje, o peso desta balança transatlântica é apenas superado pelo da sino-angolana (23,5 mil milhões de dólares, dos quais 22,3 mil milhões de exportações angolanas).

Nos dois primeiros meses do ano, as exportações brasileiras para Angola cresceram 36,7 por cento, para 280,5 milhões de dólares, enquanto o total apurado pelo Ministério do Comércio Exterior caiu perto de 15 por cento.

Os empresários brasileiros já têm uma associação em Angola, a Aebran, cujo presidente Alberto Ésper afirmou recentemente à imprensa local que os financiamentos directos do Brasil para projectos angolanos foram da ordem de 2 mil milhões de dólares no ano passado.

O crescimento dos negócios tem beneficiado da existência de uma linha de crédito de 1,75 mil milhões de dólares, através do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) e também dos recursos do Programa de Financiamento às Exportações (Proex), administrados pelo Banco do Brasil.

"A construção é segmento onde existe uma participação brasileira mais marcante e mais visível, das empresas brasileiras em Angola. Mas temos que notar que hoje o brasileiro está nas mais diversas áreas da economia angolana, como a agricultura, o comércio geral, a saúde, educação, formação e tecnologia em geral", afirmou Ésper, citado pelo diário O País.

A Aebran estima que residam actualmente 25 mil cidadãos brasileiros em Angola, e que estejam constituídas pelo menos 200 empresas com participação de capitais brasileiros.

Se grandes grupos como a petrolífera Petrobras ou a Odebrecht abriram caminho em Angola, hoje já é possível comer em Luanda um “kibe” Mister Sheik ou aprender informática na também brasileira BIT Company.

Para Ricardo Camargo, director-executivo da Associação Brasileira de Franchising (ABF) "Angola parece ter caído no gosto dos investidores brasileiros, donos de franquias de diferentes sectores da economia".

A Petrobras destinou recentemente a Angola cinco por cento do investimento previsto para 2009/2013, ou seja perto de 800 milhões de dólares, sensivelmente o mesmo que a Odebrecht pretende aplicar no país nos próximos anos.

Emílio Odebrecht, presidente do grupo, reuniu-se recentemente com o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, para analisar os projectos futuros, tendo em conta as prioridades do governo angolano.

Em parceria com o grupo privado angolano Damer e a estatal petrolífera Sonangol, a Odebrecht participa na Companhia de Bioenergia de Angola (Biocom), que vai investir na plantação de cana-de-açúcar e construção de uma fábrica para produzir açúcar, etanol e bioelectricidade na província de Malanje.

Estão previstos investimentos de 258 milhões de dólares e a ocupação de 30 mil hectares de área agrícola, até 2012.

Toda a estrutura de pesquisa agropecuária de Angola, sector em que o país possui reconhecidamente elevado potencial, está actualmente a ser repensada com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O projecto, com duração até 2013, tem investimentos do Governo angolano de 7,3 milhões de dólares (5,5 milhões de euros), a serem aplicados na criação de 14 centros de pesquisa.

Tirando partido do crescente fluxo de empresários, trabalhadores, e também turistas, a companhia aérea de Angola Taag está a aumentar a frequência dos seus voos para as principais cidades brasileiras.

A partir de 2 de Maio passará a ter sete voos, dos quais cinco são para o Rio de Janeiro e dois para São Paulo, uma importante ajuda numa altura em que se mantém impedida de voar para a Europa. (macauhub)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

MATÉRIAS-PRIMAS INCENTIVAM CORRIDA DE CHINA E ÍNDIA À CPLP

Por Paulo Guilherme Figueiredo, da Agência Lusa

Lisboa, 23 julho 2008 (Lusa) - China e Índia, as duas potências asiáticas que se agigantam na economia mundial, encontraram nos países lusófonos, em particular em Angola e Moçambique, uma importante fonte de matérias-primas de que necessitam para seu crescimento.

Angola já é, desde o primeiro trimestre do ano, o maior fornecedor de petróleo da China (688 mil barris diários), à frente da Arábia Saudita, e as petrolíferas Sonangol e Sinopec continuam associadas em diversos outros projetos, como o desenvolvimento do campo petrolífero "Grande Plutônio" (Bloco 18), que tem produção diária prevista de 200 mil barris este ano.

O apoio financeiro chinês aos projetos de reconstrução do país é apontado nas estatísticas oficiais como em torno dos US$ 7,9 bilhões, mas o Banco Mundial calcula que só o Fundo Internacional da China tenha um montante total previsto de US$ 9,8 bilhões, sem contar com as duas linhas de crédito disponibilizadas pelo banco chinês de promoção do comércio externo (Eximbank).

O investimento chinês em Angola tem sido aplicado principalmente em infra-estrutura, como em outros países da região ricos em recursos naturais - Nigéria é exemplo -, segundo o estudo "Fazer a ponte: o crescente papel da China como financiador de infra-estruturas na África Subsaariana".

Segundo os economistas do Banco Mundial que elaboraram o documento, o investimento chinês em linhas ou centrais hidrelétricas na África Subsaariana disparou de US$ 1 bilhão anuais em 2004 para perto de US$ 11,5 bilhões em 2006.

"A crescente cooperação Sul-Sul está sendo conduzida por fortes complementaridades entre a China e a África. A procura chinesa por recursos naturais tem paralelo nas reservas petrolíferas e minerais da África, significativas, mas muitas vezes não-aproveitadas. A necessidade urgente de infra-estruturas na África tem paralelo na indústria de construção chinesa, competitiva à escala mundial", afirmou a economista do Banco Mundial Vivien Foster, co-autora do relatório.

Apesar de não ter relações diplomáticas oficiais com São Tomé e Príncipe, que reconhece a independência de Taiwan, a China tem a petrolífera Sinopec envolvida na exploração de petróleo no arquipélago lusófono, na zona de desenvolvimento conjunto com Nigéria.

Cabo Verde também já manifestou o desejo de ser uma plataforma para trocas comerciais da China na região, e a macaense Geocapital pretende investir nos biocombustíveis em todo o espaço africano lusófono.

O grande parceiro comercial da China na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) continua sendo o Brasil.

Nos seis primeiros meses deste ano, na comparação com o mesmo período de 2007, as exportações chinesas para o Brasil aumentaram 71,7%, para US$ 5,21 bilhões, enquanto as exportações brasileiras para a China cresceram 50,7%, para US$ 7,41 bilhões, segundo estatísticas oficiais.

No entanto, o crescimento das trocas comerciais com a China foi superior no conjunto da CPLP: 80,3% nos primeiros quatro meses do ano, para um total de US$ 21,14 bilhões.

Índia

Um estudo recente do Instituto Real de Relações Internacionais britânico destaca que, além da China, também a Índia procura se implantar na África, em particular na costa africana do Oceano Índico.

Em países como Moçambique, o interesse indiano é econômico, mas também estratégico e cultural, devido aos laços históricos e étnicos com as grandes comunidades de origem indiana na região.

"Moçambique atrai crescente interesse de investimento por parte dos empresários indianos e está, atualmente, entre os principais destinos de investimentos. Em julho de 2007, a cidade de Maputo foi escolhida para acolher a reunião de 2007 da parceria Índia-África, um sinal de que a classe empresarial indiana vê Moçambique como um ponto de acesso ao mercado da África Austral", adianta o estudo.

Por esse motivo, "a expansão econômica e diplomática da China no Oceano Índico é olhada muito de perto pela Índia", que se esforça por manter a China de fora do Fórum de Diálogo Índia, Brasil, África do Sul (IBSA), alegando a falta de fundamentos democráticos do gigante asiático.

As empresas indianas demonstram estar particularmente atentas às extensas e praticamente intocadas reservas moçambicanas de carvão.

O ministro indiano do Carvão anunciou recentemente no Parlamento a criação de uma joint-venture para compra de ativos no exterior, integrada por empresas estatais de energia e recursos minerais como NTPC, Steel Authority of India, NMDC, Rashtriya Ispat Nigam e Coal India.

Entre as empresas que já asseguraram posição na exploração de carvão em Moçambique estão a Bharat Earth Movers e a Global Steel Holdings (grupo Ispat), que comprou dois blocos para a exploração de carvão, com uma área de 30 mil hectares e reservas comprovadas de 70 milhões de toneladas.

Em Angola, a abordagem indiana nas licitações de licenças de exploração de petróleo foi, até agora, suplantada pela China, mas a Índia manifesta grandes ambições para o próximo leilão, tendo proposto a Angola uma parceria entre as petrolíferas estatais dos dois países - Sonangol e ONGC Videsh.

A proposta indiana, apresentada no final do ano passado ao ministro angolano das Relações Exteriores, João Bernardo de Miranda, envolve também projetos de exploração de petróleo na Índia e nos países de língua oficial portuguesa.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Moçambique/"Alto crescimento económico" não diminuiu desigualdade social

Maputo, 17 julho 2008 - A desigualdade social em Moçambique aumentou, apesar de o país ter registado nos últimos anos "um elevado crescimento económico", segundo disse hoje, em Maputo, o economista português Carlos Nuno Castel-Branco, na apresentação de um relatório da ONU.

Castel-Branco foi escolhido pela representação da ONU em Maputo para apresentar o relatório de 2008 sobre "Crescimento, Pobreza e Termos da Parceria para o Desenvolvimento" nos Países Menos Desenvolvidos, elaborado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

O documento, apresentado hoje em todo o mundo, avalia 50 países menos desenvolvidos, incluindo Moçambique e Angola, com base em critérios como o rendimento per capita, activos humanos e vulnerabilidade da economia.

No tocante a Moçambique, a avaliação mostra que o país está entre os que têm registado "altas taxas médias de crescimento nos últimos anos", acima de 6,5 por cento, mas através de "um padrão de crescimento que não é nem sustentável nem inclusivo e muito desigual".

A avaliação aponta o alumínio e gás, para Moçambique, como as principais alavancas para o acentuado crescimento económico registado, mas que não dão garantias de sustentabilidade.

"No caso de Moçambique, grandes projectos como a fundição de alumínio da MOZAL quase não pagam impostos, empregam pouca mão-de-obra, repatriam os seus rendimentos e não ajudam no desenvolvimento social do país, apesar do peso que tem nas estatísticas sobre o crescimento económico", sublinhou Castel Branco.

Caso a MOZAL tivesse com o Estado moçambicano as mesmas obrigações fiscais impostas a outros agentes económicos, o Orçamento do Estado, financiado em 50 por cento pelos doadores internacionais, duplicaria, frisou Castel-Branco.

O carácter "instável e volátil" dos preços das matérias primárias, em especial as energéticas e matérias-primas para os bio-combustíveis, das quais dependem as nações pobres para crescerem, também tem influência na insustentabilidade dos modelos de desenvolvimento seguidos por muitos desses países, observa o documento.

Outro elemento determinante no crescimento das economias menos desenvolvidas são os apoios da comunidade internacional, mas têm tido pouco impacte, devido à fraca capacidade dos países receptores em influenciar a afectação das ajudas às áreas prioritárias, lê-se no relatório.

Devido ao pouco impacte social que "as altas taxas de crescimento económico" tiveram nos 50 países analisados, o relatório conclui que os modelos de desenvolvimento e crescimento seguidos por esses Estados falharam, impondo-se, por isso, a formulação de novos padrões.

Essa nova visão deve incluir a diversificação da base produtiva, a apropriação das políticas de desenvolvimento por parte dos Estados receptores das ajudas internacionais e a aposta no desenvolvimento tecnológico e industrial, capazes de garantir uma estrutura económica mais competitiva.

"As expectativas para todos os países são sombrias, agravadas pela actual conjuntura. (...) Os países mais pobres devem procurar caminhos diferentes dos que têm feito até agora, porque há bastante tempo que os actuais modelos são criticados", sublinhou Castel-Branco. (AngolaPress)

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Projecto do porto de Buba, na Guiné-Bissau, retomado com capital

Bissau (Guiné-Bissau), 5 novembro 2007- O porto de Buba, na Guiné-Bissau, projecto idealizado pela autoridade colonial portuguesa e mais tarde pela União Soviética, vai ser retomado com capital angolano, numa afirmação clara da apetência de Luanda pela região.
O investimento total previsto no projecto é de 500 milhões de dólares, a assegurar por privados angolanos e a contrapartida será a exploração do porto e também o negócio da extracção da bauxite, numa altura em que os mercados internacionais de matérias-primas marcam máximos históricos.
A exportação da bauxite extraída na região do Boé, segundo relata a newsletter Africa Monitor, estará a cargo da empresa Angola Bauxite, e implica a existência de uma unidade portuária de grandes dimensões em Buba, mas o projecto contempla uma outra componente para rentabilizar o investimento na construção.
Está prevista a construção de via férrea de ligação ao Mali e Burkina Faso, para que o trânsito de produtos para estes países do "hinterland" próximo passe a poder efectuar-se por Buba.
Esta componente está a criar algum incómodo em Dacar e Abidjan, cujos portos passariam a ter um concorrente importante no trânsito de mercadorias para o interior da região.
O ministro dos transportes de Angola, André Brandão, também ligado ao projecto, esteve recentemente em Abidjan, aparentemente com o intuito de tranquilizar as autoridades senegalesas, que já haviam manifestado apreensão, de acordo com a "newsletter" editada em Lisboa.
As condições naturais de Buba - sobretudo a profundidade das suas águas e amplidão da zona abrigada - permitem que a infra-estrutura receba navios de grande calado, além de que está geograficamente próximo de zonas de exploração mineira e de grandes centros económicos do Mali e Burkina Faso.
O Africa Monitor adianta que à cabeça do projecto está Higino Carneiro, ministro das Obras Públicas angolano, que tem vindo a deslocar-se assiduamente à Guiné-Bissau, a última vez integrando a comitiva do primeiro-ministro Fernando Piedade dos Santos.
De igual modo, em menos de um mês recebeu por duas vezes o seu congénere guineense, Rui Araújo, na capital angolana.
Ligado ao projecto surge a barragem hidroeléctrica do Saltinho, que permitiria satisfazer as necessidades energéticas das principais infra-estruturas.
A concretizar-se, será a realização de planos que datam primeiro da administração colonial portuguesa e depois da ligação guineense à União Soviética, que aspirava construir em Buba uma base militar naval.
A intenção de Angola promover um projecto desta envergadura na Guiné-Bissau está a ser interpretado como tendente a reforçar a influência na África Ocidental e Golfo da Guiné.
Um primeiro passo no âmbito desta estratégia foi dado com o recente impulso para reactivação da Comissão do Golfo da Guiné, organização vocacionada para a cooperação económica, desenvolvimento e segurança, que vai passar a estar sedeada na capital angolana.
Luanda terá tido um papel fundamental na escolha do novo secretário-executivo – o são-tomense Carlos Gomes, antigo director executivo da autoridade da zona de desenvolvimento conjunto de petróleo STP/Nigéria.
A cerimónia de tomada de posse teve lugar em Março, na capital do Gabão, com a presença do presidente são-tomense, Fradique de Menezes, mas o grande impulso à recriação da organização, que desde a fundação em 1999 tinha dado poucos sinais de vida, foi dado pelo seu homólogo angolano.
Em São Tomé está outra "lança" angolana, patente na verdadeira catadupa de acordos de cooperação entre empresas dos dois países assinados nos últimos tempos.
No sector petrolífero, a agência nacional de petróleo de São Tome e Príncipe assinou recentemente um memorando de entendimento com a petrolífera estatal angolana, a Sonangol, tendo em vista abrir caminho a uma parceria entre as duas partes.
Nos transportes, a angolana Taag está no consórcio vencedor da privatização da nova companhia aérea são-tomense, a STP Airways, que substituiu a desaparecida Air São Tomé.
Operação idêntica deverá passar a Taag a assegurar também a partir de Bissau, tendo o ministro dos Transportes guineense admitido recentemente que estão num estado “avançado” as negociações de parceria entre a Taag e a Air Bissau que, pelos acordos aéreos com Portugal, dispõe de uma ligação a Lisboa.
No final de Março, São Tomé e Príncipe recebeu a pouco frequente visita de uma delegação de empresários angolanos, nomeadamente da banca e turismo, com o objectivo declarado de “avaliar eventuais investimentos” no arquipélago, que se mostra disponível para parcerias entre empresas dos dois países no sector das infra-estruturas e da agricultura.
A aposta de agentes económicos angolanos em países de língua portuguesa é também vista por analistas como uma forma de lidar com o excesso de liquidez que muitos deles actualmente registam, nomeadamente os ligados ao sector petrolífero.
Em destaque tem estado a petrolífera estatal Sonangol, com as suas dispendiosas aquisições em Portugal - primeiro uma participação na congénere Galp, depois cinco por cento do maior banco privado, Millennium Bcp.
Na semana passada, Moçambique recebeu uma importante comitiva angolana, encabeçada pelo presidente José Eduardo dos Santos, tendo sido assinados acordos de cooperação bilaterais para os sectores petrolífero, de ciência e tecnologia, educação superior, energia, geologia e minas, comunicação social, pescas, obras públicas e desenvolvimento empresarial.
O presidente Eduardo dos Santos manifestou publicamente a disponibilidade de Angola para colocar "toda a experiência e saber" no domínio petrolífero ao serviço de Maputo, onde estão em curso trabalhos de exploração, e uma nova ronda de licitações de licenças a ser preparada. (macauhub)