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sexta-feira, 31 de maio de 2013
Angola/Paixão Franco realça prioridade na diversificação da economia angolana
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Investimento de Angola no estrangeiro quadruplicou em 2008
De acordo com dados da Economist Intelligence Unit, no ano passado o IDE estrangeiro em Angola representou 1,9 mil milhões de dólares, três por cento do PIB, mas a principal evolução registou-se no sentido inverso, de Angola para o estrangeiro.
Dados da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), citados num estudo da agência portuguesa de comércio externo (AICEP), indicam que em 2007 o IDE angolano se situou em 331 milhões de dólares, mais do que triplicando em relação ao ano anterior.
“Até 2004, Angola assumia um papel de relevo enquanto destino do investimento estrangeiro, mas a partir de 2005 o sentido dos fluxos inverteu-se completamente, assistindo-se actualmente a um movimento de reforço dos investimentos angolanos no exterior”, sublinha o AICEP.
Estes investimentos dos agentes económicos angolanos, como a petrolífera Sonangol, têm sido direccionados em grande parte para Portugal, quer na compra de participações no sector bancário (Millennium Bcp, Banco BPI) ou energético (Galp Energia).
Com a recente abertura do Banco Privado do Atlântico – Europa, passaram a ser três os bancos de origem angolana a operar em Portugal, contando com o BIC Português e o Banco Africano de Investimentos – Europa.
Este processo de internacionalização, através de fortes investimentos em sectores estratégicos, está relacionado com a expansão da riqueza petrolífera do país, que atingiu no ano passado o valor mais alto de sempre, graças aos preços-recorde do petróleo nos mercados internacionais.
Esta evolução permitiu que entre 2004 e 2008 as exportações angolanas aumentassem cerca de 400 por cento e que as importações registassem uma expansão de 193 por cento.
“A estabilidade do kwanza, a disponibilidade de moeda estrangeira proveniente das exportações e o forte crescimento do PIB, têm conduzido a elevadas taxas de crescimento das importações (…) e há que ter em conta que os constrangimentos em termos de infra-estruturas portuárias e rodoviárias têm condicionado bastante o crescimento” das entradas de bens e serviços estrangeiros, refere o AICEP.
Os Estados Unidos são o principal destino das exportações angolanas (34,9 por cento em 2007, segundo a EIU), devido ao fornecimento de petróleo, mas a China, em segundo lugar, “vem-se aproximando cada vez mais”.
Portugal recuperou em 2007 o lugar de principal fornecedor de Angola, posição que tinha perdido nos três anos anteriores para os Estados Unidos (2006) e Coreia do Sul (2004 e 2005), neste caso devido ao fornecimento de plataformas petrolíferas.
Actualmente, os produtos energéticos representam aproximadamente 97 por cento do total das exportações angolanas, enquanto os bens de consumo compõem 60 por cento do total importado pelo país.
“Apesar do processo de paz ter criado as condições básicas para a normalização da actividade económica no país (possibilitando a mobilidade interna, fomentando a actividade comercial e o investimento), a carência de infra-estruturas físicas e de recursos humanos continuam a condicionar a evolução da economia do país”, refere o AICEP no seu relatório sobre Angola, publicado em Julho.
“Perante este quadro, e dando continuidade ao trabalho que vem sendo desenvolvido, o principal desafio para o governo angolano consiste no relançamento dos sectores fora do âmbito da indústria petrolífera e diamantífera, de forma a aumentar a oferta interna e diversificar as exportações, criando emprego e diminuindo a pobreza”, adianta.
Os últimos anos, refere o relatório, foram de “melhoria significativa” no plano económico, reflectida na generalidade dos indicadores destacando-se o elevado ritmo de crescimento do PIB e redução da inflação.
O índice de preços ao consumidor situou-se nos últimos três anos e deverá manter-se em 2009 na ordem dos 12 por cento, quando em 2005 atingia quase 25 por cento. (macauhub)
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Moçambique/"Alto crescimento económico" não diminuiu desigualdade social
Maputo, 17 julho 2008 - A desigualdade social em Moçambique aumentou, apesar de o país ter registado nos últimos anos "um elevado crescimento económico", segundo disse hoje, em Maputo, o economista português Carlos Nuno Castel-Branco, na apresentação de um relatório da ONU.
Castel-Branco foi escolhido pela representação da ONU em Maputo para apresentar o relatório de 2008 sobre "Crescimento, Pobreza e Termos da Parceria para o Desenvolvimento" nos Países Menos Desenvolvidos, elaborado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).
O documento, apresentado hoje em todo o mundo, avalia 50 países menos desenvolvidos, incluindo Moçambique e Angola, com base em critérios como o rendimento per capita, activos humanos e vulnerabilidade da economia.
No tocante a Moçambique, a avaliação mostra que o país está entre os que têm registado "altas taxas médias de crescimento nos últimos anos", acima de 6,5 por cento, mas através de "um padrão de crescimento que não é nem sustentável nem inclusivo e muito desigual".
A avaliação aponta o alumínio e gás, para Moçambique, como as principais alavancas para o acentuado crescimento económico registado, mas que não dão garantias de sustentabilidade.
"No caso de Moçambique, grandes projectos como a fundição de alumínio da MOZAL quase não pagam impostos, empregam pouca mão-de-obra, repatriam os seus rendimentos e não ajudam no desenvolvimento social do país, apesar do peso que tem nas estatísticas sobre o crescimento económico", sublinhou Castel Branco.
Caso a MOZAL tivesse com o Estado moçambicano as mesmas obrigações fiscais impostas a outros agentes económicos, o Orçamento do Estado, financiado em 50 por cento pelos doadores internacionais, duplicaria, frisou Castel-Branco.
O carácter "instável e volátil" dos preços das matérias primárias, em especial as energéticas e matérias-primas para os bio-combustíveis, das quais dependem as nações pobres para crescerem, também tem influência na insustentabilidade dos modelos de desenvolvimento seguidos por muitos desses países, observa o documento.
Outro elemento determinante no crescimento das economias menos desenvolvidas são os apoios da comunidade internacional, mas têm tido pouco impacte, devido à fraca capacidade dos países receptores em influenciar a afectação das ajudas às áreas prioritárias, lê-se no relatório.
Devido ao pouco impacte social que "as altas taxas de crescimento económico" tiveram nos 50 países analisados, o relatório conclui que os modelos de desenvolvimento e crescimento seguidos por esses Estados falharam, impondo-se, por isso, a formulação de novos padrões.
Essa nova visão deve incluir a diversificação da base produtiva, a apropriação das políticas de desenvolvimento por parte dos Estados receptores das ajudas internacionais e a aposta no desenvolvimento tecnológico e industrial, capazes de garantir uma estrutura económica mais competitiva.
"As expectativas para todos os países são sombrias, agravadas pela actual conjuntura. (...) Os países mais pobres devem procurar caminhos diferentes dos que têm feito até agora, porque há bastante tempo que os actuais modelos são criticados", sublinhou Castel-Branco. (AngolaPress)
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Brasil/É preciso estar alerta para práticas protecionistas de países ricos, diz Lula
Acra (Gana), 20 abril 2008 - - O aprofundamento da cooperação entre as nações do hemisfério sul foi defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante plenária de abertura da 12ª Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). Lula foi convidado de honra e o único chefe de Estado a discursar no evento ao lado do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e do presidente do país anfitrião Gana, John Kufour.
O presidente citou o G20 – grupo de países em desenvolvimento liderados pelo Brasil e pela Índia – como exemplo de relações Sul-Sul, frisou que é cada vez maior o intercâmbio comercial entre os países em desenvolvimento e alertou para a tentativa das nações mais ricas de impedir o aprofundamento dessa parceria.
“É preciso estar alerta contra a tentação dos países ricos em acentuar suas práticas protecionistas. Igualmente prejudiciais são as tentativas de perpetuar relações de dependência através da criação de entraves à expansão do comércio Sul-Sul”, disse o presidente.
Ele mencionou algumas iniciativas brasileiras na promoção do desenvolvimento do sul do planeta. Citou o Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul – que conta com recursos para projetos de desenvolvimento dos países mais pobres do bloco: Paraguai e Uruguai – também mencionou a realização de 80 projetos e atividades na África, apenas em 2007, e o estabelecimento de uma agência da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Gana.
Lula convocou os países mais ricos a fazer a sua parte no âmbito da atual rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC), a Rodada Doha que está em sua fase final. “Alcançar êxito nas negociações da Rodada Doha da OMC tornou-se uma tarefa inadiável”, disse.
“Os subsídios milionários pagos pelo Tesouro dos países ricos são como uma droga que entorpece e vicia seus próprios produtores, mas cujas maiores vítimas são os agricultores das nações mais pobres”, defendeu Lula. Os países em desenvolvimento pedem na Rodada Doha a eliminação do apoio financeiro concedido pelas nações mais ricas aos seus agricultores e a abertura dos mercados para os produtos agrícolas dos países em desenvolvimento.
Outro fator que pode facilitar o processo de integração regional e estimular o comércio Sul-Sul, segundo Lula, é uma maior participação dos países em desenvolvimento nos organismos financeiros multilaterais. Na avaliação do presidente, essas mesmas instituições – como o Banco Mundial e o FMI – devem trabalhar, em conjunto com a Unctad, mecanismos que garantam segurança alimentar aos países mais pobres – os que mais têm sofrido os efeitos da alta nos preços mundiais dos alimentos.
E aproveitou para defender os biocombustíveis das críticas de que comprometem a produção de alimentos. “Não há contradição entre a busca de fontes alternativas de energia e o desenvolvimento de padrões agrícolas que garantam a segurança alimentar.”
Como exemplo, Lula disse que no Brasil os níveis de desnutrição caíram ao mesmo tempo em que aumentou a produção e o uso do etanol.
“Estamos prontos a compartilhar nossa experiência com outras nações pobres na África, na Ásia e na América Latina e Caribe”, completou o presidente.
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/04/20/materia.2008-04-20.8782848469/view
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